Engraçadíssima essa manchete na primeira página do Globo de hoje. Definitivamente, graças a suas trapalhadas na economia, os Estados Unidos estão virando piada.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
A manchete do dia é Global
domingo, 28 de agosto de 2011
Steve Jobs e a Bauhaus - bela homenagem
Na Folha de hoje, Fabio Cypriano escreve o artigo "Jobs massificou a utopia de design da Bauhaus", onde aponta os bits em comum entre as escolas Apple e Bauhaus, a grande escola de vanguarda do design, da arquitetura e das artes plásticas de 100 anos atrás. Não uso produtos Apple, até mesmo por questões (contraditoriamente) funcionais. Mas admiro Jobs e suas criações, assim como admiro a Bauhaus.
JOBS MASSIFICOU A UTOPIA DE DESIGN DA BAUHAUS
Fabio Cypriano
É difícil apontar alguém que melhor tenha conseguido pôr em prática, em escala massiva, a utopia da Bauhaus, a escola alemã criada em 1919, do que Steve Jobs.
O arquiteto Walter Gropius (1883-1969), fundador da escola, apregoava: "Queremos criar uma arquitetura clara, orgânica, cuja lógica interna será radiosa e despojada".
Essa pode ser uma descrição precisa de qualquer produto criado por Jobs.
Os computadores da Apple ou seus "gadgets" - como o iPod, o iPhone ou o iPad - seguem à risca o princípio de que "design é função, e não forma", como seu ex-presidente-executivo costuma defender, e o que é outro dos grandes pilares da Bauhaus.
Por isso, seus produtos não apenas inovaram no conteúdo -como no uso do MP3, nos celulares com touch screen e nos tablets- mas o design de todos eles foi criado de forma absolutamente coerente com o que cada um dos aparelhos proporciona.
E foi por isso que, assim como os produtos da Bauhaus, com seus móveis de linhas simples e funcionais, os produtos da Apple se tornaram os grandes objetos de desejo da primeira década do século 21.
Claro que por trás de tudo isso está também o designer inglês Jonathan Ive, mas se sabe que Jobs sempre exerceu grande influência sobre seu trabalho, obrigando, por exemplo, que o iPod tivesse um desenho mais simples.
Outra semelhança entre a Bauhaus e Jobs é a pesquisa de materiais.
O computador transparente, o iPod em plástico policarbonato branco e cromado reluzentes, os laptops em metais como titânio e alumínio, todos eles foram fundamentais na mistura de função e forma.
Mas um dos trunfos mesmo é a importância que Jobs deu aos detalhes, o que o colocou milhões de anos-luz das outras empresas.
A sofisticação das embalagens e até mesmo dos fios que conectam seus produtos à energia levaram a Apple a ser reverenciada por uma horda de viciados, que formavam filas intermináveis para o lançamento de cada nova invenção, como as filas para admirar a "Monalisa".
E a comparação, aqui, não é aleatória, pois Jobs, afinal, merece mesmo ser considerado o Leonardo da Vinci do século 21, como publicou a revista "Artinfo".
JOBS MASSIFICOU A UTOPIA DE DESIGN DA BAUHAUS
Fabio Cypriano
É difícil apontar alguém que melhor tenha conseguido pôr em prática, em escala massiva, a utopia da Bauhaus, a escola alemã criada em 1919, do que Steve Jobs.
O arquiteto Walter Gropius (1883-1969), fundador da escola, apregoava: "Queremos criar uma arquitetura clara, orgânica, cuja lógica interna será radiosa e despojada".
Essa pode ser uma descrição precisa de qualquer produto criado por Jobs.
Os computadores da Apple ou seus "gadgets" - como o iPod, o iPhone ou o iPad - seguem à risca o princípio de que "design é função, e não forma", como seu ex-presidente-executivo costuma defender, e o que é outro dos grandes pilares da Bauhaus.
Por isso, seus produtos não apenas inovaram no conteúdo -como no uso do MP3, nos celulares com touch screen e nos tablets- mas o design de todos eles foi criado de forma absolutamente coerente com o que cada um dos aparelhos proporciona.
E foi por isso que, assim como os produtos da Bauhaus, com seus móveis de linhas simples e funcionais, os produtos da Apple se tornaram os grandes objetos de desejo da primeira década do século 21.
Claro que por trás de tudo isso está também o designer inglês Jonathan Ive, mas se sabe que Jobs sempre exerceu grande influência sobre seu trabalho, obrigando, por exemplo, que o iPod tivesse um desenho mais simples.
Outra semelhança entre a Bauhaus e Jobs é a pesquisa de materiais.
O computador transparente, o iPod em plástico policarbonato branco e cromado reluzentes, os laptops em metais como titânio e alumínio, todos eles foram fundamentais na mistura de função e forma.
Mas um dos trunfos mesmo é a importância que Jobs deu aos detalhes, o que o colocou milhões de anos-luz das outras empresas.
A sofisticação das embalagens e até mesmo dos fios que conectam seus produtos à energia levaram a Apple a ser reverenciada por uma horda de viciados, que formavam filas intermináveis para o lançamento de cada nova invenção, como as filas para admirar a "Monalisa".
E a comparação, aqui, não é aleatória, pois Jobs, afinal, merece mesmo ser considerado o Leonardo da Vinci do século 21, como publicou a revista "Artinfo".
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FolhaLeaks: mais uma vez a diplomacia americana demonstra arrogância e incompetência
A reportagem da Folha de hoje divulgando documentos do Itamaraty que foram sigilosos é um belo serviço à inteligência. Ou melhor: é a melhor demonstração de que arrogância e burrice estão intrinsecamente ligadas, têm a mesma matriz. Os documentos, de mais de 10 mil páginas, foram produzidos pelo Itamaraty e embaixadas brasileiras no período de 1990 a 2001, correspondente aos dos governos de Collor, Itamar e FHC (pelo Brasil) e de Bush pai, Clinton e Bush filho (pelos Estados Unidos). São 261 mensagens confidenciais que trazem “acusações de espionagem, violação de correspondência e de bagagens de diplomatas, além de críticas à política norte-americana”. Mas acima de tudo documentam a arrogância da “diplomacia” dos nossos “irmãos” do Norte. Vejam alguns trechos da reportagem:
Entre 1992 e 1993, lacres metálicos foram rompidos e as autoridades alfandegárias norte-americanas em Miami tentaram submeter as malas diplomáticas brasileiras a análises de raio-x, incluindo uma remessa proveniente da embaixada em Havana.As barbaridades são infindáveis. E o pior é que foram feitas contra um país tido como um dos principais aliados dos governos norte-americanos. Pura burrice. Com toda certeza, bastariam relações minimamente civilizadas para que o Brasil da época colocasse a proximidade com os Estados Unidos como principal objetivo estratégico. Foi essa arrogância absurda que valorizou o trabalho do WikiLeaks. Afinal, nada melhor do que colocar o prepotente no seu devido lugar. Mas ainda existe uma curiosidade que me deixa intrigado: o ex-Chanceler do Governo Fernando Henrique, Celso Lafer, aquele que tirou o sapato diante dos funcionários da Alfândega americana, disse à Folha que, “passados quase 20 anos dos incidentes, não se recordava dos problemas em Miami”. Pode?
