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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Xadrez 2010, Rio: Garotinho se desespera

Garotinho, candidato a Governador pelo PR, percebeu o óbvio, que esse Blog já antecipava: sem Gabeira (PV), sem Wagner Montes (PDT) e sem candidatura própria do PT, vai ser muito difícil haver segundo turno para Governador no Rio. Então pensou no único movimento que lhe resta: convidar Wagner Montes para trocar o PDT pelo PRB de Marcelo Crivella e ser seu Vice. Há dois poréns: 1) Wagner Montes, que é contratado da Record, teria dificuldade (mesmo tendo obtido o provável amém de Crivella) em atrelar o seu nome a Garotinho, com quem de certa forma disputa espaço no mesmo terreno do voto popular; 2) jogando tudo numa candidatura popular-evangélica, Garotinho teria ampliada a sua rejeição junto à classe média e ao eleitorado da capital em geral, e talvez Wagner Montes não queira embarcar nessa queimada.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eleição no Rio: Crivella foi decisivo para que Molon continuasse candidato

A pressão para que o Deputado Alessandro Molon retirasse a candidatura em favor de Jandira Feghalli, do PCdoB, e com isso contribuir para a aliança do PT com partidos da esquerda, visando principalmente 2010, foi muito forte. Mas a contrapressão foi mais forte e ela tem um nome: Marcelo Crivella, candidato à Prefeitura do Rio pelo PRB. Se o PT declarasse apoio explícito a Jandira, significaria uma declaração de guerra ao grande aliado Crivella, à Igreja Universal e à Record. Com certeza o PT perderia apoio dessa importante força pelo resto do país. Crivella não se importa em abrir mão de candidaturas por aí afora. O que importa é o Rio de Janeiro. Molon fora do páreo, tudo bem. Apoiando Jandira, nem pensar! Com isso, Molon ganha sobrevida. Recupera prestígio e aumenta o cacife pra uma negociação no segundo turno. Por sua vez, os candidatos proporcionais petistas podem contar com alguns votos a mais na legenda, massificando o número 13 com a foto de... Lula.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Eleição no Rio: a "conspiração" de Merval

Nessa madrugada, estava assistindo a reapresentação do Jornal das Dez (entre 2 e 3 da manhã) e confesso que, meio sonado, tomei um susto com a análise que Merval Pereira fez da união PT-PMDB para a eleição municipal do Rio de Janeiro. Ele informou tudo certinho, mas concluiu com a hipótese de que na verdade tudo teria sido arquitetado por Lula... para beneficiar o Senador Bispo Crivella! Porque, segundo ele, esse novo cenário só serviria para enfraquecer a esquerda no Rio! Acordei e pensei logo: "Ele deve ter chegado a isso conversando com o César Maia..." Durante os últimos meses, o Prefeito do Rio e principal referência do DEM (ex-PFL) tem se esmerado em procurar associar o nome de Lula a Crivella em uma imaginária guerra santa contra a Globo e a Igreja Católica. Seria parte de sua estratégia para manter Lula longe da clase média carioca e sob ataque ainda mais intenso do principal grupo de comunicação do país. Está certo César Maia em tentar isso. Mas ninguém precisa exagerar nas fantasias. Não há como Crivella sair beneficiado com a união Lula-Sérgio Cabral (PT-PMDB) nas eleições municipais da Capital fluminense. Podemos começar pela disparidade nos tempos no Horário Eleitoral Gratuito: Molon, contando apenas a aliança PT-PMDB-PP-PSB, terá algo em torno de 12 minutos por programa (detalharei depois), enquanto Crivella estará limitado a cerca de 2 minutos. Devemos lembrar também que a esquerda, ao contrário, estava enfraquecida e agora finalmente tem uma candidatura de peso (Molon sempre foi da esquerda do PT e chegou a pensar em ir para o PSOL), com a possibilidade de até mesmo agregar Jandira (PCdoB) e o PDT, ficando de fora apenas Chico Alencar do PSOL. Do ponto de vista religioso, Crivella deu adeus à possibilidade de conquistar algum voto católico desgostoso com a classe média gabeira-tucanizada, já que Molon é historicamente o nome preferido da Igreja Católica. Finalmente, com relação à "guerra santa global", a direção da Globo deve estar agradecidíssima com a nova chance de poder contar com uma candidatura forte que possa barrar o avanço Universal-Record no Rio, um de seus pesadelos. Acredito que Merval não teve tempo de conversar com seus superiores antes de emitir a Opinião das Dez...

