Com a doença de Fidel, a administração Bush ficou toda assanhada, achando que teria chance de interferir nos destinos de Cuba, derrubando o Governo e colocando um de seus “aliados”. Os velhos comunistas sabem que grandes transformações capazes de mobilizar a população exigem a combinação de condições subjetivas (partido, organização) e condições objetivas. A esperança da administração Bush estava nas difíceis condições econômicas de Cuba, que poderiam levar o povo cubano a desejar uma volta ao mundo pré-Fidel. Alguns anos atrás, isso até que poderia ter fundamento. Na década de 90, com o fim do apoio da ex-União Soviética, Cuba mergulhou em uma crise profunda. Philip Peters, um expert em economia cubana do Lexington Institute de Virginia, Estados Unidos, disse que “Cuba já está longe da crise dos anos 90; se a economia cubana vai ou não sobreviver deixou de ser uma questão”. Os recursos naturais cubanos, como níquel, estão tendo recordes de venda. A exemplo do Brasil, o país está se preparando para transformar açúcar em etanol. E países como China, Canadá e Espanha estão querendo negociar tudo, além de investir em turismo e exploração petrolífera. Acima de tudo está o grande apoio da rica Venezuela de Hugo Chávez, que garante 100.000 barris de petróleo/dia a bons preços. E é isso que mais enlouquece o atual governo americano. Wayne Smith, ex-diplomata americano em Havana e membro sênior do Centro de Política Internacional de Washington, disse que “a Venezuela não está apenas dando ajuda, mas está formando uma aliança com Cuba – e isso está deixando o pessoal de Bush enlouquecido”. A Venezuela dá crédito, paga a mais de 20 mil médicos cubanos que ajudam os pobres venezuelanos e financia programas, como o Missão Milagre, que levam dezenas de milhares de latino-americanos para cirurgias dos olhos em Havana, injetando centenas de milhões de dólares na economia. Enquanto isso, os turistas, em números crescentes, ficam cada vez mais admirados com a experiência cubana, como demonstrou uma neozelandesa ao The New York Times: “A pobreza aqui não parece tão ruim. As crianças têm o que comer, vão à escola e têm assistência médica”. Bush não pode ouvir coisas assim..Acesse a reportagem no The New York Times.sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Com ajuda de Chávez, Fidel fez a economia cubana crescer 10% - e está deixando o pessoal de Bush alucinado
Com a doença de Fidel, a administração Bush ficou toda assanhada, achando que teria chance de interferir nos destinos de Cuba, derrubando o Governo e colocando um de seus “aliados”. Os velhos comunistas sabem que grandes transformações capazes de mobilizar a população exigem a combinação de condições subjetivas (partido, organização) e condições objetivas. A esperança da administração Bush estava nas difíceis condições econômicas de Cuba, que poderiam levar o povo cubano a desejar uma volta ao mundo pré-Fidel. Alguns anos atrás, isso até que poderia ter fundamento. Na década de 90, com o fim do apoio da ex-União Soviética, Cuba mergulhou em uma crise profunda. Philip Peters, um expert em economia cubana do Lexington Institute de Virginia, Estados Unidos, disse que “Cuba já está longe da crise dos anos 90; se a economia cubana vai ou não sobreviver deixou de ser uma questão”. Os recursos naturais cubanos, como níquel, estão tendo recordes de venda. A exemplo do Brasil, o país está se preparando para transformar açúcar em etanol. E países como China, Canadá e Espanha estão querendo negociar tudo, além de investir em turismo e exploração petrolífera. Acima de tudo está o grande apoio da rica Venezuela de Hugo Chávez, que garante 100.000 barris de petróleo/dia a bons preços. E é isso que mais enlouquece o atual governo americano. Wayne Smith, ex-diplomata americano em Havana e membro sênior do Centro de Política Internacional de Washington, disse que “a Venezuela não está apenas dando ajuda, mas está formando uma aliança com Cuba – e isso está deixando o pessoal de Bush enlouquecido”. A Venezuela dá crédito, paga a mais de 20 mil médicos cubanos que ajudam os pobres venezuelanos e financia programas, como o Missão Milagre, que levam dezenas de milhares de latino-americanos para cirurgias dos olhos em Havana, injetando centenas de milhões de dólares na economia. Enquanto isso, os turistas, em números crescentes, ficam cada vez mais admirados com a experiência cubana, como demonstrou uma neozelandesa ao The New York Times: “A pobreza aqui não parece tão ruim. As crianças têm o que comer, vão à escola e têm assistência médica”. Bush não pode ouvir coisas assim..Acesse a reportagem no The New York Times.quinta-feira, 3 de agosto de 2006
Cesar Maia, Serra, a máfia das ambulâncias e a Constituinte de 88
Quase que diariamente Cesar Maia procura atingir o ex-Ministro da Saúde Humberto Costa por causa de seu suposto envolvimento com o escândalo dos sanguessugas. “Sai Humberto Costa, sai logo antes que a saída seja com... quem sabe... algemas!” (sic), diz ele em seu ex-Blog. É natural que ele aja dessa forma por pelo menos 3 motivos: 1) é da natureza do Cesar Maia; 2) faz parte da campanha anti-Lula; 3) é o troco dado a Humberto Costa por causa da intervenção que ele comandou na saúde do Rio de Janeiro. Mas agora surge a acusação de que a Máfia das Ambulâncias (ou Máfia dos Sanguessusgas, como preferem alguns) teria se instalado a partir da administração de José Serra no Ministério da Saúde. Supostamente, Cesar Maia também teria que dizer: “Sai, José Serra, sai logo antes que a saída seja com... quem sabe... algemas !” Mas isso seria exigir de Cesar Maia uma coerência que ele jamais teve – não nesse nível. Sua coerência será sempre com os interesses políticos imediatos e, talvez, com o amigo Serra, de tantos anos. Os pedetistas históricos lembram que a proximidade entre os dois sempre foi contra os interesses do partido. Acusam Cesar Maia de ter se aliado a Serra, na Constituinte de 88, contra os interesses do PDT e do Estado do Rio de Janeiro. Se é verdade ou não, não posso dizer. Mas no texto de José Roberto Rodrigues Afonso, "Memória da Assembléia Constituinte de 1987/88: as finanças públicas", podemos encontrar esse trecho: “Os pronunciamentos durante as votações de matérias das finanças públicas evidenciam a atuação recorrente e, em geral, com posições semelhantes, de José Serra, José Jorge, César Maia e Fernando Henrique Cardoso, bem como, com menos freqüência, de Osmundo Rebouças, Firmo de Castro, José Luiz Maia, João Alves e Vilson de Souza.” Para ter o texto completo, clique aqui.
