sexta-feira, 6 de abril de 2007

O Globo finalmente descobriu o Bolsa Família em Nova York

Em outubro do ano passado, o colunista Bob Herbert, do New York Times (para assinante do Times Select), anunciou o programa social do prefeito novaiorquino Michael Bloomberg inspirado no Bolsa Família. O Blog de Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada) noticiou e este Blog também (Nova Tork adota o Bolsa-Família). Claro que O Globo e outros jornais também poderiam ter noticiado. Não vi. Na época, estávamos indo para o 2º turno e evidentemente a mídia não estava interessada em qualquer notícia que pudesse favorecer o Governo Lula. Só tinha olhos para o Dossiê Serra e a fotos dos dólares. Hoje, seis meses depois, a correspondente do Globo, Marília Martins, deu a notícia. Nunca é tarde para noticiar o que é bom...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Controladores de vôo: o recuo que deu certo

Parece que o vai-vem da crise aérea está chegando ao fim. Aliás, mais do que o fim da crise, vislumbra-se o fim de de toda uma política equivocada para o controle do tráfego aéreo imposta na ditadura. Claro que ainda poderemos testemunhar alguns vai-vens, mas o problema central foi localizado e as medidas certas podem ser tomadas. Como disse um amigo com algum trânsito em círculos militares, "o erro dessa crise começou com o comando militar; era dever dele - e não do Ministério da Defesa - resolver essa pendenga com os sargentos. Os comandantes militares largaram na mão do Lula um abacaxi que era deles". Segundo avaliação de meu amigo, o Lula teve que tomar uma decisão que quebrava a hierarquia militar e que caiu como um presente no colo de toda a oposição, desde a direita radical até a mídia conservadora (sempre golpista). Lula teve que recuar. Mas, no final, o conjunto de suas decisões acabou dando certo. Permitiu que caísse a ficha para os militares, tanto os comandantes quanto os insubordinados. Os dois lados começam a entender melhor suas responsabilidades e também os danos e punições por suas ações. Torna-se importante agora o que fazer. Desmilitarização, sem dúvida. Mas, antes, é preciso contratar profissionais estrangeiros e treinar novos profissionais (como fez muito bem o CIA para o Governo Reagan). Ensinar línguas estrangeiras muito bem: além do português e do inglês, outra língua. Comprar novos equipamentos e separar claramente a área de manutenção da área de operação para aumentar a segurança contra tentativas de sabotagem. Depois de tudo isso, que pode levar de 1 ano a 1 ano e meio, talvez fosse recomendável devolver alguns desses controladores para a carreira estritamente militar.

Ahmadinejad X Blair: a humilhação atingiu seu ponto máximo.

Há 2 ou 3 dias atrás, o jornalista Robert Fisk, do jornal inglês The Independent, publicou um artigo (que O Globo traduziu) chamado "A guerra da humilhação". "Nossos fuzileiros navais são reféns. Podem ser levados a julgamento. Coquetéis-molotov explodem dentro dos muros da embaixada britânica em Teerã. Mas isso, definitivamente, não é a guerra ao terror. É a guerra da humilhação. A humilhação do Reino Unido, a humilhação de Tony Blair, dos militares britânicos, de George W. Bush e tudo o que acontece no Iraque. E o mestre da humilhação — mesmo que Tony Blair não perceba isso — é o Irã, um país que se sente eternamente humilhado pelo Ocidente", começa ele. Fisk lembra "os anos da ocupação aliada na Segunda Guerra Mundial, a deposição do xá (que era pró-alemão) e então, a humilhação das humilhações, a derrubada do democrático premier Mohamed Mossadeq, arquitetada pela CIA, com poucas armas e uma pilha de dólares. E os iranianos lembram bem como o xá voltou e violentou a resistência nas câmaras de tortura da Savak". A oposição que se opunha ao xá e que acabou vitoriosa talvez não imaginasse que o país caísse no xiitismo que caiu, mas com certeza todos sabiam muito bem o que era a humilhação daquela época. Quando Mahmoud Ahmadinejad, presidente iraniano, humilha, como humilhou, Tony Blair e todo o Ocidente bushiano, devolvendo os marinheiros ingleses flagrados em águas iranianas, ele provavelmente tem em mente todas as humilhações que seu povo sofreu. Pior: ele deu o troco de modo sutil, sorridente, com mensagens de paz e sabedoria, sem xiitismo. Essa, sim, foi a humilhação das humilhações.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Cesar Maia defende nossa Previdência

