sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Alberto Dines pensa que a imprensa tem o dom de buscar a verdade

Estive duas vezes pessoalmente com Alberto Dines. Na primeira vez, era estudante de Comunicação e estava representando minha faculdade (FACUnB) na busca de financiamento (pelo valoroso JB da época, quando Dines era nome forte por lá) para uma pesquisa de audiência de rádio no Distrito Federal. Na segunda, foi em um bate papo na redação da sucursal da Bloch em New York (se não me engano, Paulo Francis e Lucas Mendes estavam presentes, ou pelo menos um deles). Fiquei com boa impressão que sempre me acompanhou. Mas nem sempre concordei com o que escreveu. Como é o caso desse seu texto no Globo de hoje, "A imprensa pensa ter o dom da verdade". Não concordo com muita coisa, mas quero discutir especificamente sua frase final: "A imprensa não pensa que tem o dom da verdade, ela somente busca a verdade". Infelizmente, isso não é verdade. Talvez a "busca da verdade" seja um ideal, uma meta a ser alcançada. Ou simplesmente um desejo de Dines. A imprensa busca muito mais o sucesso. Seja o sucesso financeiro, seja o sucesso de audiência, seja o sucesso pessoal. A coisa chegou a tal ponto que a "diferença de princípios" que o jornalista sentia com relação aos publicitários deixou de existir: ambos não apenas aceitam, como azeitam os negócios - com a diferença que isso faz parte da função dos publicitários. O dom de buscar a verdade deveria ser inerente à profissão do jornalista, mas, no mínimo, não tem sido. E não tem sido isso já faz muito tempo, como demonstra a série de manchetes do jornal "Le Moniteur", de 1815, "noticiando" o avanço de Napoleão Bonaparte (com 1.200 homens) rumo a Paris, saindo da ilha de Elba. Já publiquei aqui com o título de "Napoleão e a imprensa", no dia 7 de agosto de 2006, e repito agora:
• O ogro da Córsega acaba de desembarcar no golfo Juan. • O tigre chegou a Gap. • O monstro dormia em Grenoble. • O tirano atravessou Lyon. • O usurpador está a quarenta léguas da capital. • Bonaparte avança a grandes passos, mas nunca entrará em Paris. • Napoleão estará amanhã em frente das nossas muralhas. • O Imperador chegou a Fontainebleau. • Sua Majestade Imperial entrou no Castelo das Tulleries, no meio dos seus fiéis súditos. Moral da história: como é difícil ser jornalista!

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Grave denúncia do Ministro do Supremo: a mídia determinou o julgamento

Imagem do Google, adaptada Está lá na manchete da Folha de hoje: "Supremo votou com a faca no pescoço". E quem afirma isso é ninguém menos do que um ministro do Supremo, Ricardo Lewandowski. Essa é uma das maiores provas de que a grande imprensa está funcionando como um poder paralelo, chegando a forçar decisões até mesmo do Supremo. Não está apenas fazendo o trabalho pretensamente objetivo de informar. Atua claramente como um partido político de oposição. OK. Seria o caso da grande imprensa informar agora quais os interesses que estão por trás de sua ação tão bem planejada. Leia a reportagem completa da Folha:
"Tendência era amaciar para Dirceu", diz ministro do STF
Lewandowski afirma que "imprensa acuou o Supremo" no julgamento do mensalão
"Todo mundo votou com a faca no pescoço", declara o autor do único voto contra a imputação do crime de quadrilha ao petista
VERA MAGALHÃES,DO PAINEL, EM BRASÍLIA
Em conversa telefônica na noite de anteontem, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), reclamou de suposta interferência da imprensa no resultado do julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão. "A imprensa acuou o Supremo", avaliou Lewandowski para um interlocutor de nome "Marcelo". "Todo mundo votou com a faca no pescoço." Ainda segundo ele, "a tendência era amaciar para o Dirceu". Lewandowski foi o único a divergir do relator, Joaquim Barbosa, quanto à imputação do crime de formação de quadrilha para o ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu, descrito na denúncia do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, como o "chefe da organização criminosa" de 40 pessoas envolvidas de alguma forma no escândalo. O telefonema de cerca de dez minutos, inteiramente testemunhado pela Folha, ocorreu por volta das 21h35. Lewandowski jantava, acompanhado, no recém-inaugurado Expand Wine Store by Piantella, na Asa Sul, em Brasília. Apesar de ocupar uma mesa na parte interna do restaurante, o ministro preferiu falar ao celular caminhando pelo jardim externo, que fica na parte de trás do estabelecimento, onde existem algumas mesas -entre elas a ocupada pela repórter da Folha, a menos de cinco metros de Lewandowski. A menção à imprensa se deve à divulgação na semana passada, pelo jornal "O Globo", do conteúdo de trocas de mensagens instantâneas pelo computador entre ministros do STF, sobretudo de uma conversa entre o próprio Lewandowski e a colega Cármen Lúcia. Nos diálogos, os dois partilhavam dúvidas e opiniões a respeito do julgamento, especulavam sobre o voto de colegas e aludiam a um suposto acordo envolvendo a aposentadoria do ex-ministro Sepúlveda Pertence e a nomeação -que veio a se confirmar- de Carlos Alberto Direito para seu lugar. Lewandowski chegou a relacionar o suposto acordo ao resultado do julgamento. Ontem, na conversa de cerca de dez minutos com Marcelo, opinou que a decisão da Corte poderia ter sido diferente, não fosse a exposição dos diálogos. "Você não tenha dúvida", repetiu em seguidas ocasiões ao longo da conversa.O fato de os 40 denunciados pelo procurador-geral terem virado réus da ação penal e o dilatado placar a favor do recebimento da denúncia em casos como o de Dirceu e de integrantes da cúpula do PT surpreenderam advogados de defesa e o governo. Na véspera do início dos trabalhos, os ministros tinham feito uma reunião para "trocar impressões" sobre o julgamento, inédito pelo número de denunciados e pela importância política do caso. Em seu voto divergente no caso de Dirceu, Lewandowski disse que "não ficou suficientemente comprovada" a formação de quadrilha no que diz respeito ao ex-ministro. "Está se potencializando o cargo ocupado [por Dirceu] exatamente para se imputar a ele a formação de quadrilha", afirmou. Enrique Ricardo Lewandowski, 58, foi o quinto ministro do STF nomeado por Lula, em fevereiro do ano passado, para o lugar de Carlos Velloso. Antes, era desembargador do Tribunal de Justiça de SP. No geral, o ministro foi o que mais divergiu do voto de Barbosa: 12 ocasiões. Além de não acolher a denúncia contra Dirceu por formação de quadrilha, também se opôs ao enquadramento do deputado José Genoino nesse crime, no que foi acompanhado por Eros Grau. No telefonema com Marcelo, ele deu a entender que poderia ter contrariado o relator em mais questões, não fosse a suposta pressão da mídia. Ao analisar o efeito da divulgação das conversas sobre o tribunal, disse que, para ele, não haveria maiores conseqüências: "Para mim não ficou tão mal, todo mundo sabe que eu sou independente". Ainda assim, logo em seguida deu a entender que, não fosse a divulgação dos diálogos, poderia ter divergido do relator em outros pontos: "Não tenha dúvida. Eu estava tinindo nos cascos". Lewandowski fez ainda referência à nomeação de Carlos Alberto Direito, oficializada naquela manhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Negou ao interlocutor que fizesse parte de um grupo do STF contrário à escolha do ministro do Superior Tribunal de Justiça para a vaga de Pertence, como se depreende da conversa eletrônica entre ele e Cármen Lúcia. "Sou amigo do Direito. Todo mundo sabia que ele era o próximo. Tinha uma campanha aberta para ele." Ainda em tom queixoso, gesticulando muito e passando várias vezes a mão livre pela vasta cabeleira branca enquanto falava ao celular, Lewandowski disse que a prática de trocar mensagens pelos computadores é corriqueira entre os ministros durante as sessões. "Todo mundo faz isso. Todo mundo brinca." Já prestes a encerrar a conversa, o ministro, que ainda trajava o terno azul acinzentado e a gravata amarela usados horas antes, no último dia de sessão do mensalão, procurou resignar-se com a exposição inesperada e com o resultado do julgamento. "Paciência", disse, várias vezes. E ainda filosofou: "Acidentes acontecem. Eu poderia estar naquele avião da TAM". Além dos trechos claramente identificados pela reportagem, a conversa teve outras considerações sobre o julgamento, cuja íntegra não pôde ser depreendida, uma vez que Lewandowski caminhou para um lado e para outro durante o telefonema. Logo após desligar, ao voltar para o salão principal do restaurante, Lewandowski se deteve para cumprimentar um dos proprietários, o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, figura muito conhecida em Brasília e amigo de vários advogados e políticos -entre eles o próprio Dirceu, citado na conversa. Lewandowski ficou pouco mais de uma hora no restaurante. A Expand Wine Store by Piantella é um misto de loja de vinhos, restaurante e bar localizada na quadra 403 Sul, no Plano Piloto. Pertence ao mesmo grupo de proprietários do Piantella, o mais tradicional restaurante da capital federal, ponto de encontro de políticos. Só depois da conversa com Marcelo é que Lewandowski sentou-se e fez os pedidos: uma garrafa de vinho argentino Santa Júlia, R$ 49 segundo o cardápio, uma porção mista de queijos e outra de presunto, cada uma ao preço de R$ 35. No telão localizado às costas do ministro, eram exibidos DVDs musicais -um show do grupo Simply Red e uma apresentação da cantora Ana Carolina.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O barraco de César e Syrkis na Favela da Rocinha

