terça-feira, 4 de novembro de 2008

Acompanhe a eleição americana em tempo real

Clique aqui, acesse o site TPM (Talking Points Memo) e acompanhe, a partir das 21 horas (horário de Brasília) o resultado das eleições americanas (presidencial e regionais).

Meu voto vai para Obama

Foto de Jason Reed/Reuters, no site The Chistian Science Monitor Acho, para início de conversa, que o mundo globalizado garante a todos nós o direito de "votarmos" para Presidente de qualquer lugar que interfira no nosso dia-a-dia. E os Estados Unidos, mais do que qualquer outro país, ditam os destinos da humanidade. É por isso mesmo que prefiro Obama. Não posso aceitar, para mim e meus filhos, que um Bush (ou seu semelhante) continue à frente da política americana saqueando a nossa possibilidade de viver sempre melhor. Não posso aceitar a Guerra do Iraque, do Afeganistão, a arrogância extremada praticada no governo Bush. Não dá para aceitar o império da mediocridade segurando as rédeas de um novo mundo. Obama não é a "salvação", mas é a possibilidade de mudança. Nada radical, mas com significado positivo. Conto que o dia 5 de novembro seja realmente um novo dia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Pesquisas americanas de hoje, segundo o site Real Clear Politics

Bye,bye, Bush

Apesar da fraude, Obama deve ganhar

É notório e notável a capacidade americana de fraudar eleições. Lá é pior do que no terceiro ou quarto mundo. Às vezes, ainda se consegue alguma mobilização para se tentar evitar o roubo exagerado - como aconteceu nas duas últimas eleições de Bush -, mas o final tem sido desolador. Nas eleições desse dia 4 de novembro, não deverá ser muito diferente. A diferença é que o candidato Democrata Barack Obama está tentando vencer com uma diferença maior do que a do roubo. O seu eleitorado (negros, jovens, novos eleitores em geral) é mais suscetível ao roubo. Mesmo assim espera-se que mais e mais pessoas atendam ao apelo Obama. Vale a pena ler a extrevista de a publicada hoje no Globo:
'Acho que a eleição vai ser roubada na Flórida'
Professor da Universidade de Chicago diz que fraudes persistem mas não serão suficientes para tirar a vitória de Obama
ENTREVISTA Greg Palast
Rumores insistentes de que fraudes estão acontecendo na Flórida não são apenas boatos, segundo o jornalista Greg Palast, autor do best seller “A melhor democracia que o dinheiro pode comprar”, no qual ele demonstrava como votos foram fraudados na eleição de 2000, na qual George W. Bush foi eleito por uma pequeníssima margem de votos. Repórter investigativo da BBC e do jornal inglês “Observer”, ele estima que 6 milhões de eleitores poderão ser impedidos de terem os votos contados por causa de fraudes na Flórida e no Colorado. “Mas a vantagem de Obama é tão grande que, até agora, isto não será suficiente para impedir sua eleição”, diz Palast, que também é professor da Universidade de Chicago.
Helena Celestino Enviada especial • MIAMI
O GLOBO: Existem rumores de fraudes, mas o senhor tem informações de que algo errado, de verdade, está acontecendo na eleição antecipada aqui da Flórida ou em algum outro estado?
GREG PALAST: Na Flórida, estão impedindo as pessoas de votar através de um sistema que eles chamam de verificação de eleitores. Nunca se fez isso antes, simplesmente porque nos Estados Unidos não existe nem carteira de identidade. Isto afeta especialmente os eleitores de primeira viagem — e dois terços deles votam em Obama. Este sistema já restringiu o direito de votar de 85 mil pessoas, quase todos negros, o que combina com uma longa história de racismo na Flórida. E, claro, lembremos que este foi o estado onde George W. Bush roubou a eleição em 2000, não deixando votar os eleitores respondendo a algum processo ou tendo algum registro policial.
O GLOBO: Mas esta lei não mudou na Flórida?
PALAST: Mudou. Agora, como em outros estados dos EUA, podem votar os que já cumpriram pena. O problema é que só aqui o governador tem de assinar um papel autorizando-os a votar.Resultado: quase meio milhão, grande parte democrata, estão esperando esta aprovação.Lembre-se de que nos EUA é muito fácil ter ficha criminal, e isso afeta a população mais pobre, majoritariamente eleitores de Obama. Ou seja, estão fazendo todo o possível para roubar a eleição na Flórida.
O GLOBO: Mas por que os democratas não estão entrando na Justiça eleitoral contra isso?
PALAST: Porque o Partido Democrata está com medo de ser visto como um partido de negros, especialmente no ano em que têm um candidato negro.
O GLOBO: Para o senhor, está sendo usada uma série de pequenos truques para mudar a vontade do eleitor?
PALAST: O pior é o expurgo de eleitores das listas, sob os mais variados pretextos. Esta eleição provavelmente vai ser decidida em três estados: Ohio, Flórida e Colorado. No Colorado, os republicanos estão tirando um a cada cinco eleitores das listas, acusando a Accorn, por exemplo, de ter registrado eleitores fictícios. Isto não é verdade, é ridículo. Mas quando os eleitores chegam às urnas, o nome deles não está na lista, e o voto é classificado como provisório. Isto significa que precisa ser confirmado depois, e que acaba não sendo contado. Acho que a eleição vai ser roubada no Colorado e na Flórida.
O GLOBO: Mas pelo menos as máquinas melhoraram, não?
PALAST: Não em todos os lugares, não nas áreas negras. Nas cidades grandes, a situação melhorou, mas não nas pequenas, como Jacksonville, por exemplo. Continua tendo o mesmo sistema, no qual é picotado fora o pedacinho do papel onde está escrito o nome do candidato que o eleitor não quer. Como em 2000, isso nem sempre acontece. Tem outro sistema em que é muito comum o eleitor votar num candidato e a máquina registar o outro. É incrível, mas isso ainda acontece aqui nos Estados Unidos.
O GLOBO: Do seu ponto de vista, estas fraudes impedirão a eleição de Obama?
PALAST: Acho que as fraudes podem levar ao roubo de 6 milhões de votos, mas isso, até agora, não parece suficiente para impedir a eleição de Obama. A campanha de McCain está completamente perdida, não consegue responder à crise econômica, e mesmo os que não gostariam de eleger um negro votam em Obama porque temem perder seus empregos. Dinheiro pesa mais que preconceitos. O problema é que as fraudes estão concentradas nos chamados swing states, os que ainda podem mudar o voto no Colégio Eleitoral. Pelas minhas contas, em 2000, 2 milhões de votos foram fraudados; em 2004, o número subiu para 3 milhões, e este ano serão 6 milhões. Mas a vantagem de Obama é tão grande que, mesmo com as fraudes, ele deve vencer