Claro que não há a menor chance de Cesar Maia, um dos caciques do partido conservador Democratas (ex-PFL, ex-ARENA), apoiar uma política mais voltada para o bem-estar social. Mas no seu Ex-Blog de hoje ele usa argumentos contra que poderiam ser usados a favor. Ele tirou trechos do artigo "Comparativo Internacional para Previdência Social", escritos pelos técnicos do IPEA Marcelo Ab-Ramia e Rogério Boueri no Boletim de Desenvolvimento Fiscal -IPEA- de dezembro de 2006 e comentou esses trechos. Vejamos esse ítem: "Razão de Dependência Demográfica é a relação entre a população com mais de 65 anos e aquela com menos de 65 anos. O Brasil aparece com 9% entre os países mais jovens. No outro extremo está o Japão com 29%". Cesar Maia conclui que "uma relação baixa como a do Brasil não justificaria altos gastos previdenciários como no item 1" (ver abaixo). Pensemos o contrário: um país com uma força de trabalho mais jovem tem mais condições de garantir situação melhor para nossos aposentados. Outro trecho: "O terceiro quadro é a aposentadoria como porcentagem da renda per cápita. O Brasil está entre os mais altos com 59,4%. A Suécia tem 70% e no outro extremo Georgia (ex-URSS) com 11%, Cazaquistão com 22% e Japão com 35%". Ele não comenta, mas eu diria que ter a Suécia como referência mais próxima seria motivo de alegria, mesmo considerando que os suecos têm um índice de contribuição total bem menor que a brasileira (ver ítem 5, abaixo). No item 4, Cesar Maia destaca um alerta importante: "Contribuintes da Previdência como percentual da Força de Trabalho. No Brasil são 56%. No extremo oposto Noruega, Holanda e Irlanda com quase 100%, o que mostra uma base baixa de contribuição no Brasil pela economia informal, taxa de exclusão..." Exatamente por isso o Governo Federal tem procurado estimular o emprego com carteira assinada - política que o oposicionista Cesar Maia deve estar aprovando... Leia abaixo o texto completo do Ex-Blog e não deixe de ler também o Blog do Mello sobre o tema.
PREVIDÊNCIA SOCIAL! Os técnicos do IPEA -Marcelo Ab-Ramia e Rogério Boueri escreveram no Boletim de Desenvolvimento Fiscal -IPEA- de dezembro de 2006 o artigo Comparativo Internacional para Previdência Social. Este Ex-Blog selecionou alguns números comparados apresentados que ajudam muito a entender os problemas e contradições da previdência social brasileira. A leitura destes números é suficiente para se entender a cama de gato da situação brasileira. 01. Gastos com previdência como percentual do PIB. A Itália se destaca com pouco menos que 18% do PIB. O Brasil vem neste bloco com quase 12% do PIB. Reino Unido tem menos que 10%, Dinamarca pouco mais que 8% e Estados Unidos menos que 8%. 02. Razão de Dependência Demográfica é a relação entre a população com mais de 65 anos e aquela com menos de 65 anos. O Brasil aparece com 9% entre os países mais jovens. No outro extremo está o Japão com 29%. Uma relação baixa como a do Brasil não justificaria altos gastos previdenciários como no item 1. 03. O terceiro quadro é a aposentadoria como porcentagem da renda per cápita. O Brasil está entre os mais altos com 59,4%. A Suécia tem 70% e no outro extremo Georgia (ex-URSS) com 11%, Cazaquistão com 22% e Japão com 35%. 04. Contribuintes da Previdência como percentual da Força de Trabalho. No Brasil são 56%. No extremo oposto Noruega, Holanda e Irlanda com quase 100%, o que mostra uma base baixa de contribuição no Brasil pela economia informal, taxa de exclusão... 05. Alíquota da contribuição total, empregado e empregador. O Brasil está entre os mais altos com 31%, no bloco da Georgia e Ucrânia com 35%. Do outro lado, Irlanda tem 12% e Suécia quase 20%.

Cesar Maia bate em Serra: qual o motivo?

No seu Ex-Blog de hoje Cesar Maia (Dem) escreve: "SERRA: CAIXA ECONÔMICA DE SP PAGOU 2 BILHÕES PELA FOLHA DE PAGAMENTOS! Sem licitação e por arbitramento. Sangrou o setor publico, descapitalizando a Caixa Econômica-SP. Por que não abriu a licitação para que o setor privado usasse seus recursos?" Como em política nada é de graça, por que será que Cesar Maia resolveu dar essa pancada em seu "amigo" e aliado em São Paulo? Até o momento, sabemos que Serra (PSDB) é quem mais apóia a candidatura de Kassab (Dem) para a Prefeitura de São Paulo em 2008. Dois motivos surgem, talvez três (ou mais...). 1) Cesar Maia percebeu que dificilmente Serra conseguirá evitar o lançamento de uma candidatura tucana (possivelmente Alckmin) em 2008 e, por isso, já começou a marcar diferenças batendo na administração tucana; 2) Cesar Maia não está tão preocupado com a candidatura Kassab (o que é difícil, mas não impossível) e só pensa em 2010; 3) Independente de qualquer eleição, Cesar Maia está interessado em marcar um lugar específico para seu Democratas no espectro político - já está claro que faz oposição ao Governo Lula, mas precisa definir as diferenças entre os partidos de oposição, principalmente o PSDB. Os próximos movimentos responderão melhor.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Qual o momento exato em que houve quebra do comando militar?

