sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Tucanos perdem Sarney
Os tucanos perceberam claramente que seus votos não tinham grande valor na eleição de Sarney para a Presidência do Senado e decidiram apoiar o petista Tião Vianna. Tentam com isso criar confusão no processo de escolha, não apenas no Senado, mas também na Câmara, com ameaças de traição a Temer. Talvez tenham contribuído para fortalecer ainda mais a aliança Lula-PMDB.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Tucanos: ser ou não ser Sarney
A disputa pelas Presidências da Câmara e do Senado, obviamente, têm fortes conotações fisiológicas. Afinal, disputam-se orçamentos astronômicos (3,5 bilhões na Câmara e 1,5 bilhão no Senado – algo assim) e uma imensidão de cargos, poder que não acaba mais. Mas é 2010 que está na pauta principal. As Presidências das duas Casas serão decisivas na agenda dos próximos meses pré-eleitorais e tudo isso terá influência determinante nas alianças nos estados e para a Presidência da República. Sarney na Presidência, os tucanos sabem, fortalece a aproximação entre Lula e o PMDB, dá maior envergadura à candidatura de Dilma, o que exaspera tucanos de todas as plumagens. Por outro lado, apoiar Tião Vianna não prejudica tanto a aproximação Lula-PMDB. Muito ao contrário, pode irritar profundamente os peemedebistas contra a oposiçaõ e – pior – deixará os tucanos sem os almejados cargos na mesa. Tenta-se melar o jogo com a ameaça de traição na até aqui eleição tranquila de Michel Temer para a Presidência da Câmara. Mas tudo isso parece que já são favas contadas. Em vez de viver o drama de ser ou não ser Sarney, os tucanos devem tratar de buscar outra sarna pra se coçar.
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Bolsa Família e a crise
A mídia procurou atacar a decisão do Governo de ampliar o Bolsa Família como sendo uma decisão contraditória. "Lula amplia Bolsa Família um dia após cortar o Orçamento", diz a manchete do Globo de hoje. Não há contradição. Bloqueio provisório do orçamento e ampliação do Bolsa Família, ambos foram determinados pela chamada crise financeira global. A ampliação do Bolsa Família é um dos principais instrumentos de combate à crise que o Governo tem. Na passagem de 2003 para 2004, escrevi, em um trabalho de marketing para uma rede de varejo, o que se devia esperar para o ano que começava: "Todos esperam queda dos juros, recuperação econômica do país e forte investimento do Governo na área social. Isso significa mais emprego, maior poder aquisitivo da população e maior inserção da população mais pobre na faixa de consumo". Essa foi uma das chaves do sucesso da política econômica do Governo Lula. E é aí que está chave para abrir a porta da esperança (com perdão do pieguismo) nos próximos meses. Investimento em infraestrutura, fortalecimento das políticas sociais, ampliação do mercado interno – esse é o segredo. O resto é desespero oposicionista.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A mente subdesenvolvida de Nelson Motta
Nelson Motta sempre procurou ter seu nome associado ao que há de mais avançado da cultura. Desde os tempos do Nelsinho que morava na Paissandu (rua do Flamengo, bairro da Zona Sul do Rio), por exemplo, ele esteve junto à nascente “bossa nova” – e escreveu um bom livro que fala disso, “Noites Tropicais”, que ainda não li todo, mas um dia vou ler. Lembro dele também presente no Tuca (teatro da PUC de São Paulo), em 68, defendendo Caetano Veloso das vaias da juventude retrógrada contra “É Proibido Proibir”, entrevistando o poeta concreto Augusto de Campos. Nelson Motta tornou-se praticamente um tropicalista de carteirinha. Participou de grandes lançamentos do mundo musical, foi, enfim, figurinha fácil no melhor do nosso mundo cultural. Apesar de tudo isso, ele outro dia escreveu um artigo (“Churrasco e pizza - Não, ministro, a Itália não é nóis”, O Globo, Estadão) que revela uma cabeça típica de subdesenvolvido subserviente, bem atrasado mesmo. A sua crítica à decisão de Tarso Genro de impedir a extradição do italiano Cesare Battisti fundamenta-se principalmente no conceito de que a Itália é um país mais desenvolvido, melhor do que o Brasil, logo, a Itália está certa e o Brasil está errado. Mas Nelson Motta faz ainda pior, demonstra um primarismo histórico de arrepiar. Disse ele: “(A Itália tem) uma tradição democrática e judiciária muito mais sólida do que a nossa, não recorreu ao terrorismo de Estado, a tribunais de exceção, prisões ilegais e torturas, mesmo nos anos de chumbo". Na “tradição democrática e judiciária” italiana ele esqueceu de incluir o fascismo. Ele deveria também ler a Revista Piauí (aparentemente acima de qualquer suspeita no caso) que diz em reportagem sobre Cesare Battisti: “Havia quem argumentasse que, com leis como a dos arrependidos, a Itália dos anos de chumbo não deveria ser considerada um Estado de direito”. Também na Piauí podemos ler: “Só então soube que, três meses antes, o irmão mais velho, que trabalhava na colocação de placas em estradas, havia sido atropelado e morrera. A família lhe mandara cartas com a má notícia, mas o procurador-adjunto as confiscara”. Nelson Motta finaliza seu artigo dizendo que, “criado na cultura do churrasco sangrento, em cavalgada desabrida pelos pampas da História, como um anti-Garibaldi sem Anita, Tarso Genro deve estar pensando que na Itália tudo acaba em pizza”. Nelson Motta, que conhece pizza muito bem (li um artigo seu delicioso sobre a pizza do Supermercado Zona Sul, no Rio), deveria saber que a Itália com sabor de Berlusconi certamente prefere que tudo acabe em Mussolini.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Obama toma posse, Palestina agradece
Uma das primeiras manifestações de força positiva de Barack Obama foi obrigar Israel a retirar suas forças de Gaza antes da posse. Talvez com isso tenha favorecido a direita israelense nas próximas eleições, mas ficou dado o recado de que Israel, mesmo sendo um aliado estratégico, não continuará ocupando a cadeira da "co-presidência" americana. Outros avanços poderão ocorrer: formação do Estado Palestino, redefinição de fronteiras e indenização pelas ações desumanas de Israel. A paz é possível, e o Governo Obama poderá dar contribuição decisiva para isso. Yes, they can.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
200 anos de Poe
Hoje, 19 de janeiro, faz 200 anos do nascimento de Edgar Allan Poe - que morreu aos 40 anos. Poeta, contista, ensaísta brilhante. "Os Assassinatos da Rua Morgue" e "A Carta Roubada" são referências em literatura policial. Seus trabalhos de criptografia ganharam fama e, segundo o tradutor e biógrafo Oscar Mendes, "formaram a base para a decifração de uma das mais importantes mensagens, em código secreto, enviados pelos alemães durante a Grande Guerra de 1914-1918". Seu poema "O Corvo" (Raven/nevaR) é fortíssimo.
domingo, 18 de janeiro de 2009
O governo de Israel já alcançou o seu objetivo: vitória eleitoral
O grupo que está no poder em Israel fez uma equação bem simples. Bastam 1.000 mortes (incluindo 300 crianças), milhares de feridos e desabrigados, destruição de alguns hospitais, algumas escolas, inúmeras residências e, de quebra, representações da ONU e de jornalistas. Pronto, o resultado só pode ser um: vitória da coligação que está no poder nas eleições parlamentares do próximo dia 10. No começo do mês a BBC divulgou depoimento de Mouin Rabbani, analista-sênior para o Oriente Médio do International Crisis Group, baseado na Jordânia: "A política interna israelense certamente foi um dos fatores para os ataques. Um dos maiores desafios para Barak (Ministro da Defesa, do Partido Trabalhista) e Livni (Ministra da Política Externa, possível primeira-ministra com a vitória do Kadima) era o fato de que Netanyahu (do oposicionista Likud, que defendia uma posição mais dura contra os palestinos) estava à frente nas pesquisas. A popularidade de Barak (antes dos ataques) estava tão baixa que ele se tornou uma não-entidade". Israel não contava com o nível de reação que o Hamas apresentou, demonstrando firmeza e mais preparo do que era contabilizado. É curioso também do histórico das relações de Israel com o Hamas. Assim como os Estados Unidos inventaram Saddam Hussein para enfrentar o Irã e depois tiveram que destruí-lo, Israel inventou o Hamas (junto com Arábia Saudita e a Síria) para enfrentar o Al-Fatah de Arafat. Como a criatura obviamente voltou-se contra o criador, agora eles tentam destruí-lo - e com isso ganhar uns votos a mais. Mas se a "criatura" conseguir manter-se viva, os votos podem mudar de lado...
