Mostrando postagens com marcador Acordo Brasil-Irã. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Acordo Brasil-Irã. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de junho de 2010

Fernando Henrique parece que veio de outro mundo


Muito bom de ler – para melhor conhecer – esse artigo que Fernando Henrique publicou hoje no Globo, “Política externa responsável”. Logo no primeiro parágrafo encontramos termos como “basófias” e “bordão” que dão a certeza de que se trata de documento de outra época somente agora revelado.
Avançando na leitura, encontramos o relato óbvio de que nossa diplomacia sempre defendeu os valores democráticos, a busca pela paz entre as nações, sua igualdade jurídica e nossos interesses econômicos.
Em seguida, o texto parece procurar se justificar com o Terceiro Mundo – que sempre foi o nosso mundo – ao dizer que “não nos distanciamos do que então se chamava de Terceiro Mundo. Se não nos juntamos propriamente ao grupo dos ‘não alinhados’, dele sempre estivemos próximos”.
Depois, um trecho que parece inexplicável: “nunca nos solidarizamos com o grito de “delenda Israel”, nem com as afrontas de negação do Holocausto”. Fernando Henrique pretende com isso acusar o Governo Lula de fazer algo que nunca fez. E a partir daí percebemos que se trata de um texto vindo de outra época, carregado de ego, que (apesar de citar atitudes soberanas e óbvias tomadas pelo Brasil no Governo passado) veio ao nosso mundo defender algo inteiramente superado que é o atrelamento incondicional do Brasil aos interesses americanos.
A questão central é o sucesso e a projeção do Brasil na elaboração do Acordo Nuclear de Teerã. Fernando Henrique, por vaidade e por ideologia, não aceita o acordo e se apresenta descalço lado a lado com Hillary Clinton. Ele – que além de Presidente foi Ministro das Relações Exteriores – parece querer dar aulas ao peão Lula dizendo que “o xis da questão (...) seria a obtenção pelo Brasil e pela Turquia de garantias mais efetivas de que tal (a fabricação da bomba no Irã) não acontecerá”. Esquece (como fez Hillary) que a garantia que Brasil e Turquia obtiveram foi a mesma exigida por toda a comunidade internacional. Além disso, é impossível garantia total e o melhor que se pode fazer – como deixam claro todos os analistas – é tentar recuperar a confiança entre as partes. O Governo Hillary Clinton não está interessado nisso. Exige que o Irã tire os sapatos e se “agache”. Coisa que não exige de Israel, que nem mesmo assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
Ao final, analisando bem o alfarrábio produzido por Fernando Henrique, podemos concluir que o sucesso de Lula – seja na política internacional, seja na política interna e principalmente no processo eleitoral – parece que lhe faz doer os calos. E em política, como ele mesmo diz, “così è (se vi pare)”.
Política externa responsável
A despeito das bazófias presidenciais que, vez por outra, voltam ao bordão de que “hoje não nos agachamos mais” perante o mundo, se há setor no qual o Brasil ganhou credibilidade e, portanto, o respeito internacional, foi o das relações exteriores. Elas sempre foram orientadas por valores e estiveram intransigentemente fincadas no terreno do interesse nacional. A demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado, que desrespeita os fatos e mesmo a dignidade do país.
Com exceção dos flertes com o totalitarismo europeu durante o Estado Novo, sempre nos orientamos pela defesa dos valores democráticos, pela busca da paz entre as nações, por sua igualdade jurídica e pela defesa de nossos interesses econômicos. Com toda a dificuldade do período da Guerra Fria — quando os governos militares se opuseram ao mundo soviético e a seus aliados —, não nos distanciamos do que então se chamava de Terceiro Mundo. Se não nos juntamos propriamente ao grupo dos “não alinhados”, dele sempre estivemos próximos. Terminada a Guerra Fria, restabelecemos relações com os países do campo socialista, Cuba e China à frente, voltamos a estar mais ativamente presentes na África, apoiamos o Conselho de Segurança nos conflitos entre Israel e a Palestina, sustentamos a posição favorável à criação de “dois Estados” e o respeito às fronteiras de 1967, e nunca nos solidarizamos com o grito de “delenda Israel”, nem com as afrontas de negação do Holocausto.
Seguindo esta mesma linha, assinamos o Tratado de Não Proliferação de Armas Atômicas (TNP), com ressalvas quanto à manutenção dos arsenais pelos “Grandes”, fomos críticos das invasões unilaterais no Iraque e só aceitamos a intervenção no Afeganistão graças à supervisão das ações bélicas pela ONU. A reação ao unilateralismo foi tanta que, em discurso na Assembleia Nacional da França, cheguei a aludir à similitude entre o unilateralismo e o terrorismo, provocando certo malestar em Washington. Procedemos de igual modo na defesa de nossos interesses como país em desenvolvimento. No dia em que se publicarem as cartas que dirigi aos chefes de Estado do G-7, ver-seaacute; que predicávamos desde então maior regulação financeira no plano global e maior controle do FMI e do Banco M u n d i a l p e l o s p a í s e s emergentes. Reivindicamos nossos direitos comerciais na OMC, a começar pelo caso do algodão, e, no caso das patentes farmacêuticas, defendemos vitoriosamente em Doha o ponto de vista de que a vida conta mais que o lucro.
Todas estas políticas tiveram desdobramentos positivos no atual governo.
Temos, portanto, credenciais de sobra para exercer uma ação mais efetiva na condução dos negócios do mundo. A hegemonia norte-americana vem diminuindo pelo fortalecimento econômico dos Brics (metáfora que abrange não só os quatro países, mas vários novos atores econômicos), especialmente da China, pela presença da União Europeia, e também vem sendo minada pelas rebeliões do mundo árabe e muçulmano, como o próprio governo Obama reconhece. É natural, portanto, que o Brasil insista em sentar à mesa dos tomadores de decisões globais. Sendo assim, por que a celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro? Há duas ordens distintas de questões para explicar o porquê de tanto barulho. A primeira é a falta de clareza entre a ação empreendida e os valores fundamentais que orientam nossa política externa. A segunda é a forma um tanto retórica e pretensiosa que ela vem assumindo.
Quanto ao primeiro ponto, como compatibilizar o repúdio às armas nucleares com a autonomia decisória dos povos? Esta abrange inclusive o direito ao conhecimento de novas tecnologias, mesmo as “duais”, que tanto podem ser usadas para a paz como para a guerra. Em nosso caso, conseguimos, por exemplo, dominar a técnica de foguetes propulsores de satélites (e quem lança satélite pode lançar mísseis). Ninguém desconfia, entretanto, de que a utilizaremos para a guerra, até porque obedecemos às regras do acordo internacional que regula a matéria. Do mesmo modo, dominamos o ciclo completo de enriquecimento do urânio. Mas não cabem dúvidas de que não estamos fazendo a bomba atômica, não só porque nossa Constituição proíbe, mas porque inexistem ameaças externas e porque submetemos o enriquecimento do urânio (guardado o sigilo da tecnologia usada) ao duplo controle de um tratado de fiscalização recíproca com a Argentina e da Agência Internacional de Energia Atômica.
É precisamente isso que falta no caso do Irã: a confiabilidade internacional nos propósitos pacíficos do domínio da tecnologia.
E é isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida, ao reafirmar que a quantidade de urânio já disponível, mesmo descontada a quantidade a ser remetida para enriquecimento no exterior, permitiria a fabricação da bomba. O xis da questão, portanto, seria a obtenção pelo Brasil e pela Turquia de garantias mais efetivas de que tal não acontecerá.
Deixando de lado as alegações recíprocas sobre se houve o estímulo americano à ação intermediadora (que, para quem quer ter uma posição independente na política externa, é de somenos), uma ação eficaz para evitar o confronto e as sanções — posição coerente com nossa tradição negociadora — deveria buscar desfazer a sensação da maioria da comunidade internacional de que o governo iraniano está ganhando tempo para seguir em seus propósitos nucleares.
Neste ponto, a retórica dos atores brasileiros parece ter falhado.
O levantar de mãos de Ahmadinejad e Lula, à moda futebolística, e as declarações presunçosas do presidente brasileiro passando a impressão de que havíamos dado um drible nas “grandes potências”, digno de Copa do Mundo, reforçaram a sensação de que estaríamos (no que não creio) nos bandeando para o “outro lado”. E em política internacional, mais do que em geral, così è (se vi pare).