O Prefeito do Rio, César Maia (DEM, ex-PFL), e o seu ex-Secretário de Urbanismo, Alfredo Syrkis (presidente do PV no Estado do rio de Janeiro), resolveram armar o maior barraco adivinha onde - na maior das favelas, a Rocinha. Barraco com direito a primeira página do Globo, reprodução de e-mails trocados, publicação de trecho de livro (do Syrkis) a ser lançado, entrevistas nos principais veículos. Os alicerces do barraco estariam no desentendimento entre os dois sobre o que fazer com as construções irregulares da Rocinha, isso em 2005. Syrkis conta que tentou acabar com as irregularidades, mas César Maia teria impedido, movido por motivos políticos. Segundo ele, César estaria deixando de ser administrador para ser apenas político (algo assim). César responde na mesma moeda, dizendo que tudo não passa de encenação de Syrkis, que estaria buscando projetar-se por causa de sua candidatura a Prefeito do Rio em 2008 (algo assim). Os dois certamente têm razão. São muito próximos desde os tempos do PDT de Brizola e vinham há anos fazendo uma perceria muito bem afinada na política local. O PV servia a César para aliviar um pouco as tintas carregadas de seu conservadorismo. E César era a máquina que garantia um pouco de oxigênio ao debilitado PV. As estruturas dessa relação tiveram um abalo forte em 2006. Syrkis candidatou-se a senador pensando em conquistar uma votação expressiva e, com isso, cacifar-se para a candidatura de prefeito em 2008. Chegou até a mudar o visual para isso. E obviamente contava com o aval de César que talvez tenha sido o mentor do plano. Mas a disputa ficou muito polarizada entre Dornelles (PP) e Jandira (PCdoB), com todas as projeções apontando para a vitória da "comunista do b". César percebeu que ela é que ganharia força monumental para a disputa de 2008, e isso ele não poderia admitir. Retirou todo o apoio a Syrkis e colocou em Dornelles (que não tem a pretensão de ser prefeito), garantindo a sua vitória. O resultado é que a vida em palco iluminado que os dois tinham agora não conta mais com as roupas comuns dependuradas...

Mensalão já é passadão

Ok, mídia. Já acabou essa fase do mensalão. O que tinha de importante como notícia já foi, e agora só resta política. Sei que a grande imprensa adora fazer política anti-Lula, mas tem coisa mais importante para fazer. Vamos combinar: daqui a três anos, quando começarem a sair as sentenças de verdade, a gente voltar a tocar no assunto.

Pobreza americana

Hoje de manhã, estava levando meu filho à escola e conversava com ele sobre a contradição no fato de o país mais rico do mundo ser um dos que mais têm pobres. Eu ainda não tinha lido a notícia sobre a queda do índice de pobreza nos Estados Unidos. Mas a manchete do Globo já vem com a decepção pela boa notícia: "EUA: pobreza cai, mas discretamente". Realmente é uma queda muito discreta, apenas 0,3%, na comparação entre os índices de 2005 (12,6%) e de 2006 (12,3%). Isso significa redução de cerca de 100.000 no número de pobres. O que é muito pouco, considerando que o número total está bem perto de alcançar os 40.000.000. Pior ainda quando a comparação é feita com o índice do ano 2000 (Governo Clinton) que era de 11,3%. O atual governo do país mais poderoso e mais rico do mundo vai deixar como marca a tragédia do Iraque (que já matou milhares de jovens americanos e centenas de milhares de iraquianos) e a incapacidade de redução da pobreza de seu próprio povo. Deveria pelo menos seguir o exemplo do Prefeito Bloomberg, de New York, e copiar o Bolsa-Família.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Mensalão: o Supremo vai julgar fatos ou versões?

O Supremo pode ficar alheio à opinião pública? Não, claro que não. O Supremo não pode ser uma entidade à parte, como se não pertencesse à sociedade que o criou. Por outro lado, não pode ser seu refém. Não pode ficar im-pressionado. Muito menos quando se percebe que há muitos interesses conflitantes tentando influenciar na decisão. A grande imprensa, por exemplo, pressiona incansavelmente, a pretexto, talvez, de representar a opinião pública - o que está longe de ser verdade, embora muitas vezes consiga formar a opinião pública. Mas o fato é que nem sempre o fato corresponde à versão. Às vezes até pode corresponder, mas é difícil ou impossível comprovar. Vejamos o exemplo dessa história (que virou manchete do fim de semana) que fala do dinheiro do Ministério do Esportes que teria ido parar nas mãos de uma assessora de um deputado (não lembro qual) do PT. Pelo que foi divulgado como material da acusação pode até ser verdade. Mas pode até não ser. A rigor, nada comprova o elo. Trata-se acima de tudo de uma percepção nesse sentido. Os juízes devem considerar esse tipo de percepção? Claro que sim. Mas devem também considerar os seus riscos. Alguém pode argumentar que o julgamento do mensalão ainda não é definitivo. O Supremo está está apenas julgando se deve haver julgamento ou não - portanto, seria aconselhável aceitar essas percepções de acusação para que haja um julgamento completo e, assim, ter todos os elementos para a verdade final. Mas isso é meia verdade. O Supremo já está fazendo um julgamento, sim. O mundo das percepções vai se alimentar das decisões de agora. Quem for conduzido para julgamento já estará condenado politicamente. Por exemplo, se José Dirceu for conduzido para julgamento hoje, amanhã ele já estará ardendo na fogueira das primeiras páginas. A decisão não é simples, mas deve ter parâmetros indiscutíveis. Não podemos sobreviver às custas de pressões e percepções discutíveis. Mais importante seria julgar essas democracias "representativas" que de fato só servem para representar os interesses de poucos. Que democracia é essa que faz com que os executivos negociem com os parlamentares benefícios em dinheiro para garantir governabilidade? E qual o papel dos juízes nessas "democracias"? Infelizmente, ainda teremos muitas versões em julgamento, antes de termos democracia representativa de fato.

sábado, 25 de agosto de 2007

A capa do O Globo de hoje é um primor de campanha anti-Lula

É preciso tirar o chapéu para o pessoal do jornal O Globo, porque eles são muito competentes na sua campanha anti-Lula. São trabalhos muitas vezes silenciosos, apesar de gritantes. Essa primeira página de hoje é um exemplo. A manchete fala dos réus do mensalão, em função do julgamento no STF. Mas a foto que ilustra a reportagem é uma foto de Lula cabisbaixo - que na verdade faz parte de outro assunto. A busca da vinculação de Lula com o mensalão é sutil e ao mesmo tempo escandalosa. Tanto pode significar que Lula é um dos reús como pode significar que Lula chorou (a legenda da foto fala em "Ataques, elogios e choro") por causa de seus amigos. Na verdade, o choro real de Lula refere-se a outro assunto. Ele chorou "ao contar histórias de sua juventude pobre na periferia paulista: em cerimônia de lançamento do PAC no Paraná, criticou a imprensa, a elite e o ex-presidente FH, fez elogios a Geisel e Getúlio, e evitou o tema do mensalão", como "confessa" o jornal, sem muito destaque. É uma peça de propaganda política no melhor estilo Goebbels.
Sem ligação com Goebbels, lembro do caso do jornalista de um estado nordestino que ficou chateado por ter saído da equipe de Veja. Ele também era editor de um pequeno jornal e, uma semana depois da demissão, noticiou a visita de Vitor Civita, o dono da Editora Abril, à sua cidade com uma foto imensa de primeira página. Graças à diagramação (como essa do Globo) parecia que a foto de Vitor Civita era ilustração da manchete principal: "Preso o chefe dos contrabandistas"...

Descobrimento da América em perigo: roubaram o mapa de Colombo

Deu no El País: "Robados en la Biblioteca Nacional dos mapamundis de 1482. Dos mapamundis grabados e ilustrados que formaban parte de sendos ejemplares de la edición incunable de 1482 de la obra de Ptolomeo Cosmografía, han sido sustraídos de la Biblioteca Nacional, según fuentes de esta institución". Ess livro, Cosmografia, de Ptolomeo, teria sido "unos de los libros que manejó antes de iniciar su primer viaje Cristóbal Colón", segundo a cartógrafa Carmen Manso Porto. Se esse roubo fosse antes, talvez a gente continuasse índios - e feliz da vida...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Os Ministros do Supremo foram flagrados como crianças fazendo travessuras

Nada contra as trocas de confidências entre os ministros do Supremo. Afinal, são pessoas, de carne e osso, que também fazem suas estripulias. O momento é que era extremamente impróprio. Primeiro, que não é para fazer estripulias na hora de julgar que eles são pagos. Segundo, que trata-se de um julgamento muitíssimo delicado, que mobiliza autoridades, políticos, mídia e opinião pública e exige muito respeito e seriedade, ou seja, não pode dar margem a dúvidas jurídicas. Terceiro, que já é hora de ficar esperto contra as "espertezas" da mídia, da Globo em particular. Quarto, que em nenhum momento ninguém tem o direito de prejudicar a imagem do Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição. Isso é imperdoável. É muito pior do que flagrar os filhos lendo revistinha de quadrinhos na hora do dever de casa. Merecem castigo...

Inteligência americana afirma que a crise no Iraque deve piorar. Como pode?

