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domingo, 10 de janeiro de 2010

Direitos Humanos: finalmente uma palavra de bom senso da OAB


Publicada no Globo On line em 10/01/2010 às 14h46m

OAB defende punição a torturadores e demissão de Jobim
Carolina Brígido
BRASÍLIA - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, telefonou para o secretário nacional de Direitos Humanos, ministro Paulo Vannuchi, para apoiar a ideia de punir torturadores que atuaram na ditadura militar, uma proposta expressa do polêmico Programa Nacional de Direitos Humanos .
- Quem censurou, quem prendeu sem ordem judicial, quem cassou mandatos e quem apoiou a ditadura militar estão anistiados. No entanto, quem torturou cometeu crime de lesa-humanidade e deve ser punido pelo Estado como quer a nossa Constituição - disse Britto a Vannuchi.
Para Britto, a anistia não implica esquecimento, pois todo brasileiro tem o direito de saber o que aconteceu no passado no país. (Leia também: Stephanes diz que Programa Nacional de Direitos Humanos cria 'insegurança jurídica'. Cassel rebate críticas)
- Todo brasileiro tem o direito de saber que um presidente da República constitucionalmente eleito foi afastado por força de um golpe militar. Da mesma forma, não se pode esquecer que, no Brasil, o Congresso Nacional foi fechado pela força de tanques; que juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal foram afastados dos seus cargos por atos de força; e que havia censura, tortura e castração de todo tipo de liberdade - afirmou.
O presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, também manifestou "total solidariedade" a Vannuchi. Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", o ministro admitiu pedir demissão do cargo caso o programa seja alterado, como exigem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e a cúpula militar .
- Se é para haver demissões no governo, que sejam as primeiras a do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos chefes militares - disse Damous. - É inaceitável que a sociedade brasileira volte a ser tutelada por chefes militares.
Os militares, que contestam principalmente a criação da Comissão Nacional da Verdade e a possibilidade da revisão da Lei de Anistia, chegaram a entregar uma carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, por sua vez, prometeu rever a parte do decreto que gerou o descontentamento. Caso o projeto seja modificado, Vannuchi sairá enfraquecido já que é o mentor e coordenador do programa, que reúne centenas de ações em várias áreas do governo .
Após a polêmica, o ministro da Justiça, Tarso Genro, minimizou a divergência , mas para os militares, que criticaram o que chamaram de revanchismo na formação da Comissão da Verdade , a crise ainda não acabou .

sábado, 13 de junho de 2009

O que é isso, companheiro Scartezini?

Li hoje no Globo um artigo (“O que é isso, companheiros?”) do jornalista A. C. Scartezini que me deixou preocupado pelo embaralhamento de informações e conceitos. Ele começa cobrando - equivocadamente, na minha opinião - atitude diferente dos repórteres que cobriram o desatre da Air France: “Aparentemente, nenhum repórter presente à entrevista do ministro Nelson Jobim lembrou-se de perguntar-lhe por que assumiu pessoalmente a condução da entrevista coletiva em que o Ministério da Defesa apresentou informações sobre a coleta em alto-mar de destroços e corpos dos ocupantes do aparelho da Air France que despencou sobre as águas do Atlântico no último dia 31”. Achei o desempenho de Nelson Jobim, com perdão do trocadilho, um desastre. Mas por que ele não poderia assumir pessoalmente a condução da entrevista? É proibido? Claro que se ele tivesse colocado de lado aquele seu ar eternamente arrogante e procurasse assessoria de um jornalista teria sido infinitamente melhor – principalmente para ele. Adiante Scartezini parte para o affair “blog da Petrobras”, criticando jornalistas que “apressaram-se na defesa da legitimidade com que a Petrobras passou a repassar a todo o universo da Web, em blog especialmente criado, as pautas que recebe das redações, com as respostas pertinentes ao comportamento da empresa” que ele considerou como “desmoralização do jornalismo independente em benefício do jornalismo chapa-branca”. Scartezini, que na época da ditadura, confrontou-se, como ele mesmo diz, “diariamente como repórter político ou da área militar”, deve saber que no jornalismo chapa-branca as pautas têm mão inversa – partem dos governos para a imprensa. O histerismo anti-Blog da Petrobras não teve nada a ver com liberdade de imprensa ou jornalismo chapa-branca, mas, sim, com política. O problema que houve – de antecipação (graças às novas tecnologias) da divulgação das reportagens – foi facilmente superado, já que a divulgação no blog da Petrobras passou a ser simultânea à feita pelo repórter autor das perguntas. Como fica agora? Vai-se proibir a existência do blog Fatos e Dados em nome de uma pretensa liberdade de imprensa? É preciso compreender – isso, sim – que a informação, principalmente nos dias de hoje, não pode ter mão única. Nem cabe ao jornalista cercear os fluxos da informação – ao contrário, sua função é promover a sua democratização. NOTA: ninguém pauta o meu Blog, nem mesmo costumo acessar o blog da Petrobras.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Espetacularizante