Assembléia Constituinte: Reforma Política Já!
A Reforma Política não é simplesmente um “jogo político”. É uma condição de sobrevivência daquilo que entendemos como democracia. Os recentes escândalos no meio político, o troca-troca de partidos, as traições e as baixarias envolvendo todos, a falta de credibilidade, o processo eleitoral desgastado, tudo leva a uma Reforma Política imediata para evitar o pior. O eleitor, o cidadão, a população inteira, ninguém agüenta mais essa situação. Todos exigem mudanças, querem um jeito novo de fazer política. E não adianta dizer que a Reforma Política pode ser feita por esse Congresso que está aí, porque é uma grande mentira. Com toda certeza, o Congresso legislaria em causa própria, e a mini-reforma eleitoral que acabou de ser feita, sem alterações significativas, deixa isso bem claro. A fidelidade partidária, por exemplo, poderia ser aprovada por quem se locupleta com o troca-troca de partidos? A Assembléia Constituinte Exclusiva e com a finalidade única de fazer a Reforma Política é necessária e toda a sociedade deve se mobilizar para isso. Nesse ponto, Lula foi muito ágil e pegou os adversários de surpresa. Alckmin, obviamente, foi contra a idéia sugerida por Lula, aparentando não saber direito do que estava falando. Heloisa Helena foi contra, sendo contra suas próprias idéias. É claro que ela sabe que a Assembléia Constituinte Exclusiva é a melhor proposta, mas por causa de sua metas eleitorais imediatas ela não pode dar o braço a torcer. Cresceu nas pesquisas com discurso de oposição e tem que continuar assim, mesmo que seja contraditória. Ela não percebe que o seu público será exatamente aquele que mais se mobilizará em defesa da proposta. Cristóvão Buarque foi mais sábio, ao defender a Assembléia Constituinte Exclusiva. Ele está fora do páreo imediato e percebeu que o eleitor dele pensa da mesma forma, é também quem vai se mobilizar no futuro. O importante é que a idéia está lançado. Cabe a todos nós transformá-la em realidade.
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
Fidel deveria ser tombado como patrimônio da humanidade
Os adversários não param de acusar Fidel de tirano, ditadorzinho latino-americano, carrasco do povo cubano, e por aí vai. A falta de renovação no comando do país é um fato, como também parece ser verdade que há presos políticos. Mas a maior parte do que se diz é pura invencionice. Eu mesmo já fui vítima dessas crendices anti-Fidel. Há 21 anos atrás, quando fui a passeio por uma semana, cheguei ao aeroporto de Havana cheio de receios. E fui logo tomado por um total sentimento de liberdade – sentimento que não tínhamos há mais de 20 anos aqui no Brasil. A aduana, para minha surpresa, nem ligou para minha bagagem (ao contrário do que tinha ocorrido no México), o oficial riu quando pedi para não carimbar meu passaporte (um temor, na época) e ainda ironizou: “Mas as coisas não acabaram de mudar por lá?” No hotel, a guia de turismo concluiu suas orientações dizendo: “Aqui vocês podem tudo – menos atentar contra a Revolução”. Conheci uma amiga de um amigo que estava indo para uma festa de casamento da filha da vizinha, e que me levou junto. O dono do prédio de 3 ou 4 andares em que elas moravam tinha fugido para Miami e os inquilinos tornaram-se proprietários dos apartamentos. Essa vizinha também se tornara proprietária, apesar de não ser ex-inquilina – tinha sido cozinheira do ex-proprietário. O tempo inteiro vi muita beleza, cordialidade e alegria. E percebi grande carinho por Fidel, principalmente entre jovens e crianças. Os adversários de Fidel devem ter suas razões e não quero entrar nessa velha discussão ideológica. Mas ele mudou a cara da América Latina. Foi o primeiro a peitar o poderio americano. Deu voz aos povos humilhados. A sua Revolução garantiu saúde, educação, alimentação e habitação. Problemas existem? Claro que existem. Mas estão longe de serem os problemas de miséria que temos aqui. É verdade que não há eleições diretas para presidente. Mas as eleições de parlamentares, que não são obrigatórias, têm quase 100% de comparecimento. Agora, chegando aos 80 anos de idade, quase 50 anos no poder, Fidel ficou doente e, pela primeira vez, foi temporariamente substituído por Raul Castro, Ministro da Defesa e seu irmão. Ele mesmo fez questão de assinar uma nota sobre seu estado de saúde. “Posso dizer que é uma situação estável, mas uma evolução real do estado de saúde necessita de tempo. O que posso dizer é que a situação se manterá estável durante muitos dias antes de poder dar um veredicto", diz a nota lida na TV cubana e reproduzida no site da BBC. "Eu não posso inventar notícias boas porque não seria ético e se as notícias forem más o único que vai tirar proveito é o inimigo. Na situação específica de Cuba, devido aos planos do Império, meu estado de saúde se transforma em um segredo de Estado que não pode ser divulgado constantemente e os compatriotas devem compreender isto." Sejamos francos, que outro líder, faria uma nota assim, substituindo o próprio médico, no seu impecável atestado de saúde?
