segunda-feira, 31 de março de 2008
Pesquisa Datafolha: 2010 é Lula versus Serra
A nova Pesquisa Datafolha, feita com 4.044 entrevistas (margem de erro provavelmente em torno de 1,5%), feita entre 25 e 27 de março, confirma outras pesquisas e o que qualquer um pode ver: Lula dispara na aprovação popular, com 55%, batendo todos os recordes. Na Oposição, José Serra consolida-se como o principal nome para disputar a Presidência em 2010. O que faz prever que a grande disputa será entre Serra e o candidato de Lula, seja ele Ciro, Dilma, Sérgio Cabral, sejam os três ou seja outro. (Pausa: li agora o Ex-Blog de César Maia de hoje e reproduzo esse trecho: "como já lembrou esse Ex-Blog: ainda faltam dois vetores a entrar. Um deles é o próprio candidato presidencial com máquina a tiracolo. Se Serra com FHC em baixa em 2002, saiu de uns 7% para 21% no primeiro turno, imagine-se, num cenário como o de hoje, o candidato da máquina federal...") É curioso notar que a região onde Serra conta com maior apoio é o Sul - exatamente onde Lula mais cresceu. Aliás, quero lembrar o que escrevi aqui em 11 de abril de 2007 (De olho na pesquisa), analisando Pesquisa Sensus da época: "Nem mesmo o fato de a aprovação do Governo ter atingido (49,5%) seu ponto mais alto desde agosto de 2003 pode ser considerado surpresa. Pode ser que haja espanto com uma aprovação tão alta, já que as pessoas, na maioria, nem ouviram falar (só 32,2% ouviram falar) do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, marca do segundo mandato. Vamos analisar em termos de percepção: assim como o Bolsa-Família está mais associado a "povão" e "Nordeste", o PAC está mais associado a "empresariado", "classe média", "Sul-Sudeste". É algo novo, ainda não claramente percebido e desnecessário para a maioria que está aprovando Lula".
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domingo, 30 de março de 2008
Pesquisa Datafolha no Rio: decepção com o número de entrevistas
Tem muita gente que critica o Datafolha porque seu método seria de "fluxo" e não "domiciliar". Não entro nisso, mas quero lamentar essa última Pesquisa Datafolha feita no Rio de Janeiro para medir a intenção de voto para Prefeito. Tudo bem que ela não pegou a grande mudança no cenário (aliança PT-PMDB), porque o campo já estava agendado e ninguém poderia prever a reviravolta que houve. Mas fazer uma pesquisa de apenas 644 entrevistas (margem de erro de 3,9% para o índice de 50%) é decepcionante porque o quadro carioca sabidamente apresenta grande número de candidatos com índices muito próximos. Vejam de fato o que o Datafolha apresentou:
Crivela - entre 15% e 21%
Jandira - entre 13,2% e 18,8%
Eduardo Paes - entre 7,7% e 12,3%
Gabeira - entre 6,8% e 11,2%
Solange Amaral - entre 6,8% e 11,2%
Chico Alencar - entre 4,2% e 7,8%
Molon - entre 0,2% e 1,8%
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Finalmente estréia o grande filme de João Saldanha
A pré-estréia vai ser dentro do 3º Festival Internacional do Documenmtário, nesta segunda-feira no Rio (Unibanco Artplex) e na quarta-feira em São Paulo (Cine SESC). É um filme de André Siqueira e Beto Macedo (grandes parceiros em campanhas vitoriosas), que deu muito trabalho (e como deu!!!), mas que vai compensar - não apenas aos autores, mas também ao público, ao futebol, à política e à imagem de João, que há muito tempo merecia algo assim. Só não entendo muito bem essa estrela no cartaz: dizem que refere-se ao comunismo de Joâo Saldanha, mas acho que contrabanderam a estrela petista pra ele...
sábado, 29 de março de 2008
Aniversário de Pezão: a aliança PT-PMDB posta em prática
As festas de aniversário do Vice-Governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, eram muito concorridas desde os tempos em que ele era Prefeito de Piraí. Antes eram em casa, mas em busca de mais espaço passaram a ser feitas no maior clube da cidade. Hoje, excedeu. Algumas das principais lideranças petistas e peemedebistas encontraram-se festivamente, na maior harmonia, comemorando também a nova aliança na disputa pela Prefeitura do Rio. Garotinho estava ausente, claro, mas estavam pelo PMDB (além do aniversariante, claro) Sérgio Cabral, Picciani, vários Secretários do Governo, Deputados, Prefeitos, Vereadores e até Eduardo Paes (ficou pouco tempo), que cedeu o lugar a Molon na chapa. Pelo PT, Benedita da Silva, Minc (Secretários do Governo), Prefeitos, o Presidente do partido e o próprio Molon. O ambiente, como sempre, foi alegre e descontraído (Pezão e Sérgio Cabral pai, na foto, ousaram até mesmo cantar para o público). E todos repetiam que o ar trazia o cheiro da vitória.