Essa história da Operação Satiagraha parece ser mais espetacularizante do que se imagina. E o Terra Magazine está dando uma boa amostra disso tudo. Recebi recomendação e fui lá conferir. Leiam. Quem me parece também um pouco espetacularizante (com todo o respeito) é o Presidente do STF, Gilmar Mendes, que acaba de soltar os Dantas & Companhia. Ele pode até ter razão ou estar sendo sincero na defesa do estado de direito, mas soa muito teatral, mexendo a cabeça o tempo todo, de um lado para o outro (como aliás fazia Nelson Jobim, o que me leva a imaginar que é cacoete de Presidente do STF). Espera-se de alguém nesse cargo atitudes e gestos menos polèmicos, mais sabedoria nos difíceis temas que sacodem a sociedade. Pareceu pra mim que realmente houve alguma espetacularização na operação da Polícia Federal, mas talvez ela tenha sido necessária em função da guerra interna e das dificuldades de investigação. Acho que nós, pobres mortais, nunca saberemos toda a verdade da Satiagraha. Mas esperamos que seja feita justiça de verdade.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Todos os partidos do Brasil têm candidato próprio à Presidência da República

Não entendo toda essa quizumba em torno da candidatura própria do PT para as eleições presidenciais de 2010. Ou melhor, entendo, sim. A oposição, com apoio da grande imprensa, quer acabar de vez com o PT e, para isso, busca pêlo em casca de ovo. É natural que o maior partido, que elegeu o Presidente atual, coloque a sua alternativa de candidato para seus aliados - e os aliados fazem o mesmo. Além disso, é mais do que natural que qualquer partido tenha candidato em todas as instâncias, para todos os cargos. Um partido existe para ter voto. Ou - concluindo acacianamente - sem voto, um partido não existe. E a candidatura própria majoritária é importante para os cargos majoritários, evidente, mas também é importante para fortalecer bancadas parlamentares. É claro que, verificando que não dispõe da maioria dos votos para eleger seu candidato, um partido procure se aliar a outro para, juntos, terem uma candidatura vitoriosa. De qual dos partidos sairá o nome do candidato, é uma decisão conjunta, fruto de muito debate, muita negociação e medição de força eleitoral. Isso se chama jogo da democracia. Quem, por exemplo, é o nome eleitoralmente mais forte para 2010 na base governista? Ciro (Bloco de Esquerda), Nelson Jobim (PMDB) ou Dilma (PT)? Hoje, provavelmente seria o nome de Ciro. Mas ainda estamos muito distante da hora certa para definir o candidato comum e nem sabemos ao certo se são esses os pré-candidatos. Provavelmente muita coisa vai mudar e as negociações estão apenas começando. Vejamos o exemplo das eleições municipais do próximo ano - a indefinição de nomes ainda é imensa. Em São Paulo, por exemplo, a aliança conservadora vai de Kassab ou de Alckmin? Ou dois serão candidatos, deixando a aliança para um possível 2º turno? E no Rio, qual será o candidato dos partidos que compõem a base governista (nacional)? O PT ainda não se decidiu se terá um nome e qual será: Benedita? Edson Santos? Molon? Vladimir? Minc? O PMDB é a sigla mais forte elelitoralmente, mas está sem nome próprio capaz de disputar. O PRB tem Crivella liderando as pesquisas. O PCdoB tem o nome forte de Jandira Feghali. O PDT tem o nome forte do Deputado Federal Miro Teixeira. O PSB poderia voltar a experimentar o Deputado Federal Alexandre Cardoso. O PHS teria quem - Esdras Macedo? E o PMN - o Deputado Estadual Christino Áureo? Tudo é possível, todos podem ter candidato próprio - a eleição já é no próximo ano. Faltam menos de 13 meses e ainda não decidiram sobre candidatura única ou comum a todos ou comum a alguns! Por favor, mais juízo no noticiário. A imprensa pode escrever o que quiser, mas precisa tomar mais cuidado com as historinhas que anda inventando.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Nelson Jobim, o Presidente da Classe Média

