domingo, 5 de agosto de 2007

Pesquisa Datafolha: a inacreditável mídia

Eliane Catanhêde escreve hoje na Folha um artigo sobre a mais nova pesquisa Datafolha (realizada nos dias 1 e 2 de agosto, com 2.096 pessoas) mostrando a inabalável aprovação de Lula e o título é "O inacreditável Lula". É um título que já diz tudo. Fala da confusão mental que tomou conta da oposição, de diversos analistas políticos e da mídia diante dos altos índices de aprovação a Lula, apesar de todo o noticiário negativo dos últimos tempos ("Cai avião, sobe avião; vem crise, vai crise; tem vaia, não tem vaia, e algo continua imutável: a popularidade de Lula"). Inacreditável, para mim, é a falta de percepção política da mídia classe média. Vejamos alguns trechos da reportagem da Folha, de Fernando Canzian, explicando o "inexplicável" contido na pesquisa:
48% acham governo bom ou ótimo, mesmo índice de março
Queda se dá apenas entre os mais ricos e os que viajam de avião; economia e Bolsa Família também ajudam a explicar o bom resultado
Entre março e agora, a taxa de ruim/péssimo do governo apenas oscilou, de 14% para 15%. Em outubro passado era maior: 17%.
Entre as explicações para a não-alteração da popularidade do presidente no período estão o fato de que a grande maioria dos brasileiros é pobre (59,5% têm renda familiar mensal de só até três salários mínimos por mês, ou R$ 1.050) e a constatação de que apenas uma minoria viaja de avião (8%).
Além disso, a situação econômica do país permanece boa, com estimativa de crescimento em torno de 4,5% em 2007. O programa Bolsa Família, que atende cerca de 11,1 milhões de famílias, também ajuda a entender a manutenção da alta popularidade de Lula.
Entre os 8% que costumam andar de avião, o percentual dos que consideram o presidente ótimo ou bom é de 29%, ou seja, 19 pontos inferior à media nacional. Os que definem o governo como ruim ou péssimo chegam a 30%, o dobro da média nacional (15%).
Entre os mais ricos, com renda familiar mensal acima de dez mínimos (R$ 3.500), a avaliação do presidente Lula despencou sete pontos entre março e agora. Mas entre os que ganham só até cinco mínimos (R$ 1.750), ela oscilou positivamente dois pontos - dentro da margem de erro do levantamento. Como a maioria dos brasileiros é pobre, a queda da avaliação entre os ricos (a minoria), não chega a afetar os resultados gerais. No Brasil, segundo a pesquisa, apenas 7,5% da população tem renda familiar mensal maior do que R$ 3.500.
Há uma coisa elementar em política: as questões imediatas - aquelas que são menos genéricas, que atingem concretamente a população, seja positivamente ou seja negativamente - falam mais alto. E quais são as nossas grandes questões imediatas? A chamada crise aérea é uma delas, claro, mas relacionada apenas à minoria da população. A redução da pobreza é outra e atinge a grande maioria da população brasileira.

Alò, Renan, bem-vindo de volta à crise...

Acabou o recesso de Renan Calheiros. Seu escândalo particular volta às manchetes e capas de revistas. Aliás, seu escândalo particular (a amante jornalista) já deixou de ser particular há muito tempo. Até mesmo a acusação original (de estar pagando a pensão da filha com propina de empreiteira) já ficou para trás. O fio da ninhada leva a bois, notas frias, grilagem, Schincariol, frigoríficos clandestinos, assaltos e mais um submundo de fatos estranhos. É verdade que Renan foi beneficiado por alguns acontecimentos, além do recesso do Congresso. Ele ficou um tempo esquecido pela oposição e pela mídia graças ao PAN e ao acidente da TAM. A ascensão de Nelson Jobim também pode beneficiá-lo, já que foi um dos principais articuladores de sua campanha pela presidência do PMDB. Mas talvez isso ainda seja pouco. O recesso acabou e a crise aérea começa a perder força como espetáculo. As garras da oposição e da mídia voltam-se inexoravelmente para Renan.

Menos, Jobim, menos...

Essas poses em uniforme de camuflagem nas selvas foram dose cavalar. No seu galope rumo à candidatura à Presidência da República, Nelson Jobim não mede esforços para conquistar espaço na mídia. Fez uma ponte aérea instantânea da imagem de "Cavaleiro de Congonhas" para a pose de "Jobim das Selvas". Não está muito errado, não. Mas precisa tomar cuidado com exageros. A Classe Média que quer conquistar não perdoa.

