quarta-feira, 14 de maio de 2014

A diferença entre o medo e o medo

O PT fez o que a mídia imediatamente chamou de “vídeo do medo”, associando-o ao comercial de Regina Duarte, em 2002, contra Lula. "PT aposta no medo na propaganda do partido" mancheteou o GloboOn de ontem. E depois: "O marqueteiro João Santana produziu um vídeo plagiando o polêmico e criticado discurso do medo, usado pelo PSDB na campanha de 2002". Faz sentido. Não tem como não associar um ao outro.  Ao invés do tradicional clima alegre, festivo, que costuma povoar as propagandas partidárias, vem um vídeo mais tenso. Mas há uma diferença abismal entre a propaganda do PT deste ano e a do Serra de 2002. Em primeiro lugar, Regina Duarte, como atriz global de prestígio, dirigia-se pretensamente a “todo o povo brasileiro”, mas era mais especificamente à classe média que partia de corpo e alma para abraçar Lula – sem medo de ser feliz. O vídeo petista deste ano dirige-se bem claramente – com muita precisão, aliás – à Nova Classe C. E faz bem em fazer isso. Quero mais uma vez lembrar o que escrevi aqui, em abril de 2011 (“Povão” ou “Classe Média”: em defesa de Fernando Henrique), analisando um texto do ex-presidente tucano: FHC ainda demonstra mais um momento de lucidez ao aconselhar o partido “a priorizar as novas classes médias, gente mais jovem e ainda não ligada a partido nenhum e suscetível de ouvir a mensagem da socialdemocracia”. Ele está apostando nas parcelas da nova classe média que vão procurar se adequar a novos valores, esquecer que um dia já foram "povão". Foi exatamente esse pensamento que motivou a nova propaganda do PT, certamente a partir de muitas pesquisas. Parte do “povão” que virou “nova classe média” provavelmente deslocou-se para aquela faixa dos “indecisos”, mais suscetíveis ao chalrar tucano. Era necessário abrir os olhos para essa tagarelice. Daí o trabalho de recordar o passado recente. E essa é a grande diferença entre os dois medos. Regina Duarte trabalhou o medo do futuro, dirigido principalmente a quem sempre viveu bem. O PT trabalhou o medo da volta a um passado recente, dirigido a quem sempre viveu mal, e agora está bem melhor. Pessoalmente, não gosto de propagandas tensas, porque me parece que se voltam contra quem faz. Mas reconheço que essa peça é muito bem produzida, inteligente e convincente. Só não atinge quem nunca precisou ter medo de ser infeliz.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

As pesquisas, cada vez mais, indicam uma grande disputa para 2018



Interessante, essa pesquisa Datafolha, de maio. Mostra, em primeiro lugar, grande estabilidade nos índices comparados com os de abril – exceto entre os índices de “não-voto” e de Aécio. “Não-voto” (“indecisos” + “nulos” + “brancos”) caiu de 29% para 24%, praticamente coincidindo com a subida de Aécio, de 16% para 20%. Dilma (38%>37%), Eduardo Campos (10%>11%) e a soma dos “outros” (7%>7%) mantiveram-se basicamente no mesmo patamar. Talvez signifique que Aécio soube capitalizar melhor os eleitores que já estavam insatisfeitos com Dilma, dando um bom salto na disputa com Eduardo Campos. Há quatro anos, na pesquisa de maio, Dilma e Serra estavam empatados com 37% e Marina tinha 12%. Dilma portanto perdia para os dois principais adversários de 49% a 37%, enquanto hoje está em empate com a soma dos dois. É verdade que Dilma estava em ascensão e Serra já estava ladeira abaixo. Mas o que quero destacar é o poder da máquina governamental nas decisões eleitorais – mostrou-se fortíssima em 2010 e certamente será decisiva este ano. Não ocorrendo a surpresa de algum tsunami, o mais provável é que Dilma vença no primeiro turno. Resta, portanto, a disputa pelo segundo lugar, de olho em 2018.
Ninguém é bobo nesse jogo político. Todos conhecem bem suas chances reais. Sonhos existem, claro. Mas em política sonho e pé no chão devem caminhar sempre juntos, um puxando o outro. E os três principais personagens secundários dessa história estão com um sonho aqui e um pé em 2018. Ou vice-versa. Aécio vive a situação mais complicada. Se em 7 de outubro ele não ficar em segundo lugar, deverá dar adeus pra sempre a qualquer sonho de presidência. Ele e o PSDB. Mesmo em segundo lugar, a situação se complica pra ele. Eduardo Campos e Marina dificilmente poderiam apoiá-lo, porque, caso ele vencesse, chegaria a 2018 como candidato a reeleição (mais forte, portanto).  Caso acontecesse o contrário (Eduardo Campos em segundo), Aécio apoiaria, mas fazendo corpo mole. No campo específico de Eduardo Campos e Marina, existe mais um porém: os dois são candidatos a presidente em 2018. No momento, um está servindo de “cavalo” pro outro, mas sabem que esse transe tem data marcada para terminar.
No lado do PT, também não está nada fácil apresentar um candidato forte em 2018 . As principais lideranças, históricas, foram excomungadas pelo STF e as novas lideranças ainda não se firmaram.
Haddad, nome mais forte por ganhar a prefeitura paulistana, andou derrapando no início do mandato e está procurando recuperar o tempo perdido. Padilha, que precisa vencer o governo de São Paulo, levou um safanão na história do doleiro da Petrobras e ainda tenta provar que entrou de Pilatos nesse cruz-credo. A favor do PT está a possibilidade de um excelente segundo mandato de Dilma e a certeza de que Lula continuará sendo o grande eleitor desse país. Só assim a estrela poderá subir nesse estranho pódio onde parece começar por baixo.

sábado, 3 de maio de 2014

- Olha a oposição ali! - Onde? Onde? - Já passou...