Google O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, se dependesse dele, certamente faria um mundo povoado unicamente pela chamada Classe Média, sairia candidato a Presidente e, fácil, fácil, seria eleito no primeiro turno. E como seria esse mundo? Seria um mundo ótimo, claro. Não haveria Michel Temer, não haveria grande imprensa de oposição e todos andariam de avião. As poltronas seriam, todas, mais espaçosas, mais confortáveis. Os vôos seriam seguros, com os controladores todos civis, bem pagos, eficientes. Os aeroportos, todos na mesma localização de Congonhas, teriam pistas enormes (com grooving), com imensas áreas de escape, e teriam áreas agradáveis para a espera e o shopping. Nesse mundo, a Infraero seria inteiramente privatizada e a Anac seria conservada apenas para que existisse um mal a ser combatido. E, me diga uma coisa, aquele que ainda não pertence à Classe Média, espalha-se principalmente pelo Nordeste e pelas periferias das grandes cidades - como seria o seu mundo? quem seria o seu Presidente? quem distribuiria Bolsa-Família? Esse é um problema para Lula resolver. Claro que o ideal seria unir esses dois mundos. Mas quem seria o Vice?

domingo, 5 de agosto de 2007

Alò, Renan, bem-vindo de volta à crise...

Acabou o recesso de Renan Calheiros. Seu escândalo particular volta às manchetes e capas de revistas. Aliás, seu escândalo particular (a amante jornalista) já deixou de ser particular há muito tempo. Até mesmo a acusação original (de estar pagando a pensão da filha com propina de empreiteira) já ficou para trás. O fio da ninhada leva a bois, notas frias, grilagem, Schincariol, frigoríficos clandestinos, assaltos e mais um submundo de fatos estranhos. É verdade que Renan foi beneficiado por alguns acontecimentos, além do recesso do Congresso. Ele ficou um tempo esquecido pela oposição e pela mídia graças ao PAN e ao acidente da TAM. A ascensão de Nelson Jobim também pode beneficiá-lo, já que foi um dos principais articuladores de sua campanha pela presidência do PMDB. Mas talvez isso ainda seja pouco. O recesso acabou e a crise aérea começa a perder força como espetáculo. As garras da oposição e da mídia voltam-se inexoravelmente para Renan.

Menos, Jobim, menos...