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

César Maia e 2010

Boa análise feita por César Maia sobre o cenário político-eleitoral do Rio de Janeiro com projeção para 2010. Eu diria até que ele apresenta um alto grau de imparcialidade, se é que isso é possível. Algumas observações farei dentro do texto dele, em negrito.
OS VETORES DA POLÍTICA FLUMINENSE APÓS A ELEIÇÃO E 2010!
1. Espacialmente, a política fluminense pode ser dividida em 9 vetores: Capital-Sul, Capital-Norte, Capital-Oeste, Baixada Fluminense, Norte/Centro Norte Fluminense, Niterói/São Gonçalo, Região dos Lagos, Sul Fluminense, e Região Serrana.
2. Na Capital-Sul a referência de Gabeira ficará estabelecida pelo tempo que ele definir um projeto político e então se avaliará o desdobramento. Não deverá ser candidato a governador, mas uma candidatura sua ao senado, se em coligação, reforçará muito esta coligação. Na Capital-Norte e na Capital-Oeste não há vetor político hegemônico, pois as oscilações entre primeiro e segundo turno foram claras, inclusive com inversões em certas áreas e a avaliação positiva do atual prefeito, aí, poderá lhe dar sustentabilidade. O exercício do poder pelo PMDB na capital nestes 18 meses pré-eleitorais definirá sua expressão política, na medida em que não vem tendo referências de opinião pública há anos.
Na verdade, César Maia sonha aqui com a sua candidatura para Governador, coligado com Gabeira para o Senado.
3. Na Baixada Fluminense o fato mais expressivo foram as derrotas do PMDB nos grandes municípios. As lideranças afirmadas dos prefeitos eleitos de Nova Iguaçu (PT) e de Caxias (PSDB) vão desenhar o quadro futuro. O prefeito de Nova Iguaçu será candidato a governador, negociando, com a saída do governador a vice do PT, o apoio do PMDB. Nesse caso se fortalece muito. O PSDB, com o cacife de Caxias, avaliará o quadro político nacional e as coligações que poderá fazer regionalmente com vistas a 2010, já que ainda não tem um nome majoritário para governador.
César Maia não conta com as possíveis alianças por baixo do pano com algumas candidaturas vitoriosas nem conta com a ida de Garotinho para o PSDB (um pouco dificultada agora, por causa dos fatores Gabeira e Kassab). Garotinho com certeza tem apoio de Zito para 2010 e obviamente está sonhando com Gabeira para facilitar os votos da classe média pelos quais ele tanto ora.
4. O PDT reina soberano em Niterói-São Gonçalo e com força eleitoral e lideranças expressivas, será peça desejada no jogo das alianças para 2010. Garotinho ressurge das cinzas e retoma sua trajetória a partir de sua liderança no Norte-Centro Norte Fluminense, com uma base de lançamento muito forte, lastreada pelos royalties do petróleo. O Sul Fluminense sai das eleições municipais sem vetor hegemônico, com as forças divididas.
5. Na região dos Lagos, o PMDB se enfraqueceu ao se dividir e se repete a situação do Sul Fluminense: não há hegemonia. Na região Serrana a surpresa foi a vitoria do PT em Petrópolis, o que, apoiado em nível federal, será um reforço à candidatura do prefeito de Nova Iguaçu a governador.
Esqueceu da importante vitória do PT em Teresópolis, nem tanto por conta do eleitorado (em torno de 100.000), mas sim por seu perfil mais conservador.
6. O jogo para 2010 parte com uma dúvida: se o governador do PMDB sairá para ser candidato a vice-presidente ou permanece e será candidato a reeleição. O prefeito de Nova Iguaçu será candidato de seu partido. O DEM inevitavelmente lançará o atual prefeito do Rio. Garotinho afirma que é candidato de qualquer forma. O PSDB avaliará se reproduzirá aqui a aliança nacional com o DEM, reforçando a candidatura deste a governador, ou não. E o PDT avaliará o quadro estadual até o último momento de forma a buscar a parceira certa com vistas a seu fortalecimento político e parlamentar.
7. Paradoxalmente, os espaços políticos do governador do PMDB se estreitaram muito no Estado desde sua vitória em 2006. Sua avaliação hoje é apenas sofrível, o exercício do poder na capital não é um passeio e o ano de 2009 não ajudará. Será um jogo que já começa animado, esse de 2010.
César Maia sabe que esse estreitamento é relativo. O mais provável é que a administração conjunta do Governo Lula com o Governo Sérgio Cabral e algumas prefeituras fluminenses(a começar pela da Capital, com Eduardo Paes) amplie os espaços políticos. Mas concordo inteiramente com a conclusão de César Maia: "Será um jogo que já começa animado, esse de 2010". As cartas estão na mesa. O jogo só depende do desempenho de cada jogador.