Lucro de banco decepciona. Não é o Itaú, é na Suíça…
O lucro líquido do Credit Suisse, o banco de investimentos suíço, mais que dobrou neste segundo trimestre sobre o mesmo período do ano passado, indo para 2,16 bilhões de francos suíços (quase 4 bilhões de reais). As expectativas eram maiores, por isso a notícia decepcionou o mercado. Enquanto isso, aqui no Brasil, o Itaú bate recorde de lucro líquido no primeiro semestre, crescendo 19,5% sobre o mesmo período do ano passado, atingindo a estonteante cifra de quase 3 bilhões de reais. Não é aqui que os banqueiros lucram mais, com a maior taxa de juros do mundo? Li errado? Alguém quer me explicar?
terça-feira, 1 de agosto de 2006
Israel não vai parar o massacre
Neste fim de semana assisti à discussão de duas pessoas sobre a “guerra” do Oriente Médio. Uma dizia que era um absurdo, Israel não podia fazer isso. A outra concordava, mas discordava, alegando que Israel tinha o direito de defender sua terra, reagir ao seqüestro de seus dois soldados. Pensei que as duas tinham razão, mas que não existe razão na guerra. Pensei melhor e concluí que existe razão, sim. Não é possível que o mundo inteiro se mobilize, milhares de mortes aconteçam, milhões de dólares sejam consumidos sem alguma razão por trás de tudo isso. Se não é razão pura, deve ser uma razão de novo tipo. Encontrei esse excelente artigo de Alexander Cockburn, na newsletter americana CounterPunch, publicado também em The Nation, “O triunfo do realismo maluco”, em que ele fala do pensamento estratégico das “legiões de carniceiros de Bush, Rice e Israel”. Em tom indignado, Cockburn procura demonstrar que o seqüestro dos soldados israelenses foi apenas o pretexto que estava se procurando há algum tempo. Segundo ele, o massacre do Líbano estava sendo planejado há pelo menos um ano. E ele ainda vai mais longe: em 2001 o Pentágono já teria a lista de 7 países para atacar, dentro de uma planejada campanha de 5 anos: Iraque, Síria, Líbano, Líbia, Irã, Somália e Sudão. Tudo isso faria parte do pensamento estratégico descrito por C. Wright Mills (sociólogo americano) no seu livro The Causes of World War Three, em 1958 (mesmo ano em que Eisenhower enviou seus marines para o Líbano...), como sendo “the crackpot realism” (algo como “realismo maluco”). Seria uma mistura de retórica moralista com oportunismo, no meio de medos e demandas difusos. Para os crackpot realists, a guerra resolve muitos problemas. No lugar do medo desconhecido, da ansiedade sem fim, eles preferem a simplificação da catástrofe conhecida. Eles acreditam que vencer significa alguma coisa – embora nunca digam o quê. Cockburn lembra que as “legiões carniceiras de Israel” estão apenas reciclando a maluquice de “extirpar a semente terrorista”, como fizeram em 1982 e quando o crackpot realist supremo, Henry Kissinger, anunciou a carnificina da época como sendo um “revigorante começo”. Como a gente pode ver, existem muitas razões para a guerra, por mais malucas que elas possam parecer. Vale a pena ler o artigo completo de Alexander Cockburn (onde ele também fala que 98% dos congressistas americanos são comprados!). É interessante também o artigo de Molly Moore, no site do The International Institute for Strategic Studies que mostra como o conflito atual voltou a separar americanos e europeus.
segunda-feira, 31 de julho de 2006
Nada justifica os massacres. Nem os dos nazistas, nem esses do Oriente Médio, nem qualquer outro. O ser humano deixa de ser.Leia o texto 'How can we stand by and allow this to go on?', de Robert Fisk, do The Independent. A Folha traduziu (Como podemos permitir que isso continue? )
O debate do ano: Cesar Maia versus Cesar Maia
Quase que diariamente, Cesar Maia exige que Lula compareça aos debates eleitorais. Cesar faz tudo para que Lula não repita Fernando Henrique, que não compareceu. No seu Ex-Blog deste domingo, 30, Cesar Maia insistiu “A CADEIRA VAZIA, E OS CANDIDATOS CHAMANDO A ATENÇAO PARA ISSO. AS TVS TEM QUE GARANTIR A CADEIRA VAZIA E MOSTRÁ-LA SEMPRE QUE TRATAR DE TODOS OS CANDIDATOS.” (sic) Ele cita Plinio Fraga, na Folha, que escreve “por piores que sejam, os debates permitem contrastes, comparações explícitas entre qualidades, currículos, propostas”. Esse é o Cesar Maia PRÓ-DEBATE. Agora vamos a outubro de 98 conhecer outro Cesar Maia, o Cesar Maia ANTI-DEBATE. Naquele ano, concorrendo contra Garotinho (já no final do 2º turno e perdendo, segundo as pesquisas), Cesar Maia desistiu de debater e deu estranhas explicações. Disse que sua candidatura estaria crescendo e o debate atrapalharia a arrancada final. Disse que queria dar ao eleitor uma oportunidade de conhecer melhor as idéias do seu adversário. E ainda chegou a dizer que tirou sua inspiração para não comparecer ao debate de “três grandes comandantes: almirante Nelson, Rommel e Napoleão”. Lembro que na época escrevi que ele, na verdade, estaria se inspirando em um dos seus autores de cabeceira, Thomas M. Holbrook (“O Efeito dos Debates”), que escreveu que na época dos debates “a maioria das pessoas já está com uma decisão tomada e as informações são abundantes e, por isso, menos valiosas.” Escreveu também que os debates “podem tanto prejudicar como contribuir para o destino político dos candidatos”. Eu particularmente creio que os debates valem mais pelas versões do dia seguinte do que por eles em si. A percepção negativa de um cacoete pode valer mais do que um excelente programa de governo. Isso vale para qualquer debate, de qualquer político, em qualquer época. O Cesar Maia marketeiro também acha isso. Mas o Cesar Maia político avalia os debates de acordo com suas conveniências. O certo é que no debate Cesar x Cesar o eleitor não consegue enxergar um vencedor...