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Nova Pesquisa Datafolha mostra porque Molon é uma ameaça aos outros candidatos
A nova pesquisa Datafolha para medir intenção de voto para Prefeito do Rio de Janeiro, feita provavelmente nos dias 25 e 26 de março (ou antes), não captou a aliança PT-PMDB, com o Deputado Alessandro Molon na cabeça e com a bênção de Lula e do Governador Sérgio Cabral. Mas mostra o significado da força que o PMDB tem na área popular. A pesquisa feita sem a opção do candidato Eduardo Paes (que tinha saído do PSDB para ser candidato pelo PMDB e contava com apoio de Sérgio Cabral e oposição de Picciani e Garotinho) teve os seguintes resultados: Molon (PT) 1%, Chico Alencar (PSOL) 8%, Solange Amaral (DEM, ex-PFL) 8%, Gabeira (PV-Tucanos) 9%, Jandira (PCdoB) 18% e Crivella (PRB) 20%. Na pesquisa com Eduardo Paes (que teve 10%), o resultado ficou assim: Molon (PT) 1%, Chico Alencar (PSOL) 6%, Solange Amaral (DEM, ex-PFL) 9%, Gabeira (PV-Tucanos) 9%, Jandira (PCdoB) 16% e Crivella (PRB) 18%. Notamos que o PMDB, mesmo dividido e com uma candidatura a meio pau, tirou voto exatamente dos candidatos que têm mais inserção na área popular, Crivella e Jandira (Chico possivelmente perde um pouco pelo voto da classe média tijucana e da Barra que poderiam votar em Eduardo Paes). Com a candidatura Molon apresentando-se com a força total de Lula, de Sérgio Cabral e da máquina peemedebista, as outras candidaturas com voto na área popular vão começar a esmaecer. Além disso, Molon também deverá crescer na classe média que apóia o Governo Sérgio Cabral. Por incrível que pareça, não duvidaria que, mais adiante, Crivella e Jandira retirem suas candidaturas em favor de Molon (apesar de ele aparecer agora com apenas 1%).
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Pesquisa Datafolha: o "efeito Lula" chega a São Paulo
A nova Pesquisa Datafolha (1.089 pessoas entrevistadas nos dias 25 e 26 de março) mostra que provavelmente Lula começa a influenciar em São Paulo. Em apenas um mês, Marta Suplicy (PT) pulou para a liderança da corrida pela Prefeitura paulistana. Na pesquisa de fevereiro, Kassab tinha 12%, Alckmin tinha 29% e Marta tinha 25%. Agora Kassab tem 13%, Alckmin tem 28% e Marta tem 29%. Se bobear, Alckmin logo logo vai ficar atrás de Kassab. Aguardemos mais informações.
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No Rio, a epidemia tem outro nome
Com o Presidente do DEM (ex-PFL) do Rio, Deputado Rogério Lisboa, caindo de cama com dengue, está comprovado: no Rio, o nome da epidemia é "demgue"...
sexta-feira, 28 de março de 2008
César Maia sentiu o golpe e parte para o ataque
Que seria da Oposição sem o César Maia? O que seria do jornalismo político sem as pautas diárias passadas por César Maia? Não sei o que seria, mas seria com menos graça, com certeza. Desde a última terça-feira, quando Sérgio Cabral anunciou a aliança PT-PMDB para as próximas eleições municipais no Rio de Janeiro, César Maia andava abalado, sem saber direito o que fazer, cabisbaixo nas fotos. Foi até pedir ajuda ao Senhor do Bonfim... Ontem veio mais uma pancada, com a pesquisa CNI-Ibope, aumentando a aprovação de Lula e seu Governo. Pior: os Demos (ex-pefelistas) do Brasil inteiro, segundo vejo na imprensa, parece que estão se rebelando contra os Maia. Como reação, César resolveu aumentar a virulência do seu Ex-Blog. E em função disso jogou fora qualquer resquício de coerência. Tentando desqualificar a pesquisa CNI-Ibope, ele escreveu hoje em seu Ex-Blog: "Ao se saber - ou se mandar fazer - uma pesquisa de opinião, o interessado faz uma intensa programação de visibilidade, seja com publicidade na mídia, presença para cobertura da imprensa... E quando se é presidente, isso é garantia de espaços nos jornais de TV à noite. (...) O resultado inevitável é conseguir mais taxas de popularidade do que se tem". Ele está falando, sem dúvida, de seu próprio método, como já escrevi em meu livro sobre a campanha para Governador do Rio em 98 (Garotinho x César Maia). Outra nota muito interessante de César Maia é especificamente sobre a decisão do PMDB do Rio de apoiar o PT, em vez de apoiar o DEM (ex-PFL), como ele esperava. Diz a nota: "Complicada a equação que produziu a decisão do PMDB-RIO apoiar o PT-RIO em 2008. (...) Os candidatos a prefeito do PMDB na região metropolitana não aceitam que o número 13 - que será o de maior tempo de TV e assistência (a capital transmite a TVGlobo) - contamine as eleições metropolitanas". Pergunto: "os candidatos a prefeito do PMDB na região metropolitana" aceitariam o número 25 de César Maia? Outro trecho: "Os deputados que não foram consultados sequer tiveram tempo de ser parte cênica da liturgia da escolha". Pergunto: e no "acordo" com o DEM (ex-PFL), os deputados peemedebistas foram consultados? E as intervenções nos diretórios municipais do DEM (ex-PFL)?. Claro que César Maia não está preocupado em ter coerência. Ele quer influenciar a mídia - e por tabela a opinião pública - a seu favor. Mas isso está ficando cada vez mais difícil.
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quinta-feira, 27 de março de 2008
Vejam só quem é que pode continuar com o cavalinho na chuva...
Do jeito que as coisas andam, vai aumentar a taxa de desemprego na categoria "oposição"... Clique aqui para ver a nova pesquisa CNI-Ibope.
