terça-feira, 30 de março de 2010

Transferência de Lula faz Dilma disparar no Rio de Janeiro


(Clique nos gráficos para ampliar)

Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
O apoio explícito de Lula a Dilma faz a candidata petista crescer 20% (de 29% para 35%) em intenções de voto. Nesse cenário, Serra cai (mesmo com apoio de Fernando Henrique) e Ciro também, enquanto Marina, mesmo com apoio de Gabeira, permanece na mesma.
O apoio de Lula a Dilma faz com que ela lidere em todas as regiões.

 

A manipulação das pesquisas


Vamos começar dizendo o seguinte: qualquer instituto de pesquisa tem condições de manipular os resultados e é praticamente impossível evitar isso. Você confia ou não confia nos resultados de determinado instituto. Pessoalmente, adotei a postura de sempre confiar – desconfiando...
Há casos que fogem ao controle da direção dos institutos. Por exemplo, é comum ouvir relatos de entrevistadores que testemunharam concorrentes preenchendo respostas sorrateiramente à sombra de uma árvore. Ou de entrevistadores impedidos de entrar em área perigosa, comprometendo resultados. Claro que os institutos têm sistemas de verificação, mas não dá para ter controle absoluto. Principalmente porque, cada vez mais, os entrevistadores pertencem a empresas terceirizadas – que, por sua vez, podem atender a clientes concorrentes entre si. O instituto, quem sabe, pode ser simplesmente uma pessoa contratando outras empresas. Claro que isso não significa necessariamente má-fé ou incompetência – mas demonstra a dificuldade de controle.
Há outras questões de caráter mais subjetivo, com certo grau de dificuldade para dar precisão aos resultados – ou que, por diversos motivos, não tiveram todos os resultados expostos. Vou dar dois exemplos.
  • O GPP (de Niterói, RJ) é um dos poucos institutos que procuram evitar a pergunta espontânea, porque ela tende a influenciar o resultado da estimulada. Concordo com essa posição, mas é difícil de comprovar. O raciocínio é o seguinte: na espontânea, o entrevistado revela o recall maior, a lembrança principal de um nome. Quando é apresentado o disco com todos os candidatos, o entrevistado pode ter alguma tendência a repetir a escolha da espontânea. Ou seja, o recall passa a ter valor maior do que o real.
  • Outro exemplo é o dessa última pesquisa Datafolha. Não vou questionar o índice de Serra mais alto do que o esperado. Mas tem uma questão que me chamou a atenção, que é a história da transferência de votos. A pesquisa detectou que os eleitores que avaliam Lula com ótimo ou bom dividem- se no apoio a Dilma e Serra (em torno de 33% para cada um). A partir dessa informação, está aberto o campo para a especulação de que Lula não transfere tudo para Dilma – ao contrário, transferiria boa parte para Serra. De um lado, é verdade que Lula não transfere toda sua excelente avaliação automaticamente para Dilma – ou ela estaria com 80% das intenções de voto... De outro lado, não é verdade que ele divida igualmente entre os dois. Não foram divulgados quantos dos que apoiam Lula (mas pretendem votar em Serra) sabem que Dilma é a candidata lulista – e esse cruzamento pode fazer toda a diferença. No Rio de Janeiro, por exemplo, a última pesquisa Vox Populi (ver na próxima postagem) faz duas perguntas diferentes sobre a intenção de voto para Presidente. Na primeira, lista os nomes "Dilma", "José Serra", "Ciro Gomes" e "Marina Silva" (com 29%, 28%, 16% e 9%, respectivamente). Na outra, acrescenta apoios e o resultado passa a ser: "Dilma” (com apoio de Lula) sobe para 35%, "Serra" (com apoio de Fernando Henrique) cai para 26%, "Ciro Gomes" cai para 13% e "Marina Silva" (com apoio de Gabeira) permanece em 9%. As intenções de voto em Dilma crescem mais de 20%. É bom esclarecer que, na mesma pesquisa, comprovou-se que 14% ainda nem sabem que Lula não pode candidatar-se novamente. A questão principal, portanto, não é o da capacidade de transferência que Lula tem (está claro que tem!), mas, sim, a capacidade de comunicar clara e amplamente o seu apoio. Ao não passar esse tipo de informação, os institutos de pesquisa deixam margem para especulação – que, no caso, só interessa à Oposição.
Concluindo, não acho que as pesquisas devam ser tratadas como um demônio em si (como fazia Brizola). Mas todos precisam ficar bem atentos – e ao primeiro cheiro estranho devem berrar.

segunda-feira, 29 de março de 2010

O PT-RJ tem razões que a própria razão desconhece

Ontem, na prévia para indicar seu representante na disputa para o Senado, o candidato Lindberg, atual prefeito de Nova Iguaçu (RJ), saiu vitorioso, enfrentando Benedita da Silva, atual Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Até aí, nada demais. Afinal, ao contrário de José Serra, de um modo geral considero o instrumento das prévias bem salutar. O resultado também já era apontado como o mais provável. Mas, sinceramente, por mais que reconheça o grande valor eleitoral de Lindberg, acho que a sua escolha foge à lógica.
Pergunto, sem emoção alguma, apenas buscando uma razão para tudo isso, como é que um partido como o PT abandona sem mais nem menos (e com isso se complica localmente...) uma Prefeitura como a de Nova Iguaçu, conquistada graças a muito esforço do Governo Federal, sem nem ao menos contar com um Vice-Prefeito da mesma legenda? O argumento (que não é o verdadeiro, mas é o disponível...) é o da renovação. Lindberg tem 40 anos, Benedita 67; seu grupo substitui o grupo que dominava há algum tempo a direção estadual; sua movimentação é de mudança, de juventude. Mas será que isso basta, justifica o que foi feito?
Há o “raciocínio” de que Lindberg pretende disputar o Governo do Estado em 2014 e um cargo de Senador daria base para sua candidatura. Aí, então é que perco inteiramente o fio da meada. O seu desempenho como prefeito de Nova Iguaçu, que é da Região Metropolitana e tem 4,70% do eleitorado fluminense, seria um excelente cartão de visitas, e já estaria à mão (Garotinho usou, como vitrine para sua candidatura vitoriosa a Governador, exatamente a sua passagem pela Prefeitura de Campos, que é do Interior e conta com apenas 2,86% do eleitorado...). Lindberg poderia facilmente fazer um sucessor petista em 2012 e ampliar o seu prestígio. E, repito, isso tudo já está na sua mão, inclusive com o apoio de Lula que lhe disse claramente para cumprir o mandato até o final! A conquista do Senado agora tornou-se apenas uma incógnita. Principalmente considerando que, no momento, de acordo com todas as pesquisas, Lindberg está bem distante dos líderes, Crivella e Cesar Maia – ao contrário de Benedita, que lidera as pesquisas, já foi Senadora, tem forte base popular e apresentava chances reais de ser a mais votada. Isso, sim, poderia garantir ao PT (e a Lindberg) uma base forte para disputar o Governo em 2014.
Há quem desenvolva o “pensamento” de que Benedita “é boa de partida, ruim de chegada”, um absurdo, já que sempre aconteceu o contrário. Em 92 saiu do nada para uma final surpreendente contra Cesar Maia. Em 2000, contra tudo e contra todos, subiu vertiginosamente, sendo derrotada no final porque não teve o apoio do “aliado” Governador Garotinho. Em 2002, idem. Em todas as outras candidaturas, foi vitoriosa de cabo a rabo – Vereadora, Deputada, Senadora, Vice-Governadora.
No quadro atual, sem Benedita,o mais provável é que vençam Crivella e Cesar Maia. A campanha de Dilma certamente será bastante prejudicada, porque Lindberg será alvo fácil da direita no Rio de Janeiro. Até agora foi protegido porque a oposição sempre o considerou um adversário mais fácil. Um exemplo disso é Cesar Maia que inflou o seu nome o quanto pôde, mas hoje, no seu Twitter, após saber o resultado da prévia, a primeira coisa que fez foi divulgar a pesquisa Vox Populi para o Senado onde ele e Crivella aparecem lá na frente e Lindberg lá atrás...
Há quem pense que tudo bem, “o importante é que o PT construa o futuro”. Mas não existe futuro sem passado, não existem voos sem terra firme. O que o PT não pode é correr o risco de virar pato-ilógico (parafraseando MD Magno...).

domingo, 28 de março de 2010

Nada mais oportuno do que 4'33" de John Cage para romper o silêncio nessa manhã de domingo


Vox Populi, RJ: avaliação positiva de Lula chega a 90%



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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
Sem palavras...

