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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tomada do Alemão: competência ou incompetência na fuga dos traficantes?


A pergunta que todos fazem agora é: “E os traficantes – quede? cadê? onde estão?” Ninguém sabe, ninguém viu. E aí vem outra pergunta: “Foi incompetência da polícia ou foi combinado?” Não encontro resposta para nenhuma das perguntas, mas quero dizer que a fuga dos traficantes acabou sendo um grande serviço à comunidade. Graças a isso evitou-se o banho de sangue que parecia inevitável, com possível perda de vidas inocentes. Temos que considerar ainda que na fuga os traficantes abandonaram boa parte de seu arsenal, de sua droga, de seu dinheiro e – o principal – perderam o seu bunker e principal campo de ação. Pode ser que ainda estejam escondidos lá mesmo no Alemão (difícil...). Mas se é verdade que fugiram, estão bem enfraquecidos, sem aliados fortes, desacreditados e sem seus fregueses fiéis. Tornaram-se presas fáceis da polícia, sem riscos maiores para os moradores do Alemão. É difícil que tenha sido caso pensado – mas, se foi, parece tratar-se de uma ideia brilhante.

Tomada do Alemão: a conquista do Disque-Denúncia


Um dos maiores avanços que a polícia fez na tomada da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão foi no terreno da credibilidade. E isso pôde ser comprovado com os milhares de ligações para o Disque-Denúncia. Por mais que o Disque-Denúncia sempre tenha garantido sigilo, a população mais pobre desconfiava, por causa da sua ligação com a polícia. Lembro que em 99, quando realizamos extensa pesquisa qualitativa sobre segurança, os moradores de comunidades mais pobres, sem exceção, revelavam esse medo. Achavam mais seguro fazer denúncias através do programa Linha Direta da TV Globo. Por tudo isso, é fundamental que o Governo investigue a fundo todas as denúncias de abuso policial. A confiança conquistada não pode ser desligada.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tomada do Alemão: Fatos & Aversões


Fotos O Globo

7:29h – é fato que esse foi um momento histórico. Um momento que simboliza uma decisão difícil, de iniciar uma operação que sob muitos aspectos poderia indicar banho de sangue. Simboliza a possibilidade de vida bem melhor para quase 100 mil moradores do Complexo do Alemão, imersos em uma subvida de tensões, ameaças, agressões, subdesenvolvimento. Simboliza a possibilidade do Rio de Janeiro dar um salto na qualidade de vida de toda sua população. Simboliza mais um passo do Brasil rumo a uma posição de mais prestígio internacional.
Sérgio Cabral, Beltrame – o Governo do Rio de Janeiro criou um fato novo na política de segurança nacional, ao provar que é possível integrar políticas sociais com inteligência, rigor e eficácia policiais. E soube melhor do que ninguém integrar-se ao Governo Federal, dando mais musculatura às suas forças.
Rodrigo Pimentel – de fato, o autor e inspirador do “Capitão Nascimento” do Tropa de Elite é uma referência em questões de segurança pública. Mostrou uma análise diferenciada entre os comentaristas apresentados na mídia. Demonstrou conhecimento e, ao mesmo tempo, uma visão tranquila e bem humana. Nada de teorizações ou vociferações, tão comuns. Apoiou toda a ação, mas demonstrou preocupação (medo, mesmo) com a possibilidade de derramamento de sangue. Hoje, no Bom Dia Brasil, revelou sua dificuldade em dormir no sábado, pensando nos amigos – e até um irmão – que poderia perder, porque estavam na linha de frente da operação. Destaque também para a atuação do Júnior, do AfroReggae.
Comentaristas da bala – causou aversão assistir certas análises que apoiaram a ação do Governo aparentando ver nela a vitória de uma certa política do “bandido bom é bandido morto”. Um analista chegou a dizer que era o fim da política do “bandido cidadão” ou “bandido social”. Não é bem assim. O grande valor desse Governo na área de Segurança foi saber integrar políticas sociais, valorização da cidadania, com inteligência e eficácia policial. Não se pode confundir oportunismo populista ou banditismo eleitoral com política social séria. Os erros do passado não devem ser justificativa para apertar gatilho a torto e a direito.

