segunda-feira, 30 de abril de 2007

Som pessoa a pessoa

Vale a pena ver esse vídeo sobre áudio absolutamente personalizado. Você direciona o som de tal forma (utilizando alta freqüência) que somente quem você quer que ouça pode ouvir. Em uma biblioteca, por exemplo, você pode direcionar uma música para um casal dançar e o ambiente continuar silencioso. O foco é absolutamente preciso. Veja e ouça.

Mundo sem petróleo

Notícia do Plantão Globo das 10:18h de hoje: "Novo game ensina a viver em um mundo sem petróleo". A notícia fala que "um novo videogame, que mais parece um treinamento em realidade virtual, vai ao ar nesta segunda-feira, na internet, com o intuito de convidar os usuários a imaginar como seria o mundo sem o petróleo". Conheça o jogo no site da "World Without Oil".

Eleição francesa: entre a "solidez" e a "simpatia"

Segundo pesquisa CSA feita dia 25, com 1005 eleitores, pelo telefone, a principal qualidade do candidato direitista na eleição presidencial francesa Nicolas Sarkozy é a solidez. A principal qualidade da candidata socialista Ségolène Royal é a simpatia. Nos demais itens as diferenças não são tão significativas. Como os dois estão tecnicamente empatados para o 2º no turno no próximo dia 6, parece que a decisão vei ser no photochart, a favor de quem melhor souber aproveitar seus pontos fortes.

domingo, 29 de abril de 2007

Eleição francesa: indefinição continua

A pesquisa Ipsos realizada por telefone nos dias 26, 27 e 28 com 1.367 eleitores mostra indefinição total com relação ao 2º turno da eleição presidencial francesa. Considerando todos os eleitores que garantiram que vão votar, o direitista Sarkozy lidera com 4,34 à frente da socialista Ségolène Royal. Mas o total de indecisos (15%) é mais de 3 vezes superior a essa diferença. A pesquisa, evidentemente, não mediu os efeitos do debate entre Ségolène Royal e o centrista François Bayrou, evento que tomou conta da vida pública francesa e foi realizada ontem pela manhã.

sábado, 28 de abril de 2007

Debate Ségolène - Bayrou: veja o vídeo

Os socialistas estão eufóricos. O debate entre a socialista Ségolène Royal (que disputa com o direitista Nicolas Sarkozy o 2º turno das eleições presidenciais francesas) e o centrista François Bayrou (que ficou em terceiro lugar e está fora da disputa no 2º turno) foi considerado um sucesso absoluto. Não apenas pelo desempenho de Ségolène Royal como pelo fato de ter deixado Sarkozy à margem dos principais acontecimentos e, com isso, tê-lo deixado irritadíssimo. Através do debate e de outras ações, a esquerda está conseguindo colar em Sarkozy o rótulo de extremista, aliado do ultra-direitista Jean-Marie Le Pen. Faz parte da estratégia de distanciá-lo do voto centrista, decisivo para a vitória do 2º turno. Leia mais e veja o vídeo com trechos do debate, clicando na tela acima ou indo direto ao Le Monde. Pode ver também no site da BFMtv, que produziu o evento.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Ségolène Royal e François conseguem marcar o debate

É algo absolutamente inédito. Neste 2º turno da eleição presidencial francesa, o que mais está chamando a atenção é o debate entre a socialista Ségolène Royal - que ficou em segundo lugar no 1º turno - e o centrista François Bayrou - que ficou em terceiro lugar e não vai disputar o 2º turno. O debate ganhou importância tão grande que o direitista Sarkozy, vencedor do 1º turno, segundo foi divulgado, teria feito grande pressão contra sua realização. E quase deu certo, já que ele foi cancelado duas vezes pelos veículos de comunicação que seriam responsáveis por sua produção. Primeiro, foi o Syndicat de la Presse Quotidienne Régionale que saiu fora. Depois foi anunciado que o debate seria realizado no Canal+, i-Télé e seria retransmitido pela France Inter. Mas o canal acabou saindo fora também, alegando a questão da igualdade dos tempos dos candidatos de acordo com o Conselho Superior de Audiovisual (CSA), que no final fez um comunicado sublinhando que "a responsabilidade de um debate dessa relevância deve considerar o princípio da igualdade dos tempos de fala". Em conseqüência, propôs que "o tempo de fala de Ségolène Royal seja calculado e compensado em favor de Nicolas Sarkozy". Com isso foi possível marcar o debate para amanhã, sábado, entre 7 horas e 8:30 h (hora de Brasília) na Radio RMC em cadeia com a BFM TV, diretamente do Hotel Westin, no 1er arrondissement. Era tudo o que Sarkozy não queria que acontecesse. Ele agora está torcendo para que isso acabe logo e seja logo esquecido. Leia mais no Le Monde.

França: pressão da Web contra Sarkozy

Nicolas Sarkozy, o candidato direitista à presidência da França que venceu o 1º turno e disputa com a socialista Ségolène Royal o 2º turno, vive seu inferno astral. Primeiro porque o candidato centrista François Bayrou que ficou em terceiro lugar está visivelmente apoiando a sua adversária. Segundo porque a Internet e os e-mails fervilham contra ele. Leia reportagem "La mobilisation anti-Sarkozy continue sur la Toile", do Le Monde.

Redução da maioridade penal: vitória do PFL no Senado

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado teve ontem uma demonstração de força do conservadorismo que conseguiu aprovar, por 12 a 10 votos, a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Os conservadores vibraram como se tivessem aprovado o impeachment de Lula. Na verdade, apenas praticavam mais um desserviço à nação. E baseados em um sofisma que a mídia pareceu enaltecer: “Precisamos entender o clamor das ruas. Dizem que as cadeias não recuperam ninguém. E as ruas, recuperam?”, perguntou o relator pefelista Demóstenes Torres na sua argumentação. Claro que a resposta é "não" e é mais uma prova de que não se pode pôr o menor infrator na cadeia. As ruas fabricam delinqüentes e as cadeias aperfeiçoam. Eles voltam para as ruas muito piores. O menor infrator tem que passar, isso sim, por uma "deseducação" do que aprendeu nas ruas e transformou-o em infrator. Melhor ainda: as chamadas autoridades competentes têm que fazer tudo para tirar os menores das ruas e colocá-los nas escolas e garantir uma família minimamente estruturada. Como pode um país sonhar em resolver o problema do menor infrator enquanto apresenta índices do ensino tão assustadoramente baixos como os apresentados ontem pelo IDEB? (Ver postagem abaixo) Enquanto nada acontece para mudar o quadro social, vivemos perigo nas ruas e ainda temos que assistir trogloditas tomando conta do Senado.

Royalty do petróleo faz bem à educação?