Vox Populi, RJ: Marina lidera na rejeição, menos na Capital


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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.

Marina surpreende por liderar a rejeição. Talvez por causa do desconhecimento, principalmente no Interior. Na Capital, o apoio de Gabeira junto à classe média da Zona Sul reduz a rejeição.

Vox Populi, RJ: empate técnico, com Dilma ligeiramente à frente de Serra e liderando na Capital


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Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais.
Empate técnico com Dilma 1 pontinho à frente de Serra.

Na pesquisa por região, Dilma lidera na Capital e Serra no Interior.



No jornal O Dia, o presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, declara que a pesquisa revela uma tendência nacional, que demonstra o crescimento de Dilma. “A boa performance da petista na capital revela o grau de informação do público. À medida que Dilma associa sua imagem à imagem do presidente Lula, ela ganha respaldo e aceitação. No interior, essa informação chega de forma mais lenta ao eleitor”, acredita o presidente do Instituto Vox Populi.

sábado, 27 de março de 2010

IstoÉ: cientista político nega o “lulismo” e lança o “sortismo”


Sugiro a todos a entrevista na IstoÉ desta semana feita com o cientista político Alberto Carlos Almeida. Com todo respeito, ele diz coisas muito engraçadas – pelo menos na minha opinião. Vejam esse trecho, como é cientificamente engraçado:
IstoÉ - O chamado lulismo poderá definir as eleições?
Alberto Carlos Almeida - Não existe lulismo. O Lula só é bem avaliado pelo desempenho do governo dele.
IstoÉ - Para o sr., o Lula não é um fenômeno?
Alberto Carlos Almeida - Não. Ele tem é sorte. O Lula ganhou força porque seu governo é bem aprovado. Lula não é um mito. Ninguém tem sucesso sem ter sorte. Competência, ele teve! Qual foi? Domesticar o PT, levar o partido para o centro e manter a política econômica.
IstoÉ - O presidente Fernando Henrique não teve sorte?
Alberto Carlos Almeida - Comparando com o Lula, ele foi sem sorte. A sorte sorriu mais para o Lula que para FHC.
Alberto Carlos Almeida também declara que quem tem uma imagem fortalecida junto ao eleitor mais pobre “é o PT, não é Lula nem ninguém”.
Sem querer ofender, juro que lembrei de uma entrevista que Waldick Soriano deu ao velho Pasquim, quando afirma que “câncer não existe”, seria invenção dos cientistas – o que fez debandar os entrevistadores do Pasquim. Mas não quero reduzir essa postagem a uma série de gracinhas. Prefiro que todos vocês leiam a entrevista completa. Quem sabe, vão sair com outra cabeça...

Boa notícia: o fim está próximo


Adaptei esse cartum de Newton Silva para demonstrar minha alegria pelo fim próximo desas duas aberrrações midiáticas, o BBB10 e o julgamento "Isabela". Aff! Ninguém aguenta...

Datafolha: Serra reduz a queda, Dilma reduz o crescimento


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A nova Pesquisa Datafolha divulgada hoje é bem interessante. Primeiro, porque faz ligeiras correções nas tendências das intenções de voto desde agosto de 2009. Segundo, porque serve para frear excessos de otimismo entre petistas. É verdade que Dilma mantém sua tendência de crescimento (no gráfico, as tendências são marcadas pelas linhas negras), mas não mais no mesmo ritmo em que estava. É verdade também que o candidato tucano, José Serra, ainda está na sua tendência de queda, mas em ritmo menor. A disputa fica cada vez mais interessante.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ganhando energia para a noite de sexta: John Lurie e Naná Vasconcelos


Vox Populi, RJ: Crivella, Benedita e Cesar Maia lideram para o Senado


Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais. Clique nos gráficos para ampliar.

Crivella (PRB), Benedita (PT) e Cesar Maia (DEM) têm empate técnico, com mais do dobro de pontos, cada um, à frente do quarto colocado, Lindberg Farias (PT).
Quando Lindberg sai de cena, Benedita avança, com ligeira vantagem sobre Cesar.

Quando é Benedita que sai de cena, Crivella e Cesar ficam inteiramente isolados na liderança.


Vox Populi, RJ: Sérgio Cabral vence no primeiro turno para o Governo do Estado


Pesquisa quantitativa realizada pelo Instituto Vox Populi no estado do Rio de Janeiro, entre os dias 20 e 22 de março de 2010, com 1.000 entrevistas, margem de erro máxima de 3,1 pontos percentuais. Clique nos gráficos para ampliar.

A diferença de Sérgio Cabral (PMDB) para seus adversários Garotinho (PR) e Gabeira (PV) é muito grande e lhe daria (se esse fosse o resultado eleitoral) vitória no primeiro turno.
A vantagem de Sérgio Cabral pode ser percebida em todas as regiões, Capital (36%) e Interior (39%).

terça-feira, 23 de março de 2010

Obrigado, Kurosawa - 100 anos


Em Minas, Serra perderia até para Alckmin


Estão circulando informações sobre uma pesquisa Vox Populi em Minas. Dilma já teria 45% contra 29% de Serra, 7% de Ciro e 5% de Marina. É bom lembrar que no primeiro turno de 2006, em Minas, Lula teve 48,61%, Alckmin teve 41,64% e Heloísa Helena teve 6,85%. Se os dados se confirmarem, talvez fosse o caso dos tucanos trocarem: Serra para re-eleição em São Paulo e Alckmin para candidato à Presidência - que perderia de novo, mas perderia melhor...

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cesar Maia promove Samuel Pinheiro Guimarães


Cesar Maia adora dar pitaco em política externa, obviamente alinhando-se ao mundo conservador, muitas das vezes praticamente automático lado a lado com os Estados Unidos. A figura de Samuel Pinheiro Guimarães, ex-Secretário Geral do Min. das Relações Exteriores e atual Ministro de Assuntos Estratégicos, para ele, deve ser igual ao demo... epa, desculpe, igual a satanás.
No seu ex-Blog de hoje, com o título de “Este é o ministro de assuntos estratégicos do Lula!", ele escreve: “Samuel Pinheiro Guimarães faz parte da equipe próxima de Dilma junto com o chavista Marco Aurélio Garcia. É quem aproximou Lula e vai aproximar Dilma do Irã. Na entrevista ao Estado de SP (21), agride os EUA e mostra claramente qual é o time dele” (grifo nosso). Em seguida ele dá o link para a (ótima) entrevista, que ainda não tinha lido e agradeço pela dica. Procurei o trecho em que Samuel Pinheiro Guimarães “agride os Estado Unidos”. Não encontrei. Tentei de novo, e nada. A não ser que ele se refira a esses dois trechos:
  • Mas existe ainda outro problema, a da redução de ogivas e de aperfeiçoamento da letalidade do armamento. Deveríamos ter um protocolo adicional para países que continuam a desenvolver armamento nuclear e não cumprem suas obrigações. Quem não cumpre o TNP não tem moral para cobrar os outros. Sem contar que há países armados dos quais não se exige nada, muitos nem signatários do TNP são.
  • Eu concordo com o presidente (sobre a frase de Lula de que as potências “não tem superioridade moral para cobrar o Irã”). E lhe acrescento: antes da segunda guerra do Iraque (em 2003), foi propalado em todos os países que Bagdá tinha armas de destruição em massa e, por isso, seria uma ameaça internacional. Diziam que armas iraquianas destruiriam capitais europeias em segundos. O sr. Colin Powell (então secretário de Estado dos EUA) discursou com fotos no Conselho de Segurança da ONU. O Iraque foi invadido e não foi descoberta nenhuma arma de destruição em massa. Isso dá moral a alguém?
Alô, alguém aí, por favor descubra a agressão aos Estados Unidos.