A primeira coisa a se questionar é se há realmente "inteligência" no governo americano. Se existe algo assim, deve estar de férias em outro mundo, porque os americanos têm feito burrice atrás de burrice. Segundo, é difícil imaginar algo pior na tragédia iraquiana. O ano de 2007 já é o pior em número de mortes entre os soldados americanos: 3,08 mortos por dia, até a última quarta-feira - o total desde a invasão já chegou a 3.724 (Iraq Coalition Casualties) e, nesse ritmo, deve chegar a 4.000 antes de dezembro. E as barbaridades continuam. Ontem mesmo, em um ataque aéreo noturno, as forças americanas atingiram a população civil, que costuma dormir nos telhados para fugir do calor. Não há como qualquer coisa piorar no Iraque. As estatísticas multiplicam-se, as atrocidades repetem-se - mas o pior já aconteceu há muito tempo e é um estado permanente na região. Leia mais na Reuters.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

O fato novo nas eleições 2008 do Rio: Garotinho tenta mover o Bispo Crivella para a casa do PMDB

O Senador Marcello Crivella, do PRB (o mesmo partido do Vice José Alencar, aliado de Lula) e também Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (denominação evangélica pentecostal, liderada pelo Bispo Edir Macedo), estaria transferindo-se para o PMDB (do Governador Sérgio Cabral, do ex-Governador Garotinho e do Presidente da Assembléia Picciani). Por trás dessa possível mudança está a eleição para Prefeito do Rio em 2008. Apesar de liderar todas as pesquisas para Prefeito, o Senador Crivella enfrenta alguns problemas básicos. 1) O seu partido atual, PRB, é um partido novo, com tempo mínimo no Horário Eleitoral Gratuito. Ele precisa urgentemente de uma aliança forte ou passar para um partido que ofereça tempo no HEG - e nesse sentido o PMDB é perfeito. 2) A Igreja Universal enfrenta forte oposição das Organizações Globo, além de significar rejeição total na classe média da Zona Sul do Rio - o PMDB não é muito bem visto também, mas teria uma grande máquina para compensar. 3) O PT do Rio jamais aceitaria apoiá-lo no primeiro turno (um dos seus pré-candidatos, aliás, o Deputado Molon, tem apoio tradicional da Igreja Católica, e a pré-candidata Benedita da Silva também é evangélica) - mas certamente daria apoio em eventual segundo turno contra outros candidatos. Assim, a passagem do Senador Crivella para o PMDB faz muito sentido. Para o PMDB poderia trazer algumas vantagens, já que o partido está com a máquina na mão, mas não tem nome forte como Crivella. A chamada "solução caseira", com a candidatura do secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, teria problemas, porque ela só faria sentido se ele se filiasse ao Democratas (ex-PFL, do Prefeito César Maia), tendo o Deputado Federal Leonardo Picciani (PMDB, filho do presidente da Assembléia) como vice. Essa aliança com o autal prefeito é defendida com unhas e dentes pelo Presidente Picciani (que quer ver o filho projetado e sonha com votos da classe média), mas poderia desagradar Lula, um aliado de Sérgio Cabral que tem César Maia como adversário. Outro problema para o PMDB seria o fato de Crivella entrar no partido pelas mãos do também evangélico Garotinho, adversário de Sérgio Cabral, de Picciani e do aliado Lula. Mas não é só isso: Crivella certamente tomaria de vez o eleitorado povão do PMDB. Isso não seria problema para Garotinho, mas poderia ameaçar outros caciques, que perderiam definitivamente o controle partidário. Quem está muito aflito com isso certamente é o Prefeito César Maia, que vê na aliança com o PMDB (que colocaria um nome no Democratas para ser o candidato) a grande chance de massificar no Rio o número 25 do seu partido e ainda garantir vitória. As peças do xadrez estão em movimento acelerado, porque o tempo para mudanças acaba em setembro.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Encontro do MST com a Filosofia: parece encontro de Arado com Odara, mas não é

O Globo Quando Caetano Veloso escreveu Odara ("paz", "traqüilidade" e, principalmente, arado escrito ao contrário) é claro que não pensou que filosofia se faz com os pés no chão. E é assim mesmo que se pensa normalmente. Trabalhador da terra e estudante de filosofia seriam oposições que jamais se encontrariam. Pois ontem marcaram encontro. Ali no Largo de São Francisco, no Rio, onde fica o Instituto de Filosofia, Ciências e Letras, estudantes de filosofia (e outras faculdades) encontraram-se com representante de trabalhadores da terra, dentro de um movimento nacional. Diz O Globo: "Integrantes de grupos estudantis e movimentos sociais, entre eles MST, Via Campesina, UNE, Ubes, Andes e Educafro, ocuparam ontem de manhã prédios de universidades federais no Rio, em Belo Horizonte e em Salvador, e anunciaram ações em outros 15 estados a fim de protestar contra a dificuldade de acesso da população pobre ao ensino, especialmente o superior". É um belo encontro, por uma causa nobre - com perdão da má palavra...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Parapan 2007: a maior emoção

Essa foto de Jorge William que saiu hoje no Globo mostrando a comemoração pela conquista da medalha de ouro no vôlei diz tudo. O quadro de medalhas, com o Brasil pela primeira vez campeão, aumenta ainda mais nossa emoção. Obrigado, atletas.

domingo, 19 de agosto de 2007

Deu no Blog do Altino Machado que deu no Blog do Josias

Li a notícia primeiro no Blog do Mello, e como ex-morador de Rio Branco (Acre), onde escrevi meus primeiros poemas e cheguei a editar dois jornais estudantis, não poderia deixar de protestar contra o que fizeram contra o blogueiro do Acre Altino Machado. Saiba mais:

Atentado ao bom senso infelicita blogueiro do Acre "O repórter Altino Machado conduz o blog mais conceituado do Estado do Acre. Em fevereiro de 2007, publicou em seu recanto virtual a foto ao lado. Mostra um jovem “cavalgando” a estátua do poeta Juvenal Antunes, assentada no centro histórico de Rio Branco. O “jóquei” de estátua já havia divulgado, ele próprio, a foto de sua proeza no sítio de relacionamento Orkut, aberto à visitação de 67 milhões de usuários em todo o mundo. Mas foi a republicação feita por Altino, cujo blog costuma receber entre 800 e 900 acessos diários, que incomodou a família do “cavaleiro” de escultura. Acionado, o Ministério Público foi à Justiça contra Altino. E uma juíza do Acre ameaça impor, veja você, uma multa ao repórter. De resto, quer obrigá-lo a excluir de seu blog a famigerada fotografia. Alega-se que a imagem do “Jóquei”, por menor de idade, não poderia ter sido exposta. Nenhuma palavra sobre a divulgação prévia no Orkut. Nenhuma menção ao fato de que, naquela comunidade virtual, o “cavaleiro” intrépido apresentava-se como maior, de 18 anos. Nenhuma reprimenda ao comportamento, digamos, atípico do mancebo. Por ora, a pendenga rendeu uma audiência desagradável ao repórter Altino e uma superexposição do “montador” de estátuas. A imagem corre a blogsfera. Até Glória Peres fez menção ao episódio em seu sítio, “De tudo um pouco”. Deve-se à novelista a recente "ressurreição" do poeta Juvenal Antunes, incluído no rol de personagens da mini-série "Amazônia", exibida recentemente pela Globo. Em consequência do rebuliço, o blog de Altino, alvo da tentativa de censura, teve o número de visitas tonificado: os acessos agora passam de 3.000. Como se vê, a falta de bom senso não enxerga nenhum tipo de fronteira. Manifesta-se em todo país, de Sul a Norte". Josias de Souza é colunista da Folha de S. Paulo. Clique aqui para acessar o blog dele.

Sugestão para enfrentar a crise aérea: vamos trocar Congonhas por Heathrow...

Enquanto nós aqui lutamos para que o Aeroporto de Congonhas tenha as pistas ampliadas e, com isso, possa oferecer mais segurança, na Inglaterra faz uma semana que os ambientalistas fazem protesto contra a ampliação do Aeroporto de Heathrow, o mais movimentado da Europa. Alegam os ambientalistas que o aumento do tráfego aéreo de Heathrow aumentaria também a emissão de CO2 - o que é prejudicial ao planeta. Aliados aos ambientalistas, estavam também os moradores locais, que não querem conviver com o tumulto das obras e do possível aumento do tráfego aéreo ensurdecedor. Minha sugestão é simples. A gente pega o Congonhas, do jeito que está, empacota e despacha para a Inglaterra. Aproveita a viagem de volta para trazer o Heathrow - também do jeito que está, sem precisar aumentar nem mesmo um centímetro. Talvez falte um pouco de espaço aqui em São Paulo. Mas empurrando um pouquinho pra lá, outro pra cá, a gente dá um jeito... Leia mais: The Independent, Financial Times, El País.

sábado, 18 de agosto de 2007

Ancelmo Gois e O Globo chegam tarde à notícia sobre a sede da TV Pública

O Globo de hoje (dia 18) diz que a escolha da sede da TV Pública no Rio, "foi revelada por Ancelmo Gois em sua coluna ontem (dia 17)". Não é verdade. A escolha foi revelada por Ottoni Fernandes Jr., secretário-adjunto da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, no dia 14, na conferência de abertura do 7º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Depois, como notícia de primeira mão, foi divulgada pelo "Jornalista & Cia" (edição 604) no dia 15 e reproduzida, no mesmo dia, aqui neste Blog ("Sede da TV Pública será no Rio"). Mais uma vez a grande imprensa chega tarde e nem percebe.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Está explicado por que cansaram do Nordeste: Bolsa-Família não tem produto Phillips...

