terça-feira, 30 de março de 2010

Transferência de Lula faz Dilma disparar no Rio de Janeiro


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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
O apoio explícito de Lula a Dilma faz a candidata petista crescer 20% (de 29% para 35%) em intenções de voto. Nesse cenário, Serra cai (mesmo com apoio de Fernando Henrique) e Ciro também, enquanto Marina, mesmo com apoio de Gabeira, permanece na mesma.
O apoio de Lula a Dilma faz com que ela lidere em todas as regiões.

 

A manipulação das pesquisas


Vamos começar dizendo o seguinte: qualquer instituto de pesquisa tem condições de manipular os resultados e é praticamente impossível evitar isso. Você confia ou não confia nos resultados de determinado instituto. Pessoalmente, adotei a postura de sempre confiar – desconfiando...
Há casos que fogem ao controle da direção dos institutos. Por exemplo, é comum ouvir relatos de entrevistadores que testemunharam concorrentes preenchendo respostas sorrateiramente à sombra de uma árvore. Ou de entrevistadores impedidos de entrar em área perigosa, comprometendo resultados. Claro que os institutos têm sistemas de verificação, mas não dá para ter controle absoluto. Principalmente porque, cada vez mais, os entrevistadores pertencem a empresas terceirizadas – que, por sua vez, podem atender a clientes concorrentes entre si. O instituto, quem sabe, pode ser simplesmente uma pessoa contratando outras empresas. Claro que isso não significa necessariamente má-fé ou incompetência – mas demonstra a dificuldade de controle.
Há outras questões de caráter mais subjetivo, com certo grau de dificuldade para dar precisão aos resultados – ou que, por diversos motivos, não tiveram todos os resultados expostos. Vou dar dois exemplos.
  • O GPP (de Niterói, RJ) é um dos poucos institutos que procuram evitar a pergunta espontânea, porque ela tende a influenciar o resultado da estimulada. Concordo com essa posição, mas é difícil de comprovar. O raciocínio é o seguinte: na espontânea, o entrevistado revela o recall maior, a lembrança principal de um nome. Quando é apresentado o disco com todos os candidatos, o entrevistado pode ter alguma tendência a repetir a escolha da espontânea. Ou seja, o recall passa a ter valor maior do que o real.
  • Outro exemplo é o dessa última pesquisa Datafolha. Não vou questionar o índice de Serra mais alto do que o esperado. Mas tem uma questão que me chamou a atenção, que é a história da transferência de votos. A pesquisa detectou que os eleitores que avaliam Lula com ótimo ou bom dividem- se no apoio a Dilma e Serra (em torno de 33% para cada um). A partir dessa informação, está aberto o campo para a especulação de que Lula não transfere tudo para Dilma – ao contrário, transferiria boa parte para Serra. De um lado, é verdade que Lula não transfere toda sua excelente avaliação automaticamente para Dilma – ou ela estaria com 80% das intenções de voto... De outro lado, não é verdade que ele divida igualmente entre os dois. Não foram divulgados quantos dos que apoiam Lula (mas pretendem votar em Serra) sabem que Dilma é a candidata lulista – e esse cruzamento pode fazer toda a diferença. No Rio de Janeiro, por exemplo, a última pesquisa Vox Populi (ver na próxima postagem) faz duas perguntas diferentes sobre a intenção de voto para Presidente. Na primeira, lista os nomes "Dilma", "José Serra", "Ciro Gomes" e "Marina Silva" (com 29%, 28%, 16% e 9%, respectivamente). Na outra, acrescenta apoios e o resultado passa a ser: "Dilma” (com apoio de Lula) sobe para 35%, "Serra" (com apoio de Fernando Henrique) cai para 26%, "Ciro Gomes" cai para 13% e "Marina Silva" (com apoio de Gabeira) permanece em 9%. As intenções de voto em Dilma crescem mais de 20%. É bom esclarecer que, na mesma pesquisa, comprovou-se que 14% ainda nem sabem que Lula não pode candidatar-se novamente. A questão principal, portanto, não é o da capacidade de transferência que Lula tem (está claro que tem!), mas, sim, a capacidade de comunicar clara e amplamente o seu apoio. Ao não passar esse tipo de informação, os institutos de pesquisa deixam margem para especulação – que, no caso, só interessa à Oposição.
Concluindo, não acho que as pesquisas devam ser tratadas como um demônio em si (como fazia Brizola). Mas todos precisam ficar bem atentos – e ao primeiro cheiro estranho devem berrar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O PT-RJ tem razões que a própria razão desconhece

