sábado, 31 de março de 2007

Americanos trocam soja e algodão por milho

O jornal inglês Financial Times traz reportagem sobre a corrida americana rumo ao milho, graças ao crescimento na produção de etanol (ou álcool combustível), deixando de lado outros produtos agrícolas. Segundo o jornal, "a troca massiva pode resultar na maior safra de milho de todos os tempos, afetando as indústrias agrícolas dos Estados Unidos e de todo o mundo". Os produtos mais afetados são a soja e também o algodão, cuja plantação nos Estados Unidos já caiu a seu nível mais baixo desde 1989. Os preços subirão e os ganhos com o milho aumentarão. Os produtores brasileiros e argentinos sofrerão pressão para aumentar a produção de soja - que, entre nós, disputará terreno com a cana de açúcar. Mas tudo isso dependerá ainda, segundo analistas, dos efeitos do La Niña, o fenômeno climático que poderá provocar fortes chuvas no período do plantio. O jornal acrescenta que essa corrida desenfreada rumo ao milho traz para foco o debate "alimento versus combustível", em um momento em que a demanda global por alimento está crescendo. Isso significa que, apesar de termos que seguir avante nosso política de produção de combustível a partir de fontes renováveis, não devemos estar inteiramente surdos às advertências de Fidel e Chávez.

Fim de greve também na França

Depois de 18 dias de greve, acabou a paralisação do porto petrolífero de Marselha, na França. Lá, também, prevaleceu o bom senso. A questão principal estava em os trabalhadores do Porto de Marselha poderem ou não participar da operação do futuro porto de Fos-Cavaou. Os representantes do Gaz de France (GDF) alegavam questão de segurança, mas acabaram voltando atrás. Leia mais no Le Monde.

Obama faz Bill Clinton entrar na campanha

O crescimento da pré-campanha de Barack Obama trouxe mais uma estrela para a corrida presidencial americana: Bill Clinton. Nas últimas 6 semanas, ele entrou com tudo na arrecadação de recursos para a campanha de sua mulher, a pré-candidata Hillary Clinton. Procurou doadores, deu conferências fez apelos pela Internet, participou de jantares e de tudo mais que pudesse interceptar o fluxo de dólares para Obama. "Em pouco tempo, ele arrecadou cerca de 2 milhões de dólares em pequenos jantares festivos em Manhattan, às vezes permanecendo além do planejado", escreve o New York Times. É óbvio que a participação de Bill Clinton na campanha era esperada. O que não se esperava é que ela começasse tão cedo e tão intensamente. "Faz anos que ele não se engajava tanto em política", dizem os observadores. O que prova a força de Barack Obama, principalmente por sua consistente oposição à guerra do iraque.

Parece que Tarso Genro andou lendo este Blog...

O Ministro da Jurtiça, Tarso Genro, declarou que estuda tratamento diferenciado para jovens infratores/criminosos, na faixa dos 18 a 23 anos. Concretamente, isso se iniciaria com a construção de presídios especiais, onde esses jovens não se misturassem com o mundo de recuperação mais difícil da bandidagem. A luta pela recuperação dos jovens não pode parar nem ser reduzida a uma faixa mínima. Ao contrário, deve ser ampliada, como escrevemos aqui, no dia 13 de fevereiro, na postagem Minoridade penal: só não podemos perder a razão . Escrevi na época: "a redução da maioriadade penal tem razão? Não, claro que não. Primeiro, porque significaria indiferenciar os violentos criminosos como bárbaros irrecuperáveis. (...) O mais lógico, talvez, fosse ampliar a maioridade penal". Defendia, basicamente, que não podemos combater a barbárie sendo bárbaros. É preciso bom senso, usar a razão ao máximo, para podermos conquistar uma sociedade de paz. É o que Tarso Genro, aparentemente, está tentando.

Bom senso põe fim ao descontrole aéreo

Os controladores de vôo demonstraram que tinham a força. É claro que havia muita exploração política no movimento deles, como apontou Paulo Henrique Amorim (exagerando na comparação com a greve dos transportadores contra Salvador Allende no Chile de 1973). Mas eles tinham a argumentação irrefutável de que é preciso reformular a atividade do controlador de vôo. E a hora era essa. Com o acordo, coordenado pelo próprio Presidente da República, foi possível, além do ganho econômico, o início de negociações no sentido de desmilitarizar a visão essa atividade de importância singular no dia-a-dia do país. Por mais que seja um assunto de segurança nacional - e talvez principalmente por isso - não é possível lidar com o tema com rigidez absoluta. O Ministro da Defesa, Waldir Pires, um civil, tido como progressista e bastante flexível, certamente resolveu tornar-se inflexível porque estava fragilizado, sob pressão da mídia e da sociedade civil. Estava impossibilitado de uma visão mais clara. O comando militar, por sua vez, agiu como agem os militares. Por isso foi preciso que Lula, mais acostumado a lidar com greves difíceis e com uma responsabilidade maior, percebesse a delicadeza do momento e apontasse a linha do entendimento. Provou que para que haja controle no ar é preciso impedir o descontrole emocional aqui na terra.

quinta-feira, 29 de março de 2007

Vem aí a nova BBC - "Brazilian" Broadcasting Corporation

Na posse do novo Ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, Lula disse que quer uma TV pública educativa capaz de fazer o que a TV privada não faz, que tenha profundidade. Não pode ser chapa branca, "porque enche o saco" - mas que seja capaz de passar informação "sem pintá-la de cor de rosa, mas também sem pichar". O futuro Ministro espera lançar a TV pública ainda este ano e disse que ela deverá seguir um modelo parecido com o da BBC - British Broadcasting Corporation. Que seja bem-vinda.

Arábia Saudita levanta a voz

Pela primeira vez a Arábia Saudita falou grosso contra a ocupação americana do Iraque. Na cerimônia de abertura da Liga Árabe, ontem, em Riyad, o rei Abdulla disse aos líderes árabes que "no amado Iraque, a carnificina continua, sob uma ocupação estrangeira ilegal e um sectarismo detestável" e ainda advertiu que ou os governos árabes resolvem suas diferenças ou as potências estrangeiras, como os Estados Unidos, continuarão a ditar a política da região. Vindo de quem vem, essa declaração cai como uma bomba nos meios políticos internacionais, particularmente no Salão Oval da Casa Branca. A Arábia Saudita sempre foi o aliado preferencial dos Estados Unidos no mundo árabe, seja por sua monumental produção de petróleo, seja por seu posicionamento político "moderado". Nos últimos meses, a Administração Bush chegava até a contar fortemente com a sua liderança para um realinhamento político no Oriente Médio, opondo de um lado Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Líbano e Israel contra Irã, Síria e os grupos Hesbolá (xiita) e Hamas (sunita). Doce ilusão judaico-cristã... A Arábia Saudita começa a dar sinais de caminhar em sentido oposto, buscando, isso sim, a união árabe, alinhavando entendimentos que ultrapassem as sub-divisões islâmicas. Foi ela que construiu o acordo entre as facções palestinas no último mês, causando desconforto em Israel, que pretendia trocar o Hamas pelo Fatah na direção palestina. Também contrariando os interesses americanos e israelenses, o rei Abdula pediu o fim do boicote internacional à Palestina. Além disso, o rei recebeu este mês o presidente Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, inimigo nº 1 de americanos, israelenses e, agora mais do que nunca, de britânicos, e ainda está tentando resolver as tensões no Líbano em negociações com o Irã e o Hesbolá. Para finalizar, o rei saudita cancelou a participação em um jantar em abril na Casa Branca, alegando "conflito de agenda". Em outras palavras, "tô fora". Mustapha Hamarneh, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade da Jordânia disse que os sauditas parecem estar enviando uma mensagem a Washington: "É melhor vocês ouvirem mais seus aliados, em vez de sempre impor suas decisões e ficarem alinhados a Israel". O mundo árabe, em geral, está mudando e mostrando que pode ter voz ativa no cenário internacional. Com essa mudança de rumos, os sauditas não poderiam correr o risco de ficar à margem do processo, perderem força diante das novas lideranças árabes. Além disso, os sauditas, sabiamente, perceberam a fraqueza interna do Governo Bush e não querem ser associados a um "aliado" em estado terminal. Em vez de conclamar os árabes a deixarem Israel de lado, como fez nesta semana, Condoleezza Rice vai ter que ler mais o Alcorão. Leia mais no New York Times.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Big Sister ajudou Hillary Clinton

O vídeo-baixaria associando Hillary Clinton ao Big Brother de 1984 pode ter ajudado sua campanha pela indicação do Partido democrata a candidata presidencial em 2008. Segundo a pesquisa do Rasmussen do dia 26 de março, ela passou de 35% para 37%, enquanto seu adversário mais próximo, Barack Obama, caiu de 30% para 25%

