terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lulão, o poetão do Complexo Alemão

Quem me enviou a notícia foi a sogrona.
O repentista Lulão
cheio de animação
no Complexo do Alemão,
pra espanto de Lindberg, Cabral e Pezão...

Legalizar o jogo é bom ou ruim? Façam as apostas...


Quando trabalhava na MPM, a agência ganhou (ou estava prospectando, não sei) a conta de um cassino (ou seriam todos os cassinos) em Aruba. Lembro que fiz um anúncio (não deve ter sido veiculado) que gostei muito e que dizia: “Jogue fora o dia-a-dia. Jogue em Aruba”. Lembro também de histórias contadas pelo profissional que atendia a conta. Disse que quando estava em visita ao cassino o cliente apontou alguém que estava jogando e disse: “Aquele ali tem crédito de até 4 milhões de dólares. É ministro na Bolívia”. Outra vez me contou que tinham chegado ao Rio dois “representantes” do cassino – para cobrar dívida de alguém...
Apesar desse, digamos, envolvimento que tive, sempre fui contra jogar a dinheiro. E me tornei, naturalmente, sem moralismo, contra a legalização do jogo. Mesmo assim, ainda na MPM, fiz muitas campanhas, algumas premiadas, para as loterias da Caixa. E sempre adorei ver “The Cincinnati Kid” (“A Mesa do Diabo”, com Steve McQueen e Edward G. Robinson) ou o pôquer do Cassino Royale . Na semana passada, li que o Governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, tinha defendido publicamente a legalização do bingo. Antes, já tinha defendido a descriminalização tanto da maconha quanto do aborto e comentei que ele, definitivamente, adorava uma polêmica. Ele respondeu dizendo que era sempre polêmica das boas causas. E, para certa surpresa minha, acrescentou: “Te confesso que não acho a menor graça em jogo e apostas. Nunca fui a Las Vegas na minha vida nem a Punta del Este. Entretanto tenho pavor de burrice!!!”
Basicamente, Sérgio Cabral argumenta que a maioria dos países (como Estados Unidos, Itália, Canadá, Argentina e China) permite os jogos, mas o Brasil não - o que faz com que o dinheiro gerado acabe não sendo destinado a fins sociais.
“O Brasil tem problemas muito maiores quando torna o jogo ilegal porque a renda não é destinada a ajudar pessoas como acontece na Loterj”, declarou Sérgio Cabral aos jornais.
Não me considero burro, mas ainda tenho algumas dúvidas. Quero dizer, porém, que essa nova polêmica lançou novos dados na cabeça e comecei a tender mais para a legalização. Preto ou vermelho?

Lula e a praia

(foto Época Negócios)
Não fui à despedida de Lula, ontem, no Sambódromo. Mas tenho uma boa justificativa: só consegui chegar da praia (em plena segunda-feira, com direito a palmas para o pôr do sol!) mais de nove da noite. Mas podem ter certeza que estive presente de corpos e almas.

Sou prefeito, mas quero distância...



A seção "Há 50 Anos", hoje, no Globo, fala de um italiano que vivia no Brasil há quase 30 anos, foi à Itália, elegeu-se prefeito com mais de 70% dos votos, passou procuração para um funcionário da prefeitura e voltou a viver no Brasil! Já pensou se a moda pega...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Impedida a veiculação de campanha em defesa do ateísmo: graças a Deus!



Li hoje na Folha, em bom artigo de Vera Guimarães Martins (“Ateu é a mãe”), que “morreu pagã, sem receber o batismo das ruas, a campanha publicitária contra o preconceito que a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea) previa para este mês”.  O veto veio das empresas de ônibus de São Paulo, Salvador e Porto Alegre (onde seriam veiculados os busdoors) que provavelmente não quiseram ver seus faturamentos excomungados. Mas acho que teve dedo de Deus a favor dos ateístas, porque, pelo que vi das frases que seriam usadas, a campanha prometia ir direto pro limbo – ou na hipótese mais angelical virar piada até no inferno. Vejam as frases: "se Deus existe, tudo é permitido"; "a fé não dá respostas, só impede perguntas"; "somos todos ateus com os deuses dos outros". Parece o texto que escrevi, aos 17 anos, nos primeiros passos rumo ao materialismo, tentando provar que Deus não existia. Lembram também algumas peças da propaganda cristã, como: “Senhor Deus, em nome de Jesus, liberta o Brasil”, colocadas em outdoors nas estradas (como se Deus costumasse passar de carro por ali) ou “Deus é fiel”, muito comum em adesivos de carro (sempre digo que quem é Deus não é fiel a ninguém).
O que mais deixou minh’alma triste, como uma rola aflita, foi saber que a campanha foi vetada também na Austrália, país considerado uma “Democracia Plena” pela pesquisa da revista The Economist (veja aqui) e saber ainda que, na Itália, foi o próprio governo que proibiu a veiculação (país, aliás, que na mesma pesquisa passou de “Democracia Plena” para “Democracia Imperfeita”). Acho justo que haja espaço para que ateus se manifestem e tentem apagar esse estigma de capeta que carregam através dos séculos. Mas, por favor, vamos ser mais materialista nessa conceituação. A campanha pode ser feita sem se tornar penitência para seus fiéis. (Ou seriam infiéis?)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Wikileaks e a ciberguerra