Acidente da TAM: obrigado, Tereza Cruvinel, por concordar com o que este Blog diz desde o começo

Desde o começo foi colocado aqui que a oposição e a grande mídia usaram e abusaram da tragédia do Airbus da TAM com o objetivo de atacar o Governo Lula. Os dias foram passando, as investigações avançando, as caixas-pretas clareando as idéias e o óbvio surgindo: o culpado não foi o grooving. Até o Arnaldo Jabor já tinha se segurado para evitar ataques infundados. Só estava faltando um nome de destaque da grande imprensa de certor modo reconhecer o o uso "oportunista" da tragédia. Na sua coluna de hoje, Manutenção, no Globo, Tereza Cruvinel diz coisas interessantes. Trechos:
A evolução das investigações sobre o acidente com o avião da TAM continua recomendando cuidado com as conclusões precipitadas. Por ter embarcado nelas, acreditando estar diante da chance de dar um golpe mortal no governo Lula, a oposição ficou um tanto zonza, a ponto de seus integrantes nas CPIs da Câmara e no Senado trocarem acusações.(...) Houve o momento em que toda a culpa foi posta na liberação da pista de Congonhas sem a execução do grooving, e/ou no fato de o pouso de ter sido autorizado sob chuva, com a pista escorregadia; e/ou ainda na hipótese de aquaplanagem. Depois o foco mudou para o tripé pilotoempresa-fabricante. O reverso com defeito que voava travado e o suposto erro do piloto ao deixar um dos manetes em posição de aceleração. Crucificado o piloto, veio a possibilidade de o erro não ter sido dele, mas do computador de bordo ao interpretar o comando. E a de ser do fabricante a responsabilidade maior, já que outros dois acidentes aconteceram nas mesmas condições. Se pilotos experientes cometem o mesmo erro nas mesmas condições, é bem possível que os comandos do Airbus e a regra operacional deles induzam facilmente ao erro. Mas vale também lembrar que tudo começou foi com a quebra do reverso, com a decisão da empresa de manter o avião voando, mesmo tendo ele apresentado um defeito na turbina. No pouso com reverso travado, o piloto teria se confundido.

sábado, 4 de agosto de 2007

Jornal não vende informação

Não li o livro "Os Jornais Podem Desaparecer?", de Philip Meyer, mas li a resenha de hoje na Folha (Notícias do futuro), feita por Carlos Eduardo Lins da Silva (livre-docente e doutor em jornalismo pela USP e mestre em comunicação pela Michigan State University, diretor de relações institucionais da Patri Políticas Públicas). O livro parece ser muito bom (a resenha classifica como ótimo, o mais relevante dentro do tema), tratando de um assunto cada vez mais polêmico: o jornal impresso vai ou não vai desaparecer? O autor parece ser bem meticuloso, sério, conhecedor do assunto. Mas o que mas achei interessante foi a sua tese de que "o jornal não vende informação, mas influência. Se o seu poder de influenciar cresce, aumenta também o seu valor de mercado". Segundo Meyer, que faz uma análise detalhada dos erros de 5.100 textos jornalísticos e de como eles foram encarados pelos leitores, "os erros que mais abalam a imagem do jornal não são aqueles que mais aparecem nas correções públicas que os jornais admitem (ou seja, os erros objetivos). São os erros subjetivos (decorrentes de má avaliação, contextualização equivocada, interpretação incorreta dos fatos, sensacionalismo, exagero, enviesamento) que minam a credibilidade". Para Meyer, "a questão é como os jornais querem subsistir, o quão socialmente relevantes eles querem ser para as próximas gerações". E alerta: "Se quiserem influir de fato na sociedade, os jornais terão de apostar na qualidade". Em outras palavras, Meyer aconselha os jornais a não fazerem o que a nossa grande mídia anda fazendo ultimamente.

Marte, aqui vou eu!

Foi lançado agora há pouco o Phoenix Mars Lander, diretamente de Cabo Canaveral, Flórida. Deve pousar no ártico marciano em 25 de maio de 2008. O reverso não está pinado. Leia no New York Times.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Pergunta que não quer calar sobre o acidente do Airbus: as empresas aéreas não temiam a ANAC?

Está nos jornais: O item 5 da instrução da Anac, editada em 31 de janeiro de 2007, determinava que, " em caso de pista molhada, a tripulação deve certificar-se de que o avião esteja com todos os sistemas operando, notadamente o reverso". Mas as empresas (TAM) preferiam a saída alternativa do fabricante do Airbus que concede 10 dias para o conserto do reverso. Ora, se precisa de conserto, a alternativa não é segura. Portanto, a instrução da ANAC deveria ser seguida à risca.

Crise aérea: as empresas aéreas fazem tudo para promover Nelson Jobim

Parece combinado. Nelson Jobim toma uma medida de bom senso, e logo as empresas aéreas reagem contra a medida, propondo o reverso (com trocadilho...). É mais uma oportunidade para Nelson Jobim voltar a mídia, rearfirmar o que disse e firmar-se ainda mais como sério, decidido, competente. Se ele diz que vai acaba rcom o hub de Congonhas, as empresas aéreas dizem que não têm aviões suficientes. Se ele decide descentralizar o tráfego aéreo, elas dizem que a passagem vai ficar mais cara. Aí Nelson Jobim aparece para dizer que acima de tudo está a segurança, que se houver preço abusivo Governo vai intervir, etc. Elas estão colaborando intensamente pelo marketing pessoal do Ministro. Se continuar assim, nem precisa contratar consultor de marketing eleitoral...