Quem diria, a Arena quer virar Democratas

Charge de Chico Caruso / O Globo Era uma vez um partido chamado Arena (Aliança Renovadora Nacional), criado em 1966 (4 de abril, quase dia 1º...) para servir de braço político da ditadura militar que estava instalada no Brasil desde 1º de abril de 1964. Na época eram só dois partidos, a Arena da ditadura e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) da oposição. Em 1980, voltou o pluripartidarismo que tinha sido extinto em 1965. Aí a Arena foi rebatizada de Partido Democrático Social, PDS (que depois virou Partido Progressista Renovador - PPR -, depois Partido Progressista Brasileiro - PPB, depois Partido Progressista – PP). Em 1985, um pedaço da Arena (que já tinha virado PDS) resolveu apoiar a candidatura oposicionista de Tancredo Neves para Presidente do Brasil e, por isso, criou o PFL - Partido da Frente Liberal. O PFL separou-se da antiga Arena, mas não de seus antigos ideais (menos ainda dos ideais da origem mais remota, a velha UDN - União Democrática Nacional). É sem dúvida o grande partido da direita política brasileira, apesar de pretender, recentemente, tenta se vender como sendo de centro. Na verdade, o partido tem procurado se afastar da direita por questão de sobrevivência. Enquanto pôde se aninhar nas estruturas do Governo Federal e representar as oligarquias nordestinas, não se mexeu. Com a subida de Lula ao poder, o PFL viu minguarem suas forças (em 1998 elegeu 105 deputados, hoje só tem 58) e agora joga tudo em uma renovação que parece muito mais jogada de marketing (por mais que Cesar Maia apresente a justificativa da busca do centro como alternativa moderna à polarização esquerda-direita). Ao mudar o nome para Democratas e eleger Rodrigo Maia seu presidente, a velha Arena quer enganar quem, cara-pálida?

Elio Gaspari: viva Sousa Mendes

Ontem falei aqui da lástima da admiração de Cesar Maia pelo ditador português Salazar, expressada em seu Ex-Blog. Hoje, a propósito da mesma enquete da TV portuguesa sobre "o maior português de todos os tempos", a coluna de Elio Gaspari produz excelente texto, "Nem Salazar nem Cunhal; viva Sousa Mendes", que reproduzo:
DEPOIS DO ESPANTO causado pela entrega do título de "Grande Português" à memória do ditador Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), vem estupefação: o segundo colocado foi o stalinista Álvaro Cunhal, que dirigiu o Partido Comunista de 1961 a 1992. No mês dos 33 anos do renascimento da democracia no além-mar, 60% do eleitorado que participou da competição telefônica de uma emissora de televisão dividiu-se entre o que Portugal infelizmente foi e aquilo que felizmente não quis ser. Mesmo assim, as coisas boas também acontecem e Aristides Sousa Mendes foi o terceiro colocado, com 13% das preferências, contra 19% dadas a Cunhal. A amostra foi pequena e viciada. Num país de 10 milhões de habitantes, os telefonemas válidos foram 160 mil. Nada a ver com os 55 milhões de chamadas do "Big Brother" brasileiro. De qualquer maneira, quando Luís de Camões fica em quinto lugar, com 4% dos votos, as coisas não vão bem. Contudo, é o poeta quem ensina: "Quem há que por fama não conhece As obras portuguesas singulares?" Aristides Sousa Mendes e sua posição no certame são uma obra portuguesa singular. Conhecê-lo é uma dádiva. Ele nasceu em 1885, numa família católica da aristocracia. Passou pela Universidade de Coimbra e caiu na carreira diplomática. Rodou por Guiana, Zanzibar, Porto Alegre, São Luís e Curitiba. Estava no consulado do porto francês de Bordeaux quando estourou a Segunda Guerra e chegou-lhe uma circular determinando que não se concedessem vistos a judeus. A cidade transformou-se em corredor de saída para dezenas de milhares de refugiados impotentes e Sousa Mendes distribuiu resmas de vistos em branco, assinados e carimbados. Calcula-se que tenham sido 30 mil em poucos dias. Foi a maior operação de resgate conduzida por uma pessoa durante o Holocausto. Ele recordaria: "Quantos suicídios e outros atos de desespero se produziram, quantos atos de loucura de que eu próprio fui testemunha?" Salazar mandou dois funcionários para trazê-lo de volta a Lisboa. Sousa Mendes foi para Bayonne e emitiu mais vistos. Quando a polícia da fronteira com a Espanha foi avisada para não honrar sua assinatura, escoltou judeus abrindo caminho com seu carro oficial. Chegou a empurrar portões. Levado a Lisboa, foi expulso do serviço público. Perseguido pelo ditador, Sousa Mendes perdeu o patrimônio da família (a pecúnia, bem entendido porque, em 1944, dois dos seus 14 filhos saltaram sobre a Normandia com as tropas aliadas). Nada permitia supor que aquele aristocrata monarquista e cinqüentão agisse daquela forma. No seu encontro com a história, realizou a obra portuguesa singular. Sousa Mendes morreu em 1954, doente e miserável. Alimentava-se em centros de caridade da colônia judaica. Seus bens foram leiloados e sua casa senhorial virou galinheiro. Nada se escreveu sobre ele, além do que se gravou na lápide: "Quem salva uma vida salva o mundo". Hoje ele é uma glória de Portugal e nome de praça em São Paulo. Tem busto em Bordeaux e parque em Montreal. Vinte árvores foram plantadas em sua memória na Floresta dos Mártires, em Jerusalém.

terça-feira, 27 de março de 2007

O PFL pretende agora ser "democrata", mas defende a ditadura salazarista com unhas e dentes

O Ex-Blog de Cesar Maia, um dos principais ideólogos do PFL, traz hoje uma grande contradição. Ao anunciar a transformação do PFL em PD (Partido Democrata), Cesar Maia diz que "ao adotar a palavra democrata, queremos atingir a profundidade possível de uma prática política que inclui, e não exclui; que defende a liberdade sem transigências; que não admite a existência de cidadãos de primeira e segunda classe, pois todos têm direitos iguais; que, principalmente, nasce com compromissos escritos, formais e solenes, programáticos e objetivos. Democracia completa, ampla, irrestrita. Não apenas social, política ou econômica". Parágrafos antes, comentando a enquete da TV (RTP) portuguesa que tinha apontado o ditador Salazar (41%) como "maior português de todos os tempos", Cesar Maia se rasga em elogios, em evidente admiração pelo (como diz o Estadão), "mentor do regime fascista que durou 48 anos". Veja este trecho de Cesar Maia: "Seu longo ciclo político pode ser dividido em duas partes. Entre 1928 e 1944, quando se destaca como gênio das finanças numa Europa da hiperinflação na Alemanha, da desorganização da França... O fato de ter dirigido um governo autoritário não lhe tira méritos, na medida que - com a única exceção do Reino Unido - o mundo vivia um ciclo de governos autoritários". Adiante, ele meio que procura se redimir, reconhecendo que "sua gestão no pós-guerra manteve os mesmos parâmetros de antes e afundou Portugal no atraso, culminando com seu melancólico final de carreira". Mas o que fica mais evidente é sua admiração pelo grande fascista.

Enquanto isso, nada muda para Lula...

A pesquisa Datafolha realizada com 5.700 brasileiros nos dias 19 e 20 de março e divulgada ontem mostra que no fundamental a avaliação do Governo Lula continua a mesma. Comparada com pesquisa realizada em 23 e 24 de outubro do ano passado (pouco antes do 2º turno das eleições, portanto), apresenta resultado interessante: O "ótimo/bom" caiu de 53% para 48%, mas a soma de "ótimo/bom" com "regular" subiu ligeiramente de 84% para 85%. O "ruim péssimo" caiu, também ligeiramente, de 15% para 14%. A oposição deve estar arrancando os poucos cabelos que tem...

França: aumentam as chances de 2º turno entre Sarkozy e Ségolène

Faltando apenas 26 dias para a eleição presidencial francesa (1º turno no dia 22 de abril), as pesquisas apontam a consolidação de Sarkozy (conservador) e Ségolène (socialista) na liderança das intenções de votos, mantendo o centrista Bayrou mais distante. Em pesquisa por telefone com 1247 eleitores, feita nos dias 24, 25 e 26 de março, o Instituto Ipsos mostra Sarkozy com 31% (+ 1%), Ségolène com 25,5% (estável) e Bayrou com 18,5% (-0,5%). Ainda assim, o resultado final não está completamente definido.