Em novembro (de 1992), o consulado informou que o secretário Fernando Vidal, do correio diplomático de Havana, "foi retido por funcionário da alfândega norte-americana para averiguações" sobre a bagagem que trazia de Cuba em avião de carreira.
O tratamento dado a turistas brasileiros pelos EUA nos consulados e na imigração foi tido como "inadequado" e "degradante" pelo Brasil. O então chanceler Celso Amorim, definiu como "inadequado" o tratamento e "motivo de humilhação" os questionários para obtenção de visto. O embaixador norte-americano Melvin Levitsky na ocasião (1994) admitiu que problemas aconteciam porque os EUA desconfiavam do Brasil – segundo ele, país com grande número de portadores de documentos falsos, só atrás de México e El Salvador.
Em 2000, foi chamado de "degradante" o tratamento dado a diplomata brasileiro, algemado e detido em cela após dizer, em tom jocoso, que o embrulho que levava era uma bomba. Há relatos de brasileiros, com vistos, que foram barrados e presos.
Em março de 2001, a poucos dias de uma visita do presidente Fernando Henrique Cardoso ao colega recém-eleito George Bush, os telefones da Embaixada do Brasil em Washington (EUA) começaram a ter uma "sensível perda de qualidade" e ficaram "praticamente" mudos. O embaixador brasileiro à época, Rubens Antonio Barbosa, encomendou uma varredura nos telefones. Técnicos lhe disseram que problemas semelhantes vinham ocorrendo em outras embaixadas, sempre às vésperas de visitas de presidentes e autoridades dos países. A primeira checagem nos aparelhos não encontrou sinais de grampo. Mas, dois meses depois, uma nova inspeção confirmou as suspeitas do embaixador.
O embaixador contou, em recado para o então ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, que "descobriu-se o que pareceria ser uma ligação telefônica direta entre o prédio da Chancelaria [brasileira] e o Departamento de Defesa norte-americano". "A ligação opera à semelhança de um ramal interno, isto é, ao se discar o dígito '0' atende uma telefonista daquele órgão do governo dos EUA", relata Barbosa.
Há inúmeras “gracinhas” desse tipo. E a arrogância é tanta que o Presidente, em 1990, o ex-Presidente Jimmy Carter (Democrata!) pretendeu participar do comitê preparatório para realização da ECO-92, no Rio! E o Senador Edward Kennedy (também Democrata!) pressionou (1992) o Brasil para cumprimento ao embargo praticado contra o Haiti.
Link para os documentos aqui.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
A herança mal dita de Lula
Para a mídia da oposição, só existe uma herança deixada por Lula – a herança que ela mesma escreve. E ela, claro, só sabe falar mal.
Para essa mídia, não existe a herança de opção pelos pobres, que tirou 40 milhões de brasileiros da faixa da pobreza para elevá-los à classe média. Não existe o fortalecimento do mercado interno, cada vez mais invejado (e cobiçado) por outros países. Não existe o maior PIB da história brasileira pós-ditadura. Não existe o presidente que soube enfrentar a “tsunami” financeira mundial, transformando-a em “marolinha”. Não existe o nosso maior líder no cenário internacional, que deu altivez à nossa política externa e deu contribuição consistente para a formação do G-20. Não existe o reequilíbrio das regiões brasileiras, com um novo Norte-Nordeste em condições de oferecer vida digna a seus filhos e podendo até trazer de volta os que, anos antes, tiveram que sair em busca do “Sul maravilha”. Não existe um Centro Oeste explodindo de riqueza, com sua produção rural alimentando meio mundo. Não existe a defesa intransigente do pré-sal nem o engrandecimento da Petrobras. Não existe a grande transformação da nossa educação, começando a se preparar para maiores desafios econômicos e sociais. Não existe a Copa 2014 nem a Rio 2016, que já estão garantindo fluxo intenso de investimentos e dando nova cara à nossa infraestrutura (sugiro um passeio pela Zona Oeste do Rio para ver de perto o que isso começa a significar). Não existe o Bolsa Família, nem o PAC, nem a nova política habitacional, nem uma economia muito bem conduzida, não existem os 8 anos que fizeram o Novo Brasil. A única herança de Lula, para a mídia de oposição, são as alianças que fez, para garantir governabilidade, com partidos tachados como “fisiológicos” – mais uma injustiça, já que Lula herdou essa prática de todos os seus antecessores. Aliás, infelizmente, isso é uma “herança” da própria democracia representativa.
Apesar de toda a campanha contra, Lula conseguiu eleger Dilma para sucedê-lo. Inicialmente, ela era tratada como marionete, burocrata, politicamente despreparada para o cargo. Ninguém foi capaz de dar valor a seu trabalho na Casa Civil, e pré-anunciavam uma administração fracassada. Espertamente, Dilma tratou de passar a mão na cabeça da classe média mal amada – e deu certo. Deu certo até demais. Tanto que os eternos “revoltosos” estão utilizando o lado “ético” do discurso de Dilma para montar uma armadilha – seja para ela mesma, seja para Lula e todo o PT. O ideal oposicionista seria usar a “faxina ética” para provocar o rompimento entre Dilma e Lula (puro delírio dos desesperados). Como isso é impossível, os lacerdistas de plantão esticam ao máximo o discurso “ético”, procurando tornar Dilma refém desse discurso. Como fizeram, por exemplo, Pedro Simon e Cristovam Buarque, que ao mesmo tempo em que pegavam carona no prestígio de Dilma tentaram colar na sua testa a ética como sua grande bandeira. Já dissemos aqui: ser ético não pode ser bandeira política, porque é obrigação de todo cidadão. Quem usa esse artifício quer imobilizar a política. Em 92, quando o PT, navegando na campanha anti-Collor, inventou o slogan “Honestidade tem Cara”, fui contra. Queriam usar esse conceito para a campanha de Benedita, mas preferi o conceito de “cara do Rio” (“Benedita – Prefeita pro Rio” era o slogan). Essa história de herança maldita deixada por Lula é pura jogada política. E por falar em jogada, há quem ache que a grande herança maldita que Dilma recebeu foi o Mano Menezes na seleção...
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sábado, 13 de agosto de 2011
Dave Axelrod: o mundo está de pernas pro ar – isso ajuda a reeleição de Obama
Entrevista com Dave Axelrod, o principal estrategista de Barack Obama.