Os jornais só falam disso, a quebra da hierarquia militar. Algumas pessoas comentaram comigo, no Blog ou pessoalmente, criticando a decisão de Lula, que teria sido "frouxo" no confronto com os controladores de vôo. Chegaram a lembrar a situação aparentemente semelhante vivida por Reagan, no Estados Unidos, que resolveu o problema demitindo mais de 11 mil controlares e colocando outros em seus lugares. Alguém lembrou na CBN, esqueci o nome, que Lula teria agido contra a Constituição, que proíbe greve entre militares. Ok, concordo que a quebra da hierarquia militar é grave. Mas vamos lançar outro olhar sobre a questão. 1) Essa estrutura militar do controle aéreo é uma invenção da ditadura militar, totalmente insustentável nos dias de hoje. 2) A hierarquia militar foi quebrada no momento exato em que o comando não teve capacidade de controlar os controladores, nem mesmo com a ameaça de prisão. 3) O exemplo americano não serve, porque a estrutura de lá não era militarizada e porque o presidente contava com alguma reserva e ainda teve tempo para formar novos controladores; ainda assim, os controladores americanos conseguiram 110% de aumento. 4) Greve de controladores de vôo é comum no mundo inteiro. 5) A Constituição estava sendo rasgada pelos controladores que se aproveitaram de uma estrutura superada e de um momento especial que deixavam o país de mãos atadas. 6) Por mais que tivessem muita razão em suas reivindicações, os controladores foram irresponsáveis - ou talvez tenham sido irresponsáveis os diversos governos que permitiram essa situação. 6) A crise aérea não poderia continuar, colocando o país em situação desesperadora, sem outra saída que não fosse a alternativa de bom senso determinada por Lula. Colocado tudo isso, é preciso, primeiro, que os comandantes militares reconheçam sua total incapacidade de gerenciar a questão. E é também o momento de desmilitarizar o controle aéreo e formar novos profissionais, além de investir em equipamentos e novas tecnologias. Tudo com urgência, mas sem precipitações. Acima de tudo, não devemos nos deixar levar por qualquer sintoma de frenesi golpista. Ler também o texto de Carlos Drummond, "Controle militar dificulta solução da crise aérea", feito em 11 de dezembro de 2006, em sua coluna na Terra Magazine.

domingo, 1 de abril de 2007

A imprensa e o golpe de 64

No verbete "Golpe Militar de 64", a Wikipédia apresenta o seguinte texto:

A Imprensa

A imprensa colaborou com o golpe embora após o fim do regime militar tenha clamado para si os méritos de defensora da democracia. Antes da ditadura jornais como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã e Diário de Notícias pregaram abertamente a deposição do presidente. Somente o jornal Última Hora se opôs ao golpe.

Segundo o jornalista Fernando Molica: (sic) "...a grande maioria dos jornais era favorável à derrubada do governo João Goulart e festejou o golpe...".

Segundo Mino Carta, (sic) "...a Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14, carro tipo perua veraneio, usado para transportar o jornal, para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban, Operação Bandeirante."

Celular abre novas portas

O New York Times de hoje traz uma reportagem interessante, "New Bar Codes Can Talk With Your Cellphone" ("Novos códigos de barra podem falar com o seu celular"), que poderia parecer 1º de abril, se não fosse informação sobre o avanço do mundo digital. Aliás, não é também uma grande novidade, porque já está em largo uso no Oriente, notadamente no Japão. Mas sem dúvida apresenta uma dessas maravilhas dos novos tempos. O fato é que o celular está se transformando em "seu mundo de bolso". Através da leitura de código de barra, você compra o seu ticket de embarque aéreo, lê na embalagem do Big Mac se ele tem valor nutritivo, comprova a autenticidade da carteira de motorista, e faz milhões de outras coisinhas que antes eram inimagináveis. O celular transformou-se em uma espécie de "controle remoto digital", dizem uns. Ou na "ferramenta natural que combina o mundo físico com o mundo digital", como disse Cyriac Roeding, executivo da CBS. Ou, ainda, "o hyperlink físico", como diz Tim Kindberg, pesquisador senior da Hewlett-Packard, na Inglaterra. Senti que meu pobre Moto Q, com acesso a e-mails e à web, já está muito ultrapassado...
Para saber se seu o celular tem condições de ler código de barras, acesse, através dele mesmo, o site http://get.qode.com.

Instale o programa de leitura e fotografe o código do NYT acima, que transmitirá uma resposta para a tela do seu celular.

(Posso adiantar que você vai receber parabéns por ter dado o salto do papel para a Internet. E vai saber quais são as notícias de hoje...)

Todo político é fiel

Claro que esse título pode remeter ao dia de hoje, dia da mentira. Mas é verdade. Faz parte da essência da política ser fiel. Ao entrar para um partido, o cidadão (que pretende seguir a carreira política, portanto), está abrindo para os eleitores e o público em geral seus ideais, suas convicções, que passam a ser identificadas daí em diante pelo partido. Não há como ser diferente. Não seguir o seu partido passa a ser uma falta grave, uma traição, algo inadmissível. O que se fazia no Brasil, com o troca-troca partidário, era chacota com as leis e humilhação do eleitor, que era iludido e descartado até nova eleição. Acho que ninguém mais tem dúvida com relação aos princípios e a necessidade da fidelidade partidária. A questão que ficou após o pronunciamento do TSE confirmando a obviedade é bem específica dos deputados federais, deputados estaduais e vereadores que estão com mandato mas que trocaram de partido. Eles perdem ou não perdem o mandato já? Pela Lei dos Partidos, a 9.096, que está em vigor, sim. O artigo 26 dessa lei, citado pelo Ministro Marco Aurélio Mello, diz precisamente "Perde automaticamente a função ou cargo que exerça, na respectiva Casa Legislativa, em virtude da proporção partidária, o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda tenha sido eleito". Mas surgem outras dúvidas. Eles devolvem ou não devolvem os salários e os benefícios que usufruíram? Suas ações parlamentares perdem ou não perdem efeito? Acontece que essa lei é de 1955 e surge outra dúvida: devem ser colocadas em xeque todas as outras trocas partidárias desde que a lei entrou em vigor? E os outros cargos políticos? Se a resposta for sim, está estabelecido o caos. Em sentido mais amplo, nem o Cesar Maia escaparia (quando ele trocou o PDT pelo PMDB, em 91, o Brizola pediu o cargo de volta para o PDT; quando trocou o PMDB pelo PFL, estava sem mandato). O fato é que havia um consenso inexplicável de que não existia fidelidade partidária. Assim, o Brasil inteiro viveu praticamente 12 anos de ilegalidade. E o que fazer agora? Mais uma vez, bom senso. É preciso que o Congresso regulamente imediatamente esse passivo da infidelidade partidária, para impedir que o caos jurídico e constitucional prevaleça. E que garanta, com muita clareza, que daqui pra frente as traições não ficarão mais impunes.