Romário revela o segredo de 94

Em sua entrevista no canal Sportv ("Bem, Amigos") de ontem à noite, Romário estava à vontade, vitorioso, reconhecido - pela milésima vez - como grande craque do futebol de todos os tempos. Seu 3º gol e o quase milésimo mostraram que apesar dos 41 anos ainda é um goleador de qualidade. A possibilidade de ultrapassar Pelé em número de gols em jogos oficiais ((segundo a revista Placar, Pelé fez 720 e Romário já tem 717), é mais uma motivação. Considerado o grande "marrento" do futebol, estava sorridente. E revelou que em 94 obedecia às ordens de Dunga, dentro e fora de campo, de forma irreconhecível (logo ele, Romário, que não leva desaforo pra casa...). Respondia a tudo na base do "sim, senhor" ou "pois não, capitão". E disse que Dunga era incansável, conversando e dando bronca nos jogadores nos jogos, nos treinos e nos quartos. "Sem Dunga, não seríamos campeões em 94", revelou Romário.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Governadores continuam em lua de mel com a população

A pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Folha de São Paulo (assinantes) é bastante favorável aos governadores dos 3 maiores estados do Sudeste (SP, MG e RJ). A pesquisa busca a avaliação que a população faz desses primeiros meses de mandato e traz resultados superiores aos de outros mandatos. Aécio Neves (PSDB), de Minas, é o que menos surpreende. Ele já está no segundo mandato e sua aprovação, 71%, está compatível com os índices do período eleitoral. Ele tem apenas que fazer manutenção para se cacifar a postulante do cargo presidencial. Sérgio Cabral (PMDB) superou os índices de Rosinha (PMDB, 22%) e Marcello Alencar (PSDB, 26%) nas pesquisas feitas nos períodos equivalentes (Garotinho - PDT, PSB e depois PMDB - não tinha sido avaliado). Ele está muito bem, certamente, pelos contrastes com os antecessores. Trouxe idéias novas, disposição para administrar, está bem na mídia. Isso apesar do Rio ter sido com certeza o estado que mais ganhou manchetes sobre violência neste ano. José Serra (PSDB) tem-se mostrado inteligente. Conseguiu desvincular seu nome da tragédia do Metrô e, mal ou bem, do fracasso da educação em São Paulo. Superou os índices dos tucanos que o antecederam (Mário Covas 31% e Alckmin 34%). Mas mostrou que não está tão bem na Capital, 31%, onde teremos eleição importante no ano que vem. O seu candidato, o atual prefeito Gilberto Kassab (PFL), tem apenas 15% de aprovação e 42% de rejeição. Há ainda um fato positivo a considerar nos bons índices desses governadores: o bom relacionamento (principalmente de Sérgio Cabral) com Lula. Isso faz bem ao povo, que deseja que esse amor seja eterno enquanto dure - o que vai ser duro, se nos próximos meses pelo menos parte das expectativas não se confirmarem.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Mas era só o que faltava: Cora Rónai chama 90 reais de esmola!

De todas as bobagens sobre menor infrator de que tomei conhecimento ultimamente — e que não foram poucas — nada barra o texto da senhora Cora Rónai “Mas era só o que faltava: a Bolsa Bandido!” publicado no Globo de ontem. O texto critica a proposta do Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, de procurar apoiar as famílias dos menores infratores com uma Bolsa Família (que geralmente varia entre 65 e 90 reais mensais). Quando li sobre essa proposta, pensei logo: “A classe média conservadora vai associar isso a apoio ao crime”. Não deu outra, e o texto da senhora Cora Rónai sintetiza muito bem esse conservadorismo. Ela escreve: “A idéia seria, se bem entendi, ‘reconstruir os laços familiares para reintegrar os menores à sociedade’ — como se a desintegração familiar fosse única e exclusivamente uma questão financeira, e como se todos os menores infratores fossem filhos de chocadeira”. Onde foi dito que a razão é “única e exclusivamente uma questão financeira”? Claro que não é, mas em uma sociedade miserável como a nossa isso tem um peso enorme. Por outro lado, parece que a senhora Cora Rónai não sabe exatamente o que é isso quando trata R$ 90 mensais como esmola (“Imaginar que uma esmola entre R$ 15 e R$ 90 mensais possa tirar um menor (de 1m80) do crime é não ter a mais pálida noção da vida aqui fora”). Com 90 reais, minha senhora, uma família miserável faz compras do mês, faz crediário do colchão que nunca teve, tira o filho da rua... Tudo bem, a senhora pode dizer que não faz sentido, porque o menor (de 1m80...) está recolhido por ter cometido infração e, portanto, não está na rua. Mas, minha senhora, e os outros menores (de 1m80...) da família? Vão continuar em risco e – quem sabe – colocando em risco a vida dos outros? Além disso, mais do que nunca, o menor (de 1m80...) infrator precisa do apoio familiar. Precisa sentir uma família forte e minimamente reconstruída, precisa saber que o mundo é muito mais do que um “Padre Severino”. A senhora sabe, por exemplo, que muitos desses menores (de 1m80...) pedem para que suas mães e irmãs não os visitem para evitar a humilhação da revista da entrada? A senhora já viu, pelo menos em foto, como infelizmente essas revistas são feitas? Existem menores (de 1m80...) infratores que podem ser recuperados, sim. E o Estado tem o dever de tentar isso através de apoio às famílias, educação e saúde (tanto quanto tem o dever de levar apoio às famílias das vítimas). O que o Estado não pode é manter esses menores (de 1m80...) e sua famílias em situação ainda mais miserável do que a que se encontravam antes, como costuma acontecer. Se o Estado não faz nada, acaba entregando a sociedade ao populismo desenfreado, que perpetua a miséria. É isso que se quer? Noto que a senhora continua com a associação simplista de “maioridade penal” com “maioridade eleitoral”, mas já evoluiu para perceber diferenças nos tipos de “crimes”. A senhora pode evoluir ainda muito mais, e até ajudar a conquistarmos uma política que traga mais segurança para as ruas, uma política de recuperação dos menores infratores - que é possível e desejável. Como aconteceu recentemente, no Rio de Janeiro, onde uma menor (de 1m80?) infratora, apesar das condições miseráveis de sua retenção, conseguiu estudar e passar no vestibular de Direito. Vale ou não vale a pena, senhora Cora Rónai?

Os efeitos "positivos" da campanha negativa

Mal fiz a postagem sobre o vídeo baixaria contra Hillary Clinton, recebi comentário de Dallas, no Texas, mostrando o endereço de um site oferecendo "Democra-tees" ("Camisetas Democratas"), com a logo de Obama inspirada na maçã da Apple. Obviamente , já tem gente faturando alto com tudo isso. Em tempo: o vídeo da "Big Sister" lidera a lista de vídeos virais. (Confira no Viral Video Chart)

quinta-feira, 22 de março de 2007

França: 2º turno com Sarkozy e Ségolène

A última pesquisa Ipsos (21 de março, 1009 entrevistas por telefone) mostra o fortalecimento das candidaturas de Sarkozy (praticamente garantido) e Ségolène rumo ao 2º turno. Bayrou tem caído. Mas na simulação de 2º, Bayrou ganharia dos outros dois.

A quem interessa o Big Sister?

Cerca de 2.000.000 já viram no YouTube esse vídeo igualando a pré-candidata à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, ao demoníaco personagem "Big Brother", do livro futuro-negrista "1984", de George Orwell. O vídeo na verdade é uma "montagem" sobre um comercial famoso da Apple. A questão é: a quem interessa isso? O autor (que se chamaria Philip de Vellis) já teria confessado que trabalhou para uma firma prestadora de serviços na área digital (Blue State Digital) da campanha do adversário Democrata Barack Obama, mas não trabalha mais e na campanha de Obama todos declaram que não tinham conhecimento do assunto. Pode ser que Hillary Clinton seja a mais prejudicada, pode ser que Obama seja o mais prejudicado. Pode ser que os candidatos democratas, como um todo, sejam os mais prejudicados. Com certeza a maior prejudicada, nesses tempos de YouTube, é a mídia tradicional. Philip de Vellis estará a serviço de quem? (Veja o comercial original da Apple)

Orkut faz bem a jovem

O Orkut virou alvo de tudo que é baixaria. Mais que alvo, aliás, virou fonte das baixarias. A última notícia vem de Minas e Pernambuco, onde "fofocas e fotos não autorizadas levaram a Justiça a intervir no site de relacionamento (que foi) bloqueado na cidade de Canhotinho, no agreste pernambucano, por causa da exposição de imagens de adolescentes moradoras da cidade. Em Minas, uma ordem judicial determinou a retirada do ar da comunidade Fofocas de Jacutinga, que alterou a rotina da cidade", segundo o Plantão Globo. Esse parece ser o dia-a-dia do Orkut, que conta também com ponto de venda de drogas... assédio sexual.. pedofilia... e outros produtos desse nível. Mas o Orkut, acreditem, acaba de ganhar uma tese a seu favor. Dois dias atrás, em encontro com pais de alunos de uma escola tradicionalíssima e bem rigorosa do Rio de Janeiro, o Coordenador da escola apresentou o que seria "uma tese a ser confirmada": graças ao Orkut os alunos tornaram-se mais comportados nas salas de aula. E explica: os alunos transferiram a maior parte da agressividade que têm contra professores e inspetores para o Orkut. O Coordenador revelou que ele próprio deve estar sendo atingido por vária comunidades - "o que é muito desagradável", acrescentou.

terça-feira, 20 de março de 2007

Rasmussen Report: Hillary cai, Obama sobe

Na pesquisa do Rasmussen divulgada ontem, feita entre eleitores do Partido Democrata americano, o pré-candidato a Presidente Barack Obama alcançou seu índice mais alto, 30%, e a diferença para Hillary Clinton caiu de 12% para 5%.