domingo, 21 de março de 2010

Tom Waits - Rain Dogs

Duvido que Tom Waits saiba o que é manhã de domingo, nem mesmo a de Rose of Tralee. Mas foi essa música que escolhi para amanhecer o meu domingo.


sábado, 20 de março de 2010

Merval contra O Globo


Merval Pereira é o principal colunista político do jornal O Globo, de plumagem bem tucana. Mas não é exatamente o jornalista do escarcéu, demonstra seriedade em muito do que escreve. Na sua coluna de hoje ele dá prova disso, ao contrariar inteiramente a manchete do seu jornal. Ao tentar colocar o seu candidato, José Serra, de bem com o Rio, O Globo procurou em primeiro lugar criar intrigas com Dilma. Colocou na manchetona da primeira página que “após Serra, Dilma reconhece os direitos do Rio”. Mas o mancheteiro esqueceu de ler antes a coluna de Merval, “O preço político”, publicada hoje mesmo.
Lá na coluna podemos constatar que “a ministra Dilma Rousseff não ficou em cima do muro, mesmo correndo o risco de ir contra a maioria dos estados”. E mais: “Diferentemente do presidente Lula, ela antecipou sua posição a favor da manutenção do sistema atual de divisão dos royalties”. E Merval vai além, ao criticar o candidato tucano: “Serra teve uma primeira reação inteiramente equivocada ao dizer que não sabia detalhes da questão dos royalties, pois só lera pelos jornais, e teve que tentar recuperar a posição no dia seguinte, quando deu uma declaração firme contra a alteração da distribuição, se reincorporando à luta ao lado do Rio e do Espírito Santo”. (grifos nossos)
Talvez fosse o caso de dizer que alguns desvarios do Globo não conseguem passar da primeira página...

sexta-feira, 19 de março de 2010

Moon tonight, haiku


Vi pelo Twitter que o Soichi Noguchi, o astronauta que está fotografando/tuitando a Terra, tinha publicado essa foto lindíssima, "Moon tonight". Achei que casava com esse, digamos, haiku que fiz em 84.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O BRASIL FOI ÀS RUAS!



A mega manifestação de ontem, no Rio de Janeiro, contra a emenda Ibsen, foi muito mais do que o protesto dos estados produtores de petróleo contra a ameaça de perda dos royalties. Ontem era o Brasil inteiro voltando às ruas, mesmo debaixo de temporal. Mais do que tudo, foi a comemoração da democracia, uma homenagem aos bons tempos que o país vive. A lamentar, a ausência de Cesar Maia e a tentativa tardia e oportunista de Serra tentar pegar carona no sucesso do evento. Magnífica a foto de Domingos Peixoto para o Globo.

Eleições para o Senado no Rio: Cesar Maia prefere Lindberg

No Ex-Blog de ontem, Cesar Maia publica pesquisa do seu instituto predileto, o GPP, sobre intenções de voto no município de Araruama, região das Baixadas Litorâneas do Rio de Janeiro. Seus índices para o Senado mostram Cesar Maia e Crivella empatados em primeiro lugar, em torno dos 40%. Depois vêm Manoel Ferreira, Lindberg, Waguinho e Picciani em torno dos 10%. Espertamente, Cesar Maia "esquece" os índices de Benedita que lidera absoluta na região. Não recebi os números específicos do município, mas recebi dados da Região Baixadas Litorâneas que mostram Benedita com 58%, com Cesar... 11 pontos atrás! Faz tempo que Cesar Maia procura inflar a candidatura de Lindberg ao Senado pelo PT do Rio - é o adversário dos sonhos da oposição...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pesquisa CNI-Ibope: como diria o Cesar Maia, tudo dentro do previsto





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A Pesquisa CNI-Ibope divulgada hoje (2002 entrevistas, margem máxima de erro de 2,19%), repete o que todas as outras disseram: Serra está em queda (3 pontos) e Dilma cresce assustadoramente (13 pontos). Aliás, é a única que cresce. Se você fizer a conta, vai notar que o crescimento de Dilma equivale à soma (14 pontos) das quedas de todos os outros (inclusive brancos, nulos, etc.).
É interessante ver o perfil predominante do eleitorado de cada um:
  • Ciro - feminino, mais de 40 anos, ensino fundamental pra médio, nordestino, com renda entre 2 e 5 s.m.
  • Dilma - masculino, 25 a 29 anos, ensino fundamental, nordestino, renda de até 1 s.m. 
  • Serra - feminino, 16 a 24 anos, ensino médio, norte/centro-oeste, renda de mais de 10 s.m.
  • Marina - 16 a 24 anos, ensino superior, norte/centro-oeste, renda de mais de 10 s.m.

A questão do Pré-sal tornou ainda mais doce a campanha de Sérgio Cabral


Depois que a Câmara dos Deputados decidiu arrancar drasticamente do Rio de Janeiro os royalties do petróleo, já vi várias pessoas perguntando “e agora, como fica o Sérgio Cabral?” Ou então afirmando que o Sérgio Cabral “se deu mal”. Já vi até quem criticasse o seu choro na palestra da PUC. Pior, há quem diga que ele foi inábil ao bater de frente com os Deputados dos outros estados.
Penso exatamente o contrário de tudo isso. Sérgio Cabral percebeu que só haveria uma saída para o Rio e para sua própria campanha à re-eleição: radicalizar. Se não fizesse isso, o Planalto talvez não percebesse claramente a importância eleitoral que o Rio de Janeiro tem. E a bandeira do “O royalty é nosso!” certamente seria empunhada por Garotinho – que não teria força suficiente para defender o estado, mas poderia ter força de sobra para derrotar Sérgio Cabral, principal aliado do Planalto no terceiro colégio eleitoral do país e garantia de votos decisivos para Dilma.
O mega evento que deve se realizar hoje no Rio, com participação de dezenas de milhares de pessoas, é a confirmação do que digo. O Governador peemedebista agiu rápido e com precisão. Criou um movimento tão forte que, hoje, até quem é de outros estados considera que o Rio está sendo injustiçado. E sem fazer muita força, ele ainda tirou o pirulito da boca de Garotinho.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Pesquisa Mapear: as diferenças entre “Dilma” e “Dilma, a candidata de Lula”


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Essa pesquisa do Instituto Mapear divulgada hoje tem o mérito de buscar identificar as diferenças entre a candidatura de "Dilma” e a candidatura de "Dilma, a candidata de Lula”, tentando captar tendências. Isso é extremamente importante, porque todos nós sabemos que Lula é o eleitor que fará toda a diferença – e 34% dos eleitores ainda não sabem que Dilma é apoiada por ele. Esse desconhecimento ocorre principalmente entre as mulheres (40%), os mais jovens (41%), nos estudantes do ensino fundamental (40%), no Nordeste (43%) e no Interior (37%).
Quando Dilma é identificada como “candidata do Lula”, ela pula de 22% para 35% e tem o perfil predominante do eleitorado alterado em 3 segmentos:
  • Escolaridade – passa de “superior” para “fundamental”;
  • Região – passa de “Norte/Centro Oeste” para “Nordeste”;
  • Região do Estado – passa de “Periferia” para “Capital”.
A pesquisa do Instituto Mapear teve o seu campo realizado entre os dias 27 de fevereiro e 5 de março, 2.015 entrevistas, erro máximo de 2,18 pontos percentuais para mais ou para menos.