Blog do Gadelha: O Presidente Obama não conseguiu diálogo com o Congresso, o acordo do teto do endividamento americano foi um fiasco, a Standard&Poors rebaixou a nota dos Estados Unidos, a Europa entrou em crise, o eleitorado americano está raivoso – você acha que Obama vai perder a eleição?Nota. É evidente que se trata de uma entrevista fictícia. Foi a forma que encontrei para dizer o que penso do imbroglio americano na questão do “acordo” sobre o teto do endividamento. Mas o pensamento de Paul Krugman foi pinçado de seu artigo publicado dia 31 de julho, no NYT, e traduzido pelo Globo de 2 de agosto.
Dave Axelrod: De forma alguma. Eu diria que, ao contrário do que se imagina, as chances de vitória são bem maiores hoje do que há um mês.
Blog do Gadelha: Explique essa mágica, que vai contra todas as análises.
Dave Axelrod: Não tem mágica. Você sabe, a gente trabalha com muita pesquisa, informação e, acima de tudo, sensibilidade para compreender o eleitor.
Blog do Gadelha: Ok, então explique sem mágica.
Dave Axelrod: Talvez você não acredite, mas nós planejamos a crise com o Congresso...
Blog do Gadelha: Uau! Essa é forte!
Dave Axelrod: ... e ele reagiu exatamente dentro do esperado. Principalmente entre os republicanos...
Blog do Gadelha: O Tea Party inclusive?
Dave Axelrod: Claro, são os mais previsíveis. O que víamos é que, apesar do pontaço que fizemos com a captura de Bin Laden, a crise econômica, com taxa de desemprego alta e resistente, tinha tudo para nos esmagar. É aquela velha história do “é a economia, estúpido!”, e nós não somos estúpidos. Calculamos que a oposição, meio perdida, bateria unicamente nessa tecla, exaustivamente, podendo até nos derrotar, se não reagíssemos.
Blog do Gadelha: Eles não têm nome forte para concorrer, estão divididos até a alma...
Dave Axelrod: É verdade, mas não podíamos correr risco. Resolvemos atraí-los para a armadilha que armavam contra nós. Eles pretendiam carimbar em nossas testas a responsabilidade exclusiva pela crise econômica, pelo drama de milhões de trabalhadores que perderam o emprego. Sabemos que o governo democrata herdou a crise de Bush. Mas a população não quer saber disso. Bush já está distante, a responsabilidade é do governo atual. Ou melhor, era. Hoje, no mínimo passou a ser dividida com a oposição, e, ano que vem, a responsabilidade pela tentativa de afundamento do país passará a ser creditada unicamente a ela. Ao expormos publicamente a intransigência dos republicanos – mais ainda do Tea Party –, deixamos bem definido quem é quem no jogo político, quem está realmente interessado no progresso e no bem-estar da nação e quem quer apenas ser do contra, com objetivos eleitoreiros.
Blog do Gadelha: E por que isso não foi feito em dezembro, como sugeriu Paul Krugman? Ele disse textualmente: “(Obama) poderia e deveria ter demandado um aumento do teto do endividamento em dezembro passado. Quando indagado por que não fez, ele respondeu ter certeza de que os republicanos agiriam de forma responsável. Que aposta”.
Dave Axelrod: Entendemos a ansiedade de Paul Krugman. Mas o jogo político é muito pesado. Precisávamos dar maior dramaticidade à intransigência dos republicanos, levar a questão a pontos extremos para melhor percepção de quem é quem.
Blog do Gadelha: Isso não foi muito arriscado? Não terá sido isso que levou a S&P a rebaixar a nota de crédito dos Estados Unidos de “AAA” para “AA+”?
Dave Axelrod: Foi um risco calculado. Mas, com relação à S&P, na minha opinião, eles foram muito irresponsáveis. Ninguém em sã consciência pode achar que os Estados Unidos não são “AAA”. A melhor prova disso foi a reação do mercado correndo em busca de dólares. O pior é que essa história toda prejudicou a Europa, que ficou com a credibilidade mais abalada. Ainda assim, a S&P acabou por facilitar nosso plano, porque amplificou a dramaticidade. Ela ajudou a colocar o mundo de pernas pro ar, e ao mesmo tempo ajudou o eleitor a ver mais claramente a importância de reeleger nosso Presidente.
Blog do Gadelha: Está tudo muito bonito, mas não esqueça que a popularidade de Obama caiu...
Dave Axelrod: Sem dúvida. Já contávamos com isso. Mas por incrível que pareça, o Presidente Obama agora tem mais condições de agir.
Blog do Gadelha: Será? Não é o que pensa Krugman, que diz que os republicanos agora poderão impor novas crises, com a certeza de que Obama voltará a entregar os pontos.
Dave Axelrod: Essa foi uma análise precipitada. Mais do que criticar o Presidente, a opinião pública condena a classe política – particularmente os políticos da oposição – por sua irresponsabilidade persistente. O Presidente Obama terá mais desenvoltura para tomar as medidas necessárias para recuperar a economia, iniciar a retomada do desenvolvimento e trazer de volta os empregos perdidos. Nossos maiores adversários em 2012 não serão os republicanos. Teremos que voltar a conquistar os votos dos desiludidos com a política. Só venceremos – como em 2008 – com a redução da abstenção. E é isso que vai acontecer, porque o eleitor tomará consciência de que Obama é a única esperança. Essa vitória está nas mãos de cada um de nós, no sonho de todo o povo – e o nosso povo sabe concretizar os seus sonhos.
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Stand-up em voo da WebJet
Ontem estive em Brasília para me despedir de meu filho que partiu para morar na China, por dois a três anos. Dirigi-me bem triste, claro, para o avião de volta. Mas a tristeza foi logo atenuada. O comissário da WebJet fez um verdadeiro stand-up desde a entrada no avião. “Vamos partir para o RRRiiiooo de Jannneeeeiiro! Vamos que vamos!”, ele gritava de forma engraçadíssima. “Agora é pra valer, vamos lá!”, continuou , dizendo em seguida dezenas de gracinhas entremeadas pelas informações sérias. Antes de iniciar o voo, para delírio da plateia, ainda disse: “Podem ficar tranquilos – eu não sou o piloto”! Na chegada não foi diferente. E mais divertidas ainda eram suas versões para o inglês, com duas ou três palavras corretas acompanhadas de grunhidos delirantes. “Welcome to Rio de Janeiro, the Vasco da Gama city!” E para concluir saudou vários bombeiros que provavelmente tinham ido a Brasília pressionar o Congresso pela PEC 300. “Uma saudação aos bombeiros aqui presentes. Estamos de olho em vocês e torcendo por seu sucesso”, concluiu. Se a moda pega, os voos vão bombar ainda mais. Foi um verdadeiro stand up, up, and away, my beautiful baloon...
domingo, 7 de agosto de 2011
Fernando Henrique quer matar Lula
Fernando publicou hoje no Globo um artigo, “David e Golias”, onde faz uma boa análise do momento político e econômico do mundo. Diz ele, comentando a crise americana: “parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável”. E acrescenta sobre a crise europeia: “Na Europa, as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, esta doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultra-endividados vão para as nuvens. A rua se agita, não faltam movimentos dos ‘indignados’ que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados”.