Bush, 4 anos de uma grande farsa

Vejam com atenção a fala e os gestos estudados de Bush anunciando a invasão do Iraque. Vejam a tranqüilidade com que ele mente sobre as armas de destruição em massa que estariam em poder de Saddam Hussein. Ele diz que mandou as tropas para “desarmar o Iraque, libertar seu povo e defender o mundo de um grande perigo”. Ele garante também todo o cuidado para proteger os civis. Passados 4 anos, 3.218 soldados americanos mortos, 258 soldados da coalizão mortos (até o dia 17, segundo o Iraq Coalition Casualties) , cerca de 65.000 civis mortos (segundo o Iraq Body Count, ou até 600.000, segundo outras organizações) e a comprovação de que as armas de destruição em massa eram apenas uma desculpa, sobra apenas o retrato de uma grande farsa.

segunda-feira, 19 de março de 2007

PróVida, o ProUni da segurança e da ação social

Hoje recebi telefonema feliz de Zaqueu Teixeira, ex-Chefe de Polícia do Estado do Rio de Janeiro, no governo petista de Benedita da Silva. Ele ficou famoso por ter prendido Elias Maluco, o assassino de Tim Lopes, sem dar um tiro. E é aí que está a marca da sua atuação policial, a inteligência contra a violência. Zaqueu está embarcando para Brasília nesta quarta-feira, onde será assessor especial do Ministro Tarso Genro. Sua responsabilidade será o projeto PróVida, nome provisório para uma série de ações preventivas junto aos jovens em "situação de risco". O projeto envolverá vários ministérios e atuará sócio-educativamente, seria como um "ProUni", como Zaqueu explica. Zaqueu Teixeira é um bom exemplo e uma boa escolha de Tarso Genro.

domingo, 18 de março de 2007

O caldeirão de letrinhas da coalizão de Chávez começou a entornar

Chávez não quer mais governar com uma coalizão. Quer transformar os 24 partidos que o apóiam em um só, o Partido Socialista Unidos da Venezuela (PSUV), mas três partidos importantes estão resistindo, o Podemos, o PPT (Patria Para Todos) e o PCV (Partido Comunista da Venezuela). Juntos, eles tiveram 1.499.514 votos dos 7.309.080 votos que foram dados a Chávez (ver mais detalhes aqui mesmo no Blog: "Chávez: contra a "sopa de letrinhas", a receita da coalizão de partido único..."). Cerca de 20,51% dos votos da coalizão. Mesmo assim, no programa deste domingo, Chávez declarou que é melhor que eles saiam. Como amigos... Leia também reportagem de Clodovaldo Hernández, para El País.

Ségolène Royal recupera terreno na disputa francesa

Nicolas Sarkozy continua liderando a preferência dos eleitores para as eleições francesas do próximo dia 22 de abril (1º turno). E Ségolène recuperou alguns pontos que tinha perdido para François Bayrou na disputa pelo segundo lugar, o que garante participar do 2º turno. Segundo pesquisa Ipsos (1252 entrevistas por telefone nos dias 15, 16 e 17 de março, com margem de erro entre 4% e 5% nos principais candidatos e entre 1% e 2% nos outros), Sarkozy está com 29.5% das intenções de voto, Ségolène passou de 25% para 26% e Bayrou passou de 22% para 21%. Segundo pesquisa do CSA (905 entrevistas por telefone, no dia 14 de março), Sarkozy tem 27% (tinha 26%), Ségolène passou de 25% para 26% e Bayrou de 24% para 21%.
É interessante notar que o Ipsos divulga as margens de erro diferenciadas para os candidatos, ao contrário da maluquice que o Jornal Nacional costuma fazer nas divulgações de pesquisas.

Cesar Maia é do "casseta"!

Já li algumas especulações sobre a possível indicação do economista Sergio Besserman Vianna, irmão do Bussunda, para candidato a Prefeito do Rio na sucessão de Cesar Maia. Dificilmente é pra valer. Cesar Maia, sem nome forte, está testando aliados e adversários. Está fazendo humor com a inteligência dos outros. Talvez, mais do que desejar Sergio Besserman para sucedê-lo, Cesar Maia deve estar querendo suceder Bussunda...

sábado, 17 de março de 2007

Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé...

Lula resolveu ouvir Ataulfo Alves, antes de nomear Odílio Balbinotti para Ministro da Agricultura, indicado pelo PMDB. Realmente, "estar sendo investigado" não significa "culpado", como bem observou o novo Ministro da Justiça, Tarso Genro. Mas qualquer governo tem que se preocupar com a percepção que vai ter junto à população. Nesse sentido, a indicação de Odílio Balbinotti estava bichada e ainda tinha marimbondo no pé... É praticamente certo que Lula vá buscar outra semente para sua nova safra de ministros.

Record dribla a Globo

Além do Pan 2007, a Record foi confirmada nos direitos de transmissão das Olimpíadas 2010 (Jogos de Inverno, Vancouver) e 2012 (Jogos de Verão, Londres). Tudo por US$ 60 milhões, mais de duas vezes o valor pago pela Globo por Pequim 2008. O acordo com o COI (Comitê Olímpico Internacional) inclui a transmissão dos eventos também por TV a cabo, satélite, internet e celulares. Mas o mais surpreendente, foi que essa conquista da Record aparentemente aconteceu em disputa transparente e direta com a Rede Globo. Como foi possível? Pelo gigantismo da Globo. A sua grade de transmissão (cheia de compromissos com a FIFA e a CBF) não tem a flexibilidade exigida pelo COI para transmissão desse porte. Claro que a Globo argumenta que sua proposta foi mais "compatível com a realidade do mercado brasileiro", e pode estar certa. Mas a grande derrota da Globo foi no terreno da sua própria imagem. Como a "toda-poderosa" perde para uma emissora qualquer? Isso abre espaço para novas disputas sem os resultados até agora sempre previsíveis. Leia na Folha (assinantes), reportagem de Eduardo Ohata, Mariana Lajolo e Ricardo Perrone..

sexta-feira, 16 de março de 2007

Este título da reportagem do jornal O Globo estava caindo de maduro

Barack Obama elogia o álcool brasileiro, mas protege o milho americano

Obama / BBC O presidenciável democrata americano Barack Obama disse à BBC que ''o Brasil fez um excelente trabalho em estimular a sua indústria de combustíveis alternativos''. Mas ao mesmo tempo alertou: os Estados Unidos não podem trocar a dependência que têm do petróleo pela dependência do álcool (etanol) brasileiro; o que os Estados Unidos têm que fazer é seguir o exemplo brasileiro e estimular a produção do seu próprio combustível limpo a partir do milho. É bom que se esclareça que Obama é contra reduzir a taxação do álcool brasileiro. Ele é senador pelos Estado de Illinois, um dos maiores produtores de milho e de etanol dos Estados Unidos. Leia mais no site da BBC.

Na inverno mais quente da história, uma imagem impensável de Londres

Este inverno já está sendo apontado como o mais longo no Hemisfério Norte, desde que as temperaturas começaram a ser medidas, em 1880, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos. Por trás disso, estão velhos conhecidos nossos, como "El Niño" e a ação humana provocando o aquecimento global. Uma notícia tão terrível, associada a uma imagem tão linda do entardecer de Londres. Leia mais no site da BBC.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Chávez: contra a "sopa de letrinhas", a receita da coalizão de partido único...

Mal tinha sido encerrada a última eleição e o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela, vitoriosíssimo, chamou os partidos que compunham a sua coligação, uma mistura de 24 siglas, e pediu que se dissolvessem. Queria acabar com essa "sopa de letras" e deu um prazo de 9 meses para que eles criassem o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). "Quem não quiser me acompanhar, não tem problema, pode seguir seu caminho - e levar seus ministros também", advertiu Hugo Chávez. Foi aí que começaram os problemas. A coligação de Chávez teve 7.309.080 votos (62.84% do eleitorado), divididos pelo seu partido, Movimiento Quinta República (MVR, 4.845.480 votos, 41,66%) e também Podemos (759.826votos, 6,53%), Patria Para Todos (PPT, 597.461 votos, 5,13%), Partido Comunista da Venezuela (PCV, 342.227, 2,94%), MEP (94.706 votos, 0,81%), Migato (88.307, 0,75%), Unidad Popular Venezolana (UPV, 79.929, 0,68%), Clase Media Revolucionaria (69.264 votos 0,59%), Tupamaro (69.239 votos 0,59%), LS (58.330 votos 0,5%), MDD (41.357 votos, 0,35%), Gente Emergente (30.154 votos, 0,25%), Unión (29.614 votos, 0,25%), MCM (29.428 votos, 0,25%), PROVEN ( 27.427 votos, 0,23%) , Unidad Patriótica Comunitaria (UPC, 22.473 votos, 0,19%), Movimiento de Concentración Gente Nueva (MCGN, 21.876 votos, 0,18%), FACOBA (19.643 votos, 0,16%), Independientes por la Comunidad Nacional (IPC, 18.165 votos, 0,15%), O.N.D.A. (16.046 votos, 0,13%), Movimiento Nacional Independiente (MNI, 13.539 votos, 0,11%), Poder Laboral (12.612 votos, 0,1%), CRV (11.444 votos, 0,09%) e REDES (9.233 votos, 0,07%). A Unidad Popular Venezolana, UPV, com apenas 0,68% dos votos, pulou na frente e aderiu à idéia. Mas outros partidos não estão concordando, com o PCV, criado em 1931, o mais antigo da Venezuela, que é marxista-leninista e quer se manter assim. O Podemos e o PPT, estruturados em toda a Venezuela, também resistem. Aqueles que são acima de tudo chaviztas fazem suas ameaças, alertando contra deslealdades e deixando claro: "Não há meio-termo: com Chávez, tudo; sem Chávez, nada". Ler também reportagem em El País.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Enquanto Bush namorava em Mérida, o Iraque...