Eleição no Rio: não tem como Lula ser neutro
A surpresa da aliança PT-PMDB pela Prefeitura do Rio ainda está deixando muito político aturdido. Tanto os prejudicados da Oposição (César Maia-DEM, Gabeira-PV-PSDB, Chico Alencar-PSOL) quanto os candidatos da base aliada (Crivella-PRB, Jandira-PCdoB, Paulo Ramos-PDT) estão sem palavras certas para reagir. Gabeira é o melhor exemplo disso, reconhecendo para o Globo "que não tem condições de analisar" porque "São muitas variáveis. Para onde vai o eleitorado do (Eduardo) Paes? Até que ponto a disputa entre Molon e (Marcelo) Crivella pelas obras do PAC pode enfraquecer a ambos?" Em outras palavras, não disse nada com nada, ou tentando enganar o repórter ou porque estava perdido mesmo. César Maia procura fazer de conta que não aconteceu nada, mas faz e refaz suas contas políticas: Solange continua? Chama Denise Frossard (PPS)? Faz aliança com Crivella? Já Chico Alencar, prejudicado no seu eleitorado mínimo, faz gracinhas necessárias para marcar a diferença. Na base aliada, PSB e PP já indicaram que participarão da aliança PT-PMDB, PDT ninguém sabe o que vai fazer. Mas os partidos com candidatos bem situados em pesquisas (PRB de Crivella e PCdoB de Jandira) estão apavorados, preocupados com qual será a posição que Lula ("O presidente Lula disse várias vezes que, nas capitais onde houver mais de um candidato, só iria participar no segundo turno", disse Crivella; "Ele tem é que olhar o que é mais viável para ganhar a eleição", alertou Jandira), o mais importante eleitor do País, tomará. Tratam de cobrar neutralidade total - o que é impossível. Lula, obviamente, cumprirá o prometido e não tomará partido de ninguém. Mas ele tomará partido de Molon, mesmo sem querer. Primeiro, por causa do número. Eles têm o mesmo número 13 marcado por anos e anos de candidatura pelo PT. Segundo, por causa das obras do PAC no Rio, que tiveram grande impacto e que são creditadas prioritariamente como obras da aliança Lula-Sérgio Cabral. Terceiro, pela oportunidade única da aliança político-administrativa das esferas federal, estadual e municipal. Em várias pesquisas que presenciei, as pessoas aplaudem a aliança do Governo Federal com o Governo Estadual e vêem nisso o ponto principal para o quadro de crescimento e otimismo do Estado do Rio de Janeiro. Inúmeros pessoas, de várias cidades (inclusive do Rio), sonham com a sua Prefeitura Municipal também entrando nesse novo ritmo. Sob esses três pontos de vista (e devem existir outros), Lula apóia Molon - mesmo sem mover uma palha nesse sentido.
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McCain sugere novo inimigo para governo americano
Desde que inventaram a luta eterna do Bem contra o Mal, o homem, individualmente ou politicamente, sempre elege um Mal para referendar o avanço do seu Bem. Os Governos sempre fazem isso. As grandes potências não fazem outra coisa. Bush aproveitou o atentado de 11 de Setembro para eleger o “eixo do mal” (Irã, Iraque e Coréia do Norte) como seu adversário maior. Seriam os países inimigos que poderiam utilizar-se da energia nuclear e de atos terroristas para atacar os Estados Unidos. Com essa estratégia “anti-terrorista”, Bush fez de Bin Laden a face de todos os inimigos e fez de Saddam Hussein o seu bode expiatório. Não deu muito certo. Bush perdeu a guerra e não sabe o que fazer para sair dela. Por causa disso, sua rejeição é cada vez maior. Para tentar provar que caminha independente de seu Presidente, o atual candidato Republicano à Casa Branca, John McCain, resolveu escolher outro Mal para carregar a tiracolo. Resolveu atacar (em discurso, claro...) a Rússia de Putin. Chegou a dizer que ela é inimiga da democracia (lá vem esse papo furado de novo...) e que deveria ser afastada do G8 (no seu lugar, entrariam Brasil e Índia). McCain quer apenas ganhar pontos na sua corrida eleitoral, tirando o foco da guerra do Iraque e provando que tem um novo Mal de sua própria autoria. Será que vai emplacar? Curiosamente, McCain fez seu discurso anti-russo no mesmo dia em que Bush anunciou um encontro com Putin para resolver questões pendentes. Será que combinaram? Provavelmente, sim.
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quarta-feira, 26 de março de 2008
Eleição no Rio: o Tempo e o Vendaval
Uma das maiores conquências do "vendaval" que atingiu ontem o cenário eleitoral carioca (aliança PT-PMDB) é o tempo no Horário Eleitoral Gratuito. Para ilustrar o que digo montei essa hipótese, considerando os 30 minutos de cada Programa, arredondando bastante os tempos (vocês podem notar que a soma deu 29 minutos) e considerando também 10 candidaturas dentro dessas coligações. Analisem com calma.
Eleição no Rio: a "conspiração" de Merval
Nessa madrugada, estava assistindo a reapresentação do Jornal das Dez (entre 2 e 3 da manhã) e confesso que, meio sonado, tomei um susto com a análise que Merval Pereira fez da união PT-PMDB para a eleição municipal do Rio de Janeiro. Ele informou tudo certinho, mas concluiu com a hipótese de que na verdade tudo teria sido arquitetado por Lula... para beneficiar o Senador Bispo Crivella! Porque, segundo ele, esse novo cenário só serviria para enfraquecer a esquerda no Rio! Acordei e pensei logo: "Ele deve ter chegado a isso conversando com o César Maia..." Durante os últimos meses, o Prefeito do Rio e principal referência do DEM (ex-PFL) tem se esmerado em procurar associar o nome de Lula a Crivella em uma imaginária guerra santa contra a Globo e a Igreja Católica. Seria parte de sua estratégia para manter Lula longe da clase média carioca e sob ataque ainda mais intenso do principal grupo de comunicação do país. Está certo César Maia em tentar isso. Mas ninguém precisa exagerar nas fantasias. Não há como Crivella sair beneficiado com a união Lula-Sérgio Cabral (PT-PMDB) nas eleições municipais da Capital fluminense. Podemos começar pela disparidade nos tempos no Horário Eleitoral Gratuito: Molon, contando apenas a aliança PT-PMDB-PP-PSB, terá algo em torno de 12 minutos por programa (detalharei depois), enquanto Crivella estará limitado a cerca de 2 minutos. Devemos lembrar também que a esquerda, ao contrário, estava enfraquecida e agora finalmente tem uma candidatura de peso (Molon sempre foi da esquerda do PT e chegou a pensar em ir para o PSOL), com a possibilidade de até mesmo agregar Jandira (PCdoB) e o PDT, ficando de fora apenas Chico Alencar do PSOL. Do ponto de vista religioso, Crivella deu adeus à possibilidade de conquistar algum voto católico desgostoso com a classe média gabeira-tucanizada, já que Molon é historicamente o nome preferido da Igreja Católica. Finalmente, com relação à "guerra santa global", a direção da Globo deve estar agradecidíssima com a nova chance de poder contar com uma candidatura forte que possa barrar o avanço Universal-Record no Rio, um de seus pesadelos. Acredito que Merval não teve tempo de conversar com seus superiores antes de emitir a Opinião das Dez...