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domingo, 11 de janeiro de 2009
Uma voz israelense pela paz possível
O jornalista israelense Tom Segev é colunista do Haaretz e escreveu para o Washington Post esse artigo que O Globo reproduziu:
Um novo fatalismoJERUSALÉM. Ao fim do 10º dia da operação de Israel na Faixa de Gaza, eu estava zapeando na TV.As imagens se tornavam mais e mais horríveis. Então um amigo me ligou para falar que um canal estava transmitindo “Cristo no Monte das Oliveiras”, de Beethoven.Ao ouvir Beethoven na TV eu estava fazendo o que mais e mais israelenses tendem a tentar nestes dias: escapar das notícias e se refugiar em atividades culturais e não-políticas. Esse escapismo reflete o novo fatalismo israelense.Pertenço a uma geração de israelenses que cresceu acreditando na paz. Ao fim da Guerra dos Seis Dias, de 1967, eu tinha 23 anos e não tinha dúvidas de que em 40 anos a guerra árabe-Israel teria acabado. Hoje, meu filho, de 28 anos, não mais acredita em paz assim como muitos israelenses. Eles sabem que Israel talvez não sobreviva sem paz, mas de guerra em guerra, eles têm perdido o otimismo.Agora me vejo como parte dessa maioria de israelenses que não acredita mais na paz.Acredito num melhor gerenciamento do conflito, incluindo diálogos com o Hamas, um tabu que precisa ser quebrado.A necessidade do engajamento dos Estados Unidos tem me conduzido, assim como a muitos israelenses, a abrigar esperanças na administração de Barack Obama.A coisa mais amigável que Obama pode fazer por Israel seria induzir o país a se voltar para sua proposta original: ser um Estado judeu e democrático.O governo Obama poderá ser mais útil e ter mais sucesso tentando simplesmente gerenciar o conflito, mirando no mais urgente objetivo: fazer a vida mais suportável para israelenses e palestinos.
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Israel está perdendo a guerra
Quero dizer em primeiro lugar que não consigo mais assistir às imagens dessa guerra suja. A matança de centenas de civis, incluindo mais de 200 crianças, me deixam completamente arrasado. Mas não podemos recuar. Temos que nos unir a todos aqueles que lutam contra o absurdo dessa sórdida invasão israelense. O povo israelense merece viver em paz, e não pode ficar entregue a seus governos sanguinários. O povo palestino idem. No campo da opinião pública, está a derrota mais óbvia dos truculentos de Israel. Mas a derrota também está evidente no campo político e no campo militar. Um dos exércitos mais poderosos do mundo não consegue uma vitória desde 1982, quando derrotou a OLP em Beirute (ver adiante texto do Counterpunch com entrevista com o líder do Hamas Khaled Meshal), e agora, depois de já ter completado mais de duas semanas de fogo intenso, não consegue nada conclusivo contra um inimigo praticamente desarmado, sem água, sem alimento, sem ter para onde correr. Militarmente, essa investida é um desastre. E politicamente é pior ainda. Conseguiu fortalecer o seu maior adversário (Hamas), conseguiu unir os árabes, conseguiu até mesmo unir as Nações Unidas contra suas ações e, pior, não conseguiu atrair o Irã para uma aventura na região. Sob a pressão das eleições parlamentares agora em fevereiro (a candidata Tzipi Livni do Kadima, partido da situação, estava em desvantagem nas últimas pesquisas contra o ultradireitista Netanyahu, do Likud) e pressionado também pela posse de Barack Obama agora no dia 20, Israel fez um movimento extremamente arriscado que pode levar a perdas significativas. Dificilmente poderá evitar a formação do Estado Palestino. Dificilmente manterá as fronteiras atuais. Dificilmente deixará de devolver pelo menos parte da água que usurpou. O tempo logo mostrará. Por enquanto, vale a pena ler o texto de Alexander Cockburn, do Counterpunch, que inclui trecho da entrevista com Khaled Meshal:
Israel's Onslaught on Gaza: Criminal, for Sure; But Also StupidBy ALEXANDER COCKBURNIn contrast to the grim forecasts of many fine contributors to this site over the past days, your CounterPunch editors have been inclined to take the view that Israel’s onslaught on Gaza, appalling though the carnage has been, is not only a crime but a blunder, like the attack on Lebanon in 2006, which demonstrated Israel’s military weakness, and the corruption of its armed forces after long years of bravely tormenting unarmed Palestinian peasants at check points, sawing down their olive groves and crushing their homes with bulldozers and high explosive.The left has a tendency to demonize its enemies in terms of proficiency in administering their dastardly onslaughts. Through this optic, the claims of the arms manufacturers are always taken at face value, whether about the effectiveness of bunker busters, or devices to detect Hamas’ Qassams. In our latest newsletter we print a long interview with Hamas’ leader in Damascus, Khaled Meshal, conducted by CounterPuncher Alya Rea, myself and others, including former US Senator James Abourezk. Meshal made a case for Israel’s decline in military effectiveness:Meshal: Since 1948, if we want to draw a curve of Israel’s progress, do you think that this curve is still heading up, or maybe is at a plateau, or is heading down? I believe that the curve is now in descent. And today, the military might of Israel is not capable of concluding matters to Israel’s satisfaction. Since 1948, you may notice that Israel has defeated 7 armies. In ’56 they defeated Egypt. In ’67 they defeated 3 countries: Egypt, Syria, and Jordan. In ’73, the war was somewhat equal in both sides between Egypt and Israel, if not for Nixon’s airlift to Israel’s forces at that time, the map of the world would be different. In ’82 Israel defeated the PLO in Beirut.But since ’82, 26 years ago, Israelis has not won any war. They did not defeat the Palestinian resistance, and they did not defeat the Lebanese resistance. Since that time, Israel has not expanded but has contracted. They have withdrawn from southern Lebanon and from Gaza. These are indicators that the future is not favorable to Israel. Then today Israel, with all its military capabilities – conventional and unconventional – are not enough to guarantee Israel’s security. Today, with all these capabilities, they can’t stop a simple rocket from being launched from Gaza. Hence the big question is, can military might ensure security? Hence, we may say that when Israel refuse the Arab and the Palestinian offer, a state of Palestine on the border of 1967, Israel is losing a big opportunity. Some years down the road, a new Palestinian generation, new Arab generations, may not accept those conditions, because the balance of power may not be in Israel’s favor.Hamas, as I remarked last week, has been greatly strengthened by the current attack and the status of President Abbas reaffirmed as a spineless collaborator with Israel; Mubarak likewise; Syria and Turkey alienated from Western designs; Hezbollah and Iran vindicated by the world condemnation of Israel’s barbarous conduct. For months Israel besieged Gaza, starving its civilian inhabitants of essential supplies with no effective international reproach. It’s hard to take dramatic photographs of an empty medicine bottle, but easy to film a bombed out girl’s dorm or a Palestinian mother weeping over the bodies of her five dead daughters, featured on the front page of the Washington Post two weeks ago. Efforts to keep reporters out of Gaza have not been entirely successful, and both UN and Red Cross workers on the ground have sent outraged reports denouncing Israel’s barbarities. They have also been fierce State Department memos from USAID workers.As we go into the weekend, an admittedly toothless resolution in the UN calling for a ceasefire was not vetoed by the US. The UK Guardian ran a story on Friday suggesting that my view expressed last week, that there were two ways to read Obama’s initial silence about the onslaughts – which he was finally forced to break after Israel killed nearly 50 women and children trying to shelter in the UN School. The Guardian story began:The incoming Obama administration is prepared to abandon George Bush's doctrine of isolating Hamas by establishing a channel to the Islamist organisation, sources close to the transition team say.The move to open contacts with Hamas, which could be initiated through the US intelligence services, would represent a definitive break with the Bush presidency's ostracising of the group. The state department has designated Hamas a terrorist organisation, and in 2006 Congress passed a law banning US financial aid to the group.The Guardian has spoken to three people with knowledge of the discussions in the Obama camp. There is no talk of Obama approving direct diplomatic negotiations with Hamas early on, but he is being urged by advisers to initiate low-level or clandestine approaches, and there is growing recognition in Washington that the policy of ostracizing Hamas is counter-productive. A tested course would be to start contacts through Hamas and the US intelligence services, similar to the secret process through which the US engaged with the PLO in the 1970s. Israel did not become aware of the contacts until much later.One has to caution that there could be more than one reason for such a leak from the transition team – including an alert to the Israel lobby to start piling on the pressure to head off any such contacts. With men like Emanuel and “special assistant on the Middle East” Dan Kurtzer at Obama’s elbow, I imagine the Israeli embassy won’t have much difficulty in monitoring Obama’s plans, though his National Security Advisor, Jim Jones, apparently once filed a report to Condoleezza Rice with criticisms of Israel’s conduct so harsh that the whole report was hastily deep-sixed.