A crise com humor

Vi no Blog do Mello e resolvi repetir aqui. Traz a mais interessante definição de subprime. Para quem pretende uma explicação, digamos, séria dos subprimes derivativos, outro vídeo mais abaixo. Prefiro o primeiro.
Agora, o subprime "sério"

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"Terceiro turno" no Rio é jogada pra 2010

Terceiro turno no Rio? Por que não em Campos, por exemplo, onde o Ibope exagerou em pesquisa errada e onde a questão jurídica ficou mal resolvida? Claro que o objetivo da reivindicação é outro. Busca-se fortalecer um movimento anti-Lula para 2010. O que se quer é alimentar um ódio permanente da classe média carioca contra tudo que esteja associado a Lula e Sérgio Cabral, garantindo espaço para as candidaturas Serra-Gabeira-Garotinho. Tudo bem, faz parte. Acho que eu proporia o mesmo. Outra coisa que se fala muito é do "jeito novo de se fazer política". E pergunto: Quêde? Cadê? Onde está? Não vi isso em lugar nenhum. Nem de um lado, nem do outro. Por isso imploro: marqueteiros políticos, por favor, não explorem a santa ingenuidade da nossa classe média intelectualizada! Ela é bem intencionada e não merece ser abusada.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O "sombra" de Campos

Cena que foi relatada. Sexta-feira, em Campos, a busca por um bom lugar para assistir o debate entre Rosinha Garotinho e Arnaldo Vianna foi intensa. Muita gente procurou os telões de bares e restaurantes, e foi o que fizeram dois amigos meus, jornalistas, torcedores de Arnaldo Vianna. Foram jantar e beber no Kantão do Líbano, tradicional restaurante da cidade, freqüentado por gregos e troianos. Notaram que a maioria da torcida era de "arnaldistas" e notaram também uma figura solitária, de costas para todos, bem colado na televisão, que hora ou outra olhava pra trás curioso com aquela torcida anti-Rosinha. Tratava-se do Wilson Sombra, parece que genro de Garotinho. No sorteio final, meu amigo torcia para que Rosinha falasse antes de Arnaldo e batia na mesa e gritava sem parar "Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha! Rosinha!" e culminou com um "ROSIIIIINHAAAA!!!!" quando ela foi sorteada. Sombra olhou para trás e parece que deu um sorriso. Meu amigo não resistiu e gritou: "O Sombra é Arnaldo!... o Sombra é Arnaldo!..."

Saudades do César Maia

Gosto de ver o César Maia e sua paixão pelas pesquisas e pelo marketing político. Mesmo sabendo que torce e retorce a seu favor, é bom vê-lo trazer a discussão para primeiro plano, tentar apresentar todos os detalhes que o favoreçam. Hoje ele se apressou em mostrar que o seu partido, o DEM, cresceu em número de eleitores, quando a mídia insiste em destacar que encolheu no número de prefeituras. Ontem, tentou forçar a crença na vitória de Gabeira, tentou provar que o alto grau de "abstenção" prejudicaria Eduardo Paes. Manuseando inúmeras ferramentas estatísticas, ele procurou provar, no Ex-Blog de domingo, que a eleição seria "definida pelo perfil da abstenção. Em geral a abstenção incide mais sobre os mais idosos e os mais pobres. Sendo assim a vantagem é de Gabeira". Claro que isso era apenas um forte desejo. Ele quis acreditar que seria assim, mas nada de concreto existia nesse sentido. Se é verdade que entre "mais idosos" e "mais pobres" existe mais dificuldade de locomoção, é verdade também que é nessa faixa que está mais forte o sentimento cívico e onde há mais conhecimento político-eleitoral. Além disso, ele "esquece" os "eleitores fantasmas", aqueles resultantes de falha na atualização do cadastro do T.R.E. Eu diria que, desses 927 mil eleitores declarados como "abstenção", uns 300 ou 350 mil são "fantasmas", não existem, nem entraram nas pesquisas, mesmo tendo sido contabilizados como integrantes do eleitorado. Acrescentaria mais uma cosita: boa parte do eleitor tido como sendo de Gabeira absteve-se conscientemente, quando percebeu as alianças do candidato verde-tucano. Houve também, na Zona Sul, a declaração de voto envergonhado em Gabeira, daquelas pessoas que preferiam não se colocar contra a esmagadora maioria. Nada disso conta para César Maia. O que conta para ele é um desejo incontrolável de dar cientificidade aos seus desejos políticos.