Pezão e o PAC – o fato de o chefão do Alemão ter o mesmo apelido (Pezão) do Vice-Governador e coordenador do PAC no Rio de Janeiro foi muito curioso. Primeiro, porque gerou uma série de piadas com o Vice-Governador – a principal delas, como ele mesmo me contou, foi dizerem que “aquela mansão fantástica encontrada no alto do morro foi construída com o dinheiro do PAC”. Mas o fato mais importante foi o hasteamento das bandeiras da vitória (nacional e estadual) ter sido feito na estação do teleférico que está sendo construída com verba do PAC...
Mídia – a atuação impecável da mídia, dessa vez, foi fato gerador de otimismo no Rio e até no país. Globo e Record deram show. Na TV, na Rádio, na Imprensa, na Internet, os noticiários foram amplos, elucidativos e na maioria das vezes tranquilizadores. Destaque para os tuiteiros do Alemão, garotada de prontidão, atenta aos acontecimentos e antenada com as novas tecnologias.
População – um fato marcante foi a unanimidade: todos estavam favoráveis à ação, não queriam mais dar espaço à bandidagem com seus atos de terror e, acima de tudo, acreditaram na polícia.
Marketing e criatividade – os traficantes acharam que estavam sendo muito criativos com suas ações terroristas, mas conseguiram apenas causar aversão. Erraram violentamente no seu marketing. Desesperados pelas perdas de espaço e de faturamento causadas pelas UPPs, concluíram que espalhar o terror enfraqueceria as forças de segurança. Contaram com a revolta tanto da mídia quanto da população contra o Governo. Mas foi um grande equívoco. O terrorismo fez a população dar um basta! e ainda mobilizou a mídia a favor da polícia. Foi isso que estimulou o Governo Federal a aumentar sua participação e que permitiu o Governo do Estado a agir com firmeza e de forma definitiva. Os traficantes, sempre muito espertos, ignoraram uma lei básica: a comunicação pode ser criativa, mas tem que estar associada a um marketing que – por natureza – deve sempre ser óbvio. O fato é que o tiro saiu pela culatra

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Novo passo para a Segurança no Rio: obrigar os chefões do tráfico a assistirem a TV


As cenas de Tropa de Elite 3 que o país assistiu ao vivo durante todo o dia de ontem lavaram a alma do brasileiro, particularmente do povo carioca. Revelaram que: 1) as forças de Segurança estão bem preparadas, com capacidade de organização e de reação firme ao narcoterrorismo; 2) que o poder de fogo da bandidagem é grande, mas não é imbatível – aliás, ficou claro que os traficantes estão em desespero; 3) que a população, principalmente a mais pobre (espremida nas vitrines das lojas de eletrodomésticos, bares e bancas de jornal, assistindo a TV), quer paz e apoia a polícia quando ela se mostra eficaz sob todos os aspectos.
Agora é importante reabrir os canais de informação com os chefões que ordenaram o terror. É necessário eles assistirem com urgência as imagens da tomada da Vila Cruzeiro. Precisam comprovar que a Segurança agora é outra, que eles não têm o poder de enfrentamento que imaginavam e que suas ações acabaram tendo o efeito contrário ao que pretendiam. Se tiverem um mínimo de bom senso (isso existe naquelas bandas?), ordenarão o fim do terrorismo. Caso contrário, verão seus “soldados” tombarem aos magotes. As cenas de ontem demonstraram o que disse aqui no Blog há dois dias: “Não há como o tráfico ter ganho nessas ações”.
A população aguarda com ansiedade o capítulo final dessa série de terror.

O campo de batalha...

(gráfico do Globo - clique para ampliar)
... e o M113, um dos heróis da batalha


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Provocação 1: o Rio tem tudo para sair dessa fortalecido