Ontem, recebi telefonema do Renato, meu amigo morador de Campos dos Goytacazes, RJ. Estava envergonhado, por causa das notas do IDEB - Índice do Desenvolvimento da Educação Básica avaliando a educação em quase todos os municípios do Brasil (Veja relação no site da UOL-Educação). A cidade dele é a campeã de arrecadação de royalties de petróleo do país. Só este ano, segundo a ANP - Agência Nacional do Petróleo, Campos recebeu R$122.027.479,53 (R$284,00 por habitante). Apesar de todo esse dinheiro, o município ocupa a última posição na avaliação do IDEB (1ª fase:da 1ª à 4ª série) dentro do Estado do Rio de Janeiro. Já o município que ocupa a 1ª posição no estado, o pequeno Trajano de Morais, com menos de 10 mil habitantes, beneficiou-se de apenas R$938.673,46 (R$97,85 por habitante). Renato tem razão em estar envergonhado. A sua cidade exibe um quadro negro do petróleo.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Rio de Janeiro, com toda segurança...

Quem me contou essa foi o Luiz Carlos Veloso, chefe de gabinete do Secretário de Transportes do Rio de Janeiro, Julio Lopes: "Eu acho o Rio de Janeiro um lugar muito seguro, sabe por quê? Dois dias atrás, vi três amigos caminhando tranqüilamente pelo Leblon (Zona Sul do Rio), mais de 11 horas da noite. Um deles era o Governador do Estado em exercício, o Pezão, e não tinha nenhum segurança acompanhando..."

França: Bayrou apóia Ségolène

O centrista François Bayrou prova que seu sucesso eleitoral no 1º turno das eleições presidenciais francesas é resultado de sabedoria política. Com os seus 18,55% e o terceiro lugar, ele passou a ser visto como a chave para a vitória de um dos dois que vão para o 2º turno, o direitista Nicolas Sarkozy ou a socialista Ségolène Royal. Bayrou tem planos ambiciosos e não poderia correr o risco de um papel secundário daqui pra frente. Em primeiro lugar, tratou de não dar apoio explícito. Preferiu dizer quem não apoiaria - Sarkozy. E isso faz sentido, por várias razões: 1) as pesquisas apontam que os eleitores de Bayrou, na sua grande maioria (46% a 25%), preferem Ségolène a Sarkozy; 2) dos três primeiros colocados, Sarkozy foi quem mais procurou um discurso extremista, para conquistar os votos da extrema-direita de Jean-Marie Le Pen; 3) o eleitor francês, como um todo, demonstrou que caminha para um discurso centrista;4) Bayrou precisa continuar forte para as próximas eleições parlamentares em junho, por isso não pode entregar seus eleitores de bandeja aos adversários; 5) com os socialistas no poder, ele poderá mais facilmente marcar a diferença com Sarkozy na oposição; 6) se ele apoiasse Ségolène (ou Sarkozy) imediatamente, perderia importância na mídia - e quer se manter em destaque até as eleições. Ségolène, por sua vez, aproveitou esse apoio indireto para tirar Sarkozy de cena: propôs um debate (que foi aceito) com Bayrou (Sarkozy recusou debater com Bayrou), que, caso aconteça, amanhã, certamente será o assunto dos próximos 4 dias. Mas Bayrou vai além. Ele quer também criar um novo partido, o Partido Democrata (alô, Cesar Maia, alô PFL - cobrem direitos autorais!). O atual partido (UDF - União para a Democracia Francesa) tem sido tradicional aliado do partido de Sarkozy (UMP - União para um Movimento Popular) e Bayrou quer se apresentar daqui pra frente como uma força nova, totalmente independente. O que ele precisa agora é dar a sua direção aos seus eleitores indecisos (29% de 18,55%=5,38%). Essa poderá ser a grande diferença a favor de Ségolène Royal - e é por isso que Sarkozy faz grande pressão para que não aconteça o debate (encontro...) entre os dois.. Leia também Le Monde, Libération e Le Figaro.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Centro francês desloca-se para Ségolène

A Folha de hoje traz resultado da última pesquisa de intenção de voto para o 2º turno da eleição presidencial francesa do instituto TNS-Sofres com empate técnico entre o direitista Sarkozy (51%) e a socialista Ségolène Royal (49%). "O resultado reflete claramente uma maior inclinação do eleitorado centrista para a candidatura socialista: 46% dizem que votarão por Royal contra apenas 25% para Sarkozy, com 29% que ainda estão indecisos ou não querem votar em nenhum dos dois", diz o jornal. O que confirma o que foi disto neste Blog: Sarkozy afastou-se demais do dircurso centrista, em busca do voto da extrema-direita. Perdeu votos preciosos em áreas tradicionais da direita, o "Grande Oeste", onde Chirac foi forte em 2002. E cresceu nas áreas típicas da extrema-direita, como Alsácia, litoral do Mediterrâneo e no cinturão em torno de Paris. Bayrou conquistou a direita "não-gaulista" com seu discurso de "extremo-centro". Ségolène, ao mesmo tempo que consolidou o voto esquerdista (conquistando inclusive o voto comunista), fez um discurso não-extremista, que está agradando o eleitor centrista. Claro que ainda é pouco para pensar na sua vitória, mas pode ser um sinal. Leia também Le Figaro.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Bye-bye, terráqueos, estou partindo para a órbita de Gl581

Os astrofísicos suíços Michel Mayor, diretor do Observatório de Genebra e Stephane Udry (D) mostram uma simulação de um novo planeta com as condições de vida semelhantes às da Terra - EFE O Plantão Globo pôs notícia da agência EFE sobre um planeta habitável que acaba de ser descoberto. "Cientistas de três centros de pesquisa – um francês, um português e outro suiço – descobriram o primeiro planeta fora do sistema solar que, por suas características de temperatura e composição, pode ser habitado", diz a notícia, que continua: "O planeta está a 20,5 anos-luz da Terra, na constelação de Libra, e gira em volta de uma pequena estrela vermelha, a Gl581, uma das mais próximas de nosso sistema solar. Segundo os modelos usados pelos pesquisadores – que trabalharam em conjunto com o Observatório de Genebra e o Centro de Astronomia de Lisboa -, a temperatura se mantém entre 0 e 40 graus Celsius, compatível com a presença de água líquida na superfície." Precisa continuar? Desculpem todos vocês, mas estou arrumando as malas...

Barack Obama empata com Hillary Clinton

Depois de passar 4 semanas crescendo sem parar nas intenções de voto para ser o candidato Democrata à Presidência dos Estados Unidos, o Senador Barack Obama (Illinois) finalmente alcançou a Senadora Hillary Clinton (New York). A pesquisa do Instituto Rasmussen de ontem mostra os dois com 32%. O maridão de Hillary, Bill, deve estar nervosíssimo.

Blogueiro Roberto Moraes manda notícias da eleição francesa

"Aproveitando uma rápida passagem na segunda pela manhã em Paris, não resisti em saber no aeroporto Charles de Gaulle sobre o primeiro turno da eleição francesa. Era possível perceber uma França aliviada com o resultado deste último domingo. O comparecimento recorde parecia anunciar algo diferente. O fato permitiu o "Le Figaro" dizer: Por larga margem Nicolas Sarkozy (30,5%) e Sègolène Royal (25,7%) vão ao 2º turno marcando o retorno da bipolarização da política francesa". Vai ser um segundo turno interessante. Estarei de volta por lá na quinta, sexta e sábado (o5/05) antes do domingo do 2º turno. Acho difícil para a Royal, não sei se os franceses poderão se sentir interessados em retornar os socialistas ao poder e colocar também na França depois de aqui da Alemanha uma mulher no maior cargo do executivo." Grande abraço, Roberto Moraes (para conhecer o Blog do Roberto Moraes. clique no nome.)