Bush chegou ao fim do seu périplo latino americano, sem ganhar nada e oferecendo muito menos. Sua última parada foi para encontrar o Presidente Calderón, do país vizinho e muy amigo, México, na simpática cidade de Mérida (com uma pracinha com "bancos de namorar"), a menos de 800 km de Havana, Cuba. Enquanto Bush faz absolutamente nada, poderia ler as estatísticas vindas do Iraque. Nesses 5 dias de viagem de Bush, morreram 8 soldados americanos (segundo o Iraq Coalition Casualties) e entre 615 e 644 civis (segundo o Iraq Body Count). Só para concluir, foi Bush quem iniciou esse processo de matança.

terça-feira, 13 de março de 2007

Garotinho não sabe traduzir a palavra trair

Garotinho e Rosinha, casal de ex-Governadores do Rio, do PMDB, disseram, segundo o jornal Extra de hoje, que foram traídos por Picciani (Presidente da Assembléia Legislativa do Rio) e Pezão (ex-Prefeito de Piraí e atual Vice-Governador do Rio, pelo PMDB). É como eles estão se sentindo, claro, por não terem tido apoio dos dois para que Garotinho ocupasse lugar na executiva do PMDB como representante do Rio, na disputa que houve no último domingo. Mas gostaria de pensar com eles o que isso significa. Traídos por Picciani? Impossível. Isso significaria confiança mútua anterior e duvido que em algum momento isso tenha ocorrido. Do mesmo modo que duvido que algum dia tenha havido confiança mútua entre Garotinho e Sérgio Cabral. Onde não há confiança, não há expectativa de não-traição. Traídos pelo Pezão? Isso seria uma possibilidade, já que sempre houve confiança mútua. Mas duvido que alguém tenha sido mais amigo, mais fiel e mais agradecido ao Garotinho do que o Pezão. Sempre fez questão de realçar o apoio que recebeu dos ex-Governadores na época em que era Prefeito e sempre teve admiração por eles. Mas Pezão tinha (e tem) vôo próprio. Ele não entrou na chapa majoritária do PMDB apenas pelo apoio de Garotinho. Sérgio Cabral, que já o conhecia há muitos anos, viu nele uma grande liderança para o Interior e uma cabeça moderna e dinâmica para dividir responsabilidades. Ele não era dependente de Garotinho. Tem sua própria visão de como trabalhar pelo Estado e tomou o seu caminho, com todo respeito e carinho. Onde há confiança mútua, não pode haver dependência nem submissão. Pezão, na minha concepção, não se submeteu nem traiu. Apenas seguiu caminho diferente. Se o caso ocorresse com o Deputado Federal Pudim (PMDB), extremamente amigo de Garotinho e Rosinha, a questão seria diferente. Não diria que Pudim seja submisso a Garotinho. Mas é dependente. Elegeu-se exclusivamente por causa do apoio de Garotinho, que empenhou-se de corpo e alma em sua vitória, conquistando muitos inimigos por causa disso. Se Pudim discordasse de Garotinho no último domingo, aí seria mais sério. Ele não seria apenas um traidor - seria um verdadeiro Brutus.

O noticiário da reforma mostra que a imprensa está mais perdida do que "bala perdida"

Uma coisa é certa: Lula driblou a imprensa na questão da reforma ministerial. Faz meses que a mídia dá grande destaque a tudo que se refere ao tema, sempre com informações desencontradas. Vejamos alguns jornais de hoje. A Folha diz que Lula disse ao PT que "não tem pressa". O Globo, ao contrário, diz que Lula deu "ultimato ao PT". O Estadão diz que "Lula começa reformas, mas esbarra no PT". Ao contrário, Zero Hora diz "Lula convence PT a ceder mais espaço no governo". Todo estão com algumas informações certas, mas estão equivocados na visão geral. Discutem se Lula é contra ou a favor do PT, se cedeu ou não cedeu ao Campo Majoritário, se traiu ou não traiu Jobim e esquecem o principal: a reforma ministerial já foi feita. Ela mostra a cara de um governo de centro-esquerda, com uma grande coalizão que tem no PT e no PMDB seus principais partidos e que conta com ampla maioria no Congresso. Foi realizado o que foi anunciado desde as eleições, a tão falada "concertación", a que este Blog se referiu inúmeras vezes. Há detalhes que envolvem 2010 (Marta, por exemplo), mas que já estão em fase de superação. Já está na hora de parar com esse tiroteio de notícias alucinadas.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Notícias surpreendentes

Alguém explique, por favor. Primeiro, o Plantão Globo publicou, às 21:54h, esta notícia:
"Casal é baleado em tentativa de assalto na Linha Amarela. Um casal foi baleado há pouco numa tentativa de assalto perto da saída 7 da Linha Amarela, próximo à Avenida dos Democráticos. Eles estavam em seu carro e foram abordados por homens armados que estavam num automóvel Astra de cor branca. Segundo relataram ao policial militar que os socorreu, eles teriam demorado para sair do veículo o que irritou os bandidos que imediatamente fizeram os disparos. Eles foram socorridos por esse policial que estava de folga e viu a ação criminosa, e foram levados para o Hospital Geral de Bonsucesso (HGB). A princípio, o casal foi ferido apenas levemente e não corre risco de morte".
Depois, às 22:40h, publicou esta:
"Casal baleado durante tiroteio não estava na Linha Amarela. Segundo policiais militares o casal ferido há pouco não estava na Linha Amarela e não foi vítima de assalto conforme havia sido informado anteriormente. Ana Maria Rios Cavalheiro Furtado de Mendonça, de 44 anos e Sergio Henrique Oliveira de Souza, também de 44 anos, estavam num ponto de ônibus da Avenida dos Democráticos, próximo à saída 7 da Linha Amarela. O ponto estava cheio de pessoas aguardando condução quando dois automóveis passaram em alta velocidade disparando um contra o outro. O rapaz foi atingido na coxa esquerda e Ana Maria no ombro esquerdo. Ambos estão fora de perigo. Eles não estavam juntos. Os dois moram em Jacarepaguá e foram socorridos no "
Tudo bem, é normal surgirem informações que depois são corrigidas. O que me surpreendeu foi a grande quantidade de detalhes que havia na primeira notícia, falsa.

Garotinho e 2010

Garotinho é do tipo ame-o ou deixe-o. Amado pelo povão do Rio, detestado pela classe média. Teve época em que o achei um idealista, mas o tempo conferiu-lhe uma imagem negativa. Ambicioso, quer a qualquer preço ser Presidente da República. Tem todo o direito a isso. Mas a forma que usa nessa busca insaciável acaba tornando isso um sonho cada vez mais distante. Ontem, ao apoiar Lula (apesar de ter se mostrado ultimamente um inimigo fervoroso), ele buscava sair do isolamento político e cacifar-se para ser o candidato do partido para 2010. Poderia até ter dado certo, se o partido fosse outro e se o Garotinho fosse outro. O PMDB ainda não está lutando pra valer para ter Presidente da República. Os diversos grupos do partido ainda preferem ficar sem Presidente a ter que admitir que outro grupo se sobressaia. Ganham mais como está. Garotinho sabe disso, mas insiste. E insiste demais, tentando chegar lá sem olhar por onde passa. Acaba criando mais adversários do que parceiros. Ontem, ele poderia ter saído como candidato garantido. Mas pode apenas ter acelerado a saída do partido.

domingo, 11 de março de 2007

Discurso de Garotinho na Convenção do PMDB é igual o sertão virar mar e o mar virar sertão

Quem não está antenado surpreende-se a cada segundo com as direções que nossos políticos tomam. A mais surpreendente das declarações na Convenção do PMDB foi feita pelo ex-Governador Garotinho, presidente do PMDB do Rio de Janeiro e tido até hoje como um dos mais ferrenhos adversários de Lula: "Em todos os momentos em que a direita se organizar, em que o PFL e o PSDB tentarem armar contra o presidente Lula, o PMDB estará ao seu lado'', disse o ex-Governador que parece ter esquecido que em outubro, quando a direita se organizou e o PFL e o PSDB armaram contra o Presidente Lula, ele estava ao lado deles. Será que ele não se considera PMDB? A Folha OnLine ainda escreve que, segundo Garotinho, "aqueles que fazem o jogo dúbio não terão mais espaço no PMDB". Outra declaração empolgante foi a de Michel Temer (Plantão Globo), que "defendeu o lançamento de um candidato da legenda para disputar o Palácio do Planalto em 2010, com apoio da coalizão política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva". Nesse caso, não há com que se preocupar - é pura empolgação mesmo.