Demorou, mas a oposição conseguiu se apresentar ao eleitorado. Soube sincronizar o trabalho da mídia, com momentos negativos da economia (bem explorados pelo “mercado”), com institutos de pesquisas e, last but not least, com o apoio de alguns “aloprados”. O clima geral de protestos também ajudou. E o resultado mais visível foi um 1º de Maio surreal, onde representantes do “grande capital” subiram no palanque para falar aos trabalhadores paulistas sem serem apedrejados. “Que país é este?”, diriam Francelino e as legiões urbanas. Se ficasse apenas nisso, eu diria aqui: “Gente, o passado tornou-se presente para ameaçar o futuro...” Mas o PT começou a sair da letargia provocada pelas manchetes escandalosas. No 31 de abril, Dilma fez um excelente programa de 1º de Maio, distribuindo algumas amostras do seu pacote de bondades que está sendo arquitetado. No 1º de Maio, o partido teve a sabedoria de não mandar seus principais líderes para a arapuca da Força Sindical (exceção para Gilberto Carvalho, o ministro-chefe Manda Que Mato No Peito da Presidência da República). E ontem, dia 2, o PT decidiu definitivamente o óbvio, que Dilma é a candidata natural em 7 de outubro. Essa foi uma decisão importante e inadiável, porque até mesmo vários petistas históricos estavam se deixando levar pelo canto da sereia do “Volta, Lula”, sem perceber que se tratava de uma jogada de marketing para enfraquecer o partido. Por trás do “Volta, Lula” estava o “Fora, PT”. Daqui pra frente trata-se de evitar “aloprados”, garantir uma Copa bem animada e partir pro abraço – provavelmente no primeiro turno. Para o PT, resta a preocupação – séria – de 2018. Para a oposição, também.


A partir de agora, o Blog do Gadelha também terá posts reproduzidos no EntreFatos (www.entrefatos.com.br).

segunda-feira, 14 de abril de 2014

A oposição em busca do tempo perdido


Há exatamente 3 anos (14/04/2011)  postei no meu Blog: “Povão ou Classe Média: em defesa de Fernando Henrique". Comentei um texto de Fernando Henrique onde ele defendia que a oposição deveria conquistar a classe média. No meu Blog, concordei: “Poucas vezes Fernando Henrique – historicamente confuso – foi tão preciso como foi agora em seu artigo O Papel da Oposição. Ele simplesmente defendeu a definição de um foco para o discurso da oposição desnorteada. E na busca do seu norte não adianta inventar muito – tem que ter afinidade, sintonia, precisão. Nem adianta a aventura de assumir o foco que o adversário já consolidou. Todos sabemos que o foco povão está nas mãos de Lula e seu PT. Fernando Henrique percebeu isso e tratou de fortalecer o foco diferencial, da classe média, mais sintonizada com tucanos e demos”. Aécio, Álvaro Dias, Roberto Freire e todo o grupo majoritário da oposição foi contra. Achavam que tinha que insistir no “povão”, onde o PT predominava – e predomina. A comentarista de política da Folha, Eliane Cantanhêde, que na época nem tratou do assunto, escreveu ontem um artigo, “Oposição mostra sua cara”, onde diz que Aécio e Eduardo Campos agora se pautam “por um discurso de Fernando Henrique, em 2011, apontando o foco das campanhas: a nova classe média, filha da estabilização da economia de FHC e da inclusão social de Lula”.
Estão chegando tarde. Deixaram um bom tempo Dilma navegar tranquilamente, com seu PAC e a imagem de gerentona (obviamente, não é nada fácil agradar a “dois senhores”, e Dilma acabou voltando atrás na conquista da classe média). Mas a oposição ficou em situação pior, como aquela pessoa que viaja para os Estados Unidos, não aprende falar inglês e esquece o português...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Há 50 anos...

Vamos recordar através das primeiras página do Jornal O Globo.
O Globo do dia 31 de março de 1964: reagindo à "comunização do Brasil"...


O Globo do dia 1º de abril de 1964: no seu acervo, esse comunicado.


O Globo do dia 2 de abril de 1964: a alegria pelo "ressurgimento da democracia"...


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Para onde irão os Não-Votos?


Bom texto de Cesar Maia, hoje, sobre os Não-Votos em 2014. O Não-Voto é a soma da Abstenção com os votos Nulos e Em Branco. Em 2010, na eleição presidencial, o índice chegou a 25,19% do eleitorado. Cesar Maia acha, com certa razão, que em 2014 esse índice pode aumentar. E destaca a importância de cada candidato esforçar-se (ou não) para lutar contra o aumento desse índice. Isso por que, dependendo da região, o aumento do Não-Voto pode prejudicar ou favorecer determinada candidatura. Talvez ele exagere quando levanta a hipótese de que, este ano, o índice do Não-Voto pode subir para 35%. Leia o texto completo de Cesar Maia:

BRANCOS, NULOS E ABSTENÇÃO EM 2014! QUEM GANHA? QUEM PERDE?

1. De longe, o que mais impacienta os candidatos em todos os níveis em 2014 é a quanto vai somar o Não-Voto (NV), ou seja, a proporção de votos brancos, nulos e abstenção. Em média o NV tem alcançado 25% no Brasil, uns Estados a mais e uns Estados a menos.
2. Admitamos – apenas por hipótese – que o NV possa subir para 35%. A primeira dedução é quanto à eleição presidencial. Dilma vai carregando seus 43% de intenções de votos nas pesquisas, aliás, o mesmo patamar das eleições de 2002, 2006 e 2010 sobre votos totais.
3. Supondo a mesma distribuição que a anterior, entre abstenção, brancos e nulos. Para vencer no primeiro turno, Dilma precisaria alcançar 47% incluindo os brancos e nulos. Com o aumento do NV, estes 47% caem para o entorno destes 43% que Dilma tem em pesquisas. Conclusão apressada: isso interessa a Dilma.
4. Apressada porque depende das áreas de concentração desse aumento do NV. Apenas como exemplo, se ocorrer em áreas de menor renda ou no Nordeste, o maior NV vai afetar negativamente Dilma. Mas se ocorrer principalmente em áreas de classe média mais alta, ou nos Estados do Sudeste-Sul-Centro-Oeste, os maiores prejudicados serão Aécio e Eduardo Campos e Dilma ganharia no primeiro turno.
5. Como conclusão, a campanha dos presidenciáveis deve incluir a chamada às urnas em suas áreas mais fortes de voto. Ou seja, o uso da TV eleitoral não resolve por ser nacional, a menos que o TSE autorize a regionalização da TV. Aqui, a internet pode ajudar por ser uma comunicação focalizada.
6. O mesmo raciocínio se aplica nas eleições dos governadores, apenas adaptando o cenário nacional descrito acima para cada cenário estadual.
7. Em relação aos deputados estaduais e federais, o aumento do NV tem como efeito imediato a redução dos votos de legenda. Um exemplo. Se para eleger um deputado eram necessários 100 mil votos, a legenda cairá para 90 mil. Isso é bom para quem? Claro, para os mais votados. Os que têm menos votos se iludem que esta redução os beneficia. Lembrem: o número de deputados eleitos por Estado será o mesmo.
8. Finalmente, entre os deputados, quais se beneficiam e quais são prejudicados? Outra vez, depende do perfil de voto do aumento do NV. A concentração numa sub-região, ou num perfil de eleitor, prejudicará os que têm voto aí.
9. É provável, que aqueles que protestam nas ruas ou se incorporam a elas virtualmente sejam os mais propensos a não votar ou anular o voto. Se for assim, os prejudicados serão -paradoxalmente- exatamente os candidatos a deputado que mais se envolveram e mais estimularam as manifestações.   
10. As pesquisas eleitorais contratadas pelos partidos e candidatos deveriam passar a incluir as decisões de NV e, assim, orientar os candidatos em todos os níveis e regiões.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O Globo x Freixo: como ocultar os fatos mostrando os fatos