sábado, 31 de março de 2007

Americanos trocam soja e algodão por milho

O jornal inglês Financial Times traz reportagem sobre a corrida americana rumo ao milho, graças ao crescimento na produção de etanol (ou álcool combustível), deixando de lado outros produtos agrícolas. Segundo o jornal, "a troca massiva pode resultar na maior safra de milho de todos os tempos, afetando as indústrias agrícolas dos Estados Unidos e de todo o mundo". Os produtos mais afetados são a soja e também o algodão, cuja plantação nos Estados Unidos já caiu a seu nível mais baixo desde 1989. Os preços subirão e os ganhos com o milho aumentarão. Os produtores brasileiros e argentinos sofrerão pressão para aumentar a produção de soja - que, entre nós, disputará terreno com a cana de açúcar. Mas tudo isso dependerá ainda, segundo analistas, dos efeitos do La Niña, o fenômeno climático que poderá provocar fortes chuvas no período do plantio. O jornal acrescenta que essa corrida desenfreada rumo ao milho traz para foco o debate "alimento versus combustível", em um momento em que a demanda global por alimento está crescendo. Isso significa que, apesar de termos que seguir avante nosso política de produção de combustível a partir de fontes renováveis, não devemos estar inteiramente surdos às advertências de Fidel e Chávez.

Fim de greve também na França

Depois de 18 dias de greve, acabou a paralisação do porto petrolífero de Marselha, na França. Lá, também, prevaleceu o bom senso. A questão principal estava em os trabalhadores do Porto de Marselha poderem ou não participar da operação do futuro porto de Fos-Cavaou. Os representantes do Gaz de France (GDF) alegavam questão de segurança, mas acabaram voltando atrás. Leia mais no Le Monde.

Obama faz Bill Clinton entrar na campanha

O crescimento da pré-campanha de Barack Obama trouxe mais uma estrela para a corrida presidencial americana: Bill Clinton. Nas últimas 6 semanas, ele entrou com tudo na arrecadação de recursos para a campanha de sua mulher, a pré-candidata Hillary Clinton. Procurou doadores, deu conferências fez apelos pela Internet, participou de jantares e de tudo mais que pudesse interceptar o fluxo de dólares para Obama. "Em pouco tempo, ele arrecadou cerca de 2 milhões de dólares em pequenos jantares festivos em Manhattan, às vezes permanecendo além do planejado", escreve o New York Times. É óbvio que a participação de Bill Clinton na campanha era esperada. O que não se esperava é que ela começasse tão cedo e tão intensamente. "Faz anos que ele não se engajava tanto em política", dizem os observadores. O que prova a força de Barack Obama, principalmente por sua consistente oposição à guerra do iraque.

Parece que Tarso Genro andou lendo este Blog...

O Ministro da Jurtiça, Tarso Genro, declarou que estuda tratamento diferenciado para jovens infratores/criminosos, na faixa dos 18 a 23 anos. Concretamente, isso se iniciaria com a construção de presídios especiais, onde esses jovens não se misturassem com o mundo de recuperação mais difícil da bandidagem. A luta pela recuperação dos jovens não pode parar nem ser reduzida a uma faixa mínima. Ao contrário, deve ser ampliada, como escrevemos aqui, no dia 13 de fevereiro, na postagem Minoridade penal: só não podemos perder a razão . Escrevi na época: "a redução da maioriadade penal tem razão? Não, claro que não. Primeiro, porque significaria indiferenciar os violentos criminosos como bárbaros irrecuperáveis. (...) O mais lógico, talvez, fosse ampliar a maioridade penal". Defendia, basicamente, que não podemos combater a barbárie sendo bárbaros. É preciso bom senso, usar a razão ao máximo, para podermos conquistar uma sociedade de paz. É o que Tarso Genro, aparentemente, está tentando.

Bom senso põe fim ao descontrole aéreo

Os controladores de vôo demonstraram que tinham a força. É claro que havia muita exploração política no movimento deles, como apontou Paulo Henrique Amorim (exagerando na comparação com a greve dos transportadores contra Salvador Allende no Chile de 1973). Mas eles tinham a argumentação irrefutável de que é preciso reformular a atividade do controlador de vôo. E a hora era essa. Com o acordo, coordenado pelo próprio Presidente da República, foi possível, além do ganho econômico, o início de negociações no sentido de desmilitarizar a visão essa atividade de importância singular no dia-a-dia do país. Por mais que seja um assunto de segurança nacional - e talvez principalmente por isso - não é possível lidar com o tema com rigidez absoluta. O Ministro da Defesa, Waldir Pires, um civil, tido como progressista e bastante flexível, certamente resolveu tornar-se inflexível porque estava fragilizado, sob pressão da mídia e da sociedade civil. Estava impossibilitado de uma visão mais clara. O comando militar, por sua vez, agiu como agem os militares. Por isso foi preciso que Lula, mais acostumado a lidar com greves difíceis e com uma responsabilidade maior, percebesse a delicadeza do momento e apontasse a linha do entendimento. Provou que para que haja controle no ar é preciso impedir o descontrole emocional aqui na terra.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Vem aí a nova BBC - "Brazilian" Broadcasting Corporation

Na posse do novo Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, Lula disse que quer uma TV pública educativa capaz de fazer o que a TV privada não faz, que tenha profundidade. Não pode ser chapa branca, "porque enche o saco" - mas que seja capaz de passar informação "sem pintá-la de cor de rosa, mas também sem pichar". O futuro Ministro espera lançar a TV pública ainda este ano e disse que ela deverá seguir um modelo parecido com o da BBC - British Broadcasting Corporation. Que seja bem-vinda.