Ontem, na prévia para indicar seu representante na disputa para o Senado, o candidato Lindberg, atual prefeito de Nova Iguaçu (RJ), saiu vitorioso, enfrentando Benedita da Silva, atual Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Até aí, nada demais. Afinal, ao contrário de José Serra, de um modo geral considero o instrumento das prévias bem salutar. O resultado também já era apontado como o mais provável. Mas, sinceramente, por mais que reconheça o grande valor eleitoral de Lindberg, acho que a sua escolha foge à lógica.
Pergunto, sem emoção alguma, apenas buscando uma razão para tudo isso, como é que um partido como o PT abandona sem mais nem menos (e com isso se complica localmente...) uma Prefeitura como a de Nova Iguaçu, conquistada graças a muito esforço do Governo Federal, sem nem ao menos contar com um Vice-Prefeito da mesma legenda? O argumento (que não é o verdadeiro, mas é o disponível...) é o da renovação. Lindberg tem 40 anos, Benedita 67; seu grupo substitui o grupo que dominava há algum tempo a direção estadual; sua movimentação é de mudança, de juventude. Mas será que isso basta, justifica o que foi feito?
Há o “raciocínio” de que Lindberg pretende disputar o Governo do Estado em 2014 e um cargo de Senador daria base para sua candidatura. Aí, então é que perco inteiramente o fio da meada. O seu desempenho como prefeito de Nova Iguaçu, que é da Região Metropolitana e tem 4,70% do eleitorado fluminense, seria um excelente cartão de visitas, e já estaria à mão (Garotinho usou, como vitrine para sua candidatura vitoriosa a Governador, exatamente a sua passagem pela Prefeitura de Campos, que é do Interior e conta com apenas 2,86% do eleitorado...). Lindberg poderia facilmente fazer um sucessor petista em 2012 e ampliar o seu prestígio. E, repito, isso tudo já está na sua mão, inclusive com o apoio de Lula que lhe disse claramente para cumprir o mandato até o final! A conquista do Senado agora tornou-se apenas uma incógnita. Principalmente considerando que, no momento, de acordo com todas as pesquisas, Lindberg está bem distante dos líderes, Crivella e Cesar Maia – ao contrário de Benedita, que lidera as pesquisas, já foi Senadora, tem forte base popular e apresentava chances reais de ser a mais votada. Isso, sim, poderia garantir ao PT (e a Lindberg) uma base forte para disputar o Governo em 2014.
Há quem desenvolva o “pensamento” de que Benedita “é boa de partida, ruim de chegada”, um absurdo, já que sempre aconteceu o contrário. Em 92 saiu do nada para uma final surpreendente contra Cesar Maia. Em 2000, contra tudo e contra todos, subiu vertiginosamente, sendo derrotada no final porque não teve o apoio do “aliado” Governador Garotinho. Em 2002, idem. Em todas as outras candidaturas, foi vitoriosa de cabo a rabo – Vereadora, Deputada, Senadora, Vice-Governadora.
No quadro atual, sem Benedita,o mais provável é que vençam Crivella e Cesar Maia. A campanha de Dilma certamente será bastante prejudicada, porque Lindberg será alvo fácil da direita no Rio de Janeiro. Até agora foi protegido porque a oposição sempre o considerou um adversário mais fácil. Um exemplo disso é Cesar Maia que inflou o seu nome o quanto pôde, mas hoje, no seu Twitter, após saber o resultado da prévia, a primeira coisa que fez foi divulgar a pesquisa Vox Populi para o Senado onde ele e Crivella aparecem lá na frente e Lindberg lá atrás...
Há quem pense que tudo bem, “o importante é que o PT construa o futuro”. Mas não existe futuro sem passado, não existem voos sem terra firme. O que o PT não pode é correr o risco de virar pato-ilógico (parafraseando MD Magno...).

domingo, 28 de março de 2010

Nada mais oportuno do que 4'33" de John Cage para romper o silêncio nessa manhã de domingo


Vox Populi, RJ: avaliação positiva de Lula chega a 90%



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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
Sem palavras...