No seu artigo de hoje no Globo, Merval Pereira sintetiza uma importante discussão sobre as questões colocadas em pauta pelo fortalecimento das redes sociais. A partir dos estudos do sociólogo espanhol Manuel Castells, professor da Universidade Southern California, e de Rosental Calmon Alves, professor brasileiro da Universidade do Texas, em Austin, ele fala da nova guerra ciberespacial que se desenvolve entre os Estados e a sociedade civil internauta. O Wikileaks rompeu as fronteiras de paz até agora estabelecidas. A democracia, como conhecemos, sobreviverá?
NOVAS RELAÇÕES DE PODER
Merval Pereira
O ponto central dos estudos do sociólogo Manuel Castells, professor da Universidade Southern California, sempre foram as relações de poder. No seu novo livro, “Comunicação e poder”, ele chega à conclusão de que as redes de comunicação social mudam a lógica do poder na sociedade atual, e já não se pode fazer política se não se levam em conta a crescente autonomia e o dinamismo da sociedade, utilizando a desintermediação dos meios de comunicação.
Com o caso WikiLeaks em plena evolução, provocando discussões sobre o papel dos novos meios de comunicação, o livro de Castells torna-se fundamental para entender o que se passa.
Ele ensina que, como as redes organizam o mundo das finanças, da produção, da comunicação, da política, das relações interpessoais, só uma teoria que parta da relação nessas redes de poder pode chegar a entender a prática social e política da sociedade atual.
“Cheguei à conclusão de que o poder era fundamentalmente o hábito da comunicação e necessitava entender a transformação da comunicação para entender a transformação do poder”, disse ele em recente palestra no Instituto Fernando Henrique Cardoso.
Ele revelou que, durante seus estudos de neurociência para o livro, teve acesso a trabalhos que indicam que as pessoas não buscam informações para se informar, mas, sim, para confirmar o que já pensam.
E também que o medo é a emoção primária fundamental, a mais importante de nossa vida a influenciar as informações que alguém recebe.
Escrevendo sobre o episódio WikiLeaks para o jornal espanhol “La Vanguardia”, artigo que já citei em coluna passada, Castells afirma que a ciberguerra começou.
“Não uma ciberguerra entre Estados como se esperava, mas entre os Estados e a sociedade civil internauta.”
Para ele, não está em jogo a segurança dos Estados, pois considera que nada do revelado põe em perigo a paz mundial, nem era ignorado nos círculos de poder. O que se debate, segundo ele, é o direito do cidadão de saber o que fazem e pensam seus governantes. E a liberdade de informação nas novas condições da era da internet.
Castells cita um comentário da secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, em janeiro deste ano: “A internet é a infraestrutura icônica da nossa era… Como acontecia com as ditaduras do passado, há governos que se voltam contra os que pensam de forma independente usando esses instrumentos.” E questiona: “Agora (depois dos vazamentos  do WikiLeaks que colocaram a diplomacia americana em polvorosa) ela aplica a si mesma essa reflexão?”
Castells diz que a questão fundamental é que os governos podem espionar, legal ou ilegalmente, os seus cidadãos, mas os cidadãos não têm direito à informação sobre aqueles que atuam em seu nome, a não ser na versão censurada que os governos constroem.
Nesse grande debate, diz ele, vai se ver quem realmente são as empresas de internet autoproclamadas plataformas de livre comunicação e os meios de comunicação tradicionais tão zelosos de sua própria liberdade.
Para Rosental Calmon Alves, professor brasileiro da Universidade do Texas, em Austin, especializado em novas mídias, o caso é muito mais complexo do que parece, pois “marca o início de uma nova era”.
Ele historia: vivemos em uma sociedade calcada em bases de dados. Nossos rastros digitais vão sendo deixados por toda parte, armazenados em computadores e vão desde as imagens capturadas pelas câmeras que se espalham pelas ruas, pelos nossos locais de trabalho, pelos elevadores, por todas as partes nas cidades mais modernas, até mesmo os documentos oficiais que se criam aos milhões e milhões em todos os governos do mundo.
Guardar todos esses dados em segredo torna-se um desafio cada vez mais difícil. E, quando há um vazamento, o volume de dados pode ser tão imenso quanto os desses últimos atraídos pelo WikiLeaks.
Segundo Rosental, são muitos os desafios novos para os governos e as corporações, que tentam erguer defesas e criar fortalezas cibernéticas. “Não foi à toa que o presidente Obama criou um comando militar cibernético e toda uma assessoria de segurança nacional nesta área”, lembra.
Fala-se abertamente de uma futura guerra cibernética mundial.
Nunca mais “o mundo não será o mesmo”. E Rosental teme que muitas coisas poderão piorar, como o surgimento de leis mais estritas nos Estados Unidos sobre a publicação de segredos, “que podem afetar liberdades essenciais que estão nas bases da democracia americana”.
Rosental lembra que essas liberdades “ajudam nos pesos e contrapesos (checks and balances) que fazem o sistema democrático funcionar mais eficientemente aqui que em outros lugares”.
Os funcionários aqui, destaca Rosental, sabem que trabalham num ambiente relativamente aberto, que suas ações, mesmo quando secretas, serão públicas um dia, por motivos históricos ou porque algum cidadão pediu satisfações. “O funcionário sabe que trabalha para o publico e não para o governo”.
Mas o problema é que os vazamentos mostram que qualquer coisa pode se tornar pública a qualquer momento, quase de imediato e de forma anônima.
Como parte deste contexto, as reações exacerbadas chegam a ponto de haver políticos republicanos que falam até mesmo de uma “necessidade” de matar Julian  Assange (criador do WikiLeaks), até da formulação de um processo contra o WikiLeaks, o que, na opinião de Rosental, “seria um precedente extremamente daninho para a liberdade de expressão no país e no mundo.
“Tomara que os mais exaltados se acalmem e que a democracia americana saiba responder aos desafios criados por esta situação, sem abrir mão de seus princípios mais fundamentais”, espera Rosental Calmon Alves