A série de ataques narcoterroristas no Rio de Janeiro é horrível. Mas é a melhor demonstração de que a política de segurança do Governo está dando certo. E o cálculo é simples: essas ações estão dando mais despesa do que lucro aos traficantes. São operações desgastantes que prejudicam ainda mais o comércio de drogas. Traduzem muito mais desespero pela perda de pontos de venda e, consequentemente, queda na receita e deserção de “soldados”. Não há como o tráfico ter ganho nessas ações – a não ser o aspecto motivacional, dando estímulo a seu "exército" (que anda meio acuado, graças ao sucesso das UPPs) e até conquistando um ou outro novo “soldado”. Mas isso dura pouco. Principalmente porque a reação do Governo tende a ser proporcionalmente bem maior. Narcoterroristas começarão a ser presos, o cerco federal será mais amplo e mais eficaz, o espaço de manobra dos traficantes ficará mais reduzido e inviável. Com o isolamento ainda maior dos líderes que estão presos, caberá aos líderes locais buscar outras regiões para se acomodarem. Apesar do tumulto e do pânico iniciais, surgirá um Rio melhor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Segurança Rio: pesquisas e percepções

Uma jornalista minha amiga está desesperada. O assalto que acabou na morte de uma moça na madrugada do Rio foi praticamente em frente ao seu edifício e agora morre de medo de sair de casa à noite. Sua percepção de insegurança aumentou nos últimos dias. Mas o que será que o Governo Sérgio Cabral está fazendo para combater a criminalidade? A população apoia ou não apoia? O Instituto GPP fez pesquisa também sobre segurança no Rio de Janeiro, para o PV, e o Vereador verde Alfredo Sirkis que analisa a pesquisa em seu site espantou-se com o resultado. Notou que a avaliação geral sobre segurança pública, no governo Sérgio Cabral, foi positiva (melhorou para 37,7%, piorou para 17,7%), e notou também que diante da pergunta “Como se sente, pessoalmente, no governo Sérgio Cabral?” o resultado é bem diferente: 13,7% dizem se sentir mais seguros e, 20%, menos seguros. Ele pergunta: “Como explicar essa dicotomia entre avaliação de segurança pública, em geral, e segurança individual?” E responde: “Há aqui, na minha opinião, um dado de maturidade do cidadão carioca e fluminense. Por um lado, reconhece uma menor politização e mais profissionalismo da atual equipe em relação a anterior, cujos dirigentes mais visíveis saíram candidatos (e um deles acabou cassado e preso)”. Na verdade não há exatamente uma “dicotomia”, já que os resultados não se opõem. É perfeitamente lógico que as pessoas possam se sentir menos seguras e, ao mesmo tempo, aprovem as ações do Governo na área de segurança. A escalada da violência é inegável, mas isso não implica necessariamente desaprovar o Governo. No mínimo, as pessoas sentem que o Governo está agindo de verdade - e esperam resultado cada vez melhores. Vejam esses números da pesquisa do Instituto Mapear sobre segurança:

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Milícia X Sociedade: bom texto de César Maia

A REPORTAGEM FOI FEITA... E DE FORMA CONTUNDENTE!
1. O seqüestro e tortura de repórteres do jornal carioca O DIA, por elementos do grupo para-policial que controla a comunidade onde estavam fazendo uma cobertura, ali vivendo temporariamente, transformou-se numa reportagem - de fato - mais contundente do que se estivessem narrado o cotidiano das relações dos para-policiais com os moradores.
2. Desde o início dos anos 90, quando os traficantes que controlam comunidades deixaram de ter raízes nas mesmas, ocupando-as militarmente, passaram a ter uma relação de terror com os moradores. Com isso, aquilo que se dizia do "efeito Robin Hood" da presença dos traficantes terminou. Por outro lado, a clandestinidade objetiva dos policiais fora de serviço, assassinados gratuitamente por traficantes por serem policiais, estimulou-os a encontrar local de moradia onde eles e suas famílias tivessem seguros.
3. Com isso construiu-se um quadro convergente entre moradores e policiais. Esses - organizados para-militarmente - passaram a expulsar os traficantes de várias comunidades sob o aplauso da população. Uma vez estabelecida uma "nova ordem", outros policiais se mudavam para esses locais e com isso passaram a ser uma tropa de reserva para o caso de traficantes tentarem retomar a comunidade.
4. A manutenção desses novos grupos passou a ser coberta com pagamento mensal pelos moradores e mais receitas obtidas de serviços diversos existentes no local, como cobrança de "segurança". Os primeiros casos produziram a sensação (que não havia com a presença de traficantes) de que as pessoas poderiam circular livremente por seus logradouros e que a relação com os moradores seria de "proteção".
5. A expansão desses grupos para-policiais foi mostrando relações crescentemente autoritárias com os moradores e a transformação da cobrança para cobrir as despesas em negócios do tipo extorsão para proteção.
6. O seqüestro dos repórteres mudou a natureza de sua reportagem. Eles poderiam - em tese - demonstrar que, mesmo ilegalmente, haveria um novo ambiente ali, que a ausência da polícia e o fracasso da segurança pública impunham, quase que como um recurso do tipo desobediência civil. Para muitos, de longe, essa era a impressão. Em tese, os repórteres poderiam ter chegado a essa conclusão.
7. Mas o que a reportagem (num paradoxo) - feita contundentemente -, ao não ser feita, mostrou é que o direito de ir e vir inexistia e que as relações desses para-policiais ali, com os moradores, é também de terror. Portanto, um fato de extrema gravidade, pois reproduz a lógica do tráfico drogas, apenas trocando as fontes de receitas.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Garotinho e a segurança