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Será que a Míriam Leitão está se sentindo bem?
Parece que já é normal ver a comentarista do Grupo Globo, Míriam Leitão, demonstrar raiva contra tudo que possa significar algo positivo do atual governo brasileiro. Notícia ruim, pra ela, é pura felicidade. Por isso estranhei esse trecho de sua coluna de hoje (é verdade que raramente leio) no Globo:
"Para quem se assustou com a queda da produção industrial e a diminuição de demanda e produção nos últimos dias, vale uma conversa com o economista John Welch, analista de economia global do Itaú. Filho de americano com brasileira, John passou os últimos tempos em bancos americanos e europeus.
— Estou feliz de estar no Brasil. O ambiente aqui é muito melhor. Na Europa e nos Estados Unidos a crise é muito maior. Principalmente na Europa, onde a crise não é apenas contágio como se imagina. Eles têm também um problema imobiliário grave, como a Inglaterra, a Irlanda e a Espanha, e demoraram muito mais que os EUA a agir contra a crise e, por isso, entraram em recessão primeiro — conta ele".Deve existir uma explicação pra isso, mas não sei qual é. A jornalista da sala ao lado, que acaba de voltar de um tour pela Europa, berrou: "É verdade! O que esse John tá falando é pura verdade! Lá todo mundo só trata o Brasil como o país sem crise!"
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
O exército de Israel, além de cruel e poderoso, é incompetente
Aquele comentarista do Manhattan Connection chamado Diogo Mainardi - que apóia os bombardeios feitos pelo governo israelense - disse na semana passada que "Israel vai voltar com o rabo entre as pernas". Está certo ele. Pelo menos é o que podemos deduzir pelo fracasso da operação contra o Hesbolá há 2 anos e por algumas notícias que recebemos agora. Acho que foi ontem que ouvi na rádio que Israel reconhecia as mortes de alguns soldados, mas causadas pelo fogo de suas próprias tropas. Tem absurdo maior, vindo do exército considerado como um dos mais preparados do mundo? Claro que alguma coisa deve estar errada nessa informação ridícula. Outra burrice monumental - além da crueldade, claro - é essa história de bombardear criancinha. A opinião pública internacional obviamente não perdoa. Mas o pior é o Shimon Peres explicar que só morrem crianças palestinas porque eles, israelenses, cuidam melhor de suas crianças. Tem asneira maior? E ainda tem mais: criticam tanto a falta de pontaria do Hamas e eles bombardeiam logo o quê? A escola da ONU, matando mais de 40 crianças! Definitivamente, isso tem que acabar. Israel tem todo o direito ao seu Estado, mas os palestinos também têm. E têm direito às suas terras e suas águas e seu direito de ir e vir. A paz é possível. Desde que outros interesses (como o eleitoral, ou o que gira em torno do petróleo) sejam deixados de lado.
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domingo, 4 de janeiro de 2009
Dear James
Em 1975, na Inglaterra, costumava frequentar quase diariamente a biblioteca da Universidade de Essex, em Colchester (a mais antiga cidade inglesa). Era uma biblioteca muito boa e, nas sextas-feiras, tinha a revista Veja da semana, meu principal elo com as informações do Brasil, naqueles tempos pré-internet. Entre os diversos livros que li na época, um deles bem interessante foi o que publicou a troca de correspondências entre Ezra Pound e James Joyce. Me chamou atenção principalmente um bilhete, de 1920, onde Ezra Pound diz que ficou sabendo, através de ex-autoridade do governo britânico, que durante a guerra o serviço secreto andava muito preocupado com o livro "Ulysses" (de James Joyce), achando que era tudo código. Ri muito com a história. Os tempos eram de grandes inovações nas artes em geral e o trabalho de Joyce era sem dúvida o mais ousado. A "inteligência" estabelecida não conseguia compreender o que acontecia e obviamente os serviços de contraespionagem seguiam na mesma linha. Como homenagem a esses dois inventores importantíssimos, decidi codificar o bilhete, utilizando um código de mínima redundância (a partir de Claude Sannon, Robert Fano e David Huffman). O código-árvore (para língua inglesa) que encontrei no livro "The Information Theory and its Engineering Applications", de D.A. Bell, foi perfeito. Peguei cartolina, régua, esquadro e lápis de cor e iniciei a tarefa. Criei um cartaz (devo ter guardado até hoje) que pretendia imprimir, mas esqueci. No mês passado, retomei o projeto - dessa vez com animação - e lancei-o no YouTube, como pode ser visto a seguir. (Em tempo: resposta de James Joyce, que vivia à míngua, ao bilhete de Ezra Pound: "Com relação a essa pessoa que foi do governo, quero dizer que, se ele não tiver dinheiro para me dar, nunca mais quero ouvir falar dele, seja nesta ou na próxima vida" (algo assim).
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Cuba, 50 anos
Ver hechos realidad los sueños por los que luchamos
Comandante de la Revolución Juan Almeida Bosque
El 1ro. de enero de 1959 es el inicio de un año agraciado, extraordinario e inolvidable: la explosión sentimental del triunfo revolucionario.
Las cárceles abrieron sus puertas de hierro. Los liberados olvidaron su venganza y gritaron juntos con los carceleros por el triunfo de la Revolución. Llegaban los aviones cargados de exiliados que encontraban el calor familiar y el agradecimiento de la patria. Solo los asesinados y desaparecidos no pudieron alcanzar el triunfo, pero vivirán en el recuerdo de familiares, amigos y compañeros de lucha.
Obreros, estudiantes, jóvenes, hombres y mujeres, todo el pueblo, aclamaba a los combatientes que íbamos en cientos de vehículos, una caravana que marchaba por la Carretera Central donde miles de personas aguardaban. A los mandos militares y las estaciones de policía en manos de los rebeldes, de las milicias y del pueblo, iban llegando los detenidos: malversadores, testaferros y colaboradores del régimen, otros por haber cometido crímenes. Los más connotados eran juzgados y sancionados en el acto.
Había delirio y entusiasmo en la población que aclamaba a Fidel en su recorrido, gritos de alegría, abrazos, besos dulces, nobles y tiernas caricias; fotos en grupo; regalos de detentes, estampas y medallas. El repicar de las campanas, los pitazos de claxon de autos y camiones repletos de personas enarbolando banderas. ¡Todo era una fiesta, como en un bello sueño!