Como votar certo?
Tenho participado toda quarta-feira, mais ou menos às 14,30h, dentro do programa “Amigas Invisíveis”, da Rede Globo, de 10 minutos de entrevistas sobre eleições. E uma das perguntas que mais se repetem é: “Como posso saber se um político está ou não está mentindo? Como faço para eleger o Deputado certo?” A primeira resposta que me vem à cabeça é o uso do detetor de mentira, mas acho que não é bem o caso. Acho até que as pessoas, infelizmente, não estão atrás de verdades. Primeiro, porque elas nem sabem o que faz um deputado ou um senador ou um vereador. Segundo, porque elas querem votar em alguém que prometa resolver os seus problemas imediatos, uma calçada, um rede de vôlei, um emprego, um asfalto. As carências são tão grandes que o primeiro que fizer uma boa promessa leva o voto – mesmo que ele não tenha a menor condição de cumprir a promessa. Todo ano é a mesma coisa: as pessoas dizem que querem um político honesto, verdadeiro, e acabam votando na base do “me engana que eu gosto”. Nas eleições deste ano, em função da grande profusão de escândalos, as cobranças por um voto certo parecem ser maiores e estão causando dificuldades aos políticos, honestos ou não. Ontem mesmo, conversei sobre o assunto com o Pastor Manoel Ferreira (fiz a sua primeira campanha política, em 2002, quando ele teve o surpreendente resultado de 1.782.219 votos para Senador no Rio de Janeiro). Ele agora é candidato a Deputado Federal e, em uma panfletagem em Rio das Ostras (RJ), foi cobrado pelo grande número de evangélicos envolvidos nos escândalos recentes. Ele teve grande trabalho para explicar que os políticos não são – nem os evangélicos, nem os católicos, nem os mulçumanos, nem os judeus, etc – todos iguais . Outro dia também assisti o candidato a Presidente pelo PSDC (não tenho certeza) relatando rindo as chacotas que tem que suportar no corpo-a-corpo. É o efeito mensalão/sanguessuga tornando mais espinhosa a vida dos candidatos. Mas não creio que efeito tenha força suficiente para aumentar significativamente o percentual de votos não-válidos – o que é bom. O que é ruim é que o eleitorado certamente continuará elegendo um grande número de parlamentares despreparados e provavelmente mal-intencionados para o cargo. Enquanto não houver maior conscientização da população e não houver reforma política, será mais fácil votar errado.
sábado, 29 de julho de 2006
Caos no sistema financeiro do Iraque: quem rouba quem?
Acusação séria contra o Ibope: a amostra estaria sendo alterada para desfavorecer Lula!
As finanças de Alckmin deixaram de ser Kapaz

sexta-feira, 28 de julho de 2006
Hugo Chávez interpreta Chaplin
Ninguém poderia imaginar que, 70 anos depois, Chaplin ainda teria tanto sucesso de bilheteria quanto o que está tendo agora – pelo menos na Venezuela de Hugo Chávez... O filme “Tempos Modernos”, obra prima em preto e branco de Charles Chaplin, passou a circular em fábricas e reuniões de trabalhadores venezuelanos, tendo sido apresentado em mais de 1.000 locais diferentes, desde janeiro. Chávez quer mostrar com ele os males do capitalismo e procura orientar os trabalhadores a lutar por seus direitos contra a exploração dos patrões. Tem tudo a ver. “Tempos Modernos”, último filme mudo de Charles Chaplin, é de 1936 e é produto da crise de 29 que abalou o capitalismo americano, com 17 milhões de desempregados e outros milhões passando fome. Através do seu personagem, “Carlitos”, líder grevista, Chaplin critica a modernidade e o capitalismo “representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias subversivas". Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter, na Itália de Mussolini e na América macartista por ser considerado "socialista". O grande empresariado venezuelano está protestando contra mais essa “travessura chavizta”. Mas o grande capital americano também não deve ter gostado inicialmente do plano de Franklin Roosevelt, o “New Deal”, um plano lançado para tirar o país da crise causada pelo modelo econômico liberal fracassado. O "New Deal" significava forte intervenção do Estado – mas ajudou a salvar o capitalismo... Leia reportagem de Andrew Buncombe, no The Independent.
quinta-feira, 27 de julho de 2006
PCC: de São Paulo para o mundo!
É incrível, mas a violência e a organização que o PCC implantou em São Paulo ganhou reconhecimento internacional. É isso que podemos concluir a partir dessa notícia na Folha: “Ações do PCC esvaziam torneio internacional de policiais em SP”. O 17º "International Police and Fire Games" (Jogos Internacionais de Polícia e Bombeiros), evento que está sendo realizado em São Paulo, foi esvaziado graças à repercussão negativa do PCC. Dos 40 países inscritos, 25 desistiram! Meu Deus, depois do fracasso na Copa 2006, só faltava a gente ganhar fama internacional por causa do PCC paulista!
Vai ter ou não vai ter 2º turno?
Todo o trabalho de futurologia eleitoral no momento é sobre se vai ou não haver 2º turno na disputa presidencial. Se fosse hoje, Lula venceria no 1º turno. Mas o que indicam as pesquisas? Os mais afoitos e o Cesar Maia interpretam as pesquisas como indicando 2º turno. Na sua boa coluna de hoje, no jornal O Globo, Tereza Cruvinel tenta abrir caminho nessa adivinhação. Erra no começo, quando diz que a “tendência declinante dos índices eleitorais do presidente e o crescimento de seus concorrentes apontam para o segundo turno”. Mas ela não viu o histórico das pesquisas. Lula já esteve melhor, mas já esteve pior. Heloisa Helena, idem. Alckmin cresceu após a exposição na mídia. Caíram, de fato, os “outros candidatos” e os “brancos, nulos e indecisos”. Ela cita Montenegro, do Ibope, que está corretíssimo quando avalia que a decisão deve ficar para os últimos dias. O que eles não falam é que a decisão está nos “indecisos”, e isso tende a favorecer Lula. Os “indecisos”, em princípio, estão contra todos, aguardando para decidir se votam em alguém ou se desistem de votar. Se eles forem distribuídos proporcionalmente, isso favorece quem está na frente. Se eles decidirem “salvar” o voto, farão o voto útil pró-Lula, que está na frente. Eles só tenderão para outro, se ficarem convencidos de que Lula está fazendo um péssimo governo (o que não parece ser o caso, segundo as pesquisas). Ou então se acontecer uma hecatombe anti-Lula...