Marcelo Freixo é um dos bons nomes políticos que surgiram recentemente. Talvez um dos principais adversários de Eduardo Paes na disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2018. Tem marca jovem, de mudanças, progressista, aparentemente íntegro. De repente, teve seu nome associado a um noticiário espinhoso, a morte do jornalista da Band, Santiago Andrade. A meu ver, uma associação injusta. Acredito que o PSOL (como praticamente todos os outros partidos) procure associar-se aos movimentos sociais, principalmente os de oposição (caso do PSOL) e com boa aceitação. Acredito que os partidos deem apoio logístico e financeiro a alguns desses grupos – e estão certos ao fazer isso, porque afinal um partido existe, como o nome diz, para representar as ideias e os interesses de uma parte da sociedade. E é por isso que não se pode atribuir culpa ao PSOL no caso da “cabeça de nego”. Apesar de se apresentar como à esquerda do PT no espectro político-partidário, não é uma associação extremista. Seu perfil eleitoral está bem mais associado à classe média tipo Zona Sul do Rio – exatamente aquele segmento que mais repele ações rotuladas de vândalas. Por que então seu nome foi associado ao artefato terrorista? Não me venha o Globo dizer que agiu com isenção jornalística. Isso nunca existiu e não seria agora que começaria. O Globo atirou a primeira pedra, sim. No seu editorial do dia 12, “Os inimigos da democracia”, escreveu que “o crime jogou luz sobre a inaceitável atuação do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em defesa de vândalos. Ele e partido precisam explicar a função dupla de Thiago de Souza Melo, assessor do deputado, pago, portanto, pelo contribuinte, e, ao mesmo tempo, advogado de black-bloc e similares”.  “Inaceitável atuação do gabinete do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) em defesa de vândalos”? Isso é ou não é uma acusação grave? Caetano Veloso soube protestar contra esse parcialismo do Globo, corajosamente, na sua coluna dominical no próprio jornal. Mas Marcelo Freixo errou no seu protesto. Resolveu fazer política barata ao tentar colocar o Globo como parceiro de Sérgio Cabral, dizendo (erroneamente) que o jornal não criticava o atual governador do Rio de Janeiro e lembrando que foi um dos veículos de comunicação que defenderam a ditadura de 64 ("A exaltação de um factoide"). O Globo respondeu bem ("O dever de um jornal — II"). E a questão não é essa. O Globo – como qualquer veículo de comunicação – pode ser parcial aparentando ser imparcial. É capaz, portanto, de ocultar ou alterar fatos simplesmente mostrando os fatos.
Ou mostrando fotos, como é o caso da foto ridicularizando José Dirceu no dia seguinte (3 de agosto de 2005) à Comissão de Ética que apresentou o seu confronto com Roberto Jefferson. Ou fazendo associações forçadas, como é o caso de apontar na direção de Freixo em um editorial intitulado “Os inimigos da democracia”. Freixo agiu defensivamente. O que ele tem que fazer é mostrar que  maior inimigo da democracia pode ser quem dribla os fatos. Ou as fotos.

Nota Para que fique bem claro: não sou filiado ao PSOL nem a qualquer partido político e condeno veementemente o vandalismo. E gosto de ler diariamente o Globo e vários outros jornais.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

COPA: enquanto aqui se protesta, no México se aposta no Brasil


O instituto mexicano de pesquisa Consulta Mitofsky apresenta números interessantes sobre as expectativas que os mexicanos têm com relação à Copa no Brasil.
36% acreditam que o Brasil será campeão, contra 6% para a Espanha e a Alemanha e 4% para a Argentina e o próprio México.
No caso do México ser eliminado, 29% torcerão pelo Brasil, contra 8% para a Espanha e 4% para a Argentina.
O interesse pela Copa subiu de 50% em 2010 para 58% este ano.
Quem esperam ver na Copa? 59% esperam ver Messi, 50% Cristiano Ronaldo, 15% Neymar e 15% Chicarito.
Que venham os Mexicanos!!! Serão muito bem vindos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Fernando Henrique pirou de vez?