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O jornal russo Pravda fez o oposto do que nossa mídia faz: rasgou-se em elogios ao Brasil de Lula


Com o título de “Brasil: o gigante desperta” (na versão em inglês “Brazil: the giant awakens”), o russo Pravda publicou nessa quinta um artigo destacando as grandes conquistas econômicas, sociais e diplomáticas do Brasil de Lula. “Apesar de seus imensos recursos naturais, de seu amplo mercado interno e um sólido sistema de educação pública, esse colosso latino americano patinava em um mar de má gestão e incompetência – até que chegou Lula”, diz o texto de Timothy Bancroft-Hinchey.
O artigo fala da dívida com o FMI de 30 bilhões de dólares herdada de Fernando Henrique e que foi quitada bem antes do vencimento. Fala que o Brasil é a locomotiva da economia latinoamericana, que tornou-se personagem-chave no mundo diplomático e que tem influência crescente em vários mercados globais. Fala também do PAC, da nova classe média, da Copa 2014, da Rio 2016, e da contribuição de Lula por um mundo multipolar, valorizando o BRIC e o G20. Destaca que estão sendo criadas as condições para que a economia brasileira supere (até 2036) as da Itália, da France e do Reino Unido. Ah, sim, e fala do sucesso brasileiro no acordo de Teerã.
Quem poderia imaginar que um dia seria preciso ler jornal russo para termos boas notícias sobre o Brasil...

domingo, 30 de maio de 2010

Primeiro-Ministro da Turquia:"Se os outros podem, por que o Irã não?"