Vox Populi, RJ: Marina lidera na rejeição, menos na Capital


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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.

Marina surpreende por liderar a rejeição. Talvez por causa do desconhecimento, principalmente no Interior. Na Capital, o apoio de Gabeira junto à classe média da Zona Sul reduz a rejeição.

Vox Populi, RJ: empate técnico, com Dilma ligeiramente à frente de Serra e liderando na Capital


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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
Empate técnico com Dilma 1 pontinho à frente de Serra.

Na pesquisa por região, Dilma lidera na Capital e Serra no Interior.



No jornal O Dia, o presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, declara que a pesquisa revela uma tendência nacional, que demonstra o crescimento de Dilma. “A boa performance da petista na capital revela o grau de informação do público. À medida que Dilma associa sua imagem à imagem do presidente Lula, ela ganha respaldo e aceitação. No interior, essa informação chega de forma mais lenta ao eleitor”, acredita o presidente do Instituto Vox Populi.

sábado, 27 de março de 2010

IstoÉ: cientista político nega o “lulismo” e lança o “sortismo”


Sugiro a todos a entrevista na IstoÉ desta semana feita com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Com todo respeito, ele diz coisas muito engraçadas – pelo menos na minha opinião. Vejam esse trecho, como é cientificamente engraçado:
IstoÉ - O chamado lulismo poderá definir as eleições?
Alberto Carlos Almeida - Não existe lulismo. O Lula só é bem avaliado pelo desempenho do governo dele.
IstoÉ - Para o sr., o Lula não é um fenômeno?
Alberto Carlos Almeida - Não. Ele tem é sorte. O Lula ganhou força porque seu governo é bem aprovado. Lula não é um mito. Ninguém tem sucesso sem ter sorte. Competência, ele teve! Qual foi? Domesticar o PT, levar o partido para o centro e manter a política econômica.
IstoÉ - O presidente Fernando Henrique não teve sorte?
Alberto Carlos Almeida - Comparando com o Lula, ele foi sem sorte. A sorte sorriu mais para o Lula que para FHC.
Alberto Carlos Almeida também declara que quem tem uma imagem fortalecida junto ao eleitor mais pobre “é o PT, não é Lula nem ninguém”.
Sem querer ofender, juro que lembrei de uma entrevista que Waldick Soriano deu ao velho Pasquim, quando afirma que “câncer não existe”, seria invenção dos cientistas – o que fez debandar os entrevistadores do Pasquim. Mas não quero reduzir essa postagem a uma série de gracinhas. Prefiro que todos vocês leiam a entrevista completa. Quem sabe, vão sair com outra cabeça...

Boa notícia: o fim está próximo


Adaptei esse cartum de Newton Silva para demonstrar minha alegria pelo fim próximo desas duas aberrrações midiáticas, o BBB10 e o julgamento "Isabela". Aff! Ninguém aguenta...

Datafolha: Serra reduz a queda, Dilma reduz o crescimento


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A nova Pesquisa Datafolha divulgada hoje é bem interessante. Primeiro, porque faz ligeiras correções nas tendências das intenções de voto desde agosto de 2009. Segundo, porque serve para frear excessos de otimismo entre petistas. É verdade que Dilma mantém sua tendência de crescimento (no gráfico, as tendências são marcadas pelas linhas negras), mas não mais no mesmo ritmo em que estava. É verdade também que o candidato tucano, José Serra, ainda está na sua tendência de queda, mas em ritmo menor. A disputa fica cada vez mais interessante.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ganhando energia para a noite de sexta: John Lurie e Naná Vasconcelos


Vox Populi, RJ: Crivella, Benedita e Cesar Maia lideram para o Senado


Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais. Clique nos gráficos para ampliar.