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O mapa da democracia: curiosidades

(CLIQUE PARA AMPLIAR)

A revista The Economist tem um instituto de pesquisa, Economist Intelligence Unit, que divulga a cada dois anos o ranking dos países com relação à prática da democracia. Os critérios são de “Processo Eleitoral e Pluralismo”, “Funcionamento do Governo”, “Participação Política”, “Cultura Política” e “Liberdades Civis”. E as faixas das classificações dos países são “Democracias Plenas” (26 países), “Democracias Imperfeitas” (53 países), “Regimes Híbridos” (43 países), “Regimes Autoritários” (55 países), além de alguns países que não foram classificados. O Brasil continua na faixa das “Democracias Imperfeitas” (chegou a cair na classificação) e os Estados Unidos continuam entre as “Democracias Plenas”. Mas existem algumas surpresas interessantes:
  • Os Estados Unidos estão em ligeira queda na sua pontuação, mas subiram da 18ª para a 17ª posição – ainda assim atrás de países como a República Tcheca e Malta.
  • Os únicos países das América Latina classificados como “Democracias Plenas” são o Uruguai (21º) e a Costa Rica (24º).
  • Dos 21 países da Europa Ocidental, 15 sentiram erosão na democracia, sendo que 3 nomes tradicionais da “Democracias Plenas”, França, Itália e Grécia, caíram para “Democracias Imperfeitas”.
  • E agora a grande surpresa, especialmente para a mídia que se preocupa mais em criticar do que analisar: o Brasil vence os Estado Unidos em dois critérios: “Processo Eleitoral e Pluralismo” e em “Liberdades Civis”.


Acesse a reportagem completa clicando aqui ou aqui para se cadastrar na Economist Intelligence Unit

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Morreu "o" Pantera: Blake Edwards