Web Bin Laden

A Al Qaeda parece que ficou mais inteligente do que Bush. Em vez de ficar ceifando vidas por aí, eles pretendiam tirar a Grã-Bretanha da... internet! É isso que nos diz o Plantão Globo: "A rede terrorista Al Qaeda pretendia tirar do ar a rede de internet da Grã-Bretanha e provocar um caos na comunicação das empresas presentes no país e na Bolsa de Valores de Londres, afirmou o tablóide dominical The Sunday Times". Ufa! Ainda bem que a Scotland Yard agiu mais rápido. Já pensou ficar sem as fofocas da realeza on-line?

sábado, 10 de março de 2007

Bush e os mortos

Mais um dia de viagem de Bush, mais mortes no Iraque. Ontem, foi mais um soldado americano morto (total de 3.190, desde o início da invasão, segundo o Iraq Coalition Casualties). Entre os civis, as mortes de ontem foram entre 208 e 221 (total de 58.476 a 64.273, segundo o Iraq Body Count). Só para continuar lembrando, foi Bush quem iniciou esse processo de matança.

Encontro de Lula e Bush alcançou o "Ponto L"

Bush não esperava muita coisa de sua visita ao Brasil, porque está muito mais fazendo política anti-Chávez e anti-Mercosul. É verdade que a defesa do etanol e das energias alternativas, renováveis, faz bem ao seu marketing político interno, mas tudo ficava por aí mesmo. Quem se saiu bem nessa história foram o Itamaraty e o Presidente Lula. Tomados de surpresa pela decisão do périplo bushiano, conseguiram tranformar um limão azedo em gostoso caldo de cana. Bush foi surpreendido. Primeiro, por ter tido a política de subsídios americana rotulada de "nefasta", pelo próprio Lula. Foi surpreendido também pela tecnologia brasileira com relação ao álcool, que desconhecia, e teve que reconhecer o desconhecimento geral nos Estados Unidos sobre os carros "flex". Foi surpreendido ainda pela desenvoltura de Lula, que cobrou mais decisão no destravamento da "Rodada de Doha" e ainda disse claramente para Bush parar com essa história de "ajuda" e passasse a investir na América Latina. (Afinal, não somos apenas "repúblicas de bananas"; yes, nós temos bananas, canas, marmelos e todas as condições para trabalharmos uma nova matriz energética.) Mas o que o Brasil ganhou de verdade com a passagem maluca de Bush por essas bandas foi o marketing em dimensão internacional do nosso álcool e a projeção que o país conquistou como interlocutor de respeito. É por isso que podemos dizer que, mais do que alcançar o "Ponto G" (que poderia ser de "George"), o encontrou alcançou o "Ponto L", de Lula.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Hi, Bush; adiós, Bush

Bush não quer muita coisa, não. "Etanol, tudo bem, vamos tratar desse assunto". Mas o que Bush quer de verdade é fazer política, interna e internacional. Internamente, ao mesmo tempo em que se afasta no meio de confusões políticas envolvendo o Iraque e desvio de conduta no caso da deduragem da agente da CIA, procura agradar eleitores de origem hispânica. Em termos de política internacional, tenta correr atrás do prejuízo na imagem aqui na América Latina. Em entrevista na CNN em espanhol, Bush disse: "Trago uma mensagem de esperança, uma mensagem de que cuidamos da condição humana". Alguém acredita nisso, diante da negligência que teve com a América Latina e a ferocidade que usa por toda parte? "O sentimento anti-americano nunca esteve tão forte", declarou Julia Sweig, do Conselho de Relações Internacionais. Bush fala em ajuda à América Latina, mas Dan Restrepo, diretor do Projeto Americas do Centro do Progresso Americano, lembra que os Estados Unidos vão gastar mais com o Iraque nos seis dias de sua viagem do que ele propôs investir no hemisfério (Sul) inteiro, no próximo ano fiscal". O que Bush está conseguindo acima de tudo é promover Hugo Chávez. O périplo simultâneo dos dois favorece uma comparação mais direta - e Chávez dispara na frente. Aqui no Brasil, apesar da cordialidade com que está sendo tratado, Lula conseguiu encaixar a palavra "nefasto" no seu discurso de ontem. Talvez tivesse sido melhor para Bush ter ficado erm casa. Leia mais no Washington Post.

Bush no Brasil; no Iraque, morreram 4 soldados americanos e cerca de 250 civis

Ontem, este Blog disse que em 24 horas poderiam morrer entre 2 e 3 soltados americanos no Iraque - morreram 4 (Iraq Coalition Casualties). Ontem, o número total de mortes de civis estava calculado entre 58.022 e 63.800 pessoas - hoje está entre 58.268 e 64.052, indicando que em 24 horas morreram entre 246 e 252 civis (Iraq Body Count). Só para lembrar de novo: foi Bush quem iniciou esse processo de matança.

quinta-feira, 8 de março de 2007

A foto do dia, na Folha

Essa foto de Ana Carolina Fernandes, para a Folha, captou bem o espírito da coisa: um Presidente em estado de graça. Está mais feliz do que o Romário vai estar, quando fizer o milésimo gol.

Embolou o meio de campo na eleição francesa

A entrada do candidato Françoi Bayrou na corrida eleitoral francesa criou indefinição total sobre quem irá para o 2º turno na eleição do dia 22 de abril (1º turno). Os resultados das pesquisas de 3 institutos (CSA, BVA e Ipsos), realizadas entre os dias 5 e 7 de março, mostram que qualquer um dos 3 principais (são 14 candidatos, no total) tem chances. O CSA mostra que François Bayrou cresceu muito, de 17% para 24%, tirando votos de Nicolas Sarkozy (caiu de 29% para 26%) e Ségolène Royal (caiu de 29% para 25%). O BVA mostra Sarkozy com 29%, Ségolène com 24% e Bayrou com 21%. O Ipsos mostra Sarkozy com 32,5%, Ségolène com 25% e Bayrou com 19%. Se for para o 2º turno, no dia 6 de maio, Bayrou certamente terá mais chances de ser o vencedor. Leia mais no Le Monde.

1 dia para a chegada de Bush: até lá, de 2 a 3 soldados americanos poderão morrer no Iraque

A média de soldados americanos mortos este ano está em 2,83 por dia, segundo o Iraq Coalition Casualties. A morte total de civis está entre 58.022 e 63.800 (até ontem, segundo o Iraq Body Count). Só para lembrar: quem iniciou todo esse processo de matança foi Bush.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Marta deve aceitar o Turismo?

Em política não existe "fazer beicinho" ou "trocar de mal". Ou você fica feliz ou fica indignado. A graduação infinita de sentimentos pessoais que vai de um pólo ao outro não deve transparecer na política. (Isso não pode ser confundido com o xiitismo, que vive em um mundo preto e branco, em oposição ao mundo coloridíssimo do oportunismo, onde tudo é possível.) Marta e o PT paulista devem estar indignados com Lula. Mas ele conduziram as coisas para chegar a esse ponto. Agora só restam duas opções: ou rompem com o Governo (pouco provável), ou dão a volta por cima, transformando um turismo tipo "bye bye, Brazil" em cruzeiro de alto luxo. Há ainda a opção de Marta ir para um lado e o PT paulista para outro, o que não deixa de ser um complicador para o futuro. Está na hora da própria Marta demonstrar sabedoria política.

Bush perde para Chávez entre brasileiros

A BBC divulgou nessa terça-feira pesquisa que encomendou à GlobeScan sobre a imagem dos Estados Unidos na América Latina. O Brasil, junto com o Chile, "está entre os países latino-americanos pesquisados em que os Estados Unidos tiveram maior índice de avaliação positiva". Ainda assim, a visão geral sobre os Estados Unidos é mais negativa que positiva. "Quase três em cada cinco brasileiros (57%) entrevistados em oito cidades disseram ter uma visão negativa do país liderado pelo presidente George W. Bush, contra dois em cada cinco (41%) que disseram ter a mesma percepção do país liderado por Hugo Chávez. Leia reportagem completa da BBC.

terça-feira, 6 de março de 2007

Renúncia de Jobim: com certeza ele leu este Blog...

Nelson Jobim descobriu, pelo modo mais duro, que o PMDB não é um partido que ele conheça - muito menos que domine. Tentou fazer uma campanha de grandes estrelas, esqueceu do feijão com arroz peemedebista. Achou também que a força de Lula seria definitiva, garantiria sua vitória e que o Governo não teria diálogo com o grupo de Michel Temer, e acabou desgostoso, teve que abandonar a disputa pela presidência do partido. Era ilusão colegial. O Governo Lula buscaria apoio de Temer, mesmo que ele perdesse. Não tinha como ser diferente. Lula deu todo o apoio a Nelson Jobim, mas não poderia deixar de estender a mão para Temer, importantíssimo na condução do Governo neste segundo mandato. A reforma já estava feita e tudo dependia da forma de anunciá-la - e o Governo trabalhou bem esse aspecto, coisa que o PT paulista não percebeu. O PT poderia ser o grande vitorioso dessa reforma ministerial, mas acabou se enrolando todo e prejudicando (pela forma) a estrela Marta Suplicy. Só resta a todos juntar os cacos e tocar o barco. O PT e Marta ainda têm muito a ganhar. A Nelson Jobim, no momento, cabe a tarefa ingrata de tentar conhecer o próprio partido.

Qual o partido de Nelson Jobim?