Crivella (PRB), Benedita (PT) e Cesar Maia (DEM) têm empate técnico, com mais do dobro de pontos, cada um, à frente do quarto colocado, Lindberg Farias (PT).
Quando Lindberg sai de cena, Benedita avança, com ligeira vantagem sobre Cesar.

Quando é Benedita que sai de cena, Crivella e Cesar ficam inteiramente isolados na liderança.


Vox Populi, RJ: Sérgio Cabral vence no primeiro turno para o Governo do Estado


Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais. Clique nos gráficos para ampliar.

A diferença de Sérgio Cabral (PMDB) para seus adversários Garotinho (PR) e Gabeira (PV) é muito grande e lhe daria (se esse fosse o resultado eleitoral) vitória no primeiro turno.
A vantagem de Sérgio Cabral pode ser percebida em todas as regiões, Capital (36%) e Interior (39%).

terça-feira, 23 de março de 2010

Obrigado, Kurosawa - 100 anos


Em Minas, Serra perderia até para Alckmin


Estão circulando informações sobre uma pesquisa Vox Populi em Minas. Dilma já teria 45% contra 29% de Serra, 7% de Ciro e 5% de Marina. É bom lembrar que no primeiro turno de 2006, em Minas, Lula teve 48,61%, Alckmin teve 41,64% e Heloísa Helena teve 6,85%. Se os dados se confirmarem, talvez fosse o caso dos tucanos trocarem: Serra para re-eleição em São Paulo e Alckmin para candidato à Presidência - que perderia de novo, mas perderia melhor...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cesar Maia promove Samuel Pinheiro Guimarães


Cesar Maia adora dar pitaco em política externa, obviamente alinhando-se ao mundo conservador, muitas das vezes praticamente automático lado a lado com os Estados Unidos. A figura de Samuel Pinheiro Guimarães, ex-Secretário Geral do Min. das Relações Exteriores e atual Ministro de Assuntos Estratégicos, para ele, deve ser igual ao demo... epa, desculpe, igual a satanás.
No seu ex-Blog de hoje, com o título de “Este é o ministro de assuntos estratégicos do Lula!", ele escreve: “Samuel Pinheiro Guimarães faz parte da equipe próxima de Dilma junto com o chavista Marco Aurélio Garcia. É quem aproximou Lula e vai aproximar Dilma do Irã. Na entrevista ao Estado de SP (21), agride os EUA e mostra claramente qual é o time dele” (grifo nosso). Em seguida ele dá o link para a (ótima) entrevista, que ainda não tinha lido e agradeço pela dica. Procurei o trecho em que Samuel Pinheiro Guimarães “agride os Estado Unidos”. Não encontrei. Tentei de novo, e nada. A não ser que ele se refira a esses dois trechos:
  • Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.
  • Eu concordo com o presidente (sobre a frase de Lula de que as potências “não tem superioridade moral para cobrar o Irã”). E lhe acrescento: antes da segunda guerra do Iraque (em 2003), foi propalado em todos os países que Bagdá tinha armas de destruição em massa e, por isso, seria uma ameaça internacional. Diziam que armas iraquianas destruiriam capitais europeias em segundos. O sr. Colin Powell (então secretário de Estado dos EUA) discursou com fotos no Conselho de Segurança da ONU. O Iraque foi invadido e não foi descoberta nenhuma arma de destruição em massa. Isso dá moral a alguém?
Alô, alguém aí, por favor descubra a agressão aos Estados Unidos.

domingo, 21 de março de 2010

Tom Waits - Rain Dogs

Duvido que Tom Waits saiba o que é manhã de domingo, nem mesmo a de Rose of Tralee. Mas foi essa música que escolhi para amanhecer o meu domingo.