El País.com lidera na Espanha

O El País anunciou que atingiu a 1.590.000 usuários únicos por mês através da leitura via Internet. A pesquisa foi feita pela AIMC - Associação de Investigação dos Meios de Comunicação, nos meses de fevereiro e março. Isso garante a liderança absoluta de El País.com na Espanha.

Toyota passa a GM como primeira do mundo

A Toyota acaba de anunciar que suas vendas de automóveis atingiram 2.380.000 veículos no primeiro trimestre de 2007, contra 2.260.000 da General Motors. A Toyota bateu a GM também produção: 2.367.000 contra 2.335.000. É quase certo que a Toyota manterá a liderança mundial do ano inteiro, caso concretize a previsão de 9.420.000 veículos vendidos. A GM cresceu muito em vendas graças ao mercado chinês. Mas por causa do preço do combustível não conseguiu barrar o sucesso dos carros híbridos (gasolina e eletricidade) da Toyota (Camry, Corolla, Prius), principalmente no próprio mercado americano. Leia mais no Le Monde e no Washington Post.

Estados Unidos: terceiro caso de assassinato seguido de suicídio em 4 dias

Foi em Houston, no Texas. Ontem, segunda-feira, um homem de 48 anos matou o vizinho e o síndico de um condomínio e depois suicidou-se. Na sexta, também em Houston, o namorado (de 33 anos) matou a namorada (de 40) e depois suicidou-se. Ainda na sexta, teve o caso da NASA, quando um funcionário, com medo de perder o emprego, matou o chefe e se suicidou também. Se essa moda chegar ao Iraque, não vai sobrar nenhum soldado americano... (onde, aliás, até ontem já tinham morrido 3.332 soldados americanos, segundo o Iraq Coalition Casualties) Leia mais no New York Times.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

França: caem esquerda e direita, cresce o centro

Gráfico 2002-2007 / Le Monde A maior participação eleitoral deste ano na França mostrou uma corrida para o voto de centro, que cresceu - comparado com o resultado de 2002 - de 8,72% para 18,55%. A esquerda (total) perdeu 5,44% (caiu de 41,89% para 36,45%) e a direita (total) perdeu 7,40% (caiu de 48,41% para 45,91%). Os maiores derrotados são os segmentos de extrema - tanto o de extrema-esquerda quanto principalmente o de extrema-direita. O curioso é que a socialista Ségolène conseguiu se manter no páreo crescendo sobre o eleitorado centrista (ou pelo menos impedindo que viesse um crescimento maior em sua direção). O centrismo de François Bayrou cresceu para todos os lados, principalmente sobre o direitismo de Sarkozy. A direita, por sua vez, cresceu de 29,21% para 32,26%, mas foi principalmente conquistanto a extrema-direita, que caiu de 19,20% para 12,75%. Para onde se deslocará o voto centrista, é a grande questão do 2º turno. Leia mais no Le Monde e no Libération.

domingo, 22 de abril de 2007

2º turno na França: as chances de cada um

À primeira vista, o candidato da direita, Nicolas Sarkozy (UMP - União para um Movimento Popular), saiu desse 1º turno mais fortalecido do que sua adversária direta, a socialista Ségolène Royal (PS - Partido Socialista). Sarkozy teve mais de 30% dos votos, índice próximo ao de Giscard d'Estaing em 1974 (32,6 %) e superior ao de Jacques Chirac em 1981 (18 %) e em 1988 (19,9 %). Foi o resultado de uma estratégia bem elaborada, movimentando-se mais para a direita, conseguindo, com isso, barrar o avanço do ultra-direitista Jean-Marie Le Pen (FN - Frente Nacional). Correu o risco de perder votos mais ao centro para François Bayrou (UDF - União para a Democracia Francesa), mas foi um risco calculado, que lhe garantiu um excelente primeiro lugar no 1º turno. Mas a estratégia de Ségolène Royal também foi muito boa. Ela deslocou seu discurso mais para o centro, impedindo maior crescimento de Bayrou, que tirou muitos votos da esquerda. Ségolène Royal, pessoalmente, teve o melhor desempenho das esquerdas nos últimos tempos. Com 25% dos votos no 1º turno, ela "fez melhor do que Jospin, Chevènement et Taubira juntos em 2002, melhor do que os 23 % de Lionel Jospin em 1995 e empatou com François Mitterrand, vencedor da eleição presidencial de 1981 (25,8 %)". Direita e esquerda não terão dificuldades em garantir seus votos no 2º turno. A luta desesperada será pelos votos do centro. É verdade que o centro tem uma tendência a caminhar para a direita, mas pode ser que Sarkozy tenha se afastado um pouco demais do centro, o que pode beneficiar Ségolène. Leia mais no Le Monde.

Eleição francesa, a dúvida continua

Com 63,52% dos votos apurados, a eleição presidencial francesa deste ano surpreendeu pela grande participação do eleitorado: somente 15,23% de abstenção e 1,36% de brancos e nulos. O resultado confirmou o que as pesquisas diziam, com Nicolas Sarkozy em 1º e Ségolène Royal em 2º, preparando-se para se enfrentarem no 2º turno do dia 6 de maio. O Instituto Ipsos, que foi o que chegou mais perto nos números do turno, já fez pesquisa de intenção de voto para o 2º turno, dando 54% para o direitista Sarkozy e 46% para a socialista Ségolène Royal. Mas é muito cedo para qualquer previsão, principalmente com o empate técnico do momento. Serão 2 semanas de intensa negociação e mobilização do eleitorado. Qualquer resultado será lógico. Leia mais no Le Monde.

Eleição francesa com participação altíssima

Até meio dia, hora local, o índice de comparecimento do eleitor francês para escolher seu presidente era de 31,21%, cerca de 10 pontos acima do índice de 2002, na mesma hora, segundo o Le Monde, citando a Reuters. Em 1981, o índice foi de 25,9%; em 1988, 27,1%; em 1995, 23% e em 2002, 21,4%. A mobilização de última hora feita pelos candidatos para conquistar o alto número de indecisos parece que deu certo. Resta saber qual deles conquistou mais.

sábado, 21 de abril de 2007

Ora, direis, ouvir estrelas...

Parece que os filósofos (pitagóricos) e os poetas (Olavo Bilac) é que estavam certos. Segundo notícia da BBC , "explosões solares ressoam como um órgão". "Cientistas que estudam o Sol disseram que colunas de plasma que se desprendem da estrela funcionam como canos de um órgão de igreja, fazendo ressoar explosões que ocorrem na coroa solar. A coroa é uma camada do Sol composta de plasma – uma substância superaquecida e com partículas eletricamente carregadas. As colunas são geradas pelo campo magnético da estrela. As explosões que ocorrem na superfície solar liberam energia equivalente à de milhões de bombas de hidrogênio. O som dessas explosões causa 'um efeito parecido com o de dedilhar a corda de um violão', disse o professor Robert von Fay-Siebenbuergen, diretor do Centro de Pesquisas de Física Solar e Plasma Espacial da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha". Os pitagóricos (que fizeram a escala musical completa, apesar de não conhecerem fração) já falavam de um som universal que o ser humano não percebia porque já nascia ouvindo e teria se acostumado a ele.