Arábia Saudita levanta a voz

Pela primeira vez a Arábia Saudita falou grosso contra a ocupação americana do Iraque. Na cerimônia de abertura da Liga Árabe, ontem, em Riyad, o rei Abdulla disse aos líderes árabes que "no amado Iraque, a carnificina continua, sob uma ocupação estrangeira ilegal e um sectarismo detestável" e ainda advertiu que ou os governos árabes resolvem suas diferenças ou as potências estrangeiras, como os Estados Unidos, continuarão a ditar a política da região. Vindo de quem vem, essa declaração cai como uma bomba nos meios políticos internacionais, particularmente no Salão Oval da Casa Branca. A Arábia Saudita sempre foi o aliado preferencial dos Estados Unidos no mundo árabe, seja por sua monumental produção de petróleo, seja por seu posicionamento político "moderado". Nos últimos meses, a Administração Bush chegava até a contar fortemente com a sua liderança para um realinhamento político no Oriente Médio, opondo de um lado Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Líbano e Israel contra Irã, Síria e os grupos Hesbolá (xiita) e Hamas (sunita). Doce ilusão judaico-cristã... A Arábia Saudita começa a dar sinais de caminhar em sentido oposto, buscando, isso sim, a união árabe, alinhavando entendimentos que ultrapassem as sub-divisões islâmicas. Foi ela que construiu o acordo entre as facções palestinas no último mês, causando desconforto em Israel, que pretendia trocar o Hamas pelo Fatah na direção palestina. Também contrariando os interesses americanos e israelenses, o rei Abdula pediu o fim do boicote internacional à Palestina. Além disso, o rei recebeu este mês o presidente Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, inimigo nº 1 de americanos, israelenses e, agora mais do que nunca, de britânicos, e ainda está tentando resolver as tensões no Líbano em negociações com o Irã e o Hesbolá. Para finalizar, o rei saudita cancelou a participação em um jantar em abril na Casa Branca, alegando "conflito de agenda". Em outras palavras, "tô fora". Mustapha Hamarneh, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade da Jordânia disse que os sauditas parecem estar enviando uma mensagem a Washington: "É melhor vocês ouvirem mais seus aliados, em vez de sempre impor suas decisões e ficarem alinhados a Israel". O mundo árabe, em geral, está mudando e mostrando que pode ter voz ativa no cenário internacional. Com essa mudança de rumos, os sauditas não poderiam correr o risco de ficar à margem do processo, perderem força diante das novas lideranças árabes. Além disso, os sauditas, sabiamente, perceberam a fraqueza interna do Governo Bush e não querem ser associados a um "aliado" em estado terminal. Em vez de conclamar os árabes a deixarem Israel de lado, como fez nesta semana, Condoleezza Rice vai ter que ler mais o Alcorão. Leia mais no New York Times.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Big Sister ajudou Hillary Clinton

O vídeo-baixaria associando Hillary Clinton ao Big Brother de 1984 pode ter ajudado sua campanha pela indicação do Partido democrata a candidata presidencial em 2008. Segundo a pesquisa do Rasmussen do dia 26 de março, ela passou de 35% para 37%, enquanto seu adversário mais próximo, Barack Obama, caiu de 30% para 25%

Quem diria, a Arena quer virar Democratas

Charge de Chico Caruso / O Globo Era uma vez um partido chamado Arena (Aliança Renovadora Nacional), criado em 1966 (4 de abril, quase dia 1º...) para servir de braço político da ditadura militar que estava instalada no Brasil desde 1º de abril de 1964. Na época eram só dois partidos, a Arena da ditadura e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) da oposição. Em 1980, voltou o pluripartidarismo que tinha sido extinto em 1965. Aí a Arena foi rebatizada de Partido Democrático Social, PDS (que depois virou Partido Progressista Renovador - PPR -, depois Partido Progressista Brasileiro - PPB, depois Partido Progressista – PP). Em 1985, um pedaço da Arena (que já tinha virado PDS) resolveu apoiar a candidatura oposicionista de Tancredo Neves para Presidente do Brasil e, por isso, criou o PFL - Partido da Frente Liberal. O PFL separou-se da antiga Arena, mas não de seus antigos ideais (menos ainda dos ideais da origem mais remota, a velha UDN - União Democrática Nacional). É sem dúvida o grande partido da direita política brasileira, apesar de pretender, recentemente, tenta se vender como sendo de centro. Na verdade, o partido tem procurado se afastar da direita por questão de sobrevivência. Enquanto pôde se aninhar nas estruturas do Governo Federal e representar as oligarquias nordestinas, não se mexeu. Com a subida de Lula ao poder, o PFL viu minguarem suas forças (em 1998 elegeu 105 deputados, hoje só tem 58) e agora joga tudo em uma renovação que parece muito mais jogada de marketing (por mais que Cesar Maia apresente a justificativa da busca do centro como alternativa moderna à polarização esquerda-direita). Ao mudar o nome para Democratas e eleger Rodrigo Maia seu presidente, a velha Arena quer enganar quem, cara-pálida?