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terça-feira, 25 de março de 2008
Eleição no Rio: César Maia errou como político e como marqueteiro
César Maia acreditou piamente que a aliança do seu DEM (ex-PFL) com o PMDB no Rio seria pra valer. Eu cansei de dizer aqui que isso não faria qualquer sentido para o PMDB. Parafraseando Obama (e depois o Alckmin), como pode o maior ceder o lugar para quem está acabando? O PMDB, caso se aliasse a César Maia, estaria simplesmente entregando de bandeja o Rio a um DEM em fim de carreira. César Maia também errou como marqueteiro, ao se empenhar tanto em demonstrar que sua pupila, Solange Amaral, era viável eleitoralmente. Veio a superchapa de Sérgio Cabral e Lula, com apoio de Dornelles e do PSB... e o sonho acabou. Claro que é louvável o esforço que César Maia estava fazendo, mas qualquer um podia prever que era um esforço inútil. Relendo agora o seu Ex-Blog de hoje sobre os candidatos no Rio, chega a dar pena:
O QUADRO PRÉ-ELEITORAL DO RIO EM MARÇO!
- Com as pesquisas informadas pela imprensa e as articulações políticas seguidas de informações a respeito, o quadro eleitoral do Rio está definido em dois vetores: Crivella e Solange Amaral. Embora a candidatura de Gabeira com o tempo de TV do PSDB também esteja definida, o campo da dinâmica de sua candidatura não está.
- Entre os candidatos deste campo estão Jandira, Gabeira, Chico Alencar e Molon. Os dois últimos parecem ter suas candidaturas confirmadas. Mas estas se sobrepõem à do Gabeira e com isso ficam inviabilizadas e apenas trocam votos entre si.
- Jandira tem suas intenções de voto muito melhor espalhadas que as do Gabeira. Mas sem tempo de TV ficará inviabilizada para abrir seu leque eleitoral, regional e socialmente. Por isso sua procura do PSB e do PDT para ter algum tempo significativo de TV. Não será simples, pois isso afetará as chapas de vereadores do PDT e PSB e inviabilizará o crescimento dos mesmos no Rio.
- Desta forma, o mais provável é que Crivella e Solange avancem sobre seus campos de eleitores potenciais e os demais façam uma espécie de eleição paralela entre eles. Nesse momento nesta eleição paralela - só com os nomes deles - venceria - entre estes 4 - Jandira, Gabeira, Chico e Molon - Jandira com alguma folga.
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Eleição no Rio: a reviravolta continua com PSB e PP unindo-se a Lula e Sérgio Cabral
Euforia total no Palácio Guanabara, sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro. O Governador Sérgio Cabral e seu Vice, Luiz Fernando Pezão, não páram de comemorar a nova aliança PT-PMDB pela disputa da Prefeitura do Rio. Ao mesmo tempo que comemoram, movem-se rapidamente para que a aliança se amplie. O PP, através de Dornelles, já deu o sim. E Alexandre Cardoso entrou há pouco no gabinete com o mesmo objetivo e já foi possível ouvir o sim. A meta agora é vitória no primeiro turno.
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Reviravolta na eleição do Rio: Lula e Sérgio Cabral se unem para vencer
A idéia da união PT-PMDB pela disputa da Prefeitura do Rio não é de agora. Mas estava difícil. Muita gente achava que o desejo do Governador Sérgio Cabral fosse Eduardo Paes na cabeça da chapa com Alessandro Molon de Vice. Claro que era isso mesmo. Mas as dificuldades internas, tanto do PMDB quanto do PT, inviabilizavam esse sonho de Sérgio Cabral. Havia também as articulações do PMDB (via Picciani e Garotinho) com o DEM (ex-PFL) de César Maia - o que seria um pesadelo para todos, menos César Maia. Enquanto isso, a visão que se tinha era de uma geléia geral, com tudo caminhando para um segundo turno entre Crivella (PRB) e outro nome, que poderia ser Gabeira (PV-PSDB), Solange Amaral (DEM, ex-PFL) ou o próprio Molon. Com essa aliança PT-PMDB (Molon-Régis Fichtner), tudo muda. Crivella sai prejudicado. César Maia sai prejudicado. Jandira (PCdoB) deve repensar a candidatura. O PDT e o PSB idem. Tudo caminha para um novo enfrentamento, onde a base dos governos federal e estadual evitarão qualquer insinuação de crescimento dos representantes da oposição (tucanos e DEMs) no Rio. César Maia não contava com essa. Leia mais na Folha Online.
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Eleição americana: McCain fez uma bela jogada ou se deu mal?
