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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sem mensalão, sem recessão e sem apagão, Oposição apela para o cartão

Às vezes sinto uma espécie de pena desses combativos militantes da Oposição. Eles não conseguem emplacar nada na vida. O mensalão, o grande momento que eles viveram, não pôde se transformar em vitória eleitoral. Pior: contribuiu para desgastar as CPIs e a imagem de todos os políticos - inclusive os que militam em suas hostes. Passaram a apostar em um baixo crescimento econômico do país, pediram ALCA, berraram para que o Brasil deixasse de ser BRIC, mobilizaram toda a imprensa contra a política econômica vigente - e o Brasil acabou transformando-se em exemplo para o mundo. Depois lançaram seus holofotes sobre o atraso nas chuvas e juraram que estávamos prestes a viver um apagão, nos moldes daquele patrocinado pelo Governo Fernando Henrique. As ações preventivas do Governo garantiram tranqüilidade durante a seca e a chegada da chuva funcionou literalmente como uma ducha de água fria nas pretensões oposicionistas. Quando tudo já tinha ido por águas abaixo, surgiram as compras malucas do cartão corporativo do Governo. Era o copo d'água que a Oposição esperava para fazer sua tempestade. Mas foram com tanta sede ao pote que não perceberam que o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Ao mesmo tempo em que o Governo agia com rapidez e transparência, foram surgindo comparações que mostram o telhado de vidro da Oposição. No Governo Fernando Henrique, por exemplo, não havia a mínima transparência sobre o uso do cartão corporativo e o abuso poderá ter sido imenso. No Governo de São Paulo, tucano, descobriu-se que no ano passado o uso do cartão corporativo alcançou um valor cerca de 50% superior ao da União! Pior: quase a metade foi em saque, o que dificulta a transparência do uso. Apesar disso, a Oposição ainda sonha em obter dividendos de uma CPI do Cartão. Mas acho que ela vai acabar recebendo cartão vermelho...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

De olho nas pesquisas: Sensus, Ibope e Datafolha rigorosamente iguais

A mídia e a oposição estão querendo transformar a nova pesquisa CNI/Ibope em uma vitória do apagão aéreo e uma derrota do Governo Lula. E isso se baseia principalmente na comparação das pesquisas do Ibope de dezembro de 2006 e abril de 2007, quando a avaliação positiva do Governo caiu de 57% para 49%. Apesar de registrar que a série histórica da CNT/Sensus divulgada ontem não inclui dezembro de 2006, a mídia de certo modo desacredita essa pesquisa que mostraria crescimento da avaliação de agosto de 2006 para cá. Mas a verdade é que comparando os resultados Sensus, Ibope e Datafolha de agosto de 2006 com março/abril de 2007 eles são rigorosamente iguais: mostram o crescimento da aprovação do Governo. A questão toda está no mês de dezembro de 2006 que o Sensus não avaliou e que o Ibope coloca lá em cima (57%) e, comparando com a pesquisa de agora (49%), mostra queda na aprovação. Primeiro temos que considerar que o momento (novembro/dezembro de 2007) era muito especial, repercutindo a vitória estrondosa de Lula e a expectativa super positiva natural dessa época. Seria natural também a queda nos primeiros meses de governo ("expectativa" e "satisfação" costumam se desenvolver em ordem inversa). Segundo, se considerarmos os números do Datafolha em dezembro de 2006 (52%) e compararmos com seus números em março de 2007 (48%), concluiremos que a queda foi menor do que o esperável. Mídia e oposição buscam de qualquer maneira uma brecha na avaliação do Governo Lula. Vão ter que buscar muito mais...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