Até aí, tudo bem. FHC começa então a falar do nosso momento: “E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou”. FHC lembra a necessidade de uma nova agenda – que já existiria, e “está exposta cotidianamente pela mídia”, mas que seria difícil de levar avante porque faltaria algo como “o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação”. A partir daí FHC escorrega feio. O que poderia significar uma contribuição para compreensão e superação das dificuldades no jogo de poder inerente ao relacionamento executivo-legislativo esbarra no ego estilo Nelson Jobim que Fernando Henrique sempre leva a tiracolo. Angustiadíssimo por não ter sido o autor da frase “nunca antes na história deste país”, acaba lançando a culpa de tudo em Lula – o “predestinado”, como ele alfineta. Acusa: “o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas”. Conclui que Dilma “é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema”. Mas “sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país?” E em uma associação nem tão sutil de Dilma com David e de Lula com Golias justifica o título do seu artigo finalizando com: “não há dúvidas de que, para se desfazer da herança recebida, será preciso (...) refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi”.
Fernando Henrique tira toda a significância do seu artigo unicamente movido pela inveja. E ele não pode esquecer que a inveja é mortal. Saul (verdadeiro “pai político” de David) por inveja bem que tentou matá-lo após a queda de Golias. Ao contrário do que acontece com Fernando Henrique, felizmente a inveja não faz parte do universo de Lula e Dilma.
Artigo completo:
DAVI E GOLIAS
Fernando Henrique Cardoso
Sem leniências, como obter apoio para a agenda necessária ao país?
A propósito do atual dilema americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que pela primeira vez em muito tempo não havia um abismo tão grande entre poder, economia e sociedade. Pode parecer banal, mas não é: nos Estados Unidos, o “ideal americano” dava solidez para um caminho em comum para o país. Havia tensões, tendências mais progressistas chocavam-se com outras mais conservadoras, o grande business sempre quis controlar mais de perto o governo, os governos ora se inclinavam para atender aos reclamos das maiorias, ora assumiam a cara mais circunspecta de quem ouve as ponderações da ordem, da econômica em primeiro lugar. Mas, bem ou mal, liberdade, democracia, prosperidade e ação pública caminhavam mais ou menos em conjunto.
E agora, poderia perguntar perplexa a secretária de Estado? Agora, digo eu, parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável. No meio de tudo isso, a crise provocada pelo cassino financeiro surgiu como um terremoto. Logo depois, veio o marasmo da semi-estagnação e, pior ainda, desenha-se o que há pouco era impensável, a moratória do país mais rico do mundo! Por trás da peleja econômica corre a outra, mais profunda, a do poder: o Tea Party — os ultrarreacionários do Partido Republicano — levou o governo Obama às cordas. A agenda política, mesmo depois de “resolvida” a questão do endividamento, passou a ser ditada por eles: onde e quanto cortar mais no orçamento de um país que clama por muletas para reavivar a economia.
Na Europa, as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, esta doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultra-endividados vão para as nuvens. A rua se agita, não faltam movimentos dos “indignados” que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados. É como se daqui a 30 anos os historiadores olhassem para trás e dissessem: “ah, bom, a Grande Crise dos Derivativos começou em 2007/2008, foi mudando de cara, mas prosseguiu até que novas formas de produzir e de distribuir o poder começaram a dar sinais de vida lá por 2015/2020...”.
E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou. Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas da tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas. Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova e não a desgastada do “clube do chá” americano. A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo. Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?
Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá se tornar econômica. Explico-me: a presidenta é herdeira de um sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar. Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos, que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual troca-se governabilidade por favores, cargos e tudo mais que se junta a isso.
Essa tendência não é nova. Ela foi se constituindo à medida que o capitalismo burocrático (ou de Estado, ou como se o queira qualificar) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos, e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo. Na onda do crescimento econômico, as acomodações foram se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção). No início, parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do sistema precisa da outra para funcionar, e o próprio sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e empregos de baixo salário, e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas.
É nesse ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina, quebram-se as peças da engrenagem toda. Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país? E, sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, “desprodutividade” da economia, e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais? É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas de que, para se desfazer da herança recebida, será preciso não só “vontade política” como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.
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domingo, 24 de julho de 2011
A manchete do dia é do Meia Hora
Essa primeira página do Meia Hora de hoje é uma coisa horrorosa, mas que traduz bem o espírito da coisa. Não chega ao nível de manchetes como "Violada em pleno auditório" ou "Cachorro fez mal à moça", mas mandou bem.
sábado, 23 de julho de 2011
Back to Winehouse
Back to Black
Amy Winehouse
Composição: Amy Winehouse / Mark Ronson
He left no time to regret
Kept his dick wet with his same old safe bet
Me and my head high
And my tears dry, get on without my guy
You went back to what you knew
So far removed from all that we went through
And I tread a troubled track
My odds are stacked, I'll go back to black
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
I go back to us
I love you much
It's not enough, you love blow and I love puff
And life is like a pipe
And I'm a tiny penny rolling up the walls inside
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
Black, black, black, black
Black, black, black...
I go back to
I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to
We only said goodbye with words
I died a hundred times
You go back to her
And I go back to black
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Três hai-kai de 80
Reencontrei por acaso esses três poemas à moda hai-kai (que fiz na década de 80, presumo) e divido com vocês:
Pinçar as palavras.
Passa e pousa, limpo, o pólen.
Pensar um poema.
Barulho do voo.
As palavras batem asas.
Imaginação.
Um poema quasímodo
(ressurreição da palavra?)
quase que um quasar
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Mano e o pé de apoio
Não dá para justificar a eliminação da Copa América por causa de problemas no pé de apoio na hora dos pênaltis. A situação foi bizarra, mas não podemos nos fixar nos 10 minutos de incompetência brasileira em bater pênalti e esquecer os 400 minutos de jogo ruim de nossa seleção. Não adianta querer dizer que dominamos o jogo ontem e só não ganhamos por falta de sorte. Dominar os jogos contra Venezuela, Peru e Paraguai era apenas obrigação – mas nem isso conseguimos. O que vimos foi um monte de bons jogadores mal distribuídos em campo, sem saber direito o que fazer. O Ganso é uma águia no meio campo? Sem dúvida, mas nosso meio campo ficou meio amarrado. Neymar, Robinho e Pato são gênios da bola? Genial dizer isso, mas a verdade é que ficaram embolados o tempo inteiro. Os jogadores são ótimos, mas a seleção foi péssima. Quer um conselho para continuar técnico, Mano? Pede apoio.