Repostas a questões do Seminário REFORMA POLÍTICA – O ESTADO DEMOCRÁTICO PASSADO A LIMPO

Não houve tempo para responder algumas perguntas feitas na palestra sobre Horário Eleitoral Gratuito, dentro do Seminário REFORMA POLÍTICA – O ESTADO DEMOCRÁTICO PASSADO A LIMPO, que dei na última quinta-feira, no Auditório da FIRJAN, Rio de Janeiro. Comprometi-me a reproduzi-las e responder aqui no Blog, e aqui vão elas:

1) Qual a importância do uso da Internet nas campanhas atuais? Há estatísticas que corroborem seu uso? Pode-se eleger um candidato com as ferramentas eletrônicas?

A Internet tem uma importância cada vez maior, não apenas em campanhas eleitorais, como em tudo na vida. É a concretização daquilo que o McLuhan chamava de “aldeia global”. Ou melhor: comunicação de massa personalizada. Não sei se já falei aqui exatamente sobre estatísticas, mas sei de alguns fatos interessantes, como o que publiquei recentemente sobre um vídeo anti-Hillary Clinton (Os efeitos "positivos" da campanha negativa), que passou a liderar a lista de vídeos virais. Quando você fala de “ferramentas eletrônicas”, entendo que trata de Internet (outras ferramentas eletrônicas são usadas há muito tempo) e a resposta é sim, dependendo de qual tipo de candidatura.

2) Na sua opinião existe alguma “receitapara o sucesso no horário eleitoral e posterior eleição do candidato? Seriam o apelo popular (“candidato do povo”), a utilização de crianças, situações de pobreza e miséria, além da vinculação da imagem do candidato a músicas e artistas populares, os elementos dessa “receita do sucesso”?

A receita é “informar-se e pensar”. Os apelos específicos dependem do candidato e do eleitorado, principalmente. É importante não tentarimplantarpercepções. Utilizar crianças, por exemplo, pode ser bom ou ser ruim. Cada caso deve ter pensamento próprio.

3) A ética do marketing eleitoral é debatido entre os profissionais do ramo? Até que ponto minimizar aspectos negativos de candidatos arrolados em processos de corrupção eleitoral e improbidade administrativa?

Não posso falar por todos os profissionais, mas acredito que sim. Quanto a “corrupção” e questões similares, não são casos de marketingsão casos de polícia.

4) Diante do grandioso processo de pesquisa sobre como o candidato deve aparecer, no tocante a aparência, figurino, entre outros aspectos, ou como devem ser, graficamente, folhetos e faixas, itens que um profissional de marketing domina, pergunto: qual a importância dada pelo mesmo ao conteúdo da campanha e a coerência entre o que é transmitido e a real proposta – e intenção – do candidato?

A importância é uma , de forma e conteúdo, e a coerência é necessária.

Cesar Maia mais uma vez ataca de transporte virtual

Não é de hoje que todo mundo convive com as virtualidades de Cesar Maia, Prefeito do Rio de Janeiro. Na campanha do seu candidato à sucessão há 3 mandatos atrás, Luiz Paulo Conde, ele atacou de trenzinho voador pelas ruas do Rio em uma computação gráfica que causou pânico na população carioca. O projeto - que felizmente não passou disso - rasgava ruas tradicionais da Zona Sul do Rio e só entusiasmou pelo trabalho de computação gráfica. No seu Ex-Blog de ontem, Cesar Maia traz de volta esse sonho virtual, direcionado para regiões menos "nobres" e, de fato, mais carentes de transporte de massa. Escreveu ele: "CORREDOR T-5 -Barra-Jacarepaguá-Madureira-Penha! Boa notícia para o Rio! Transportes sobre Trilhos: participam da licitação. Pré-projeto de grupo empresarial da Malásia -MTrans- é o primeiro a se -pré-apresentar. Clique abaixo e veja o pré-projeto em computação gráfica, já com o tipo de monorail que poderá ser usado, com o percurso real como cenário e as estações previstas". (Clique aqui, para conhecer virtualmente o que talvez nunca dê para conhecer realmente)

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Quem se habilita a excitar um panda?

No mundo dos vídeos eróticos, o maior fracasso foi o produzido na Tailândia para tentar excitar um urso panda e fazer com que ele se interessasse pela amiga ursa. Nada feito. A ursa teve que se submeter a inseminação artificial. Os especialistas acham que falta jogo de cintura ao urso. Assista o vídeo da BBC Brasil e veja o que você pode fazer pelo pobre Chuang Chuang...

Faltam dois dias para acabar a dúvida francesa

A dois dias do 1º turno da eleição presidencial (vai ser dia 22, domingo), e um terço do eleitorado francês ainda não sabe em quem votar para presidente. Os institutos de pesquisa mostram intenções de voto muito próximas e ninguém sabe o que poderá acontecer depois. Os mais prováveis no 2º turno são o direitista Nicolas Sarkozy e a socialista Ségolène Royal. Mas o centrista François Bayrou não está fora do páreo, enquanto o extrema direitista Jean-Marie Le Pen pode dar adeus. Esses são os quatro melhor colocados dos 12 candidatos. Quem decidirá a eleição será François Bayrou, seja no caso de ir para o 2º turno, seja negociando apoio a um dos outros dois (mais provável, Ségolène Roya).

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Palestra na FIRJAN

Nesta quinta-feira, 19, às 15:30 horas, no Seminário REFORMA POLÍTICA – O ESTADO DEMOCRÁTICO PASSADO A LIMPO, promovido pela Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, falarei sobre o "Horário Eleitoral Gratuito no Rádio e na TV". Será no Auditório da FIRJAN - Av. Graça Aranha, nº 1 - Centro - Rio de Janeiro. Mais informações no site do TRE-RJ.

Religião também é cultura?