Essas poses em uniforme de camuflagem nas selvas foram dose cavalar. No seu galope rumo à candidatura à Presidência da República, Nelson Jobim não mede esforços para conquistar espaço na mídia. Fez uma ponte aérea instantânea da imagem de "Cavaleiro de Congonhas" para a pose de "Jobim das Selvas". Não está muito errado, não. Mas precisa tomar cuidado com exageros. A Classe Média que quer conquistar não perdoa.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Crise aérea: as empresas aéreas fazem tudo para promover Nelson Jobim

Parece combinado. Nelson Jobim toma uma medida de bom senso, e logo as empresas aéreas reagem contra a medida, propondo o reverso (com trocadilho...). É mais uma oportunidade para Nelson Jobim voltar a mídia, rearfirmar o que disse e firmar-se ainda mais como sério, decidido, competente. Se ele diz que vai acaba rcom o hub de Congonhas, as empresas aéreas dizem que não têm aviões suficientes. Se ele decide descentralizar o tráfego aéreo, elas dizem que a passagem vai ficar mais cara. Aí Nelson Jobim aparece para dizer que acima de tudo está a segurança, que se houver preço abusivo Governo vai intervir, etc. Elas estão colaborando intensamente pelo marketing pessoal do Ministro. Se continuar assim, nem precisa contratar consultor de marketing eleitoral...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Ponte que caiu: o culpado foi Bush ou foi Lula?

Atenção, mídia: com toda certeza Lula não é responsável pela queda da ponte sobre o rio Mississipi ocorrida ontem, em Minnesota, Estados Unidos, com a morte de pelo menos 4 pessoas (por favor, sem exploração da dor da família das vítimas). Parece que Bin Laden também não tem nada a ver com a história. Segundo o correspondente (Roberto Kovalick, creio) do Jornal Hoje, calcula-se que existam cerca de 160.000 pontes em estado precário nos Estados Unidos!!! Não seria o caso de convocar o Nelson Jobim?

Acidente da TAM: fim das dúvidas

Finalmente a mídia chega a uma certeza: ainda é (no mínimo) cedo para se dizer com segurança qual foi a causa principal do acidente com o Airbus da TAM. A mídia ainda vai tentar conviver muito tempo com o tema. Explorando o acidente de forma mórbida e cruel (como fez o Globo de hoje, com a manchete de 1ª página: "Não dá, não dá. Ai, meu Deus"); tentando encontrar um ângulo novo do acidente (como faz a maioria: Folha, "Falha ocorreu 2 segundos antes do pouso"; O Dia, "Airbus da TAM bateu em potência máxima"); voltando-se para a questão política (como faz o Estado de Minas, "CPI confunde mais do que explica o acidente"). A caixa preta não trouxe a resposta que se esperava - trouxe apenas gritos sem sussurros para enriquecerem certo jornalismo marrom. CPI e especialistas ainda povoarão o noticiário por algum tempo. Nelson Jobim encontrará algum meio de ocupar espaço. O caso Renan volta a ganhar corpo. Os ataques a Lula sofrerão um pouco do efeito reverso. Só vai ficar faltando alguém ter a coragem de fazer a principal manchete: "O culpado não foi o grooving".

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Acidente da TAM: dessa vez. os Deputados perderam a corrida do vazamento