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domingo, 17 de julho de 2011
Quem diria, escuta telefônica clandestina deu cadeia
Tudo indica que Rebekah Brooks, ex-toda poderosa do Grupo Murdoch na Grã-Bretanha, foi presa hoje de manhã pela Scotland Yard. Se for confirmado que se trata mesmo de Rebekah (a polícia inglesa não identifica os presos até que haja acusação formal), estaremos diante de um caso raro. E se a moda de prisão por escuta telefônica clandestina pegar, vai faltar cadeia no planeta. Leia mais no Washington Post.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
O enigma sino-americano
Tenho um amigo que costuma dizer que no futuro não teremos nem G-5, nem G-7, nem G-8, nem G-20 – “o mundo caminha para o G-2”, diz, referindo-se à concentração de poder entre China e Estados Unidos, trazendo à tona uma alternativa de mundo bipolar de triste memória. Mas, olhando o cenário da economia mundial e observando os laços indissolúveis das economias da China e dos Estados Unidos, prefiro dizer que infelizmente já vivemos uma espécie de G-1, onde os dois países praticamente viraram uma “unidade” e ao resto do mundo só resta rezar para que isso não conduza o Planeta Terra à bancarrota. Os dois gigantes não podem mais agir independentes um do outro, porque o risco de catástrofe é muito grande. Praticam um jogo de alto risco em que um não pode fazer uma jogada que seja inteiramente enigmática e deixe o outro sem saída. Vejamos algumas das notícias recentes sobre as dificuldades na economia americana:
- Se o Congresso americano forçar o Governo Obama (indo contra a própria Constituição) a dar um calote monumental, o seu maior credor (e o portanto maior prejudicado), com 1,15 trilhão de dólares em títulos do Tesouro americano, é exatamente a China. Outros grandes credores são: Japão (882,3 bilhões), Reino Unido (272,1 bilhões), exportadores de petróleo (211,9), Brasil (187 bilhões), bancos no Caribe (169 bilhões), Taiwan (155 bilhões), Rússia (151 bilhões), Hong Kong (135 bilhões) e Suíça (107 bilhões) – todos bem abaixo do total chinês. A situação indefinida já levou o Governo Chinês a aconselhar os Estados Unidos a tomarem juízo. Afinal, o calote é ruim para todo mundo (até para os Republicanos...)
- Anteontem, o presidente do FED, Ben Berbanke, falou de um novo estímulo à economia (seria o terceiro afrouxamento quantitativo). As bolsas ocidentais reagiram positivamente, prevendo maior aquecimento, mas a China chiou forte. Isso significaria também enfraquecimento do dólar (olha as reservas chinesas aí de novo...) e, pior, aumento dos preços das commodities, petróleo à frente. A China, como importadora gigantesca, seria enormemente prejudicada, não apenas pelos custos de importação como pelas dificuldades de exportação, inflação, etc. A sua reação contrária foi ainda mais forte (leia o artigo “Possible US QE3 sparks concerns”, de Hu Yuanyuan e Chen Jia, no China Daily). Ontem, Berbanke meio que desdisse o que falara na véspera, deu a entender que não haveria novos estímulos à economia. Resultado: as bolsas ocidentais caíram e as de Xangai e Hong Kong subiram.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Cesar Maia brilhante: descobriu que a herança de Lula é bendita
Pode-se ser contra ou a favor de Cesar Maia politicamente (eu, por exemplo, sou contra). Mas ninguém pode negar que ele é um obstinado investigador de marketing político. Erra aqui, acerta acolá, mas está sempre tentando aperfeiçoar-se. Suas falhas em marketing político geralmente estão associadas à sua obstinação conservadora na política. Hoje, no seu Ex-Blog, ele dá um bom puxão de orelha na oposição (basicamente nos tucanos) pela insistência em classificar Lula como “herança maldita” para o Governo Dilma ("Herança Maldita": um erro político primário do PSDB como Oposição!”). Diz ele: “O PSDB carrega o carma de Lula ter dado continuidade a algumas de suas políticas e ter ficado com o mérito. O PSDB carrega o carma de ter sido derrotado por Lula. E traumatizou essa relação. E quer buscar a forra”. E acrescenta: “Se o alvo é Lula, o resultado será a população concordar com ele e não com a oposição, e ainda tirar Dilma, que é a presidente, de foco, aliviando a tendência dela à perda progressiva de popularidade”. Percepção corretíssima sobre a herança de Lula para Dilma. O que ele não percebe é que a perda de popularidade de Dilma, caso ocorra, acontecerá junto à classe média conservadora, que acreditava que o novo governo seria anti-Lula. Junto à grande maioria do povo brasileiro, ela está com altos índices de aprovação. E até mesmo junto a classes privilegiadas. Assim como o PSDB, Cesar Maia também carrega o carma das recentes derrotas políticas. Isso, sim, é herança maldita.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
A oposição “Pagot” pra ver, mas pelo andar da carruagem vai ficar a ver navios
Esses escândalos ligados a denúncias de corrupção não me atraem. Não é que pense que não se deva denunciar todo e qualquer indício de corrupção. Mas é que não agradam as inúmeras denúncias escandalosamente políticas. Ou escandalosamente vergonhosas, como acontece com o pessoal do Murdoch, que confunde jornalismo investigativo com jornalismo esculhambativo. Nessa história do DNIT e do Pagot, fez-se o maior auê, verdadeiro suspense, holofotes inteiramente voltados para o depoimento que ele faria hoje no Senado, como estivéssemos iniciando a Revolução Francesa, com as guilhotinas bem afiadas. Deixei a televisão ligada aqui ao meu lado e pude acompanhar alguns momentos. Até agora, 14:01h, me pareceu apenas uma grande chatice. O depoimento e as respostas do tal Pagot são extremamente sonolentas e aparentemente bem fundamentadas. Os parlamentares da oposição estão sem fala, silenciosos, abatidos. Não se ouve entre eles nem mesmo o piuiiii de um automóvel ou a buzina de um trem bão. Se continuar nessa andança, a oposição engarrafa de vez.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
90 anos do Partido Comunista Chinês: quem disse que o país iria de Mao a Piao?