The American Way of Censorship



Na ditaduras, a censura é comum, certo? Certo.
Nos Estados Unidos, conhecidos como a maior democracia do mundo, isso não acontece, certo? Errado.
A Guerra do Iraque e a prisão de Guantánamo já comprovaram que o governo americano utiliza-se da tortura quando bem quer. E agora o Caso Wikileaks serve para demonstrar que a censura também faz parte do menu do governo que tão ardentemente critica Cuba, China, Coreia, Venezuela, etc., etc. A ação do governo americano – através principalmente do seu Departamento de Estado – procurou desde o primeiro instante impedir que o Wikileaks divulgasse a arrogância da política externa. Procura, ainda hoje, classifica o líder do Wikileaks, Julian Assange, como espião e faz o que pode para conseguir a sua extradição e prisão – seria em Guantánamo? Fez pressão contra a sua (liberdade de) imprensa e agora chega à censura direta, proibindo que nos computadores de sua Força Aérea haja acesso a sites não apenas de jornais como The Guardian (inglês), Le Monde (francês), Der Spiegel (alemão) ou El País (espanhol) como o próprio The New York Times, que publicou uma nota na sua edição de terça-feira, mas, surpreendentemente, não protestou. Pecado desses jornais (o mesmo da Folha, do Globo e de outros órgãos de comunicação brasileiros)? Divulgar o que o Wikileaks tornou público!
Ninguém tira da minha cabeça que também houve dedo do governo na escolha pela revista Time do criador do Facebook (ao invés de Assange, como era de se supor) como Personalidade do Ano. Yahoo, The New York Times e outros criticaram a decisão da Time. Jacob Weisberg, editor-chefe da Slate, escreveu em seu twitter (@jacobwe) “Gutless of Time not to name Assange” (“não escolher Assange foi covardia da Time”). Acho que foi mais do que isso – foi censura disfarçada. Que podemos esperar do novo “American way of life” – cancelamento das próximas eleições?
Todos nós esperamos que os Estados Unidos continuem como os grandes defensores da democracia – por mais que ela tenha seus defeitos, certo?

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eleição de Campos: nem imexível, nem remexível – é incrível!


Ontem o TSE lançou uma ducha de água fria na fervura da oposição campista ao garantir a Garotinho o direito de assumir o mandato de deputado federal que conquistou por quase 700 mil votos. O resultado é incrível em todos os seus aspectos. Vamos entender.
  • O processo contra Garotinho e Rosinha por abuso de poder econômico e campanha antecipada nas eleições de 2008 foi iniciativa do adversário Arnaldo Vianna junto à Justiça Eleitoral de Campos (1ª instância).
  • Acontece que, depois disso, Arnaldo Vianna foi condenado, e o Juiz considerou que ele não teria mais legitimidade na denúncia – por isso arquivou o processo.
  • Foi feito recurso ao TRE que considerou haver legitimidade e foi além: julgou o caso e concluiu, diante das provas contundentes do processo, que Garotinho e Rosinha deveriam ser cassados.
  • No TSE, o que se discutiu (e aparentemente não poderia ser de outra forma) não foi a culpa ou não do casal Garotinho – mas se o TRE poderia ou não ter feito o julgamento. Três juízes, inclusive o relator, consideraram que o TRE agiu corretamente, enquanto outros três consideraram que o TRE deveria ter devolvido o processo à 1ª instância para que lá, sim, fosse feito o julgamento. O desempate foi feito pelo presidente do TSE a favor da tese da defesa de Garotinho.
  • O primeiro resultado disso foi excluir Garotinho da Lei Ficha Limpa, já que ele não teve condenação  proferida por órgão colegiado (TRE, por exemplo). Isso garante que ele tome posse como deputado federal.
  • O segundo resultado foi a possibilidade de Rosinha retornar à Prefeitura, de onde foi afastada por causa de sua condenação (no mesmo processo) no TRE, que agora foi anulada.
  • O terceiro resultado é a óbvia desmobilização da oposição campista, que sonhava em vencer a eleição do próximo dia 6 de fevereiro – que deverá ser cancelada.
Campos continua demonstrando que política e justiça eleitoral são mistérios para poucos decifrarem. Por incrível que pareça.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

No ar, a eleição de Campos: situação imexível ou remexível?


É sempre difícil compreender o processo político-eleitoral em Campos dos Goytacazes. É um município que respira política com muita intensidade e conta com muitos nomes de projeção. E tudo fica ainda mais complicado quando são 12 partidos (PDT, PT, PV, PMDB, PPS, PSB, PTdoB, PCB, PCdoB, PSL, PRP e DEM) tentando encontrar um denominador comum para a próxima eleição suplementar, marcada pelo T.R.E. para o dia 6 de fevereiro (leia mais na minha postagem "Campos e a arte da política: um por todos? todos por um?"). O próprio governo do estado, que certamente gostaria de comandar o processo, mostra-se cauteloso, como se tratasse de uma situação imexível. De fato, ainda há incertezas sobre as confirmações ou não das inelegibilidades de Garotinho e de Arnaldo Vianna, os dois principais líderes da política local; é preciso saber se o afastamento de Rosinha é ou não é definitivo (o que é difícil saber agora); é preciso saber se o atual prefeito provisório, Nelson Nahim, será ou não será candidato – e, caso seja, se estará lado a lado com o irmão, Garotinho, ou se caminhará com a oposição. Por outro lado, as candidaturas continuam remexíveis. A última novidade é que a chapa que poderia ter Odisséia (PT) na cabeça e Odete (PCdoB, com apoio de Picciani, do PMDB) como vice agora sofreu uma reviravolta: a cabeça de chapa poderá ser Odete e a vice Odisséia (vai entender!). Amanhã os doze partidos da oposição marcaram mais um reunião (a data final de inscrição de chapas é domingo). Hoje à noite estarão todos ligados na TV Justiça acompanhando o julgamento de Garotinho. Audiência imexível...