El pueblo, en multitud, unido en júbilo a su Revolución, hacía suyo el triunfo. La gente se fundía en un crisol de sentimientos y alegría. Hasta en las ciudades de los más obstinados y recalcitrantes sectores, el triunfo revolucionario provocaba la trasgresión de las costumbres raciales. Blancos y negros cogidos de las manos, se abrazan, se miran sorprendidos, ríen, gritan, saltan juntos por la Revolución. Es el momento de la alegría, de la fraternidad. El negro y el pobre redimidos, con el blanco y el rico igualados. Como una melodía subía y bajaba el diapasón del coro de cientos, de miles de voces. Desde que tomamos el fusil por primera vez, estos fueron los momentos más conmovedores, grandiosos y emocionantes. Era el canto inefable a la victoria y a la fe revolucionaria en el futuro de la patria. No hubo asta de bandera que no tuviera los colores de la patria.
Las Marianas, que tomaron el nombre de la insigne madre de los Maceos defensoras de la libertad con el fusil, eran saludadas con amor, ternura y admiración.
Arribamos al Campamento Militar de Columbia. La multitud a nuestro alrededor nos conduce hasta la tribuna. El día corrió su telón y dio paso a la noche, La tensión es rota por la voz de Fidel:
Creo que estamos en un momento decisivo de nuestra historia, La tiranía ha sido derrotada. La alegría es inmensa y sin embargo, mucho queda por hacer todavía. No nos engañemos creyendo que en lo adelante todo será fácil. Quizás en lo adelante todo será más difícil.
Ahora, a 50 años de aquella histórica fecha en que alcanzamos la libertad plena, la independencia absoluta y la soberanía total, a las emociones y momentos antes narrados, añado el orgullo por lo logrado, la satisfacción por el esfuerzo realizado antes y después del 1ro. de enero, la fe y la confianza que tuvimos, recibimos y mantenemos en nuestro pueblo y en particular en las nuevas generaciones continuadoras de esta causa, a quienes hemos dedicado los mejores años de nuestras vidas y por ellos estamos dispuesto a cualquier sacrificio como lo hacen los Cinco héroes que cumplen injusta sanción en las cárceles del imperio.
Saludo a Fidel, el hermano de lucha, el que nos guió al triunfo revolucionario y ha continuado al frente durante estas cinco décadas para alcanzar las nuevas victorias de la Patria, deseando que nos siga acompañando como líder histórico de este proceso revolucionario para ver hechos realidad los sueños por los que luchamos.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Vergonha sem fim: Oriente Médio
Faça "paz" ou faça guerra, testemunhamos o massacre do povo palestino. Nos períodos de "paz", o massacre é principalmente pelo racionamento de água; nos períodos de guerra, o massacre é pelo fogo indiscriminado das bombas israelenses. Já escrevi aqui (Como Israel destrói mais: com bombas ou com o racionamento de água?):
A região palestina conta com 3 principais fontes de água – o Rio Jordão (aquele de Jesus e João Batista, que vai do Mar Morto ao Galileu), o Aqüífero (espécie de rio subterrâneo) da Montanha (na chamada “Margem Ocidental”) e o Aqüífero Litorâneo (na Faixa de Gaza). Antes da famosa Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel só detinha 3% da Bacia do Rio Jordão, apesar de já ter construído uma complexa infraestrutura de canais, estações, reservatórios e aquedutos que desviava 75% do Jordão para o usufruto israelense. Depois de 1967, Israel passou a ter controle total. A Síria e a Jordânia ainda têm direito a algum uso, mas os palestinos são proibidos de beber das águas do Rio Jordão. Têm que se virar com os aqüíferos e seus caminhões-pipa. Mesmo assim, apenas 19% da água estão disponíveis para os palestinos... O grupo de direitos humanos chamado “Se eles soubessem” (If They Knew) descreve mais problemas: “Na Margem Ocidental (região a oeste do Rio Jordão, encampada por Israel), cerca de 50 poços e 200 cisternas foram destruídos ou separados de seus proprietários pelo Muro construído na área – que também precisou da destruição de outros 25 poços e cisternas, além de 35 km de aquedutos somente na sua construção. Ao considerar Gaza e Margem Ocidental como duas coisas independentes, Israel também proíbe que os palestinos gazeanos utilizem a água do Aqüífero da Montanha e tratem de sobreviver com o Aqüífero Litorâneo e seus 90% de água não-potável! Pior: os palestinos não têm outra escolha a não ser beber essa água não-potável, que se degrada ainda mais. Seguindo as cotas israelenses, os palestinos da Margem Ocidental têm direito a 70 litros de água por pessoa/dia e os da Faixa de Gaza têm direito a apenas 13 litros, enquanto o mínimo humanamente concebível é de 100 litros, de acordo com a Organização Mundial de Saúde! As conseqüências são óbvias. Desespero, doenças, destruição lenta e sofrida de todo um povo. É como se estivessem planejando uma espécie de “lavagem étnica”.Quanto ao atual bombardeio, prefiro transcrever o texto de Robert Fisk, colunista do Independent, que o Globo publica hoje:
Líderes mentem e civis morrem
Estamos tão acostumados a ver carnificinas no Oriente Médio que não ligamos mais.
Não está claro quantos dos mortos em Gaza são civis, mas a resposta do governo Bush, sem mencionar a pusilânime reação do premier britânico Gordon Brown, reafirma para os árabes o que eles sabem há décadas: o Ocidente está sempre do lado de Israel.
Como de costume, o banho de sangue foi culpa dos árabes que, como todos sabem, só entendem o uso da força.
Desde 1948, ouvimos dos israelenses e dos nacionalistas árabes e depois árabes muçulmanos a lengalenga de que Jerusalém será “libertada”. E sempre Bush pai e depois o filho, Bill Clinton, Tony Blair ou Gordon Brown chamam os dois lados e pedem moderação, como se ambos tivessem caças F-18, tanques Merkava e artilharia pesada. Os foguetes caseiros do Hamas mataram apenas 20 israelenses em oito anos. Mas num único dia a Força Aérea de Israel matou quase 300 palestinos, e apenas como parte de uma operação.
Sim, o Hamas provocou a ira de Israel, assim como Israel provocou a do Hamas. E o que isso quer dizer? O Hamas lança foguetes em Israel e Israel joga bombas no Hamas. Entendeu? Pedimos pela segurança de Israel, mas ignoramos o desproporcional massacre realizado por Israel.
No fim de semana tivemos 298 palestinos mortos para um israelense. Em 2006, a proporção era de 10 libaneses mortos para cada israelense que perdia a vida. Este fim de semana foi marcado pela inflação do número de mortos. O maior desde a guerra de 1973? Desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967? De Suez, em 1956? Da Guerra de Independência de 1948? É um obsceno e nojento jogo que Ehud Barak, o ministro da Defesa de Israel, inconscientemente admitiu quando falou este fim de semana na Fox: “Nossa intenção é mudar totalmente as regras do jogo”, disse Barak.
Vários dos mortos do fim de semana pareciam ser do Hamas.
Mas o que isso resolverá? O Hamas dirá: “Oh, esse ataque foi impressionante e nós reconheceremos o Estado de Israel, entraremos na linha, renunciaremos às armas e rezaremos para sermos levados prisioneiros e trancafiados indefinidamente, e daremos apoio a um novo ‘processo de paz’ promovido pelos EUA no Oriente Médio!” Será que é isso mesmo que os israelenses e os americanos pensam que o Hamas fará? Vamos relembrar o cinismo do Hamas, o cinismo de todos os grupos armados islâmicos.
A necessidade de produzir mártires muçulmanos é crucial para eles e Israel os está criando.