Eleições 2010: nova pesquisa presidencial confirma “erro” elementar de Cesar Maia


No dia primeiro de março, Cesar Maia abriu seu Ex-Blog com uma análise da última pesquisa Datafolha. Tentava, na verdade, acalmar a oposição, provar que o crescimento de Dilma estava dentro do esperado e que não continuaria avançando.  “O óbvio e esperado crescimento de Dilma em pesquisas se deu no correr de 2009, pela superexposição e transferência possível de Lula”, disse ele, para concluir: “Em 2010, o quadro está estabilizado”.
No Ex-Blog do dia 10 de março (“Dilma: está tudo dentro do esperado!”) ele repete: “O que está aumentando não é a intenção de voto na Dilma e sim a base (percentual das pessoas que sabem que ela é a candidata do Lula). Está tudo dentro do esperado, acontecendo mais rápido devido à campanha de um só candidato”. Ele pretendia, com tudo isso, fixar que Dilma teria um teto (em torno dos 30%) que seria atingido quando todas as pessoas percebessem que Dilma era a candidata de Lula. O que ele não fala é que os novos “pontos Lula” que chegam a Dilma não têm origem apenas em eleitores “indecisos”, “brancos”, “nulos” ou “ns/nr”. Eles vieram também de “Ciro” (praticamente inviabilizando sua candidatura) e até de Serra, que, nessa pesquisa (Brasil) do Instituto Mapear, perde 4 pontos na troca de “Dilma” para “Dilma, a candidata de Lula”, e deverá continuar perdendo. Aliás, o mesmo já tinha sido observado no mês de janeiro em pesquisa feita pelo mesmo instituto na região da Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, quando Serra perdeu 3 pontos.
Cesar Maia também tem que entender (ou melhor, tem que aceitar) que nunca antes nesse país houve eleição igual a essa. Os índices não conseguirão se espremer dentro dos limites tradicionais. Lula é um fenômeno que vai alterar os limites históricos e deve, ao que tudo indica, garantir a vitória de sua candidata, provavelmente no primeiro turno.
O resto é desespero de oposição.
A pesquisa do Instituto Mapear foi feita entre os dias 27 de fevereiro e 5 de março, com 2015 entrevistas (margem máxima de erro de 2,18%)

domingo, 14 de março de 2010

sexta-feira, 12 de março de 2010

Jornal israelense chama Lula de “profeta do diálogo”

Enquanto a imprensa local, comprometida com o projeto oposicionista, critica Lula por aproximar-se do Irã e por tentar meter-se na questão de árabes e judeus, o jornal Haaretz de hoje faz reportagem sobre a ação de Lula com o título “Phophet of dialog”.  A reportagem, de certo modo, dá boas-vindas a esse novo player na busca da paz no Oriente Médio e dá exemplos de diálogos “impossíveis” dentro do próprio Brasil. Cita o Saara, no Rio de Janeiro, onde árabes e judeus convivem lado a lado, na mais perfeita harmonia. Cita também o comercial do Banco Itaú, onde dois meninos, um árabe e outro judeu, encontram o diálogo através da camisa da Seleção Brasileira. E o jornal ainda dá um exemplo simpático do que é o “profeta do diálogo”: no início da entrevista, diante do impasse sobre qual dos jornalistas (dois israelenses e um árabe) presentes faria a primeira pergunta, Lula resolveu o problema na base do par ou ímpar. (Deve ser a mania da eleição plebiscitária...)

Manchetes do Globo, de tsunamis a marolinhas


Os mancheteiros do Globo pautam seu dia-a-dia por marolinhas e tsunamis. Por oposição a Lula, fazem um tsunami; por imposição da realidade, têm que surfar na marolinha. Vejam o festival aquático de hoje:
Manchetão da capa – tsunami (não foi tsunami, graças à marolinha)


Página 27 – marolinha (Brasil ficou em 4º do mundo)

Página 25 – tsunami (não foi tsunami, graças à marolinha)

Página 28 – marolinha (graças à marolinha, crescimento maior que antes)

Página 29 – tsunami (no subtítulo, Lula fez melhor que Fernando Henrique)


Página 27 – marolinha (graças à marolinha, Brasil vive em ondas crescentes... positivas)


quinta-feira, 11 de março de 2010

Royalties: afinal, a posição de Rodrigo Maia (DEM) e Adilson Soares (PR) foi contra quem?

Juro que fiquei até agora tentando entender por que alguns parlamentares do Rio não apoiaram o seu estado nessa questão dos royalties do petróleo. Minha surpresa é maior com relação a dois nomes: Rodrigo Maia (presidente do DEM, que pretende re-eleger-se e é filho de Cesar Maia, que pretende candidatar-se a Senador) - ele simplesmente não apareceu para votar; e Adílson Soares (do PR, mesmo partido de Garotinho, marido de Rosinha Garotinho, Prefeita de Campos, um dos municípios mais prejudicados, no caso da perda dos royalties) - esse não titubeou, votou contra (Nelson Bornier, do PMDB, também votou contra, mas alega que se enganou, o que precisa ser esclarecido). Será que Rodrigo Maia e Adílson Soares pretendem com isso complicar a situação do Governador Sérgio Cabral, do PMDB? Se o objetivo era esse, erraram feio. Com certeza complicaram eles mesmos junto ao seu eleitorado. Votaram contra o Pré-sal, agora os seus votos vão pro sal.

Eleição 2010, RJ: avaliação dos números de Cesar Maia


No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia divulga números de Pré-Campanha no Rio de Janeiro. Vou comparar, em negrito, com outras informações que tenho recebido, abaixo de cada item do Ex-Blog:

OBSERVAÇÕES SOBRE A PRÉ-CAMPANHA DA ELEIÇÃO DE 2010, NO ESTADO DO RIO!

GOVERNO
Ex-Blog: Continua dando segundo turno. Ou seja, a soma de Garotinho e Gabeira é maior que Cabral, que está na frente.
Dentro da margem de erro, tanto pode dar segundo turno quanto primeiro. É melhor considerar que os votos válidos estariam mais ou menos em 50% para Sérgio Cabral.
Ex-Blog: A intenção de voto espontânea para governador dá a Cabral menos da metade do que tem na induzida. É um resultado muito ruim. Em outros estados, os governadores na espontânea têm pelo menos 70% dos votos que têm na induzida. Garotinho e Gabeira vêm empatados na espontânea.
Cesar Maia precisa conversar melhor com o pessoal do GPP...
Ex-Blog: Na pesquisa de intenção de voto induzida, Cabral lidera na faixa dos 35%, Garotinho tem 25%, e Gabeira está próximo a 20%.
A avaliação de Cabral está na faixa de 40% de ótimo e bom.
Disponho de 39, 21 e 20. O “ótimo+bom” deve ser por aí mesmo, mas a aprovação do Governo está em 65.

Ex-Blog: Mas um dado importante: são 55% os que querem mudar o governo e 40% os que querem continuidade.
Natural, nada demais.

PRESIDÊNCIA
Ex-Blog: Dilma se aproximou de Serra e estão em empate técnico. Serra abre no Interior e empata na capital e municípios metropolitanos. Num segundo turno Serra vence na margem.
É verdade que há empate técnico, mas quando Dilma é identificada como candidata de Lula pula mais de 21 pontos à frente – e portanto vence fácil também no segundo turno.

SENADO
Ex-Blog: Para Senador tanto no primeiro como nos dois votos, Crivella e Cesar Maia lideram com vantagem para Crivella dentro da margem de erro. Na alternativa com Benedita ela tem performance melhor que na alternativa com Lindberg: praticamente o dobro.
Crivella, Cesar Maia e Benedita estão com empate técnico em primeiro lugar. Comparada com Lindberg, é verdade, Benedita tem o dobro.
 