No Painel da Folha de hoje, Renata Lo Prete escreve: "7 erros. Deputados se divertem caçando falhas na chapa de Jobim, que desconhece muitos dos parlamentares do PMDB. Além da presença de um deputado do PFL e de outros que não autorizaram o uso do nome, alguém notou: 'Gente, a Elcione Barbalho agora é cantora?'. A mulher de Jader virou 'Alcione'". Isso obviamente faz parte do marketing de Michel Temer, mostrar que Nelson Jobim é um estranho no ninho - e parece que é, mesmo. Mais do que esse elementar "jogo dos 7 erros", Nelson Jobim erra ao acreditar (ou fazer de conta que acredita...) que o PMDB é um partido de grandes aspirações nacionais. O PMDB enterrou isso com Ulysses e a Campanha das Diretas. O PMDB hoje é muito mais o partido das grandes aspirações regionais. O PMDB não quer ter um presidente - quer ter todos. É o partido dos partidos, cada um com seu feudo e fortalecendo-se regionalmente. Quem pensa diferente não é PMDB.

Bush sempre comercializoumentiras - adivinha o que ele traz na bagagem...

Bush fez sua campanha eleitoral dizendo-se um homem de palavra. Mas isso começou a ficar em xeque no próprio resultado eleitoral, com uma vitória cercada de denúncias de fraude. Sua grande mentira foi com a história das armas biológicas de Saddam Hussein, justificativa grosseira para a invasão do Iraque. Só não viu quem não quis: o Congresso americano (incluindo Hillary Clinton), a ONU, a Grã-Bretanha de Tony Blair, a Austrália, as antigas Espanha e Itália, o Japão e outros países dependentes das mentiras bushianas. Veio a mentira sobre a as armas nucleares norte-coreanas, reveladas recentemente. Muito provavelmente a "ameaça nuclear" do Irã é outra grande mentira, assim como deve ser mentira essa história de Al-Qaeda na fronteira Sul do Brasil. As mentiras dirigidas à América Latina já são antigas. O correspondente do New York Times aqui no Brasil, Larry Rohter, lembra que, "como candidato em 2000, o Sr. Bush prometeu que 'se eleito Presidente, olharei para o Sul, não como algo secundário, mas como um compromisso fundamental'. Mas, logo após o 11 de Setembro, os Estados Unidos relegaram a América Latina a papel secundário (como aconteceu durante a maior parte da guerra fria), dando espaço para o crescimento do Sr. Chávez, da China e, mais recentemente, do Irã". Quando Bush resolve dircursar em espanhol (garantindo mais um quadro de humor para o programa de David Letterman...) e fala do "sueño americano" e diz que a América Latina "tem um amigo", quem pode acreditar em suas palavras? Ao decidir viajar pela América Latina, que mais podemos esperar em sua bagagem, além de mentiras? Podemos ter certeza que o que Bush quer de verdade é não perder esse "resto" que tinha esquecido.

domingo, 4 de março de 2007

Estudo diz que ataques ao Irã poderão contribuir para mais armas nucleares no mundo

Segundo um relatório da Oxford Research Group, entidade de análises independente, "um ataque militar contra o Irã pode fazer com que o país acelere seu programa de armas nucleares". O relatório aponta, em primeiro lugar, a lentidão do Irã no que poderia ser a montagem de estrutura para produção de armas nucleares. Se é verdade que isso existe, poderá "pelo menos 5 anos", estima Frank Barnaby, cientista nuclear e especialistas em armas, responsável pelo relatório. Mas, em caso de um ataque, o governo iraniano poderia "mudar a natureza de seu programa nuclear e rapidamente fabricar algumas armas", conclui o relatório, que se intitula "Would Air Strikes Work?" ("Ataques aéreos dariam certo?"). Antes de ameaças intempestivas, o governo de Bush deve pensar no que realmente se quer para o mundo. Leia reportagem completa da BBC.

Indústria nuclear avança sobre Europa verde

The Christian Science Monitor faz interessante reportagem ("Nuclear industry sees fertile ground in green Europe") sobre a nova estratégia da indústria de usinas nucleares para o mundo, particularmente para a Europa. Tudo porque a Europa está preocupadíssima com os efeitos devastadores do aquecimento global, provocado principalmente pelo uso de fontes de energia não renováveis - leia-se petróleo. Com o argumento de que a energia nuclear não tem os danos do petróleo para o aquecimento global, a indústria nuclear procura conquistar novos clientes. O problema é que a opinião pública está com um pé atrás por causa do lixo atômico.

Cuba responde ao Jornal do Brasil.

O Embaixador cubano Pedro Nuñez Mosquera enviou carta a Augusto Nunes, do Jornal do Brasil, protestando contra as reportagens de Clara Cavour publicadas recentemente sobre a ilha de Fidel. O embaixador diz não estranhar muito, porque os Estado Unidos teriam liberado 86 milhões de dólares para "financiar campanha de mentiras, manipulações e descrédito contra Cuba, principalmente na América Latina". Na carta, lamenta a mudança de postura do Jornal do Brasil com relação a Cuba e aproveita para discorrer sobre as grandes conquistas do Governo Cubano, inclusive o crescimento de 12,5% no PIB, o maior da América Latina. Leia íntegra publicada no Granma.

Tudo igual na França

A nova pesquisa CSA para intenções de votos para eleição presidencial francesa, realizada dia 28 de fevereiro, com 871 eleitores, com margem de erro provavelmente na faixa dos 3%, não mostra variações sobre a pesquisa feita 8 dias antes. Os candidatos Segolène Royal, Bayrou e Le Pen continuam rigorosamente com os mesmo índices, 29%, 17% e 14%. Sarkozy passou de 28% para 29%. Os outros 10 nomes da lista de presidenciáveis não têm índices significativos. Em um possível 2º turno, com 70% de votos válidos, Sarkozy passou de 52% para 51% e Ségolène de 48% para 49%. Falta pouco mais de um mês para o 1º turno (22 de abril) e a indefinição continua total.

O UNIVERSO É BELO

Saturno, visto da espaçonave Cassini/NASA e Eclipse total da Lua?O Globo A beleza dessas imagens de Saturno e do eclipse da Lua por alguns momentos faz a gente esquecer certas imagens do dia-a-dia. Fotos feitas pelo Cassini (Nasa) e Globo/Reuters.

sábado, 3 de março de 2007

Marta e Jobim, o que será deles?

Já disse aqui, há pouco mais de 3 semanas, que a reforma ministerial já está feita. E está mesmo, faltam alguns detalhes. Há uma dúvida sobre o futuro de Nelson Jobim pós-vitória-praticamente-certa de Michel Temer - o que não quer dizer que ele vá ser Ministro. E principalmente sobre o que é melhor para Marta Suplicy, ser ou não ser Ministra. Hoje, o melhor (ou menos pior) para todos, inclusive ela, por enquanto, talvez seja ficar fora do governo. Se ela assumir uma pasta forte, significaria que o Governo Lula estaria desde já se curvando a seu n ome para 2010 - o que seria prejudicial. Ficar em pasta fraca ou ficar de fora também não é bom, nem pra ela nem para o Governo, que estaria queimando nomes para sua lista de presidenciáveis. A questão, como vemos, não é tanto o PMDB de Michel Temer ou o PMDB de Renan-Sarney - problema de verdade é determinar a cara que o Gioverno vai ter daqui pra frente.

sexta-feira, 2 de março de 2007

O DIA CAIU NO REAL

O jornal O Dia abre sua edição de hoje anunciando a redução do seu preço de banca de R$ 1,50 para R$ 1,00. Logo na capa dá sua explicação. Começa atacando o velho capitalismo, passa a mão na cabeça do capitalismo moderno e conclui que "este 2 de março marca para o Grupo O Dia de Comunicação o seu definitivo ingresso neste conjunto de companhias que produzem a baixo custo, asseguram a empregabilidade de seus funcionários e tornam de fácil alcance para a sociedade o que produzimos em nossas rotativas, rádio e mídia eletrônica". Falando claro, O Dia está tendo que se adaptar aos novos tempos, onde as novas tecnologias estão inviabilizando os formatos tradicionais das empresas de comunicação. No início de fevereiro, por exemplo, o jornal The New York Times reconheceu perdas de 814,4 milhões de dólares na empresa (em função principalmente de outros jornais do Grupo, o Boston Globe e o Worchester Telegram & Gazette) e acusou a política de comercialização publicitária e a migração de leitores para a Internet. Também em fevereiro a BBC Brasil divulgou reportagem em vídeo sobre a distribuição gratuita de jornais nas ruas de Londres ("Jornais gratuitos invadem ruas de Londres"). Tudo isso serve para deixar bem evidente, em todas as linhas (ou sons, ou frames, ou pixels), que o mundo da comunicação já começou uma revolução extraordinária que está nos lançando - perdão pelas palavras - a um admirável mundo novo (vislumbrado muito mais por McLuhan do que por Huxley). Joost, I-phone, YouTube, YouChoose, é isso que está forçando jornais como O Dia a se reformularem. Que O Dia e todos os que são cristãos novos sejam bem-vindos ao mundo real.