O Globo dá exemplo de bom jornalismo

O jornal O Globo deu espaço hoje para um artigo (A manipulação da notícia contra o PT e seus dirigentes) de Paulo Ferreira, Secretário Nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT). Seria bem natural. Mas ganha destaque porque o texto de Paulo Ferreira põe o dedo na ferida da extensa campanha de oposição ao Governo Lula capitaneada pelas Organizações Globo. É claro que o espaço da seção de Opinião está longe de ter o mesmo impacto as primeiras páginas dos jornais ou as escaladas eletrônicas, sempre muito tendenciosas. Mas o texto é contundente, sem meias-palavras. Trechos:
Sensacionalismo, aliás, que se tornou rotina e manual de conduta de boa parte (se não maioria) dos órgãos de comunicação. A quem interessa esse tipo de picaretagem eletrônica?
Não é de hoje, aliás, que os barões da comunicação se posam de “donos da verdade” (...) E fazem isso porque são parte de uma elite preconceituosa (...) Sonham em voltar ao poder, retomar privilégios...
Talvez fosse o caso da mídia brasileira repensar o seu papel, aprender a conviver numa democracia com liberdades individuais, direito à informação com imparcialidade, pluralismo e isenção.

Ponte que caiu: outras 144.250 também estão com problemas

A ponte da Interstate35 West, sobre o rio Mississipi (em Minneapolis, Minnesota), que caiu matando pelo menos 4 pessoas (mais 30 desaparecidas), era apenas mais uma das que estão com problemas. Relatórios de 2004 apontaram deficiência em 1/4 das 577.000 pontes americanas, como mostra a reportagem de Ron Scherer, Bridge collapse spotlights America's deferred maintenance, do The Christian Science Monitor. Há uma situação crítica de infraestrutura nos Estados Unidos, aparentemente por falta de investimentos. "Segundo engenheiros, a nação está gastando somente cerca de dois terços do que seria necessário para a segurança de diques, represas, açudes, estradas e pontes. E a situação é urgente porque muitas dessas estruturas foram projetadas há 40 ou 50 anos". Problemas recentes de infraestrutura:
  • No mês passado, uma tubulação de 100 anos explodiu em Manhattan
  • Os diques de New Orleans mostraram-se inadequados diante do Katrina
  • Em 2003, a represa do lago Silver, em Michigan, causou um prejuízo de 100 milhões de dólares
É bom lembrar que isso está ocorrendo no país mais poderoso do mundo. E o que é ruim para os Estados Unidos é péssimo para o Brasil.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ponte que caiu: o culpado foi Bush ou foi Lula?

Atenção, mídia: com toda certeza Lula não é responsável pela queda da ponte sobre o rio Mississipi ocorrida ontem, em Minnesota, Estados Unidos, com a morte de pelo menos 4 pessoas (por favor, sem exploração da dor da família das vítimas). Parece que Bin Laden também não tem nada a ver com a história. Segundo o correspondente (Roberto Kovalick, creio) do Jornal Hoje, calcula-se que existam cerca de 160.000 pontes em estado precário nos Estados Unidos!!! Não seria o caso de convocar o Nelson Jobim?

Acidente da TAM: fim das dúvidas

Finalmente a mídia chega a uma certeza: ainda é (no mínimo) cedo para se dizer com segurança qual foi a causa principal do acidente com o Airbus da TAM. A mídia ainda vai tentar conviver muito tempo com o tema. Explorando o acidente de forma mórbida e cruel (como fez o Globo de hoje, com a manchete de 1ª página: "Não dá, não dá. Ai, meu Deus"); tentando encontrar um ângulo novo do acidente (como faz a maioria: Folha, "Falha ocorreu 2 segundos antes do pouso"; O Dia, "Airbus da TAM bateu em potência máxima"); voltando-se para a questão política (como faz o Estado de Minas, "CPI confunde mais do que explica o acidente"). A caixa preta não trouxe a resposta que se esperava - trouxe apenas gritos sem sussurros para enriquecerem certo jornalismo marrom. CPI e especialistas ainda povoarão o noticiário por algum tempo. Nelson Jobim encontrará algum meio de ocupar espaço. O caso Renan volta a ganhar corpo. Os ataques a Lula sofrerão um pouco do efeito reverso. Só vai ficar faltando alguém ter a coragem de fazer a principal manchete: "O culpado não foi o grooving".

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Acidente da TAM: dessa vez. os Deputados perderam a corrida do vazamento