LULA
Ex-Blog: Lula atingiu seu melhor momento na avaliação ótimo+bom no Estado do Rio: cerca de 75%.
Aprovação já está 84.

terça-feira, 9 de março de 2010

Eleições 2010, RJ: Dilma (Presidência), Cabral (Governo), Crivella, Cesar Maia e Benedita (Senado) lideram

As pesquisas (das antigas às recentíssimas) de intenção de voto no Rio de Janeiro são bem claras.
Quando se trata da candidatura à Presidência, a candidata de Lula dispara na frente, chegando a ter o dobro das intenções de voto de Serra. Em outras palavras, Dilma é pule de 10, desde que esteja associada a Lula.
Quando se trata da candidatura ao Governo, a grande dúvida é se Sérgio Cabral ganha no primeiro ou no segundo turno.
Quando se trata da candidatura ao Senado (com duas vagas), Crivella, Cesar Maia e Benedita destacam-se na liderança, mas há alguns complicadores:
  • Crivella, além de enfrentar forte rejeição junto à classe média, está sem aliança com candidaturas ao Governo e sem tempo no Horário Eleitoral Gratuito.
  • Cesar Maia está bem, principalmente porque se trata do único candidato da oposição, ou seja, navega em águas tranquilas. Mas isso é até agora, porque quando a campanha começar terá que enfrentar a oposição de Lula e Sérgio Cabral.
  • Benedita surpreende a todos, porque desde 2002 não participa de nenhuma campanha. O problema aqui é Lindberg, prefeito petista de Nova Iguaçu, que agora quer porque quer candidatar-se ao Senado, apesar de estar bem atrás. Vai haver prévias internas do PT para decidir qual dos dois será o candidato, talvez com vantagem para Benedita. Acontece que, se for derrotado, Lindberg tenderá a fazer corpo mole, porque anda bem obcecado com a candidatura. E no caso de Benedita derrotada - ela fazendo ou não fazendo corpo mole - dificilmente Lindberg terá condições de alcançar Crivella e Cesar Maia.
Assim, apesar das candidaturas à Presidência e ao Governo no Rio de Janeiro estarem praticamente definidas, as duas vagas ao Senado estão incertas graças à disputa interna do PT.
 

segunda-feira, 8 de março de 2010

Visão bem carioca da desgraceira da chuva no Baixo Gávea


Com todo o desprazer da chuvarada, a combinação de Baixo Gávea com Cantando na Chuva é ótima.

No Dia Internacional da Mulher, o apoio a uma lei importante

A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) diz em seus dois primeiros artigos:

Art. 1º  Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.
Art. 2º  Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.


domingo, 7 de março de 2010

Lindíssimo! Projetor sem fio de alta definição


OO - High Definition Wireless Projector from David Riesenberg on Vimeo.

Cesar Maia se oferece como consultor de marketing da campanha Dilma 2010


No seu artigo de ontem, na Folha, Cesar Maia volta ao seu tema preferido no momento, a “eleição plebiscitária”. Ele demonstra grande “preocupação” com o destino eleitoral de Dilma, que pode acabar perdendo por causa dessa invenção de Lula. Ele acha que ela deve se preparar  bem para vencer no segundo turno, porque a eleição plebiscitária no primeiro turno “gera contradições na base do governo nas eleições parlamentares e gera poluição visual e confusão na cabeça dos eleitores. Placas e cartazes para todo lado, milhões de panfletos, TV e rádio, dia sim, dia não, com descanso dominical, caras e bocas passando na telinha e as piadas relativas” (acredite se quiser!). Segundo ele, nesse ambiente, “a marca e o currículo anteriores contrapõem-se à ‘máquina’ e reduzem a aderência de Dilma a Lula”. Já no segundo turno,será muito diferente: “Uma eleição sem ruídos, com TV todos os dias, sem cartazes ou caras e bocas, com parlamentares eleitos e espaços muito mais amplos para Lula e militantes. E ainda a experiência que a estreante Dilma adquiriu numa campanha presidencial”.
Acredito que Cesar Maia deve estar na fase de definição de custos para acertar definitivamente essa “consultoria” a Dilma... Vejam o texto completo:

Eleição plebiscitária
Cesar Maia

Curiosa e paradoxal situação para a eleição de 2010. Lula quer uma eleição plebiscitária entre Dilma e Serra. Parte relevante do grupo de Serra também passou a querer isso. Ou seja: ambos não querem a presença de Ciro no processo eleitoral. Quem está com a razão? Há contradição em que adversários queiram a mesma coisa? Ou não há alternativa?
Numa eleição polarizada, a proximidade nas pesquisas levará o eleitor a fazer o voto tático, útil, emagrecendo Marina e reduzindo o não voto (abstenção, brancos, nulos). Isso se passou com Heloísa Helena em 2006.
As razões de Lula são de confiar em que a sua popularidade pode eleger um poste. Em 2008, na cidade de São Paulo, Lula foi para as carreatas e para a TV, mas Marta só fez cair. Se o primeiro turno fosse programável, num mano a mano Serra/Dilma ou Serra/Dilma+Lula, a tendência seria Serra vencer. O eleitor primeiro pondera os riscos, depois avalia as promessas.
Mas a candidatura Dilma tem um elemento diferencial em relação a Serra. A mobilização da militância profissional recrutável em associações, sindicatos, ONGs e tudo o mais, que vivem da mesada do Estado e veem os riscos de seus (digamos) espaços serem perdidos. E isso já está em montagem: tantos militantes profissionais por número de eleitores, distribuídos pelos municípios brasileiros.
Um depósito alugado para receber material, um cadastro do Bolsa Família na mão, a visitação domiciliar (técnica Bush), a visita aos prefeitos/vereadores e os "fortes" argumentos para conseguir apoio. A rede "Gushiken" de rádios e jornais regionais já existe e pode continuar via prefeituras, associações e testemunhas. E, paralelamente, uma tempestade de spams anti-Serra e pró-Dilma/Lula. Não faltarão recursos, como sempre, generosos.
Mas há uma pedra no meio do caminho, e que pedra. O primeiro turno gera contradições na base do governo nas eleições parlamentares e gera poluição visual e confusão na cabeça dos eleitores. Placas e cartazes para todo lado, milhões de panfletos, TV e rádio, dia sim, dia não, com descanso dominical, caras e bocas passando na telinha e as piadas relativas.
Nesse ambiente, a marca e o currículo anteriores contrapõem-se à "máquina" e reduzem a aderência de Dilma a Lula. No segundo turno, o quadro será muito diferente.
Uma eleição sem ruídos, com TV todos os dias, sem cartazes ou caras e bocas, com parlamentares eleitos e espaços muito mais amplos para Lula e militantes. E ainda a experiência que a estreante Dilma adquiriu numa campanha presidencial. No segundo turno, ela não pisará nas mesmas armadilhas.
Por isso tudo, não parece haver dúvida de que a eleição plebiscitária interessa muito mais a Serra que a Lula -desculpe, que a Dilma.

Demóstenes Torres embarcou no navio negreiro errado

Texto de Elio Gaspari, hoje, Folha/O Globo:

A TEORIA NEGREIRA DO DEM SAIU DO ARMÁRIO

O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) é uma espécie de líder parlamentar da oposição às cotas para estimular a entrada de negros nas universidades públicas. O principal argumento contra essa iniciativa contesta sua legalidade, e o caso está no Supremo Tribunal Federal, onde realizaram-se audiências públicas destinadas a enriquecer o debate.
Na quarta-feira o senador Demóstenes foi ao STF, argumentou contra as cotas e disse o seguinte:
"[Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual".
O senador precisa definir o que vem a ser "forma muito mais consensual" numa relação sexual entre um homem e uma mulher que, pela lei, podia ser açoitada, vendida e até mesmo separada dos filhos.
Gilberto Freyre escreveu o seguinte:
"Não há escravidão sem depravação sexual. É da essência mesma do regime".
"O que a negra da senzala fez foi facilitar a depravação com a sua docilidade de escrava: abrindo as pernas ao primeiro desejo do sinhô-moço. Desejo, não: ordem."
"Não eram as negras que iam esfregar-se pelas pernas dos adolescentes louros: estes é que no sul dos Estados Unidos, como nos engenhos de cana do Brasil, os filhos dos senhores, criavam-se desde pequenos para garanhões. (...) Imagine-se um país com os meninos armados de faca de ponta! Pois foi assim o Brasil do tempo da escravidão."
Demóstenes Torres disse mais:
"Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. (...) Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da economia africana".
Nós, quem, cara-pálida? Ao longo de três séculos, algo entre 9 milhões e 12 milhões de africanos foram tirados de suas terras e trazidos para a América. O tráfico negreiro foi um empreendimento das metrópoles europeias e de suas colônias americanas. Se a instituição fosse africana, os filhos brasileiros dos escravos seriam trabalhadores livres.
No início do século 20 os escravos não eram o principal "item de exportação da economia africana". Àquela altura o tráfico tornara-se economicamente irrelevante. Ademais, não existia "economia africana", pois o continente fora partilhado pelas potências europeias. Demóstenes Torres estudou história com o professor de contabilidade de seu ex-correligionário José Roberto Arruda.
O senador exibiu um pedaço do nível intelectual mobilizado no combate às cotas.