Bem boa essa entrevista do Primeiro-Ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para Renata Malkes, do Globo:

O GLOBO: Apesar do acordo, novas sanções ao Irã são cada vez mais iminentes. Qual o próximo passo de Brasil e Turquia para evitá-las? RECEP TAYYIP ERDOGAN: Não há clareza agora. Ainda.
Quando a situação estiver mais clara, vamos decidir o próximo passo. Se o acordo for respeitado pelo Irã, nós, que colocamos nossos nomes, nossas assinaturas naquele documento, não vamos voltar atrás enquanto o Irã se mantiver fiel a esse acordo. O Irã provou ser membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), signatário do TNP e cumpriu o que se esperava nesse projeto de troca de urânio.
Por isso, a comunidade internacional deve nos apoiar
O GLOBO: Um dos pontos criticados pelos membros do Conselho de Segurança é o fato de o Irã poder seguir enriquecendo urânio. Por que isso não foi discutido?
ERDOGAN: O enriquecimento de urânio para fins civis pode ser feito no Irã e no resto do mundo. Muitos países enriquecem urânio. Por que estamos tão incomodados? Se outros países podem, por que não o Irã? Vamos falar de justiça e não de injustiça. Se você pressiona o Irã assim, nunca terá resultado algum! Há duas semanas, assinei um acordo com a Rússia para a criar uma usina nuclear na Turquia e vou começar a enriquecer urânio no futuro. E aí dirão à Turquia “não, vocês não podem enriquecer urânio”? Eu vou dizer que é para produzir energia.
Você pode enriquecer e eu não? Isso é inaceitável! A quantidade, sim, essa pode ser discutida.
O GLOBO: Também não houve acordo para permitir novas inspeções da AIEA no Irã . Por quê?
ERDOGAN: Há órgãos competentes, a AIEA, da qual o Irã é membro, além de signatário do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Se as organizações internacionais querem inspecionar mais, saber mais, que sigam em frente e investiguem! Se não houver apenas uma usina nuclear, mas uma fábrica de bombas atômicas, então isso pode ser denunciado ao resto do mundo. Mas, isso nunca aconteceu até agora. Não podemos temer uma coisa que não existe.
Nos últimos meses, a imprensa internacional está sendo manipulada contra o favor que nós estamos fazendo. Está sendo atiçada diante de nossa boa vontade. Com o tempo, essa ventania passa e as coisas vão parecer mais positivas. Eu e o presidente Lula sabíamos que falariam contra. Mas, fomos decididos.
O GLOBO: No ano passado, o Irã omitiu a existência de uma usina secreta, em Qom. Diante desse histórico de desconfiança, pode-se confiar no presidente Ahmadinejad?
ERDOGAN: A AIEA não pode criticar as usinas iranianas ou classificá-las como fábricas de armas. A AIEA só fala de possibilidades.
Vamos nos ater aos fatos e não às possibilidades.
A comunidade internacional teme que essas instalações se transformem em fábricas de armas, mas não vejo assim.
Falo a verdade. Claro que considero essa possibilidade, mas não a uso para julgar pessoas.
Se não estamos falando da lei dos supremos, mas da supremacia da lei, temos que falar disso claramente. Os países alegam que haverá armas nucleares no Irã... E há a possibilidade de inocência... Então, vamos provar essas alegações! Enquanto essas alegações não forem provadas, não podemos culpar ninguém. Estamos de mãos dadas com Lula e Ahmadinejad e demos um passo adiante.
O GLOBO: Há uma tentativa de grandes potências impedirem o acesso de emergentes às questões diplomáticas internacionais?
ERDOGAN: Claro! Era função do Conselho de Segurança das Nações Unidas! E os membros permanentes são muito ativos, mas não foram efetivos. Não puderam dar passos concretos para resolver a questão. Não puderam sequer conversar com o Irã. A posição foi “ah, vocês vão falar com o Irã? Tragam-nos alguma conclusão”.
Foi o que nos disseram! O Brasil resolveu um problema significativo.
O Brasil e a Turquia podem resolver problemas no Irã.
E não podemos deixar de questionar: como os membros permanentes não podem resolvê-los? Deveriam ser capazes, mas cometem um grande erro; eles têm que mudar mentalidade e estratégia.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos: Obama e o resto do mundo