A Folha de hoje saiu na frente e divulgou informações sobre o acidente do Airbus da TAM que a CPI do Apagão só terá acesso na sua próxima reunião "secreta". Quem vazou não se sabe. Pode ter sido alguém da Aeronáutica, do Ministério da Defesa, de outro setor do Governo, dos especialistas americanos, do fabricante do Airbus, das empresas aéreas, quem sabe? Uma coisa parece certa: os Deputados não tinham condições de conhecer o conteúdo por dois motivos: 1) os CDs estão lacrados, para primeiro acesso em grupo; 2) O Painel da Folha antecipou a ducha de água fria que haveria na CPI: "Anticlímax. O frissom que tomou conta da CPI do Apagão com os dados das caixas-pretas do Airbus da TAM sofrerá duas duchas de água fria. Os deputados não devem ouvir os diálogos da cabine (o áudio só pode ser aberto com um programa de computador que a CPI não tem). Além disso, a transcrição está em inglês". A questão é: a quem interessava a divulgação antecipada? Seria uma vacina do Governo contra possíveis diatribes dos Deputados? Seria a Infraero tentando provar antes de tudo que a pista não teve culpa? Seria Nelson Jobim tentando evitar holofotes demais realçando os Deputados? Seria a Airbus correndo na frente para fixar a idéia de que foi erro humano, falha dos pilotos? Seria apenas uma questão financeira, alguém querendo ganhar uns trocados na venda da informação em primeira mão? Seja qual for a motivação, não resolveu o principal: as causas ainda não inteiramente determinadas. A reportagem da Folha não traz a palavra final, mesmo porque talvez não haja uma causa única. A única certeza que temos até agora é que, entre as causa possíveis (pista, piloto, TAM, Airbus, etc.), a pista é a que teve menos culpa - se é que teve. Isso mostra ou a incompetência da mídia na pressa em encontrar culpados sem investigação completa ou a competência da mídia em criar uma crise para o Governo Lula. Veja trechos da reportagem da Folha ("Caixa-preta do Airbus indica falha de piloto"):
A caixa-preta do Airbus-A320 da TAM que caiu em São Paulo no dia 17 indica que houve erro do piloto na operação da alavanca de aceleração das turbinas, além de captar o desespero dos pilotos em tentar frear o avião no solo. Embora menos provável, uma pane no computador do avião também não pode ser descartada, isoladamente ou em conjunto com o provável erro humano.

A primeira falha, cuja hipótese havia sido antecipada pela Folha na semana passada, ocorreu pouco antes do pouso, quando o manete de controle do motor direito foi mantido numa posição de aceleração. Deveria estar em ponto morto, como o outro manete.Ao pousar, os sistemas eletrônicos interpretaram esse procedimento como um desejo do piloto de acelerar. As duas turbinas passaram a acelerar automaticamente. Os freios aerodinâmicos não foram acionados. O freio automático dos pneus também não funcionou.Pode ter contribuído para a aceleração anormal um segundo erro: apenas o manete da turbina esquerda foi colocado na posição de reverso máximo. Essa turbina estava com o reversor, equipamento que auxilia a frenagem ao inverter o fluxo de ar na turbina, funcionando -a outra, não.Mesmo com o reversor inoperante na turbina direita, o procedimento correto deveria ter sido colocar ambos os manetes em reverso. Mas o direito permaneceu acelerando, segundo o registro.

Houve outros acidentes semelhantes com o A320 atribuídos a falha do piloto.

Perdendo o controle, o piloto então tentou parar o avião pressionando os dois pedais à sua frente, freando os pneus do trem de pouso. Ao mesmo tempo, com as mãos, segurou o quanto pôde o mecanismo interno que controla a direção da bequilha, a roda da frente do equipamento. Mas as turbinas continuaram a acelerar.

O arquivo de áudio a que a Folha teve acesso revela que o piloto e o co-piloto emitem frases lacônicas, mas importantes.Ao tocar o chão na pista principal de Congonhas, uma voz na cabine diz: "Reverso um apenas". Ou seja, o piloto e o co-piloto sabiam que só um reversor estava operante. Em seguida, outra frase: "Spoiler nada...". Ou seja, os spoilers (freios aerodinâmicos na parte de cima das asas), que abrem automaticamente no pouso, não funcionaram.O tom fica dramático: "Desacelera, desacelera, desacelera!". Aumenta o pânico: "Não dá, não dá, não dá". Por fim, a frase já conhecida: "Vira, vira, vira".

Assim que o Airbus tocou o solo, as duas turbinas voltaram a ser acionadas. Uma delas estava com o reversor acionado (do lado esquerdo) e o fluxo de ar passou a ser invertido, ajudando a frear um pouco o equipamento. Do lado direito, porém, a turbina continuou a aumentar a força, como se o avião tivesse de fazer nova decolagem. Pela tentativa do piloto em "segurar" o avião, é possível que ele tenha adernado à esquerda já no começo do pouso.Sobre a pista de Congonhas, as caixas-pretas ainda não encerram a polêmica. Mas o fato de o piloto ter conseguido manter o avião na pista indica que a aderência não poderia estar muito abaixo do padrão.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Blow-down

Blow-up, A Aventura, A Noite, Monica Vitti, O Eclipse, O Passageiro Profissão Repórter, Jack Nicholson, Maria Schneider, Gaudì, Hotel Oriente, Barcelona, Vanessa Redgrave, David Hemmings, Alain Delon, Deserto Vermelho, Zabriskie Point. Milhares de nomes, um mundo fabuloso do cinema. Jack Nicholson declarou certa vez que foi preciso trabalhar com Antonioni (O Passageiro Profissão Repórter) para aprender interpretação (algo assim). Um gênio. Fiz um poema-didático (Blow-up, Blow-down) inspirado no seu filme. Acho que fui o primeiro no Brasil a escrever crítica sobre o Profissão Repórter. Adorava o longo trecho sem cortes com a câmera passando pela grade da janela, que trouxe do YouTube. Valeu por tudo, Antonioni.

