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quinta-feira, 3 de maio de 2007

França: esquerda e direita em debate

Todo mundo faz questão de afirmar que acabou a polarização "esquerda-direita", que isso é coisa ultrapassada, que a realidade vai além ("la realité est très complexe", diria Goddard em Alphaville), que as questões e as soluções muitas vezes são comuns às duas visões. Mas ontem, na França, no debate entre os candidatos do 2º turno para a presidência, até o sorteio das cadeiras parecia querer reafirmar o velho conceito de esquerda-direita: a socialista Ségolène Royal sentou à esquerda e o direitista Nicolas Sarkozy sentou à direita. E suas propostas para a França deixaram ainda mais evidente essa dicotomia fundamental: trabalho x capital, intervenção do Estado x laissez faire, base da pirâmide social x topo da pirâmide social. Além dessa reafirmação da esquerda-direita, o debate apresentou (segundo a imprensa local) muitos erros (ambos erraram muito, por exemplo, nos percentuais de energia nuclear utilizada atualmente na França, mas Sarkozy errou mais e de forma imperdoável) e também uma surpresa: a firmeza de Ségolène Royal. A expectativa era de que ela seria destroçada pelo experiente Sarkozy, mas o que se viu foi o contrário: ela esteve permanentemente na ofensiva, sendo irônica e chegando mesmo a se tornar indignada (na questão da educação de deficientes). Desde a roupa (escura-masculina, ao contrário da sua roupa tradicional branca-feminina) até a contundência, Ségolène Royal procurou demonstrar que pode disputar de igual para igual com qualquer candidato. É possível que suas pesquisas tenham indicado esse caminho como o melhor para conquistar o eleitor indeciso, até agora ainda não convencido de que basta a simpatia para resolver os problemas franceses. Veremos as novas pesquisas. Creio que ela ganhou a batalha, embora ainda falte alguma coisa para vencer a guerra do próximo dia 6.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Quem diria, a Arena quer virar Democratas

Charge de Chico Caruso / O Globo Era uma vez um partido chamado Arena (Aliança Renovadora Nacional), criado em 1966 (4 de abril, quase dia 1º...) para servir de braço político da ditadura militar que estava instalada no Brasil desde 1º de abril de 1964. Na época eram só dois partidos, a Arena da ditadura e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) da oposição. Em 1980, voltou o pluripartidarismo que tinha sido extinto em 1965. Aí a Arena foi rebatizada de Partido Democrático Social, PDS (que depois virou Partido Progressista Renovador - PPR -, depois Partido Progressista Brasileiro - PPB, depois Partido Progressista – PP). Em 1985, um pedaço da Arena (que já tinha virado PDS) resolveu apoiar a candidatura oposicionista de Tancredo Neves para Presidente do Brasil e, por isso, criou o PFL - Partido da Frente Liberal. O PFL separou-se da antiga Arena, mas não de seus antigos ideais (menos ainda dos ideais da origem mais remota, a velha UDN - União Democrática Nacional). É sem dúvida o grande partido da direita política brasileira, apesar de pretender, recentemente, tenta se vender como sendo de centro. Na verdade, o partido tem procurado se afastar da direita por questão de sobrevivência. Enquanto pôde se aninhar nas estruturas do Governo Federal e representar as oligarquias nordestinas, não se mexeu. Com a subida de Lula ao poder, o PFL viu minguarem suas forças (em 1998 elegeu 105 deputados, hoje só tem 58) e agora joga tudo em uma renovação que parece muito mais jogada de marketing (por mais que Cesar Maia apresente a justificativa da busca do centro como alternativa moderna à polarização esquerda-direita). Ao mudar o nome para Democratas e eleger Rodrigo Maia seu presidente, a velha Arena quer enganar quem, cara-pálida?