Alguma coisa razoavelmente boa Obama precisava voltar a anunciar em sua política externa. Nos últimos tempos só se via o rancor de Hillary Clinton dominando a cena, e Obama encolhido. A questão do Irã é o melhor exemplo, com a turma de Hillary forçando Obama a voltar atrás na palavra que deu a Lula (há quem acredite até que ele teria estimulado a divulgação de sua carta, para enfraquecer Hillary – será?). Stephen Walt, professor de relações internacionais de Harvard, chegou a declarar, em artigo para Foreign Policy, que não "compreende quem está realmente dirigindo a política dos EUA para o Irã", que "não faz qualquer sentido", pois se sabe que as sanções não teriam efeito. O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, já se declarou favorável ao Acordo Brasil-Turquia-Irã e mesmo o Governo Russo, que andava mais pra lá do que pra cá, depois que levou um pito de Ahmadinejad, resolveu também apoiar o Acordo.
Com o anúncio da Estratégia de Segurança Nacional Obama parece retomar as rédeas. Afasta-se profundamente da política Bush, ao dizer que nenhum país pode encarar desafios mundiais sozinho e ao tratar o combate ao terrorismo como "apenas um elemento", que não pode definir a relação dos EUA com o mundo. Eleva o déficit público ao status de ameaça e reconhece que o poder global está cada vez mais difuso. Obama reconhece também, através do assessor Ben Rhodes, a importância de “ceder mais poder ao G-20, que inclui potências emergentes como China, Índia e Brasil”. Isso mostra que Obama Presidente começa a se aproximar do Obama Candidato. E começam a surgir sinais de que o mundo – que tinha trocado o bipolarismo da Guerra Fria por uma espécie de uni/oligopolarismo – dá os primeiros passos mais ousados, mais próximos de um multipolarismo mais amplo (algo além da simples seleção de alguns parceiros predispostos a apoiar o líder).

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Questão iraniana: afinal, qual Obama é melhor para o mundo? Vote.


O site americano de linha progressista Daily Kos fez excelente reportagem sobre a questão iraniana, “U.S. Media Censors U.S. Support of Iran Fuel Swap” (mais ou menos, “Mídia americana censura apoio americano ao acordo iraniano”). No texto o Daily Kos critica em primeiro lugar toda a mídia por não fazer qualquer referência à carta de Obama a Lula favorável aos termos do Acordo com o Irã. Depois critica a guinada de 180 graus feita pela atual administração, tentando inclusive encobrir seus passos anteriores, com a cumplicidade da mídia. E finalmente critica o Obama de hoje comparado com o Obama da campanha eleitoral, quando a proposta para a política internacional era diametralmente oposta à praticada atualmente. O Daily Kos faz uma enquete sobre como deve ser Obama na questão iraniana (o de agora ou o da campanha?) e ainda apresenta um vídeo com diversos trechos do então candidato, quando propunha “uma diplomacia verdadeira, direta e sólida” (real, direct and sustained diplomacy with Iran). Na visão do candidato Obama, “países fortes, presidentes fortes, dialogam com seus adversários”.
Na enquete do site, com poucos votantes, o placar de hoje pela manhã era de 89% a favor do “candidato Obama” contra o "Presidente Obama”.
 (Clique na imagem para ampliar)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ex-Diretor Geral da AIEA e Nobel da Paz apoia acordo Brasil-Turquia-Irã