sábado, 20 de março de 2010

Merval contra O Globo


Merval Pereira é o principal colunista político do jornal O Globo, de plumagem bem tucana. Mas não é exatamente o jornalista do escarcéu, demonstra seriedade em muito do que escreve. Na sua coluna de hoje ele dá prova disso, ao contrariar inteiramente a manchete do seu jornal. Ao tentar colocar o seu candidato, José Serra, de bem com o Rio, O Globo procurou em primeiro lugar criar intrigas com Dilma. Colocou na manchetona da primeira página que “após Serra, Dilma reconhece os direitos do Rio”. Mas o mancheteiro esqueceu de ler antes a coluna de Merval, “O preço político”, publicada hoje mesmo.
Lá na coluna podemos constatar que “a ministra Dilma Rousseff não ficou em cima do muro, mesmo correndo o risco de ir contra a maioria dos estados”. E mais: “Diferentemente do presidente Lula, ela antecipou sua posição a favor da manutenção do sistema atual de divisão dos royalties”. E Merval vai além, ao criticar o candidato tucano: “Serra teve uma primeira reação inteiramente equivocada ao dizer que não sabia detalhes da questão dos royalties, pois só lera pelos jornais, e teve que tentar recuperar a posição no dia seguinte, quando deu uma declaração firme contra a alteração da distribuição, se reincorporando à luta ao lado do Rio e do Espírito Santo”. (grifos nossos)
Talvez fosse o caso de dizer que alguns desvarios do Globo não conseguem passar da primeira página...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Moon tonight, haiku


Vi pelo Twitter que o Soichi Noguchi, o astronauta que está fotografando/tuitando a Terra, tinha publicado essa foto lindíssima, "Moon tonight". Achei que casava com esse, digamos, haiku que fiz em 84.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O BRASIL FOI ÀS RUAS!



A mega manifestação de ontem, no Rio de Janeiro, contra a emenda Ibsen, foi muito mais do que o protesto dos estados produtores de petróleo contra a ameaça de perda dos royalties. Ontem era o Brasil inteiro voltando às ruas, mesmo debaixo de temporal. Mais do que tudo, foi a comemoração da democracia, uma homenagem aos bons tempos que o país vive. A lamentar, a ausência de Cesar Maia e a tentativa tardia e oportunista de Serra tentar pegar carona no sucesso do evento. Magnífica a foto de Domingos Peixoto para o Globo.

Eleições para o Senado no Rio: Cesar Maia prefere Lindberg

No Ex-Blog de ontem, Cesar Maia publica pesquisa do seu instituto predileto, o GPP, sobre intenções de voto no município de Araruama, região das Baixadas Litorâneas do Rio de Janeiro. Seus índices para o Senado mostram Cesar Maia e Crivella empatados em primeiro lugar, em torno dos 40%. Depois vêm Manoel Ferreira, Lindberg, Waguinho e Picciani em torno dos 10%. Espertamente, Cesar Maia "esquece" os índices de Benedita que lidera absoluta na região. Não recebi os números específicos do município, mas recebi dados da Região Baixadas Litorâneas que mostram Benedita com 58%, com Cesar... 11 pontos atrás! Faz tempo que Cesar Maia procura inflar a candidatura de Lindberg ao Senado pelo PT do Rio - é o adversário dos sonhos da oposição...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pesquisa CNI-Ibope: como diria o Cesar Maia, tudo dentro do previsto





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A Pesquisa CNI-Ibope divulgada hoje (2002 entrevistas, margem máxima de erro de 2,19%), repete o que todas as outras disseram: Serra está em queda (3 pontos) e Dilma cresce assustadoramente (13 pontos). Aliás, é a única que cresce. Se você fizer a conta, vai notar que o crescimento de Dilma equivale à soma (14 pontos) das quedas de todos os outros (inclusive brancos, nulos, etc.).
É interessante ver o perfil predominante do eleitorado de cada um:
  • Ciro - feminino, mais de 40 anos, ensino fundamental pra médio, nordestino, com renda entre 2 e 5 s.m.
  • Dilma - masculino, 25 a 29 anos, ensino fundamental, nordestino, renda de até 1 s.m. 
  • Serra - feminino, 16 a 24 anos, ensino médio, norte/centro-oeste, renda de mais de 10 s.m.
  • Marina - 16 a 24 anos, ensino superior, norte/centro-oeste, renda de mais de 10 s.m.