A lição que Israel pensa estar dando não é a lição que o Hamas está aprendendo. O Hamas precisa da violência para enfatizar a opressão dos palestinos e conta com Israel para providenciar isso. Basta lançar uns foguetes em Israel e Israel lhes faz esse favor.
E nem sequer uma lamentação de Tony Blair, o enviado de paz para o Oriente Médio que nunca esteve em Gaza na atual encarnação. Nem uma palavra. Mas nós ouvimos o habitual discurso de Israel. O general Yaakov Amidror, ex-diretor da “divisão de pesquisa e avaliação” do Exército, anunciou que “nenhum país no mundo permitiria que seus cidadãos fossem feitos de alvos para foguetes sem tomar medidas vigorosas para defendê-los”. Exato.
Mas quando o Exército Republicano Irlandês (IRA) lançava foguetes na Irlanda do Norte, quando suas guerrilhas vinham da Irlanda para atacar delegacias de polícia e protestantes, o Reino Unido usou a Força Aérea para bombardear a república irlandesa? A Força Aérea britânica por acaso atacou igrejas e delegacias e matou de uma só vez 300 pessoas para ensinar à Irlanda uma lição? Não, o Reino Unido não fez isso. Não fez porque o mundo veria um ataque assim como uma ação criminosa. Não queríamos nos rebaixar ao nível do IRA.
Sim, Israel tem o direito à segurança. Mas esses banhos de sangue não lhe trarão segurança. Nem desde 1948 trouxeram algum tipo de proteção para Israel. Os israelenses bombardearam o Líbano milhares de vezes desde 1975 e isso não eliminou o terrorismo. Então o que foi o fim de semana? Os israelenses ameaçam fazer ataques por terra. O Hamas espera por outra batalha. Os políticos do Ocidente encolhem-se covardemente. E em algum lugar do Oriente numa caverna? Num porão? Numa montanha? Bem, em algum lugar, um muito conhecido homem de turbante sorri.
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Fatos marcantes no JB
A coluna "Negócios & Propaganda", de Claudia Penteado, publicada no JB de hoje, perguntou aos profissionais do mercado de comunicação quais os fatos que marcaram 2008. Para quem não tem acesso ao JB, publico pelo menos a minha resposta:
Na minha opinião, 3 acontecimentos são os mais marcantes:
* a vitória de Barack Obama, significando uma nova postura do país mais poderoso diante da realidade mundial (aliás, quero dizer que, no dia 17 de janeiro de 2007, postei no meu Blog: "Pode ser que ele não consiga derrotar a Senadora Hillary Clinton, mas está demonstrando que vai dar trabalho. Tanto seu vídeo de lançamento quanto o de sua biografia são muito bem feitos, com iluminação densa, bonita e surpreendentemente eficiente para um vídeo politico");
* a descoberta das reservas de petróleo do Brasil, que contribuirão muito para um reposicionamento do Brasil no cenário internacional;
* o fracasso da política neoliberal, que, no momento, empurra o mundo ladeira abaixo, mas que, no final, deverá resultar em um mundo mais fortalecido, com políticas sociais mais eficazes e desenvolvimento consistente.
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domingo, 28 de dezembro de 2008
A notícia mais engraçada de 2008: "Crise tira FMI do buraco"
Esse meu final de noite realmente foi uma comédia. Depois de rever "A Dança dos Vampiros", do Polanski, passei os olhos no noticiário e encontrei essa notícia no Plantão Globo. Divido o humor com vocês:
Crise tira FMI do buraco
A crise financeira está sendo recebida com indisfarçável - ainda que publicamente contido - entusiasmo de pelo menos uma instituição multilateral e seus 2.600 funcionários: o Fundo Monetário Internacional (FMI). Graças à crise,o Fundo saiu do buraco. Ao realizar dias atrás uma revisão de suas próprias contas, os economistas da casa notaram com satisfação que o FMI - que tinha projetado um déficit pelo menos até 2011 - acaba de sair do vermelho. Em vez de um rombo de US$ 294 milhões, que havia sido estimado em abril passado - início do ano fiscal de 2009 do Fundo - a perspectiva agora é de que o período seja fechado com um lucro (renda líquida) de pelo menos US$ 11 milhões. Ele poderá ser ainda maior caso a crise financeira se agrave, revela reportagem do correspondente do Globo em Washington, José Meirelles Passos, publicada pelo jornal na edição desta segunda-feira.
As dificuldades causadas pela crise vêm obrigando os países a recorrer aos cofres da instituição, que se mantém graças aos juros cobrados por seus empréstimos. E até que a crise começasse a se aprofundar eles eram muito pequenos. Em meados de outubro passado, o Fundo - que dispõe de US$ 250 bilhões para emprestar - tinha apenas US$ 11,4 bilhões em mãos de alguns países, gerando juros. Isso não rendia o suficiente para bancar as suas próprias despesas, como salários, manutenção de sua sede e custos de viagem de seus técnicos.
O cenário começou a mudar para o FMI logo no início de novembro. No dia 5, a Ucrânia solicitou US$ 16,4 bilhões. No dia seguinte, a Hungria levou US$ 15 bilhões. No fim do mês, a Islândia obteve US$ 2,1 bilhões e o Paquistão requisitou US$ 7,6 bilhões. Pouco antes do Natal foram aprovados mais três empréstimos: US$ 800 milhões para El Salvador, US$ 2,4 bilhões para a Letônia e US$ 100 milhões para o Quirguistão.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
A democracia participativa eletrônica de Obama
No Globo de hoje, Julita Lembruber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, da Universidade Candido Mendes e professora visitante da Harvard Law School, escreve sobre a grande mobilização que a equipe de Obama continua fazendo. Texto completo:
O nome do jogo de Obama
Depois de acompanhar a extraordinária mobilização cívica, principalmente nas últimas semanas da campanha de Barack Obama, continuo a me surpreender com a competência com que sua equipe usa a internet para manter vivo o entusiasmo dos eleitores.
Alguns políticos já utilizaram bem a internet no passado, aqui nos Estados Unidos, mas ninguém conseguiu a proeza de Obama, que criou um exército de voluntários através do uso eficaz deste meio. A questão, agora, é não desiludir essa multidão, estimulando a participação no governo de variadas formas. Pensa-se na criação de um website que possibilite acompanhar o que o governo faz, até mesmo votando contra ou a favor de determinada decisão que o futuro presidente possa tomar, ou sugerindo soluções para tais ou quais problemas.
O nome do jogo é “democracia participativa”. Obama prometeu transparência absoluta em sua administração, e a equipe aposta na criatividade do uso da internet para envolver os cidadãos e torná-los atores no, também prometido, processo de mudança.
Nas duas últimas semanas, novas mensagens inundaram os computadores daqueles que ajudaram a transformar a campanha de Obama no maior fenômeno da história política americana, convocando-os a organizar em suas casas ou comparecer a um dos eventos “A mudança está chegando”. E as mensagens personalizadas, assinadas por David Plouffe, responsável geral pela vitoriosa campanha, esclareciam que nos dias 13 e 14 de dezembro apoiadores de Obama estariam se reunindo em todo o país para refletir sobre o resultado das eleições e planejar os próximos passos do trabalho voluntário.
Os interessados em ser anfitriões podiam encontrar, com apenas um clique, todas as informações necessárias para organizar tais eventos. Havia orientações minuciosas para antes, durante e após as reuniões: desde como inscrever sua reunião na internet (para que futuros participantes pudessem se registrar on-line), a como organizar o material e os temas a serem discutidos. Recomendavase o debate das prioridades para cada grupo, nos níveis nacional e local, e das formas de organização dos cidadãos para atingir seus objetivos.
Pois bem, ao longo do final de semana de 13 e 14 de dezembro, centenas de encontros aconteceram, com a participação de milhares de pessoas. Estive em dois deles. O entusiasmo das discussões e a crença de que “juntos podemos mudar” dominou as reuniões.