O "Cansei" já cansou

O movimento anti-Lula chamado "Cansei" fez jus ao nome. "Veio, ninguém viu e cansou". Reuniu mais espaço na mídia do que pessoas. Tentou decolar com os parentes das vítimas do acidente da TAM, mas faltou pista. Ou melhor, sobrou pista, faltou gente. A caminhada, dizem eles, tinha 6.000. Mas um comentário aqui do Blog fala em bem menos:"quem esteve lá sabe que não passavam de umas 800 pessoas, somando os funcionários do estado e da prefeitura que apareceram depois da passeata começar, com não mais que 200 gatos pingados". A Reportagem de Bob Fernandes, ontem, no site Terra, fala assim: "Domingo, 11 da manhã. Com duas mil pessoas, a passeata convocada pelos movimentos "Cansei" e "Cria" (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante) chega à avenida 23 de Maio. O coro "Fora Lula" já deu o tom à caminhada. A alguns quilômetros dali, abraçado e beijado por populares e tendo a seu lado o senador Marco Maciel (DEM-PE), o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo assiste à missa na Catedral da Sé". A frase de Cláudio Lembo faz o título da reportagem: "Cansei" é termo de dondocas enfadadas". A propósito do "Cansei" (e outros cansaços...), Jânio de Freitas escreve hoje na Folha: Cansei de "basta!" O que mais deseja a riqueza do país, além das condições inigualáveis que o governo Lula lhe proporcionou? Sobre a mistura do movimento com parentes das vítimas, disse Lembo na sua entrevista ao Terra: "a utilização de um movimento natural e de motivos nobres por movimentos e atividades com claro objetivo político ainda que tentem escondê-lo ou apesar de o negarem, e isso não é bom (...) porque as vítimas, os familiares, os acidentes comoveram o Brasil e produziram, inclusive na sociedade, uma dor imensa, enquanto o movimento de Campos do Jordão o que quer é ter espaço na mídia etc. (...) um dos organizadores centrais, senão o principal, ao menos no início (...) o empresário João Doria Jr., ao que li e acompanhei nas últimas semanas, há pouco dedicava-se a um desfile de cãezinhos de madames em Campos do Jordão". Cansei? Tenha Dó...ria!

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Xeque-Morte

Acabo de saber da morte do chato mais fantástico que existiu. Chatíssimo e estupendo. Ingmar Bergman, o cineasta sueco rei da deprê. Gostava muito de ver seus filmes. "O Sétimo Selo" vi apenas uma vez, há décadas. Memorável. Trouxe um trecho do YouTube. Gostaria de trazer também o trecho final de "A Última Noite de Boris Grushenko", de Woody Allen, com uma referência deliciosa ao final do "O Sétimo Selo", mas não encontrei. Encontrei outros trechos, dublados em espanhol, o que tira toda a graça - se é que é o caso...

Acidente da TAM: César Maia versus José Serra

No seu Ex-Blog de hoje, o Prefeito do Rio, César Maia (DEM, ex-PFL), resolveu levantar a bandeira do "anti-paulicentrismo". Citou Vargas, mencionou JK, Afonso Pena, Prudente de Morais, Campos Sales, Rodrigues Alves, Washington Luís, Julio Prestes e Bernardino Campos, e ainda parafraseou Otto Lara Resende para concluir que "a elite paulista não é solidária nem na tragédia!" Trouxe de volta até a "bucha" (organização de estilo maçônico, - criada no séc 19 - dos alunos da escola de direito do Largo de São Francisco, nos moldes alemães). Tudo para protestar contra a posição do Governador de São Paulo, José Serra (PSDB) na questão aérea. César Maia acusa Serra de estar lutando contra a descentralização das operações aéreas (o centro é São Paulo) e com isso fazer o jogo das empresas aéreas, mais interessadas em economia de escala do que na segurança dos passageiros ("Lixe-se a segurança do vôo e dos passageiros. Lixem-se todos, e que as empresas aéreas se lambuzem com esta economia de escala."). César Maia defende - com propriedade - a descentralização para aeroportos do Rio, Belo Horizonte, Salvador e (se der) Brasília, "antes que a próxima tragédia surja nos jornais e afete a todos - mais próximos ou menos próximos das futuras vitimas". Sua defesa da descentralização faz sentido, é por uma boa causa - a da maior segurança nos vôos. Mas duvido que não haja uma boa dose de política, um plano para os próximos vôos eleitorais.

Acidente da TAM: cansei, está na hora de jornalismo sério

O noticiário sobre a tragédia do Airbus da TAM até agora foi um verdadeiro descalabro. O caos informativo começou com a certeza de que a causa do acidente teria sido a aquaplanagem na pista de Congonhas que, por sua vez, teria sido liberada irresponsavelmente pelo Governo Lula, causador também de um suposto apagão aéreo. Com o fim da culpa do tal do grooving, seguiu-se uma sucessão de trocas de causas e efeitos insuportáveis e irresponsáveis. A caixa-preta virou uma caixinha de surpresas. Todo mundo tira dela uma informação nova e exclusiva, reveladora da verdadeira causa do acidente. Mas na maioria dos casos o que se tem é uma campanha política que usa a dor das famílias das vítimas como escada para tentar atingir mortalmente o Governo Lula. A investigação jornalística é importantíssima, é da natureza da profissão. Mas ela tem que ser profunda. Ousada, mas bem fundamentada. Caso contrário, trata-se apenas de manipulação jornalística. O momento crítico exige mais seriedade do que nunca. O culpado foi o piloto, foi a pista, foi a TAM, foi a Infraero, foi a Airbus, foi a relação homem-máquina, foi a soma de tudo isso? Daqui a pouco vamos saber com certeza. Duvido que não se chegue a uma resposta precisa, esclarecedora. Queremos saber o certo para que haja uma solução capaz de evitar outras tragédias. Até o Arnaldo Jabor já percebeu que não temos que achar um culpado a qualquer custo. Está na hora de sair das nuvens e pôs os pés no chão. Com toda segurança.