O Rio sob a sombra de Gabeira

A oposição avançou fortemente sobre corações e mentes da classe média conservadora das três maiores capitais, São Paulo, Belo Horizonte e Rio. Talvez seja São Paulo, contraditoriamente, onde tenha sido menos forte nesta eleição - simplesmente porque isso já podia ser observado há mais tempo. A máquina de Serra (+ a de Kassab) mostrou desde cedo o seu poder, e somente Alckmin não acreditou. Em Belô, por mais que se tente dizer o contrário, a vitória foi unicamente de Aécio Neves. E no Rio, a oposição não conseguiu vencer, mas conseguiu um avanço maior do que nas outras capitais, porque, utilizando-se da imagem dúbia de Gabeira, conseguiu atrair novos "classe média" em uma proporção surpreendente. Um voto carioquista, rebelde, encontrou na oposição conservadora uma aliada de última hora, formando uma onda poderosa personificada em Gabeira. Os resultados dessas capitais mostram acima de tudo que as ações de Lula para conquistar eleitores além-Nordeste ainda precisam avançar muito. Foi um primeiro aviso forte de que as eleições de 2010 não são favas contadas. No âmbito do Rio de Janeiro, também serviram de advertência ao Governador Cabral (vitoriosíssimo com a escolha de Eduardo Paes) sobre suas pretensões em 2010. Ele viu crescer quatro adversários de peso - César Maia, do DEM (apesar de não ter conseguido emplacar Gabeira, teve papel importante no seu crescimento), Garotinho, do PMDB (com a vitória de Rosinha em Campos, tem uma forte base político-financeira), Zito, do PSDB (manteve sua liderança na Baixada Fluminense), e, de certa maneira, Lindberg, do PT, que também está firme na Baixada, além de ter espaço na classe média carioca. Sérgio Cabral terá que saber conquistar a metade perdida da cidade do Rio com muita habilidade, já que a classe média costuma ser escorregadia. Ao mesmo tempo, terá que garantir seu espaço na área popular e no Interior, ameaçado pela aliança Garotinho-Zito. A questão é que isso dificulta a sua candidatura como vice de Dilma, porque não poderia correr o risco de uma derrota no seu estado. A sombra de Gabeira estará permamente nos céus cariocas, energizada pela mídia e pela oposição a Lula, procurando o momento certo para dar o bote que não conseguiu em 2008.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O debate de César Maia

Por causa do trabalho, nem lembrei dos debates. Consegui ver os dois últimos blocos do debate entre Eduardo Paes e Fernando Gabeira pela Prefeitura do Rio (onde eu estava não foi possível ver o debate em outras cidades). Ao meu lado, um eleitor do Gabeira, profissional de comunicação. Devo confessar que esperava um massacre do Gabeira em Eduardo Paes e fiquei surpreso com o que vi. E hoje, quando li o Ex-Blog de César Maia analisando o debate, ri muito. César Maia é mestre em dar um tom doutoral às suas opiniões, mesmo que elas estejam bem distantes da realidade. Claro que só vi a parte final e não posso dizer se Eduardo Paes foi muito agressivo na parte inicial. Mas o que vi não passou "a agressividade e a tensão de Paes" como escreve César Maia. Muito ao contrário, Eduardo Paes passou segurança. Diz o Ex-Blog: "A comunicação na TV é imagem. A imagem na TV exige uma voz escandida, pautada, serena. A fala rápida, a voz mais alta, denotam insegurança. E as agressões reiteradas e o deboche, em vez de serem engraçados, como ele pensa, chocam quem o vê em sua casa". Pois bem, concordo com isso e cheguei a conclusões opostas. O ar blasé de Gabeira e um tom permanentemente irônico fizeram mal à sua participação. Pareceu que ele, Gabeira, estava o tempo todo procurando demonstrar superioridade, fazendo pouco do oponente. A fala mais pausada fazia parecer que estava tentando arrumar o pensamento, buscando a informação certa que não sabia onde encontrar. Pareceu-me despreparado. Aliás, um trecho do Ex-Blog explica um pouco: “A insistência de Paes de aparecer como síndico passa para quem vê ser candidato a prefeito de um pequeno município. As ironias com Gabeira reforçam a imagem de Gabeira de candidato com dimensão a prefeito de uma cidade global”. Isso mesmo. Para o eleitor que já vai votar em Gabeira, da Zona Sul, é assim que funciona – mas não traz nenhum voto. Para o eleitor indeciso, da Zona Oeste e de outras regiões carentes, para os “suburbanos” de Gabeira, o que vale é o conhecimento imediato, o feijão-com-arroz do dia-a-dia da cidade. Nisso, Eduardo Paes ganhou muito. Mostrou-se antenado com a cidade real. A citação contínua do apoio de César Maia a Gabeira pode até não ter contribuído para tirar votos na Zona Sul, mas serviu para envergonhar o voto carioquista em Gabeira. Por fim, quero comentar o olhar dos debatedores e mais uma vez discordar de César Maia. Se é verdade que não necessário em um debate o olhar permanentemente fixo na câmera, é verdade também que, ontem, Gabeira simplesmente ignorou o eleitor-telespectador. Enfim, não tenho a menor dúvida de que Eduardo Paes venceu o debate. Não voto no Rio, portanto ele não corre o risco de ganhar um voto a mais. Mas o eleitor do Gabeira (e que não gosta do Eduardo Paes) que estava ao meu lado balançou.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ninguém tenha dúvida: Lula vai entrar com tudo no Rio