Está certo o presidente da Phillips para a América Latina, Paulo Zottolo, integrante do movimento (quase parando) "Cansei". O Piauí não faz falta. Nem faz falta o Nordeste. Nem faz falta o povo de todo o Brasil que muitas vezes não tem nem mesmo luz elétrica - e por isso não pode comprar lâmpadas Phillips. A maioria dos homens desse "povinho dispensável" vive barbuda ou com a barba por fazer - se tivesse vergonha na cara compraria barbeadores elétricos Phillips. A musicalidade desse povo metido a besta parece que vem do berço, porque "eles" não compram aparelhos de rádio ou toca-discos Phillips. É um povo que vive do Bolsa-Família - onde até hoje não se viu um único produto Phillips! É natural. portanto, que o senhor Paulo Zottolo tenha cansado. Como ele, está cansada toda essa minoria elitista, que não suporta a idéia de conviver com um povo que está lutando, trabalhando de verdade, buscando uma vida melhor, disposto a ser feliz, sem medo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Scanner da Wikipédia flagra CIA e Vaticano fraudando a internet

Novos recursos tecnológicos estão permitindo identificar os usuários que alteram em causa própria a enciclopédia on line Wikipédia. Foi possível, por exemplo, identificar o dedo do CIA na alteração da biografia do arqui-inimigo de Bush, o primeiro ministro iraniano Mahmoud Ahmadinejad. O Vaticano teria posto no limbo informações sobre presença, em um atentado, de impressões digitais do líder do Sinn Fein (irlandês), Gerry Adams. Foram flagrados, vindos da sede do Partido Democrata, americano, insultos contra Rush Limbaugh, nas eleições de 2000. Empresas comerciais também fizeram suas alterações, como seria o caso da Diebold (que produziu as polêmicas urnas eletrônicas americanas de 2000), que teria deletado a informação de que o chefe da empresa, Walden O'Dell, foi encarregado de arrecadar fundos para George Bush. O novo Scanner da Wikipédia é mais um instrumento para preservar a credibilidade da enciclopédia livre. Leia mais na reportagem de Jonathan Fildes, da BBC News, e em El País.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Sede da TV Pública será no Rio

Notícia publicada hoje no "Jornalista & Cia" (edição 604):
Ottoni Fernandes Jr., secretário-adjunto da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, afirmou na noite desta 3ª.feira, 14/8, na conferência de abertura do7º Congresso Brasileiro de Comunicação no Serviço Público, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, que a sede da Rede Pública de TV / TV Brasil (o nome que ainda não foi definido) será mesmo no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada, segundo ele, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e defendida pelo ministro Franklin Martins. Uma das razões da escolha do Rio de Janeiro para cabeça de Rede é a distância em relação ao poder central, o que, na visão deles, deverá conferir maior liberdade e independência às decisões da organização. Ottoni falou também sobre os trabalhos para a fusão das estruturas da Acerp (a associação controladora da TVE), que é homogênea, e a da Radiobrás, mais fragmentada, ambas resultando no que deve se chamar Sistema Público de Informação. Garantiu que não haverá demissões, devendo todos os cerca de 1.400 empregados serem aproveitados na estrutura em construção. Afirmou ainda que está nos planos a criação de uma ouvidoria, para dar voz e poder de crítica à sociedade, e disse que a troca de conteúdo entre as várias tevês públicas do País, como as universitárias, as legislativas e as educativas, será estratégica tanto na qualificação da programação quanto na viabilidade econômica do projeto. Ottoni revelou ainda que estão sendo estudadas várias alternativas em termos de geração de recursos para a nova tevê pública, entre elas doações diretas da sociedade, patrocínios institucionais, venda de conteúdo e venda de serviços. O governo não quer que o projeto dependa apenas de verbas oficiais e também não aceitará a venda de espaços publicitários, devendo as receitas neste campo advirem exclusivamente de inserções institucionais. O anúncio de que o Rio vai sediar a emissora foi feito diante dos 200 presentes à solenidade de abertura do 7º Congresso, evento que vai reunir, até a próxima 5ª.feira, 16/8, cerca de 400 participantes.

Respeito à dor

Folha Se tem alguém que demonstrou dor (além dos parentes das vítimas, claro) com as tragédias aéreas ocorridas recentemente, foi o brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). Demonstrou competência, coragem e sentimento de dor.

Suplicy e Eder Jofre fazem carta aberta a Fidel

O ex-campeão Eder Jofre e o Senador Eduardo Suplicy (PT-SP) publicam hoje na Folha carta aberta a Fidel Castro, a propósito do caso pugilistas cubanos. Reproduzo:
Carta aberta a Fidel Castro Quem lhe escreve são dois brasileiros, ambos ex-pugilistas. Gostaríamos de fazer um apelo humanitário ao governo de Cuba EXMO SR. Presidente Fidel Castro Ruz: Queremos cumprimentá-lo por seu aniversário e expressar nossos votos de plena recuperação de sua saúde. Acompanhamos com atenção os 15º Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, em especial o caso dos pugilistas cubanos Guillermo Rigondeaux Ortiz e Erislandy Lara Santoya. Quem lhe escreve são dois brasileiros, ambos ex-pugilistas. O primeiro é Eder Jofre, campeão mundial de boxe dos pesos-galo de 1960 a 1965 e dos pesos-pena em 1973, considerado o melhor peso-galo de todos os tempos pelo Conselho Mundial de Boxe e o nono melhor pugilista de todos os tempos por "The Ring", além de ter sido vereador de São Paulo de 1989 a 2002, pelo PSDB. O segundo é Eduardo Matarazzo Suplicy, que disputou em 1962 -como Eder Jofre em 1953- a "Forja dos Campeões", campeonato amador patrocinado pelo jornal "A Gazeta Esportiva", e atualmente é professor de economia na FGV e senador da República pelo PT, eleito pela terceira vez pelo povo do Estado de São Paulo. Vimos que os atletas cubanos tiveram um extraordinário desempenho no Pan do Rio, com 59 medalhas de ouro, superado só pelos dos EUA, com 97. O mérito de Cuba é impressionante -a população dos EUA é mais de 25 vezes maior que a cubana. Agradecemos pelo voto de pesar transmitido ao povo brasileiro pelo trágico acidente aéreo que causou a morte de 199 pessoas em meio ao Pan. Em relação aos dois pugilistas, sabemos que abandonaram a delegação de Cuba na Vila do Pan e acabaram aliciados por empresários que lhes ofereceram vantagens monetárias e diversões para que deixassem de cumprir a responsabilidade de representar sua nação. Lemos seus depoimentos à Polícia Federal, em que expressam arrependimento, amor a Cuba e vontade de voltar ao seu país de livre e espontânea vontade, segundo assegurou o representante do Ministério Público que os assistiu. Em virtude disso, o governo brasileiro, em coordenação com o cubano, tomou as medidas para que voltassem a Cuba. No artigo de 4/8 para "O Granma", V. Excia. afirmou que "esses cidadãos não sofrerão arresto de nenhum tipo e ainda menos serão vítimas de métodos como os praticados pelo governo dos Estados Unidos em Abu Ghraib e Guantánamo, jamais utilizados em nosso país. Estarão provisoriamente numa casa de visita e poderão ser visitados por seus familiares". Três dias depois, V. Ex.ª escreveu: "É chegado o momento de constituir a lista de pugilistas cubanos que participarão das Olimpíadas de Pequim, com quase um ano de antecipação. Primeiro eles devem viajar aos EUA para participar do campeonato mundial, um dos três eventos classificatórios dos Jogos Olímpicos". Em seguida, V. Ex.ª. adverte, depois de alertar com respeito a oferecer carne fresca aos tubarões da máfia, que "as autoridades desportivas estão analisando todas as variantes possíveis, incluindo trocar a lista dos boxeadores ou não enviar delegação alguma". Se isso significar que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara não poderão representar Cuba no campeonato mundial e depois nas Olimpíadas de Pequim, gostaríamos de fazer um apelo humanitário ao governo de Cuba. Queremos ressaltar nosso respeito à decisão que vier a ser tomada, pois ambos sabemos que não devemos interferir nas decisões internas e soberanas de cada país, princípio estabelecido na Constituição brasileira. Considerando que Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara reconheceram o erro de abandonar a delegação às vésperas das lutas, qualificado em seu artigo como semelhante ao do soldado que abandona os companheiros em meio ao combate; que já estão de volta ao seio de suas famílias e que são campeões olímpicos com possibilidade de serem novamente vencedores, pedimos que Cuba possa lhes dar uma nova oportunidade, como merecem todos os seres humanos. Esse gesto de generosidade nos aproximará do que disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 5, no jornal "O Globo": "Em nosso continente não precisamos de muros... A verdadeira integração faz circular livremente não apenas mercadorias e serviços mas também pessoas e idéias". Quem lhe escreve tem recomendado aos EUA o final do bloqueio econômico imposto a Cuba há tantas décadas, como sabe V. Ex.ª. Permitir que Rigondeaux e Lara disputem a próxima Olimpíada representando Cuba contribui para o espírito universal do esporte. Amando Cuba, como declararam, certamente continuarão a viver em seu país.
Respeitosamente, EDER JOFRE, 71, bicampeão mundial de boxe, foi vereador pelo PSDB em São Paulo. EDUARDO MATARAZZO SUPLICY, 66, doutor em economia pela Universidade Estadual de Michigan (EUA), professor da FGV, é senador pelo PT-SP. É autor do livro "Renda de Cidadania - A Saída é pela Porta".

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Nelson Jobim, o Presidente da Classe Média

Google O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, se dependesse dele, certamente faria um mundo povoado unicamente pela chamada Classe Média, sairia candidato a Presidente e, fácil, fácil, seria eleito no primeiro turno. E como seria esse mundo? Seria um mundo ótimo, claro. Não haveria Michel Temer, não haveria grande imprensa de oposição e todos andariam de avião. As poltronas seriam, todas, mais espaçosas, mais confortáveis. Os vôos seriam seguros, com os controladores todos civis, bem pagos, eficientes. Os aeroportos, todos na mesma localização de Congonhas, teriam pistas enormes (com grooving), com imensas áreas de escape, e teriam áreas agradáveis para a espera e o shopping. Nesse mundo, a Infraero seria inteiramente privatizada e a Anac seria conservada apenas para que existisse um mal a ser combatido. E, me diga uma coisa, aquele que ainda não pertence à Classe Média, espalha-se principalmente pelo Nordeste e pelas periferias das grandes cidades - como seria o seu mundo? quem seria o seu Presidente? quem distribuiria Bolsa-Família? Esse é um problema para Lula resolver. Claro que o ideal seria unir esses dois mundos. Mas quem seria o Vice?