Heloisa Garotinho x Geraldo Maia: o duelo do Rio
Garotinho e Cesar Maia ficaram de fora da disputa presidencial e até da disputa para Governador. Esse é um fato incontestável, embora os dois façam tudo para se manter em evidência dentro do processo eleitoral. Garotinho ficou de fora da disputa direta para presidente e das alianças também. No Estado, o seu partido, PMDB, não lançou o candidato que ele certamente sonharia. Só lhe resta, como ele afirma, fazer campanha no Interior. Cesar Maia não teve, no seu campo, os candidatos que desejava para Presidente nem para Governador do Rio. Procura se manter nacionalmente como “conselheiro” da campanha de Alckmin, sem grande sucesso. Na campanha estadual, apoiou Denise Frossard, não para disputar de verdade, mas, sim, para garantir seu eleitorado em eleições futuras. Garotinho e Cesar Maia procuram se manter vivos, também, através da disputa entre os dois. E acabam de arranjar um pequeno espaço para isso: a disputa pelo segundo lugar entre Heloisa Helena e Alckmin no eleitorado fluminenses. Garotinho apóia a senadora psolista e Cesar apóia o candidato pessedebista. No momento, Garotinho leva vantagem. Mas a verdade é que os dois estão perdendo...
Todo apoio a Cesar Maia: o comercial da MTV é uma vergonha.
O Ex-Blog de Cesar Maia desta quinta-feira faz um protesto contra um comercial que estaria sendo veiculado pela MTV. Quero concordar com ele. O comercial transmite toda a indignação que existe no momento contra os absurdos políticos, atribuídos tanto ao governo quanto à oposição. Até aí, digamos, tudo bem. Mas o comercial conclui pessimamente, praticando um desserviço ao país, principalmente aos jovens. Propõe que a população se prepare para a campanha eleitoral com “ovos e tomates”. Essa atitude não ajuda a melhorar a nossa política. Ao contrário, só serve para perpetuar os maus exemplos. Aos invés de propor total alienação, a MTV poderia usar seu tempo para maior esclarecimento, mais conscientização para os jovens. O Ex-Blog de César Maia disponibiliza o comercial através do YouTube.
quarta-feira, 26 de julho de 2006
IBOPE: vitória no primeiro turno para Lula, Sergio Cabral, Serra e Roseana
Pesquisa não erra. Desde que ela seja bem feita e com honestidade. Mas a pesquisa precisa ser bem analisada e divulgada corretamente. Veja o caso dessa última pesquisa Globo-Ibope. Os erros começaram com a boataria pré-divulgação oficial. Até o Alckmin, preterido no Maranhão, comemorava um resultado favorável a segundo turno. Doce ilusão. A nova pesquisa foi ainda mais desfavorável a ele do que a pesquisa Datafolha da semana passada. Evidentemente, depois dos resultados oficiais, o PSDB tentou valorizar o crescimento de Alckmin – que não ocorreu agora, e sim lá atrás, com a sua exposição na mídia – contra a derrota ainda no 1º turno. O PSDB e Cesar Maia estão certos agindo assim. O leitor e o eleitor é que devem estar espertos contra manipulação dos números. É verdade que esse uso indiscriminado dos números fica mais fácil onde as diferenças não são muito grandes. Em estados como Minas, São Paulo e Maranhão, com diferenças muito grandes, fica mais difícil para os “analistas” e “divulgadores”. No Rio de Janeiro (Sergio Cabral 39%, Crivella 17%, Denise Frossard 8%, Eduardo Paes 2%, Vladimir 1%, Milton Temer 1% e Lupi 1%), também começa a se consolidar a vitória de Sergio Cabral ainda no 1º turno. Se for verdadeira a pesquisa do mesmo Ibope divulgada por Cesar Maia (a pesquisa é pra valer? foi registrada? o T.R.E. sabe dela? quando teremos resposta?), Sergio Cabral pulou de 31% para 39% em apenas uma semana. Crescimento de mais de 25% em apenas 7 dias! Em Minas, Aécio disparou tanto, que está tirando o emprego dos analistas de pesquisa. Em São Paulo (José Serra 46%, Mercadante 13%, Quercia 9%, Carlos Apolinário 2%, Plinio Arruda 1%), o quadro não deverá ter grande alterações. No Maranhão (Roseana 60%, Jackson Lago 22%, Edson Vidigal 5%), os números indicam a mesma coisa – e indicam mais, que o clã Sarney ainda é suficientemente poderoso para manter sob controle os seus ex-apadrinhados, Edson Vidigal e o atual governador, José Reinaldo. Voltando à pesquisa nacional, ela mostra: 1) se a eleição fosse agora, Lula venceria no 1º turno; 2) agora que os adversários de Lula tiveram a sua super-exposição, a tendência é de consolidação dos números; 3) com o horário eleitoral e o retorno à exposição de Lula na mídia, pode aumentar a diferença a favor de Lula. Obviamente, nada disso exclui a possibilidade de 2º turno. O resto é manipulação de analista-militante...
O Talibã paga mais.