Não existe a menor possibilidade de Lula dar apenas um "apoio faz-de-conta" à candidatura de Eduardo Paes (PMDB) para Prefeito do Rio. As pessoas que torcem para ele ficar de fora alegam que Lula não teria condições de apoiar quem já o tratou de "chefe da quadrilha". Mas quem diz isso ainda sabe pouco de política. O que está jogo é uma importante posição dentro do tabuleiro político de 2010. Com a capital paulista praticamente perdida para a oposição, a cidade do Rio de Janeiro passou a ser vital para os planos do Governo Lula. Deixar que Gabeira ganhe no Rio significaria entregar um ponto estratégico a César Maia, Zito, Serra, Aécio, toda a direita carioca e nacional e até mesmo, talvez, a Garotinho que (dizem) estaria se aproximando do PSDB. Diante dessa ameaça tenham certeza que o apoio de Lula não será meramente protocolar. O Planalto, com certeza, muda-se para o Rio.

Que é isso, ex-companheiro?

O candidato Fernando Gabeira, tucano verde do demo, deu sua primeira grande pisada na bola, em uma campanha em que ele parecia surfar nas nuvens. Perdeu toda sua fleuma ao comentar ao telefone a recusa de sua ex-companheira de primeiro turno, a vereadora eleita Lucinha, em apoiar proposta gabeirense que vai contra os interesses dos eleitores dela. Berrou Gabeira: "Lucinha está de salto alto, é uma analfabeta política, tem uma visão suburbana e precária". O pior (se é que tem pior...) vem depois. Quando soube que seu destempero tinha sido ouvido pela imprensa, destratou os repórteres. O Globo, que sempre o apoiou, descreve assim sua reação: "No fim da tarde, em frente ao prédio onde mora, em Ipanema, Gabeira ficou irritado ao saber que a conversa tinha sido ouvida: — Eu fazia isso também quando era repórter, mas é invasão de privacidade. Quando uma pessoa está falando ao telefone, você (repórter) dá um tempo. Se colocar alguma informação do que você ouviu, eu vou desmentir... Eu declarei isso para você? Você diz, então, que me ouviu conversando ao telefone, que invadiu a minha privacidade e que está publicando". Essa atitude não combina com a imagem de um prefeito livre, leve e solto que ele estava vendendo. A influência de César Maia chegou cedo demais... .

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Esqueci o PSOL

Depois que escrevi a postagem aí abaixo, lembrei: "Não coloquei o PSOL entre os possíveis aliados de Gabeira no segundo turno do Rio". Falha grave, porque dou valor a esse partido, mesmo quase sempre discordando. Logo depois encontrei alguém ligado ao PSOL que me falou algo sobre a decisão de apoiar Gabeira para combater o grupo que está no poder no Estado do Rio. É, pode ser. Mas acho que a questão é outra. A candidatura Gabeira roubou o eleitorado do PSOL no Rio, que se encontra basicamente entre os carioquistas, mas também é muito forte no lacerdismo. O PSOL não poderia deixar de apoiar Gabeira, sob o risco de simplesmente sumir do mapa. É melhor a união agora, para poder ganhar um pouco de oxigênio e tentar respirar melhor mais adiante com sua proposta própria.

César 1 x 0 Ibope

No seu Ex-Blog de hoje, César Maia pega com muita precisão uma escorregadela do Ibope:
BARRACO ESTATÍSTICO: EXTREMAMENTE GRAVE! AO SE DEFENDER, IBOPE SE ENTREGA!
Diretora do Ibope - ao contrário do que diziam antes - afirma que pesquisas influenciam eleitor. Se for assim, a divulgação de pesquisas em época próxima a eleição deveria ser proibida. Afinal, Ibope errando no Crivella teria provocado o mesmo fenômeno.
Globo-On
- É só analisar o Datafolha entre 5 de julho e 4 de outubro: o eleitor enriqueceu cerca de 10%. Ou seja: o Datafolha subiu o perfil da renda familiar e da escolaridade. Acho esquisito mudar uma amostra assim. Por isso, não foi erro do Ibope. O Datafolha criou uma "onda" que ajudou Gabeira - retrucou Márcia Cavallari, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Inteligência.

Rio, uma cidade em preto e branco

O GloboA cidade partida mais uma vez mostra sua cara. De um lado, Eduardo Paes, do PMDB, apoiado pelo Governador Sérgio Cabral (aliadíssimo de Lula), ex-discípulo de César Maia, ex-tucano e ex-crítico ferrenho de Lula na CPI dos Correios; do outro, Fernando Gabeira (PV), ex-guerrilheiro de esquerda, ex-defensor ferrenho da maconha, apoiado por César Maia, Roberto Freire, Aécio, Serra, Zito e tudo quanto é tucano. De um lado, pobres; do outro, ricos. De um lado, ensino fundamental; do outro, ensino superior. De um lado, eleitorado da Zona Oeste, Central, Leopoldina, Centro, Jacarepaguá; do outro, eleitorado da Zonal Sul, Barra, Recreio e Zona Tijucana. De um lado, o voto popular; do outro, o voto lacerdista, com apoio do carioquismo. De um lado (provavelmente), PMDB, PT, PCdoB, PRB, PSB, PDT, PP, PTB; do outro, PV, PSDB, PPS, DEM (ex-PFL). Entre eles, um imenso túnel, sem luzes no fim, nem no começo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Das pesquisas