Serra contra Serra

Bom artigo de Janio de Freitas hoje na Folha. Trata do erro na tática de Serra ao demorar a admitir a sua candidatura. Lembro que, por outro lado, Serra não teria saída. Lançando-se candidato mais cedo, logo logo teria sua imagem fixada como de anti-Lula - tudo que ele tenta evitar.

Serra contra Serra
Janio de Freitas
A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura à Presidência

A PRIMEIRA resposta à expectativa criada pela tática de José Serra, de manter-se por tanto tempo como uma incógnita, não lhe é favorável. O desenrolar das circunstâncias políticas criou-lhe mais embaraços do que as vantagens esperadas por sua permanência, com aparências apáticas, no governo paulista. Nem as ocorrências em seu território de responsabilidades governamentais o pouparam, criando-lhe mais situações de desgaste do que colhendo reflexos eleitorais de seus pequenos eventos administrativos e políticos.
O principal efeito positivo da permanência de Serra no poder falhou de todo: sua exposição, favorecida pela condição de governador, ficou muito aquém do conveniente ao candidato. E, no entanto, era arma de grande importância, talvez fosse mesmo decisiva, para mantê-lo na altitude que as pesquisas lhe davam, enquanto Lula e Dilma Rousseff sairiam pelos caminhos pedregosos à cata de grãos percentuais. Mas não foi a exposição, em si, que falhou, nem, muito menos, jornais e TV que não corresponderam a estímulos. A falha foi do próprio Serra, carente da criação de atrações para câmeras e notícias.
Nisso até chegou ao cúmulo. Nas várias semanas de calamidade fluvial dentro de São Paulo, oportunidade extraordinária -sem se considerar o dever- para juntar-se ao prefeito e demonstrar a capacidade de iniciativa ágil e eficaz esperada de um governante e de um candidato, Serra sumiu. Do ponto de vista da população, não só a paulista, não foi governante nem candidato. E não é preciso falar-se das péssimas notícias que têm vindo da sensível área de educação, de crianças sentadas no chão por falta de cadeiras e mesas à greve de professores.
A permanência no governo em nada favoreceu, até agora, a ainda quase admitida candidatura de José Serra à Presidência. Só lhe permitiu protelar até ao limite a decisão entre ser candidato a presidente ou à reeleição. O que, para uma psicologia hamletiana, seria mesmo o fundamental.
A dinâmica da política poderia trazer compensações para Serra, mas não o fez. Ou só o fará, segundo a opinião dominante, caso Aécio Neves se conforme com a candidatura a vice. A julgar pelo ambiente em Minas a esse respeito, exposto em editorial de "O Estado de Minas" no gênero dos que só saem raramente, a decisão nem cabe mais a Aécio Neves, apenas. Extravasou do âmbito político para o da emocionalidade, com algumas razões coerentes.
Mas nessa historiada de vice cabe outra hipótese: crer que Serra deseje, de fato, a candidatura de Aécio é uma dedução de jornalistas, que a ele transferiram o que se sabe, no máximo, ser desejo de alguns outros peessedebistas. A Aécio não conviria uma vice sem luz própria, para brilho exclusivo de Serra, nem conviria ficar como figura secundária em esperável candidatura de Serra à reeleição presidencial. Serra, por certo, sabe disso, como sabe que a ninguém é conveniente um vice com brilho.
Não sendo Aécio, quem quer que entre como vice de Serra já chega desvalorizado ao lugar, tamanha tem sido a caracterização do governador mineiro, inclusive no PSDB, como indispensável às possibilidades de Serra. É outro, e grave, efeito da tática de Serra de manter-se por tanto tempo como incógnita. E dentre todos os efeitos ainda há o que sobressai aos olhos do eleitorado: a queda forte nas pesquisas contra a subida forte de Dilma Rousseff, já os dois, considerada a margem de erro, em situação de empate técnico.
Se candidato, José Serra terá muito trabalho para reverter os males de sua tática até aqui.

Oposição em pânico


No Panorama Político do Globo de hoje, duas notinhas dão a medida do bate-cabeça enlouquecido que tomou conta da Oposição. Além do PT, acho que até Aécio e Ciro se divertem com tudo isso.

Aécio empurrando

A oposição está tensa com os últimos movimentos no entorno do governador Aécio Neves. Avaliam que não são espontâneas manifestações como as de que Minas não ficará a reboque de São Paulo ou da claque gritando “Aécio presidente”. Os aliados do mineiro reiteram que ele se retirou da sucessão. Mas líderes da oposição interpretam os últimos fatos como uma tentativa para empurrar José Serra para fora do tatame presidencial.

COMENTÁRIO
de um político presente à inauguração do novo Centro Administrativo de Minas Gerais, referindo-se ao coro Aécio presidente: “É o lançamento de uma candidatura que não existiu”.

Por que o Homem Cria

Na década de 70, quando comecei a trabalhar na agência de publicidade McCann-Erickson de São Paulo, um dia chegou o presidente internacional, acho que era Kuhmel o nome dele, com um curta metragem (29 minutos) debaixo do braço para mostrar à equipe de Criação. O filme me impressionou muito. Era "Why Man Creates" (1968), do genial Saul Bass. Algum tempo atrás fui procurar na internet, mas não consegui a versão completa, apenas dois pedaços, que mostro aqui. "O Edifício" é a parte inicial e procura reproduzir, de forma brilhante, a história da humanidade desde o momento em que o homem virou homem.



Em "Uma Parábola", Saul Bass (que foi assistente de Hitchcock em "Psicose" e teria sido o autor da famosíssima cena do chuveiro) "fala" sobre ser "diferente" ou "criativo".

sábado, 6 de março de 2010

Eleições, 2010: por lei, as prévias do PT não podem ser antes de abril


Não canso de me surpreender com o PT. Com a aprovação das prévias (aparentemente vitória política do próprio Lula e, no Rio, de Benedita da Silva), tudo se volta para a data de sua realização. Como falei ontem – e vi hoje nos jornais –, alguns pretendem que elas sejam realizadas ainda em março. Devem ter seus interesses, suas estratégias, que não sei quais são. Mas o Regulamento distribuído pelo Diretório Nacional dificilmente permitirá isso. Diz lá o seu Art. 23, § 1º: “As listas (de filiados aptos a votar) serão emitidas (pela Direção Nacional) 30 dias antes da data da prévia (grifo nosso) e remetidas à CEE (Comissão Executiva Estadual) respectiva, que ficará responsável pela distribuição aos municípios onde será realizada a votação”. Como as listas ainda não foram distribuídas, conclui-se que as prévias não poderão ocorrer pelo menos até o dia 6 de abril. Como dia 7 de abril é uma quarta-feira, dificilmente as prévias poderão ocorrer antes do dia 11 de abril (domingo). Na verdade, a discussão sobre datas deveria ser feita a partir daí – 11 de abril, 18 de abril, 25 de abril, e por aí vai. Mas tudo é possível – talvez queiram criar as prévias das prévias...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Johnny Alf


Eleições 2010: no PT, conforme previsto, vai haver prévias

O PT é mesmo muito curioso. Um desavisado (como eu, talvez) que lê a íntegra da resolução (ver abaixo) recomendando "a não realização de prévias para cargos majoritários" que o Diretório Nacional emitiu hoje à tarde jura que não haverá prévias. Aí você vai para as entrelinhas e percebe que em certo momento está escrito "Considerando o disposto no artigo 135..." e mais adiante "respeitado o disposto no artigo 135". Em dúvida, você conversa com um e com outro e acaba descobrindo que haverá prévias onde não for possível um acordo. Em outras palavras, haverá prévias. Mas agora surge outro debate: quando? Uns querem que seja ainda em março. Outros preferem em abril. E já há quem defina 6 de junho como a data mais apropriada. Espaço aberto para mais esse debate.