Elio Gaspari: viva Sousa Mendes

Ontem falei aqui da lástima da admiração de Cesar Maia pelo ditador português Salazar, expressada em seu Ex-Blog. Hoje, a propósito da mesma enquete da TV portuguesa sobre "o maior português de todos os tempos", a coluna de Elio Gaspari produz excelente texto, "Nem Salazar nem Cunhal; viva Sousa Mendes", que reproduzo:
DEPOIS DO ESPANTO causado pela entrega do título de "Grande Português" à memória do ditador Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), vem estupefação: o segundo colocado foi o stalinista Álvaro Cunhal, que dirigiu o Partido Comunista de 1961 a 1992. No mês dos 33 anos do renascimento da democracia no além-mar, 60% do eleitorado que participou da competição telefônica de uma emissora de televisão dividiu-se entre o que Portugal infelizmente foi e aquilo que felizmente não quis ser. Mesmo assim, as coisas boas também acontecem e Aristides Sousa Mendes foi o terceiro colocado, com 13% das preferências, contra 19% dadas a Cunhal. A amostra foi pequena e viciada. Num país de 10 milhões de habitantes, os telefonemas válidos foram 160 mil. Nada a ver com os 55 milhões de chamadas do "Big Brother" brasileiro. De qualquer maneira, quando Luís de Camões fica em quinto lugar, com 4% dos votos, as coisas não vão bem. Contudo, é o poeta quem ensina: "Quem há que por fama não conhece As obras portuguesas singulares?" Aristides Sousa Mendes e sua posição no certame são uma obra portuguesa singular. Conhecê-lo é uma dádiva. Ele nasceu em 1885, numa família católica da aristocracia. Passou pela Universidade de Coimbra e caiu na carreira diplomática. Rodou por Guiana, Zanzibar, Porto Alegre, São Luís e Curitiba. Estava no consulado do porto francês de Bordeaux quando estourou a Segunda Guerra e chegou-lhe uma circular determinando que não se concedessem vistos a judeus. A cidade transformou-se em corredor de saída para dezenas de milhares de refugiados impotentes e Sousa Mendes distribuiu resmas de vistos em branco, assinados e carimbados. Calcula-se que tenham sido 30 mil em poucos dias. Foi a maior operação de resgate conduzida por uma pessoa durante o Holocausto. Ele recordaria: "Quantos suicídios e outros atos de desespero se produziram, quantos atos de loucura de que eu próprio fui testemunha?" Salazar mandou dois funcionários para trazê-lo de volta a Lisboa. Sousa Mendes foi para Bayonne e emitiu mais vistos. Quando a polícia da fronteira com a Espanha foi avisada para não honrar sua assinatura, escoltou judeus abrindo caminho com seu carro oficial. Chegou a empurrar portões. Levado a Lisboa, foi expulso do serviço público. Perseguido pelo ditador, Sousa Mendes perdeu o patrimônio da família (a pecúnia, bem entendido porque, em 1944, dois dos seus 14 filhos saltaram sobre a Normandia com as tropas aliadas). Nada permitia supor que aquele aristocrata monarquista e cinqüentão agisse daquela forma. No seu encontro com a história, realizou a obra portuguesa singular. Sousa Mendes morreu em 1954, doente e miserável. Alimentava-se em centros de caridade da colônia judaica. Seus bens foram leiloados e sua casa senhorial virou galinheiro. Nada se escreveu sobre ele, além do que se gravou na lápide: "Quem salva uma vida salva o mundo". Hoje ele é uma glória de Portugal e nome de praça em São Paulo. Tem busto em Bordeaux e parque em Montreal. Vinte árvores foram plantadas em sua memória na Floresta dos Mártires, em Jerusalém.

terça-feira, 27 de março de 2007

O PFL pretende agora ser "democrata", mas defende a ditadura salazarista com unhas e dentes

O Ex-Blog de Cesar Maia, um dos principais ideólogos do PFL, traz hoje uma grande contradição. Ao anunciar a transformação do PFL em PD (Partido Democrata), Cesar Maia diz que "ao adotar a palavra democrata, queremos atingir a profundidade possível de uma prática política que inclui, e não exclui; que defende a liberdade sem transigências; que não admite a existência de cidadãos de primeira e segunda classe, pois todos têm direitos iguais; que, principalmente, nasce com compromissos escritos, formais e solenes, programáticos e objetivos. Democracia completa, ampla, irrestrita. Não apenas social, política ou econômica". Parágrafos antes, comentando a enquete da TV (RTP) portuguesa que tinha apontado o ditador Salazar (41%) como "maior português de todos os tempos", Cesar Maia se rasga em elogios, em evidente admiração pelo (como diz o Estadão), "mentor do regime fascista que durou 48 anos". Veja este trecho de Cesar Maia: "Seu longo ciclo político pode ser dividido em duas partes. Entre 1928 e 1944, quando se destaca como gênio das finanças numa Europa da hiperinflação na Alemanha, da desorganização da França... O fato de ter dirigido um governo autoritário não lhe tira méritos, na medida que - com a única exceção do Reino Unido - o mundo vivia um ciclo de governos autoritários". Adiante, ele meio que procura se redimir, reconhecendo que "sua gestão no pós-guerra manteve os mesmos parâmetros de antes e afundou Portugal no atraso, culminando com seu melancólico final de carreira". Mas o que fica mais evidente é sua admiração pelo grande fascista.

Enquanto isso, nada muda para Lula...