A Folha de hoje saiu na frente e divulgou informações sobre o acidente do Airbus da TAM que a CPI do Apagão só terá acesso na sua próxima reunião "secreta". Quem vazou não se sabe. Pode ter sido alguém da Aeronáutica, do Ministério da Defesa, de outro setor do Governo, dos especialistas americanos, do fabricante do Airbus, das empresas aéreas, quem sabe? Uma coisa parece certa: os Deputados não tinham condições de conhecer o conteúdo por dois motivos: 1) os CDs estão lacrados, para primeiro acesso em grupo; 2) O Painel da Folha antecipou a ducha de água fria que haveria na CPI: "Anticlímax. O frissom que tomou conta da CPI do Apagão com os dados das caixas-pretas do Airbus da TAM sofrerá duas duchas de água fria. Os deputados não devem ouvir os diálogos da cabine (o áudio só pode ser aberto com um programa de computador que a CPI não tem). Além disso, a transcrição está em inglês". A questão é: a quem interessava a divulgação antecipada? Seria uma vacina do Governo contra possíveis diatribes dos Deputados? Seria a Infraero tentando provar antes de tudo que a pista não teve culpa? Seria Nelson Jobim tentando evitar holofotes demais realçando os Deputados? Seria a Airbus correndo na frente para fixar a idéia de que foi erro humano, falha dos pilotos? Seria apenas uma questão financeira, alguém querendo ganhar uns trocados na venda da informação em primeira mão? Seja qual for a motivação, não resolveu o principal: as causas ainda não inteiramente determinadas. A reportagem da Folha não traz a palavra final, mesmo porque talvez não haja uma causa única. A única certeza que temos até agora é que, entre as causa possíveis (pista, piloto, TAM, Airbus, etc.), a pista é a que teve menos culpa - se é que teve. Isso mostra ou a incompetência da mídia na pressa em encontrar culpados sem investigação completa ou a competência da mídia em criar uma crise para o Governo Lula. Veja trechos da reportagem da Folha ("Caixa-preta do Airbus indica falha de piloto"):
A caixa-preta do Airbus-A320 da TAM que caiu em São Paulo no dia 17 indica que houve erro do piloto na operação da alavanca de aceleração das turbinas, além de captar o desespero dos pilotos em tentar frear o avião no solo. Embora menos provável, uma pane no computador do avião também não pode ser descartada, isoladamente ou em conjunto com o provável erro humano.

A primeira falha, cuja hipótese havia sido antecipada pela Folha na semana passada, ocorreu pouco antes do pouso, quando o manete de controle do motor direito foi mantido numa posição de aceleração. Deveria estar em ponto morto, como o outro manete.Ao pousar, os sistemas eletrônicos interpretaram esse procedimento como um desejo do piloto de acelerar. As duas turbinas passaram a acelerar automaticamente. Os freios aerodinâmicos não foram acionados. O freio automático dos pneus também não funcionou.Pode ter contribuído para a aceleração anormal um segundo erro: apenas o manete da turbina esquerda foi colocado na posição de reverso máximo. Essa turbina estava com o reversor, equipamento que auxilia a frenagem ao inverter o fluxo de ar na turbina, funcionando -a outra, não.Mesmo com o reversor inoperante na turbina direita, o procedimento correto deveria ter sido colocar ambos os manetes em reverso. Mas o direito permaneceu acelerando, segundo o registro.

Houve outros acidentes semelhantes com o A320 atribuídos a falha do piloto.

Perdendo o controle, o piloto então tentou parar o avião pressionando os dois pedais à sua frente, freando os pneus do trem de pouso. Ao mesmo tempo, com as mãos, segurou o quanto pôde o mecanismo interno que controla a direção da bequilha, a roda da frente do equipamento. Mas as turbinas continuaram a acelerar.

O arquivo de áudio a que a Folha teve acesso revela que o piloto e o co-piloto emitem frases lacônicas, mas importantes.Ao tocar o chão na pista principal de Congonhas, uma voz na cabine diz: "Reverso um apenas". Ou seja, o piloto e o co-piloto sabiam que só um reversor estava operante. Em seguida, outra frase: "Spoiler nada...". Ou seja, os spoilers (freios aerodinâmicos na parte de cima das asas), que abrem automaticamente no pouso, não funcionaram.O tom fica dramático: "Desacelera, desacelera, desacelera!". Aumenta o pânico: "Não dá, não dá, não dá". Por fim, a frase já conhecida: "Vira, vira, vira".