Debateu-se de tudo. Desde os problemas mais imediatos dos bairros de cada um e as possíveis soluções, até como comprometer seus representantes nas assembléias legislativas locais e no Congresso Nacional com a agenda de Obama e cobrar do futuro presidente a implementação de suas promessas, principalmente na área da assistência à saúde, à educação e ao desenvolvimento de energias alternativas.
Eram grupos pequenos, uma média de 20 a 30 pessoas, homens e mulheres, jovens e idosos, brancos e negros, gente que se envolvia, pela primeira vez, numa atividade política mais estruturada e outros que já haviam trabalhado ao longo dos meses que antecederam as eleições. Todos apostando na possibilidade de contribuir com a administração Obama, mas, sobretudo, querendo aproveitar o momento para construir um novo estilo de participação cidadã na sua comunidade e no seu bairro.
O resultado das discussões vai ser encaminhado aos organizadores da campanha e, se esta etapa tiver o sucesso do movimento que elegeu Barack Obama, definitivamente uma nova forma de participação cívica estará sendo gestada. Quem sabe não aprendemos um pouco com tudo isso?
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Os 50 Todo-Poderosos da Newsweek
A revista Newsweek lançou a lista dos que considera as 50 personalidades mais poderosas do mundo. Barack Obama em primeiro lugar é apenas óbvio. Mas três outras posições me chamaram atenção. Sarkozy em terceiro lugar, ultrapassando Gordon Brown. Ou seja, a Inglaterra de Tony Blair definitivamente ficou pra trás. O 18º lugar para Lula também me surpreendeu. Demonstra o altíssimo conceito que seu governo conquistou no cenário internacional. É longe o melhor colocado dos dois únicos latinoamericanos da lista (o outro, em 45º lugar, é o Mexicano Carlos Slim Helú, o segundo homem mais rico do mundo). E também me surpreendeu o 30º lugar, conquistado por David Axelrod. Ele é apresentado como amigo do futuro presidente americano, mas foi como estrategista da campanha vitoriosíssima de Obama que ele ganhou respeito nos quatro cantos do mundo. Veja a lista completa:
1: Barack Obama
2: Hu Jintao
3: Nicolas Sarkozy
4-5-6: Economic Triumvirate (4. Ben Bernanke 5. Jean-Claude Trichet 6. Masaaki Shirakawa)
7: Gordon Brown
8: Angela Merkel
9: Vladimir Putin
10: Abdullah bin Abdulaziz Al-Saud
11: Ayatollah Ali Khamenei
12: Kim Jong Il
13-14: The Clintons (Hillary e Bill)
15: Timothy Geithner
16: Gen. David Petraeus
17: Sonia Gandhi
18: Luiz Inácio Lula da Silva
19: Warren Buffett
20: Gen. Ashfaq Parvez Kayani
21: Nuri al-Maliki
22-23: The Philanthropists (Bill and Melinda Gates)
24: Nancy Pelosi
25: Khalifa bin Zayed Al Nahyan
26: Mike Duke
27: Rahm Emanuel
28: Eric Schmidt
29: Jamie Dimon
30-31: Friends of Barack (David Axelrod and Valerie Jarrett)
32: Dominique Strauss-Kahn
33: Rex Tillerson
34: Steve Jobs
35: John Lasseter
36: Michael Bloomberg
37: Pope Benedict XVI
38: Katsuaki Watanabe
39: Rupert Murdoch
40: Jeff Bezos
41: Shahrukh Khan
42: Osama bin Laden
43: Hassan Nasrallah
44: Dr. Margaret Chan
45: Carlos Slim Helú
46: The Dalai Lama
47: Oprah Winfrey
48: Amr Khaled
49: E. A. Adeboye
50: Jim Rogers
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domingo, 21 de dezembro de 2008
César Maia dá nota 4 para sua atual gestão
Boa entrevista hoje, na Folha, que reproduzo na íntegra:
De saída, Cesar Maia afirma que tem desempenho melhor que de Lacerda
Prefeito mais longevo do Rio dá nota 4 ao seu terceiro mandato, apóia Serra para presidente e tem como opção futura dar aula na Espanha à espera de candidatura ao Senado ou ao governo do Estado
Mário Magalhães, sucursal do Rio
Se a vida é sonho, e a vida de Cesar Epitácio Maia amalgamou-se a um pragmatismo proverbial, nem nos seus sonhos o prefeito da cidade do Rio de Janeiro se liberta das decisões e dos despachos que consomem as 19 horas diárias em que permanece acordado.
Ele conta que no ano passado desatou, enquanto dormia, o nó que o apoquentava: o reajuste salarial de engenheiros e arquitetos do município. "Acordei com o decreto pronto na cabeça", recorda. Durante o sono, equações matemáticas são encaradas -e solucionadas-, diz.
Na madrugada de uma quarta-feira do começo de dezembro, o prefeito que mais tempo governou a antiga capital do país sonhou com a medida que tomara na véspera, de desligar à noite os pardais, aparelhos eletrônicos que fiscalizam a velocidade dos automóveis.
"Potencializei no sonho uma reação negativa, costume dos últimos meses, daquilo que eu estava fazendo", disse horas depois à Folha, na sede administrativa da prefeitura -o Piranhão, como os cariocas alcunharam o edifício erguido em uma antiga zona de meretrício.
O sonho não decorria de delírio persecutório. Aplausos aos seus atos rarearam à medida que se acercou do fim do seu mandato, o terceiro, no arremate do ciclo de 12 anos de gestão (1993-1996; 2001-2008).
São 16 anos, se somado o quadriênio de Luiz Paulo Conde (1997-2000), o desconhecido ex-secretário que Cesar Maia ungiu sucessor, no que o lugar-comum designa "eleger um poste". Invenção veio a romper com inventor, mas na essência estilo e equipe administrativa se mantiveram.
Nessas quase duas décadas, Cesar -como o prefeito é chamado, assim como Itamar Franco é Itamar, e não Franco- tocou obras como a Linha Amarela (via que une as zonas norte e oeste) e o estádio Engenhão. Comandou projetos como o Rio-Cidade, que remodelou grandes áreas, e o Favela-Bairro, modelo internacional.
Chegou a ser apontado como vocação inequívoca para o Executivo, catedrático do marketing político e postulante promissor à Presidência.
Na despedida, contudo, assemelha-se à construção que no futuro deve ser associada a ele como o Sambódromo é ao governador Leonel Brizola (1922-2004): acumulam-se apupos à Cidade da Música, que Cesar compara ao mausoléu indiano Taj Mahal e cujos detratores condenam como monumento ao desperdício (custo de ao menos R$ 518 milhões).
Na segunda quinzena de outubro, meros 22% dos moradores do Rio consultados pelo Datafolha aprovavam sua gestão (avaliações ótimo e bom). Ao fim do primeiro mandato, eram 52%. Do segundo, 61%.
O político que alardeia jamais ter apoiado perdedor em pleito local viu sua candidata, Solange Amaral (DEM), definhar em quinto lugar, aquém dos 4% dos votos. Ele fugiu de campanha na zona sul, temeroso da aversão contra si na área mais rica da cidade, onde a classe média pulula. O eleito foi Eduardo Paes (PMDB), outra cria sua que o abandonou.
Cesar aposta que algum dia as análises retrospectivas lhe serão generosas. Julga ter sido melhor prefeito que Carlos Lacerda (1914-77), o governador da Guanabara (antiga denominação do município do Rio) na primeira metade da década de 1960, ainda hoje evocado como governante inspirado.
O que provocou, nas suas palavras, o "desgaste de imagem"? Para um político que dá duro até em sonho, a busca pela resposta se tornou obsessiva.
Vaias
Enquanto arrumava cerca de 300 caixas com papéis que coleciona desde 1968, ano em que foi preso no congresso da União Nacional dos Estudantes, o prefeito matutou sobre o que saiu errado.