Concordo inteiramente com a indignação de César Maia (reproduzo o texto abaixo) com relação ao que anda ocorrendo com as pesquisas. Há inúmeros disparates que não podem continuar circulando. Pesquisa, insisto, não tem erro. Portanto é preciso o aprofundamento do trabalho. Não quero colocar aqui a questão de possível má-fé. Existe um despreparo óbvio. Não concordo também com as pesquisas boca-de-urna como estão sendo feitas. Pelo que fui informado, elas costumam encerrar por volta das 12,30 horas. Ou seja, descartam o que acontece à tarde nos dias das eleições. Nesse caso, defendo até mesmo uso de novas tecnologias para que elas fiquem mais próximas da realidade.
ERROS GROSSEIROS EM PESQUISAS! CRIAR UMA COMISSÃO ESPECIAL NO CONGRESSO!
1. A quantidade de pesquisas de opinião divulgadas no Brasil, pelos grandes meios de comunicação é mínima (duas). Em outros países como EUA, por exemplo, a imprensa costuma publicar a pesquisa do instituto contratado e apresentar também a média de cinco ou seis institutos.
2. Os erros que ocorrem durante a campanha são extremamente graves: desmotivam campanhas, motivam outras, reforçam ou debilitam patrocínios e em função desse leque de situações, chegam ao eleitor. O caso Gabeira no Rio e Kassab em SP são referências que devem ser vistas com extremo cuidado.
3. Este Ex-Blog consulta outros institutos, especialmente o GPP que permanentemente sofistica sua base amostral e a expõe a análises técnicas de estatísticos seniores. Nos dois casos, o GPP antecipou resultados que os dois institutos viriam a dar (mais ou menos), em pelo menos 15 dias. As projeções deste Ex-Blog eram basicamente pesquisas realizadas de forma adequada com as melhores técnicas disponíveis. Portanto nada tinham de adivinhação.
4. No entanto, os erros graves na boca de urna mostraram que a questão técnica precisa entrar em debate, já que nem se poderia acusar de má fé, pois a eleição já acabou.
5. Este Ex-Blog já tinha a diferença de seis pontos no sábado a favor de Gabeira. A pesquisa de sexta-feira deu vantagem para Crivella num caso -Ibope- e para Gabeira por um ponto no outro -Data-Folha. A boca de urna do Ibope apenas inverteu o que já se sabia desde o início da semana: que Gabeira estava na frente com erro de 3 pontos.
6. Este Ex-Blog desde o domingo anterior já mostrava que a diferença entre Kassab e Marta havia se reduzido a cinco pontos, enquanto aqueles institutos davam 10 pontos. E -através de grupo controle- apontava -e este Ex-Blog publicou- para um empate no dia da votação. A boca de urna do Ibope deu para Marta vantagem de 6 pontos e o resultado mostrou uma inversão com vitória de Kassab.
7. Talvez caiba ao Congresso nacional criar uma Comissão Especial de análise convidando especialistas seniores do Brasil e dos EUA e submetendo a metodologia aplicada por estes institutos a uma análise profunda. Eles não podem se negar a isso, pois se trata não de pesquisas internas, mas de pesquisas contratadas por importantíssimos meios de comunicação de alcance nacional inclusive pela TVG.
8. O consumidor tem todo o direito de ter uma informação adequada para tomar a sua decisão. Não é o que vem ocorrendo.

sábado, 4 de outubro de 2008

A margem de erro dos voto indecisos

Finalmente, hoje tive um pouquito mais de tempo para me dedicar ao Blog. Peço até desculpas por alguma análise ligeira demais. Acho que em novembro será possível mais dedicação. Mas quero dizer que me incomoda muito os eternos erros da mídia sobre margem de erro (já falei aqui sobre isso) e recentemente também sobre projeções sobre o que são "votos válidos". Hoje até o César Maia cometeu a sua barbaridade quando escreveu "vamos supor que os indecisos somados aos que dizem que vão anular o voto coincidam com o que no dia da eleição será a soma de abstenção + brancos + nulos que anda aí na casa de 23% (chamemos de não-voto) e que com os ajustes de cadastro, sejam 20%. Ou seja, sempre que houver coincidência se supõe que os dados de intenção de voto se aproximarão dos das urnas. E sempre que houver diferenças, as urnas corrigirão as intenções de voto. Claro desde que a pesquisa tenha sido feita com os critérios mais adequados". Também vi um noticiário da Globo juntar os índices de "não sabe/não responde" aos votos "não válidos". O justo é considerar "não sabe/não responde" como "indecisos" - o que significa que o eleitor está pensando em votar em alguém, mas não sabe quem. Muito provavelmente será, portanto, um "voto válido". O "voto não-válido" corresponde à soma "abstenção + brancos + nulos", como disse César Maia, mas não tem a menor chance de participar das elucubrações estatísticas que ele lançou. Os "indecisos" dificilmente participarão de "abstenções". Mais provavelmente estarão dando voto (útil) aos candidatos que lideram. O correto, assim, nas projeções de segundo turno é considerar como "voto não-válido" apenas as intenções de "brancos" e "nulos". As "abstenções" serão mais facilmente encontradas entre os que têm intenção de votar em um candidato sem chances.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Eleição no Rio: carioquismo de direita contra Paes