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Granma

A alma política de Bush pediu demissão

Karl Rove, o supremo estrategista de Bush está deixando a Casa Branca. É o que ele próprio declara em entrevista a Paul Gigot, editor do The Wall Street Journal, e que foi publicada hoje. Sai dia 31, depois de ter acompanhado Bush por mais de 10 anos, estabelecendo suas estratégias políticas (na maioria das vezes, vencedoras). "I just think it's time," disse ele. "There's always something that can keep you here, and as much as I'd like to be here, I've got to do this for the sake of my family." Credita-se a ele não apenas a arquitetura das campanhas políticas, mas também o próprio "parto" da persona política de Bush. Esperava-se que ele deixasse a Casa Branca junto com Bush em janeiro de 2009. O Presidente americano, que já parecia perdido, ficou agora sem pai nem mãe. Leia também no New York Times.

domingo, 12 de agosto de 2007

Tropicália ou Panis et Circensis: quarenta anos depois, as pessoas da sala de jantar continuam ocupadas - não se sabe em quê

O movimento tropiconcreto - ou tropicalista - foi um dos movimentos mais fortes de nossa cultura, já falei isso. É louvável a homenagem no Museu de Arte Moderna, no Rio, até o dia 30 de setembro

Gabriel Tarde a serviço de Lula

Gabriel Tarde é o nome preferido de César Maia para tecer suas tramas políticas. É a partir do pensador francês que ele fala dos "fluxos de opinamentos" ou da teoria da "pedra no lago" anti-Lula. César Maia chega a parecer obsessivo nessa questão. De fato, ele procura municiar a mídia oposicionista com uma teoria bem montada. É a partir dessa mídia despreparada teoricamente - mas ávida de sangue - que César Maia vê a chance de contaminar o eleitorado brasileiro com um pensamento antilulista. Escreve ele: "Um fato forte funciona no Brasil como uma pedra que se joga na água de um lago onde os círculos concêntricos vão se abrindo, vão chegando às margens, ou seja, aos segmentos com menos informação. Nesta conjuntura - o efeito - o Rei Está Nu - foi precipitado pelas vaias do Maracanã no dia 13 de julho. Estas funcionaram como uma pedra jogada na água, no meio de um lago. O tamanho da pedra aumenta o diâmetro que se atinge. Mas sempre que se lançam outras pedras na direção das margens - nos 4 pontos cardeais que envolvem a canoa de onde foi lançada a primeira pedra - os círculos concêntricos são sustentáveis, recobram intensidade e garantidamente chegam às margens, ou seja, aos que têm menos informação. Esse processo no Brasil leva uns 90 dias. Mas se novas pedras não forem jogadas no lago os círculos vão se tornando mais tênues, com menor poder de contaminação da opinião pública de menor renda e menor escolaridade, que é exatamente o público alvo do governo". Foi a fórmula que ele encontrou para transpor o fato de que a base da sociedade não está iniciando um processo de contaminação anti-Lula. Escreve César: "Este Ex-Blog já comentou algumas vezes que a opinião pública se forma por contaminação e na base da sociedade. Esse processo é mais rápido quando toda a sociedade tem acesso a uma mesma informação publicada pela imprensa. No Brasil, em função dos níveis de renda e escolaridade o processo é mais lento". O problema é que as pedras da grande mídia não estão sendo fortes suficientes para contaminar a base negativamente. Há uma pedra mais forte lançada pela comunicação (com trocadilho) boca a boca. O Bolsa Família é mais forte do que a vaia ou do que a forçação da crise aérea. Junto com o Bolsa Família vem a redução da pobreza. Vem a educação. Vem a saúde. Vem a redução do desemprego. Vem a Carteira assinada. Vem o crédito. Aí, sim, podemos dizer, com toda propriedade, que "a opinião pública se forma por contaminação e na base da sociedade". São pedras mais fortes, mais variadas e melhor localizadas no "lago que formará a opinião pública". Além disso, a mídia que deveria ser fonte única de "pedras anti-Lula" é obrigada, mesmo a contragosto, a divulgar: previsão de crescimento do país acima de 5%; crescimento de 7% (sobre 2006) nas vendas do Dia do Pais (superior até ao último Dia das Mães); sucesso de Lula, do etanol e do bio-combustível no mundo inteiro; solidez da economia mesmo diante da revoada financeira mundial. É esse fluxo de opinamento que garante os altos índices de apoio a Lula, apesar das crises (algumas naturais, mas a maiotria fabricada), apesar do desespero da grande mídia e da Oposição. Eles têm dificuldade em aprender que os fluxos de opinamento não têm direção única. Que pode haver outros fluxos em direção oposta e com muito mais vigor. Mas nunca é Tarde para aprender...

Crise do Senado: tem Renan pra tudo quanto é lado

O ventilador é a grande ameaça que paira sobre o Congresso. Cada pingo de lama que é atirado contra Renan pode se multiplicar pelo cenário político, transformando-se em um lamaçal comum a todos. Esse "ventilador", que pode espalhar informações desagradáveis em todas direções, é a arma que Renan utiliza para tentar sobreviver. Afinal, tudo é lugar no mundo dos 3 poderes: adultério, corrupção, lobbystas, boi gordo, laranjas e também a propriedade camuflada de milhares de veículos de comunicação. Renan está fazendo bom uso do ventilador entre os seus pares. Primeiro, ele mostrou uma pontinha do ventilador. Depois, ele quis mostrar que não quer ser algoz de ninguém e apontou na direção de um inimigo externo, a Veja. O raciocínio é simples: "assim como me escolheu para vítima, essa revista pode escolher qualquer um de vocês; por isso é melhor nos unirmos para manter a instituição forte". A própria Veja (que no primeiro momento, claro, teve que endurecer o confronto) talvez esteja pensando nos próximos passos com muito cuidado, porque não conhece ainda claramente a potência do ventilador de Renan.

Pesquisa Datafolha: Chuchu ameaça voltar à mesa paulistana

Alckmin, Marta e Kassab são os grandes nomes da nova pesquisa Datafolha (1091 entrevistas, no último dia 9, com margem de erro máxima - no índice 50% - de 3%) para a Prefeitura de São Paulo na eleição de 2008. Há outras conclusões:
  • Marta e Kassab lideram com 8% na espontânea; Alckmin e Erundina empatam em segundo lugar com 5%
  • Maluf mantém alguma força, apesar de tudo; Erundina - os dois empatam com Kassab na estimulada, primeiro turno
  • Kassab é o preferido dos idosos; Marta cresce na faixa dos 25 a 44 anos; jovem gosta de Chuchu
  • Marta é o nome do povão; Alckmin cresce no nível superior e renda alta
  • Lula não é um bom eleitor em São Paulo; Serra também não é lá essas coisas
  • Alckmin venceria com folga o segundo turno com Marta, mas o mais provável é uma disputa apertada entre os dois por causa do perfil dos outros candidatos: Alckmin herdaria mais facilmente os votos de Kassab, enquanto Marta herdaria mais facilmente os votos de Maluf, Erundina e até mesmo de Paulinho

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Cachaça com dendê - tudo a ver

Não estou entendendo o alvoroço em torno da promoção da cachaça brasileira que Lula fez na Jamaica. Nada mais natural que ele tenha feito isso. Afinal, o assunto era álcool (etanol). A Jamaica está usando tecnologia brasileira para a produção do álcool de cana, e está se preparando também para grande produção de álcool a partir do dendê. Tudo a ver. É a Bahia chegando ao Caribe! Q.E.D... Leia reportagem no Jamaica Gleaner.