Cada vez mais, o acordo promovido pela diplomacia brasileira, que trouxe a possibilidade de um entendimento mundial na questão nuclear iraniana, ganha reconhecimento positivo em todas as esferas da política internacional.
Um apoio importantíssimo acaba de ser divulgado através de entrevista feita pelo Canal France 24 com Mohamed El Baradei, ex- Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU e ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005. Ele inclusive fala de 50% de transferência do urânio iraniano como muito positivo, ao contrário das alegações americanas, que agora exigiriam um mínimo de 70%.
“Acho que é um acordo muito bom. Sempre disse que o único meio de resolver a questão iraniana é pela construção da confiança. Transferir 50% ou mais dá a medida de confiança necessária para neutralizar a crise e dar aos Estados Unidos e o Ocidente espaço para negociação”, declarou Baradei.
Hoje a coluna “Toda Mídia”, além dessa notícia, tem outras sobre o tema:
  • Cita a declaração da ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright ao canal C-Span de que "estamos vendo um mundo muito diferente", em que "outros países tentam mostrar que têm um papel a interpretar. O Brasil claramente tem".
  • Em análise, a CNN avaliou que o país expõe "a crescente insatisfação com a ordem mundial datada e injusta".
  • O canadense "Globe and Mail", em coluna, disse que Brasil e Turquia estão "redesenhando as linhas que dividem as nações do mundo" e cobrou o Canadá por ficar para trás nesta "corrida ao centro".
  • O "Guardian" revela a primeira prova da bomba atômica israelense, publicando documentos sul-africanos de 1975, com a oferta feita por Israel para venda de armas nucleares ao regime do apartheid.
Todos esses fatos revelam o acerto da diplomacia brasileira (apesar das ofensas intermináveis que recebe da oposição fernandohenriqueana). Devemos destacar ainda a carta enviada por Obama a Lula, apoiando a iniciativa brasileira. Por que os Estados Unidos voltaram atrás? Qual a disputa interna que está por trás disso tudo? Qual o verdadeiro papel de Hillary Clinton na Secretaria de Estado? Quem divulgou a carta – terá sido o próprio Obama?
São questões vitais para nosso mundo – e que a Oposição parece desconhecer.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O mapa da hipocrisia

(Para ampliar, clique na imagem.
Para acessar o mapa interativo, com informações
mais amplas e detalhadas, clique aqui.)

Olhe bem para esse mapa mostrando o número de ogivas nucleares contabilizadas no mundo e em que países se encontram. Observe quantas ogivas possuem Rússia e Estados Unidos – 9.267 ao todo! Olhe bem para Índia (75 ogivas), Paquistão (15) e Israel (200!) e note que esses países cercam o Irã – que tem... nenhuma ogiva. Agora responda: o que foi que os Estados Unidos fizeram para que esses países não tivessem armas nucleares? Nada. Ao contrário, até apoiam. Assim como apoiaram a iniciativa do Irã para construir suas usinas nucleares... quando aquele país ainda era dominado pelo Xá Reza Pahlevi, ditador imposto pelos Aliados após a Segunda Guerra e que contava com irrestrito apoio americano.
É a mesma hipocrisia que vemos na relação com a América Latina, quando fazem de conta que ajudam a combater o narcotráfico, mas fecham os olhos para a venda ilegal de armas de combate para as organizações criminosas. Na entrevista que deu a El País, no fim de semana, o Presidente do México, Felipe Calderón, declarou: “desde 2004, quando desapareceu nos EUA a proibição da venda de armas de assalto, cresceu de maneira importante o poder bélico dos cartéis. O que leva a um maior poder de confronto com outros cartéis e com as autoridades. Nós apreendemos em três anos cerca de 75 mil armas, das quais mais de 40 mil são rifles de assalto, cerca de 5 mil granadas, 8 milhões de cartuchos, lança-mísseis, um arsenal capaz de armar um exército”.
A França, além de ter 300 ogivas, tem em mais de 100 usinas nucleares a sua principal fonte de energia – mas o Irã não pode construir uma única. Os Estados Unidos fecham os olhos para as ogivas israelenses, mas não admitem o acordo Brasil-Turquia-Irã, considerado um passo corajoso em direção à paz.
Talvez eles simplesmente não queiram a paz. Porque todos sabemos que a paz jamais será conquistada à base da hipocrisia ou de propostas desonestas. E talvez seja por isso que o jornal inglês The Guardian tenha saudado Turquia, Brasil e também o Japão por estarem assumindo “o papel de negociador honesto abandonado por Inglaterra, França e Alemanha". Só a diplomacia hillaryana e a “diplomacia” tucana são incapazes de ver isso.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Diplomacia brasileira expõe a arrogância e o despreparo da diplomacia Hillary


O que o Brasil fez com o acordo nuclear do Irã foi um verdadeiro gol de placa. E isso nem mesmo nossa Oposição pode negar. É verdade que Fernando Henrique andou fazendo gracinha, declarando que era preciso aguardar para ver se o juiz vai ou não vai validar o gol. Coisa de pessoa rancorosa, que se corroi de ciúme. O mundo de hoje não pode mais curvar-se automaticamente às “verdades” das grandes potências. Não dá mais para engolir coisas do tipo “armas de destruição em massa no poder do Iraque” da era Bush. O mundo inteiro fica mais perigoso depois que eles lançam uma “verdade” assim.
O Brasil, como emergente de peso, teve que se posicionar na questão do Irã e fez mais do que isso – apresentou um trabalho brilhante, positivíssimo e reconhecido internacionalmente. Pegou Hillary Clinton de calça curta, mas isso é problema dela. Sem alternativa diplomática (coisa que nunca precisaram ter), os Estados Unidos estão apelando para a ignorância, achando que ainda podem resolver tudo na base do porrete. Estão apenas se mostrando derrotados, quando poderiam muito bem apoiarem a atitude brasileira e se mostrarem igualmente vitoriosos com a defesa da paz no mundo – que é o que todos desejam. Ainda há tempo de voltar atrás – mas será que sabem fazer isso?
Leiam a entrevista que saiu no Globo de hoje, feita por Fernando Eichenberg  com Flyn Leverett, diretor do Projeto Irã da New America Foundation, ex-responsável pelo Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, ex-analista da CIA e professor da Universidade da Pensilvânia. Leverett acredita que Washington entrou em um “jogo arriscado” e vê como crucial a atitude da China para determinar o futuro da aplicação de sanções.