O New York Times de ontem publicou uma reportagem sobre movimentos que poderiam, em dois momentos distintos (2001 e 2004, quando debateu ser Vice de John Kerry), ter levado o atual candidato Republicano John McCain para os braços do Partido Democrata. Quem teria brifado o jornal - o pessoal de McCain, os Democratas ou, quem sabe, os ultraconservadores Republicanos insatisfeitos com a candidatura de seu partido? Para o Partido Republicano, certamente, não é uma boa notícia. Afinal, o seu candidato a ocupar o mais alto cargo dos Estados Unidos, além de ser considerado por muitos dos seus membros como "liberal demais", já negociou pelo menos duas vezes sua passagem para o lado arqui-rival. Os radicais da direita americana com certeza já devem estar planejando detonar a candidatura atual. Há o lado positivo para McCain, que é o fato de ele se mostrar bem distante de tudo que representa "Bush". A reportagem trata especificamente das baixarias feitas contra ele pelo "grupo Bush", nas prévias de 2000, que o teriam deixado enraivecido - a baixaria mais famosa foi o boato de ele ser pai (fora do casamento) de uma criança negra. Outra indignação de McCain foi com a porta fechada na Casa Branca para contratação de seus aliados. Esse distanciamento de Bush seria uma forma de ele evitar os respingos de sua rejeição. Pode ser positivo também para ele reforçar uma imagem "centrista", buscando aquele eleitorado flutuante e indefinido entre os dois partidos. Vendo sob esse ângulo, é bem possível que o próprio pessoal de McCain tenha "vazado" a informação. Por outro ângulo, existe a lógica Democrata, que poderia, com essa informação, estar querendo dizer que "se até o candidato Republicano simpatiza com os Democratas, por que votar em um Republicano"? Nesse sentido, é interessante saber que um dos interlocutores Democratas nas conversas com McCain em 2001 foi o ex-Senador Tom Daschle, que já tratou das divergências de McCain com Bush em seu livro "Like No Other Time" e que agora dá apoio ao candidato Barack Obama. As próximas pesquisas poderão esclarecer quem está por trás da reportagem.
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segunda-feira, 24 de março de 2008
Contagem regressiva no Iraque: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3,2,1... ZERO! Já são 4.000 soldados americanos mortos no Iraque, graças a Bush.
Segundo o Iraq Coalition Casualties, o número de soldados mortos no Iraque já chegou a 4.000. O pior é que a contagem continua cada vez mais progressiva.
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sábado, 22 de março de 2008
Eleição americana:Obama ganha dois presentes no mesmo dia
O pré-candidato Democrata Barack Obama andou na defensiva na última semana, graças basicamente ao discurso inflamado e desnecessário do líder espiritual de sua igreja, Jeremiah Wrigh. Obama até que reagiu muito bem, fazendo um discurso sobre a questão racial nos Estados Unidos que está entrando para a história. Mas as pesquisas recentes mostravam avanço de sua adversária, Hillary Clinton. Quando tudo parecia voltar a ser uma grande interrogação, Obama recebe dois grandes apoios - um do Governador Bill Richardson e outro da Administração Bush. O apoio de Bill Richardson, Governador do Novo México, tem grande importância por sua influência junto à extensa comunidade hispânica (que tendia, antes, a caminhar com Hillary). E o apoio de Bush se deu por tornar Obama vítima de mais uma atrocidade de seu Governo, ao bisbilhotar, ilegalmente, as informações de seu passaporte. Obviamente tentava obter dados que comprometessem Obama, mas acabou se dando mal. O Governo Bush ainda tentou minimizar o ocorrido, dizendo que Hillary Clinton e o candidato Republicano John McCain também teriam tido seus documentos vasculhados. Papo furado. Pontos para Obama.
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Contagem regressiva no Iraque: 10, 9, 8, 7, 6, 5, 4...
Já morreram 3.996 soldados americanos, segundo o Iraq Coalition Casualties. Faltam apenas 4 para completar 4.000. Quantos mais vão morrer? Isso é vitória? Valeu a pena a invasão de Bush? Se valeu - para quem?
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Eleição no Rio: Crivella escolhe o adversário mais fraco
Com a posição confortável de líder das pesquisas e único candidato (até agora) com perfil "povão", o Senador Bispo Marcello Crivella (PRB), pré-candidato a Prefeito do Rio, resolveu polarizar com o candidato mais fácil de derrotar em um possível segundo turno, o candidato tucano-verde, Fernando Gabeira. Em primeiro lugar, Crivella tenta evitar confronto com o candidato do PT, Alessandro Molon. Esse é o seu pior cenário, onde ele não pode contar com o apoio de Lula, além de criar polêmica em torno de uma possível "guerra santa" (evangélicos x católicos). Não interessa o confronto (ainda) com o candidato Eduardo Paes, que também é da base aliada (PMDB), é apoiado pelo Governador Sérgio Cabral e está com a indicação em risco. Não interessa polemizar com aliados do "bloquinho": Jandira (PCdoB), Paulo Ramos (PDT), Carlos Lessa (PSB). Não interessa nem mesmo polemizar com Solange Amaral, porque ele não quer afugentar o voto conservador. E o candidato do PSOL, Chico Alencar, não oferece perigo. Ao atacar Gabeira, Crivella foi esperto, ao empurrá-lo para o "gueto" das drogas e das polêmicas sobre aborto e homossexualismo. Gabeira percebeu a jogada e levou a resposta para o campo concreto da dengue, mas sua aliada tucana, Andrea Gouvêa Vieira, atrapalhou-se um pouco. A meu ver, essa iniciativa de Crivella facilitou a vida dos outros candidatos, que podem se posicionar de forma mais competitiva - mesmo sem fazer marola no início da disputa.
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quarta-feira, 19 de março de 2008
Alô, IG, não me venha com conversa fiada
Alguém deve explicações sobre o que aconteceu com o Conversada Afiada, Blog do Paulo Henrique Amorim. O Mino fez sua última postagem do seu Blog pendurado no IG. O Mello está boicotando tudo que é IG e está até renunciando à possibilidade de ganhar o iBest. E a jornalista da sala ao lado, que sempre morreu de amores pelo Paulo Henrique, soluça com raiva pelos cantos: "Ig!Ig!Ig!" Estou com eles e quero me associar a esses protestos!
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Contagem regressiva no Iraque: 10, 9, 8,...