A grande disputa que se faz na eleição carioca é sobre quem estará no segundo turno enfrentando Eduardo Paes (PMDB), que lidera as intenções de votos. Crivella (PRB) ou Gabeira (Tucanos-Verdes)? A maior probabilidade ainda está com Crivella, mas Gabeira cresce celeremente, com apoio de César Maia e todo o lacerdismo, Serra, Aécio, Roberto Freire. Se a coisa ficasse nisso, não teria maiores conseqüências. Mas a candidatura Gabeira não está restrito ao lacerdismo, como aconteceu com Denise Frossard. Ele conseguiu atrair o carioquismo despolitizado ou de direita, exemplificado pelo apoio de Caetano Veloso. Seu programa eleitoral – que era muito fraco – fez correção nessa direção e tornou-se boa alavanca eleitoral. Se é verdade que ele ainda não consegue atravessar o Túnel Rebouças rumo ao voto popular, ele pode estar conquistando votos de classe média de bairros além-túnel que poderão, por sua vez, influenciar votos da faixa C/D. Seria o efeito carioquista sobre as faixas populares. Por outro lado, Eduardo Paes, que se preparou para enfrentar Crivella no segundo turno e, para isso, fez uma campanha corretíssima no primeiro turno, com muitas propostas e bastante clean, tem que criar uma alternativa de campanha para enfrentar Gabeira. O principal seria dar mais emoção à sua campanha. Não que ele consiga conquistar o voto carioquista, mas poderia ter uma cara mais povão, mais próxima de Lula. Definitivamente, 2010 está mais próximo.

domingo, 28 de setembro de 2008

Eleição no Rio: Lula vai entrar na briga

O Globo conseguiu o que queria. Tirou o "perigoso" Bispo Universal Crivella do páreo e colocou no lugar o Tucano-Verde Gabeira. A pesquisa Datafolha é cristalina. Gabeira está no segundo turno contra Eduardo Paes. Implicação nº 1: Eduardo Paes mudará a campanha, que até agora preparava-se para vencer facilmente Crivella no segundo turno. Implicação nº 2:diante da frente conservadora, capitaneada por Gabeira, Tucanos, César Maia e Globo, Lula terá que entrar na campanha do Rio apoiando Eduardo Paes. Assim como em São Paulo, a disputa de 2010 já começou forte no Rio.

sábado, 27 de setembro de 2008

Eleição do Rio: o dilema de César Maia

César Maia já jogou a toalha neste primeiro turno: sua pupila, Solange Amaral, não conseguiu escapar da rejeição de seu tutor e cai a índices nanicos, de acordo com as últimas pesquisas. César Maia tenta posicionar-se para o segundo turno, mas está cada vez mais difícil. O seu ideal, diante do atual quadro, seria a vitória de Crivella. Seu arqui-inimigo Eduardo Paes seria derrotado e, ao mesmo tempo, César teria um adversário forte a menos na disputa para o Senado em 2010. Mas todos sabem que uma vitória de Crivella sobre Eduardo Paes (ou qualquer outro) no segundo turno é coisa muito difícil, quase impossível. Por isso César Maia lanca olhares para a candidatura de Gabeira, que conta com o apoio global e reeditaria a aliança de direita anti-Lula (DEM+Tucanos+PPS+PV). Claro que isso significaria que o Governo Lula entraria na disputa a favor de Eduardo Paes com todo o peso, sem divisões na base aliada. Mas há ainda outro fator anterior que deixa César Maia desesperado: depois do último Ibope, está dificil chegar lá...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Datafolha Rio: Gabeira derrota César Maia

Com a nova Pesquisa Datafolha de intenção de voto para a eleição municipal do Rio de Janeiro, temos duas novas conclusões: 1) aumentou o desespero de Crivella (PRB) e Jandira (PCdoB) para manter as posições e 2) Gabeira (Tucano-Verde) conquistou o lugar de César Maia (DEM, ex-PFL) entre os lacerdistas cariocas. A pesquisa, realizada nos dias 18 e 19, tem 930 entrevistas, o que significa erro máximo de 3,21 pontos para mais ou para menos. Considerando as variações de erro específicas de cada índice, verificamos que Eduardo Paes (PMDB) e Crivella destacam-se nas duas primeiras posições (com Crivella em queda...) e que Jandira e Gabeira travam luta de foice e tucano pela terceira posição, tentando daí conquistar o segundo lugar e chegar ao segundo turno. Isso de fato pode ocorrer, com um perdendo os votos para o outro e, no momento, Gabeira parece levar vantagem, graças aos votos da Zona Sul mais conservadora, que está dando adeus a César Maia e a sua candidata, Solange Amaral - que está entrando no bloco da rabeira...

domingo, 7 de setembro de 2008

A foto da eleição

Essa foto, feita por Pisco del Gaiso, em 25 de outubro de 94, e publicada hoje pela Folha, reflete a alma da dupla Alckmin-Kassab.

sábado, 6 de setembro de 2008

O impasse continua em São Paulo: vai haver ou não segundo turno?

Duas perguntas dominam o cenário eleitoral de São Paulo: 1) vai haver segundo turno? Mantendo-se a tendência, Marta pode até ganhar no primeiro; 2) se houver segundo turno, quem será o seu adversário? Kassab aparentemente está mais perto disso.