'Os EUA nunca tiveram controle'
O GLOBO: Como o senhor avalia o acordo costurado por Brasil e Turquia com o governo iraniano?
FLYN LEVERETT: Brasil e Turquia são potências em ascensão e assumem significativa influência numa importante questão de paz e segurança internacional.
Mostraram de forma polida, mas clara, que Washington não tem controle unilateral na discussão do programa nuclear iraniano. Isso põe Obama numa posição difícil.
De um lado, os EUA não querem ser vistos dizendo “não” a progressos diplomáticos. Por outro, pararam na posição de George W. Bush sobre o enriquecimento e não querem ser vistos como se tivessem que se render.
O GLOBO: A secretária Hillary Clinton insiste em sanções econômicas...
LEVERETT: Essa abordagem vai se voltar contra o governo. A China pode concordar com o esboço de resolução, mas não acredito que vá concordar com que ela seja rapidamente adotada. Os chineses dirão que é preciso dar uma chance a esse acordo. A secretária Clinton está apostando num jogo bastante arriscado.
O GLOBO: Como vê as posições de China e Rússia nesse novo contexto?
LEVERETT: Acredito que China e Rússia concordaram com o que seria a linguagem do texto de uma nova resolução. A única ação concreta disso tudo é que o esboço aceito pelos membros permanentes do Conselho de Segurança agora será apresentado aos demais dez integrantes, incluindo Brasil e Turquia. A secretária Clinton está sob pressão, porque é como se o governo Obama tivesse perdido o controle da situação e que Brasil e Turquia passaram a liderar a via diplomática.
O GLOBO: Para os EUA, o acordo é insuficiente e não responde questões da comunidade internacional.
LEVERETT: O que governo americano está dizendo é um tanto desonesto. Verdade que, segundo as resoluções do conselho, o Irã deve suspender todo o enriquecimento de urânio. Mas desde as negociações de outubro isso não foi mais colocado. É uma mudança de posição que pode ser vista como sinal de desespero. Os EUA nunca tiveram controle unilateral na discussão das sanções. O governo insistiu em mostrar mais controle do que realmente tem, e está pagando um preço por isso.
O GLOBO: O senhor não acredita na votação de sanções em curto prazo?
LEVERETT: O próximo passo será a reação ao esboço da resolução.
Será crucial acompanhar a posição da China. Os chineses concordaram com o esboço, mas será preciso ver o que farão quando o texto for colocado realmente em votação. Realisticamente falando, a resolução não entrará no calendário de votações antes de junho, na melhor das hipóteses.

Flagrante da diplomacia americana


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã: "vitória da diplomacia brasileira cala a boca dos EUA"

