A mídia começa a divulgar que o direitista Nicolas Sarkozy venceu o debate contra a socialista Ségolène Royal na corrida para o 2º turno presidencial. Pode ser. A pesquisa Opinionway aponta nesse sentido. Mas aponta mais. Além dos 53% para Sarkozy e 31% para Ségolène como "mais convincente", mostra que 15% não acharam nenhum dos dois convincente. 1% não respondeu. A pesquisa, feita com 978 eleitores selecionados entre 1.415 destacados para assistir o debate, mostra ainda em que tema cada um foi melhor. Ségolène foi melhor na questão ambiental, na defesa das escolas deficientes, na redução das desigualdades sociais e na educação. Sarkozy foi melhor na questão da imigração, na defesa do aumento da jornada de trabalho, na habitação, na luta contra a insegurança, na reforma fiscal e no item funcionalismo. É curiosa também a percepção que se passou a ter de cada um após o debate. Ségolène cresceu em competência, coragem e dinamismo e caiu em simpatia. Ao contrário, Sarkozy cresceu em simpatia, caiu em tranqüilidade e um pouquinho em coragem. Os estrategistas de Ségolène podem ter errado na dosagem de "mais competência, menos simpatia". Afinal, como já tínhamos visto aqui no Blog, simpatia era o ponto forte de Ségolène a ser explorado. Daqui de longe, achei que ela tinha se saído melhor. Mas não sou eleitor francês...
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quinta-feira, 3 de maio de 2007
França: após debate
A mídia começa a divulgar que o direitista Nicolas Sarkozy venceu o debate contra a socialista Ségolène Royal na corrida para o 2º turno presidencial. Pode ser. A pesquisa Opinionway aponta nesse sentido. Mas aponta mais. Além dos 53% para Sarkozy e 31% para Ségolène como "mais convincente", mostra que 15% não acharam nenhum dos dois convincente. 1% não respondeu. A pesquisa, feita com 978 eleitores selecionados entre 1.415 destacados para assistir o debate, mostra ainda em que tema cada um foi melhor. Ségolène foi melhor na questão ambiental, na defesa das escolas deficientes, na redução das desigualdades sociais e na educação. Sarkozy foi melhor na questão da imigração, na defesa do aumento da jornada de trabalho, na habitação, na luta contra a insegurança, na reforma fiscal e no item funcionalismo. É curiosa também a percepção que se passou a ter de cada um após o debate. Ségolène cresceu em competência, coragem e dinamismo e caiu em simpatia. Ao contrário, Sarkozy cresceu em simpatia, caiu em tranqüilidade e um pouquinho em coragem. Os estrategistas de Ségolène podem ter errado na dosagem de "mais competência, menos simpatia". Afinal, como já tínhamos visto aqui no Blog, simpatia era o ponto forte de Ségolène a ser explorado. Daqui de longe, achei que ela tinha se saído melhor. Mas não sou eleitor francês...
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França: esquerda e direita em debate
Todo mundo faz questão de afirmar que acabou a polarização "esquerda-direita", que isso é coisa ultrapassada, que a realidade vai além ("la realité est très complexe", diria Goddard em Alphaville), que as questões e as soluções muitas vezes são comuns às duas visões. Mas ontem, na França, no debate entre os candidatos do 2º turno para a presidência, até o sorteio das cadeiras parecia querer reafirmar o velho conceito de esquerda-direita: a socialista Ségolène Royal sentou à esquerda e o direitista Nicolas Sarkozy sentou à direita. E suas propostas para a França deixaram ainda mais evidente essa dicotomia fundamental: trabalho x capital, intervenção do Estado x laissez faire, base da pirâmide social x topo da pirâmide social. Além dessa reafirmação da esquerda-direita, o debate apresentou (segundo a imprensa local) muitos erros (ambos erraram muito, por exemplo, nos percentuais de energia nuclear utilizada atualmente na França, mas Sarkozy errou mais e de forma imperdoável) e também uma surpresa: a firmeza de Ségolène Royal. A expectativa era de que ela seria destroçada pelo experiente Sarkozy, mas o que se viu foi o contrário: ela esteve permanentemente na ofensiva, sendo irônica e chegando mesmo a se tornar indignada (na questão da educação de deficientes). Desde a roupa (escura-masculina, ao contrário da sua roupa tradicional branca-feminina) até a contundência, Ségolène Royal procurou demonstrar que pode disputar de igual para igual com qualquer candidato. É possível que suas pesquisas tenham indicado esse caminho como o melhor para conquistar o eleitor indeciso, até agora ainda não convencido de que basta a simpatia para resolver os problemas franceses. Veremos as novas pesquisas. Creio que ela ganhou a batalha, embora ainda falte alguma coisa para vencer a guerra do próximo dia 6.
quarta-feira, 2 de maio de 2007
França: em debate
O debate Sarkozy-Ségolène, candidatos à presidência da França, foi muito interessante e mobilizou o povo francês. Quem viu percebeu a estratégia de cada um. Sarkozy procurou o tempo todo desqualificar sua adversária, seja pelo modo de questioná-la, fazendo questão de demonstrar que estaria fazendo uma pergunta sobre tema que ela não dominaria (e ele, em tese, sim, por estar no governo), seja procurando tratar tudo que ela falava como bobagem. Ela, por sua vez, procurou passar segurança, seriedade, responsabilidade, sem perder perder a emoção e a simpatia de ser mulher. No bloco da educação, chegou a demonstrar indignação - o que Sarkozy procurou marcar como "nervosismo". Ele desde o começo tinha mais a perder do que ela - e, na minha opinião, perdeu. A batalha da percepção pendeu a favor de Ségolène, que se mostrou disposta a ser presidente, com firmeza, mas com simpatia. De passagem por Paris, o blogueiro Roberto Moraes mandou a foto acima e o bilhete:"Olá, Gadelha. Aí vai o registro da repercussão do último debate entre Sarkozy e Ségolène Royal. Paris praticamente parou para ver o debate que se encerrou há poucos minutos aqui em Paris. Na região do Quartier Latin, nas proximidades do Boulevard ST Germain com Boulevard Saint Michel, os bares e restaurantes estavam cheios de pessoas que assitiam interessadas ao debate. Pessoas paravam na porta destes restaurantes e também acompanhavam com interesse. Quanto às outras informações, você certamente está mais por dentro que eu, que cheguei por volta das 19 horas de Londres. Abs, Roberto Moraes Pessanha"
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França: o debate ao vivo
Bem interessante o debate entre os candidatos à presidência da França, a socialista Ségolène Royal (à esquerda) e o direitista Nicolas Sarkozy (à direita). Ele, obviamente, procurando mostrar competência e tentando desqualificar a adversária. Ela, um pouco mais séria do que esperaria, mas principalmente não se deixando intimidar. O debate entre os dois corre livremente, com um e outro interferindo na fala do outro. Tudo muito muito civilizado e racional - mas, mesmo assim, emocionante. (Assista ao vivo agora, 17:14h)
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