Vamos deixar bem claro: não faz sentido o projeto do Senador-Bispo Marcelo Crivella que inclui igrejas entre os beneficiários da lei de incentivo à cultura, a chamada lei Rouanet (lei, de 1991, que permite a empresas investirem em projetos culturais até 4% do equivalente ao Imposto de Renda devido). Pode-se alegar, como fez Fernanda Montenegro, que as religiões, por não terem fins lucrativos, são isentas de imposto e, portanto, não merecem incentivo. Mas isso não justifica, porque a cultura também tem isenção. Há quem diga que isso descaracterizaria a lei, que trata apenas da cultura. Mas também não justifica, porque essa é a idéia do projeto, de entendimento de conceitos culturais do incentivo também nas religiões. Há o medo de desvirtuamento da verba rumo à construção de templos. Mas no meio cultural também existem os desvirtuamentos, sem dúvida. E também não basta a citação evangélica do Deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), “Não se pode amar a Deus e ao dinheiro”, porque já está mais do que provado, provavelmente até com outras citações evangélicas, que se pode, sim. Há que se considerar ainda que existe muito de cultural nos meios religiosos, e as igrejas tombadas pelos patrimônios históricos e culturais provam isso. Poderia até dizer que as religiões cada vez menos são "religiosas". Hoje mesmo, como acontece toda manhã quando levo meu filho à escola, recebi um exemplar da Folha Universal, jornal da Igreja Universal, com tiragem de 2.308.000 exemplares, e veja quais são as notícias da 1ª página: "O caos na educação", "Exportação de escravas sexuais", "Banco Mundial alerta sobre colapso no SUS, "Depois de Portugal, Brasil pode aprovar o aborto", "Disque-seqüestro: não caia no golpe", "Record rumo à liderança", "Seguidores de seita na Costa do Marfim tatuam o '666' no braço", "Reféns do apagão aéreo falam sobre seus prejuízos", "Região do Caribe sofre ameaça de tsunami" e um cartum sobre o Pan-Rio. Isso, evidentemente, não é uma primeira página religiosa. O mesmo acontece com a TV Record, também da Igreja Universal, que não tem mais programas religiosos durante o dia (só na madrugada). A Igreja Universal, ela mesma, é cada vez mais uma "ong de comunicação", coisa que de certa forma copia da Igreja Católica (aliás copiou até o nome, já que Igreja Católica quer dizer "Igreja Universal" - do grego katá, que dá a idéia de universalidade, como em catálogo). Qual seria a diferença, então? Cultura - apesar de se definir (Houaiss) como "conjunto de padrões de comportamento, conhecimentos, costumes etc. (e também de crenças) que distinguem um grupo social" - cuida primordialmente da razão, do pensamento, daquilo que é verdadeiramente humano (algo como em "Paidéia" - ler o excelente livro de Werner Jaeger). A religião, ao contrário, cuidaria da . Nesse sentido, não apenas são diferentes, como são opostas.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Para jornal americano, mais armas é a solução

A notícia que mais me chocou sobre o massacre americano foi essa notícia, que li no Globo, reproduzindo a opinião do jornal americano The New York Sun sobre o (des)controle de armas nos Estados Unidos. Fui ler o original e reproduzo aqui trecho do editorial do jornal:

Today, however, the question hanging over this tragedy is whether the legislature acted wisely or whether, in fact, the campus would have been safer had the students and others been permitted to keep and bear arms in the dorms and on the greenswards. It's not a theoretical question. In 2002, according to a report on CNSNews.com, a disgruntled student at the Appalachian Law School, Peter Odighizuwa, allegedly shot and killed the school's dean, a professor, and a student on campus. He was subdued, CNSNews.comreported, only when two students reportedly ran to their cars to fetch their own guns and returned to confront the killer, who surrendered.

(...) But we do believe that Americans have the capacity to reason out their own choices about how to defend themselves. And to reach out in their thoughts and prayers to the families who lost loved ones on the campus of Virginia Tech.

Imagino se essa "pérola" do direitismo americano estivesse em vigor, ontem, nas ruas do Rio de Janeiro, com todo mundo armado em batalha campal no Morro da Mineira. Em vez de 13 mortos, teríamos mais de 130! (sem contar os mortos do Cemitério do Catumbi que serviu de cenário...)

terça-feira, 17 de abril de 2007

REFORMA POLÍTICA – O ESTADO DEMOCRÁTICO PASSADO A LIMPO

Nesta quarta-feira, 18, a partir das 19 horas, no Auditório da FIRJAN, vai ter início o Seminário REFORMA POLÍTICA – O ESTADO DEMOCRÁTICO PASSADO A LIMPO, promovido pela Escola Judiciária Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A abertura será feita pelo Secretário Nacional de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, com a palestra "A Reforma Política: O Pacto Para Um Novo Estado". Na quinta-feira, 19, serão palestrantes o Senador Demóstenes Torres, o Deputado Federal José Eduardo Cardozo. a Ministra do STM Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, o especialista em Direito Constitucional Prof. Aurélio Wander Bastos, o Deputado Federal Flávio Dino, o Ministro do TSE Carlos Eduardo Caputo Bastos, o Editor Executivo do Jornal O Globo, Sr. Luiz Antônio Novaes, e eu também, às 15:30h. Falarei espcificamente sobre o "Horário Eleitoral Gratuito no Rádio e na TV". Na sexta, dia 20, serão palestrantes o Ministro José Antônio Dias Toffoli (Advogado-Geral da União), o Prof. José Nilo de Castro (Doutor de Estado pela Unive rsidade de Paris), o Prof. Dr. Vital Moreira (Professor da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra), o Prof. Dr. D.Rafael Agapito Serrano (Profesor Titular de Derecho Constitucional – Universidad de Salamanca – España – Ilmo. Sr. Decano de La Facultad de Derecho de Salamanca), o Ministro Gilmar Mendes (Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal), o Ministro do TSE Arnaldo Versiani Leite Soares e o Prof. Dr. José Joaquim Gomes Canotilho (Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra). A FIRJAN fica na A. Graça Aranha, nº 1 - Centro - Rio de Janeiro. Mais informações no site do TRE-RJ.

Violência sem fim

NYT Estava lendo as notícias de hoje sobre a tragédia do Instituto Politécnico da Virgínia, Estados Unidos, onde morreram 32 estudantes vítimas de um alucinado armado, quando recebi um telefonema de uma amiga, desesperada. Estava dentro de um ônibus que passava nas proximidades do Morro da Mineira, Rio de Janeiro, onde ocorria forte tiroteio. No ônibus ao lado, um homem já tinha sido atingido. Poderia dizer, vendo os dois casos, que vivemos a era da violência gratuita, mas não é bem assim. Aliás, de gratuita não tem nada. O site de Michael Moore, autor do documentário-denúncia que tem como ponto de partida a tragédia americana de Columbine, 8 anos atrás, dá destaque para a tragédia de ontem, inclusive reproduzindo um artigo de John Nichols, da The Nation ("A Tragedy... of Monumental Proportions"). John Nichols escreve que todo mundo já deve estar cheio de respostas para a mais nova tragédia, que a NRA (National Rifle Association, ou Associação Nacional do "Tiroteio", em tradução livre...) já deve ter feito seus press releases dizendo que a tragédia não tem nada a ver com armas. Mas, continua ele, ninguém consegue dar a resposta mais simples para o que aconteceu: os Estados Unidos são um país violento. Aqui no Brasil - que não pode ser qualificado da mesma forma - também é necessária a compreensão de que a nossa violência é causada pela combinação de miséria e corrupção. Acabar com a miséria e a corrupção deveria ser a meta de todos nossos governantes, razão de ser de qualquer político. Enquanto não houver essa compreensão, não tem exército que dê jeito.