Em primeiro lugar, quero dizer que não consigo ver o Garotinho como "chefe da quadrilha", como estampam os jornais. Em 94, quando fui dar um apoio na redação dos seus programas de TV no segundo turno da campanha para Governador do Rio de Janeiro, ele me falava entusiasmado de suas leituras e pesquisas sobre o tema segurança. E já alertava com algo assim:"É impossível resolver os problemas de segurança enquanto não forem presos os grandes figurões - inclusive das Forças Armadas - que estão por trás desses bandidos que aparecem na mídia". Em 98, quando fui chamado para coordenar o marketing de sua nova campanha a Governador, ele já estava ligado a Luiz Eduardo Soares (antes sondado por César Maia, parece) que deu a base (ou teria feito tudo...) do famoso livro de Garotinho sobre segurança. Fiquei impressionado como ele dominava o tema. Discorria com tranqüilidade, sem trocadilho, com toda segurança. Durante a campanha, ele deu um show sobre César Maia, até então (e ainda hoje) um Papa no assunto. Cerca de 10 meses depois de sua posse, ele me chamou e disse: "Gadelha, cola no Luiz Eduardo e pensa no marketing da segurança". Ele não queria com isso fazer apenas "marketing" (no sentido pejorativo"), mas demonstrar que estava inteiramente preocupado com a questão que ocupava cada vez espaço no noticiário. Ele se entusiasmou com tudo que fiz ao lado do Luiz Eduardo. Acompanhou com interesse todas as pesquisas e aprovou imediatamente a criação da "Nova Polícia". Lembro de suas palavras no Seminário Internacional sobre Segurança que realizamos: "Temos que dar melhores salários aos nossos policiais. Mas isso só não basta, porque a bandidagem sempre vai ter mais dinheiro para corromper. O que temos que fazer é mudar a mentalidade dos policiais para transformá-los em verdadeiros defensores da sociedade". Essa era uma preocupação permanente que tinha. Ficava revoltado com o alto grau de corrupção no meio policial. Por isso tudo, não posso acreditar nas notícias que o associam a "formação de quadrilha armada". Prefiro acreditar que sua ambição política, trilhada com muitos erros políticos, fez com que ele perdesse eficiência em sua cruzada pela segurança pública. Garotinho nunca foi um garotinho. Mas daí a achar que ele é um chefe de quadrilha é um pirulito grande demais.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Cesar Maia e a segurança