Resolução sobre Prévias
  • Considerando o amplo entendimento partidário e a unidade das posições políticas expressas nas deliberações do ultimo congresso do partido dos trabalhadores;
  • Considerando os desafios do processo eleitoral que se realizará este ano, e a necessidade de preservação desta unidade;
  • Considerando o disposto no artigo 135 do estatuto do partido em relação a realização de previas eleitorais sempre que houver mais de um(a) pré-candidato(a) às eleições majoritárias;
  • Considerando que é dever da direção nacional, respeitando a legalidade partidária, tomar as medidas políticas necessárias e cabíveis para evitar disputas internas que possam vir a prejudicar, em alguma medida, a defesa do nosso projeto nacional.
  • Considerando, finalmente, que os encontros estaduais são instâncias democráticas e legítimas para debater as candidaturas a cargos majoritários, criando as condições necessárias para um amplo entendimento;
  • O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores resolve, respeitado o disposto no artigo 135 do nosso estatuto, por considerá-las inconvenientes e politicamente inoportunas neste momento:
  • Recomendar a não realização de prévias para cargos majoritários;
  • Determinar à CEN que faça as gestões e tome as medidas necessárias para a viabilização política desta recomendação.

Brasilia, 05 de março de 2010
Diretório Nacional do PT

quinta-feira, 4 de março de 2010

O Superman, Laurie Anderson


Música para relaxar, depois de uma quinta cansativa.

PT versus PT?


O PT é um partido curioso. Adora um debate - o que é extremamente positivo -, mas, às vezes, quando não tem debate à vista, trata logo de inventar um. É o que está acontecendo, por exemplo, nessa questão da escolha do candidato do partido ao Senado, disputa entre Benedita da Silva e Lindberg Farias. Até outro dia, dizia-se que a decisão seria no âmbito do Congresso Estadual, com cerca de 400 delegados (eu mesmo acreditei nisso) – mas aí alguém resolveu ler o Estatuto e percebeu que, quando há mais de um postulante a cargos majoritários, a decisão deve ser feita por eleições diretas entre todos os filiados, as chamadas “prévias”. A postulante Benedita assumiu imediatamente a lei partidária, mas Lindberg, que supõe contar com o apoio da maioria dos Delegados, chiou. Pronto, estava iniciada mais uma temporada de bate-bocas! Os que são contra as prévias alegam que a disputa acirraria os ânimos internos e prejudicaria a campanha da Dilma – o que não me parece fazer muito sentido, já que o debate interno é a própria essência do PT e já que a escolha para o Senado de dois candidatos petistas não se choca com o objetivo estratégico de eleger Dilma. Também parece que alegam que o problema poderia se alastrar por diversos pontos chaves do país, o que não justifica. Do lado dos que defendem as prévias, exibe-se o Estatuto e recorda-se a tradição democrática do partido - mas obviamente as coisas não são aceitas com tanta simplicidade. Recebi artigo dos petistas Val Carvalho e Manoel Severino defendendo as prévias. Através do Twitter, vi o Deputado Gilberto Palmares defendendo, Flávio Loureiro e o Vereador Elton sendo contra, e  ontem recebi cópia de e-mail de Marcelo Sereno respondendo a Elton. Está tudo aí embaixo. E abro espaço para quem mais quiser debater.
NOTA: Acrescentei agora resposta do Vereador Elton Teixeira lá no final.

Em defesa da prévia
Val Carvalho e Manoel Severino

No PT do estado do Rio de Janeiro, a realização de prévia eleitoral para o Senado não representa apenas o cumprimento do direito democrático assegurado pelo Art. 135 do Estatuto do partido, que determina o seguinte: “Havendo mais de um pré-candidato às eleições majoritárias, será realizada Prévia Eleitoral”. Em nosso caso a prévia responde a uma necessidade política do partido como um todo e de cada filiado em particular. O fato é que o PED que acabamos de realizar não discutiu a questão da disputa para o Senado. Em nenhum momento dos debates o companheiro Lindberg afirmou que queria ser candidato ao Senado. Ao contrário, os seus apoiadores só defendiam a candidatura de Lindberg para o governo do estado. Portanto, tanto as novas direções eleitas quanto os delegados ao Encontro estadual não avaliaram uma questão tão importante quanto a do Senado. Sabemos que é no Senado que a direita vem freando e sabotando as iniciativas do governo Lula. Alguns setores dessa direita, descrentes da vitória do PSDB para presidente, já defendem como tática eleitoral a eleição da maioria do Senado e da Câmara dos Deputados para paralisar o futuro governo da companheira Dilma.
Ao reivindicar a prévia para o Senado, a companheira Benedita não está tão somente exercendo o seu direito estatutário. Sim, ela está recorrendo à democracia interna do partido, mas é para levantar a questão política da disputa majoritária para o Senado. Como não há consenso sobre esse importante assunto, ouvir a opinião independente dos filiados, manifestada na prévia pelo voto secreto, é o mínimo que se pode esperar de um partido com tradição democrática como o nosso. Não há porque se temer, portanto, o debate mais amplo e absolutamente legítimo da prévia. A unidade do PT conquistada com brilhantismo no nosso IV Congresso não será comprometida pela manifestação democrática dos filiados numa prévia prevista no Estatuto. Na realidade, a unidade em torno da candidata Dilma para presidente e da política de alianças, aprovadas nacionalmente, seriam reafirmadas na prévia para o Senado. Os debates promovidos deixariam claros os compromissos reais dos pré-candidatos ao Senado com a construção partidária, a política de alianças e a campanha de Dilma. Está no DNA do PT que a unidade do partido depende do respeito ao pluralismo interno e da solução democrática do contraditório. Aquele que perder na consulta democrática aos filiados do partido terá o compromisso de apoiar quem vencer a prévia.

Tweet de Gilberto Palmares
  • Regra antiga no PT: decisão candidatos a cargos majoritários é por prévias. Benedita respeita a regra . Já Lindbergh foge das prévias.

Tweets de Elton
  • Prévias p/ escolher o cand a senador servirá p/ expor ainda mais o PT. Ñ basta termos passado por um PED fratricida como o de 2009?
  • Aos defensores das prévias, quero que me citem ao menos um caso no RJ em que o candidato a senador foi definido por prévias.
  • Lembro bem que em 2002 a vaga do senado foi definida no encontro estadual. Havia dois postulantes: Edson Santos e Milton Temer.
  • E o Encontro Estadual definiu pelo Edson, abrindo a segunda vaga p/ o Gusmão do PC do B.
  • Engraçado que aqueles que tinham maioria em 2002, hj defendem prévias ao invés do Encontro p/ definir o cand a senador.

Tweet de Flávio Loureiro
  • Há um parecer na Sorg nacional que diz que para o senado não há realização automática de prévias.