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Iraque
César Maia e o uso político das pesquisas
César Maia é o rei de apresentar e analisar pesquisas. E faz isso sempre com o ar de um cientista que estivesse em ambiente asséptico e fosse capaz de se manter distante de qualquer juízo de valor. A imprensa costuma acreditar nesse discurso, mas a verdade é que César Maia usa essas "análises" principalmente para fazer a sua propaganda política. Vou dar exemplo tirado de seu Ex-Blog de ontem, onde ele "analisa" pesquisa (800 entrevistas) sobre a eleição municipal do Rio este ano feita pelo seu instituto do coração, o GPP (texto completo logo abaixo). Logo de cara ele diz que "a intenção de voto em Crivella (foi) um pouco abaixo do que se previa", e apresenta o índice de 22% (variação possível entre 19,1% e 24,9%). Duvido que alguém em sã consciência tivesse previsão de índice maior para o candidato do PRB, Marcelo Crivella. O que César Maia pretendia com a frase era simplesmente minimizar o alto índice de Crivella. Outra jogada na apresentação da pesquisa (a mesma que ele tem usado em outros textos) é a de buscar uma diferença positiva para sua candidata, Solange Amaral (DEM, ex-PFL), com relação aos outros candidatos com inserção na Classe Média no Rio de Janeiro. Na verdade, ele assumiu que Crivella (único até aqui com perfil popular) já está no 2º turno e está tentando distinguir Solange dos outros candidatos (Molon/PT, Jandira/PCdoB, Chico Alencar/PSOL e Gabeira/PV-Tucanos), posicionando-a como candidata "centrista", com ampla inserção fora da classe média da Zona Sul. Quero dizer, em primeiro lugar, que por mais que respeite qualquer instituto de pesquisa, não acredito no índice de Solange (12%, com variação possível entre 9,7 % e 14,3 %). Claro que não tenho dados de pesquisa atual para contrapor (por outro lado, a pesquisa apresentada está longe de ser clara sobre questionário, campo, etc), mas tratar Solange como "centrista" é dose! Não há "3 vetores", como pretende verder César Maia e, caso venha a existir, dificilmente Solange Amaral ocupará um deles. Outra grande jogada de César Maia está em procurar tratar como fato consumado a não-candidatura de Eduardo Paes. Seu nome (ou qualquer outro do PMDB) nunca é colocado em pesquisa - mas, por mais que ele tenha acordos com o Deputado Picciani e o ex-Governador Garotinho, é difícil acreditar que o PMDB do Governador Sérgio Cabral não tenha candidato próprio. César Maia aproveita sua fama de "marqueteiro" para fazer propaganda política. A imprensa tem que abrir o olho e não se deixar enganar. Texto completo:
PESQUISA PREFEITO DO RIO!
Com o quadro pré-eleitoral do Rio mais aberto, foi feita pesquisa com 800 eleitores este fim de semana pelo GPP. Essa pesquisa é uma espécie de pesquisa de abertura, ou seja, a partir da qual se avalia a dinâmica das candidaturas. Basicamente - dois números ficaram diferentes dos esperados. Um deles foram os 32% (não voto) de eleitores que preferiram não marcar nenhum dos candidatos, se abstendo, ou marcando nulo e branco. Outro foi a intenção de voto em Crivella um pouco abaixo do que se previa.
Crivella teve 22% das intenções de voto. Jandira 14%. Solange e Gabeira 12% cada. Chico Alencar 6% e Molon 2%.
O ponto forte de Crivella foi Santa Cruz/Campo Grande, o de Jandira foi Grande Méier, o de Solange foi Leopoldina, o de Gabeira Zona Sul, o de Chico Alencar Tijuca/Santa Teresa e de Molon, Zona Sul. A maior porcentagem de não voto foi na zona sul.
Depois a pesquisa reduziu a lista a 3 candidatos de forma a analisar a troca de votos entre eles. Numa delas Crivella teve 26% das intenções de voto, Solange 21% e Gabeira 20%. Crivella cresceu pouco e seu ponto forte foi zona oeste. Solange zona norte. E Gabeira zona sul/tijuca/santa Teresa.
Comparando com pesquisa de um ano atrás, Crivella cresceu 3 pontos, Solange cresceu 9 pontos, Gabeira (comparando com Denise), caiu a metade, Chico Alencar ficou no mesmo lugar e Molon (Edson Santos antes) idem.
Portanto desenha-se aquilo que este Ex-Blog havia comentado: será uma eleição em 3 vetores: Crivella, Solange e um terceiro que será o voto útil do eleitor no primeiro turno, entre Jandira, Gabeira, Chico Alencar e Molon.
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"A Imprensa e a Classe Média", segundo César Maia
No seu Ex-Blog de hoje, César Maia produz um bom texto sobre a relação "imprensa-classe média" que merece ser lido. Claro que por trás de suas análises sempre existe um marketing eleitoral próprio (vou tratar disso na próxima postagem), mas isso não invalida o que foi dito. Eis o texto:
A IMPRENSA E A CLASSE MÉDIA!
- O segmento da imprensa que tem como referência a classe média, e no caso, especialmente os jornais e revistas, tratam com uma equação muito mais complexa do que muitos imaginam. Os grupos ativos e ideológicos da classe média, e que por isso mesmo atraem e mobilizam a cobertura da imprensa, em geral agitam ofertas e necessidades quase sempre minoritárias.
- Tem características muito diferentes dos mesmos grupos que falam para os setores populares, pois estes vocalizam demandas óbvias e primárias, em relação a emprego, moradia, saúde, escola, urbanização... e portanto falam para a grande maioria destes setores. Claro que o mesmo acontece com a imprensa direcionada aos setores populares. Com isso se dá uma natural sinergia entre os grupos ativos e a imprensa, neste caso.
- Com a classe média não é assim. Em geral os grupos ativos e ideológicos sinalizam demandas de vanguarda ou de valores que na maioria das vezes não são socialmente significativas. Muitas vezes a imprensa se surpreende com a sensação que teve que o tema mobilizava e os fatos mostraram que prevaleceu a grande maioria silenciosa que não viu seus interesses incorporados, neles.
