terça-feira, 30 de junho de 2009
Quem inspirou quem em Honduras?
Hoje li a seguinte nota (No mais) na coluna do Ancelmo, no Globo: "Não se pode apoiar golpe contra a democracia. A única saída em Honduras é devolver imediatamente Manuel Zelaya ao cargo. Mas a situação no país deixa o alerta no ar. É que a crise toda começou quando Zelaya, inspirado em Hugo Chávez, quis prorrogar seu mandato contra todas as instituições legislativas e judiciárias" (com grifo meu). Fiz algumas reflexões: 1) Apesar de Ancelmo ter dito com todas as letras que não se pode apoiar golpe contra a democracia, ele acaba mostrando que também foi contaminado pela justificativa do golpe, que seria a inspiração em Hugo Chávez na oposição às instituições legislativas e judiciárias. 2) Quando o Congresso venezuelano aprovou a prorrogação do mandato presidencial, disseram que que ele era "controlado completamente por seguidores de Hugo Chávez". Nesse caso não vale a instituição legislativa? Que inspiração é essa? 3) Fernando Henrique, quando obteve a prorrogação do seu mandato através do Congresso, inspirou-se (por antecipação) em Hugo Chávez? 4) Zelaya, é verdade, opôs-se às instituições legislativas e judiciárias (onde não tinha maioria) e pretendia ouvir diretamente a população, através de voto livre. Está errado ele? Ou faltou inspiração? 5) Que inspiração teria sido mais cara - a da prorrogação através do Congresso à Fernando Henrique ou em consulta à população como pretendia Zelaya? 6) Por último, quem inspirou o golpe militar hondurenho?
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2 comentários:
O Lula sempre diz que "Não se pode brincar com a democracia." Eu concordo. Zelaya menosprezou o fato que que não tinha a maior parte do poder. No contexto em que não se conta com a maioria dos entes da república e do Estado - maioria no congresso, apoio das forças armadas e "simpatia" do judiciário, tentar atropelar as etapas tem dois caminhos, basicamente: ou se tem sustentação militar e política no seio do povo e se faz a ruptura pela base, ou, sem essa base, vê-se a vaquinha da incipiente democracia hondurenha ir para o brejo. Foi o que houve. O senhor presidente de Honduras foi irresponsável com o processo de transformação em seu país e, de quebra, abriu um precedente de consequências ainda desconhecidas para o restante do hemisfério.
Parece que o Gadelha não se informou sobre esse embroglio em Honduras.
O fato é que o plebicito proposto pelo Presidente Zelaya não falava sobre reeleição de presidente, mas submetia à população uma proposta sobre se apoiava ou não a convocação de uma assembléia nacioanal constituinte para uma reforma constitucional.
Pode até ser que, sendo a proposta aprovada, a constituinte viesse a tratar da reeleição. Mas isto já outra questão.
CONCLUSÃO: o assalto ao poder perpetrado pelos MILICOS, com as bênçãos da Igreja Católica e o apoio do Poder Judiciário, não passou de um golpe com a falaciosa desculpa de que Zelaya pretendia infringir a constituição com uma proposta de sua reeleição.
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