Empate na França

Pesquisa CSA feita ontem, por telefone, com 1006 eleitores, sobre intenções de voto para a presidência da France mostra empate técnico entre Sarkozy (27%) e Ségolène Royal (25%) no 1º turno (dia 22) e empate absoluto no 2º turno. Bayrou caiu um pouco. Isso justifica a resistência dos dois a uma aliança ainda no 1ë turno. Ségolène está confiante na ida ao 2º turno, por isso quer negociar com Bayrou em cima dos votos finais. Bayrou não pode entregar os pontos agora, porque perde cacife para futura negociação. Tudo leva a crer que a grande batalha será mesmo entre o direitista Sarkozy e a socialista Ségolène.

domingo, 15 de abril de 2007

A dúvida francesa

A uma semana do 1º turno da eleição presidencial (vai ser dia 22, domingo), ninguém pode apostar 100% em quem será o eleito (ou a eleita...). Os institutos de pesquisa mostram intenções de voto muito próximas e ninguém sabe o que poderá acontecer no 2º turno. No momento, o movimento mais importante é o da tentativa de aliança da socialista Ségolène Royal (2º) e o centrista François Bayrou (3º) contra o direitista Nicolas Sarkozy (1º) e o extrema direitista Jean-Marie Le Pen (4º). Esses são os quatro melhor colocados dos 13 candidatos. Certamente, quem decidirá a eleição será François Bayrou.

sábado, 14 de abril de 2007

Eleição francesa: tudo embolado

De acordo com pesquisa do instituto CSA, realizada dias 11 e 12 de abril, o quadro francês para as eleições presidenciais do próximo dia 22 embolou de vez. O candidato da direita Nicolas Sarkozy aparece com 26%; a socialista Ségolène Royal, 23% e o centrista François Bayrou, 21%. Mais distante, o extrema-direitista, Jean-Marie Le Pen, 15%. (Atenção: a pesquisa CSA feita em 10 e 11 de abril mostra NS com 27%, SR com 25%, FB com 19% e JMLP com 15%) Outro instituto, o IFOP, traz a mesma indefinição, em pesquisa dos dias 5 e 6: Nicolas Sarkozy, 28,5%; Ségolène Royal, 24%; François Bayrou, 18%; e Jean-Marie Le Pen, 13%. Há uma grande mobilização por uma aliança entre Ségolène e Bayrou, já no primeiro turno. Notadamente, os ex-ministros Michel Rocard e Bernard Kouchner têm se manifestado nesse sentido. "Vamos agarrar essa chance! Chega de sectarismo!", brada Kouchner. Leia mais no Le Monde.

Forças Armadas na encruzilhada

A Follha de hoje pôs em debate a questão do uso das Forças Armadas na luta contra o crime nas grandes cidades, com a pergunta "É correto o uso das Forças Armadas para o combate à violência no Rio de Janeiro?" De um lado, o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, respondendo "sim" e escrevendo sobre "O novo papel das Forças Armadas". Do outro, respondendo "não", Jorge Zaverucha, doutor em ciência política pela Universidade de Chicago (EUA) e coordenador do Núcleo de Estudos de Instituições Coercitivas da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Seu texto é "Resolver sem solucionar". Sérgio Cabral, que na semana passada, em momento de forte emoção durante enterro do segurança de seus filhos, morto ao reagir a um assalto, pediu ao Governo Federal o envio de tropas militares para aumentar a segurança do Estado, justifica o pedido com um argumento simples e convincente. "A população do Rio de Janeiro está acuada pelos marginais", reconhece ele. Ora, apesar de as polícias civil e militar estarem combatendo sem descanso o crime, "há que se reconhecer que elas sofrem com a falta de equipamentos e de infra-estrutura e, sobretudo, com a carência de pessoal para fornecer segurança adequada à população". Ele garante que "o governo do Estado, que assumiu há cem dias, cumprirá o seu compromisso de reequipar a polícia e aumentar o seu contingente. Isso, no entanto, leva tempo, custa dinheiro e a população não agüenta mais viver nesse clima de insegurança". O Governador considera ainda que, por outro lado, "o Rio de Janeiro é o Estado da federação que possui o maior contingente das Forças Armadas no Brasil", onde se encontram "bases importantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que mantêm não apenas recrutas, mas soldados especializados em todo tipo de operação militar, inclusive de policiamento, como a que vem sendo feita pelo governo brasileiro no Haiti. Esse quadro fático é que me levou, como governador do Estado, a solicitar ao presidente Lula que os militares contribuam em áreas específicas e por tempo determinado com as forças policiais estaduais no combate à violência no Rio de Janeiro. Isso, até que a situação volte à normalidade e o Estado consiga fazer os investimentos necessários em segurança pública". O Governador acrescenta que "o que está em pauta é a discussão sobre o novo papel das Forças Armadas no Estado brasileiro; um Estado que tem tradição de opção pela paz, diplomacia em relação a outros povos e que enfrenta sérios problemas de segurança nos principais centros urbanos. O governo Lula tem sinalizado sobre a necessidade de se dar às Forças Armadas atribuições complementares para que colaborem de forma mais efetiva com o desenvolvimento da nação, como ocorre com seu emprego na recuperação de estradas. (...) O Estado brasileiro tem que enfrentar com coragem e determinação o problema da violência e do crime organizado. Não podemos correr o risco de perder essa guerra contra o crime pelo medo do novo". Jorge Zaverucha não apenas é contra o uso das Forças Armadas no papel de polícia como critica o desempenho do Governador Sérgio Cabral na política de segurança. Diz ele: "Mais fácil do que arregaçar as mangas e enfrentar o grave problema dentro e fora das polícias - só neste ano 40 militares estaduais já tombaram - é jogar a tarefa sobre os ombros do Exército (...) O governador parece estar mais interessado em resolver seu problema de governabilidade do que em solucionar a crise na segurança pública, cujos tentáculos alastram-se para os poderes Legislativo e Judiciário." No seu argumento contra o uso das Forças Armadas, Jorge Zaverucha escreve: "Ressaltem-se os perigos que essa política de militarização da segurança pública pode acarretar. Aumenta e fortalece as prerrogativas militares em um contexto de debilidade do controle civil; expõe as Forças Armadas a casos de corrupção, comprometendo a hierarquia e a disciplina dentro da instituição e desprofissionaliza os militares, que passam a fazer papel de polícia. Além disso, forma-se um ciclo vicioso: verbas que poderiam ser usadas para reequipar e melhorar o desempenho das polícias são direcionadas para o emprego das Forças Armadas em atividades de policiamento". Eu, pessoalmente, sou por princípio contra a utilização das Forças Armadas no papel de polícia. Elas têm forte tendência a serem um fiasco, além de correrem o risco de serem corrompidas. Mas acho também que ninguém pode tapar o sol com a peneira. As políticas de segurança dos principais estados brasileiros são um grande fracasso. Corrupção, incompetência e impunidade caminham juntas por nossas ruas em espetáculos deploráveis. E não creio que as polícias militares e civis sejam capazes de a curto prazo reverterem a situação. A população precisa ter mais segurança e precisa se sentir mais segura. Com nossas autoridades todos os dias aparecendo no papel de bandidos, não há como transmitir segurança a ninguém (a jornalista da sala ao lado berra que se o exército não chegar, só encontraremos bandidos pelas ruas...). Um mandato-tampão das Forças Armadas pode ser bem-vindo e, no mínimo, pode transmitir alguma sensação de segurança, como aconteceu na Eco-92. É verdade que naquela época, segundo me informaram, a paz verdadeira foi conseguida graças a um acordo prévio com os traficantes de plantão. Mas o povo se sentiu mais seguro, mais tranqüilo andando pelas maravilhosas ruas do Rio. Se a presença da tropas, por 3 ou 4 meses, ajudar na montagem de uma segurança eficaz, que vengam los milicos. Mas que a porta de saída permaneça sempre aberta para eles...