Acidentes aéreos: relação piloto-computador em xeque

O estágio atual do transporte aéreo, cada vez mais intenso, exige reflexão bem ampla sobre as medidas de segurança. Já se falou sobre a relação cada vez mais complexa entre o piloto e a máquina. E hoje o Plantão Globo traz uma notícia distribuída pela BBC que deve servir de alerta maior. Trata-se de uma entrevista dada por Kenneth Funk, especialista na interação do homem com os computadores, que declara que é "perigoso para pilotos confiar demais no computador". Transcrevo a matéria do Plantão Globo e você pode ler a entrevista completa (onde ele também critica a pressa em se culpar os pilotos por acidentes) clicando aqui.
Para Kenneth Funk, especialista na interação do homem com os computadores, o alto nível de tecnologia presente atualmente nos aviões, pode levar os pilotos a confiarem nos computadores mais do que deveriam. Funk é professor de Engenharia Industrial e Manufatureira da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, ele ministra cursos nas áreas de engenharia de fatores humanos, programação de computadores, engenharia industrial e inteligência artificial. Entre os seus campos de estudo está a aviação. Em 1998, ele conduziu um amplo estudo para verificar como a automação das cabines dos aviões está afetando os homens no comando do manche - ou do joystick. Descobriu que os computadores e a sofisticação dos aviões criaram novos desafios para os pilotos. A seguir, trechos da entrevista que Funk concedeu à BBC Brasil: * A automação substituiu funções que antes eram do piloto. O piloto tornou-se um supervisor de sistemas. Ele tem menos funções agora no sentido de controlar o avião de momento a momento. Agora ele programa o computador, determina parâmetros e monitora a automação. * No estágio inicial do nosso estudo havia uma indicação de que alguns pilotos estavam preocupados em se tornar apertadores de botões, mas agora os pilotos que entram na profissão estão familiarizados com computadores e entendem como a parte eletrônica funciona. Eles gostam da função de ser um supervisor de sistema. Os pilotos passaram a aceitar cada vez mais a automação. Mas ainda há uma variação entre os pilotos. Há pilotos que preferem voar manualmente a deixar o computador voar. Mas há outros que se sentem confortáveis em deixar que o computador faça o controle momento a momento. * Sim, pode afetar. Os aviões automatizados podem ser operados manualmente e automaticamente. Algumas companhias aéreas exigem que os pilotos voem manualmente por determinado tempo para manter suas habilidades do vôo manual. Se os pilotos contam muito com a automação ou se não mantêm habilidades manuais, isso pode levar a problemas. Há situações em que a automação falha ou situações em que não é apropriado usar a automação, em que seria mais apropriado voar manualmente. * Encontramos evidências em nosso estudo de que os pilotos podem ficar excessivamente confiantes nos computadores. Quando tudo funciona muito bem, é muito fácil nos tornarmos complacentes. Quando algo incomum acontece, não estamos em um estado de alerta para lidar com a situação rapidamente. Os pilotos são seres humanos. São altamente treinados, motivados e habilidosos, ou não seriam autorizados a voar. Mas são pessoas, e pessoas podem relaxar na vigilância. Na maioria das vezes os erros que resultam disso não são sérios, os próprios pilotos os corrigem, mas às vezes os erros não são identificados e algo de ruim acontece. Se você suspeita que há algo de errado com a automação ou se está ciente do perigo da complacência, então isso pode colocá-lo em um alto estado de alerta, ficando melhor preparado se um problema ocorrer. * As informações contidas nesses estudos, ao redor do mundo, tiveram um impacto positivo especialmente em treinamento, procedimentos e, até certo ponto, em equipamentos. Mas aviões e computadores são caros. O processo de evolução é lento para que ocorram mudanças na cabine do avião. Por ser potencialmente de alto risco, os fabricantes são muito cautelosos para introduzir novidades. * Além do treinamento, a companhia área pode adotar uma política de como o piloto deve usar a automatização. No início do sistema de administração de vôo, algumas empresas esperavam que o piloto usasse o máximo de tempo possível os equipamentos comprados. * Em algumas situações é inapropriado usar a automação em sua total capacidade. Às vezes é mais apropriado voar manualmetne. À medida que os pilotos foram encontrando problemas com a política de total automação, algumas empresas adotaram políticas mais realistas: cabe ao piloto decidir que nível de automação deve ser utilizado e em quais circunstâncias. * O piloto é a pessoa que está no controle. Há também a questão do design dos equipamentos e dos controles e a lógica dos programas. Mas as mudanças nesse sentido levam mais tempo para serem implementadas. * O que é importante em qualquer acidente é que, embora tenha havido um erro que o piloto cometeu que possa ser a causa imediata do acidente, nunca existe apenas uma causa. Existe uma confluência de múltiplos fatores como tempo, equipamento, pressão para chegar no horário, fadiga, treinamento, fatores da própria organização. Apenas um desses fatores não causaria um acidente. Eles ocorrem o tempo inteiro, mas em certas circunstâncias eles se juntam. Foi o que aconteceu no dia 17 de julho em São Paulo. * Seria um erro em qualquer acidente e em qualquer sistema complexo apontar apenas o piloto como a causa do acidente. * O piloto é uma pessoa muito conveniente para se culpar porque geralmente está morto e não pode se defender. Levará meses ou mais de um ano para que as autoridades brasileiras tenham um bom entendimento dos fatores que contribuíram para esse acidente. * Nesse meio tempo, podemos apenas especular sobre o que aconteceu. Mas, em acidentes como esse no passado, muitos fatores convergiram e uma catástrofe ocorreu.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Os atletas cubanos: será que Elio Gaspari não morre de vergonha?

O preconceito contra Cuba é impressionante. Percebi isso até em mim mesmo, quando fui conhecer o país há 20 anos atrás. Fiquei cheio de cuidados nos preparativos, declarando cada centavo de dólar que possuía, relacionando tudo que estava levando, oferecendo minha mala para a inspeção na chegada ao aeroporto. Eles acharam aquilo meio estranho. Jogaram no lixo minha relação de pertences e me mandaram seguir em frente sem abrir a mala: "Pode ir. A gente não faz nada disso aqui". No controle de passaportes, a autoridade local riu, quando eu disse que talvez fosse melhor não carimbar os meus documentos e perguntou: "Mas as coisas não mudaram por lá? Não é verdade que a ditadura acabou?" Que vergonha senti. E que alegria tive em conviver alguns dias com o povo cubano. Um dos lugares, como turista, que fiquei mais à vontade. Quando li o texto de Elio Gaspari sobre o caso dos boxeadores cubanos que fugiram do PAN, pensei no grande preconceito que existe, mesmo entre pessoas pretensamente esclarecidas. Deixei pra lá. Mas hoje, agora há pouco, li esse texto de Max Altman no Blog do Zé Dirceu. E fiz questão de reproduzir:
A verdade desmente Elio Gaspari. Ao contrário do que escreveu Elio Gaspari em sua coluna na Folha de S. Paulo deste domingo, 5 de agosto, de que "Lula colocou o Estado brasileiro a serviço da polícia política de Fidel Castro, como resultado da detenção e do anunciado repatriamento dos boxeadores Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara", o presidente brasileiro determinou ao delegado da Polícia Federal em Niterói, Felício Laterça, que informasse os atletas de que tinham direito de formalizar um pedido de refúgio ao Brasil. E que não só informasse mas que insistisse bastante nessa possibilidade. Legalmente quando se pede refúgio, aguarda-se no país a tramitação e o julgamento que é feito por um órgão independente das Nações Unidas e não pela justiça do país hospedeiro. Ao contrário também do que informa o sr. Gaspari de que os "dois foram detidos pela polícia no litoral do Rio, levados para um quartel da PM, transferidos para a Polícia Federal e colocados sob vigilância policial", Rigondeaux e Lara ficaram hospedados num hotel em Niterói entre quinta-feira e sábado, quando retornaram a Cuba em vôo fretado pelo governo cubano, decolando do Aeroporto Internacional do Galeão em torno das 21h00 de sábado, 4 de agosto. Foi no ambiente tranqüilo do hotel e não numa dependência carcerária da Polícia Federal, como insinua o sr. Gaspari, que o delegado Laterça declarou à imprensa "eles estavam ótimos emocionalmente. Pareciam exultantes e felizes com a viagem de volta. Sabem que são grandes atletas. Não estão com medo de retaliações. Acho que foram vítimas da empresa alemã. Um deles me disse: 'Há 11 milhões de cubanos a minha espera em Havana'. Insisti com eles, conversamos muito, mas não quiseram fazer o pedido de refugiados". O sr. Gaspari afirma que a atividade esportiva "na ditadura cubana é compulsoriamente estatal". Afirmação raivosa e caluniosa. Na verdade, em Cuba, o esporte, como a educação, a saúde, o lazer, a arte, é um direito de todo cidadão, desde a mais tenra idade. E esse direito é levado a sério. Os índices dos diversos organismos das Nações Unidas comprovam-no. A excelência desportiva de Cuba, um país com pouco mais de 11 milhões de habitantes, decorre da universalidade da prática desse direito, os atletas sendo descobertos, formados e preparados para as competições de alto nível por uma imensa legião de treinadores, professores de educação física, fisicultores, médicos, psicólogos, etc. O esporte em Cuba é essencialmente amador. Ninguém assina contrato para conseguir mais dinheiro. Se é verdade que alguns desportistas cubanos, especialmente no beisebol, atraídos pelos aliciadores norte-americanos ao preço de muitos dólares, deixaram seu país para viver profissionalmente do esporte, a imensa maioria, entre a qual alguns heróis do esporte universal que deixaram sua marca histórica, como Javier Sottomayor e Alberto Juantorena (atletismo), Teófilo Stevenson e Félix Savón (boxe), Regla Torres e Mireya (vôlei) rejeitaram o saco de dinheiro, preferindo ficar ao lado de seus companheiros de disputa e do povo cubano. O murmúrio do sr. Gaspari de que "Fidel Castro chamou sua delegação de volta antes da festa de encerramento do Pan porque farejou fuga em massa de atletas" já se calou de todo diante dos fatos. Esse murmúrio, que a Globo trombeteou enquanto pôde, foi desmentido, não por esta estação que escondeu vergonhosamente a realidade e sim pela concorrente Bandeirantes que exibiu inúmeros atletas cubanos desfilando no Maracanã na festa de encerramento. Diz finalmente o articulista, em fecho digno de seus colegas que militam na imprensa de Miami, que "o aparelho do Estado brasileiro deteve Rigondeaux e Lara a serviço da repressão cubana." As agências internacionais dão conta que os pugilistas encontraram-se com seus familiares numa casa de visita e colocaram-se à disposição da imprensa local e internacional. A respeito da repressão vale a pena ler as observações de Fidel Castro, antecipando-se aos comentários maliciosos e mendazes que fatalmente viriam: "A esses cidadãos não lhes espera prisão de nenhum tipo, muito menos os métodos que o governo dos Estados Unidos utiliza em Abu Ghraib e Guantânamo. ... Serão oferecidas a eles tarefas dignas e em favor do esporte de acordo com seus conhecimentos e experiência. As autoridades brasileiras podem ficar tranqüilas diante das inevitáveis campanhas dos adversários. Cuba sabe comportar-se à altura das circunstâncias." O resto é conversa fiada, como diz o próprio Elio Gaspari.