Wikileaks X US-leaks: quem espionou quem?



Acho que já está mais do que claro que o Wikileaks (o wikileaks.com está fora do ar por imposição americana, mas pode ser acessado o site brasileiro ou o Twitter) não roubou segredos americanos. O que realmente fez foi divulgar informações sigilosas que recebeu de um cracker. Exatamente o que, indiretamente, fizeram e continuam fazendo The Guardian, The New York Times, Folha de São Paulo, O Globo, e muitos órgãos de comunicação em todo o mundo. Claro que é grave a divulgação de informações que comprometem toda a diplomacia internacional – mesmo considerando a luta pela transparência. Mas o mais grave é a arrogância americana em toda essa questão. Arrogância que transparece no conteúdo do que foi divulgado e arrogância pela displicência na sua segurança. Mas existe mais uma questão: segundo informa o site do Council on Foreign Relations (Foreign Affairs), o Departamento de Estado americano pensa em usar todos os argumentos e toda sua força para processar o responsável pelo Wikileaks, Julian Assange, por espionagem. Pretende enquadrá-lo no Ato de Espionagem e obter extradição junto à Inglaterra ou à Suécia. Mas o que fazer então com a Secretária de Estado Hillary Clinton, que teria mandado espionar diplomatas da ONU? Ela – ou o governo que representa – não se enquadra no Ato de Espionagem americano? Vai sair dessa impunemente? Não pode haver extradição? Claro que o governo americano não pode se considerar espião. Mas e o resto do mundo, como fica? A minha sugestão é que o Tribunal de Haia (Tribunal Internacional de Justiça ou Corte Internacional de Justiça, principal órgão judiciário da Organização das Nações Unidas) pronuncie-se a respeito. E que o governo americano pare de jogar na conta do Wikileaks todo o peso da sua incompetência.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Campos e a arte da política: um por todos? todos por um?