Podres poderes

O assunto do momento é a operação Hurricane (ou Furacão). Todos os jornais, impressos, televisivos, radiofônicos, internáuticos, mostram com destaque e estupefação os resultados dessa grande operação da Polícia Federal que arrebanhou no mesmo saco bicheiros, policiais federais, empresários, desembargadores, advogados, delegados e procuradores da república. Foram 25 ao todo, todos "suspeitos de integrar esquema de jogo ilegal, corrupção, contrabando, tráfico de influência e receptação". Por que não me espanto mais? Essas notícias do mundo da ilegalidade passaram a ocupar o dia-a-dia de todos com uma sem-cerimônia de encher os olhos. Será que a polícia passou a ser mais eficiente e por isso agora mais escândalos vêm à tona? Será que a imprensa está eficiente nas denúncias? Será que os políticos agora estão cobrando mais (no bom sentido, claro...)? Será que é coisa natural do terceiromundismo? "Coisa do terceiro mundo" poderia ter sido uma resposta, mas não é mais. Os escândalos do primeiro mundo também estão em destaque, principalmente na maior economia do planeta, os Estados Unidos. E aí vem uma conclusão ainda mais dramática: a derrocada das instituições, como está acontecendo, coloca em xeque a própria democracia representativa. Como garantir a democracia, com tanta corrupção entranhada nas instituições? Como governar, sem precisar corromper assembléias, câmaras e senados? Como legislar? Como garantir justiça? Como informar com um mínimo de "objetividade" (para usar um conceito já tão discutível...)? Como simplesmente garantir cidadania? Será que teremos que buscar novo sistema político? Ou ainda restam forças para a democracia enfrentar a corruptocracia avassaladora? Ontem, "o bicho pegou" para bicheiros e corruptos, como manchetou o jornal O Dia. Vitória dos "mocinhos". Mas a verdade é que todo dia "o bicho tá pegando" a favor dos bad boys...

sexta-feira, 13 de abril de 2007

De olho nas pesquisas: Sensus, Ibope e Datafolha rigorosamente iguais

A mídia e a oposição estão querendo transformar a nova pesquisa CNI/Ibope em uma vitória do apagão aéreo e uma derrota do Governo Lula. E isso se baseia principalmente na comparação das pesquisas do Ibope de dezembro de 2006 e abril de 2007, quando a avaliação positiva do Governo caiu de 57% para 49%. Apesar de registrar que a série histórica da CNT/Sensus divulgada ontem não inclui dezembro de 2006, a mídia de certo modo desacredita essa pesquisa que mostraria crescimento da avaliação de agosto de 2006 para cá. Mas a verdade é que comparando os resultados Sensus, Ibope e Datafolha de agosto de 2006 com março/abril de 2007 eles são rigorosamente iguais: mostram o crescimento da aprovação do Governo. A questão toda está no mês de dezembro de 2006 que o Sensus não avaliou e que o Ibope coloca lá em cima (57%) e, comparando com a pesquisa de agora (49%), mostra queda na aprovação. Primeiro temos que considerar que o momento (novembro/dezembro de 2007) era muito especial, repercutindo a vitória estrondosa de Lula e a expectativa super positiva natural dessa época. Seria natural também a queda nos primeiros meses de governo ("expectativa" e "satisfação" costumam se desenvolver em ordem inversa). Segundo, se considerarmos os números do Datafolha em dezembro de 2006 (52%) e compararmos com seus números em março de 2007 (48%), concluiremos que a queda foi menor do que o esperável. Mídia e oposição buscam de qualquer maneira uma brecha na avaliação do Governo Lula. Vão ter que buscar muito mais...

quarta-feira, 11 de abril de 2007

De olho na pesquisa

Essa nova Pesquisa Sensus não trouxe surpresas. A não ser, talvez, para quem não viu o país nos últimos meses, ou não quis ver. Lula teve uma reeleição com votação fabulosa. Conseguiu montar um segundo mandato com uma coalizão de ampla maioria no Congresso. Os números da economia são extremamente favoráveis, com controle da inflação, queda dos juros, crescimento do PIB, mais empregos, aumento do salário mínimo, etc. Há outros fatores favoráveis, como o cenário mundial, a visita de Bush, o biocombustível, o papel de liderança regional do país, a boa inserção de Lula nos meios políticos internacionais. Nem mesmo o fato de a aprovação do Governo ter atingido (49,5%) seu ponto mais alto desde agosto de 2003 pode ser considerado surpresa. Pode ser que haja espanto com uma aprovação tão alta, já que as pessoas, na maioria, nem ouviram falar (só 32,2% ouviram falar) do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento, marca do segundo mandato. Vamos analisar em termos de percepção: assim como o Bolsa-Família está mais associado a "povão" e "Nordeste", o PAC está mais associado a "empresariado", "classe média", "Sul-Sudeste". É algo novo, ainda não claramente percebido e desnecessário para a maioria que está aprovando Lula. E o "apagão aéreo", será que não influenciou negativamente? Para desespero da oposição, não. Não dá para comparar (embora tenham tentado) com o "apagão real", na energia elétrica, de Fernando Henrique. A massa ouviu falar do problema aéreo (82%), mas não sentiu na pele, como aconteceu no Governo anterior. As dificuldades de transporte da maioria estão na terra, nas estradas, nas rodoviárias. Isso vem de longos anos e não entrou na pesquisa. Somente 25,8% culparam o Governo Lula pela crise aérea.O Deputado Rodrigo Maia (Dem, ex-PFL) bem que tenta juntar esses 25,8% com os 15,1% que culparam os controladores mais os 9,9% que culparam a Aeronáutica mais os 9,3% que culparam a Infraero (o que daria 60,1%...) e dizer que é uma coisa só. Mas se ele conversar com o pai - que sabe de verdade que as coisas não são bem assim -, vai descobrir que as percepções são diferentes, não dá para botar tudo no mesmo saco, a não ser para tentar fazer política com apoio da mídia. Aliás, o próprio Cesar Maia, em seu Ex-Blog de hoje, já reduz para 45% (colocando os "controladores" como uma percepção à parte de "governo Lula"). Claro que é papel da oposição tentar ver o lado pior do Governo para mostrar que pode fazer melhor. Mas a oposição vai ter que fazer muito melhor do que o que está fazendo. Talvez deva seguir o exemplo de Serra que está escondido, calado, procurando fazer com que tudo passe em brancas nuvens... Ler também a coluna de Tereza Cruvinel, hoje no Globo.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Obama volta a crescer; Edwards surpreende

Depois que anunciou o recorde na arrecadação (1ª fase, de quatro) de recursos para a campanha, o pré-candidato Democrata à eleição presidencial americana, Senador por Illinois Barack Obama, voltou a crescer nas pesquisas (29%), ameaçando novamente a liderança de Hillary Clinton (34%). Mas o mais curioso é que o 3º colocado, distante, Senador pela Carolina do Norte, John Edwards (15%), é o único que vence o candidato Republicano, o ex-Prefeito por Nova York Rudy Giuliani, nas intenções de voto (49% a 43%, enquanto Hillary Clinton e Obama perdem por pouco para Giuliani: 48% a 47% e 44% a 43%, respectivamente). A maior ameaça a Giuliani, no entanto, vem do seu prórpio estado, onde o atual Prefeito de Nova York, Michael "Bolsa-Família" Bloomberg pensa em entrar na corrida presidencial pelo partido Independente. E isso é só o começo... (Dados Instituto Rasmussen)