O Prefeito César Maia não consultou o estrategista César Maia

Se é verdade que o Prefeito César Maia declarou isso ("O remédios estragaram porque faltou doentes") que está na primeira página do Jornal do Brasil de hoje, ele falhou duas vezes: como Prefeito e como estrategista. Remédio não pode estragar por falta de doente. Se falta doente no Rio (o que não é verdade, segundo a própria Secretaria Municipal de Saúde), que os remédios sejam doados a municípios carentes. Doente, com certeza, não vai faltar. Essa frase de César Maia não poderia de forma alguma ser pronunciada pelo César Maia que ocupa diariamente o seu Ex-Blog com aulas de estratégias, orientações políticas e articulações oposicionistas. Seria no mínimo uma frase infeliz ou primária. Espera-se algo mais.

Lula recebe Ordem da Paz Martin Luther King

Não vi nos grandes jornais (pode ter sido falha minha), por isso estou postando essa reportagem de Raúl Arévalo no La Jornada:
Lula recibe del UPOLI la orden de la paz Martin Luther King. El Presidente de Brasil, Luiz Ignacio Lula Da Silva, recibió de parte de la Universidad Politécnica de Nicaragua, UPOLI, el día de ayer, la Orden de la Paz, Martin Luther King. El mandatario Brasileño llegó acompañado del Presidente de Nicaragua, Daniel Ortega Saavedra y su esposa Rosario Murillo. El Rector de la UPOLI, Ing. Emerson Pérez Sandoval, dijo que era un honor para la Máxima casa de estudios universitarios recibir al presidente Lula y a un digno representante de la Clase obrera por sus aportes a la Cultura de Paz y otorgarle la más alta distinción universitaria. El Rector de la UPOLI estaba acompañado del Patronato universitario constituido por el Dr. Norberto Herrera Zúniga; Ing. Hugo Silva; Msc. Lidia Ruth Zamora; Dr. Ramiro Cruz; Lic. Jerje Ruíz; Msc. Tomás Téllez; el Director del Instituto Martin Luther King, Dr. Hugo Torrez Pérez y el Reverendo Miguel Torrez Pérez. En el acto el Presidente Daniel Ortega Saavedra dio a conocer la firma de varios acuerdos entre la delegación de alto nivel de Brasil que visitó Nicaragua entre los cuales sobresalen el del interés de Brasil en dar sus aportes a la crisis de energía que vive Nicaragua por las 7 horas de apagones continuos por lo obsoleto de la plantas energéticas. Ortega Saavedra dijo que Brasil enviará a Nicaragua flotas de buses como parte de los planes de ayuda a corto plazo y capacitación en el campo de la ciencia y la tecnología en educación superior. El Presidente nicaragüense solicitó al mandatario Lula que los 5. 9 millones de dólares que quedan de la deuda externa que Nicaragua tiene con Brasil se puedan aplicar a programas sociales y desarrollo de Nicaragua para combatir la pobreza en el país. Ortega Saavedra reiteró sus críticas a los EUA por la presencia de sus tropas en Irak y Afganistán y por el embargo comercial contra Cuba de parte de EE.UU. que lleva 50 años. Expresó que la ONU debe de tener coherencia y su contenido debe de ser reformado y democratizado. Manifestó su interés en que Nicaragua debe de estar en el MERCOSUR al igual que lo esta en el ALBA. El Presidente nicaragüense elevó su voz vivando a los presidentes de Venezuela, Cuba y Bolivia.
Também reproduzo, do mesmo jornal, a reportagem de Zayda Garméndez, que diz erroneamente que o Brasil promove a produção de etanol a partir de milho (maíz):
Ortega ante Lula rechazó producción de maíz para etanol. La visita a Nicaragua del mandatario brasileño Lula Da Silva, generó ciertas contradicciones que no pasaron a más. Porque este promueve la producción de maíz para convertirlo en etanol a base de maíz pero el presidente nicaragüense, Daniel Ortega Saavedra descartó esta medida desde el primer momento que el mandatario brasileño llegó a Nicaragua, al decir claramente que “producir etanol es un crimen”. A inicios de una conferencia brindada en la Secretaria del Frente Sandinista, lugar que es la sede de la Presidencia de la República, lugar donde recibe el presidente Ortega a sus visitas. Ortega dijo a Lula que no discutirán sobre el tema de la producción de biocombustible a base de etanol porque “sería un locura” iniciar una discusión sobre el tema, dijo Ortega. Sin embargo Da Silva ofreció financiamiento para la construcción de dos plantas hidroeléctricas para la producción de 200 megavatios, pero explicó a su homologo que en una emergencia energética no se puede pedir gustos, pero consideró que usar plantas a base de diesel es un atentado para la economía y no se diga para el ambiente, señaló. Lula explicó las razones por las cuales no ofrece otro tipo de combustible más que la producción de etanol. Lula dijo que los precios de generación de un megawatt por hora con plantas hídricas el costo es de 58 dólares; con plantas termostáticas 66 dólares; las plantas nucleares 75; las que son a base de gas 87; las eólicas 153 dólares; las de aceite o fuel oil 198; las de diesel 300 dólares y las solares 900 dólares la hora, informó el mandatario.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Caso Renan: a situação fica mais quente - para outras pessoas também

Cada vez mais surpreendente como Renan mantém-se de pé diante de tanto ataque. Mas agora temos mais uma atração no "circo": a reação de Renan apontando podres de seus algozes. Já falou da revista Veja e ontem foi do Senador Agripoino Maia (DEM, ex-PFL). É possível que mais pessoas se queimem nessa história, cada vez mais reveladora.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Crise aérea: alô, classe média, queremos oferecer alguns aeroportos com atrasos acima de 45 minutos

Os telejornais de hoje relataram um grande problema que está assolando os Estados Unidos: atrasos nos vôos. O site da Federal Aviation Administration, hoje, mostra o mapa acima apontando com bolas laranjas os aeroportos que apresentam atrasos acima 45 minutos. A justificativa certamente foi copiada do Ministro Guido Mantega: excesso de demanda. Para quem tem dinheiro em caixa e não agüenta mais os atrasos nos aeroportos brasileiros, essa é uma boa sugestão: apertem os cintos, e boa viagem...

PRI MERO MÉXICO!

Um dos slogans políticos mais bonitos que vi foi o do P.R.I. - Partido Revolucionário Institucional, do México. "PRI MERO MÉXICO!". Ao mesmo tempo que colocava o México em primeiro lugar, dizia que o PRI era o próprio México. Adorei o slogan, quando conheci o país na década de 80. Aliás, o México, no passado, sempre foi uma referência positiva para nós, brasileiros (não falo das novelas, claro...). O seu passado revolucionário entusiasmava. O filme Viva Zapata, com Marlon Brando, foi um sucesso. O próprio PRI, na sua origem nacionalista e revolucionária, foi um partido vibrante. Mas a vizinhança dos Estados Unidos falou mais forte. O PRI foi se descaracterizando, o país foi perdendo fôlego, entregou-se a um ex-executivo da Coca Cola e passou a representar unicamente um grande aliado dos países do Norte. A viagem de Lula ao México é bastante representativa de um tempo de recuperação. É como se dissesse: em primeiro lugar, somos todos latino-americanos, subdesenvolvidos, que precisamos nos unir para conquistar um lugar ao sol. Aliás, foi assim que repercutiu a visita de Lula na imprensa mexicana - bem diferente da nossa imprensa, que preferiu destacar, na primeira página, o fato de Lula não ter parado diante da bandeira (O Globo) ou simplesmente ignorar a visita (Folha). Em El Universal podemos ler: "El presidente brasileño, Luiz Inacio Lula da Silva, pidió al mandatario Felipe Calderón mirar más hacia América del Sur y propuso al gobierno mexicano conformar una potencia económica junto con las naciones de esa región". No La Jornada podemos ler: "Calderón no se quedó atrás en este afán de promover alianzas con Brasil y señaló que las dos naciones son fuertes cada una por su cuenta, pero aliadas pueden constituir una verdadera potencia económica mundial". Sei que governos anteriores preferiam um diálogo em inglês ou francês. Mas falar portunhol é fundamental.