No seu artigo publicado hoje, “Mudar, com pé no chão e visão de futuro”, o ex-Presidente Fernando Henrique, no afã de tentar motivar a oposição para as próximas eleições – mas com uma visão de passado –, diz coisas sem o pé no chão. A primeira frase é um primor: “As pesquisas eleitorais estão a indicar que os eleitores começam a mostrar cansaço”. Que pesquisas são essas, Fernando Henrique? Aquelas que indicam a possibilidade de Dilma vencer no primeiro turno? Não há certa incongruência na afirmação?
Em seguida Fernando Henrique refere-se às manifestações de rua de 2013: “A insatisfação estava nas ruas, a despeito das melhorias inegáveis do consumo popular e de alguns avanços na área social”. Entenderam mais essa incongruência? Ele reconhece que o país inegavelmente avançou e diz que, ainda assim, as ruas querem mudanças. Mas isso, Fernando Henrique, não quer dizer que querem voltar atrás, voltar aos tempos do grande atraso social. As ruas querem que o atual governo avance ainda mais – esse é o recado óbvio. O próprio Fernando Henrique concorda com isso na frase seguinte: “É que a própria dinâmica da mobilidade social e da melhoria de vida, e principalmente o aumento da informação, geram novas disposições anímicas. As pessoas têm novas aspirações e veem criticamente o que antes não percebiam. Começam a desejar melhor qualidade, mais acesso aos bens e serviços e menos desigualdade”. Absoluta verdade. Mais um motivo para não voltar atrás.
Outro motivo foi dado por Fernando Henrique, quando, pela bilionésima vez, tenta provar que as “políticas de distribuição de renda” (em outras palavras, o Bolsa Família!) foram criadas pelos tucanos. Ora, tenha paciência! Criaram mas não fizeram?!? São as ruas que dizem: quem prometeu, e não fez, perdeu a vez.
Mas ele não para. Quando trata da questão da segurança, resolve citar trabalho tucano em São Paulo como exemplo! Vou repetir: resolve citar trabalho tucano em São Paulo como exemplo! Chega a aconselhar “pôr fim, como está fazendo São Paulo, às cadeias em delegacias”. Meu Deus, Fernando Henrique, o governo Garotinho fez isso no Rio em 2000, com as Delegacias Legais! E o governo tucano de São Paulo ainda está longe de chegar a algo parecido com as UPPs do governo Sérgio Cabral!
Quando resolve entrar na área da moradia, o desatino é total: “Por que não mostrar que o festejado programa Minha Casa, Minha Vida tem um desempenho ruim quando se trata de moradias para a camada de trabalhadores também pobres, mas cuja renda ultrapassa a dos menos aquinhoados, teoricamente atendidos pelo programa?” Sabe por que a oposição não pode nem tentar provar isso? Primeiro, porque 1,5 milhão de famílias (com renda até 5 mil reais por mês) já foram beneficiadas e mais 1,7 milhão de casas e apartamentos estão em construção em todo o país. Segundo, porque quem hoje está na oposição nunca fez nada quando estava na situação. Não lembro de nada que tenha sido feito sobre moradia popular, desde os tempos da ditadura.
Em uma de suas premonições de derrotado, Fernando Henrique divaga: “talvez a população queira eleger gente com maior capacidade organizacional e técnica, que conheça os nós que apertam o país e saiba como desatá-los”. Na verdade, aí está o nó da questão: ele sonha com o retorno à política neoliberal de seu governo, onde o desemprego não tinha tanta importância, a imensa desigualdade social era preservada com afinco, os juros iam às alturas – enquanto o “mercado”, com seus nós bem frouxos, sorria feliz.
No final, Fernando Henrique diz algo que aplaudo: “Também chegou a hora de uma reforma política e eleitoral. Não dá para governar com 30 partidos, dos quais boa parte não passa de legenda de aluguel”. Fora isso, o que vejo em seu artigo pode ser traduzido por uma de suas frases: “Ocorre que a realidade existe e que às vezes se produz o que os psicólogos chamam de ‘incongruências cognitivas’“.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Cesar Maia tem meia razão


No seu Ex-Blog de hoje, Cesar Maia critica o marqueteiro João Santana por ter alertado o pré-candidato a Governador do Rio, Lindberg (PT), que se a sua campanha não conseguir 5 minutos para os programas de TV, “fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão (PMDB), que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade”. Cesar Maia diz que “isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral”, no que está certo. E lembra que em 2000, na campanha para Prefeito do Rio, ele próprio, “com menos de 2 minutos foi para o segundo turno”. Poderia ter lembrado também da campanha de 98, quando Garotinho, com apenas 3’19” de tempo na TV, derrotou as campanhas milionárias de Luiz Paulo Corrêa da Rocha e de Cesar Maia, que tinham, cada uma, aproximadamente o dobro do tempo.
Se é verdade que o tempo maior na TV não é condição sine qual non de vitória eleitoral, é verdade também que o tempo maior pode trazer muitas vantagens. Indica mais apoio, dá mais credibilidade e pode ajudar a passar um clima vitorioso. Além disso, o maior tempo de um candidato no seu programa eleitoral implica maior número de inserções de 30”, mais comerciais da campanha que são transmitidos durante a programação normal. Essas inserções, quanto mais, melhor. No caso da eleição do Rio, João Santana está certo em pedir mais tempo - um tempo que pode, sim, fazer diferença.

Leia o texto de Cesar Maia:

JOÃO SANTANA DÁ CONSELHO BOBO A CANDIDATO DO PT NO RIO!
   
1. A bobagem. (Lauro Jardim - Radar Online, 30) João Santana avisou a Lindbergh Farias que as alianças para a campanha no Rio de Janeiro têm que alcançar, pelo menos, cinco minutos para os programas de TV. Hoje, o PT tem pouco mais de três minutos de espaço na propaganda partidária. Menos que isso, fica difícil competir com Luiz Fernando Pezão, que já possui o tempo do PSD e do Solidariedade.
    
2. (Ex-Blog) Isso depende da dispersão dos candidatos e do quadro eleitoral. Em 2000, Cesar Maia, no Rio, com menos de 2 minutos foi para o segundo turno. Aí os tempos igualam. Essa eleição de 2014 no Rio tem a maior dispersão de todas para governador. Tempo de TV não fará diferença: se passar dos 15% se vai para o segundo turno. Cabral, para prefeito, em 1996, tinha um latifúndio de tempo de TV. Abriu disparado e por um mínimo passou para o segundo turno.  Etc.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Em eleição, o mais importante é enxergar lá longe