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sérgio Cabral se desespera

Ailton Machado / Governo do Estado RJ Ao declarar que precisava de ajuda das tropas federais, Exército com seus homens e equipamentos, o Governador do Rio, Sérgio Cabral, tinha o rosto do desespero, do sentimento de que não teria forças para cumprir a tarefa. Era um momento grave - o enterro do policial encarregado de proteger seus filhos, morto a tiros em uma esquina qualquer da cidade do Rio, vítima de mais um assalto. Quando a violência chega tão perto do Governador, é de se perguntar: afinal, quem está seguro? Como confiar nas forças de segurança, se seus agentes encarregados de dar segurança ao principal homem público do estado vivem desprotegidos pelas ruas? Amadorismo, sem dúvida, despreparo. Mas o Governador não deve se desesperar, pelo bem da população. O momento é difícil, concordamos todos, mas o povo do Rio vive um momento de muita confiança nesta administração e espera que ela acabe vencendo essa onda gigantesca de violência. Sabemos, também, que simplesmente chamar o Exército não resolve. Com ou sem o Exército, o importante é o uso da inteligência e a disposição para pôr um fim ao crime ilimitado. Fim da corrupção, mais investimento em segurança, mais investimento social. Se é verdade que o Rio de Janeiro será o estado que mais vai crescer na América do Sul nos próximos 10 anos, é verdade também que para atingir essa meta é preciso combater com firmeza - e derrotar - a violência.

Iraque: 4 anos apagando velinhas...

Faz 4 anos da queda de Bagdá para o Império. 4 anos que significariam libertação, fim do terrorismo, uma vida melhor para um povo sofrido. Ao contrário, o que temos são 4 anos de mentiras, mortes, massacres, conflitos religiosos de alto grau, uma terra arrasada, um povo sem esperança. Desde que os Estados Unidos e seus aliados invadiram o Iraque (20 de março de 2003), 3.551 soldados morreram, com uma média de 2,4 mortes por dia. Desde 1º de fevereiro último, quando aumentou a escalada americana, a média subiu para 3,16 mortes por dia (Iraq Coalition Casualties). São quase 70 mil civis, segundo o Iraq Body Count. Alguém tem coragem de comemorar?

sábado, 7 de abril de 2007

Volta a diminuir a diferença de Ségolène para Bayrou

De acordo com pesquisa do instituto CSA, feita por telefone nos dias 4 e 5 de abril com 881 eleitores, a candidata socialista à Presidência da França, Ségolène Royal, que está em segundo lugar, caiu de 24,5% nas intenções de voto para 23,5%. O candidato centrista François Bayrou subiu de 19,5% para 21%. O conservador Nicolas Sarkozy continua liderando com 26%. Pesquisa do IPSOS, nos dias 4, 5 e 6, com 1.263 eleitores, também por telefone, mostra que Ségolène só teria caído 0,5% (para 23,5%) e que Bayrou só teria subido 0,5% (para 19%). Sarkozy também teria subido 0,5% (31,5%). A eleição é dia 22.

Parabéns pro Papa

Esse Papa finalmente fez alguma coisa para se aplaudir. A carta que ele enviou ao aitolá Khamenei pedindo que os solsados ingleses fossem soltos a tempo de passar a Páscoa com as suas famílias acertou na mosca. O aitolá Khamenei é a maior autoridade iraniana, é o Líder Supremo desde a morte do aitolá Khomeini, em 1989. É ele que "indica o presidente do Poder Judiciário, os membros do poderoso Conselho dos Guardiães, os comandantes das Forças Armadas e os responsáveis pelos serviços de rádio e televisão. O líder só pode ser derrubado pela Assembléia dos Especialistas - um colegiado formado por 96 religiosos islâmicos, eleitos a cada oito anos com a única função de julgar o desempenho do Líder Supremo. Ele também tem o poder de confirmar o presidente do país, escolhido pela população através de eleições diretas. O presidente, por sua vez, controla o Poder Executivo e tem a função de fazer a Constituição ser respeitada. Na prática, no entanto, eles tem os seus poderes limitados pelo Líder Supremo e por vários órgãos colegiados que são controlados pelos conservadores" (BBC Brasil) O pedido do Papa, prontamente atendido, caiu como uma luva para que o Irã, através do seu presidente, Mahmoud Ahmadinejad, pudesse humilhar o governo de Toni Blair. Esperamos que o Papa, agora, tenha condições de uma contribuição mais ampla pela paz na região.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

O Globo finalmente descobriu o Bolsa Família em Nova York

Em outubro do ano passado, o colunista Bob Herbert, do New York Times (para assinante do Times Select), anunciou o programa social do prefeito novaiorquino Michael Bloomberg inspirado no Bolsa Família. O Blog de Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada) noticiou e este Blog também (Nova Tork adota o Bolsa-Família). Claro que O Globo e outros jornais também poderiam ter noticiado. Não vi. Na época, estávamos indo para o 2º turno e evidentemente a mídia não estava interessada em qualquer notícia que pudesse favorecer o Governo Lula. Só tinha olhos para o Dossiê Serra e a fotos dos dólares. Hoje, seis meses depois, a correspondente do Globo, Marília Martins, deu a notícia. Nunca é tarde para noticiar o que é bom...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Controladores de vôo: o recuo que deu certo

Parece que o vai-vem da crise aérea está chegando ao fim. Aliás, mais do que o fim da crise, vislumbra-se o fim de de toda uma política equivocada para o controle do tráfego aéreo imposta na ditadura. Claro que ainda poderemos testemunhar alguns vai-vens, mas o problema central foi localizado e as medidas certas podem ser tomadas. Como disse um amigo com algum trânsito em círculos militares, "o erro dessa crise começou com o comando militar; era dever dele - e não do Ministério da Defesa - resolver essa pendenga com os sargentos. Os comandantes militares largaram na mão do Lula um abacaxi que era deles". Segundo avaliação de meu amigo, o Lula teve que tomar uma decisão que quebrava a hierarquia militar e que caiu como um presente no colo de toda a oposição, desde a direita radical até a mídia conservadora (sempre golpista). Lula teve que recuar. Mas, no final, o conjunto de suas decisões acabou dando certo. Permitiu que caísse a ficha para os militares, tanto os comandantes quanto os insubordinados. Os dois lados começam a entender melhor suas responsabilidades e também os danos e punições por suas ações. Torna-se importante agora o que fazer. Desmilitarização, sem dúvida. Mas, antes, é preciso contratar profissionais estrangeiros e treinar novos profissionais (como fez muito bem o CIA para o Governo Reagan). Ensinar línguas estrangeiras muito bem: além do português e do inglês, outra língua. Comprar novos equipamentos e separar claramente a área de manutenção da área de operação para aumentar a segurança contra tentativas de sabotagem. Depois de tudo isso, que pode levar de 1 ano a 1 ano e meio, talvez fosse recomendável devolver alguns desses controladores para a carreira estritamente militar.