O acordo assinado pelo Irã nesta segunda-feira em torno de seu programa nuclear foi uma vitória da diplomacia brasileira e uma resposta aos Estados Unidos, na avaliação do analista iraniano Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã.
"Apesar das dificuldades em conseguir o acordo, o presidente Lula arriscou sua fama internacional para conseguir intermediar uma proposta que trouxesse o governo iraniano de volta à mesa de negociações", disse Marandi à BBC Brasil.
Para o analista, o Brasil responde às críticas de outros países ocidentais, como os EUA e seus aliados, que não acreditavam que Lula e seu corpo diplomático pudessem fazer algo diferente do que já havia sido tentado.
"Lula calou a boca dos EUA e da secretária de Estado (dos EUA), Hillary Clinton, que mais de uma vez menosprezou os esforços turcos e brasileiros."
Para Marandi o Brasil teve o maior crédito, pois a Turquia não estava com o mesmo grau de otimismo em relação a um possível acordo.
"O mérito foi do Brasil, pois o país arriscou sua reputação e sofreu as maiores críticas ao se aproximar do Irã. E ainda conseguiu dar mais ânimo aos turcos em acreditar na possibilidade de se chegar a um acordo", enfatizou ele.
Proposta. O porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Ramin Mehmanparast, disse que o país vai enviar 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de combustível para um reator nuclear a ser usado em pesquisas médicas em Teerã.
O entendimento anunciado nesta segunda-feira e assinado em frente a jornalistas em Teerã tem como base a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU), do final do ano passado, que previa o enriquecimento do urânio iraniano em outro país em níveis que possibilitariam sua utilização para uso civil, não militar.
Marandi salientou que ainda precisam ser conhecidos detalhes do acordo, como, por exemplo, a questão de como se dará a supervisão do transporte do urânio à Turquia e o papel da AIEA em colocar observadores.
"Sem contar que o grupo dos EUA e aliados que pressionavam por mais sanções devem ratificar o acordo para que tenha maior peso."
Israel. Poucos minutos após o anúncio do acordo, Israel criticou o Irã, afirmando que Teerã está "manipulando" o Brasil e a Turquia.
Os dois países, potências não-nucleares e membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU, querem evitar as sanções.
Alguns integrantes do Conselho – principalmente os Estados Unidos - desconfiam das intenções do programa nuclear iraniano.
O Irã afirma que ele tem fins pacíficos, e que o país não pretende desenvolver armas nucleares.
Para o professor Mohammad Marandi, a vitória turca e brasileira se deu também à visão do Irã de que estes dois países são mais confiáveis que os outros do Conselho de Segurança da ONU.
"O acordo assinado hoje aconteceu porque o governo iraniano enxerga no Brasil e Turquia como dois países amigos."
Reportagem de Tariq Saleh, BBC

Acordo com Irã: a imagem abaixo é sugestão para o porta-retrato de Hillary Clinton



A todos que não acreditavam na diplomacia brasileira, que trataram Lula como ingênuo e até riram, como o diretor da Newsweek, Fareed Zakaria (quando perguntado se o Brasil poderia "assumir um papel sério na questão nuclear iraniana"), a todos os tucanos rancorosos e a todos os que têm complexo de vira-lata, dedico o noticiário de hoje. Claro que ainda teremos aqueles que tentarão minimizar o feito - para esses, compeensão, porque já perderam o bonde da História.
  • Leia a reportagem no Tehran Times. 
  • Trecho da entrevista de Fareed Zakaria, feita por Renata Malkes, publicada ontem no Globo: "O Brasil pode assumir um papel sério na questão nuclear iraniana ou no Oriente Médio? ZAKARIA: (risos) A resposta curta para sua pergunta é... não! (risos)"    

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Acordo Brasil-Estados Unidos-Irã


Os Estados Unidos sabem que não há como impedir o avanço do Irã no campo da energia nuclear. O Irã não é Iraque, portanto não dá para resolver a questão na base dos velhos "marines" de mãos dadas com os "Tony boys". Nem dá para investir muito nas sanções da ONU, de eficácia relativa, já que China e Rússia não permitirão unanimidade no Conselho de Segurança apoiando sanções mais rigorosas.
O que os Estados Unidos querem, acima de tudo, é garantia de paz e bons negócios na região (para poderem se dedicar ao Afeganistão). Para isso, procuram ter certeza absoluta de que o Irã não produzirá arma nuclear. Uma das formas de controle seria que o enriquecimento de urânio iraniano fosse feito através de outro país. Claro que China e Rússia não seriam confiáveis. Por razões opostas, Japão (que já se ofereceu) também não. O Brasil se encaixa feito luva no papel. O Brasil tem permissão da AIEA para enriquecimento de urânio a 20%, é um dos países a dominar a técnica, com tecnologia própria, e tem interesse no acordo – por questões comerciais e estratégicas. É natural que Israel chie um pouco, mas todos sabem que, hoje, o acordo via Brasil é a melhor solução. A mídia oposicionista também não aceita, chia sem parar. Mas é apenas uma mídia boba... (Embora não concorde inteiramente com seu teor, sugiro a leitura da coluna de Merval Pereira, publicada hoje no Globo, que reproduzo no post abaixo)