Assim que o Airbus tocou o solo, as duas turbinas voltaram a ser acionadas. Uma delas estava com o reversor acionado (do lado esquerdo) e o fluxo de ar passou a ser invertido, ajudando a frear um pouco o equipamento. Do lado direito, porém, a turbina continuou a aumentar a força, como se o avião tivesse de fazer nova decolagem. Pela tentativa do piloto em "segurar" o avião, é possível que ele tenha adernado à esquerda já no começo do pouso.Sobre a pista de Congonhas, as caixas-pretas ainda não encerram a polêmica. Mas o fato de o piloto ter conseguido manter o avião na pista indica que a aderência não poderia estar muito abaixo do padrão.

sábado, 28 de julho de 2007

Cuidado, Jobim, que você está sendo colocado nas alturas...

Folha Nelson Jobim soube ocupar muito bem os espaços nos seus primeiros dias como Ministro da Defesa. Chamou para ele o acidente da TAM e todos os problemas de gestão do setor aéreo. Visitou o Aeroporto de Congonhas, conversou com os tucanos, antecipou medidas, ameaçou trocar o segundo escalão do setor, deu entrevistas, falou e disse, mostrou que está no comando. Tudo muito bom. Tirou Lula do foco, aliviou as tensões, saciou parte das hordas sangrentas da classe média. Só precisa ter cuidado com a dosagem. Outro dia, um amigo meu, jornalista, falou para a mulher, também jornalista, que começava a achar que Nelson Jobim estava falando demais (Vejam só: com apenas dois dias de nomeação!). Talvez esse seja o risco: quando alguém é colocado demais nas alturas, o tombo pode ser maior. E é bom não esquecer que quem está do outro lado, no comando da oposição, são figuras como César Maia, Serra, a grande mídia e muitos outros de olho em 2010. É verdade que quem vê de cima vê melhor (do filme "Por um punhado de dólares") - mas também é melhor visto...

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Nelson Jobim faz plano de vôo para 2010

Quando um político diz "minha mulher não deixa" quer dizer "não penso em outra coisa". E a idéia de candidatura à Presidência da República com certeza já sobrevoa a cabeça de Nelson Jobim há muito tempo. A alta exposição positiva que teve como Presidente do STF dava margem a pensar nessa direção. A tentativa de presidir o PMDB seguia nesse rumo, mas a derrota para Michel Temer mostrou fragilidade política e abortou a decolagem mais ousada. Agora uma nova chance pousou perfeitamente em seu colo. Primeiro, claro, ele terá o que resolver a chamada crise aérea. O que não é difícil. Na guerra das percepções, ele já conseguiu passar muito bem a imagem de "salvador da Pátria". Postura austera, mostrando decisões, comando, disposição para análise e carta branca para mudar o que for preciso. Já conquistou a mídia, está agradando a classe média e até calou a oposição. As condições climáticas estão favoráveis. Mas é claro que ainda existe muita pista pela frente. O mau tempo começará a surgir exatamente entre seus amigos Serra e Fernando Henrique, que verão no seu nome turbulência para os vôos tucanos. Da mesma forma, César Maia e seus "demos" não gostarão de ver seus eleitores conservadores embarcando nessa viagem. O céu nordestino também não será de Brigadeiro. Ciro Gomes vai ligar os sinais de alerta, claro. E o próprio povo nordestino pode se mostrar arredio ao ar imperial de Nelson Jobim que agrada tanto em regiões sulistas. Dois fatores vão contribuir para que Nelson Jobim mantenha as turbinas ligadas: o fato de finalmente o PMDB ter um nome próprio forte para concorrer à Presidência e o seu trânsito fácil no terreno petista, a começar por Lula, Mercadante, Tarso e até, quem sabe, José Dirceu. Mas, como já disse, ainda existe muita pista pela frente e Jobim terá que ter mais combustível para alçar vôo com segurança.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Jobim, defesa da imagem ou do país?