Acidente da TAM: a manifestação foi um ato de justa indignação ou teve jogada política?

Ontem, entre 5.000 e 6.000 (dados dos organizadores, Defesa Civil e Guarda Civil Metropolitana) fizeram caminhada do Ibirapuera ao ao prédio da TAM Express, em São Paulo, em protesto contra a tragédia do Airbus da TAM. Com certeza, começou como um protesto justo, movido pela dor dos parentes das vítimas. Mas tá na cara que houve manipulação. Um dos que participava do comando era Floriano Pesaro, secretário de Assistência e Desenvolvimento Social do governo Kassab (DEM, ex-PFL). Segundo a Folha, ele contou que estava lá, discursando em cima do caminhão que conduzia a passeata, como integrante do Cria (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante) Brasil e como "paulistano indignado". "Essa passeata é apartidária", disse Floriano. "Viajo de avião com freqüência. Estamos sujeitos a pegar um vôo e não voltar para casa. Não vamos mais tolerar a inércia do Estado. Vamos protestar, entrar na Justiça." Difícil acreditar no apartidarismo. Parece que foi mesmo coisa de Demos com bicadas Tucanas...
O PAN 2007 foi excelente. Não apenas pelo quadro de medalhas, mas principalmente pelo astral geral do país. Isso, apesar de ter acontecido a tragédia da TAM logo no início. Os atletas estão de parabéns, o público está de parabéns. Tivemos algumas decepções, claro, mas quero fazer alguns destaques (devo ter esquecido um ou outro):
  • O adesivo "We love Congo", reação à frase preconceituosa do representante americano
  • A nossa primeira medalha de ouro, para Diogo Silva
  • O futebol feminino
  • O homem-água, Thiago Pereira
  • Bernadinho (mais uma vez)
  • Paz no Rio
  • A final entre os brasileiros Jorvan Vieira e Hélio dos Anjos, técnicos de futebol na Copa Ásia, claro, com a vitória lindíssima da Seleção Iraquiana sobre a Seleção Saudita.

domingo, 29 de julho de 2007

Estão faltando leitos nos hospitais... da Inglaterra!

A matéria de capa do The Independent deste domingo é explosiva. Fala da crise dos leitos hospitalares, algo secularmente conhecido entre nós - mas neste caso trata-se da Inglaterra. A situação da falta de leito para tratamento de vítimas de traumato-ortopedia é considerado um escândalo nacional e está levando milhares de vítimas a sofrerem sem tratamento adequado. Alguns acidentados podem ficar até 3 semanas esperando para que seus ossos quebrados sejam reparados. O doutor Martin Bircher, um cirurgião conceituadíssimo, responsável pela denúncia ao jornal, declara que esse atraso prejudica a recuperação. Ele disse que "pacientes que foram seriamente feridos em estradas ou outros acidentes têm que esperar em média 12 dias - em agonia pelas dores - para receberem o tratamento especialista vital". Esperamos para breve a notícia de que o culpado é o Lula.

sábado, 28 de julho de 2007

Cuidado, Jobim, que você está sendo colocado nas alturas...

Folha Nelson Jobim soube ocupar muito bem os espaços nos seus primeiros dias como Ministro da Defesa. Chamou para ele o acidente da TAM e todos os problemas de gestão do setor aéreo. Visitou o Aeroporto de Congonhas, conversou com os tucanos, antecipou medidas, ameaçou trocar o segundo escalão do setor, deu entrevistas, falou e disse, mostrou que está no comando. Tudo muito bom. Tirou Lula do foco, aliviou as tensões, saciou parte das hordas sangrentas da classe média. Só precisa ter cuidado com a dosagem. Outro dia, um amigo meu, jornalista, falou para a mulher, também jornalista, que começava a achar que Nelson Jobim estava falando demais (Vejam só: com apenas dois dias de nomeação!). Talvez esse seja o risco: quando alguém é colocado demais nas alturas, o tombo pode ser maior. E é bom não esquecer que quem está do outro lado, no comando da oposição, são figuras como César Maia, Serra, a grande mídia e muitos outros de olho em 2010. É verdade que quem vê de cima vê melhor (do filme "Por um punhado de dólares") - mas também é melhor visto...