Interessante o Ex-Blog desta terça-feira, 21, em que Cesar Maia procura comparar a próxima eleição para Governador do Estado do Rio de Janeiro com a de 98, quando se candidataram, entre outros, Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB, PMDB, PSD, PL e apoiado pelo então governador Marcello Alencar), Garotinho (da coligação PDT, PT,PSB, PC E PCdoB) e o próprio Cesar Maia (DEM, PP e PTB). A tese de Cesar Maia procura usar isso como exemplo negativo para o PMDB de Sérgio Cabral. Afinal, “Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão” e chegou ao final com “8% sobre o total dos votos emitidos” (15,51% dos votos válidos, enquanto Garotinho teve 46,86% e o próprio Cesar Maia 34,30%). Claro que é um exemplo a se considerar, mas sob outro enfoque.
Fiz a campanha de Garotinho em 98 (a partir de 16 de junho) e desde o começo o adversário principal era Cesar Maia. Em maio, eles estavam na faixa dos 30%, enquanto Luiz Paulo patinava na faixa dos 3 a 5%. Isso permaneceu assim até julho/agosto, quando Garotinho começa a descolar de Cesar Maia e pula para a faixa dos 40%. Garotinho, além de representar a união de Interior e Baixada, representava a união das forças populares (Brizola) com a classe média progressista, de esquerda, representada por PT, PSB, PCB e PCdoB. Luiz Paulo era apoiado pelo governador que teria traído o trabalhismo e privatizado, como bem aponta a Wikipédia, “uma série de empresas estatais como a CERJ (Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro), BANERJ (Banco do Estado do Rio de Janeiro), CONERJ, TELERJ, CEG (Companhia Estadual de Gás), Flumitrens e o próprio Metrô e ainda extinguiu a CTC-RJ (Companhia de Transportes Coletivos do Estado do Rio de Janeiro)”.
Garotinho, que tinha sido considerado o melhor prefeito (Campos) do Brasil, na época representava também “sinceridade”, “juventude”, “obras mais humanas”, “povo”. Cesar Maia, que não soube aproveitar as suas grandes realizações como Prefeito do Rio, ficou associado (segundo quali que realizamos) a “falsidade”, “arrogância”, “elite”, “não gosta de povo” (declaração de que ia jogar creolina nas calçadas para afastar os moradores de rua foi crucial). Nesse embate entre “povo” e “anti-povo”, não sobrou espaço para Luiz Paulo, nem com toda a máquina que existisse.
O cenário hoje é bem diferente. Há dois candidatos em disputa séria (Lindberg, do PT, e Pezão, do PMDB) e dois (Crivella, do PRB, e Garotinho, do PR) que, apesar de liderarem as pesquisas no momento, não parecem que disputam pra valer. Parecem muito mais dispostos a negociar apoio ou a se cacifar e cacifar os seus partidos para as próximas eleições. Ao contrário do que propõe Cesar Maia, hoje vale muito mais olhar pra frente do que olhar pra trás.

Leiam o texto do Ex-Blog:
ELEIÇÃO NO RIO: PMDB PODERIA OLHAR TAMBÉM PARA TRÁS!
       
1. (Ex-Blog) Em 1998 o PSDB, no governo, lançou o vice-governador e secretário de obras, Luiz Paulo Correa da Rocha, candidato a governador. O PMDB apoiou e Luiz Paulo passou a ter um enorme tempo de TV. O governador Marcelo Alencar enfrentava desgaste, mas nada comparado com Sérgio Cabral agora. O PSDB tinha 46 prefeitos e praticamente todos os da região metropolitana. A campanha do PSDB foi feita por Duda Mendonça. Luiz Paulo partiu com os mesmos 5% de Pezão. Subiu e chegou a 8% sobre o total dos votos emitidos.

Obs.: a ilustração acima foi transformação de uma que encontrei na internet.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

2014, o ano que já terminou



Esses dias saiu na coluna "Extra! Extra!", de Berenice Seabra, uma nota com uma síntese feita por Chico Alencar, deputado federal do PSOL, sobre o que temos pela frente: “o primeiro semestre culmina com o meio século do golpe de 64; o segundo, com a Copa da Fifa e das manifestações; o terceiro, com a eleição; e o quarto com o balanço disso tudo e do PIB anual, sobre o qual os economistas não se entendem, como de hábito”. Claríssimo, diz tudo, não tem como errar. Podemos até avançar em alguns detalhes. Por exemplo, temos certeza que os saudosistas da ditadura tentarão provar benefícios da tortura e da falta de liberdade, mas as vozes democráticas serão mais fortes. A Copa, apesar das tentativas vândalas, será um sucesso – quem sabe, até para a Seleção. Com relação às eleições, é claro que não existe o “favas contadas”. Sempre há surpresas, mas, no principal, que é a eleição presidencial, a surpresa seria haver surpresa. Dilma será reeleita, provavelmente, no primeiro turno.
Em política, nunca se desiste, claro. Mas a disputa real, hoje, já não é tanto pelo primeiro lugar (se é que isso é possível...), mas, sim, pelos espaços que o Governo e as oposições ocuparão a partir de 2015. O Governo trabalha, óbvio, para vencer a próxima eleição logo no primeiro turno. Mais do que isso. Quer ampliar seu espaço no Congresso, consolidar as alianças (principalmente com o PMDB) e quer decidir quem vai ficar em segundo lugar. O ideal petista é que em segundo lugar fique Aécio, porque é um candidato de menor futuro e deixaria Eduardo Campos com menos fôlego. Isso serve tanto para a eleição em um turno quanto em dois. Acrescente-se a isso, no caso de dois turnos, que o eleitor de Campos-Marina fluiria mais facilmente para Dilma do que o eleitor de Aécio. Os dois candidatos da oposição, com certeza, pensam praticamente o contrário. Eles já sabem que não vencerão. E lutam desesperadamente entre si para crescer no Congresso e conquistar junto ao público oposicionista o título de melhor alternativa ao próximo candidato petista em 2018.
2018, sim, será a hora da verdade para o PT. E o cronômetro já startou!
P.S. – com relação aos balanços de fim de ano sobre PIB, inflação, juros, desemprego, etc., não há o que discutir, porque a “verdade” será ditada pelo mercado através da grande mídia.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Para Fernando Henrique, “mudar o rumo” é “voltar atrás no tempo”