As forças Talibãs, que lutam contra o governo Afegão apoiado pelos Estados Unidos, têm dois grandes apelos para conquistar mais soldados. O primeiro é o Corão. Eles são fundamentalistas, mais rigorosos, portanto, com o escrito islâmico – uma força a mais na conquista dos corações afegãos. O segundo apelo, que atinge principalmente a mente, está no bolso – os talibãs pagam 3 vezes mais. Enquanto o Exército Nacional Afegão paga 4 dólares por dia para seus soldados, os Talibãs estão pagando 12 dólares! De onde vem o dinheiro? Certamente de países árabes; talvez do Paquistão; e provavelmente do comércio de papoula, fonte de ópio e heroína, como acusam alguns oficiais do governo Afegão. O fato é que o número de soldados do Talibã tem aumentado bem mais do que as forças do governo (que ainda é pelo menos 3 vezes maior). Sem dúvida, essa “engenharia” financeira dos Talibãs tem sido a melhor forma de se conquistar corações... e mentes. Leia reportagem no Financial Times.
terça-feira, 25 de julho de 2006
Pesquisa Ibope: blog versus blog
O Blog do Noblat, sem dúvida, é um dos mais importantes da mídia internáutica. Altamente rankeado, bem informado, bem estruturado, com suporte do Estadão, e sempre atualizado, em cima da hora. Nesta terça-feira, 25/07, às 15:39h, ele noticiou o que parecia ser um grande furo de reportagem: a publicação da pesquisa do Ibope que a Rede Globo só iria divulgar no Jornal Nacional. Alckmin estaria comemorando os números, que já apontavam para segundo turno na eleição presidencial. Os números estavam erradíssimos. A pesquisa Globo-Ibope divulgada no horário habitual mostrou uma diferença a favor de Lula ainda maior do que os números Datafolha da semana passada. Mas a notícia era tão forte que outros blogs logo se referiram a ela, mas, pecado maior, sem citar a fonte, o Blog do Noblat. Foi o suficiente para Ricardo Noblat se irritar e acusar os outros blogs de bobos, despreparados para o mundo dos blogs. Briguinhas... Essa “barriga” do experiente Noblat só fez confirmar minha convicção: não acredito em números do Ibope divulgados antes da Globo nem que o próprio Montenegro venha pessoalmente me contar. A propósito: depois de ler o Blog do Noblat, procurei minhas fontes que disseram que os números estavam errados. Nem tentei saber quais eram os “verdadeiros”...
Com o fracasso de Doha, trocaram vidas por bananas – ou melhor deram banana...
O fracasso de Doha pode agradar a quem torce contra a política externa de Lula. Mas a verdade é que significa acima de tudo um desalento para as populações pobres de todo o mundo. Abro espaço aqui para uma análise feita por Hayle Melim Gadelha, que acaba de ter nota 10 em sua monografia sobre o tema para a Faculdade de Administração da UFRJ.
"O liberalismo pouco mudou desde Adam Smith. No discurso, em forma de leis supostamente naturais, promete o impossível: a pujança econômica a todos aqueles que o seguirem. Tratados desiguais, já no século XVIII, possibilitavam à Inglaterra conquistar o mundo e servir de vitrine para sua doutrina de livre concorrência. Na prática, o liberalismo também não mudou – continua inexistente. No mesmo século XVIII, a Inglaterra já proibia a exportação de máquinas e até de técnicos; as Lei dos Cereais e as chamadas Leis dos Pobres serviriam para – vejam só – proteger os altos investimentos feitos no campo durante o bloqueio napoleônico. A história repete-se. O Acordo Constitutivo da OMC e a Declaração de Doha ressaltam a distribuição dos benefícios advindos do liberalismo. Mas os países ricos, que, graças à proteção de suas técnicas mais avançadas, já têm larga vantagem nas relações de troca, não se dispuseram sequer a concorrer livremente com os produtos primários. Pelo menos, no tempo de David Ricardo, trocavam-se panos por vinho. Hoje, não. Gasta-se a escandalosa quantia de 1 trilhão de dólares anuais em subsídios. O fracasso da rodada cujo apelido era Rodada do Desenvolvimento é emblemático.
Se o Brasil quiser um lugar na ordem internacional, está claro que não deve esperar nada do modelo atual. Exercitando o otimismo: se o Brasil e seus parceiros não tivessem fundado o G-20, a maior conquista da política externa de Lula e Amorim, as decisões continuariam tomadas pelo QUAD (EUA, Canadá, EU e Japão) e Doha poderia ter sido um sucesso... para os países ricos. E, como provavelmente teria ocorrido há poucos anos, o Brasil ainda participaria da foto, comemorando um suposto triunfo do (neo?)liberalismo. Fica nítido, portanto, que o caminho agora é uma política de Estado que priorize a integração regional e faça parcerias comerciais com outros grandes estados em desenvolvimento. Na política comercial, como já disse um diplomata brasileiro “há muito mais do que batatas e bananas em jogo. Há a vida das pessoas.”. E como se nota, nenhum país nunca se tornou poderoso nem melhorou a vida das pessoas praticando de fato o liberalismo."
A política externa americana pode naufragar no petróleo
Desde 1973, quando explodiu a primeira grande crise, o petróleo transformou-se em arma estratégica nas mãos das grandes corporações do setor, dos bancos e dos países produtores. Se você é empresa ou banco e quer aumentar os lucros, pode pagar alguém para iniciar um conflito. Se você produz petróleo e quer aumentar a arrecadação, pode ameaçar o mundo com um boicote. O resultado é instantâneo – o preço do petróleo sobe assustadoramente. Para se ter uma idéia, o petróleo estava a 27 dólares o barril no início do conflito com o Iraque; estava a 65 dólares no início do programa nuclear iraniano; e chegou a quase 80 dólares com o conflito no Líbano. Até agora, essa escalada do preço sempre foi bem recebida (e, quem sabe, estimulada) pelas grandes empresas americanas que dominam o mercado petrolífero. É muito provável que isso tenha estado por trás das peripécias da política externa americana. Mas agora o feitiço pode virar contra o feiticeiro. Primeiro, porque nações “não-aliadas” também estão se fortalecendo com isso. É o caso da Rússia, que está recuperando o poder perdido graças ao fortalecimento de suas reservas energéticas. E é também o caso do Irã. Segundo o Cambridge Energy Research Associate, cada aumento de 5 dólares preço do barril contribui com 85 milhões de dólares semanais nas contas do Irã! Ou seja: mais dinheiro para enfrentar Bush e apoiar o Hesbolá. Há ainda o caso da Venezuela, com o petróleo dando força a Chávez para confrontar Bush dentro do que antes seria o seu quintal. Como se tudo isso fosse pouco, existe ainda a opinião pública americana, cada vez mais preocupada com o preço do combustível – mais preocupada até do que com as mortes que se espalham pelo mundo. “Estamos vendo uma mudança radical em como países como a Rússia, o Irã e a Venezuela (pelo lado dos produtores) e a China e a Índia (pelo lado dos consumidores) podem fazer o mercado mundial interferir na política externa”, declarou Carlos Pascual, um antigo top-auxiliar da Secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e agora diretor de estudos de política externa do Brooking Institution. Por incrível que pareça, o mesmo petróleo que provocou tanta guerra pode ajudar a trazer alguma paz. Leia mais no jornal The New York Times.
