Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador democracia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

CPIs estão fazendo mal à democracia

Toda Oposição faz oposição, claro. É para isso que existem e é assim que funciona a democracia. São representantes de pensamentos e interesses opostos à conduta da maioria que ocupa o Governo. É através desses conflitos que a democracia se fortalece e afirma a qualidade do ser humano – afinal, como mais ou menos diria Parmênides, o caminho do ser humano é o caminho do ser e não ser ao mesmo tempo. Tudo muito bem, muito bonito, mas como é que funciona mesmo? A Oposição, naturalmente, quer abandonar o papel que tem. Ela não se restringe a fazer valer seu pensamento mantendo-se na oposição. Ela quer, com todo direito, trocar de lugar, e é aí que as coisas acabam se complicando um pouco. Primeiro, porque nem sempre a simples troca significa renovação e avanço (mas faz parte do jogo). Segundo, porque o grupo que faz o papel de Oposição costuma fixar-se muito mais no troca-troca do que em opor pensamentos e ações capazes de contribuir para uma sociedade melhor. Vejamos o exemplo das CPIs, que em princípio seriam excelente instrumento de fiscalização, de investigação e de aperfeiçoamento dos governos. Elas acabaram se transformando apenas em palanque eleitoral. Mais do que para investigar e fiscalizar, os políticos usam as CPIs para ganhar visibilidade e uma percepção positiva com fins eleitorais. Em função disso, qualquer coisa justifica uma CPI escandalosa. Reforma política? Quem vai perder tempo com isso? Mais importante é saber por que o Ministro dos Esportes gastou 8 reais com tapioca. Não digo que não se deva investigar e condenar o mau uso de cartões corporativos ou o que seja. Mas não se pode é transtornar a vida pública durante meses com fins meramente eleitoreiros. Dá pena ver tanta gente bem formada (e bem remunerada) entregue ao dia-a-dia de uma política menor. Tanto para propor, tanto para investigar, tanto para fazer, e os partidos em busca de escândalos para poder crescer em ano de eleições. Esses políticos deveriam ter um pouco mais de respeito com a democracia.

terça-feira, 29 de maio de 2007

A verdade sobre Renam

Renam resolveu entender as acusações que envolviam seu nome com corrupção como se fosse simplesmente uma questão de vara de família. Uma confusão entre Mônica e Verônica, essa foi a tônica. Duvido que alguém em plenário tenha acreditado no seu discurso - nem Mônica (a jornalista mãe) nem Verônica (a esposa traída). Mas, ontem, no plenário e nos depoimentos das diversas correntes políticas, isso não tinha a menor importância. O importante era pôr panos quentes na questão mais explosiva deste ano. Não interessa a ninguém que o caso Renam siga pipocando neste campo minado da política. Ao governo não interessa perder um elo fundamental de sua coligação. À oposição interessa conquistar de vez o coração do Presidente do Senado. E, principalmente, todos temem que, se ninguem colocar um fim nisso tudo, acabe sobrando imbroglio para todos - parlamentares, ministros, juízes, promotores, policiais, etc. A verdade é que este não é o momento de se falar a verdade. Os escândalos são tão poderosos, ameaçam de tal forma a confiança nas instituições, que não há quem deseje um avanço mais profundo nas investigações e nas acusações. Ao se fazer uma limpeza ética, teme-se, a própria democracia pode ser varrida. O que não deixa de fazer sentido. Renam sabe muito bem disso tudo. E sabe também que é no medo de verdades que está sua salvação política.

terça-feira, 27 de março de 2007

O PFL pretende agora ser "democrata", mas defende a ditadura salazarista com unhas e dentes

O Ex-Blog de Cesar Maia, um dos principais ideólogos do PFL, traz hoje uma grande contradição. Ao anunciar a transformação do PFL em PD (Partido Democrata), Cesar Maia diz que "ao adotar a palavra democrata, queremos atingir a profundidade possível de uma prática política que inclui, e não exclui; que defende a liberdade sem transigências; que não admite a existência de cidadãos de primeira e segunda classe, pois todos têm direitos iguais; que, principalmente, nasce com compromissos escritos, formais e solenes, programáticos e objetivos. Democracia completa, ampla, irrestrita. Não apenas social, política ou econômica". Parágrafos antes, comentando a enquete da TV (RTP) portuguesa que tinha apontado o ditador Salazar (41%) como "maior português de todos os tempos", Cesar Maia se rasga em elogios, em evidente admiração pelo (como diz o Estadão), "mentor do regime fascista que durou 48 anos". Veja este trecho de Cesar Maia: "Seu longo ciclo político pode ser dividido em duas partes. Entre 1928 e 1944, quando se destaca como gênio das finanças numa Europa da hiperinflação na Alemanha, da desorganização da França... O fato de ter dirigido um governo autoritário não lhe tira méritos, na medida que - com a única exceção do Reino Unido - o mundo vivia um ciclo de governos autoritários". Adiante, ele meio que procura se redimir, reconhecendo que "sua gestão no pós-guerra manteve os mesmos parâmetros de antes e afundou Portugal no atraso, culminando com seu melancólico final de carreira". Mas o que fica mais evidente é sua admiração pelo grande fascista.