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quinta-feira, 29 de março de 2007

Arábia Saudita levanta a voz

Pela primeira vez a Arábia Saudita falou grosso contra a ocupação americana do Iraque. Na cerimônia de abertura da Liga Árabe, ontem, em Riyad, o rei Abdulla disse aos líderes árabes que "no amado Iraque, a carnificina continua, sob uma ocupação estrangeira ilegal e um sectarismo detestável" e ainda advertiu que ou os governos árabes resolvem suas diferenças ou as potências estrangeiras, como os Estados Unidos, continuarão a ditar a política da região. Vindo de quem vem, essa declaração cai como uma bomba nos meios políticos internacionais, particularmente no Salão Oval da Casa Branca. A Arábia Saudita sempre foi o aliado preferencial dos Estados Unidos no mundo árabe, seja por sua monumental produção de petróleo, seja por seu posicionamento político "moderado". Nos últimos meses, a Administração Bush chegava até a contar fortemente com a sua liderança para um realinhamento político no Oriente Médio, opondo de um lado Arábia Saudita, Egito, Jordânia, Líbano e Israel contra Irã, Síria e os grupos Hesbolá (xiita) e Hamas (sunita). Doce ilusão judaico-cristã... A Arábia Saudita começa a dar sinais de caminhar em sentido oposto, buscando, isso sim, a união árabe, alinhavando entendimentos que ultrapassem as sub-divisões islâmicas. Foi ela que construiu o acordo entre as facções palestinas no último mês, causando desconforto em Israel, que pretendia trocar o Hamas pelo Fatah na direção palestina. Também contrariando os interesses americanos e israelenses, o rei Abdula pediu o fim do boicote internacional à Palestina. Além disso, o rei recebeu este mês o presidente Mahmoud Ahmadinejad, do Irã, inimigo nº 1 de americanos, israelenses e, agora mais do que nunca, de britânicos, e ainda está tentando resolver as tensões no Líbano em negociações com o Irã e o Hesbolá. Para finalizar, o rei saudita cancelou a participação em um jantar em abril na Casa Branca, alegando "conflito de agenda". Em outras palavras, "tô fora". Mustapha Hamarneh, diretor do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade da Jordânia disse que os sauditas parecem estar enviando uma mensagem a Washington: "É melhor vocês ouvirem mais seus aliados, em vez de sempre impor suas decisões e ficarem alinhados a Israel". O mundo árabe, em geral, está mudando e mostrando que pode ter voz ativa no cenário internacional. Com essa mudança de rumos, os sauditas não poderiam correr o risco de ficar à margem do processo, perderem força diante das novas lideranças árabes. Além disso, os sauditas, sabiamente, perceberam a fraqueza interna do Governo Bush e não querem ser associados a um "aliado" em estado terminal. Em vez de conclamar os árabes a deixarem Israel de lado, como fez nesta semana, Condoleezza Rice vai ter que ler mais o Alcorão. Leia mais no New York Times.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Divisão dos lucros do petróleo ajuda a paz no Iraque

Os iraquianos chegaram a um acordo dificílimo: determinaram um novo critério para distribuição dos benefícios do petróleo que pode agradar a todos os envolvidos na guerra entre os grupos locais. A questão toda estava em como satisfazer os sunitas, já que as regiões que eles dominam têm, no momento, produção menor de petróleo. Havia a pretensão de dividir os ganhos do petróleo mais ou menos como é aqui no Brasil, priviegiando as regiões produtoras. Isso favoreceria os xiitas e curdos, e essa era uma das principais razões das disputas. O Governo Iraquiano decidiu adotar o critério de dividir os benefícios por todo o país em função da população de cada região. Além disso, descobriu maior potencial de produção nas regiões sunitas, o que vai significar maior investimento estrangeiro para os seus domínios. Sem dúvida, um passo importante para a pacificação. Os problemas que surgem agora são de outra ordem. Primeiro, os investidores estrangeiros querem maior segurança para os possíveis contratos. Segundo, e mais difícil, é o censo: não há acordo final sobre a real população de cada grupo. Diz-se que são 20% de sunitas, 20% de curdos e 60% de xiitas - mas os sunitas dizem que eles, sim, é que são a maioria. Mais algumas mortes podem surgir por causa disso... Leia mais na reportagem de Edward Wong para o New York Times.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Iraque: xii, prenderam o xiita errado...

Amar Abdul Aziz al-Hakim / NYT O Governo Bush ficará conhecido (também) como um dos mais trapalhões da história americana. A própria figura do presidente deixa mal-estar, aparenta uma esperteza inicial para, logo depois, fazer-nos sentir diante de um parvo. As imagens que o mundo assistiu logo após o atentado do 11 de Setembro são a maior demonstração disso, mas podemos ter constatações quase diárias - basta acompanhar o quadro de discursos presidenciais inesquecíveis apresentado no Late Show de Dave Letterman. As trapalhadas de Bush transbordam para todo o seu governo. Tem trapalhada maior do que as fraudes de sua própria eleição? Tem, sim. A invasão do Iraque é imbatível. Desde as falsas armas químicas até os desmandos de seus soldados, tudo tem sido um monte de trapalhadas. Trapalhadas que fazem mal ao mundo inteiro, causam as mortes de milhares de inocentes. A última trapalhada foi a prisão e humilhação de Amar Abdul Aziz al-Hakim, filho do poderoso líder xiita Abdul Aziz al-Hakim, um dos maiores aliados (se é que se pode dizer assim...) de Bush (The New York Times). Os líderes iraquianos aliados de Bush estão indignados e não aceitam desculpas. Não entendem que seja possível uma trapalhada desse tamanho. Depois de 1.439 dias de invasão, 3.154 mortos (até dia 23) e 23.417 feridos (Iraq Coalition Casualties), os homens de Bush ainda não percebem claramente as diferenças entre sunitas, xiitas, curdos, católicos, muçulmanos, etc. Deve ser difíccil, mesmo. Talvez com mais uns 10 anos de invasão eles aprendam o que é uma coisa e o que é outra. Difícil vai ser eles perceberem a diferença entre o que é e o que não é ser humano...