Pirataria internáutica: Cesar Maia mente quando diz que pensou com o fígado.
Este Blog noticiou a invasão do cadastro de e-mails de Cesar Maia, assim que recebeu o e-mail pirata. Também criticamos essa forma de fazer política. O pior são boatos que vêm depois: tem gente dizendo que “é coisa do Zé Dirceu”, tem gente dizendo que “é coisa do próprio Cesar Maia”. Qualquer que seja a origem, é de mau gosto. Mas gostaria de comentar o conteúdo de um e-mail divulgado clandestinamente e supostamente feito por Cesar Maia para seu filho, Rodrigo Maia. Diz ele: “É um jogo delicado. Mas penso com meu fígado. Aceito tudo. Menos o Eduardo (Paes) ganhar da gente. Mesmo que em quarto lugar. Isso seria pavimentar o caminho dele à prefeitura”. A pergunta que faço é seguinte: onde entra o fígado nesse texto? Cesar Maia, um dos principais estrategistas políticas, costuma se atrapalhar – e muito – por trocar o cérebro pelo fígado. Mas esse não é o caso. O que vemos é um Cesar Maia acuado e sem espaço na disputa governamental tentando se garantir para as eleições municipais de 2008. Os planos que ele têm para a sucessão municipal não passam, evidentemente, por Eduardo Paes – seu ex-apadrinhado, que se mudou para o PSDB e é o principal adversário dentro do seu campo político. Cesar Maia, usando o cérebro como nunca, preferiu apoiar a candidata Denise Frossard, do PPS, apesar de considerá-la fraca para essa eleição de governador. Mas Denise Frossard é que melhor serve a Cesar Maia para proteger o seu eleitorado (conservador, classe média, Zona Sul do Rio) contra investidas de outros campos políticos – principalmente de Sergio Cabral. Portanto, podemos concluir que Cesar Maia pode ter mentido para o próprio filho. Leia mais no Jornal do Brasil.
segunda-feira, 24 de julho de 2006
Aviso aos navegantes: a pirataria está em alta!
A baixaria pré-eleitoral cada vez mais invade o território internáutico. Depois do site Pero Vaz, atribuído a Cesar Maia, cheio de gracinhas e de denúncias pesadas, agora veio o troco: apossaram-se do ex~Blog de Cesar Maia. Os destinatários de seus e-mails diários (muitas vezes com informações muito boas) foram informados, através dessa nova forma de pirataria, de barbaridades administrativas atribuídas ao atual prefeito do Rio. Cesar Maia respondeu, com novos e-mails, e insinua que não se tratam de "piratas" e, sim, de "corsários" (piratas oficiais) que o estão atacando. Mas afinal qual dos lados não é corsário, nessa baixaria política? É uma guerrinha que não faz bem à democracia, não faz bem a ninguém. Tomara que essas naus de insensatos afundem de vez.
A difícil tarefa de conviver com “aliados”
Nesse domingo, o candidato Sergio Cabral ao governo do Rio classificou a política de segurança de seus “aliados”, Rosinha e Anthony Garotinho, de burra. O candidato Eduardo Paes teve de engolir em seco e aceitar que o candidato à presidência, Geraldo Alckmin, pelo seu partido (PSDB) participasse do palanque da adversária Denise Frossard. A mesma Denise Frossard, por sua vez, teve que engolir as investidas de seu “aliado” Alckmin em busca do apoio do arquiinimigo Garotinho e, muito pior, teve que admirar o “aliado” vestindo camisa (veja na foto do Informe do Dia) com o símbolo de Castor – o famoso bicheiro que ela, que é juíza, condenou (e ganhou reputação por isso). Vladimir Palmeira, candidato a governador pelo PT, nem compareceu a recente ato em que o candidato do seu partido à presidência, Lula, fez no estado, acompanhado pelo adversário Marcelo Crivella, candidato ao governo pelo PRB. Nos outros estados é a mesma coisa. Em Minas, Aécio (PSDB) é visto como aliado de Lula (PT), não de Alckmin. Em São Paulo, da mesma forma, Serra (PSDB) e Alckmin não se afinam, e o “aliado” Cláudio Lembo (PFL) não se alia com ninguém. A pergunta que não quer calar: pra que aliado, então? O problema está em nosso sistema partidário, inteiramente burro. Os partidos são fracos, mal estruturados, funcionam muito mais como um complô. As pessoas acabam votando em pessoas, não em idéias. É por isso que os programas de governo nunca vão adiante – eles são feitos para partidos, não para pessoas. E pior de tudo é que não há solução à vista. Dificilmente esse Congresso será capaz de votar uma reforma política que vá contra os interesses pessoais de deputados e senadores. Depois que se elege, todo parlamentar se julga acima dos partidos e das idéias que supostamente o elegeram. Os resultados mais óbvios são as falsas alianças, os problemas de governabilidade, os escândalos de corrupção. A reforma política, com fortalecimento dos partidos, certamente é a tarefa mais importante que deve exigir a sociedade civil. Ou sociedade se alia em torno disso, ou vai ter que conviver eternamente com esses aliados.