A manchete foi do Jornal da Tarde: “A China vai de Mao a Piao”. Brilhante, dos tempos em que nossa imprensa desconhecia o pinyin e escrevia Mao Tsé-Tung e Lin Piao, ao invés de escrever Zedong ou Biao. Além do ótimo trocadilho, a manchete refletia perfeitamente o temor ocidental, no final da década de 60, com a ascensão da ultraesquerda na política chinesa através de Lin Biao, comandante do Exército Vermelho e primeiro na sucessão de Mao. Felizmente para o mundo ocidental quem ocupou o lugar de Mao, em 76, foi Deng Xiaoping (ou Teng Hsiao-Ping), autor da célebre frase “não importa a cor do gato, desde que pegue o rato”. Eu disse “felizmente”? Não sei se é bem assim que pensam atualmente as potências ocidentais. O pragmatismo de Deng Xiaoping foi muito além do imaginado. Graças a esse pragmatismo, ao comemorar hoje os 90 anos de existência do seu Partido Comunista, a China pode se orgulhar de estar ultrapassando os “capitalistas” sem precisar ter-se tornado inteiramente “comunista”.
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Cesar Maia denuncia: venda de armas nos Estados Unidos para população civil deixou de ser uma questão local
O Ex-Blog de hoje reproduz texto de Andrés Oppenheimer, do La Nacion, sobre a nova jogada de marketing da indústria de armas americana. Como a vendas está caindo entre a população civil, os estrategistas da violência engatilharam novíssimos produtos, cada vez mais sofisticados. Armas semiautomáticas com cartuchos de cargas múltiplas, por exemplo, são atrações para que os civis militarizem-se cada vez mais. Os Estados Unidos inventam (e distribuem por toda parte) esses produtos, invadem e bombardeiam países, e ainda querem parecer defensores da paz. Veja o texto do Ex-Blog:
EUA: FABRICANTES DE ARMAS CRIAM QUASE-FUZIS PARA CIVIS!
(Andrés Oppenheimer-La Nacion, 28) 1. Um novo estudo revela uma tendência assustadora: os fabricantes de armas norte americanos, confrontados pela queda nas vendas, estão produzindo armas cada vez mais sofisticadas - tipo militar - para uso civil. O relatório do Centro de Políticas sobre Violência (CPV), intitulado "A militarização do mercado de armas de fogo para civis'', diz que o mercado de armas para uso civil vem caindo há várias décadas nos Estados Unidos, entre outros motivos devido à crescente popularidade dos jogos eletrônicos e ao fato de que os jovens americanos e os imigrantes tendem a comprar menos armas.
2. Enquanto a população dos EUA cresceu 24% nas duas décadas até 2000, a produção de armas pequenas caiu 33%, diz o relatório. Então, qual tem sido a resposta da indústria? Trata de vender armas maiores, mais letais, muitas das quais acabam sendo usadas em chacinas, ataques contra a polícia, ou são vendidas para os cartéis de drogas no México e América Central.
3. "O mercado de armas civis tornou-se uma tenda militar", diz o relatório. Por exemplo, diante de uma lei de 1986 que proíbe a venda de metralhadoras a civis, a indústria de armas tem promovido nos últimos anos a venda de rifles semiautomáticos que se parecem com os AK-47 e M-16 de uso militar. Ao contrário das metralhadoras, as armas semiautomáticas requerem que se aperte o gatilho cada vez que se atira uma bala. Mas os fabricantes de armas constantemente adicionam novos recursos a estas armas semiautomáticas - como cartuchos de munição contendo até 75 cargas - o que torna seus produtos formidáveis máquinas de matar, afirma o estudo.
4. "A diferença entre os rifles semiautomáticos e as metralhadoras é mínima - disse Tom Diaz, autor do estudo. Os rifles semiautomáticos são tão ou mais mortíferos: você pode mirar melhor, porque eles não se movem para cima como as metralhadoras".
5. Minha opinião: a venda de armas de estilo militar nos Estados Unidos já não é mais um problema interno. Com mais de 40.000 mortos na guerra contra o narcotráfico no México nos últimos cinco anos e cada vez mais assassinatos de policiais por criminosos armados nos EUA, essa venda se tornou um problema regional.
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Strauss-Kahn X camareira: Sarkozy em maus lençóis
O New York Times de ontem provocou uma reviravolta no caso Strauss-Kahn ao revelar ligações suspeitas da camareira acusadora com traficante preso (Strauss-Kahn Case Seen as in Jeopardy). Durante os dois últimos anos, por exemplo, esse mesmo traficante seria um dos depositantes em uma conta bancária da camareira que já teria chegado ao valor de 100.000 dólares. Ela também estaria pagando mensalmente centenas de dólares em contas telefônicas de cinco companhias telefônicas diferentes – apesar de declarar que possui apenas uma linha. A polícia contaria até com gravações telefônicas que detonariam ainda mais a credibilidade da camareira e os promotores do caso já começariam a admitir “problemas”. Se tudo isso for confirmado e Strauss-Kahn for declarado inocente, vítima de armação, Sarkozy pode ter que arrumar as malas e deixar o seu Palais (ou seria “Hôtel”...) de l'Élysée. Se Strauss-Kahn já era favorito para a próxima corrida presidencial, agora, como “grande vítima de complô internacional”, vai estar com a cama feita.
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segunda-feira, 27 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
Cesar Maia acaba de descobrir o óbvio: a política externa brasileira não mudou com Dilma/Patriota
Em artigo publicado hoje na Folha, “Política externa” (aqui, para assinantes), Cesar Maia mostra-se decepcionado porque a política externa brasileira conduzida por Dilma e Patriota não se difere substancialmente da que vinha sendo adotada por Lula e Celso Amorim. E assinala pontos para demonstrar a continuação de uma política externa que obviamente não lhe agrada.
“Na decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia, o Brasil se absteve, com a Rússia e a China”. Segundo Cesar Maia, seria “um aval ao desequilibrado Gaddafi”. Na verdade, significou não dar aval a uma decisão desequilibrada, que prometia evitar mortes de civis e mostrou-se mera “caça a Kadafi” (que até então contava com apoio ocidental), implicando matança de civis e destruição do país. Hoje, até o Congresso americano questiona o que está sendo feito.“A legitimidade do discurso e a coerência de suas posições de Estado são componentes essenciais do patrimônio diplomático acumulado pelo Brasil” (*). Talvez quem mais agrediu esse patrimônio foi exatamente o Governo Fernando Henrique, por ter defendido “pés descalços” diante dos Estados Unidos, principalmente quando radicalizou na liberalização, privatização e desregulação de nossa economia, atendendo as diretrizes do “Consenso de Washington” (principal responsável pela crise de 2008-2009). Felizmente, ao contrário do que pretendia Cesar Maia e toda a oposição liberal-conservadora, a política externa brasileira atual mantém-se coerente. Assim como acontecia no período Lula/Celso Amorim, não pretende se afastar dos propósitos desenvolvimentistas e nacionalistas que estão contribuindo para um país menos desigual internamente e de altivez nas relações internacionais. O choro dos descontentes não representa os interesses nacionais.