Este Blog está com um adivinhômetro melhor do que o de César Maia

Foi quarta-feira que comparei aqui minhas "adivinhações eleitorais" com as de César Maia. O Datafolha de hoje repetiu o que eu disse. Não tem muito mistério. Uma informação aqui, outra acolá, e um mínimo de bom senso. A máquina peemedebista com a visibilidade monumental de Eduardo Paes (PMBD) fez dele o acontecimento eleitoral do momento. O ritmo de crescimento vai diminuir, claro, mas o estrago já está feito. Crivella (PRB), com pouco tempo de TV e seus acidentes de percurso, não conseguiu superar a rejeição. Jandira (PCdoB) me parece que errou de posicionamento, e o penteado novo reflete isso. Gabeira (Tucano Verde) garantiu sua reeleição como Deputado Federal. Solange (DEM, ex-PFL) não escapou de César Maia. Chico Alencar (PSOL) era pra ser isso mesmo. Molon (PT) fez campanha sem pé nem cabeça nem dinheiro nem muito apoio. E dos outros candidatos não se esperava nada.

Em uma semana, quatro ícones a menos

Fernando Torres, Waldick Soriano, Fernando Barbosa Lima e Fausto Wolff. Quatro nomes que ocuparam boa parte da cultura brasileira na segunda metade do século passado. Com certeza, fazem falta. Fernando Barbosa Lima conheci de perto, porque em certo momento fui redator de sua agência de propaganda, a Esquire. Sua tranqüilidade me impressionava. Sobre Waldick "Eu Não Sou Cachorro Não" Soriano, uma curiosidade. Em entrevista famosa no Pasquim, para espanto dos entrevistadores, ele declarou que câncer não existia, era pura invenção. Morreu de câncer...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Eleição no Rio: o adivinhômetro de César Maia

César Maia não vive sem pesquisa, e está certo nisso. Ele certamente faz boas análises. Mas, acima de tudo, ele fala o que bem entende, puxando a brasa para sua sardinha. Ele vive "adivinhando" resultados que favoreçam sua candidata. Vejamos seu Ex-Blog de hoje (vou também "adivinhar" em cima do texto dele, com meus comentários em vermelho):
COMO ANDAM AS ELEIÇÕES NO RIO!
1. Mantida a tendência atual, Jandira Niterói e Ga-gabeira caminham para repetir em 2008, Jandira e Bittar em 2004. Concordo que os dois deverão seguir essa tendência. Gabeira já era esperado. Jandira está com campanha fraca, com tempo reduzido na TV. Não conseguiu se posicionar claramente na mente do eleitor.
2. Mantida a tendência, Cri-crivella caminha para repetir 2006 na capital.Crivella errou muito. Deve estar em segundo lugar, atrás da candidatura-furacão de Eduardo Paes.
3. Mantida a tendência, Dudu Riquinho começará a vergar em breve. Qualitativas mostram exaustão de exposição. Vergar, não creio muito. Mas obviamente vai diminuir o ritmo de crescimento.
4. Mantida tendência, Solange já está em terceiro. Talvez seja mais correto imaginar que Solange está em quinto, abaixo de Gabeira, acima de Chico. As pesquisas dirão.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Os sofismas de César Maia

Não existe nada mais delicioso (para alguns, revoltante...) do que ler as “análises” eleitorais que César Maia faz. Apesar de conhecer bem marketing eleitoral, ele não consegue apresentar um mínimo de confiabilidade no que escreve. Às vezes, ele faz críticas muito boas às pesquisas, por exemplo. Logo em seguida, ele trabalha esse tipo de informação a seu favor ou de seus candidatos. Sofisma a todo instante, tentando formar opiniões ou pautar a mídia com aquilo que lhe interessa. Ontem, no seu Ex-Blog, por exemplo, ele escreveu: “É verdade que Jandira vem caindo e provavelmente está com estes 10%. Mas é incompreensível que a soma dos candidatos com mesma referência de voto (dizem de "esquerda") caiam todos no mesmo sentido. Jandira, Gabeira, Chico e Molon somavam 29%. Agora somam 19%. Trocaram com a direita populista de Crivella? Trocaram com a direita imobiliária de Paes? Impossível. Ou os resultados estavam errados antes ou estão agora”. Para dar solidez à sua tese, ele incluiu Gabeira como “esquerda”, e com isso alterou completamente o raciocínio. Desde quando Gabeira é de esquerda? Ele foi, é verdade, mas largou esse “capricho da juventude” há muitos anos. Seus votos, hoje, estão bem à direita e ele segue resoluto nessa direção. O que obviamente aconteceu foi que Eduardo Paes engoliu boa parte das intenções de voto conservadoras que esses candidatos têm. Outro sofisma de César Maia está no Ex-Blog de hoje: “Até sexta-feira os programas eleitorais dos candidatos de oposição – à Prefeitura do Rio – enfatizavam suas propostas. Ontem enfatizaram suas críticas. Por que será? Se enfatizassem suas propostas é porque estariam disputando entre si. Enfatizando suas críticas é porque sabem que disputam – para valer – contra Solange-25 – a candidata de continuidade do Prefeito do Rio”. Ele pretende com isso fazer crer que Solange está forte e que os adversários sabem disso. Não é verdade. Os adversários sabem, isso sim, que a imagem de César Maia como administrador está desgastada e atacá-lo passou a ser uma referência de oposição. Nada contra Solange Amaral – exatamente porque ela não passa de uma tentativa de reinvenção de César Maia.