Guerra do algodão: Brasil vence Estados Unidos na OMC

O Itamaraty revelou ontem que a OMC - Organização Mundial do Comércio decidiu contra os subsídios do governo americano à produção de algodão. Isso dá direito ao Brasil de "retaliar os Estados Unidos se o país não cumprir integralmente a decisão do órgão de eliminar os subsídios". A medida também favorece os países africanos. Leia na BBC.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Comitê Político do Partido Comunista Chinês adverte contra economia superaquecida

O Diário do Povo de hoje divulga advertência do Partido Comunista Chinês feita a governos chineses regionais que estariam "ignorando decisão do Conselho de Estado para economizar energia e reduzir emissão de gases e que continuariam investindo pesado em setores de alto consumo dos recursos energéticos". Os investimentos em áreas urbanas cresceram 26,7% no primeiro semestre e grande parte do dinheiro está indo para indústria com alto consumo de energia. O Comitê Político do PCC, dirigido pelo Presidente Hu Jintao, declarou como prioridade "prevenir a economia contra o superaquecimento" e enfatizou a "necessidade de colocar o ambiente econômico doméstico e internacional na perspectiva certa, evitando excesso de liquidez e de produção além do necessário. A produção agrícola, principalmente de grãos, deve aumentar, e o desenvolvimento da infraestrutura agrícola deve acelerar. O compromisso de cortar o consumo de energia em 20% por cada unidade do PIB até 2010 é um desafio a ser cumprido", diz ainda o Comitê Político. São medidas que todo mundo está cansado de saber que são imprescindíveis para combater o aquecimento global e garantir um futuro melhor para a humanidade. E é bom saber que a alta direção da economia que mais cresce (ou uma das) no mundo está levando o assunto a sério.

Nelson Jobim faz plano de vôo para 2010

Quando um político diz "minha mulher não deixa" quer dizer "não penso em outra coisa". E a idéia de candidatura à Presidência da República com certeza já sobrevoa a cabeça de Nelson Jobim há muito tempo. A alta exposição positiva que teve como Presidente do STF dava margem a pensar nessa direção. A tentativa de presidir o PMDB seguia nesse rumo, mas a derrota para Michel Temer mostrou fragilidade política e abortou a decolagem mais ousada. Agora uma nova chance pousou perfeitamente em seu colo. Primeiro, claro, ele terá o que resolver a chamada crise aérea. O que não é difícil. Na guerra das percepções, ele já conseguiu passar muito bem a imagem de "salvador da Pátria". Postura austera, mostrando decisões, comando, disposição para análise e carta branca para mudar o que for preciso. Já conquistou a mídia, está agradando a classe média e até calou a oposição. As condições climáticas estão favoráveis. Mas é claro que ainda existe muita pista pela frente. O mau tempo começará a surgir exatamente entre seus amigos Serra e Fernando Henrique, que verão no seu nome turbulência para os vôos tucanos. Da mesma forma, César Maia e seus "demos" não gostarão de ver seus eleitores conservadores embarcando nessa viagem. O céu nordestino também não será de Brigadeiro. Ciro Gomes vai ligar os sinais de alerta, claro. E o próprio povo nordestino pode se mostrar arredio ao ar imperial de Nelson Jobim que agrada tanto em regiões sulistas. Dois fatores vão contribuir para que Nelson Jobim mantenha as turbinas ligadas: o fato de finalmente o PMDB ter um nome próprio forte para concorrer à Presidência e o seu trânsito fácil no terreno petista, a começar por Lula, Mercadante, Tarso e até, quem sabe, José Dirceu. Mas, como já disse, ainda existe muita pista pela frente e Jobim terá que ter mais combustível para alçar vôo com segurança.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Acidente da TAM: afinal, a altura do Hotel do Oscar interfere ou não interfere na extensão da pista de Congonhas?

Todos nós vimos no Fantástico, e até já falei aqui no Blog, que o Oscar's Hotel, que teve sua construção autorizada no ano 2000, contribui para reduzir em 130 metros a extensão da pista do Aeroporto de Congonhas. Agora, acertadamente e espertamente, o Prefeito Kassab decidiu interditar o prédio. O empresário Oscar Marone, claro, está chiando e acusando os governos de incompetência. O Prefeito retruca, diz que o empresário enganou a Aeronáutica, dizendo que ia construir um edifício de escritórios e fez um edifício de flats residenciais. A jornalista da sala ao lado não resiste e solta o berro: E DAÍ??!!! QUE DIFERENÇA FAZ PRA EXTENSÃO DA PISTA???!!! Realmente, não faz sentido. Se é de escritórios ou de flats a altura é a mesma. E a construção deveria ter sido proibida em primeiríssimo lugar pela altura, não por causa do "zoneamento de ruído". Leia a reportagem completa no G1 e aproveite para ver a foto do docinho do empresário.

Jobim, defesa da imagem ou do país?