Como ele anota, contratempos e tropeços não lhe faltaram antes, como um temporal digno de romance de García Márquez (1996), uma epidemia de dengue (2002; outra sobreviria em 2008) e a intervenção federal na saúde (2005).
Nos estertores de 1993, 9% o aprovavam. Cesar, porém, lograva a volta por cima. De 2007 para cá, para cima se consolidou a flecha da reprovação.
Sua conclusão: "O Pan-Americano foi um sucesso para a cidade. Do ponto de vista da ação do governo, foi o elemento de desintegração da imagem".
O prefeito inventaria: quando a candidatura do Rio venceu, os Jogos previstos eram modestos; no meio do caminho, o Comitê Olímpico Brasileiro sugeriu grandiloqüência, com a ambição de sediar a Olimpíada; o Estado gastou pouco, e a União entrou tarde na operação; a prefeitura, "que tem capacidade de investimentos com recursos próprios de R$ 700 milhões por ano, em dois anos desembolsou R$ 1 bilhão" com o Pan.
O dinheiro que faltou para a fatura oriunda da competição foi subtraído de outras frentes. "Tive que derrubar as despesas", afirma Cesar. A conservação da cidade piorou.
"Perdemos qualidade, o que permitiu que a crítica ao governo, injusta, fosse absolutamente certa. A imagem [ruim] estava construída, lastreada em razões efetivas." Por que, então, injustiça? "Deviam ter me dado uma carência."
Tabela da prefeitura mostra que, enquanto o crescimento real das receitas bateu 8,2% no período de um ano encerrado em outubro, nos mesmos 12 meses as despesas despencaram -era dinheiro para saldar compromissos do Pan.
O prefeito lembra elogios das autoridades desportivas ao evento: "Estou pensando que fiz um gol, corro para a galera, a galera vai me abraçar. Quando chego à galera, ela está vaiando. Mas é uma questão que se dilui no tempo com rapidez".
Nota 8
A dimensão histórica de Cesar Maia e suas perspectivas estão ligadas à percepção sobre seu desempenho como prefeito. Ele concede 10 "com louvor" ao seu primeiro governo, 10 ao segundo e 4 ao terceiro ("sofrível, porque quebrado pelo Pan") -em outubro, no Datafolha, os eleitores lhe deram nota 4,3. Na média, 8.
Como Carlos Lacerda, Cesar iniciou no comunismo e se moveu para a direita. No DEM, ex-PFL, o prefeito se tem como "social-democrata-liberal". Do antigo governador, diz guardar amor e ódio. "Amo o governador e odeio o político."
Cesar premia com um 10 "com louvor" o desempenho de Lacerda na administração. Em infra-estrutura urbana, 10 "sem louvor". Como "estrategista do desenvolvimento econômico", nota zero.
"Ele imaginou, uma falha gravíssima, que o fundamental seria o relançamento industrial do Rio." A cidade, acredita, deveria se voltar para os serviços.
Incluindo outros itens, Cesar cravou 6 de média para Lacerda, em cujo governo (1960-1965) nasceram o aterro do Flamengo e a adutora do Guandu, decisiva para o abastecimento de água. Foi mesmo melhor que Lacerda? "Não tenha dúvida." No balanço sincero da história, considera Pedro Ernesto, prefeito nos anos 1930, o melhor de todos.
Além do seu desempenho como gestor, Lacerda ficou na memória como um entusiasta de golpes -da Intentona Comunista de 1935 ao movimento militar de 1964, passando pela morte de Getúlio Vargas em 1954. Ignora-se o que sobreviverá do empenho de Cesar para aparecer na mídia a qualquer preço na sua primeira gestão. Ele cumprimentou os ossos de um dinossauro em museu, prometeu os Beatles em Copacabana, decretou luto pela morte de um macaco, estendeu o horário de verão. Assegura que não pediu sorvete em açougue, apenas indagou onde poderia comprar um. Ao notar o mal-entendido, deu corda.
"Não contrariei a notícia que me interessava, aquele negócio de maluco. [...] Comecei a construir fatos. Eu fazia combinação com um fotógrafo. Eu dizia: "Vou te arranjar uma fotografia aqui. Você se prepara que vai ser aquela para arrebentar". Aí tinha um favelado tomando banho, eu jogava um balde de água na cabeça dele."
Tudo porque descobrira que "ninguém sabia quem era o prefeito". Eram os factóides, "explodindo as imagens para produzir noticiário". Sem cerimônia, Cesar contaria que espalhou gente pelas ruas para disseminar o boato de que um político adversário desistira de uma eleição. Ou que chutava números para impressionar.
Nem tudo mudou. Em sua newsletter, o prefeito trombeteou que seus estudos projetavam o mínimo de 15% de votos para Solange. Na verdade, revela hoje, esse era o teto. "Entrei na campanha sabendo que a gente tinha perdido."
Passado e futuro
Com a derrota, Cesar não sabe o que será o porvir. Diz que pode passar dois anos dando aulas em Madri sobre administração pública. Em 2010, sair para senador ou governador. Em 2012, tentar o quarto mandato ou, cenário sombrio, lançar-se para vereador.
Recomeçar por baixo talvez fosse uma tragédia para um passional, não para um pragmático. Cesar militou na luta armada contra a ditadura militar, foi preso, exilado, retornou e em 1983 tornou-se secretário da Fazenda de Brizola. Foi um dos muitos dissidentes do brizolismo que prosperaram. Agora, encarna a árvore cujos galhos se rebelam e superam o tronco original -como no caso de Paes. Está com José Serra (PSDB) para presidente.
Indagado sobre seu sumiço das ruas, confirma que sai menos, porque tem 63 anos, e não os 47 da estréia como prefeito.
Provocado sobre um possível desencanto com a administração, responde por 1 hora e 15 minutos, em entrevista de quatro horas, e nega a impressão.
Sua solidão pessoal é metáfora do isolamento político. Da solidão, ele não reclama: "Não posso, porque gosto. Gosto de estar em casa com a minha mulher. Nunca fui a boate. Raramente vou jantar fora. O meu hábito me dá prazer".
Noutro dia, Mariangeles Maia, a chilena com quem ele se casou no exílio, zapeava a TV. Ao ver Paulinho da Viola, o prefeito pediu para ela parar. "Vamos ver se ele fala mal de mim" -no passado, o compositor protestou contra o cachê de um show de Réveillon. Cesar se reconheceu: "Perguntam ao Paulinho: "Você vive do passado?" Paulinho responde: "Não, o passado vive em mim". Aquela resposta foi muito forte".
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Aviso aos navegantes: não existe nenhum Gadelha como contribuinte da Fundação de Bill Clinton
São 2.992 páginas, com mais de 200.000 contribuintes. O valor total é entre 75 e 165 milhões de dólares. Trata-se da lista dos doadores da William (Bill) J. Clinton Foundation. Alguns nomes mais conhecidos: Arábia Saudita, Austrália, República Dominicana (entre 10 e 25 milhões de dólares), Brunei, Kwait, Omã e Qatar (mais de 1 milhão de dólares cada). Outro Bill famoso, o Gates, também está na faixa dos 10 a 25 milhões de dólares como doador. Tudo bem, cada um doa o que quiser. Mas isso pode ser um problema para a futura Secretária de Estado Hillary Clinton. Todo mundo está de olho na lista e o Washington Post (que publica a lista completa) está pedindo a todos os leitores que enviem comentários sobre os doadores que conhecem. Eles publicarão no seu blog investigativo – doa a quem doer... (Leia mais aqui.)