Cesar Maia, Prefeito do Rio de Janeiro, vive hoje o dilema sobre o tema principal de suas próximas campanhas eleitorais. Certamente já se decidiu pela tema "realização", aproveitando-se das obras que o Rio ganhou em função do Pan 2007. Mas ele não pode largar mão do tema "segurança", que é uma de suas marcas prediletas (bem lacerdista) e também porque está de olho nas pesquisas que apontam "segurança" como maior problema da cidade para mais de 50% dos cariocas. Ele também está antenado na vitória deste fim de semana de Mauricio Macri para Prefeito de Buenos Aires, com 60% dos votos válidos no 2º turno, concentrando sua campanha em lei e ordem. No seu Ex-Blog de hoje faz mais interessantes comentários sobre segurança:
CRIMINALIDADE NO RIO! TOTAL DE DELITOS E MORTES VIOLENTAS! 1. Este Ex-Blog tem insistido que a sensação de insegurança não está nas mortes violentas. Essas, somando os homicídios, latrocínios, agressões seguidas de morte, somam 3 mil ao ano, no Rio-Capital. Um número enorme, mas que representa 1% dos delitos cometidos no ano. Esses 99% é que constroem a percepção de violência e insegurança, claro, multiplicada pelas imagens rotineiras de mortes violentas. Ninguém aconselha a ninguém, a usar um colete a prova de bala quando vai a rua, mas, a não levar dinheiro, bolsa, celular, jóias, ou a cuidar dos mesmos.(Comentário fraco, esse que ele faz sobre "coletes". Ninguém aconselha usar coletes, mas todo mundo aconselha evitar certas ruas, certos horários, certas situações, para escapar de balas perdidas ou de assaltos mais violentos.) 2. Paradoxalmente quando se compara a criminalidade - excluídas as mortes violentas - do Rio com outras grandes cidades brasileiras, a posição se inverte, como nos casos de S. Paulo e Belo Horizonte, sendo que com esta última, mesmo as mortes violentas se equivalem ponderadas pela população (100 mil habitantes). 3. Em 2005 foram registrados 295.935 delitos no Rio-Capital. Em 2006 foram registrados 310.245. E nos primeiros meses de 2007 a tendência é de um aumento de 4 a 5% sobre 2006. 4. Usando 300 mil como parâmetro, estamos falando de 25 mil delitos por mês, ou uns 830 por dia ou 35 por hora. Como os delitos que não mortes violentas, se concentram durante o dia poderíamos, falar de 52 por hora num dia de 16 horas ou quase um por minuto. 5. Se ponderarmos o total dos delitos pela população -digamos por 10 mil habitantes- e usando a população do Rio-Capital de 6 milhões de habitantes quase fixa, temos em 2005 um total de 493 por 10 mil habitantes. Em 2006 tivemos 517, tendendo em 2007 para 540. 6. Duas recentes pesquisas de opinião em Buenos Aires-Capital mostraram que em torno de 65% dos portenhos respondem que segurança publica/violência é o maior eixo de problemas na cidade. Quando comparamos o numero de homicídios do Rio e de Buenos Aires por 100 mil habitantes, o Rio tem 40 por 100 mil e Buenos Aires tem 5 por cem mil. Uma enorme diferença. 7. Mas quando comparamos a soma total de delitos registrados, Buenos Aires em 2005 anotou 195.225 delitos, ou 703,2 por 10 mil habitantes. Isso explica porque a sensação de insegurança lá é igual ou maior do que a do Rio. As pesquisas sobre vitimização no Rio, Belo Horizonte e SP, mostram que a sensação de insegurança em BH e SP é maior que no Rio. A razão é a mesma: uma proporção de delitos que não mortes violentas, maior do que a do Rio. 8. Os números, todos eles, são trágicos, claro. Mas pelo menos nos ensinam que as polícias deveriam tratar os "demais delitos" como o ponto fulcral da percepção de insegurança e de violência. E ampliar em muito o patrulhamento nas ruas. E - quem sabe - passar às grandes cidades - por emenda constitucional - o patrulhamento e a repressão aos pequenos delitos ou "delitos de rua".

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Bom Dia, Brasil?

Hoje de manhã, minha filha de 6 anos fazia o dever de casa enquanto eu lia notícias na internet. Ao fundo, a TV ligada no Bom Dia Brasil. Minha filha começou a chorar e pediu para trocar o canal, porque estava com medo das notícias (na hora, passava a reportagem sobre a batalha no Morro do Alemão, Rio de Janeiro, Brasil). Atenção: as crianças já têm medo até do noticiário! Não é à toa que em pesquisa recente (feita 10 dias atrás, com 1.200 entrevistas, margem de erro de 2,8% para o índice de 50%), o item "segurança" aparece como preocupação espontânea de 53% da população da cidade do Rio de Janeiro. Ontem mesmo almocei com um amigo que dizia que seu sonho diário é sair do país por causa da violência. Vivemos um estado de urgência. E, por mais que a gente acredite nas boas intenções de nossos dirigentes, a verdade é que as políticas de seguranças ainda caminham a passos lentos.