Na sua luta quase ensandecida contra Lula, o Prefeito César Maia, do Rio de Janeiro, escreve hoje no seu Ex-Blog que Nelson Jobim é o "ministro da defesa da imagem do governo". Trocadilho à parte, ele está certo. Em política, a guerra de percepções é travada incessantemente e nós todos somos testemunhas dos ataques violentos que são feitos para destruir a imagem de Lula. Isso acontecia mesmo antes de sua eleição, mas intensificou-se em 2005. Teve o mensalão, que não deu certo. Tivemos vários escândalos, fabricados ou não, que tentou-se atribuir a Lula, mas também não deu certo. Teve a queda do avião da Gol e a crise dos controladores que já estavam quase sendo abandonadas como arma política, trocadas pelo caso Renan. Com o recesso, Renan ganhou sobrevida. Tentou-se a vaia do PAN, logo desmascarada. Mas para a felicidade geral da não-Nação, veio a tragédia da TAM. O primeiro movimento dos abutres de ocasião foi no sentido de culpar a pista do Aeroporto de Congonhas e, por tabela, a Infraero e, por tabela, Lula. Viu-se logo que não era bem assim, mas não importava. O sofrimento das 200 famílias passou a ganhar corpo como culpa de Lula. E o país passou a viver os efeitos dessa batalha. Como qualquer batalha real, digo, dessas que são vistas no Iraque, na Palestina ou no Complexo do Alemão, a batalha das percepções pode ser algo cruel, de baixarias, insensível, completamente desprovida de bom senso. É uma batalha assim que estava (está) em marcha, com vantagem momentânea para os degradadores. Trata-se de uma situação que abala qualquer governo, mas abala principalmente o país. Ao mover as peças em defesa de sua imagem, o Governo Lula também procura defender o país. A retomada do clima de serenidade é fundamental para todos nós. Não queremos dizer que não deva haver o embate político, com batalhas de percepções renhidas. Mas não se pode ficar eternamente na "batalha pela batalha" ou no "quanto pior melhor". Pessoalmente, não tenho nada nem a favor nem contra Nelson Jobim. Apenas penso que ele foi a melhor escolha de Lula em defesa de sua imagem (nisso, César Maia concorda) e também em favor do país (isso os César Maia não querem aceitar).

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Lula vai para o ataque trocando a Defesa

A questão de Waldir Pires no Ministério da Defesa era acima de tudo de percepção. Sobre ele eram descarregadas todas as responsabilidades pelos problemas aéreos que cruzaram os céus brasileiros nos últimos tempos. A percepção negativa existia tanto na oposição civil (incluindo a mídia) quanto entre os militares saudosos do Golpe de 64. Nelson Jobim na Defesa é um bom movimento de ataque. É um bom nome para neutralizar as percepções negativas e vencer a crise. O país (exceto o Prefeito César Maia, claro) conta com isso.

terça-feira, 13 de março de 2007

O noticiário da reforma mostra que a imprensa está mais perdida do que "bala perdida"

Uma coisa é certa: Lula driblou a imprensa na questão da reforma ministerial. Faz meses que a mídia dá grande destaque a tudo que se refere ao tema, sempre com informações desencontradas. Vejamos alguns jornais de hoje. A Folha diz que Lula disse ao PT que "não tem pressa". O Globo, ao contrário, diz que Lula deu "ultimato ao PT". O Estadão diz que "Lula começa reformas, mas esbarra no PT". Ao contrário, Zero Hora diz "Lula convence PT a ceder mais espaço no governo". Todo estão com algumas informações certas, mas estão equivocados na visão geral. Discutem se Lula é contra ou a favor do PT, se cedeu ou não cedeu ao Campo Majoritário, se traiu ou não traiu Jobim e esquecem o principal: a reforma ministerial já foi feita. Ela mostra a cara de um governo de centro-esquerda, com uma grande coalizão que tem no PT e no PMDB seus principais partidos e que conta com ampla maioria no Congresso. Foi realizado o que foi anunciado desde as eleições, a tão falada "concertación", a que este Blog se referiu inúmeras vezes. Há detalhes que envolvem 2010 (Marta, por exemplo), mas que já estão em fase de superação. Já está na hora de parar com esse tiroteio de notícias alucinadas.

terça-feira, 6 de março de 2007

Renúncia de Jobim: com certeza ele leu este Blog...