O artigo de Fernando Henrique Cardoso publicado neste domingo ("Mudar o rumo") é de uma ousadia monumental. Começa pela chamada: “a política externa precisa rever seu foco”. Qual foco? Aquele do seu Ministro das Relações Exteriores, que tirou os sapatos para poder entrar nos Estados Unidos? Política de submissão geopolítica? Ficar de braços cruzados enquanto os Estados Unidos espalham bases em torno do Brasil e ficam de olho grande no Atlântico Sul?
Dando continuidade a sua “aula”, FHC escreve: Para que exportemos mais e para dinamizar nossa produção para o mercado interno, a ênfase dada ao consumo precisará ser equilibrada por maior atenção ao aumento da produtividade, sem redução dos programas sociais e demais iniciativas de integração social”.
Exportemos mais? Nos seus governos, o ano em que exportamos mais foi 2002, com pouco mais de 60 bilhões de dólares. Desde 2005, nunca mais exportamos menos do que 118 bilhões de dólares e em 2013 exportamos mais de 242 bilhões de dólares.
Sobre a participação da Petrobras nos leilões do pré-sal, escreve: “A imposição de que a Petrobras seja operadora única e responda por pelo menos 30% da participação acionária em cada consórcio, somada ao poder de veto dado às PPSA nas decisões dos comitês operacionais, afugenta número maior de interessados nos leilões do pré-sal, reduz o potencial de investimento em sua exploração e diminui os recursos que o Estado poderia obter com decantado regime de partilha”. Como reduz?!? O Estado torna-se sócio, participando diretamente dos ganhos. Além disso, a Petrobras é uma das maiores empresas do mundo, domina como ninguém a exploração em águas profundas e tem realizado um trabalho excepcional para o país. Se ela não serve para essa função, quem mais serviria?
Ataca também a inflação, que, segundo ele, só não estaria fora da meta “porque os preços públicos estão artificialmente represados”.  Será que ele esqueceu que nos seus últimos quatro anos de governo a inflação foi de 8,9% (1999), 6,0%(2000), 7,7%(2001) e 12,5%(2002)? Isso apesar das taxas de juros altíssimas: 18,99% (dez/1999), 15,76% (dez/2000), 19,05% (dez/2001) e 24,9% (dez/2002).
Fernando Henrique tem a suprema ousadia de encerrar seu artigo dizendo que a esperança que tem é a da vitória das oposições em 2014. Ou seja, quer sua turma de volta ao poder. Mas para que ninguém perca o rumo por causa dessas loucuras de verão de um ex-presidente, reapresento algumas manchetes da Folha de 3 de março de 1999:
“Desemprego em SP é recorde com 9,18%”, “Trabalhador perdeu 0,5% da renda em 98”, “Emprego industrial cai pelo nono ano”,  “Governo aperta ainda mais o crédito”, “Dólar bate novo recorde apesar da atuação conjunta do BC e BB”, “Crise no Brasil afeta indústria argentina”, “Reservas externas caem para US$ 35,6 bilhões em fevereiro”, “Empresas tentam rolar dívida externa dando mais garantias”, “CNI defende intervenção do BC no câmbio e vê risco de calote”, “TST já admite conceder reajuste salarial com alta da inflação”, “Bolsa cai 1,38% e título da dívida despenca”.
Nesse túnel do tempo ninguém quer entrar. O povo é contra o "meia-volta, volver"" da oposição.

sábado, 4 de janeiro de 2014

O balança mas não cai do comércio exterior



Os jornais de ontem, dia 3, fazem questão de destacar que o resultado de nossa balança comercial em 2013 foi péssimo. Nada mais justo, afinal foi mesmo muito ruim e o papel da imprensa é esse mesmo de noticiar. Não quero entrar nos porquês do resultado, apenas quero comentar o tom do noticiário. Foi uma coisa catastrófica. Parecia que o resultado tinha sido negativo. O Globo chegou a manchetar "O pior resultado em 13 anos", provavelmente procurando associar o número do PT com coisa ruim. Está certo, esse é o papel da oposição (com trocadilho). Porém, se procurasse dar uma informação mais ampla, poderia dizer que, em 3 anos, o Governo Dilma nunca teve resultado negativo. Nem o Governo Lula, em seus 8 anos. Já o Governo FHC, em 8 anos, só teve resultado positivo nos últimos dois anos. Alguém pode dizer que teria sido herança maldita, mas logo percebemos que, antes, a balança sempre foi positiva. Na verdade, desde 1981 a nossa balança comercial só esteve negativa no Governo FHC. Será que todos já esqueceram? É só balançar bem a cabeça que a memória volta.
Dados do site http://www.portalbrasil.net/economia_balancacomercial.htm. Exceto o resultado de 2013, que veio do Globo  

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Geopolitik, skitstövel!


Saiu finalmente a decisão sobre os nossos caças. Os suecos com seu Grispen NG (nova Geração) subiram aos céus. Ou melhor, os Estados Unidos e, principalmente, a França conseguiram naufragar. Na época do Governo Lula, a escolha óbvia era comprar da França, apesar do preço mais alto. Cheguei a escrever (Pourquoi “France”? It’s the geopolitics, stupid! , 10 de setembro de 2009) que o acordo Brasil-França não se situa simplesmente nesse terreno do “toma lá, dá cá” do mundo dos negócios. O mundo inteiro movimenta suas peças no novo tabuleiro das disputas energéticas e dessa vez, ao contrário do que ocorreu em outras oportunidades, o Brasil decidiu assumir (e tem condições para isso) papel de peso nesse cenário”. E citando Luiz Alberto Moniz Bandeira em “A importância geopolítica da América do Sul na estratégia dos Estados Unidos”: “uma Segunda Guerra Fria foi deflagrada e envolve a América do Sul, onde a penetração dos Estados Unidos constitui um fator de instabilidade e inquietação”. Ou como diz o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, o Brasil é o "único rival possível à influência hegemônica dos Estados Unidos" na América do Sul, devido às suas dimensões geográficas, demográficas e econômicas e à sua posição geopolítica e estratégica, ao longo de grande parte do Atlântico Sul, defrontando a África Ocidental. A França significava, naquele momento, a possibilidade de um aliado de peso dentro do jogo geopolítico. Mas a França perdeu prestígio com a crise do Euro e vacilou ao posicionar-se contra o Brasil na eleição do Roberto Azevedo para a OMC. Os Estados Unidos, com uma boa compensação comercial, até poderiam, quem sabe, entrar no páreo. Mas a impossibilidade de transferência de know-how e os grampos da Dilma lançaram definitivamente essa hipótese no vácuo.
Os Grispen suecos, além da maior autonomia no novo cenário geopolítico, parecem que são mesmo os melhores, tecnicamente falando. Sempre foram os preferidos da Aeronáutica. São realmente uma nova geração de caças. Têm um bom preço. E transferem tecnologia. O Brasil finalmente poderá voar mais alto.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Lindberg pisou na estrela




A jogada do candidato a candidato a Governador do Rio pelo PT parecia uma verdadeira pintura. Escalava o Baixinho para Vice, deslocava a equipe petista para fora do campo peemedebista, aproveitava que a torcida organizada anda criticando o desempenho de Cabral, desviava do Pezão – e aí era só correr pro abraço. Para completar a pintura parecia que só faltava convocar os astros do momento, Campos e Marina. Mas esse foi aquele drible a mais, porque não combinou o lance com a principal estrela da equipe. Aí, a bola murchou, a torcida vaiou, o resto da equipe começou a reclamar do estrelismo – e agora o atleta do voto corre o risco de ficar de fora na próxima partida.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Rede de intrigas – afinal, que plano é esse?


