domingo, 27 de fevereiro de 2011

Samba da Cirrose


Comprei um mini digitalizador de fitas K-7 e fiz a festa aqui em casa. Jingles antigos, entrevistas, pesquisas, músicas – sempre que posso, estou no clima de digitalização de K-7.
Descobri uma música que o Cláudio Baltar me enviou, há mais de 20 anos. Na época, ele era meu concunhado e morava em Paris. Ele e uns amigos pegaram um de meus poemas, “Cirrose”, e musicaram. Chegaram a apresentar em emissoras de rádio da Europa (França? Holanda?). Achei que eles foram ousados em pôr música (usaram uma das etapas do poema como letra) nesse poema nada palatável. Mas adorei ouvir de novo. De ontem pra hoje, mostrei a várias pessoas.
O poema eu levei um ano e meio para concluir (comecei no Rio, continuei em Nova York e Colchester e terminei no Rio), apresenta a cirrose a partir de imagem, cor, som e texto, incluindo aí uma evolução de consoantes oclusivas surdas até vibrantes. Teve uma apresentação única com projeção de slides, efeitos sonoros e com declamação (?) de um grupo de estudantes de teatro do Rio (inclusive minha irmã, Carmem Gadelha). Lembro também que certa vez em “excursão poética” a Campos, em companhia do Affonso Romano de Sant'Anna, da Marina Colasanti e de Angela Melim, apresentei em uma faculdade e um professor pediu cópia para mostrar em suas aulas de microbiologia. Foi iniciado a partir da frase “a rosa com cirrose”, da música de Vinícius de Moraes. Faz parte do meu livro Onomatopoemas. Tentei pôr um visual na música que o Cláudio enviou, para o nosso domingo.