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Dê sua sapatada em Bush
Tente fazer o que o jornalista iraquiano Muntazer alZaidi não conseguiu: dê sua sapatada em Bush. É o novo joguinho circulando na internet, BUSH SHOE THROWING GAME, que você pode acessar aqui.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Homem do Ano da Time: a escolha mais óbvia
A própria revista Time reconhece: "É improvável que vocês estejam surpresos por ver o rosto de Obama na capa". O nome de Barack Obama era pule de 10 como Personalidadedo Ano. Surpreendente é saber que a alopradinha Sarah Palin estava na disputa. Henry Paulson ( Secretário do Tesouro dos EUA) e Nicolas Sarkozy também estavam. Last but not the least, Zhang Yimou, o responsável pela cerimônia de abertura dos Jogos de Pequim. Com todo o respeito ao trabalho de Zhang Yimou, o resultado foi justo.
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Dick Morris e o cinismo americano diante da crise
Dick Morris foi consultor político, primeiro dos Republicanos, depois dos Clinton. Durante muito tempo fez a cabeça de Bill Clinton como presidente, depois caiu em desgraça. Fez campanha aberta contra Hillary. Na sua coluna do dia 15, "The Impending Collapse of our Enemies" (mais ou menos, a queda iminente dos nossos inimigos), ele começa declarando que a "Depressão (...) nos deixa, digamos. deprimidos. Mas existem boas notícias vinda do mundo inteiro. Nossos inimigos estão entrando em colapso graças à queda dos preços do gás e do petróleo". Ele cita como inimigos a OPEP, Irã, Chávez, Putin e o terrorismo islâmico. Ele não se refere nem uma única vez à tragédia mundial causada pela política maléfica do seu Presidente Bush. Se eles estão conseguindo enfraquecer os inimigos deles, o resto do mundo que se dane - é esse o pensamento de Dick Morris. É a atitude típica de um representante do Império, como diria Chávez. Felizmente, acreditamos que Obama não pensará dessa maneira quando assumir a presidência. Texto completo no blog.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Este Blog apóia a indignação do Movimento Sapato Nele
A sapatada em Bush não resolve os problemas do país, mas em boa parte lava a alma do povo iraquiano.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Lágrimas
Tem uma lenda que diz que todo dia 13 de dezembro chove, porque seriam as "lágrimas" de Santa Luzia (está chovendo aqui). Na verdade devem ser as lágrimas causadas pelo AI-5, o terror instituído pela ditadura militar brasileira, há 40 anos. Naquela época, a redação da revista Veja em São Paulo passou um bom tempo discutindo (na minha baia) sobre como reagir. Sabiamente (digamos assim) decidiu-se por greve de um dia - o que, em uma revista semanal, funciona como feriado...
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terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Datafolha revela o óbvio: polarização entre Lula e Serra para 2010
A não ser que ocorram tsunamis - o que não é impossível -, a disputa para Presidente em 2010 está mesmo entre o(a) candidato(a) de Lula e o tucano José Serra. Uma tsunami possível é a candidatura de Aécio, seja pelo PSDB, seja pelo PMDB. Há também a possibilidade da tsunami nordestina através de Ciro, inviabilizando a opção Dilma. Heloísa Helena, no momento, ameaça com um terceiro lugar que poderia decidir o segundo turno, mas o mais provável é que até lá o seu discurso perca espaço. O certo de tudo isso é que não adianta o Serra dizer que a disputa "não pode ser um Fla X Flu" - porque já está assim.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
César Maia demonstrou, ontem, porque Lula bateu recorde de aprovação no Datafolha de hoje.
No seu Ex-Blog de ontem, César Maia citou uma pesquisa do Instituto GPP no Rio onde foi feita a seguinte pergunta:Com essa crise e perspectiva de aumento da inflação e desemprego, você acha melhor – votar num candidato do Governo Federal, votar num candidato da Oposição, ou não sabe o que dizer?O resultado foi:
A conclusão é óbvia. Os governos anteriores ao de Lula estão todos associados a “oposição”. E todos estão associados também a péssimas administrações, desde Sarney até Fernando Henrique. Assim, diante da necessidade de se escolher um governo com capacidade de enfrentar os problemas gerados pela crise internacional, qual a opção lógica: governos associados ao fracasso ou um governo que está fazendo tudo certo até agora? O governo do desastrado Plano Cruzado ou o governo com desenvolvimento consistente? O governo da falsa caça aos marajás ou o governo da Polícia Federal? O governo do fusquinha ou o governo do Bolsa Família? O governo de quem acabou com a inflação – mas que praticamente faliu o Brasil e aumentou o desemprego – ou o governo da estabilidade econômica e social, dos novos empregos, do crescimento acelerado, que fala a linguagem do povo e ainda assim soube conquistar o respeito internacional? Lamento informar, mas o Governo Lula é a resposta natural. E nessa pesquisa do GPP a Oposição só teve índice tão alto porque o povo sabe que Lula não é candidato – mas já deixa claro que prefere um candidato indicado por ele. Assim, é incompreensível a irritação de César Maia, no seu Ex-Blog de hoje, diante dos 70% de Ótimo+Bom que o Governo Lula conquistou no Datafolha (vale lembrar que no Nordeste, que tem cerca de 27% do eleitorado, o índice atingiu 81% - clique no gráfico acima para ampliar). Não adianta acusar de populismo ou dizer que Lula, diante da crise mundial, “mantém uma coreografia glacial e mistura má fé, ao criar otimismo com ilusão da boa fé da população”. A constatação de que o governo está fazendo a coisa certa vem de todas as partes do mundo. Agora mesmo a Reuters distribui notícia de que estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sinalizou forte desaceleração das economias globais por conta da crise financeira, e o Brasil foi único país que teve a sua perspectiva de ciclo de crescimento apresentada apenas como "declínio". Será que isso não basta? Até quando a Oposição vai ficar sem se encontrar, batendo cabeça, tentando descobrir uma falha mínima de Lula para tentar conquistar um pouco do eleitorado? Cadê o marketing correto? Está difícil, Oposição, cada vez mais difícil...
- Votar num candidato do Governo Federal – 40,5%
- Votar num candidato da Oposição – 32,3%
- Não sabe – 27,2%.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Brasil de Lula ganha destaque pelo jogo de cintura
Leia trecho da reportagem de ontem do jornal espanhol La Vanguardia:Brasil: ´jogo de cintura´
El gigante latinoamericano trata de potenciar sus recursos ante la caída de las materias primas
Nicolás Torrent
Una de las sorpresas del G-20 - quizá la única-fue ver al presidente brasileño Luiz Inácio Lula da Silva a la derecha de George Bush en la foto de familia. Todo un símbolo de la posición que ha conseguido este país en la economía mundial. Y es que de los llamados BRIC - acrónimo para referirse a los emergentes Brasil, Rusia, India y China-,el país latinoamericano destaca por su combinación de libre mercado, políticas sociales y sostenibilidad. En brasileño, este modus operandi que a veces parece funambulismo, se llama jogo de cintura, en referencia a los movimientos de cadera de sus estrellas del fútbol. "Uno se sorprende todos los días de las oportunidades que ofrece Brasil". Las palabras no son de Lula, ni siquiera de un empresario brasileño. No, esta frase es de Ángel Agallano, director ejecutivo del Banco Santander en Brasil. El grupo de Emilio Botín acaba de fusionarse con una de las mayores entidades brasileñas, el Banco Real y en los tres próximos años, invertirá más de 920 millones de euros en este país para una ganancia prevista de unos 7.000 millones de euros.
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BRIC,
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G-20,
Governo Lula,
La Vanguardia
É oficial: os Estados Unidos estão há um ano em recessão.
O New York Times está divulgando o que todo mundo já sabia: os Estados Unidos estão mesmo em recessão, como acaba de declarar o Departamento Nacional de Pesquisa Econômica (apartidário). Ele esclarece que "recessão é um declínio significativo na atividade econômica durante mais do que uns poucos meses, normalmente visível em produção, emprego, ganho real e outros indicadores" e que a atual recessão americana teve início em dezembro do ano passado. Eles acrescentam também uma definição bisonha de recessão (ou será que estou lendo mal?): “A recession begins when the economy reaches a peak of activity and ends when the economy reaches its trough.” Leiam a reportagem completa clicando aqui.
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