De olho na pesquisa

Essa nova Pesquisa Sensus não trouxe surpresas. A não ser, talvez, para quem não viu o país nos últimos meses, ou não quis ver. Lula teve uma reeleição com votação fabulosa. Conseguiu montar um segundo mandato com uma coalizão de ampla maioria no Congresso. Os números da economia são extremamente favoráveis, com controle da inflação, queda dos juros, crescimento do PIB, mais empregos, aumento do salário mínimo, etc. Há outros fatores favoráveis, como o cenário mundial, a visita de Bush, o biocombustível, o papel de liderança regional do país, a boa inserção de Lula nos meios políticos internacionais. Nem mesmo o fato de a aprovação do Governo ter atingido (49,5%) seu ponto mais alto desde agosto de 2003 pode ser considerado surpresa. Pode ser que haja espanto com uma aprovação tão alta, já que as pessoas, na maioria, nem ouviram falar (só 32,2% ouviram falar) do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, marca do segundo mandato. Vamos analisar em termos de percepção: assim como o Bolsa-Família está mais associado a "povão" e "Nordeste", o PAC está mais associado a "empresariado", "classe média", "Sul-Sudeste". É algo novo, ainda não claramente percebido e desnecessário para a maioria que está aprovando Lula. E o "apagão aéreo", será que não influenciou negativamente? Para desespero da oposição, não. Não dá para comparar (embora tenham tentado) com o "apagão real", na energia elétrica, de Fernando Henrique. A massa ouviu falar do problema aéreo (82%), mas não sentiu na pele, como aconteceu no Governo anterior. As dificuldades de transporte da maioria estão na terra, nas estradas, nas rodoviárias. Isso vem de longos anos e não entrou na pesquisa. Somente 25,8% culparam o Governo Lula pela crise aérea.O Deputado Rodrigo Maia (Dem, ex-PFL) bem que tenta juntar esses 25,8% com os 15,1% que culparam os controladores mais os 9,9% que culparam a Aeronáutica mais os 9,3% que culparam a Infraero (o que daria 60,1%...) e dizer que é uma coisa só. Mas se ele conversar com o pai - que sabe de verdade que as coisas não são bem assim -, vai descobrir que as percepções são diferentes, não dá para botar tudo no mesmo saco, a não ser para tentar fazer política com apoio da mídia. Aliás, o próprio Cesar Maia, em seu Ex-Blog de hoje, já reduz para 45% (colocando os "controladores" como uma percepção à parte de "governo Lula"). Claro que é papel da oposição tentar ver o lado pior do Governo para mostrar que pode fazer melhor. Mas a oposição vai ter que fazer muito melhor do que o que está fazendo. Talvez deva seguir o exemplo de Serra que está escondido, calado, procurando fazer com que tudo passe em brancas nuvens... Ler também a coluna de Tereza Cruvinel, hoje no Globo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Controladores de vôo: o recuo que deu certo

Parece que o vai-vem da crise aérea está chegando ao fim. Aliás, mais do que o fim da crise, vislumbra-se o fim de de toda uma política equivocada para o controle do tráfego aéreo imposta na ditadura. Claro que ainda poderemos testemunhar alguns vai-vens, mas o problema central foi localizado e as medidas certas podem ser tomadas. Como disse um amigo com algum trânsito em círculos militares, "o erro dessa crise começou com o comando militar; era dever dele - e não do Ministério da Defesa - resolver essa pendenga com os sargentos. Os comandantes militares largaram na mão do Lula um abacaxi que era deles". Segundo avaliação de meu amigo, o Lula teve que tomar uma decisão que quebrava a hierarquia militar e que caiu como um presente no colo de toda a oposição, desde a direita radical até a mídia conservadora (sempre golpista). Lula teve que recuar. Mas, no final, o conjunto de suas decisões acabou dando certo. Permitiu que caísse a ficha para os militares, tanto os comandantes quanto os insubordinados. Os dois lados começam a entender melhor suas responsabilidades e também os danos e punições por suas ações. Torna-se importante agora o que fazer. Desmilitarização, sem dúvida. Mas, antes, é preciso contratar profissionais estrangeiros e treinar novos profissionais (como fez muito bem o CIA para o Governo Reagan). Ensinar línguas estrangeiras muito bem: além do português e do inglês, outra língua. Comprar novos equipamentos e separar claramente a área de manutenção da área de operação para aumentar a segurança contra tentativas de sabotagem. Depois de tudo isso, que pode levar de 1 ano a 1 ano e meio, talvez fosse recomendável devolver alguns desses controladores para a carreira estritamente militar.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Qual o momento exato em que houve quebra do comando militar?