Esse Plano de Sustentabilidade de Marina mostrou-se uma sucessão de intrigas e trapalhadas, tornando-se quase insustentável. A jogada final de aliança com o PSB do C foi muito boa, apesar da pressão do desespero. O maior beneficiado, evidentemente, foi Eduardo Campos, que deu um chega pra lá no seu principal adversário (Aécio Neves), ganhou prestígio e melhores condições para atrair o grande capital e a classe média conservadora do Sudeste. Outro que se deu bem foi o PMDB, que ganhou voz mais forte dentro da aliança com o PT. Poderá falar mais grosso tanto na distribuição de ministérios quanto nas disputas regionais. O PSDB, não precisa nem falar, foi o maior prejudicado, caiu de plano e agora corre o sério risco de inviabilizar-se completamente, depois de 2014. Marina, que estava prestes a entrar em 2014 com uma mão na frente e outra atrás, ganhou sobrevida. Firma-se como principal nome da oposição conservadora e poderá até mesmo ser a cabeça da chapa de Campos. Cesar Maia já chegou a dizer que ela seria bom nome para o governo do Rio, mas isso é difícil. As pesquisas vão ajudar a saber se esse será um Plano de C ou um Plano de M.Ainda acho que o Plano D, de Dilma, deve dar certo logo no primeiro turno.

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Pergunta que não quer calar: afinal, qual era o Plano de Syrkis? Por que as cobras e lagartos que andou soltando? Alguém leva a sério os seus disparates? Por mais que o meio político já conheça bem o seu estilo, foram surpreendentes suas declarações sobre Marina. “Populista”, “evangélica de direita”, “caótica”, etc, etc. Mal viu ruírem suas esperanças de candidatura pelo Rede Sustentabilidade, Syrkis saiu atirando no prato que comeu. Pior: no prato que ele ajudou a fazer e do qual era um dos mais fervorosos defensores. A Marina não me agrada, é conservadora, aparentemente bem despreparada para cargo executivo, mas atacá-la como ele fez ficou no plano da traição, apenas uma facada pelas costas.
Mas o Plano de Marina serve principalmente como demonstração da necessidade de uma reforma política séria. Não dá para continuar convivendo com essa enxurrada de partidos frutos do oportunismo e das pinimbas regionais. Ou pior: na maioria das vezes são frutos de jogadas comerciais. Lembro do telefonema que recebi (2004) de um empresário recém-apaixonado por “política eleitoral”. Ele queria saber os preços de veiculação de comerciais nas emissoras de TV do Rio. Dei uma ligeira noção e perguntei o que ele pretendia. Resposta: “É que estou querendo comprar um partido político”. Esse desistiu do “negócio” e da política, mas acredito que a maioria continua negociando partidos para ganhar dinheiro com os tempos de TV e os apoios. Lembro também que há cerca de um ano presenciei por acaso parte de uma reunião onde já se discutia a criação de um partido alternativo para Marina – seria o verdadeiro Plano de M?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Decisão política infringente


Na última quinta-feira, 10, talvez surpreso com o placar de 4 a 2 favorável à manutenção dos embargos infringentes, o colunista do Globo e imortal da ABL, Merval Pereira, escreveu um artigo com o título de “Decisão política”, que abre assim: “Acusado pelos petistas e por seus seguidores de ter agido como um tribunal de exceção, que teria condenado os mensaleiros em um processo político, o Supremo Tribunal Federal (STF), com sua nova composição, caminha para tomar hoje uma decisão que tem um viés claramente político, mas a favor dos mesmos condenados, pondo assim em xeque a credibilidade da Corte. Grifei esses trechos porque me pareceu haver certa surpresa em Merval com relação a decisões políticas do STF. Antes de tudo, é bom esclarecer que a composição do STF é absolutamente política. Por mais que pesem as qualidades estritamente profissionais/jurídicas de seus ministros, a sua escolha é feita por um Presidente da República que pertence a um partido político e foi eleito pelo povo brasileiro através de voto livre e secreto e é aprovada por um Senado igualmente eleito por voto livre e secreto. O Supremo tem atribuições de tribunal de última instância, mas sua atribuição fundamental é a interpretação e proteção da Constituição – concebida por representantes eleitos pelo povo. Não há motivo para espanto, portanto, com o peso político nas decisões do STF. É claro que isso não significa alinhamento partidário automático (os indicados por presidentes petistas são 8...), mas demonstra que o ambiente político tem grande peso nas decisões supremas. Não existe uma objetividade absoluta, e o resultado parcial de 5 a 5 na questão dos infringentes não deixa dúvidas. Os dois lados já expuseram exaustivamente as suas “razões” e já usaram e abusaram do jogo político (Marco Aurélio esticando sua fala para evitar que Celso de Mello votasse na quinta-feira e ficasse sujeito a mais pressões é um exemplo típico). A decisão final terá uma “razão” unicamente política.  Assim, seja qual for o resultado do desempate da próxima quarta-feira, ele será infringente.

O curioso é que o voto de Minerva ficou a cargo do único ministro que não foi escolhido por um presidente eleito em eleição direta: Celso de Mello foi escolhido por Sarney...
Marco Aurélio foi escolhido por Collor, Gilmar por Fernando Henrique e todos os outros por Lula ou Dilma.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

AS PESQUISAS, SOB A "VISÃO" DE CÉSAR MAIA


No seu Ex-Blog de hoje, César Maia resolve fazer uma análise dos resultados do Datafolha para as eleições presidenciais de 2014. Diz ele: “Este Ex-Blog escolheu entre as alternativas presidenciais oferecidas ao eleitor pelo Datafolha (07-09/08) aquela que num mesmo grupo reúne José Serra e Aécio Neves. Com isso, somados a Marina e Eduardo Campos, formam um grupo que hoje não votaria em Dilma. São 32% em Dilma e 53% nos demais.”
Pretende com isso demonstrar que Dilma perde para a soma dos outros candidatos e que, portanto, não seria reeleita. Na verdade, César Maia erra duas vezes. Primeiro, porque, se a eleição fosse em turno único, hoje Dilma venceria com 32%, contra 23% de Marina, 14% de Serra, 10% de Aécio e 6% de Campos. Como é em dois turnos, o Datafolha obviamente faz a simulação de segundo turno e demonstra claramente a distorção das lentes de César Maia: Dilma 46% X 41% Marina, Dilma 52% X 31% Serra, Dilma 53% X 29% Aécio, Dilma 55% X 23% Eduardo Campos.
César finaliza seu texto com mais uma de suas visões desfocadas: “Dilma manteve-se em 16% na resposta espontânea (...), repetindo a última pesquisa. Isso é um sinal que o crescimento na induzida é mero efeito de superexposição depois do abalo que sofreu pós-manifestações nas ruas”. Pergunto: por que a superexposição não contribuiria na espontânea? Além disso, ele “esqueceu” de dizer que na espontânea Aécio caiu de 4% pra 3%, Marina foi de 2% pra 3%, Serra permaneceu em 2% e Campos foi de 1% pra 0%. Esqueceu o mais importante: Na espontânea, Lula pulou de 6% pra 11%.
César Maia precisa passar por boa re-visão de seus (pré)conceitos...