Na sua luta quase ensandecida contra Lula, o Prefeito César Maia, do Rio de Janeiro, escreve hoje no seu Ex-Blog que Nelson Jobim é o "ministro da defesa da imagem do governo". Trocadilho à parte, ele está certo. Em política, a guerra de percepções é travada incessantemente e nós todos somos testemunhas dos ataques violentos que são feitos para destruir a imagem de Lula. Isso acontecia mesmo antes de sua eleição, mas intensificou-se em 2005. Teve o mensalão, que não deu certo. Tivemos vários escândalos, fabricados ou não, que tentou-se atribuir a Lula, mas também não deu certo. Teve a queda do avião da Gol e a crise dos controladores que já estavam quase sendo abandonadas como arma política, trocadas pelo caso Renan. Com o recesso, Renan ganhou sobrevida. Tentou-se a vaia do PAN, logo desmascarada. Mas para a felicidade geral da não-Nação, veio a tragédia da TAM. O primeiro movimento dos abutres de ocasião foi no sentido de culpar a pista do Aeroporto de Congonhas e, por tabela, a Infraero e, por tabela, Lula. Viu-se logo que não era bem assim, mas não importava. O sofrimento das 200 famílias passou a ganhar corpo como culpa de Lula. E o país passou a viver os efeitos dessa batalha. Como qualquer batalha real, digo, dessas que são vistas no Iraque, na Palestina ou no Complexo do Alemão, a batalha das percepções pode ser algo cruel, de baixarias, insensível, completamente desprovida de bom senso. É uma batalha assim que estava (está) em marcha, com vantagem momentânea para os degradadores. Trata-se de uma situação que abala qualquer governo, mas abala principalmente o país. Ao mover as peças em defesa de sua imagem, o Governo Lula também procura defender o país. A retomada do clima de serenidade é fundamental para todos nós. Não queremos dizer que não deva haver o embate político, com batalhas de percepções renhidas. Mas não se pode ficar eternamente na "batalha pela batalha" ou no "quanto pior melhor". Pessoalmente, não tenho nada nem a favor nem contra Nelson Jobim. Apenas penso que ele foi a melhor escolha de Lula em defesa de sua imagem (nisso, César Maia concorda) e também em favor do país (isso os César Maia não querem aceitar).

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Médicos dos EUA contornam embargo e se formam em Cuba

Os governos americanos não desistem de fazer campanha anti-Cuba. Mas, segundo essa notícia da BBC, oito estudantes americanos acabam de se formar na Escola Latino-Americana de Medicina, em Havana. Os jovens, todos de famílias pobres, passaram seis anos estudando medicina na ilha, com bolsas de estudo do governo cubano, que incluíam as aulas, os livros-texto, a comida e a acomodação. Como pagamento, os médicos devem regressar a suas comunidades nos Estados Unidos e oferecer serviços assistenciais de baixo custo aos que necessitarem. Como centenas de outros estudantes em toda a América Latina e África, os oito estudantes, que não tinham como pagar por seu treinamento nos Estados Unidos, receberam bolsas integrais de Cuba. "Recebemos tudo, dos livros aos uniformes. As condições são que voltemos às nossas comunidades, onde quer que sejamos úteis, e que providenciemos atendimento à saúde", disse Evelyn Erickson, de Nova York. Os estudantes vieram a Cuba graças a um acordo entre o presidente cubano, Fidel Castro, e membros do bloco de legisladores negros do Congresso americano. Em outras circunstâncias, cidadãos americanos são legalmente proibidos de visitar Cuba. Segundo as autoridades cubanas, mais de 80 jovens americanos estão estudando na Escola Latino-Americana de Medicina, cujos diplomas são reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao todo, já seriam mais de 5 mil jovens de 25 países estudando medicina em Cuba.

Estados Unidos usam dinheiro cubano para indenizar vítimas de seus ataques frustrados

Segundo notícia distribuída pela Reuters, uma mulher do Maine (nordeste dos EUA) abriu processo contra o líder cubano, Fidel Castro, pela captura e morte do seu pai (Geoffrey Francis Sullivan), um piloto que teria desaparecido sobre Cuba há mais de quatro décadas, disseram autoridades judiciais na quarta-feira. O processo foi aberto em maio por Sherry Sullivan e remetido nesta semana a Cuba. Acontece que Sullivan-pai tinha se envolvido "em várias operações secretas anti-Castro na América Central e Cuba" antes de desaparecer, quando sobrevoava a ilha, em 1963 e foi declarado morto pelas autoridades dos EUA, segundo a ação, que pede uma indenização não-especificada. Quem pensa que isso é maluquice, enganou-se. Olha só a esperteza: graças a uma lei norte-americana de 1996, vários casos desse tipo já foram abertos na Justiça dos EUA contra Cuba, e várias famílias conseguiram indenizações, pagas em parte com verbas congeladas de contas cubanas em bancos dos EUA. O jornal Miami Herald diz que o fundo chegou a somar 268 milhões de dólares, mas há relatos de que o dinheiro já praticamente acabou. Traduzindo: os Estados Unidos primeiro seqüestram o dinheiro cubano, depois tentam tomar o poder local à força e por fim pagam os prejuízos e as indenizações com o dinheiro da grande vítima - Cuba!

Lula vai para o ataque trocando a Defesa

A questão de Waldir Pires no Ministério da Defesa era acima de tudo de percepção. Sobre ele eram descarregadas todas as responsabilidades pelos problemas aéreos que cruzaram os céus brasileiros nos últimos tempos. A percepção negativa existia tanto na oposição civil (incluindo a mídia) quanto entre os militares saudosos do Golpe de 64. Nelson Jobim na Defesa é um bom movimento de ataque. É um bom nome para neutralizar as percepções negativas e vencer a crise. O país (exceto o Prefeito César Maia, claro) conta com isso.