Merval Pereira fala sobre acordo Brasil-Irã


Merval Pereira

O Gabinete de Segurança Institucional, subordinado diretamente à Presidência da República, começou uma série de consultas a órgãos ligados ao programa nuclear brasileiro para receber informações sobre que pontos poderiam servir de base para um eventual acordo com o Irã, a ser assinado na próxima visita do presidente Lula àquele país, em maio.
Se confirmado, esse acordo será mais um passo do governo brasileiro no sentido de blindar o governo iraniano, que vem sendo pressionado para submeter seu programa nuclear, que alegadamente existe para fins pacífico mas tem partes clandestinas, à supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica.
O anúncio de que o país já estaria enriquecendo urânio a 20%, o que o torna potencialmente capaz de atingir os níveis necessários para a fabricação da bomba atômica, não foi suficiente para que o governo brasileiro participasse da pressão internacional, insistindo em que está conversando com o Irã para tentar uma saída negociada.
Mas o apoio ao governo de Ahmadinejad retira o Irã do isolamento internacional.
A aceitação de um fato consumado como o enriquecimento de urânio a 20% é explicada nos bastidores pelas autoridades brasileiras como sendo uma posição de autodefesa.
O Brasil já tem permissão de enriquecer urânio a até 20%. Aparentemente, o governo brasileiro não dá relevância ao fato de que o país tem autorização negociada com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para esse nível de enriquecimento, enquanto o Irã está fazendo de maneira clandestina.
Nas instalações de Aramar, em São Paulo, se utiliza uma centrífuga especial para enriquecimento de urânio, que o governo brasileiro protege por ser uma técnica pioneira.
Desenvolvida pela Marinha, é chamada de “levitação magnética”, realizada em uma centrífuga fabricada com tecnologia nacional, que tem velocidade e produtividade maiores.
A inspeção internacional é feita através de amostragem, sem que os inspetores possam ver a centrífuga. É lá em São Paulo que será construído um reator de propulsão naval para o submarino nuclear, mas dificilmente o enriquecimento chegará ao limite de 20%.
Deverá ficar entre 7% e 10%, sendo que os estudos ainda estão em processo.
Em Resende, uma fábrica semi-industrial que deve produzir o urânio necessário para o funcionamento das três usinas nucleares de Angra, o nível de enriquecimento pode chegar a 5%, mas o prazo de licenciamento está chegando ao fim e terá que ser renegociado com a AIEA nos próximos meses.
Também em maio há a reunião internacional para a revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP), e a posição brasileira é de não assinar o protocolo adicional que está proposto.
Ele prevê inspeção sobre toda a área, e não apenas pontual, o que vai além das salvaguardas atuais, que são meramente contábeis: um inspetor da AIEA, em visitas sem aviso prévio, conta o urânio que entrou, e depois o que foi enriquecido, e sabe exatamente qual foi o grau de enriquecimento que houve.
O argumento brasileiro é que as salvaguardas existentes hoje são suficientes para estabelecer se o urânio está ou não sendo usado para fins pacíficos. Além do mais, temos dois regimes de salvaguardas, um com a Argentina e outro com a AIEA.
Há também uma proposta de um banco internacional de urânio enriquecido que seria usado por países com questões tão distintas quanto Brasil e Irã, o que não é aceito pelo governo brasileiro.
O fato é que o Brasil, além de ter assinado o TNP, incluiu na Constituição de 1988 a proibição de fabricação e uso de armas nucleares, e o governo, com toda razão, considera que essas evidências, e mais as inspeções contábeis, são suficientes para garantir que o programa brasileiro tem fins exclusivamente pacíficos.
Poucos países dominam a técnica de enriquecer urânio — EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Holanda e Inglaterra —, e o Brasil está entre eles. Além do mais, temos hoje a sexta reserva de urânio do mundo com apenas 30% do solo brasileiro pesquisado. A potencialidade é de termos a segundo maior reser va de urânio em poucos anos, só atrás da Austrália.
O problema é que, depois da descoberta do programa nuclear secreto do Irã, a AIEA passou a ser mais rigorosa, exigindo que os países abram cada vez mais seus programas nucleares, especialmente instalações de enriquecimento nuclear com potencial de produzir material utilizável em artefatos nucleares.
Recentemente, já no governo Lula, houve um desentendimento sério entre as autoridades brasileiras e as da AIEA em relação à inspeção de Resende, na tentativa dos inspetores de ver as centrífugas, o que acabou sendo contornado sem que o Brasil precisasse se expor a uma espionagem industrial.
Houve também um quase incidente diplomático por causa de uma tese de doutorado de um aluno do Instituto Militar de Engenharia do Exército (IME), o físico Dalton Ellery Girão Barroso, que destrinchou com cálculos e equações informações consideradas sigilosas sobre uma ogiva nuclear americana.
A agência internacional sugeriu que esse estudo indicava que o país estaria fazendo pesquisas que levariam à bomba atômica, além de revelar segredos que poderiam ser usados por terroristas. O Ministério da Defesa teve que entrar no circuito diplomático para impedir que o livro fosse censurado, como queria a AIEA.
Todo esse cenário indica que uma aproximação cada vez maior do Brasil com o Irã pode trazer problemas para nossas pesquisas no campo nuclear, sem nenhuma vantagem em troca, a não ser uma discutível afirmação política internacional.