Resposta de Marcelo Sereno


Caro companheiro Elton,
O debate democrático não é engraçado. Ele é a alma do nosso Partido.
As prévias para o Senado se impõem como a garantia desse debate. Você sabe que no PED debatemos a política de alianças. Esse era o significado da disputa entre os candidatos. E a vitória do deputado Luis Sérgio foi a vitória de uma ampla política de alianças. Não foi à toa que o prefeito Lindberg desistiu da postulação ao governo estadual.
A candidatura ao Senado vai ser o 13 em outubro no Rio. Qual o perfil go candidato? Como ele pode alavancar o resultado da lista petista federal e estadual? Como ele pode ajudar na eleição presidencial? Eu talvez já tenha uma resposta: Benedita, nossa guerreira. É a cara do PT e vai junto com a Dilma reforçar o peso das mulheres no poder. Mas essa é a minha opinião, que eu quero ter o direito de expor à massa dos nossos filiados.
Benedita e Lindberg precisam falar e escutar a base petista. Essa é a condição da nossa vitória.
Viva o PT!
Dilma Presidenta!


Prévias ou Encontro Estadual para escolher entre Benedita e Lindberg?
Abaixo, minha carta ao companheiro publicitário e referência na questão, Hayle Gadelha.

Prezado Gadelha,

Não pude me conter ao analisar os argumentos dos companheiros que defendem a realização de prévias para escolha do (a) candidato (a) do PT ao Senado nas eleições de 2010.
Os argumentos, sempre muito bem embasados, pois tratam-se de companheiros com grande e brilhante história na construção do PT no Brasil, primam pela bandeira da democracia interna do PT e assumem um contorno legalista do processo político. No papel, tudo muito bonito. Já na realidade, a coisa é diferente.
Assistimos durante metade do ano de 2009 a uma disputa sem precedentes na história do PT/RJ (ao menos que me lembre dada minha pouca idade). O PED foi realizado sob forte clima de tensão entre as diversas chapas concorrentes temperado com condimentos de abuso do poder econômico, denúncias de fraudes de ordens diversas, dentre outras ilegalidades constantes no Estatuto e no Código de Ética do PT. Negar que o PT se expôs de maneira ímpar e esgarçou ao extremo as relações entre os campos internos é, no mínimo, virar as costas para a realidade interna. E o que querem os defensores das prévias? Que voltemos a este estágio de exposição e disputa que estabelece vencedores e vencidos. Cabe lembrar que o processo de eleições diretas, bem como outras ferramentas de escolha de candidatos/direção, deve sofrer modificações para o próximo período dada a contestação geral do último PED feito por a ampla maioria das correntes. Não à toa, o IV Congresso do PT criou uma comissão coordenada pelo deputado Ricardo Berzoini para reforma do estatuto.
Outro dado interessante do argumento dos democratas radicais trata do ineditismo desta proposta. Não há um caso sequer no Rio de Janeiro em que o candidato a senador foi escolhido por meio de prévias. Inclusive este grupo defensor deste processo de escolha deve se lembrar que em 2002 a escolha do candidato a senador foi no Encontro Estadual realizado na Convenção do Partido realizada na UERJ. Havia dois candidatos, o então vereador da capital Edson Santos e o ex- deputado federal Milton Temer. Naquele espaço, o PT sabia das pretensões de ambos. Optou por apenas uma vaga, destinando outra ao PC do B, tendo o atual ministro Edson Santos como candidato.
Defendo que a escolha do candidato a senador seja feita no Encontro Estadual porque acredito que este é o melhor espaço para se aprofundar o debate sobre o perfil de candidato que teremos. No entanto, o Encontro Estadual não deve servir apenas para vermos quem ganha mais esse Fla-Flu interno. Temos a obrigação de apresentar uma proposta de Programa de Governo à frente de partidos que será composta para reeleição do Governador Sérgio Cabral, além de discutir nossa política de alianças e tática eleitoral.
Acredito que definir no dia 21/03 nosso representante ao senado significa ganhar tempo para a disputa eleitoral além de botar o bloco na rua para eleição de nossos deputados, do (a) senador (a) e de nossa Presidente Dilma.
Um forte abraço,
Elton Teixeira
Vereador de Queimados pelo PT 

Você viu a Hillary por aí?

A passagem de Hillary pelo Brasil praticamente passou em branco. Apesar de toda a programação de entrevistas, encontro que teve com parlamentares e do esforço especial de nossa mídia, que torcia para que ela desse um puxão de orelha no governo brasileiro. Bem ao contrário, a Secretária de Estado americana ouviu o que não gostaria de ouvir. A firmeza brasileira não apenas na questão iraniana como também no caso Honduras e na questão da retaliação comercial. Os Estados Unidos começam a entender que a América Latina não é mais seu quintal.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Até Cesar Maia critica oportunismo de Tasso Jereissati com Bolsa Família


O Globo, claro, a serviço da Oposição (ou será o contrário?), colocou na sua manchetona que "PSDB amplia Bolsa Família e líder do governo é contra". Refere-se a um projeto do tucano Tasso Jereissati vinculando a Bolsa Família ao bom desempenho das crianças na escola, que foi aprovado ontem na Comissão de Educação do Senado e seguirá diretamente para a Câmara. Trata-se obviamente de uma jogada eleitoreira, mal feita, típica dos desesperados, dispostos a qualquer barbaridade para impedir o crescimento de Dilma. Mas o troço é tão absurdo que dessa vez até Cesar Maia se alinhou com o governo. Veja seu texto no Ex-Blog de hoje:
SENADOR TASSO JEREISSATI:  ISSO NÃO É FUNÇÃO DA BOLSA FAMÍLIA! E É UM EQUÍVOCO CONCEITUAL!
1. O Bolsa Família é um programa de renda mínima com vinculações a obrigações sociais em relação ao filho estar na escola, ser vacinado, etc. Dirige-se a famílias abaixo da linha de pobreza e em especial a nível de indigência. São famílias, em geral, dirigidas pela mulher, com vários filhos. A vinculação à escola é um elemento que ajuda a reduzir a evasão, permite que dentro da escola, a criança identificada no cadastro tenha uma atenção focalizada da direção da escola e sua professora.
2. Vincular valores de Bolsa Família ao aproveitamento do aluno na escola, suas notas e avaliações, é um grave equívoco conceitual. Essa é tarefa da escola que em programas dos estados e municípios e com apoio federal, podem criar estímulos que reconheçam o desempenho do aluno. Incluir isso no Bolsa Família é confundir assistência social com educação. E ainda criar insegurança em relação ao programa. Não ajuda seu candidato a presidente.

terça-feira, 2 de março de 2010

Falta açúcar na política do café-com-leite


Em 2006, o Governador de Minas Aécio Neves aliou-se ao candidato a Governador de São Paulo José Serra para apoiar a candidatura do paulista Alckmin à Presidência da República. "É a política café-com-leite do século XXI", declarou Serra, procurando deixar claro que a referência à política dominante na República Velha era apenas uma brincadeira. Mas o leite estava talhado e, assim como fez Vargas em 1930, o pernambucano Lula tirou o torrão de açúcar da boca da dupla e o velho café-com-leite azedou.
O Governo Lula ampliou as "fronteiras" da Federação. Sua política radical de inclusão social deu mais valor ao voto de outras regiões. Os barões-tucanos tiveram sua autonomia de voo limitada. Passaram a fazer biquinho entre si, disputaram o poder que lhes restou, entraram em parafuso e balançaram o eixo São Paulo-Minas (que tinha na extremidade paulista o seu ponto mais forte). Minas, como em 30, procura reagir, apresentando-se como centro de novo eixo que se expandiria não para o Sul, mas para o Nordeste, tentando neutralizar o efeito Lula. Conta a seu favor com as pesquisas de intenção de voto que encostam Serra contra a parede diante da desconhecida Dilma, patrocinada pelo PT de Lula. Aécio, mais leitoso, não pretende um desjejum precipitado. Vitamina-se para o pós-Lula (ou pós-Dilma...) e, com isso, transforma o cafeinado Serra em café-insolúvel. Tenta ter lugar em um Brasil com a mesa do brasileiro bem mais farta, graças ao ”sabor Lula”.