(clique para se animar...)
Campos dos Goytacazes é o maior município (4.031,91km²) do Rio de Janeiro. Tem cerca de 460.000 habitantes e de 335.000 eleitores, é o que tem a maior arrecadação de royalties do petróleo e, segundo o IBGE divulgou nessa semana, foi o município que apresentou “maior ganho de participação percentual do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2008, entre aqueles que contribuíam com pelo menos 0,5% do PIB nacional”.
Apesar de todos esses números, o maior destaque que Campos costuma receber é na política, onde todos os seus personagens apresentam grande habilidade – e ao mesmo tempo têm grande capacidade de embaralhar tudo. Desde 2004, quando foi eleito Carlos Alberto Campista, nenhum prefeito consegue completar os quatro anos de mandato. O próprio Campista (que coordenei a campanha no segundo turno) não durou 5 meses. Nos últimos 10 anos, tivemos no cargo Arnaldo Vianna (PDT), Campista (PDT), Pudim (PMDB agora deputado federal não re-eleito pelo PR), Mocaiber (PSB), Roberto Henriques (vários partidos, agora PR), Rosinha (PR) e Nelson Nahim (PR), além da presença permanente de Garotinho, duas vezes eleito prefeito (88 e 96) e que também é marido de Rosinha (atualmente afastada do cargo pela Justiça eleitoral) e irmão de Nahim (atual prefeito temporário). Isso já seria suficiente para comprovar que existe algo diferente na política de Campos. Mas existe muito mais. Garotinho, em 92, elegeu o seu vice, Sérgio Mendes, e tentou ser governador em 94. Rompido com Sérgio Mendes, elegeu-se novamente prefeito em 96. Em 98, elegeu-se governador (coordenei sua campanha) e deixou no lugar o seu vice, Arnaldo Vianna, que se re-elegeu em 2000. Em 2004, rompido com Arnaldo Vianna, Garotinho apoiou Pudim (vice de Arnaldo) contra o candidato oficial, Campista. Derrotado nas urnas, Garotinho venceu Campista na Justiça Eleitoral, mas não conseguiu fazer o sucessor. Mocaiber, com o apoio de Arnaldo, derrotou Pudim (apoiado por Garotinho), em eleição suplementar. Em 2008, Arnaldo tentou nova eleição (coordenei sua campanha no segundo turno), mas estava sub-judice e acabou sendo derrotado em eleição apertada para a ex-governadora (e esposa de Garotinho) Rosinha Garotinho. Acontece que Rosinha também foi afastada pela Justiça Eleitoral – e quem ficou no seu lugar foi exatamente Nelson Nahim, que era o presidente da Câmara dos Vereadores. Dizem que Nelson Nahim e Anthony Garotinho não se dão muito bem, apesar de serem irmãos e de pertencerem ao mesmo partido. O curioso é que no site do PR, dirigido regionalmente por Garotinho, não encontrei uma única referência a Nahim.
Nessa semana, o T.R.E. escolheu 6 de fevereiro para nova eleição suplementar em Campos – e aí começou nova confusão para alianças e escolha de candidatos. As duas principais lideranças políticas, Garotinho e Arnaldo, atualmente são deputados federais (o primeiro, eleito este ano; o segundo, em final de mandato) e correm risco cassação. Apesar disso, ambos declararam-se candidatos. Ninguém leva a sério a candidatura de Garotinho (que ao mesmo tempo tenta anular ou boicotar a eleição), mas Arnaldo disse que a dele é pra valer. Formaram-se imediatamente dois blocos – de um lado, a família Garotinho; do outro, a oposição, com diversos pretendentes, além de Arnaldo. O problema número 1 é tentar situar Nelson Nahim, que tem a máquina na mão e, como chegaram a pensar alguns, poderia ser candidato da união da oposição – mas acontece que ele só poderá ser candidato com autorização de Garotinho, que é presidente do PR (e pensa também em lançar seu filho, Wladimir). Ou seja – quem confiará em quem? Outro problema é a fraqueza local do PMDB, partido do governador Sérgio Cabral (desafeto do ex-aliado Garotinho), que evidentemente tem grande interesse no resultado eleitoral. Cabral luta para ter um nome de consenso, mas está difícil. Chegou-se a pensar em uma pesquisa para ajudar na escolha, mas parece que não foi avante. Os outros nomes:
Odisséia – vereadora do PT, o segundo maior partido do estado (o maior é o PMDB). O PT é bem estruturado em Campos, mas jamais teve sucesso nas eleições majoritárias. Segundo o senador eleito Lindberg Farias, o PT não abre mão de candidatura própria, com aliança apenas no segundo turno. Ao mesmo tempo, tenta garantir o apoio do PMDB.
Marcos Bacellar – foi o vereador mais votado da história de Campos e foi o terceiro deputado estadual mais votado no município. Não se elegeu porque sua legenda, PTdoB, não obteve os votos necessários para que ele chegasse lá. É candidato determinado.
Fernando Leite – é do PMDB, jornalista, muito próximo de Arnaldo (quem, no final de tudo, deverá apoiar) e já foi deputado estadual. No seu blog, ontem, apontou que “o vereador Rogério Matoso, do PPS, presidente em exercício da Câmara Municipal, pode ser alçado à condição de candidato a prefeito, com apoio da dissidência dos republicanos”.
Wilson Cabral – já foi tucano, mas seria candidato pelo PSB.
Professora Odete – é do PCdoB, teve algum destaque em 2008 e (fala-se) poderia ter apoio do cacique peemedebista Jorge Picciani.
Os representantes do PT, PDT, PMDB, PT do B, PPS, PC do B, DEM, PCB, PV, PSC, PRP e PSL têm se reunido em busca de solução única, mas o nome de consenso está cada vez mais difícil. O que está mais consolidado no momento:
• Odisséia (PT), com possibilidade de ter Odete (PCdoB) como vice;
• Arnaldo (PDT) com Bacellar (PTdoB) de vice e apoio de pelo menos mais 4 partidos. No caso de Arnaldo ser impedido de se candidatar, Bacellar será automaticamente o candidato.
Cabral e Garotinho ainda não estão inteiramente definidos. E o povo inteiro, que cada vez deseja uma solução de paz e que seja definitiva, prepara-se para mais uma grande exibição desses exímios esgrimistas políticos. En garde!
NOTA: reportagem de hoje do jornal Folha da Manhã, de Campos, fala de certo avanço na candidatura pelo PR de Wladimir Garotinho, tendo como vice Edson Batista. Dessa forma, o atual prefeito provisório, Nelson Nahim, voltaria a ocupar sua cadeira na Câmara dos Vereadores, e Rogério Matoso, assim, teria confirmado seu nome pelo PPS. O sindicalista Marcelo Vivório também estaria se candidatando pelo PRTB.
(a ilustração acima foi copiada do Portal São Francisco