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Fim de Papo


O Papa é Pop.
O Papa Passou e deixou sua imagem Pop. Pop de Populista. E não está errado, não. Confirmou tudo o que este Blog tem dito: sua viagem teve como objetivo de marketing combater o crescimento dos evangélicos pentecostais, o maior adversário da Igreja Católica por essas bandas. Na sua mensagem aos bispos, ele deixou bem claro que o importante é a conquista da periferia, a luta pelos miseráveis, desesperançados, que se agarram na primeira tábua da salvação que encontram, por mais tosca que pareça. E determinou que os bispos abandonem suas posturas principescas para se contaminarem de povo – exatamente como fazem os pentecostais. É algo que a Igreja Católica já soube fazer muito bem, mas acabou se perdendo no tempo e no espaço. Mesmo a Teoria da Libertação talvez tenha dificuldade para levar avante essa tarefa junto à massa desorganizada, o trapo humano, o lumpen e o quase-lumpen.

As manifestações estão no papo?
No passado, as manifestações garantiram futuro. O povo na rua, o jovem, a sociedade indo à luta por seus anseios e suas necessidades, o desejo de um futuro melhor – tudo isso é motivo de orgulho e motivação para novas e maiores manifestações. Mas o passado recente de nossas manifestações trouxe também um balde de água fria. Foi tudo magnífico até a chegada do vandalismo. Aí virou papo furado, os jovens começaram a debandar e os que ficaram tornaram-se involuntariamente ambiente de segurança indispensável para o vandalismo, a bandidagem. Os vândalos propriamente ditos não passam de meia dúzia de três. Sozinhos, seriam facilmente identificados e neutralizados (aliás, já devem estar identificados). Foram inteligentes ao usar o disfarce proporcionado por reivindicações populares (que muitas vezes eram justas). Souberam concentrar os ataques em dois ou três pontos associados principalmente a momentos ou personagens políticos. Aliaram-se aos chamados Black Blocs. Aproveitaram-se da Copa e até do Papa. Mas, e agora? Os governos sairão da defensiva em que se colocaram por causa dos grandes eventos e terão que reagir, usar a inteligência, identificar todos os vândalos, separar o joio do trigo e garantir o espaço mais do que justo das manifestações autênticas (mesmo que nem sempre seja possível atendê-las inteiramente). Tudo sem paparico. As manifestações terão mais futuro à medida que os vândalos se percam no passado.

Papo eleitoral.
Adoro bola de cristal. Desde que tenham pesquisas por trás, perfis bem definidos, muita informação, histórico bem avançado de todos os atores e cenários – enfim, um papo aqui, papo acolá, e imaginação com pé no chão. Vou usar minha bola de cristal para tentar prever três resultados eleitorais.
  • Dilma (PT) vence, talvez no primeiro turno. Eu me baseio no poder da máquina e na inconsistência dos nomes da oposição. A máquina governamental, bem usada, bem azeitada, é capaz de mover montanhas. E apesar dos pequenos reveses da economia, da relação com os aliados e do clamor das ruas, a máquina federal ainda conta com uma força-reserva monumental, graças à sua política social (isso sem contar a força-Lula...). A oposição, fraca, ajuda muito. Marina (?), até hoje, tem um partido indefinido. Variou da crença evangélica ao PT, passou pelo PV e chega hoje a uma Rede da Solidariedade que ainda não encontrou gancho para se sustentar. Tá difícil. Aécio (PSDB) é o mais frágil dos tucanos. Não tem a antipatia atávica de Serra (PSDB), mas também não tem o mesmo preparo nem o mesmo maquiavelismo. Tem um lado simpático, jovem, moderno, mas pesa contra ele o lado irresponsável, “garotão”. Eduardo Campos (PSB) continua ciscando. Já esteve melhor na fita, mas o Nordeste disse não à sua candidatura. A tendência agora, acredito, é de algum modo apoiar Dilma.
  • Alckmin (PSDB) vence em São Paulo, será reeleito Governador. Apesar de sua política de insegurança assustadora, ainda pode contar com a ação da máquina no Interior. Os petistas Mercadante, Marta e Padilha não avançaram bastante e Haddad até agora não ajudou em nada. Os outros não têm nem papo.
  • Pezão (PMDB) vence no Rio, passará de Vice para Governador. Talvez seja a previsão mais polêmica, mas é bom lembrar que, hoje, os principais nomes (além do Pezão, temos Lindberg, do PT, talvez Garotinho, do PR, e Cesar Maia, do DEM) estão praticamente em empate técnico, com a vantagem para Pezão de ser o menos conhecido e de poder contar com a máquina estadual e a com a política de segurança que mais deu certo até agora. Não estou contando ainda com Miro Teixeira, do PDT, porque não levo muita fé na sua candidatura. Também não considero que Freixo, do PSOL, corra o risco de se candidatar agora. Nem acho que os tucanos tenham algum nome viável. Pezão conta também com a alta rejeição dos outros três e não se contamina com a rejeição (talvez temporária) de Sérgio Cabral. Seu estilo pé no chão, realizador, alheio aos holofotes passou a ser grande virtude para o momento. O PT ainda vive a dúvida de apoiar ou não apoiar a candidatura peemedebista, porque pensa no fortalecimento da aliança nacional. Mas é difícil frear a ânsia do petismo local para tentar a sorte com um nome eleitoralmente melhor, por isso é quase irreversível a candidatura de Lindberg. Aliás, em 2006, isso já aconteceu, e o PT, com Vladimir, teve 7,7% dos votos contra 41, 4% de Sérgio Cabral. No dia seguinte, o grupo de Cabral reuniu-se para discutir se apoiaria Lula ou Alckmin. Foi coisa rápida. Cabral e Pezão apoiavam Lula e logo telefonaram para comunicar a decisão. Se Lindberg for mesmo candidato, certamente terá mais votos do que Vladimir - mas apenas isso.