A questão do Pré-sal tornou ainda mais doce a campanha de Sérgio Cabral


Depois que a Câmara dos Deputados decidiu arrancar drasticamente do Rio de Janeiro os royalties do petróleo, já vi várias pessoas perguntando “e agora, como fica o Sérgio Cabral?” Ou então afirmando que o Sérgio Cabral “se deu mal”. Já vi até quem criticasse o seu choro na palestra da PUC. Pior, há quem diga que ele foi inábil ao bater de frente com os Deputados dos outros estados.
Penso exatamente o contrário de tudo isso. Sérgio Cabral percebeu que só haveria uma saída para o Rio e para sua própria campanha à re-eleição: radicalizar. Se não fizesse isso, o Planalto talvez não percebesse claramente a importância eleitoral que o Rio de Janeiro tem. E a bandeira do “O royalty é nosso!” certamente seria empunhada por Garotinho – que não teria força suficiente para defender o estado, mas poderia ter força de sobra para derrotar Sérgio Cabral, principal aliado do Planalto no terceiro colégio eleitoral do país e garantia de votos decisivos para Dilma.
O mega evento que deve se realizar hoje no Rio, com participação de dezenas de milhares de pessoas, é a confirmação do que digo. O Governador peemedebista agiu rápido e com precisão. Criou um movimento tão forte que, hoje, até quem é de outros estados considera que o Rio está sendo injustiçado. E sem fazer muita força, ele ainda tirou o pirulito da boca de Garotinho.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pesquisa Mapear: as diferenças entre “Dilma” e “Dilma, a candidata de Lula”


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Essa pesquisa do Instituto Mapear divulgada hoje tem o mérito de buscar identificar as diferenças entre a candidatura de "Dilma” e a candidatura de "Dilma, a candidata de Lula”, tentando captar tendências. Isso é extremamente importante, porque todos nós sabemos que Lula é o eleitor que fará toda a diferença – e 34% dos eleitores ainda não sabem que Dilma é apoiada por ele. Esse desconhecimento ocorre principalmente entre as mulheres (40%), os mais jovens (41%), nos estudantes do ensino fundamental (40%), no Nordeste (43%) e no Interior (37%).
Quando Dilma é identificada como “candidata do Lula”, ela pula de 22% para 35% e tem o perfil predominante do eleitorado alterado em 3 segmentos:
  • Escolaridade – passa de “superior” para “fundamental”;
  • Região – passa de “Norte/Centro Oeste” para “Nordeste”;
  • Região do Estado – passa de “Periferia” para “Capital”.
A pesquisa do Instituto Mapear teve o seu campo realizado entre os dias 27 de fevereiro e 5 de março, 2.015 entrevistas, erro máximo de 2,18 pontos percentuais para mais ou para menos.

Eleições 2010: nova pesquisa presidencial confirma “erro” elementar de Cesar Maia


No dia primeiro de março, Cesar Maia abriu seu Ex-Blog com uma análise da última pesquisa Datafolha. Tentava, na verdade, acalmar a oposição, provar que o crescimento de Dilma estava dentro do esperado e que não continuaria avançando.  “O óbvio e esperado crescimento de Dilma em pesquisas se deu no correr de 2009, pela superexposição e transferência possível de Lula”, disse ele, para concluir: “Em 2010, o quadro está estabilizado”.
No Ex-Blog do dia 10 de março (“Dilma: está tudo dentro do esperado!”) ele repete: “O que está aumentando não é a intenção de voto na Dilma e sim a base (percentual das pessoas que sabem que ela é a candidata do Lula). Está tudo dentro do esperado, acontecendo mais rápido devido à campanha de um só candidato”. Ele pretendia, com tudo isso, fixar que Dilma teria um teto (em torno dos 30%) que seria atingido quando todas as pessoas percebessem que Dilma era a candidata de Lula. O que ele não fala é que os novos “pontos Lula” que chegam a Dilma não têm origem apenas em eleitores “indecisos”, “brancos”, “nulos” ou “ns/nr”. Eles vieram também de “Ciro” (praticamente inviabilizando sua candidatura) e até de Serra, que, nessa pesquisa (Brasil) do Instituto Mapear, perde 4 pontos na troca de “Dilma” para “Dilma, a candidata de Lula”, e deverá continuar perdendo. Aliás, o mesmo já tinha sido observado no mês de janeiro em pesquisa feita pelo mesmo instituto na região da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, quando Serra perdeu 3 pontos.
Cesar Maia também tem que entender (ou melhor, tem que aceitar) que nunca antes nesse país houve eleição igual a essa. Os índices não conseguirão se espremer dentro dos limites tradicionais. Lula é um fenômeno que vai alterar os limites históricos e deve, ao que tudo indica, garantir a vitória de sua candidata, provavelmente no primeiro turno.
O resto é desespero de oposição.
A pesquisa do Instituto Mapear foi feita entre os dias 27 de fevereiro e 5 de março, com 2015 entrevistas (margem máxima de erro de 2,18%)