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

PIB de 2010 deverá ser o maior desde a ditadura

Essa história dos PIBs é usada como cada um bem entende. O Globo de hoje, por exemplo, tentou usar o PIB para dizer na sua manchete da primeira página que o Governo Lula foi um horror: "Brasil cresceu na era Lula menos que emergentes e AL". Esse dado é verdadeiro, mas, isolado, esconde a verdade principal: desde os tempos da ditadura, o Brasil não teve PIB tão alto como deverá ter este ano, cerca de 8%. Isso sem inflação, sem congelamento de preços (Plano Cruzado), além de ter reduzido a miséria e a pobreza e, consequentemente, de ter reduzido o abismo social. Sem contar ainda com o crescimento que o país teve no cenário mundial: em 2011, segundo projeções do FMI, a economia brasileira deverá ultrapassar a italiana, indo do oitavo para o sétimo lugar. Busquei aqui e ali a evolução do PIB brasileiro nas últimas seis décadas procurando identificar cada um dos governos. Vejam o gráfico (clique para ampliar):


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

É campeão? Não!!!


Em Minas, prefiro o Cruzeiro, mas tinha pouca chance.
Em São Paulo, sou Santos.
No Rio, sou Vasco.
Ou seja, tudo levava a crer que eu teria que aturar a comemoração dos outros. Fugi. Mas por falta de sorte (minha) o Universidad Católica, depois de 8 anos sem conquistar o título chileno, goleou o Everton por 5 a 0 e tornou-se campeão pela décima vez. Mal pude dormir. Voltei correndo...

sábado, 4 de dezembro de 2010

Tomada do Alemão: a mídia sob mira



(foto O Globo)

A cobertura jornalística da tomada do Complexo do Alemão, no Rio, tem sofrido forte bombardeio por causa de sua espetacularidade. Realmente, foi um grandioso espetáculo midiático, que ganhou o mundo nessa última semana. Mas isso é condenável?
Primeiro, precisamos considerar que a questão da segurança pública faz anos que é um espetáculo midiático. Inúmeros programas popularescos, no Rádio e na TV, diariamente entram aos berros na vida de milhões de brasileiros explorando a violência urbana com fins meramente de audiência. E a mensagem final leva rigorosamente à mesma conclusão: “vamos acabar com essa bandidagem a tiro!” De certa forma, são irmanados a essa bandidagem, porque sem ela não teriam seus espetáculos.
O que mudou agora, então? Em primeiro lugar, as ações terroristas dos traficantes levaram o clima de medo - que antes era restrito às comunidades - para toda a população o que despertou o sentimento de “Basta!” em cada morador do Rio de Janeiro. Em segundo lugar, o sistema Globo entrou com tudo na parada. Ampliou a visibilidade do problema e aliada às outras emissoras deu um tom mais jornalístico, com uma cobertura de grande alcance. Em terceiro lugar, ao invés de endeusar os traficantes, a cobertura jornalística mostrou a sua fragilidade e, ao contrário do que se faz diariamente, valorizou a força policial, estimulando a população (principalmente a local, mas também em todas as áreas e em todos os segmentos) a reagir e a integrar-se à polícia nos ataques aos traficantes (a enxurrada de telefonemas ao Disque-Denúncia é prova). Em quarto lugar, deu mais transparência às ações policiais, inibindo os policiais corruptos e motivando os policiais sérios, fortalecendo o comando de segurança.
Digam o que disserem, a Tomada do Alemão foi marco histórico. A autoestima dos bons policiais ficou em alta, deu mais força à seriedade do comando de segurança, desmistificou o poder até então absoluto dos traficantes, criou sérios danos materiais e estratégicos ao narcotráfico, abriu a perspectiva de vida melhor a toda a população. E a mídia com seu “pastiche midiático” teve grande contribuição nisso tudo. O que não quer dizer que já estamos vivendo no melhor dos mundos. Ainda falta muito para chegarmos lá. Mas com certeza podemos mirar o futuro com outros olhos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Tomada do Alemão: The Day After