“A pressão sobre o Congresso para rever o acordo de Itaipu”. Segundo Cesar Maia, estaríamos criando “um grave precedente” sem justificativa geopolítica. Mas ele não entende que “pragmatismo e solidariedade são as referências primordiais que deverão continuar pautando a crescente atuação brasileira nos planos global e regional” (*). O Brasil “defende interesses definidos do país e da América do Sul, esta sim prioridade da plataforma exterior do país” (*). Apoiar política e economicamente o Paraguai e outros países da região faz parte da nossa estratégia.
“A ostensiva atuação do governo, e do PT, na eleição peruana”. Aqui, Cesar Maia se excede ao acusar o nosso governo de atuar “suavizando a imagem do candidato chavista Ollanta Humala”. Talvez ele preferisse ações que estigmatizassem ainda mais Ollanta Humala, empurrando-o para posições radicais que possibilitassem a vitória da filha (e digna representante) de Alberto Fujimori, aquele ex-presidente famoso por seu “autogolpe” e que cumpre pena por “abuso dos direitos humanos e sequestro”.
“A decisão do STF sobre o caso do terrorista assassino Cesare Battisti teve claro envolvimento do governo Dilma, antes e depois, por meio do ministro da Justiça”. Cesar Maia alega que agora “o país enfrenta um constrangimento com os italianos, que fazem parte da formação econômica e cultural do Brasil contemporâneo”. Só falta agora Cesar Maia defender com unhas e dentes a política de “tirar os sapatos” do Governo Fernando Henrique – isso, sim, bastante constrangedor. É bom recordar que também a França não se importou com “constrangimentos” quando deu asilo a Battisti.
(*) trechos de um trabalho nota 10 sobre política externa
Acrescento essa interessante entrevista do economista Darc Costa sobre a "América do Sul e a nova geopolítica" para o programa Milênio. Clique aqui.

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quarta-feira, 15 de junho de 2011
EUA x Paquistão: nova batalha entre “aliados”
O Paquistão acaba de prender 30 informantes que ajudaram os Estados Unidos a localizar bin Laden (leia reportagem no NYT). Foi apenas mais uma etapa do distanciamento cada vez maior entre Estados Unidos e Paquistão – onde também se envolvem Afeganistão, Índia, China e, last but not least, Irã. Os Estados Unidos precisam do Paquistão para derrotar o Talibã, controlar o Afeganistão e fechar o cerco ao Irã – além de marcar posição mais sólida junto à China. Mas encontram dificuldades que vão desde questões religiosas (talibãs e paquistaneses são predominantemente sunitas) até a forte oposição entre Paquistão e Índia – país que se aproxima dos interesses americanos. A China, evidentemente, procura proteger seus interesses geopolíticos e busca laços ainda mais fortes com o Paquistão. A Índia, de olhos abertos e bombas em punho, busca fortalecer os laços com os Estados Unidos sem acirrar os ânimos regionais. É sob esse céu nada estrelado que correm soltas as batalhas tipicamente “spy versus spy” entre Estados Unidos e Paquistão. Aguardemos a próxima traição.
sábado, 11 de junho de 2011
Comunicação e Poder – a guerra pelas mentes
Cesar Maia publica hoje na Folha um bom artigo, Indignados, baseado no trabalho de Manuel Castells, Comunicação y Poder. Trata da “mudança da política pela transformação da comunicação”, lembrando algo de McLuhan. “A batalha pelas mentes se joga na comunicação”, diz o trabalho, parecendo óbvio, mas de compreensão fundamental dentro do marketing político. Leia o artigo de Cesar Maia logo abaixo e/ou veja o vídeo de Manuel Castells, clicando aqui.
Indignados
Cesar Maia
Manuel Castells apresentou, em 2009, seu livro "Comunicación y Poder" numa conferência na Universidade Complutense de Madri (ver no YouTube). Trata da mudança da política pela transformação da comunicação.
A construção do poder é a capacidade de atores sociais influenciarem outros, de maneira a reforçar o seu poder. Onde há poder existe contrapoder ou resistências às relações institucionalizadas.
A batalha pelas mentes se joga na comunicação. Não é o Estado, e sim a comunicação, o instrumento básico de construção do poder. Castells diz que a emoção fundamental é o medo, que elimina o espírito crítico e foca, nos indivíduos, a busca por proteção.
A informação que reforça o que uma pessoa pensa tem seis vezes mais probabilidade de ser registrada. Por isso, a imprensa vai atrás da opinião que as pessoas já têm. A comunicação cria o campo das mudanças na opinião pública. Isso não quer dizer que se siga a mídia – que constrói os espaços públicos. As pessoas opinam sobre o que é divulgado.
Informações omitidas pela mídia restringem o espaço público do debate. A audiência é ativa, mas se dá no espaço público do que é divulgado. Grave é o que a mídia omite.
Política sem comunicação de massa não chega ao público. A mídia não é detentora de poder, mas formadora dos espaços onde se constrói o poder. A comunicação política requer mensagens simples e poderosas. O mais simples é o rosto humano. O mais poderoso é a confiança.
A estratégia fundamental na disputa pelo poder é destruir a confiança numa pessoa ou num partido. Quem não participa de tal jogo não está na política.
Essa disputa é a política do escândalo. São batalhas pelo poder simbólico onde se joga reputação e confiança. Mas o excesso gera fadiga do escândalo que termina igualando a todos e desprestigiando o sistema político. A correlação entre corrupção percebida e descrédito nos políticos é clara.
Hoje, o jogo do poder depende também das novas mídias, via internet e celular, que são redes horizontais ou autocomunicação de massa.
O sistema se abre a mensagens de todo tipo, individuais e de movimentos sociais. Estes atuam sobre valores sem objetivar o poder, e estão fora da sociedade civil organizada.
Aqui surgem práticas políticas insurretas, movimentos espontâneos dos indignados, que até desestabilizam governos. Passam por cima dos partidos e das regras do jogo. É a cultura da indignação. Os indignados que não atuavam na política entram no jogo.
O espaço público está sendo reconstituído fora das instituições. As condições de mudança se produzem nesse novo espaço da comunicação. É a sociedade fora dos partidos e dos sindicatos. Esse é o mundo do poder e da mudança.