Nelson Jobim descobriu, pelo modo mais duro, que o PMDB não é um partido que ele conheça - muito menos que domine. Tentou fazer uma campanha de grandes estrelas, esqueceu do feijão com arroz peemedebista. Achou também que a força de Lula seria definitiva, garantiria sua vitória e que o Governo não teria diálogo com o grupo de Michel Temer, e acabou desgostoso, teve que abandonar a disputa pela presidência do partido. Era ilusão colegial. O Governo Lula buscaria apoio de Temer, mesmo que ele perdesse. Não tinha como ser diferente. Lula deu todo o apoio a Nelson Jobim, mas não poderia deixar de estender a mão para Temer, importantíssimo na condução do Governo neste segundo mandato. A reforma já estava feita e tudo dependia da forma de anunciá-la - e o Governo trabalhou bem esse aspecto, coisa que o PT paulista não percebeu. O PT poderia ser o grande vitorioso dessa reforma ministerial, mas acabou se enrolando todo e prejudicando (pela forma) a estrela Marta Suplicy. Só resta a todos juntar os cacos e tocar o barco. O PT e Marta ainda têm muito a ganhar. A Nelson Jobim, no momento, cabe a tarefa ingrata de tentar conhecer o próprio partido.

Qual o partido de Nelson Jobim?

No Painel da Folha de hoje, Renata Lo Prete escreve: "7 erros. Deputados se divertem caçando falhas na chapa de Jobim, que desconhece muitos dos parlamentares do PMDB. Além da presença de um deputado do PFL e de outros que não autorizaram o uso do nome, alguém notou: 'Gente, a Elcione Barbalho agora é cantora?'. A mulher de Jader virou 'Alcione'". Isso obviamente faz parte do marketing de Michel Temer, mostrar que Nelson Jobim é um estranho no ninho - e parece que é, mesmo. Mais do que esse elementar "jogo dos 7 erros", Nelson Jobim erra ao acreditar (ou fazer de conta que acredita...) que o PMDB é um partido de grandes aspirações nacionais. O PMDB enterrou isso com Ulysses e a Campanha das Diretas. O PMDB hoje é muito mais o partido das grandes aspirações regionais. O PMDB não quer ter um presidente - quer ter todos. É o partido dos partidos, cada um com seu feudo e fortalecendo-se regionalmente. Quem pensa diferente não é PMDB.

sábado, 3 de março de 2007

Marta e Jobim, o que será deles?

Já disse aqui, há pouco mais de 3 semanas, que a reforma ministerial já está feita. E está mesmo, faltam alguns detalhes. Há uma dúvida sobre o futuro de Nelson Jobim pós-vitória-praticamente-certa de Michel Temer - o que não quer dizer que ele vá ser Ministro. E principalmente sobre o que é melhor para Marta Suplicy, ser ou não ser Ministra. Hoje, o melhor (ou menos pior) para todos, inclusive ela, por enquanto, talvez seja ficar fora do governo. Se ela assumir uma pasta forte, significaria que o Governo Lula estaria desde já se curvando a seu n ome para 2010 - o que seria prejudicial. Ficar em pasta fraca ou ficar de fora também não é bom, nem pra ela nem para o Governo, que estaria queimando nomes para sua lista de presidenciáveis. A questão, como vemos, não é tanto o PMDB de Michel Temer ou o PMDB de Renan-Sarney - problema de verdade é determinar a cara que o Gioverno vai ter daqui pra frente.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Nelson Jobim na frente?

Há até pouco tempo talvez houvesse dúvidas na própria equipe de Nelson Jobim sobre a disputa com Michel Temer pela presidência do PMDB. Mas agora estão todos certos da vitória. Deve ser o efeito Governadores / Planalto. Pessoalmente, continuo achando difícil. Veremos.