A pesquisa Datafolha realizada com 5.700 brasileiros nos dias 19 e 20 de março e divulgada ontem mostra que no fundamental a avaliação do Governo Lula continua a mesma. Comparada com pesquisa realizada em 23 e 24 de outubro do ano passado (pouco antes do 2º turno das eleições, portanto), apresenta resultado interessante: O "ótimo/bom" caiu de 53% para 48%, mas a soma de "ótimo/bom" com "regular" subiu ligeiramente de 84% para 85%. O "ruim péssimo" caiu, também ligeiramente, de 15% para 14%. A oposição deve estar arrancando os poucos cabelos que tem...

França: aumentam as chances de 2º turno entre Sarkozy e Ségolène

Faltando apenas 26 dias para a eleição presidencial francesa (1º turno no dia 22 de abril), as pesquisas apontam a consolidação de Sarkozy (conservador) e Ségolène (socialista) na liderança das intenções de votos, mantendo o centrista Bayrou mais distante. Em pesquisa por telefone com 1247 eleitores, feita nos dias 24, 25 e 26 de março, o Instituto Ipsos mostra Sarkozy com 31% (+ 1%), Ségolène com 25,5% (estável) e Bayrou com 18,5% (-0,5%). Ainda assim, o resultado final não está completamente definido.

Romário revela o segredo de 94

Em sua entrevista no canal Sportv ("Bem, Amigos") de ontem à noite, Romário estava à vontade, vitorioso, reconhecido - pela milésima vez - como grande craque do futebol de todos os tempos. Seu 3º gol e o quase milésimo mostraram que apesar dos 41 anos ainda é um goleador de qualidade. A possibilidade de ultrapassar Pelé em número de gols em jogos oficiais ((segundo a revista Placar, Pelé fez 720 e Romário já tem 717), é mais uma motivação. Considerado o grande "marrento" do futebol, estava sorridente. E revelou que em 94 obedecia às ordens de Dunga, dentro e fora de campo, de forma irreconhecível (logo ele, Romário, que não leva desaforo pra casa...). Respondia a tudo na base do "sim, senhor" ou "pois não, capitão". E disse que Dunga era incansável, conversando e dando bronca nos jogadores nos jogos, nos treinos e nos quartos. "Sem Dunga, não seríamos campeões em 94", revelou Romário.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Governadores continuam em lua de mel com a população

A pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Folha de São Paulo (assinantes) é bastante favorável aos governadores dos 3 maiores estados do Sudeste (SP, MG e RJ). A pesquisa busca a avaliação que a população faz desses primeiros meses de mandato e traz resultados superiores aos de outros mandatos. Aécio Neves (PSDB), de Minas, é o que menos surpreende. Ele já está no segundo mandato e sua aprovação, 71%, está compatível com os índices do período eleitoral. Ele tem apenas que fazer manutenção para se cacifar a postulante do cargo presidencial. Sérgio Cabral (PMDB) superou os índices de Rosinha (PMDB, 22%) e Marcello Alencar (PSDB, 26%) nas pesquisas feitas nos períodos equivalentes (Garotinho - PDT, PSB e depois PMDB - não tinha sido avaliado). Ele está muito bem, certamente, pelos contrastes com os antecessores. Trouxe idéias novas, disposição para administrar, está bem na mídia. Isso apesar do Rio ter sido com certeza o estado que mais ganhou manchetes sobre violência neste ano. José Serra (PSDB) tem-se mostrado inteligente. Conseguiu desvincular seu nome da tragédia do Metrô e, mal ou bem, do fracasso da educação em São Paulo. Superou os índices dos tucanos que o antecederam (Mário Covas 31% e Alckmin 34%). Mas mostrou que não está tão bem na Capital, 31%, onde teremos eleição importante no ano que vem. O seu candidato, o atual prefeito Gilberto Kassab (PFL), tem apenas 15% de aprovação e 42% de rejeição. Há ainda um fato positivo a considerar nos bons índices desses governadores: o bom relacionamento (principalmente de Sérgio Cabral) com Lula. Isso faz bem ao povo, que deseja que esse amor seja eterno enquanto dure - o que vai ser duro, se nos próximos meses pelo menos parte das expectativas não se confirmarem.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Mas era só o que faltava: Cora Rónai chama 90 reais de esmola!