quinta-feira, 24 de maio de 2007

A manchete da semana

Sem dúvida essa é a manchete mais irônica dos últimos tempos. A Folha Universal, que pertence à Igreja Universal, dona também da Rede Record, acusa a TV Globo de ter virado igreja eletrônica! Era exatamente essa a acusação que sempre se fez à Rede Record... Para ser fiel à verdade, as duas acusações fazem sentido. Mas a acusação que se faz à Globo, no momento, faz mais sentido. A cobertura que a Globo deu à viagem do Papa foi vexaminosa, uma vergonha. E a Folha Universal busca apoiar sua acusação a partir de reportagens na "mídia especializada em televisão" que "condenou a postura da Globo". A reportagem abre dizendo que "a visita do papa Bento XVI reforçou uma antiga suspeita dos brasileiros: a Rede Globo de Televisão usa sua programação, de maneira explícita, para beneficiar a Igreja Católica e prejudicar igrejas evangélicas". A Folha Universal cita o site FolhaOnline para lembrar que “todas as manhãs de domingo, há quase 40 anos, a Globo transmite a ‘Santa Missa’. Trata-se do mais antigo programa da rede – está no ar desde 4 de fevereiro de 1968”. O jornal reclama da eterna perseguição da Globo aos evangélicos (que chegaram a ser tratados como membros de seita durante a visita do Papa) e, para humilhar, reproduz pesquisa do portal UOL onde a Rede Record foi apontada como "a emissora que realizou a cobertura mais isenta da visita do papa ao Brasil. (...) "A emissora recebeu 50,5% dos 6.616 votos computados. Em seguida, veio a Rede Bandeirantes, com 28,9% da preferência. A Rede TV teve 11,1% dos votos. A Globo, acusada de ser a emissora oficial da Igreja Católica, teve só 9,5%". A Folha Universal continua suas matérias de capa com uma charge sobre esporte, reportagens sobre "quebra de patente", "mais transportes às escolas", "cobradores de ônibus", "impetigo" e "desvantagens do penhor". Nada mais ligado a religião, tentando conquistar corações e mentes sem radicalismos. É a nova cara do grupo, que já faz tempo procura limpar a Record da marca negativa de "igreja eletrônica". Revela a evolução de seita para religião, mostrando mais organização e uma estratégia mais poderosa de conquista de fiéis. É mais uma etapa da guerra entre essas duas ongs gigantes da comunicação, a Rede Universal-Record e a Rede Católica-Globo.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Bye-Bye, Papa: retrato em 3x4 das dificuldades da Igreja Católica

Hoje mais cedo estava andando e falando no celular com o Mello (Blog do Mello), quando dei de cara com a cena que reproduzo aí em cima. A jornalista da sala ao lado caminhava também e quase teve um troço. Berrava coisas assim: "Umf! Umf! Zifío...", não entendi nada. Desliguei e fotografei para o Blog. Trata-se de uma unidade da Igreja Universal do Reino de Deus (leia-se Bispo Macedo, Bispo Crivella, Rede Record) que não se sente satisfeita com a quantidade de fiéis que atravessam seus portais e decidiu ir pra rua, disputar fiéis com as mesmas armas dos pais de santo. Na tenda montada na calçada está escrito "Tenda do Pai das Luzes". E na tabuleta próxima temos a "oferta": "Consultas grátis! Na tenda do PAI das luzes". Essa foi a grande jogada dos pentecostais: deixaram de lado o "racionalismo" (se é que se pode falar nisso...) ou formalismo ou burocracia ou conservadorismo dos evangélicos tradicionais e buscaram técnicas de comunicação mais populares junto aos "terreiros", pais de santo, macumbeiros, etc. Não largaram inteiramente a Bíblia que serve de ajuda para garantir certa organicidade à coisa toda. E partiram para um marketing cada vez mais agressivo, roubando fiéis de quem estivesse pela frente, principalmente da Igreja Católica, de quem a Igreja Universal roubou até o nome, já que "católica" significa "universal". Essa é a diferença: enquanto os católicos chegam com um Papa branco, europeu, falando com muito sotaque, muita filosofia, pouca sabedoria e um santo de última hora, os pentecostais montam suas tendas dos milagres à maneira do nosso povo moreno e vão ganhando terreno, fiéis e muito dinheiro. Mais que uma religião, eles construíram uma rentável ong de comunicação.