quinta-feira, 1 de março de 2007

O Tolerância Zero de Cesar Maia

No seu Ex-Blog de hoje o Prefeito Cesar Maia trata de um assunto em que se tornou teórico respeitável, a segurança. Muito bom o seu pensamento sobre a relação entre violência e percepção de violência, que reproduzo mais abaixo. Eu mesmo, em algumas pesquisas sobre violência, cheguei a conclusões próximas. Tenho dúvidas sobre a eficácia (embora ache que pode dar certo) da proposta final de Cesar Maia inspirada no programa Tolerância Zero que Rudolph Giuliani aplicou com rigor e aparente sucesso em Nova York (o Tolerância Zero, por sua vez, teve inspiração na teoria das "janelas quebradas", de Wilson e Kelling). Devemos considerar que não é tão simples a transposição. Em Nova York foram necessários muitos anos para se obter resultado. Há também acusações de desrespeito aos direitos humanos e de que o Tolerância Zero serviria para acobertar discriminação étnica. Vale a pena esse depoimento que está no site Scielo, sobre Horizontes Antropólogicos: "O dono de um serviço de entrega de maconha a domícilio explicou a reação ao intensificado policiamento da era Giuliani: 'Não estamos contratando pessoas de cor porque, basicamente, se alguém é negro em Nova Iorque, pelo menos uma vez por semana ele será barrado pela polícia. Não gosto do Giuliani, e é uma coisa totalmente diferente ser uma pessoa de cor em Nova Iorque agora; pois sabe-se, com certeza, que vai ter complicação com a polícia, vai ser revistado, e simplesmente é assim que as coisas são. Infelizmente, tenho que tocar meus negócios. Isso significa que tenho que contratar garotos brancos e com a ficha limpa. Quero dizer, gosto de contratar jovens brancos com aparência de estudantes. Sei que é covardia (não contratar pessoas de cor), mas tem-se que ser realista, estamos no negócio para pagar as contas, entende?' Após adotar este critério, seu serviço de entrega a domicílio operou por anos sem sofrer nenhuma prisão". Vamos ao texto de Cesar Maia:
VIOLÊNCIA, PERCEPÇÃO DE VIOLÊNCIA E TAXA DE PÂNICO! 01. Uns meses atrás este ex-blog publicou o resultado de um trabalho realizado pela Fundação Konrad Adenauer na Venezuela, em 1990, que culminava com uma equação onde constava a capacidade da polícia, os valores dos jovens em relação ao delito, o ambiente urbano e a percepção que a população tem da violência que a circunda. Quando esta percepção exacerba, afeta a taxa de pânico, o que torna o quadro geral ainda mais complexo. 02. Sabe-se que há uma relação mais que proporcional entre violência e percepção de violência quando aquela aumenta. Ou seja: a percepção aumenta a taxas maiores que a criminalidade quando esta cresce. 03. Em 2006 fez-se uma ampla pesquisa de vitimização na cidade do Rio de Janeiro, que mostrou que a percepção do carioca sobre os riscos que corre em relação à violência é menor que os das cidades de S. Paulo e Belo Horizonte, testados em pesquisas similares. A pesquisa pela sua amplitude demonstra que não se trata de -"se estar acostumado à violência"- mas de dados objetivos de quantas vezes no último ano, nos últimos dois anos, na vida toda, se teve experiência direta ou próxima de violência. Os números do Rio são suficientemente menores para se garantir que a percepção de violência é menor que em BH e SP, apesar de toda a concentração do noticiário no Rio pela condição de centro audiovisual do Brasil e pelo imaginário externo que só localiza o Rio no Brasil. 04. Anos e anos de pesquisas no Rio-Capital, mostram que a população marca a segurança pública -de longe- como o maior problema da cidade. Mas quando se pergunta qual o maior problema de seu bairro, a segurança passa para segundo. E continua caindo quando se pergunta sobre o maior problema de sua rua e de sua família quando vai para sexto ou sétimo lugar. Claro. Todos os dias se têm notícia de um delito -mais ou menos, grave. Mas isso não ocorreu em seu bairro, rua ou com sua família e amigos, necessariamente. Quando há um fato trágico e o noticiário cobre em forma de campanha, a resposta sobre o maior problema da cidade ganha proporções ainda maiores, mas curiosamente não afeta tanto a rua e a família. 05. Os fatos amplamente divulgados são mortes violentas. Essas têm uma lógica, uma freqüência e uma concentração espacial (proximidade de bocas de fumo), que não são percebidas como risco iminente. Para se entender. Quando você anda na rua, pode andar assustado segurando sua bolsa ou sua carteira ou embrulho ou celular. Você não acha que alguém vai passar com uma pistola e lhe dar um tiro. Essa é a diferença que explica porque fatos de extrema gravidade afetam a percepção sobre a cidade, mas não necessariamente sobre a própria pessoa. 06. Por isso tudo -se há intenção de entender bem a percepção da violência- deve-se sair da estatística de homicídios e ir a de furtos e roubos, acompanhá-la e compará-la. 07. Vejamos os dados oficiais das cidades do Rio e de SP para o quarto e ultimo trimestre de 2006. O Rio teve 20.550 furtos anotados. SP teve 53.296. Rio teve 21.949 roubos e SP 34.277. Se calcularmos por 100 mil habitantes seriam 328 furtos no Rio e 468 em SP. E 350 roubos no Rio e 301 em SP. No Rio a quantidade de furtos se iguala a roubos: em torno de 21 mil naquele trimestre. Em SP supera em muito: 53 mil contra 34 mil. Esses números têm que ser multiplicados por 4 para se projetar para o ano todo. Ou seja, uns 170 mil roubos e furtos no Rio e uns 350 mil em SP. Ou seja, uns 30 por hora (dia de 16 horas), no Rio e 60 em SP. A cada um deles multiplique-se pelas pessoas envolvidas - ida à delegacia, comentário com amigos e parentes...E leve-se em conta que a concentração dos mesmos se dá em áreas onde valha a pena furtar e roubar, o que multiplica o efeito percepção naquelas áreas, e explica as razões de que são os de maior renda que tem percepção maior de violência. 08. Rio teve 655 homicídios no último trimestre de 2006. SP, 466. A diferença é grande: são 10,5 por 100 mil no Rio e 4,1 em SP. Mas o impacto sobre a percepção basicamente se dá via mídia e é amortecido pela experiência. Quando se pergunta porque o Rio continua disparado liderando o turismo interno e externo, etc... a resposta é essa. O conselho que recebem dos amigos é não andar com jóias, não levar muito dinheiro, etc... Não é andar com colete a prova de balas. Carros blindados só na cobertura da sociedade. E nesse sentido a população não distingue de outras grandes cidades. E no caso de SP e BH, até o faz favoravelmente como vimos. 09. Se os governos dedicassem uma atenção maior aos pequenos delitos e a furtos e roubos estariam afetando a percepção da população e com isso ganhando tempo e legitimidade para enfrentar o crime organizado, cuja resposta virá em prazos maiores.

A manchete de hoje do Jornal do Brasil é vergonhosa

O Senado decidiu ontem adiar por 45 dias a votação sobre a proposta de redução da maioridade penal de 16 anos para 18 anos de idade. Pessoalmente acho uma atitude correta. É uma questão muita delicada, que merece boa discussão e que não pode ser decidida afoitadamente, sob o efeito de fortes emoções. É claro que isso não pode significar (como bem se preocupa o Jornal do Brasil) em lançar para o limbo decisões importantes na área de segurança que precisam de certa urgência. Até aí, acho que há um a acordo geral. O que não pode é um veículo de comunicação com a responsabilidade e a tradição do Jornal do Brasil utilizar recursos da imprensa marrom para vender mais jornal. O título "Até o próximo João Hélio" a rigor não tem nenhuma relação com a questão da redução da maioridade penal. Esse crime bárbaro foi praticado por quatro adultos que tinham um menor na sua companhia. A redução da maioridade penal não contribuiria em nada para evitar esse crime (e nenhum outro, na minha opinião) e a utilização desse recurso "jornalístico" é um a apelação de baixíssimo nível. É preciso mais respeito ao sentimento dilacerado da população. Seja não deixando de tomar decisões importantes que garantam segurança pública, seja não explorando esse sentimento na venda de jornais.

Inteligência americana agora demonstra dúvidas sobre o projeto nuclear norte-coreano

Mais uma vez o serviço de inteligência americano traz uma uma grande dúvida para todos: será que eles são pouco inteligentes ou mal intencionados? Em 2002, o Governo Bush acusou fortemente a Coréia do Norte de estar desenvolvendo armas nucleares a partir do enriquecimento de urânio e plutônio. Os coreanos não negavam o trabalho com plutônio - e acabaram realmente desenvolvendo sua bomba. Mas a inteligência acusava os coreanos de fazerem um trabalho paralelo e secreto com urânio. Foi isso que levou à ruptura entre os dois países. Os americanos cortaram o suprimento de petróleo e os coreanos responderam expulsando os inspetores internacionais e concluindo sua bomba de plutônio. Com a dúvida lançada agora pelos oficiais americanos e com o exemplo das falsas armas biológicas que serviram de pretexto para invadir o Iraque, é o caso de se perguntar se existe alguma verdade nas acusações contra o Irã. O Governo Bush perde completamente a credibilidade. Será que mentir descaradamente é sua grande arma secreta? Leia mais no New York Times.