Para falar sobre o “day after”, fui procurar informações no passado e liguei para o recém-eleito Deputado Estadual (PT-RJ) Zaqueu Teixeira, que foi Chefe de Polícia do Rio de Janeiro, em 2002, durante o governo petista de 9 meses de Benedita da Silva, e que sempre revelou afinidade com o Complexo do Alemão. Em setembro de 2002, ele também ocupou o Alemão, com cerca de 600 policiais civis, em busca de Elias Maluco, o chefão do tráfico que tinha matado o jornalista Tim Lopes. A tensão, na época, era muito grande, havia imensa pressão da imprensa e da sociedade para que Elias Maluco fosse preso a qualquer custo. Zaqueu lembra que a primeira coisa que fez foi isolar o Alemão da Vila Cruzeiro, com um bloqueio exatamente ali onde todos nós vimos na semana passada cerca de 200 traficantes fugindo desesperadamente. Ele queria ao mesmo tempo evitar a fuga dos bandidos do Alemão e inviabilizar um ataque vindo da Vila Cruzeiro. Durante 3 dias fizeram trabalho de inteligência e de busca no local, e finalmente prenderam Elias Maluco. “Sem dar um tiro”, ele se orgulha, “apenas com uso da inteligência”.
E sobre essa tomada do Alemão feita agora? “Foi excelente”, ele responde, “foi importantíssima. Garantiu a presença do estado e o fim do império do medo”. Zaqueu se entusiasma com a ação policial e, embora não tivesse participado diretamente dela, gosta de sentir-se participante. Lembra que quando estava no Ministério da Justiça, durante apresentação da proposta do PRONASCI (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) para Lula, ele falou do Complexo do Alemão, sobre como tinha ocupado anteriormente e sobre a necessidade de ocupá-lo definitivamente. E acrescenta: “Como disse o Governador Sérgio Cabral, o PRONASCI é o pai e a mãe das UPPs”.
Para Zaqueu, a tomada do Alemão foi um golpe mortal na facção criminosa mais poderosa do Rio. “Perderam armas, perderam homens, perderam o quartel-general, perderam a droga que tinham em estoque, perderam a credibilidade. E ainda estão com grande dívida no mercado, porque essa droga é entregue na base da consignação. Eles precisavam vender para poder pagar – e como perderam, só ficaram com a dívida. Não deve demorar muito para todos eles ou a maioria serem presos”.
E daqui pra frente? “Daqui pra frente é a presença do estado. As forças de segurança têm que liberar os territórios dominados pelo tráfico e as UPPs têm que se alastrar. Ação policial para consolidar a conquista do território e ação social muito forte, apoio à economia dos locais liberados, cidadania para todos. É aí que entra o PRONASCI com todos os seus Programas. O Protejo, por exemplo, incorpora o jovem que vivia na franja do tráfico e abre uma perspectiva para que ele possa conquistar emprego, ter profissão, possa ter futuro. O Mulheres da Paz é outro projeto que tem como objetivo incentivar as mulheres da comunidade a ajudar a desenvolver, coordenar e fortalecer a prevenção e o enfrentamento às violências que envolvem jovens expostos. De imediato o importante é que o Governo não permita que outros bunkers como o do Alemão se desenvolvam”.
Existe esse risco? “Existe, sim. O perigo mais iminente me parece que é a Mangueirinha, em Caxias, que já está até sendo tratada como “Complexo”. (É verdade, verifiquei que até no verbete “Mangueirinha” da Wikipédia podemos ler que “atualmente o complexo tem recebido muitos traficantes oriundos de comunidades pacificadas da cidade do Rio de Janeiro”.)
Você acha, como o Luiz Eduardo, que o tráfico "é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico. Incapaz, inclusive, de competir com as milícias, cuja competência está na disposição de não se prender, exclusivamente, a um único nicho de mercado, comercializando apenas drogas – mas as incluindo em sua carteira de negócios, quando conveniente"? “Acho que há mudança, sim, nesse perfil do tráfico. Mas não podemos nos iludir, isso não pode frear a ação do estado. Quero acrescentar que o tráfico não é burro e já assimilou o método da milícia. Na Ilha do Governador, eles já não se restringem à droga e exploram também o gatonet, o gatogás, o gatotudo”.
E o que você acha do Exército substituindo a polícia no Alemão, até que seja implantada a UPP? “Pessoalmente, prefiro a Força Nacional, acho melhor preparada e já provou isso. Mas acho que essa é uma questão que vai se intensificar até 2014: quem vai comandar a segurança da Copa – a Força Nacional, que comandou com sucesso durante o Pan, ou as Forças Armadas, que estarão no comando do Alemão?”
Realmente, é uma disputa política que promete ser forte, entre o Ministério da Justiça petista e o Ministério da Defesa peemedebista. Mas o principal no nosso “day after” é a conclusão de que agora podemos vislumbrar um novo Rio de Janeiro, sem submissão a narcotraficantes e com uma vida pacificada. Ainda falta muito, claro, mas o futuro já foi disparado.