Os jornais só falam disso, a quebra da hierarquia militar. Algumas pessoas comentaram comigo, no Blog ou pessoalmente, criticando a decisão de Lula, que teria sido "frouxo" no confronto com os controladores de vôo. Chegaram a lembrar a situação aparentemente semelhante vivida por Reagan, no Estados Unidos, que resolveu o problema demitindo mais de 11 mil controlares e colocando outros em seus lugares. Alguém lembrou na CBN, esqueci o nome, que Lula teria agido contra a Constituição, que proíbe greve entre militares. Ok, concordo que a quebra da hierarquia militar é grave. Mas vamos lançar outro olhar sobre a questão. 1) Essa estrutura militar do controle aéreo é uma invenção da ditadura militar, totalmente insustentável nos dias de hoje. 2) A hierarquia militar foi quebrada no momento exato em que o comando não teve capacidade de controlar os controladores, nem mesmo com a ameaça de prisão. 3) O exemplo americano não serve, porque a estrutura de lá não era militarizada e porque o presidente contava com alguma reserva e ainda teve tempo para formar novos controladores; ainda assim, os controladores americanos conseguiram 110% de aumento. 4) Greve de controladores de vôo é comum no mundo inteiro. 5) A Constituição estava sendo rasgada pelos controladores que se aproveitaram de uma estrutura superada e de um momento especial que deixavam o país de mãos atadas. 6) Por mais que tivessem muita razão em suas reivindicações, os controladores foram irresponsáveis - ou talvez tenham sido irresponsáveis os diversos governos que permitiram essa situação. 6) A crise aérea não poderia continuar, colocando o país em situação desesperadora, sem outra saída que não fosse a alternativa de bom senso determinada por Lula. Colocado tudo isso, é preciso, primeiro, que os comandantes militares reconheçam sua total incapacidade de gerenciar a questão. E é também o momento de desmilitarizar o controle aéreo e formar novos profissionais, além de investir em equipamentos e novas tecnologias. Tudo com urgência, mas sem precipitações. Acima de tudo, não devemos nos deixar levar por qualquer sintoma de frenesi golpista. Ler também o texto de Carlos Drummond, "Controle militar dificulta solução da crise aérea", feito em 11 de dezembro de 2006, em sua coluna na Terra Magazine.

sábado, 31 de março de 2007

Bom senso põe fim ao descontrole aéreo

Os controladores de vôo demonstraram que tinham a força. É claro que havia muita exploração política no movimento deles, como apontou Paulo Henrique Amorim (exagerando na comparação com a greve dos transportadores contra Salvador Allende no Chile de 1973). Mas eles tinham a argumentação irrefutável de que é preciso reformular a atividade do controlador de vôo. E a hora era essa. Com o acordo, coordenado pelo próprio Presidente da República, foi possível, além do ganho econômico, o início de negociações no sentido de desmilitarizar a visão essa atividade de importância singular no dia-a-dia do país. Por mais que seja um assunto de segurança nacional - e talvez principalmente por isso - não é possível lidar com o tema com rigidez absoluta. O Ministro da Defesa, Waldir Pires, um civil, tido como progressista e bastante flexível, certamente resolveu tornar-se inflexível porque estava fragilizado, sob pressão da mídia e da sociedade civil. Estava impossibilitado de uma visão mais clara. O comando militar, por sua vez, agiu como agem os militares. Por isso foi preciso que Lula, mais acostumado a lidar com greves difíceis e com uma responsabilidade maior, percebesse a delicadeza do momento e apontasse a linha do entendimento. Provou que para que haja controle no ar é preciso impedir o descontrole emocional aqui na terra.