De todas as bobagens sobre menor infrator de que tomei conhecimento ultimamente — e que não foram poucas — nada barra o texto da senhora Cora Rónai “Mas era só o que faltava: a Bolsa Bandido!” publicado no Globo de ontem. O texto critica a proposta do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, de procurar apoiar as famílias dos menores infratores com uma Bolsa Família (que geralmente varia entre 65 e 90 reais mensais). Quando li sobre essa proposta, pensei logo: “A classe média conservadora vai associar isso a apoio ao crime”. Não deu outra, e o texto da senhora Cora Rónai sintetiza muito bem esse conservadorismo. Ela escreve: “A idéia seria, se bem entendi, ‘reconstruir os laços familiares para reintegrar os menores à sociedade’ — como se a desintegração familiar fosse única e exclusivamente uma questão financeira, e como se todos os menores infratores fossem filhos de chocadeira”. Onde foi dito que a razão é “única e exclusivamente uma questão financeira”? Claro que não é, mas em uma sociedade miserável como a nossa isso tem um peso enorme. Por outro lado, parece que a senhora Cora Rónai não sabe exatamente o que é isso quando trata R$ 90 mensais como esmola (“Imaginar que uma esmola entre R$ 15 e R$ 90 mensais possa tirar um menor (de 1m80) do crime é não ter a mais pálida noção da vida aqui fora”). Com 90 reais, minha senhora, uma família miserável faz compras do mês, faz crediário do colchão que nunca teve, tira o filho da rua... Tudo bem, a senhora pode dizer que não faz sentido, porque o menor (de 1m80...) está recolhido por ter cometido infração e, portanto, não está na rua. Mas, minha senhora, e os outros menores (de 1m80...) da família? Vão continuar em risco e – quem sabe – colocando em risco a vida dos outros? Além disso, mais do que nunca, o menor (de 1m80...) infrator precisa do apoio familiar. Precisa sentir uma família forte e minimamente reconstruída, precisa saber que o mundo é muito mais do que um “Padre Severino”. A senhora sabe, por exemplo, que muitos desses menores (de 1m80...) pedem para que suas mães e irmãs não os visitem para evitar a humilhação da revista da entrada? A senhora já viu, pelo menos em foto, como infelizmente essas revistas são feitas? Existem menores (de 1m80...) infratores que podem ser recuperados, sim. E o Estado tem o dever de tentar isso através de apoio às famílias, educação e saúde (tanto quanto tem o dever de levar apoio às famílias das vítimas). O que o Estado não pode é manter esses menores (de 1m80...) e sua famílias em situação ainda mais miserável do que a que se encontravam antes, como costuma acontecer. Se o Estado não faz nada, acaba entregando a sociedade ao populismo desenfreado, que perpetua a miséria. É isso que se quer? Noto que a senhora continua com a associação simplista de “maioridade penal” com “maioridade eleitoral”, mas já evoluiu para perceber diferenças nos tipos de “crimes”. A senhora pode evoluir ainda muito mais, e até ajudar a conquistarmos uma política que traga mais segurança para as ruas, uma política de recuperação dos menores infratores - que é possível e desejável. Como aconteceu recentemente, no Rio de Janeiro, onde uma menor (de 1m80?) infratora, apesar das condições miseráveis de sua retenção, conseguiu estudar e passar no vestibular de Direito. Vale ou não vale a pena, senhora Cora Rónai?

Os efeitos "positivos" da campanha negativa

Mal fiz a postagem sobre o vídeo baixaria contra Hillary Clinton, recebi comentário de Dallas, no Texas, mostrando o endereço de um site oferecendo "Democra-tees" ("Camisetas Democratas"), com a logo de Obama inspirada na maçã da Apple. Obviamente , já tem gente faturando alto com tudo isso. Em tempo: o vídeo da "Big Sister" lidera a lista de vídeos virais. (Confira no Viral Video Chart)

quinta-feira, 22 de março de 2007

França: 2º turno com Sarkozy e Ségolène

A última pesquisa Ipsos (21 de março, 1009 entrevistas por telefone) mostra o fortalecimento das candidaturas de Sarkozy (praticamente garantido) e Ségolène rumo ao 2º turno. Bayrou tem caído. Mas na simulação de 2º, Bayrou ganharia dos outros dois.

A quem interessa o Big Sister?

Cerca de 2.000.000 já viram no YouTube esse vídeo igualando a pré-candidata à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, ao demoníaco personagem "Big Brother", do livro futuro-negrista "1984", de George Orwell. O vídeo na verdade é uma "montagem" sobre um comercial famoso da Apple. A questão é: a quem interessa isso? O autor (que se chamaria Philip de Vellis) já teria confessado que trabalhou para uma firma prestadora de serviços na área digital (Blue State Digital) da campanha do adversário Democrata Barack Obama, mas não trabalha mais e na campanha de Obama todos declaram que não tinham conhecimento do assunto. Pode ser que Hillary Clinton seja a mais prejudicada, pode ser que Obama seja o mais prejudicado. Pode ser que os candidatos democratas, como um todo, sejam os mais prejudicados. Com certeza a maior prejudicada, nesses tempos de YouTube, é a mídia tradicional. Philip de Vellis estará a serviço de quem? (Veja o comercial original da Apple)

Orkut faz bem a jovem

O Orkut virou alvo de tudo que é baixaria. Mais que alvo, aliás, virou fonte das baixarias. A última notícia vem de Minas e Pernambuco, onde "fofocas e fotos não autorizadas levaram a Justiça a intervir no site de relacionamento (que foi) bloqueado na cidade de Canhotinho, no agreste pernambucano, por causa da exposição de imagens de adolescentes moradoras da cidade. Em Minas, uma ordem judicial determinou a retirada do ar da comunidade Fofocas de Jacutinga, que alterou a rotina da cidade", segundo o Plantão Globo. Esse parece ser o dia-a-dia do Orkut, que conta também com ponto de venda de drogas... assédio sexual.. pedofilia... e outros produtos desse nível. Mas o Orkut, acreditem, acaba de ganhar uma tese a seu favor. Dois dias atrás, em encontro com pais de alunos de uma escola tradicionalíssima e bem rigorosa do Rio de Janeiro, o Coordenador da escola apresentou o que seria "uma tese a ser confirmada": graças ao Orkut os alunos tornaram-se mais comportados nas salas de aula. E explica: os alunos transferiram a maior parte da agressividade que têm contra professores e inspetores para o Orkut. O Coordenador revelou que ele próprio deve estar sendo atingido por vária comunidades - "o que é muito desagradável", acrescentou.

terça-feira, 20 de março de 2007

Rasmussen Report: Hillary cai, Obama sobe

Na pesquisa do Rasmussen divulgada ontem, feita entre eleitores do Partido Democrata americano, o pré-candidato a Presidente Barack Obama alcançou seu índice mais alto, 30%, e a diferença para Hillary Clinton caiu de 12% para 5%.