A chapa de Renan começa esquentar

Renan começa a ser considerado um verdadeiro 7 vidas. Aparece amante, amigo lobbysta, boi gordo, boi magro, nota fria, frigorífico, matadouro, roubo de documentos, cerveja rádio, jornal, o escambau - e Renan continua lá, administrando o caos. Demóstenes e Agripino não sabem mais o que fazer para arrancá-lo de lá. O PSOL... deixa pra lá. Jarbas e Maciel esticam o olho em direção ao cargo. A temperatura sobe cada vez mais, mas Renan parece não esquentar. Vamos acompanhar esse termômetro da política, que parece em ebulição permanente.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Classe Média X Lula

As eleições passadas demonstraram e as chamadas "crises" recentes confirmam que está se formando um fosso quase intransponível entre Lula e a Classe Média. Obviamente, essa intolerância está sendo estimuladas por grupos oposicionistas e está longe de levar a índices de reprovação ao Governo que sejam superiores aos índices de aprovação popular. Mas é sempre bom para o Governo estar alerta. Garotinho, ex-Governador do Rio de Janeiro, costumava se preocupar com a rejeição que tinha na Classe Média - até que desistiu. Ele dizia: "Sou do Interior, não sou elegante, sou casado, tenho família, tenho 9 filhos, sou evangélico, não bebo, não fumo e não cheiro - a Classe Média nunca vai me aceitar!" Deu no que deu. A Folha de hoje publica análises da última pesquisa Datafolha e reproduzo aqui a entrevista de Leandro Beguoci com José Murilo de Carvalho, "Classe média se divorciou de Lula":
FOLHA - As vaias na abertura do PAN, o movimento "Cansei" e o desgaste com o caos aéreo são sinais são sinais de que acabou a lua-de-mel entre Lula e a classe média?
JOSÉ MURILO DE CARVALHO - A lua de mel com a classe média já tinha acabado desde a última eleição. As vaias são a manifestação pública do divórcio.
FOLHA - Quais são as conseqüências para o governo, a curto e médio prazo, da insatisfação? E para o PT?
CARVALHO - Alguém disse muito bem que já se pode ganhar eleição sem classe média, mas é difícil governar sem ela. A classe média não pode ser conquistada com Bolsa Família nem com aumentos de salário mínimo. E ela é a senhora da opinião pública. Se quiser evitar mais turbulência, o governo terá que aplacá-la de algum modo.
FOLHA - O PT e a CUT traçam paralelo entre movimentos insatisfeitos com Lula e organizações apoiadoras do golpe de 1964. Há quem compare o "Cansei" à "Marcha da Família". O que o sr. acha disso? CARVALHO - Retórica. Dificuldade de aceitar oposição. Dificuldade de entender que há um Brasil importante entre o povão e os banqueiros.
FOLHA - Há alguma chance de o "Cansei" ganhar força a ponto de se tornar um grupo comparável ao MST durante o governo FHC?
CARVALHO - Não. A classe média foi para as ruas em 1964 movida por razões religiosas e políticas, como o anticomunismo, muito fortes, que tinham respaldo popular. Voltou na campanha das Diretas e na do impeachment do presidente Fernando Collor, também com respaldo popular. Agora, esse respaldo é improvável. O apagão ético e o apagão aéreo ajudam a desmoralizar o governo, mas não despertam a reação das classes mais pobres.
FOLHA - O presidente disse que a oposição está brincando com a democracia e que ele sabe, como ninguém, colocar gente nas ruas. Qual o significado das declarações?
CARVALHO - É uma ameaça explícita. É o que [o presidente] Hugo Chávez fez e está fazendo na Venezuela.
FOLHA - Lula também disse que só os pobres poderiam estar bravos, já que os ricos ganharam muito dinheiro com seu governo. Isso é uma forma de "getulismo" escancarado?
CARVALHO - As afirmações do presidente nunca primaram pela coerência. A política econômica tem, sim, favorecido, e muito, o setor financeiro e bastante o povão, mas não a classe média, que está espremida entre o tostão e o milhão. E é ela que está mais descontente.

domingo, 5 de agosto de 2007

Acidente da TAM: Nobel de Psiquiatria prescreve "fazer sexo" para que a mídia brasileira supere sua obsessão anti-Lula

Recebi e-mail de meu amigo Luiz fernando Favilla, com texto engraçado, de suposto psiquiatra, que transcrevo na íntegra:
Nobel de Psiquiatria prescreve sexo para mídia Brasileira "Midia brasileira é obssessiva", afirma psiquiatra alemão pai do "Geburtschaf". (Fernando Carvalho, da EFF, Madrid) "Toda a obsessão é um mal da mente. Nesta nova viagem que faço ao Brasil encontro os jornais brasileiros ou melhor, seus chefes de redação, acometidos de uma moléstia mental coletiva que beira a obsessão". "Tudo, absolutamente tudo, para eles é culpa do presidente do país." Rindo bastante hoje pela manhã, entre uma caipirinha e outra, foi assim que Heinz Achlochstrecher, 79, famoso psiquiatra suíço, radicado na cidade de Ulm na Alemanha, comentou as noticias que leu nos jornais de hoje, no hall do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde está hospedado em visita de férias ao Brasil. "Essa história do assessor do Lula que foi filmado fazendo gestos obscenos, por entre as cortinas de seu próprio escritório, é um caso raro". Para o psiquiatra, autor de vários best-sellers como "Eu quero que o mundo seja assim" e "Nicolau, agora pára com isso e larga do meu pé", ter a imprensa ligado a cena dos gestos obscenos ao anúncio de que um avião tinha apresentado problemas mecânicos, sem haver um áudio comprovando isso, é absolutamente doentio. "A obsessão por culpar o presidente por tudo expõe esses jornalistas ao ridículo". "Depois de passar três dias inteiros de manhã à noite culpando o governo pela falta de umas ranhuras que só 5 pistas de aeroporto possuem em todo o país, a mídia, em vez de fazer auto-critica quando o vice-presidente técnico da TAM revelou que o avião estava com o reverso desligado no momento do pouso, sai como louca em busca de uma nova imagem sensacionalista para desviar a atenção do público para a mentira que repetiu setenta e duas horas seguidas, sem descanso, sobre as tais "ranhuras indispensáveis", afirmou o Prêmio Nobel de Psiquiatria de 1988. "Podia ser o Lula tirando meleca. Podia ser Dona Marise, limpando o sapato depois de pisar em cocô de um dos cachorrinhos do presidente. Podia ser qualquer coisa, contanto que desviasse a atenção. Quis o destino que fosse o tal assessor, fazendo "top-top" atrás da cortina do seu escritório. Então, desce o pano rápido e vamos de assessor! "Escondam imagem do avião correndo a velocidade três vezes a normal na pista". "Escondam essa história de reverso quebrado e desligado", "Mostrem o Marco Aurélio fazendo top-top, rápido!" Sinceramente, eu gostaria de perguntar aos "barões da mídia" e seus cumplices: Quem vocês acham que ainda acredita em vocês? Vocês não têm medo de perder completamente o que lhes restou de credibilidade? "Esse caso parece a versão do capitalismo que nos irradiava dia e noite a televisão da ex-RDA (Alemanha Oriental). Tudo para eles era culpa do capitalismo!" Disse Von Achlochstrecherstein que no Brasil a censura é muito mais forte do que sob o comunismo soviético, pois aqui as chefias de redação usam métodos empresariais para exercer a censura, que são muito mais eficientes do que os velhos censores estatizados e burocráticos. Mandar cinegrafistas ficar nas janelas do Palácio do Planalto filmando as janelas dos escritórios para pegar alguém coçando prurido anal, o buraco do nariz ou da orelha é uma atitude que denota absoluta falta de controle emocional e uma obsessão que pode ser contagiosa. Comendo uma "casquinha de siri" abraçado com uma jovem afro-descendente vestido com a camisa do Flamengo, o velho psiquiatra termina a entrevista desafiante: "Em vez de obsessão por Lula, esses jornalistas deveriam transformar toda essa energia em obsessão saudável pelo sexo oposto, como essa que me faz correr 45 minutos todos os dias e ainda dar conta da Licimara, que vive comigo em Berlim há quase cinco anos... Todos os dias!"

Pesquisa Datafolha: a inacreditável mídia

Eliane Catanhêde escreve hoje na Folha um artigo sobre a mais nova pesquisa Datafolha (realizada nos dias 1 e 2 de agosto, com 2.096 pessoas) mostrando a inabalável aprovação de Lula e o título é "O inacreditável Lula". É um título que já diz tudo. Fala da confusão mental que tomou conta da oposição, de diversos analistas políticos e da mídia diante dos altos índices de aprovação a Lula, apesar de todo o noticiário negativo dos últimos tempos ("Cai avião, sobe avião; vem crise, vai crise; tem vaia, não tem vaia, e algo continua imutável: a popularidade de Lula"). Inacreditável, para mim, é a falta de percepção política da mídia classe média. Vejamos alguns trechos da reportagem da Folha, de Fernando Canzian, explicando o "inexplicável" contido na pesquisa:
48% acham governo bom ou ótimo, mesmo índice de março
Queda se dá apenas entre os mais ricos e os que viajam de avião; economia e Bolsa Família também ajudam a explicar o bom resultado
Entre março e agora, a taxa de ruim/péssimo do governo apenas oscilou, de 14% para 15%. Em outubro passado era maior: 17%.
Entre as explicações para a não-alteração da popularidade do presidente no período estão o fato de que a grande maioria dos brasileiros é pobre (59,5% têm renda familiar mensal de só até três salários mínimos por mês, ou R$ 1.050) e a constatação de que apenas uma minoria viaja de avião (8%).
Além disso, a situação econômica do país permanece boa, com estimativa de crescimento em torno de 4,5% em 2007. O programa Bolsa Família, que atende cerca de 11,1 milhões de famílias, também ajuda a entender a manutenção da alta popularidade de Lula.
Entre os 8% que costumam andar de avião, o percentual dos que consideram o presidente ótimo ou bom é de 29%, ou seja, 19 pontos inferior à media nacional. Os que definem o governo como ruim ou péssimo chegam a 30%, o dobro da média nacional (15%).
Entre os mais ricos, com renda familiar mensal acima de dez mínimos (R$ 3.500), a avaliação do presidente Lula despencou sete pontos entre março e agora. Mas entre os que ganham só até cinco mínimos (R$ 1.750), ela oscilou positivamente dois pontos - dentro da margem de erro do levantamento. Como a maioria dos brasileiros é pobre, a queda da avaliação entre os ricos (a minoria), não chega a afetar os resultados gerais. No Brasil, segundo a pesquisa, apenas 7,5% da população tem renda familiar mensal maior do que R$ 3.500.
Há uma coisa elementar em política: as questões imediatas - aquelas que são menos genéricas, que atingem concretamente a população, seja positivamente ou seja negativamente - falam mais alto. E quais são as nossas grandes questões imediatas? A chamada crise aérea é uma delas, claro, mas relacionada apenas à minoria da população. A redução da pobreza é outra e atinge a grande maioria da população brasileira.