sexta-feira, 28 de julho de 2006

Hugo Chávez interpreta Chaplin

Hugo Chávez e Carlitos, Google Ninguém poderia imaginar que, 70 anos depois, Chaplin ainda teria tanto sucesso de bilheteria quanto o que está tendo agora – pelo menos na Venezuela de Hugo Chávez... O filme “Tempos Modernos”, obra prima em preto e branco de Charles Chaplin, passou a circular em fábricas e reuniões de trabalhadores venezuelanos, tendo sido apresentado em mais de 1.000 locais diferentes, desde janeiro. Chávez quer mostrar com ele os males do capitalismo e procura orientar os trabalhadores a lutar por seus direitos contra a exploração dos patrões. Tem tudo a ver. “Tempos Modernos”, último filme mudo de Charles Chaplin, é de 1936 e é produto da crise de 29 que abalou o capitalismo americano, com 17 milhões de desempregados e outros milhões passando fome. Através do seu personagem, “Carlitos”, líder grevista, Chaplin critica a modernidade e o capitalismo “representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias subversivas". Chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter, na Itália de Mussolini e na América macartista por ser considerado "socialista". O grande empresariado venezuelano está protestando contra mais essa “travessura chavizta”. Mas o grande capital americano também não deve ter gostado inicialmente do plano de Franklin Roosevelt, o “New Deal”, um plano lançado para tirar o país da crise causada pelo modelo econômico liberal fracassado. O "New Deal" significava forte intervenção do Estado – mas ajudou a salvar o capitalismo... Leia reportagem de Andrew Buncombe, no The Independent.