- São muitos os exemplos. Drogas, aborto, e tantos outros. Agora mesmo no caso do IPTU. Mobilizar a classe média para pagar mais imposto era uma contradição nos termos e só poderia ter resultado no que resultou: só os ideológicos -e nem todos- responderam de fato, insignificantemente. O lógico seria na defesa da classe média: "-pague para não perder dinheiro". E foi o que a racionalidade econômica produziu, apesar da campanha.
- As famílias de classe média enfrentam ou se preocupam em enfrentar no futuro, problemas de drogas com seus filhos. O tema liberação choca a grande maioria dela. O aborto é sempre indesejável - para os que admitem, e claro para os que não admitem. Ninguém pode ser a favor do aborto, o que seria uma aberração. O que se pode discutir é a criminalização. Mas não é assim que a questão é percebida. E com isso esses grupos ativos se isolam e ficam falando consigo mesmos.
- Outro risco é usar temas que tem a concordância natural da classe média, mas que por não terem como resultar em médio prazo, terminam provocando uma sensação de impossibilidade e frustração, e terminam produzindo como mensagem final, a idéia que nada daquilo tem solução, retirando força desta ou daquela cobertura temática da imprensa.
- Muitas vezes os temas gratos a classe média dentro de uma redação de órgão de imprensa, criam a sensação de que respondem as demandas e expectativas da classe média. E terminam afetando os laços de confiança entre imprensa e a classe média. Claro, e por isso tudo, é muito mais fácil fazer imprensa popular: os mesmos temas que sempre avançam, imagens impactantes e manchetes chamativas. Com a classe média, não é tão simples. É muito mais complexo.
Elio Gaspari: "Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes?"
Na sua coluna de hoje, Elio Gaspari, falando sobre Lula, acaba dando uma boa aula de marketing político para a Oposição desorientada. Publico na íntegra:
Lula é o mesmo, mas o cenário é outro
Bendita a cidade que ganha fama com uma palestra. Foi isso o que aconteceu com Araraquara depois que o filósofo francês Jean Paul Sartre terminou sua conferência no auditório da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, em setembro de 1960. Daí em diante ela se tornou conhecida como “a Conferência de Araraquara”. Era uma época em que as pessoas iam a esses eventos de terno e gravata. Sartre tratou de arcanas questões filosóficas e teve Jorge Amado na mesa, Fernando e Ruth Cardoso, mais Antônio Candido e Gilda de Mello e Souza na primeira fila. Há uma semana, discursando em Araraquara, na inauguração da escola que ganhou o nome da professora Gilda, morta em 2005, Nosso Guia fez um discurso que merece atenção. Foi um improviso, menor que a conferência de Sartre, mas ainda assim longo. Tem seis vezes o tamanho deste artigo e, à primeira vista, pode ser confundido com mais um Opus Lula.
Nosso Guia trocou de cenário.
Ele cavalga o desempenho da economia e os avanços sociais ocorridos durante seu reinado. Não formula idéias novas, apenas arruma velhos esplendores. Lula faz isso de uma forma que seus adversários devem pensar melhor antes de continuar com uma oposição de frases feitas e CPIs para alimentar noticiário.
Alguns exemplos: • “Todo sacrifício que nós fizemos permitiu que a gente pudesse estar vivendo o momento que estamos vivendo hoje. (…) Hoje temos quase 200 bilhões de dólares de reservas, não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris e não devemos nada a ninguém.” • “Aqui no Brasil, pobre não tinha acesso a banco. Aliás, os bancos tinham desaprendido a atender pobre. (…) O que nós fizemos? Nós resolvemos fazer crédito para o povo pobre. (…) Criamos o crédito consignado. (…) Eu acho que a gente colocar dinheiro na mão do pobre é investimento neste país.” • “Quando eu tomei posse, a indústria automobilística me procurou dizendo: ‘nós estamos quebrados’. (…) E ontem eu recebi uma carta: eles saíram de 2,2 milhões de carros e estão prometendo produzir 4 milhões de carros em 2009. Qual foi o milagre? O milagre foi uma coisa que a gente vinha dizendo há 20 anos: Com 24 meses de prestação, só pode comprar carro o setor da classe média. Se vocês quiserem que o pobre compre um carro, aumentem o número de prestações . ” • “Noventa e seis por cento dos acordos feitos pelos sindicatos são acordos feitos acima da inflação, com aumento real de salário.” • “Este ano, nós vamos ter a primeira turma formada pelo ProUni.São 60 mil jovens que tiraram o diploma pelo ProUni e 40% desses são negros e negras.”
Nosso Guia teve até o seu “momento Obama”: “O grande desafio (…) é acreditar que a gente pode.” Não há um novo Lula, o que há é uma nova conjuntura. Sua falação pode ser repetitiva, mas tem duas características. Primeiro, ele não está enrolando. Depois, leva para a rua uma agenda de progresso e otimismo, deixando para a oposição o penoso exercício do mau humor. Se uma mentira, repetida mil vezes, acaba virando verdade, o que dizer de uma verdade repetida mil vezes? O Brasil bem pensante, que até hoje procura entender a conferência de Sartre, precisa ler o discurso de Araraquara. Ele está na internet, basta passar no Google “discurso lula araraquara gilda”. Em 1960, aos 15 anos, Nosso Guia corria atrás de seu único diploma. O do Senai.