Tsunami iraquiano: 3.149 mortes de civis somente no mês de junho!
Depois da invasão americana, o Iraque vive um Tsunami por mês, é o que se pode concluir do primeiro relatório da ONU. Pior: se no mês de junho a média era de 100 mortes por dia, calcula-se que a média já esteja atingindo a 150 por dia. As mortes no Iraque não ocorrem apenas pelas bombas e combates que saem nas manchetes do mundo inteiro. A invasão americana levou à degradação da sociedade, uma verdadeira desconstrução de uma nação. Segundo o relatório da ONU, o stress acumulado da violência está levando à dissoluçao da sociedade. “Ninguém está seguro”, diz a reportagem de Patrick Cockburn, da CounterPunch. “Um treinador e dois jogadores foram mortos em Bagdá porque usavam shorts. Milicianos ameaçam homossexuais... Diferenças sectárias estão por trás da maioria das mortes. Os assassinatos são sempre praticados pelas próprias forças de segurança...” É esse clima tsunâmico que queremos para o mundo? Foi isso que o Governo Bush vislumbrou quando inventou aquela história de armas biológicas de Sadam? É isso que prometem para o Líbano e a Palestina? E o Afeganistão? Alguém precisa fazer uma intervenão na Casa Branca e salvar os Estados Unidos. Assim, talvez, a gente consiga salvar o mundo. (Leia a reportagem completa da newsletter americana CounterPunch)
Em vez de caçar os votos de Heloisa Helena, Lula e Alckmin devem caçar os votos indecisos.
Depois que alcançou os 10% no Datafolha e se transformou em musa de Ipanema, Heloisa Helena virou alvo dos marqueteiros de Lula e Alckmin. Mas as coisas não são como eles pensam, na base dos paparicos aos eleitores já conquistados por Heloisa Helena. Lula tem que pensar assim: Heloisa Helena está crescendo em cima dos indecisos e, se ela crescer, vai ter 2º turno – por isso devo conquistar os indecisos antes dela.Alckmin deve pensar assim: o crescimento de Heloisa Helena leva ao segundo turno, mas pode ameaçar meu 2º lugar – por isso devo conquistar os indecisos antes dela. Mas não é tão simples. Os indecisos estão indo para Heloisa Helena porque são “jovens”, “de classe média”, “das regiões Sul e Sudeste”, “conservadores” e estão deslumbrados com o discurso ético da psolista. Tanto Lula quanto Alckmin devem adotar discurso semelhante. Mas a vantagem é de Alckmin, que tem perfil de eleitor mais próximo de Heloisa Helena. O resto é chover no molhado.
domingo, 23 de julho de 2006
ABSURDOS DO FIM DE SEMANA
Fim de semana é bom para ficar em casa, ir ao cinema, ir à praia, mandar as crianças para a casa dos amigos, fazer tudo que é gostoso e relaxante. Por que é que a gente insiste em ler jornal, ver TV, ouvir rádio? Por causa disso, selecionei 4 absurdos dos que povoaram meu fim de semana. Leia e acrescente os seus.
• Estados Unidos dão mais uma semana para Israel avançar, antes de exigir cessar fogo (será?)!!!
• Morreu Guarnieri (e Raul Cortez também, dias antes)!!!
• A esquerda da esquerda busca apoio de Garotinho!!!
• Alckmin em escola de samba com símbolo de bicheiro... e com apoio da juíza Denise Frossard
• O Presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial - Etco, Emerson Kapaz, foi apontado como um dos envolvidos nos escândalos dos sanguessugas!!!
sábado, 22 de julho de 2006
Pesquisa Rio: vitória tranqüila de Lula e Sergio Cabral
A pesquisa encomendada pelo jornal O Dia ao Instituto Informa, e divulgada hoje, confirma mais ou menos o que o Datafolha já tinha divulgado. Mas tem umas novidades. Como já pressentira este Blog, a candidata Denise Frossard (PPS-PFL) não está tão em queda como mostrou o Datafolha. E a candidata Heloisa Helena (PSOL) reflete ainda mais o “cheiro das ruas” cariocas, com 17% das intenções de votos. Essa pesquisa do Informa, como teve 2.000 entrevistas, tem margem de erro menor, e aponta para possível vitória folgada de Sergio Cabral, para Governador do Rio, e de Lula, para Presidente. No Datafolha, deu Sergio Cabral 41%, Crivella 20% e Denise Frossard 9%. No Informa, deu Sergio Cabral 42, Crivella 21 e Denise Frossard 13%. A grande diferença entre os institutos, no entanto, está na pesquisa para Senador. Aos contrário de outros, o Informa coloca Dornelles em 1º (26%), Ronaldo Cezar em segundo (16%) e Jandira em terceiro (15%). Aguarda-se, com ansiedade, os números do Ibope, que devem ser divulgados na próxima semana. Acesse O Dia para mais informações.
Que bicho deu no Alckmin?
O Informe do Dia estampa uma foto do candidato Geraldo Alckmin em visita à Escola de Samba Mocidade independente de Padre Miguel. Até aí, tudo bem. Se o príncipe Charles já fez trapalhada na Beija Flor, por que o nosso chuchu não poderia fazer em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio? Mas ele exagerou. Além de se atrapalhar nos dois palanques (um com a candidata do PPS-PFL a Governadora do Rio, juíza Denise Frossard; outro do candidato a Governado pelo PSDB, Eduardo Paes), Alkmin inventou de usar uma camisa da Mocidade. Seria até bela jogada, se a camisa não tivesse a ilustração de um casrtor - homenagem a Castor de Andrade, o superbicheiro carioca, que já morreu e que certa vez foi preso... adivinha por quem? Isso mesmo, pela candidata-juíza Denise Frossard!!! Acesse aqui para ver a foto de "Chuchu à la Castor"...
Assinar:
Postagens (Atom)