Mais percepções: Luiz Sérgio e Ideli
Se eu não soubesse que o Luiz Sérgio foi metalúrgico, poderia pensar que ele tinha estudado em Eton. Sempre cortês, de voz calma. Quando foi Prefeito de Angra, fiz uma campanha de prestação de contas dos seis meses de sua administração e nunca cheguei a vê-lo. Depois, quando já era Deputado, estive várias vezes com ele, que sempre se mostrou solícito. A impressão que tenho é que ele é assim o tempo todo, mais silencioso do que estridente. Mas isso nunca impediu que fosse um ótimo quadro petista, destaque na política fluminense. Ao contrário de Luiz Sérgio, conheço Ideli apenas das manchetes. A percepção que tenho dela é igual à que a maioria tem: guerreira, agressiva, petista de coração e sem papas na língua. Em outro cenário, não acharia necessária a troca. Mas acho que, no momento, Dilma precisa de alguém que fale grosso na articulação política. Isso muitas vezes é ruim, mas pode ser indispensável quando o mar não está pra peixe.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Percepções: Palocci, Obama, Battisti, bombeiros e Humala
Em política, mais do que em qualquer outro aspecto da vida, não basta ser – tem que ser percebido que é. Foi o que aconteceu com Palocci. Não bastou provar que não há nada concreto contra o seu enriquecimento súbito, nada demonstra que foi ilícito. Mas, se pretende ser percebido como íntegro, o homem público não pode deixar transparecer enriquecimento malvisto – por mais honesto que tenha sido. O erro de Palocci foi esquecer essa regra. A oposição está mais interessada nas percepções do que nas comprovações, é o que lhe resta para crescer. Como teria dito Lula, Palocci saiu na hora certa.
Obama ganhou admiração do eleitor americano quando mostrou que sabe falar grosso no combate ao terrorismo. Invadiu o Paquistão, matou bin Laden, sequestrou e desapareceu com seu corpo – e seus índices de aprovação dispararam. Agora precisa ser percebido como aquele que também fala grosso na economia.
Sobre Battisti, a Itália e Gilmar Mendes podem dizer o que bem entenderem – mas o caso é político, e foi com essa visão que Lula corretamente agiu. Mas a guerra de percepções continua.
Os bombeiros do Rio (e provavelmente do mundo inteiro) sempre foram percebidos como heróis. Além de combatentes do fogo, a partir do Governo Brizola, passaram a atuar no atendimento de emergência para acidentes. E no Governo Sérgio Cabral sua ação se ampliou, com os bombeiros agindo como auxiliares da saúde, muitas vezes substituindo com vantagem os profissionais tradicionais da saúde. Infelizmente, esse novo papel causou fissuras internas (“brancos” x “vermelhos”), inclusive em questões salariais. A insatisfação cresceu e uma espécie de movimento sindical-fundamentalista (evangélico) ganhou força. Com a votação da PEC 300 em perspectiva e a decisão de radicalizar diante de impasses, os bombeiros ganharam as ruas. Provocaram uma situação de confronto irreversível e, ao contrário do que normalmente ocorre nessas situações, conservaram a simpatia pública. O Governo não teve alternativa a não ser cumprir a lei. Mas agora está enfrentando uma difícil guerra de percepções, que pode se ampliar nacionalmente.
Humala confirmou a previsão deste Blog. Reagiu na reta final e superou a adversária, Filha de Fujimori, em uma guerra de percepções bastante complexa. Agora, eleito, enfrenta o terceiro turno dessa guerra, a luta contra os neoliberais que buscam inviabilizar o seu governo associando-o a Hugo Chávez. Como antídoto inicial, Humala escolheu o Brasil de Lula e Dilma como primeiro país a ser visitado.
Obama ganhou admiração do eleitor americano quando mostrou que sabe falar grosso no combate ao terrorismo. Invadiu o Paquistão, matou bin Laden, sequestrou e desapareceu com seu corpo – e seus índices de aprovação dispararam. Agora precisa ser percebido como aquele que também fala grosso na economia.
Sobre Battisti, a Itália e Gilmar Mendes podem dizer o que bem entenderem – mas o caso é político, e foi com essa visão que Lula corretamente agiu. Mas a guerra de percepções continua.
Os bombeiros do Rio (e provavelmente do mundo inteiro) sempre foram percebidos como heróis. Além de combatentes do fogo, a partir do Governo Brizola, passaram a atuar no atendimento de emergência para acidentes. E no Governo Sérgio Cabral sua ação se ampliou, com os bombeiros agindo como auxiliares da saúde, muitas vezes substituindo com vantagem os profissionais tradicionais da saúde. Infelizmente, esse novo papel causou fissuras internas (“brancos” x “vermelhos”), inclusive em questões salariais. A insatisfação cresceu e uma espécie de movimento sindical-fundamentalista (evangélico) ganhou força. Com a votação da PEC 300 em perspectiva e a decisão de radicalizar diante de impasses, os bombeiros ganharam as ruas. Provocaram uma situação de confronto irreversível e, ao contrário do que normalmente ocorre nessas situações, conservaram a simpatia pública. O Governo não teve alternativa a não ser cumprir a lei. Mas agora está enfrentando uma difícil guerra de percepções, que pode se ampliar nacionalmente.
Humala confirmou a previsão deste Blog. Reagiu na reta final e superou a adversária, Filha de Fujimori, em uma guerra de percepções bastante complexa. Agora, eleito, enfrenta o terceiro turno dessa guerra, a luta contra os neoliberais que buscam inviabilizar o seu governo associando-o a Hugo Chávez. Como antídoto inicial, Humala escolheu o Brasil de Lula e Dilma como primeiro país a ser visitado.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 5 de junho de 2011
O Globo insiste em provar que herrar é umano
(clique na imagem para ampliar)
Quem me deu o toque foi meu filho Tiago, 16 anos, lendo o jornal de ontem. Na mesma edição em que puxa a orelha do MEC por distribuir livros didáticos com erros crassos, o Globo, uma falha depois, em importante reportagem sobre a modernização das Forças Armadas, tratando de questões geopolíticas, coloca a sigla do Amazonas (AM) no mapa do Amapá (AP). Nada demais. As duas reportagens são importantes. Quem sabe, o erro do jornal deve ter tido proposital, em defesa do MEC...
Carcará encantado
Não gosto de novela (pior do que isso só o BBB e afins), mas gostaria de gostar. Fiz várias reportagens sobre novela, lembro de Beto Rockfeller, que na Veja de 68 virou capa ousada e foi saudada como novidade no vídeo (edição 35 de Veja, 7 de maio de 1969). Realmente uma novidade nesse gênero que Plínio Marcos classificou como “história de um casal que quer ir pra cama e de mais cinco ou seis personagens que estão ali para atrapalhar”. De lá pra cá, pouco assisti e não vi grande novidade. Vi agora Cordel Encantado e me surpreendi. Bom de história, de texto, de direção, de interpretação, de direção de arte, figurino, cenário, produção musical e tudo mais. Parabéns. Na trilha, músicas lindas, e para esse domingo que acordei encantado, esse vídeo de João do Vale e Chico cantando Carcará.
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