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Não é ficção: Arthur Clarke morreu
Bastaria que ele tivesse sido co-responsável (com Stanley Kubrick) por "2001: Uma Odisséia no Espaço". Mas ele faiz muito mais: ele via o futuro. Por exemplo, com décadas de antecedência, previu que o homem iria à lua ainda no século XX, e foi ridicularizado por isso. Como ele mesmo declarou, muito coisa do que previu não aconteceu. Mas muitíssimas coisas aconteceram. Com sua morte, temos menos imaginação.
terça-feira, 18 de março de 2008
O laissez-faire posto em questão
A crise que a economia mundial está sofrendo é sem dúvida o primeiro grande questionamento desse neoliberalismo que assola a humanidade desde o final do século XX e pode ser caracterizada como a primeira grande crise do capitalismo desde o surgimento do bloco de países socialistas. O fracasso do laissez-faire decretado pelo Crack de 29 e o crescimento de um bloco de países caracterizado por forte intervenção do Estado na economia forçaram o capitalismo a um Estado com mais presença. No entanto, com o fim da União Soviética, as propostas do laissez-faire voltaram a ganhar força, agora com o pseudônimo de neoliberalismo. Sem ter outros modelos para se opor e com o suporte da globalização, o neoliberalismo garantiu algumas décadas de sucesso. Enquanto houve gordura para crescer, o “mercado livre” pareceu demonstrar capacidade de comando na solução de todos os problemas da sociedade. Claro que não é bem assim que o mundo gira. E a pirâmide das hipotecas nos Estados Unidos acabou por ruir qualquer ilusão nesse sentido. O laissez-faire voltou a fracassar. E governos ocidentais voltaram a intervir na economia para salvar as sociedades das mazelas provocadas pelas gestões dos “mercados-livres”. O Brasil de hoje, que também teve sua herança neoliberal, só não afundou completamente nesta nova crise graças à forte presença do Estado, que garantiu uma economia mais fechada e que soube (no Governo Lula) desenvolver o mercado interno. Até onde irá nossa resistência, não podemos adivinhar. Mas podemos afirmar que essa relativa tranqüilidade do Brasil diante da crise mundial é mais uma prova da incompetência do neoliberalismo.
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segunda-feira, 17 de março de 2008
Contagem regressiva no Iraque: 10,...
Segundo o site Iraq Coalition Casualties, já morreram 3.990 soldados americanos. Faltam apenas 10 para completar 4.000. É uma contagem macabra e realmente regressiva essa que Bush impôs ao mundo. E os números absurdos não páram aí. Segundo o Iraq Body Count, falta pouco para se chegar a 90.000 civis mortos pela violência no Iraque. Deve ser com essa contagem que Bush dorme tranqüilo.
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Invasão de Bush no Iraque: sem comentários
Peguei essa nota no Plantão Globo de hoje, reproduzindo notícia da BBC:
Cinco anos depois, situação no Iraque 'é desesperadora'
Plantão/Publicada em 17/03/2008 às 07h23m BBC
Em uma situação "desesperadora", milhões de iraquianos vivem sem acesso a água tratada, saneamento básico ou atendimento à saúde, cinco anos após a invasão americana de 2003, afirmam nesta segunda-feira dois relatórios divulgados por organizações internacionais. Segundo a Cruz Vermelha, que descreveu a situação humanitária no Iraque como "uma das mais críticas do mundo", famílias iraquianas gastam até um terço de sua receita mensal de pouco mais de R$ 250 apenas para comprar água limpa.Dois em cada três iraquianos não têm acesso a água potável, completou um segundo relatório divulgado pela Anistia Internacional.De acordo com a Anistia, cerca de oito milhões de iraquianos - quase um terço da população de 27 milhões de habitantes - precisam de ajuda humanitária para viver.Os relatórios são divulgados na semana em que se completam cinco anos da invasão do Iraque, na madrugada de 19 para 20 de março de 2003. "Para as pessoas que precisam de água limpa, que precisam de acesso à saúde, a situação está pior do que nunca. Foram décadas de guerras e sanções, o que significa que não houve investimentos suficientes no sistema de saúde e em saneamento", disse à BBC o porta-voz da Cruz Vermelha em Washington Michael Khambatta. Ainda de acordo com a Cruz Vermelha, hospitais iraquianos se ressentem da falta de profissionais e medicamentos, e oferecem apenas 30 mil leitos, menos da metade dos 80 mil necessários. Direitos humanos. O relatório da Cruz Vermelha é complementado por outro, da Anistia Internacional, que avalia como "desesperadora" a situação humanitária no país em guerra. "Milhares de pessoas foram mortas ou incapacitadas, e comunidades que antes viviam em harmonia foram precipitadas para o conflito aberto. Para muitas mulheres, agora sob risco de ataque por militantes religiosos, as condições até deterioraram em comparação com o período de Saddam Hussein", disse o relatório. De acordo com o relatório, mesmo na relativamente tranqüila região do Curdistão, no norte do Iraque, a melhoria econômica não foi acompanhada de mais respeito pelos direitos humanos. "Prisões arbitrárias, detenções e torturas continuam a ser registradas mesmo nas províncias do Curdistão", afirmou o diretor da Anistia Internacional para Oriente Médio e África, Malcolm Smart. "O governo de Saddam Hussein era sinônimo de abuso de direitos humanos, mas sua substituição não representou nenhum alívio para o povo iraquiano." Segundo o relatório, o número de mortos desde o início do conflito permanece incerto. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que até junho de 2006 as mortes chegavam até 150 mil. Naquele ano, 35 mil pessoas morreram, afirmou a Anistia, citando a ONU. Apesar disso, os Estados Unidos afirmam que a segurança no Iraque está melhorando. As taxas de violência têm caído em até 60% desde junho do ano passado - embora o próprio comandante das tropas americanas no país, general David Petraeus, ressalte a volatilidade da situação. Visita surpresa. Nesta segunda-feira, o general deve se encontrar com o vice-presidente americano, Dick Cheney, que chegou em Bagdá para uma visita surpresa. O vice-presidente americano, que dá início a um giro de dez dias pelo Oriente Médio, deve se encontrar com o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, e outros políticos iraquianos. Depois Cheney visitará Omã, Arábia Saudita, Israel, Cisjordânia e Turquia. É a terceira visita dele ao Iraque, onde atuam 160 mil soldados americanos. Quase 4 mil já morreram desde o início do conflito.
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