domingo, 14 de março de 2010

Screamin' Jay Hawkins - I Put a Spell On You

Nada como o vozeirão maluco de Screamin' Jay Hawkins para acordar o domingo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Jornal israelense chama Lula de “profeta do diálogo”

Enquanto a imprensa local, comprometida com o projeto oposicionista, critica Lula por aproximar-se do Irã e por tentar meter-se na questão de árabes e judeus, o jornal Haaretz de hoje faz reportagem sobre a ação de Lula com o título “Phophet of dialog”.  A reportagem, de certo modo, dá boas-vindas a esse novo player na busca da paz no Oriente Médio e dá exemplos de diálogos “impossíveis” dentro do próprio Brasil. Cita o Saara, no Rio de Janeiro, onde árabes e judeus convivem lado a lado, na mais perfeita harmonia. Cita também o comercial do Banco Itaú, onde dois meninos, um árabe e outro judeu, encontram o diálogo através da camisa da Seleção Brasileira. E o jornal ainda dá um exemplo simpático do que é o “profeta do diálogo”: no início da entrevista, diante do impasse sobre qual dos jornalistas (dois israelenses e um árabe) presentes faria a primeira pergunta, Lula resolveu o problema na base do par ou ímpar. (Deve ser a mania da eleição plebiscitária...)

Manchetes do Globo, de tsunamis a marolinhas


Os mancheteiros do Globo pautam seu dia-a-dia por marolinhas e tsunamis. Por oposição a Lula, fazem um tsunami; por imposição da realidade, têm que surfar na marolinha. Vejam o festival aquático de hoje:
Manchetão da capa – tsunami (não foi tsunami, graças à marolinha)


Página 27 – marolinha (Brasil ficou em 4º do mundo)

Página 25 – tsunami (não foi tsunami, graças à marolinha)

Página 28 – marolinha (graças à marolinha, crescimento maior que antes)

Página 29 – tsunami (no subtítulo, Lula fez melhor que Fernando Henrique)


Página 27 – marolinha (graças à marolinha, Brasil vive em ondas crescentes... positivas)


quinta-feira, 11 de março de 2010

Royalties: afinal, a posição de Rodrigo Maia (DEM) e Adilson Soares (PR) foi contra quem?

Juro que fiquei até agora tentando entender por que alguns parlamentares do Rio não apoiaram o seu estado nessa questão dos royalties do petróleo. Minha surpresa é maior com relação a dois nomes: Rodrigo Maia (presidente do DEM, que pretende re-eleger-se e é filho de Cesar Maia, que pretende candidatar-se a Senador) - ele simplesmente não apareceu para votar; e Adílson Soares (do PR, mesmo partido de Garotinho, marido de Rosinha Garotinho, Prefeita de Campos, um dos municípios mais prejudicados, no caso da perda dos royalties) - esse não titubeou, votou contra (Nelson Bornier, do PMDB, também votou contra, mas alega que se enganou, o que precisa ser esclarecido). Será que Rodrigo Maia e Adílson Soares pretendem com isso complicar a situação do Governador Sérgio Cabral, do PMDB? Se o objetivo era esse, erraram feio. Com certeza complicaram eles mesmos junto ao seu eleitorado. Votaram contra o Pré-sal, agora os seus votos vão pro sal.